INTRODUÇÃO
Já há muito tempo venho
tentando, como amador, naturalmente, montar a árvore genealógica da família Azambuja, sobrenome do meu pai, Carlos Ferreira de Azambuja. Tal tarefa tem,
muitas vezes, sido provado muito difícil, quando não impossível, mesmo para
profissionais da área. Logo constatei tal fato pessoalmente: muitas vezes as
fontes são duvidosas, há muitos erros de transcrição, pessoas muitas vezes
adotam o sobrenome sem possuir qualquer laço de consanguinidade com a família –
era fato comum, antigamente, até mesmo escravos libertos, em reconhecimento a
antigos patrões, adotarem oficialmente o seu sobrenome, assim criando
personagens que nada tinham a ver com a família -, determinadas gerações não
produzem varões que mantenham o sobrenome de interesse, outros simplesmente
declinam do seu sobrenome paterno para adotar o sobrenome da mãe. Enfim,
trata-se de empreitada complexa, cuidadosa e, sobretudo, longa, sem qualquer
garantia de sucesso. Por essa razão, antes que as dificuldades me tentassem à
renúncia do meu objetivo, decidi publicar esta pequena postagem em que
apresento as origens do nome “Azambuja” bem com alguns fatos a ele relativos
deixando, talvez, para as calendas gregas, não o prosseguimento da minha
pesquisa maior, mas possivelmente a sua conclusão.
ORIGEM DO NOME E DESCENDÊNCIA
Parte da Espanha e Portugal na Península Ibérica |
A origem da Família Azambuja remonta
ao século XII, em Portugal. Em realidade, nessa época, Portugal não era ainda o
país tal como o conhecemos hoje, mas apenas um “ex-Condado Portucalense”. Foi
no início desse século que o reino de Portugal conseguiu a sua independência em
relação ao Reino de Leon (um dos reinos da península Ibérica) e seu primeiro
monarca, Dom Afonso Henrique (Afonso I), foi proclamado rei em 1139, de acordo
com artigo que já publiquei em fevereiro de 2010, neste mesmo “blog”, sob o
título “Breve Histórico das Origens de Portugal”, em três partes.
O sobrenome português
“Azambuja” (etimologicamente significando “oliveira brava”, de origem árabe -
azzabuja) tem origem local, constituindo-se num daqueles sobrenomes derivados
do nome do lugar onde um homem uma vez viveu ou possuiu terras. Neste caso,
este sobrenome vem do Município e da Vila de Azambuja, que é a sede do
município, com uma população atual de 6.900 habitantes, pertencentes ao
Distrito de Lisboa, Portugal.
Lisboa, na foz do Tejo e Azambuja, no centro do mapa |
O Município português de Azambuja é composto por nove
freguesias: Alcoentre, Aveiras de Baixo, Aveiras de Cima, Azambuja, Maçussa, Manique do Intendente, Vale do Paraíso, Vila
Nova da Rainha e Vila Nova de São Pedro, cujas localizações podem ser vistas no
mapa. Em termos demográficos, a população do município era, em 1991, de 19.600
residentes para uma área geográfica de 262 km2; e a variação da
população residente, entre 1960 e 1991, foi de 7%. A Vila de Azambuja é situada
na bacia hidrográfica do rio Tejo, que deságua logo a jusante no Oceano
Atlântico, a nordeste de Lisboa e a sudeste de Santarém.
A
região de Azambuja foi conquistada pelo primeiro Rei de Portugal, D.
Afonso Henrique, que governou do ano 1140 ao ano 1185, após árdua batalha em
companhia dos Cavaleiros da Ordem de Cristo, anteriormente denominados
Cavaleiros Templários, com o objetivo de expulsar os Árabes, na época Mouros, dessa
região, já que ocuparam por séculos toda a Península Ibérica. Como recompensa,
essa região foi doada ao nobre cruzado-cavaleiro D. Childe Rolim, que tornou-se
seu primeiro senhor, sem lhe adotar o nome (Senhor de Azambuja). Sua filha
Maria Rolim, casada com Gonzalo Fernandes de Tavares, batizou seu primeiro
filho como Fernão Gonçalves de Azambuja,
sendo este o primeiro descendente a levar o sobrenome Azambuja.
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Nove freguesias de Azambuja |
D.
Sancho I, que sucedeu no trono a seu pai, Afonso I, em 1185, concedeu-lhe a
carta de foral (carta de lei que regulava a administração de uma cidade) e mandou
repovoá-la em 1200. Muitos anos mais tarde, em 1513, D. Manuel atribuiu-lhe
novo foral.
Portanto, Fernão Gonçalves de
Azambuja era filho de Gonzalo Fernandes de Tavares e sua esposa Dona Maria
Rolim, Senhora de Azambuja e filha de Childe Rolim, primeiro lorde da cidade de
Rolim, um título que lhe foi outorgado pelo Rei Sancho I, em 1200.
Os membros da família Azambuja
são descendentes diretos de Fernão
Gonçalves de Azambuja, que foi a primeira pessoa a ser assim chamada, uma
vez que foi o primeiro lorde da cidade (no Reino Unido chama-se, até hoje, de
“landlord”, o proprietário de alguma terra no campo, ou casa na cidade) com
este nome. Na nomenclatura portuguesa, ele teria sido o primeiro Alcaide-Mor da
cidade.
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Bandeira Vila Azambuja |
Fernão Gonçalves de Azambuja foi
designado Alcaide-Mor da cidade de Azambuja, por morte de seu avô, D. Rolim, e
casou-se com Dona Ouruana Godins, filha de Don Godinho de Pousada e sua esposa,
Dona Santa Pires. Tiveram três filhos: Rui Fernandes Rolim, Tareja Fernandes e Urraca
Fernandes.
Rui Fernandes Rolim, também senhor
de Azambuja, foi casado com Elvira Esteves de Avelar e teve com ela quatro
filhos: Pedro Rodrigues Rolim, senhor de Azambuja, Paio Rodrigues de Azambuja,
Estevão Rodrigues de Azambuja (alcaide-mor de Azambuja) e João Rodrigues de
Azambuja.
Pedro Rodrigues de Azambuja
casou-se com Teresa Rodrigues de Nóbrega e tiveram o filho Gonçalves Rodrigues
de Azambuja. Este casou-se com Leonor Esteves e deles nasceu Leonor Gonçalves.
Estevão Rodrigues de
Azambuja teve dois filhos: João Esteves de Azambuja e Afonso Esteves de
Azambuja. A partir daí, os nomes se perdem na poeira do tempo. Mais tarde temos
notícias de que a família Azambuja costumava acompanhar os monarcas portugueses
desde o século XIV. Por exemplo, João Rodrigues de Azambuja e seu sobrinho Gonçalo
Rodrigues seriam próximos de Afonso IV. Essas notícias informam também que a
família Azambuja insere-se num grupo mediano dentro da nobreza da Corte,
situado numa posição hierarquicamente inferior a de famílias mais influentes no
período medieval, como os Sousas, os Meneses ou os Pachecos, entre outras.
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Brazão Vila Azambuja |
O primeiro Azambuja a chegar ao
Brasil, em 1683, chamava-se Manoel de Azambuja e veio para o começo de uma nova
vida, uma nova geração, a origem de uma família que chegava ao Brasil.
Em 1732, Francisco Xavier Azambuja,
filho de Manoel de Azambuja, iniciou uma geração de pioneiros que fez história
na criação e revolução do Estado do Rio Grande do Sul, tornando-se a maior
geração de descendentes de Azambuja.
A segunda maior geração dos
Azambuja encontra-se em
Minas Gerais e é formada por descendentes de João Ribeiro Azambuja,
que saiu do Rio Grande do Sul por volta de 1760, espalhando-se pelo Triângulo
Mineiro, Campo Formoso e Campo Florido.
Cerca de dois séculos após
o primeiro Azambuja chegar ao Brasil, por volta de 1870, seus descendentes
chegavam à terra do Pantanal Mato-grossense. Após a guerra do Paraguai, cinco
gerações de doze irmãos dos Ribeiro Azambuja saíram do
Triângulo Mineiro e chegaram à terra do Pantanal. Mais precisamente na região
de Três Lagoas e Campo Grande (Garcia Azambuja); Ponta Porã e Itahum (Lopes
Azambuja); Dourados (Luiz
Azambuja); Maracajú (Ferreira Azambuja);
Aquidauana (os gaúchos Azambuja).
Pelourinho de Azambuja |
Essa tornou-se a terceira maior
geração de Azambuja. Uma geração de desbravadores, de criadores de gado, de
educadores, de políticos, de profissionais liberais; de uma forma ou de outra,
gente realizada.
Outras referências ao sobrenome
Azambuja, incluem o batizado de uma Maria Azambuja (por acaso o nome de minha mãe),
filha de Diniz Augusto
de Azambuja e Brazilia da Silva P. Azambuja, que foi
celebrado em Santa
Efigênia, São Paulo, Brasil, em 10 de fevereiro de 1858. Joaquim Azambuja, seu
irmão, foi batizado na mesma igreja, em 14 de abril de 1861.
AZAMBUJAS MAIS CONHECIDOS
Do fundador da família Azambuja,
Fernão Gonçalves de Azambuja, resultaram portadores notáveis do sobrenome, que
incluem, entre outros, o explorador e colonizador Diogo de Azambuja
(1432–1518), o teólogo português Jerónimo de Azambuja, que morreu em 1563, e o
escritor e genealogista José
Gomes Amado de Azambuja.
Diogo de Azambuja, explorador da
costa africana, liderou uma expedição à Costa do Ouro, com Bartolomeu Dias, em
1481 e morreu após essa viagem, seguindo fortes pelejas com sua saúde mental,
com a idade de 86 anos. Deixou seu nome registrado na história de Portugal,
chegando a ser mencionado por Pedro Álvares Cabral no livro “Nau Capitânia”,
escrito por Walter Galvani.
O Padre Mestre Frei Jerónimo da
Azambuja, da Ordem dos Dominicanos, professou no Convento de Santa Maria da
Vitória da Batalha, a partir de 6 de Outubro de 1520, do qual foi,
posteriormente, eleito prior. Tinha amplos conhecimentos de Teologia
Escolástica e pleno domínio das línguas hebraica e grega. Foi embaixador régio
no Concílio de Trento, no final do ano de 1545, com outros dois religiosos da
mesma ordem. Dos seus escritos, só uma pequena parte se publicou, em comparação
com o que escreveu durante toda a sua vida. Do convento serviu no Tribunal do
Santo Ofício, em Lisboa, por ordem do Cardeal Infante, mas voltou mais tarde
como provincial, em 1560.
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General Estácio Azambuja |
Mais recentemente, no Estado do
Rio Grande do Sul, surge o nome do chefe revolucionário Estácio Azambuja.
Nascido em Camaquã a 18 de dezembro de 1860, muito cedo fixou residência em
Bagé, onde permaneceu até a sua morte em 9 de abril de 1938. Durante a chamada
“Velha República” (1889 – 1930), distinguiu-se pela efetiva participação nos
movimentos armados que fizeram tremer o solo gaúcho. Na Revolução Federalista
de 1893 esteve ao lado de Joca Tavares; na Revolução de 1923, contra Borges de
Medeiros, organizou sua própria força, constituída, basicamente, por familiares
e jovens de Bagé. Em todas as oportunidades mostrou energia e bravura
exemplares, mostrando lealdade e escrúpulos que o notabilizaram pelo respeito
dedicado à vida e aos bens dos adversários enfrentados.
Mais modernamente, surge o nome
de Darcy Pereira de Azambuja, jurista, escritor, historiador e professor
gaúcho. Nascido em Encruzilhada do Sul em 26 de agosto de 1903, era filho de
Ignácio Soares de Azambuja e de Maria Josefa Pereira de Azambuja. Cursou o
ensino primário na Escola do Prof. Inácio Montanha e, posteriormente, foi para
o Colégio Militar, onde concluiu o curso de Agrimensura, em 1921. Em 11 de maio
de 1927, fez-se bacharel em Direito pela Faculdade Livre de Direito de Porto
Alegre, mesmo ano em que foi nomeado para a 4ª Promotoria Pública da Capital, a
partir da qual exerceu vários cargos públicos na área jurídica. Foi professor
da Faculdade de Direito de Porto Alegre, Universidade Federal do Rio Grande do
Sul e na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, onde lecionou
um sem número de disciplinas, nos cursos de Direito, Ciências Sociais e
Políticas, Jornalismo, Português, Letras Clássicas, Letras Neo-Latinas e Letras
Anglo-Germânicas.
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Darcy Azambuja |
Foi membro do Conselho da Ordem dos Advogados do Brasil – RS,
membro do Instituto dos Advogados do Rio Grande do Sul, membro do Instituto
Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul e membro da Academia Rio-Grandense
de Letras. Recebeu o título honorífico de Comendador da Ordem da Coroa da
Itália, concedido pelo Rei Vittoro Emmanuelli III (1937) e o de Officier
d’Académie, concedido pelo Ministério da Educação da França (1948). Publicou
vários livros, entre eles a obra jurídica “A Teoria Geral do Estado” e o livro
de contos “No Galpão”. Este último obteve para Darcy Azambuja, em 1925, o
primeiro prêmio de contos, instituído pela Academia Brasileira de Letras, além
de ser apontado entre as coisas mais significativas já escritas sobre o Rio
Grande.
De Darcy Pereira de Azambuja, diz
Celso Pedro Luft, professor, gramático, filólogo, lingüista e dicionarista
gaúcho: ‘Com os
contos de “No Galpão”, retomou, com êxito, os caminhos da ficção gauchesca de
categoria literária, trilhados por Simões Lopes Neto. O mesmo realismo seleto,
com a observação do pormenor característico, a narrativa movimentada, o diálogo
fidedigno. É a fronteira gaúcha com suas tradições, seus aspectos rústicos; a
vulgaridade e a grandeza contrastante do campeiro, suas bravatas e heroísmos...’.
Darcy Pereira de Azambuja faleceu
em Porto Alegre, em 14 de março de 1970.
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Brasão de Armas da Família Azambuja |
As armas, abaixo descritas, foram
outorgadas à família, ostentando o nome Azambuja, cujo status de nobreza foi
confirmado pela Corte Portuguesa.
O Brasão de Armas é subdividido
em quadrantes. O
primeiro e quarto possuem, sobre fundo vermelho, um castelo de três torres em
azul celeste claro, sendo a torre do meio a mais alta; o segundo e o terceiro quadrantes
com quatro bandas vermelhas sobre fundo dourado. O Coroamento traz um castelo,
como nas armas.
Evidentemente, minha pesquisa não
acaba aqui, pois essa é apenas a origem do nome Azambuja e a sua ligação com a lusitana
terrinha natal. Continuamos levantando a genealogia dos Azambuja e um dia, quem
sabe, conseguiremos mostrar a quem interessar possa, a completa saga dos
Azambuja. Então, nos encontraremos novamente...