Homenagem ao lendário herói ancestral dos ingleses que deu título a um dos considerados "Cem Maiores Livros do Mundo" e tido como o mais antigo escrito em "Old English".

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sábado, 1 de julho de 2017

UMA PEQUENA HISTÓRIA DOS ÁRABES MUÇULMANOS (Parte 7 - Final)

VII.2 – DECLÍNIO E DERROTA DOS MUÇULMANOS

Durante o século IX, os berberes retornaram à África, como consequência das revoltas no mundo muçulmano. Muitos governadores de grandes cidades distantes da capital, Córdoba, tinham planejado estabelecer suas independências. Então, em 929, o Emir de Córdoba, Abd-ar-Rahman III, o líder da dinastia Omíada, declarou-se Califa, independente dos Abássidas de Bagdá. Tomou os poderes militar, religioso e político, reorganizando o exército e a burocracia. Após ganhar o controle sobre os governadores dissidentes, Abd-ar-Rahman III tentou conquistar os reinos cristãos remanescentes na Ibéria, atacando-os várias vezes e empurrando-os para além das Montanhas Cantábricas (cordilheira ao norte da Espanha, com 480 km de extensão). Seu neto tornou-se um fantoche nas mãos do grande Vizir Almanzor (al-Mansur), que empreendeu várias campanhas atacando e saqueando Burgos, Leão, Pamplona, Barcelona e Santiago de Compostela, antes de sua morte, em 1002. Entre sua morte e 1031, o Al-Andalus sofreu muitas guerras civis, que terminaram com a divisão nos Reinos Taifas, já mencionados, 34 (trinta e quatro) pequenos reinos centrados em suas capitais. Seus governadores não possuíam visão de escala sobre a presença moura na península e não tinham receio de atacar os reinos vizinhos sempre que pudessem tirar vantagem disso. Essa divisão em reinos menores enfraqueceu a presença islâmica e os reinos cristãos avançaram quando Alfonso VI conquistou Toledo em 1085. Cercados por seus inimigos, os governantes taifa enviaram um apelo desesperado ao chefe berbere Yusuf ibn Tashfin, líder dos Almorávidas. 
Cronograma geral da Reconquista, já com o Reino de
Astúrias ampliado para Reino de Leão e Navarra
Os Almorávidas eram uma milícia muçulmana, primariamente composta por berberes e mouros africanos e, diferentemente dos governadores muçulmanos anteriores, não tão tolerantes com os cristãos e judeus. Seus exércitos entraram na Ibéria em várias ocasiões e derrotaram o rei Alfonso em 1086, na Batalha de Sagrajas, mas seu objetivo inicial era unir as taifas num só califado Almorávida. Suas ações retardaram a expansão dos reinos cristãos e sua única derrota ocorreu em Valência, 1094, pelas ações de El Cid.
Enquanto isso, Navarra perdia toda sua importância sob o rei Sancho IV, que perdeu Rioja para Sancho II de Castela e quase tornou-se vassalo de Aragão. Com sua morte os navarrenses escolheram para seu rei Sancho Ramirez, rei de Aragão, que se tornou Sancho V de Navarra e I de Aragão (1063). Sancho Ramirez ganhou reconhecimento internacional para Aragão, unindo-o a Navarra e expandindo as fronteiras para o sul, conquistando Huesca (nordeste da Espanha) em 1096 e construindo o forte El Castelar, a 25 km de Zaragoza.
A Catalunha esteve sob intensa pressão das taifas de Zaragoza e Lérida, bem como de disputas internas, pois Barcelona sofreu uma crise dinástica que conduziu à guerra entre os condados menores. Mas pela década de 1080, a situação havia se acalmado e o domínio de Barcelona foi restaurado.
Após um breve período de desintegração, os Almóadas, poder em ascensão no norte da África, descontentes com o insucesso dos Almorávidas, tomaram a maioria do Al-Andalus. Os papas chamaram os cavalheiros da Europa às Cruzadas na Península, fazendo com que exércitos da França, Navarra, Castela, Portugal e Aragão se unissem contra as forças muçulmanas, decisivamente derrotando os Almóadas na Batalha das Navas de Tolosa, em 1212, que assim perderam quase todas as terras remanescentes do Al-Andalus nas décadas que se seguiram. Por 1252, somente o reino de Granada permanecia como um estado muçulmano soberano na Península Ibérica. 
A capitulação de Granada em 1492: Fernando e Isabel
e Muhammad XII
O reino mouro de Granada ainda continuaria por quase três séculos, ao sul da Ibéria. Fernando e Isabel, que herdaram os reinos de Aragão e Castela, respectivamente, eram primos, casaram-se em 1469 e completaram a Reconquista com a guerra contra o Emirado de Granada, iniciada em 1482 e encerrada com a rendição de Granada em 2 de janeiro de 1492. Os habitantes mouros não receberam qualquer ajuda militar ou resgate de outras nações muçulmanas. Os mouros, em Castela, chegaram a atingir meio milhão de pessoas dentro do reino. Por 1492, 100.000 (cem mil) haviam morrido ou sido escravizados, 200.000 (duzentos mil) haviam emigrado e 200.000 (duzentos mil) permaneceram em Castela. Muito da elite muçulmana, considerando o domínio cristão intolerável, emigrou para Tlemcen, noroeste de Argélia, norte da África. Os judeus restantes também foram forçados a deixar a Espanha, converterem-se à cristandade católica romana ou serem mortos por se recusarem. 
O Palácio Real de Alhambra, Granada, Espanha
Diz-se que os muçulmanos lamentam, anualmente, a perda de Granada, com seu maravilhoso palácio e jardins de Alhambra, seu palácio real na cidade. Na Espanha, festas anuais comemoram a vitória. O ano de 1492 foi um ano significativo não apenas para a Espanha, mas globalmente. Ele marcou o fim do domínio muçulmano no Al-Andaluz, a expulsão de judeus e muçulmanos e a viagem de Cristóvão Colombo às Américas. Em seu diário, Colombo colocou sua aventura no contexto da conquista de Granada por seus benfeitores. Argumenta-se que o sucesso dos espanhóis no que eles viram como uma cruzada contra o Islamismo, forneceu o estímulo e o ímpeto para as suas conquistas do Novo Mundo, o que eles fizeram “com a espada numa mão e a Bíblia na outra, a partir do seu recente triunfo sobre os muçulmanos”.

VIII – O REPOVOAMENTO CRISTÃO DA PENÍNSULA IBÉRICA

A Reconquista foi um processo não somente de guerra e conquista, mas também de repovoamento. Os reis cristãos moveram seus próprios povos para localidades abandonadas pelos muçulmanos, para ter uma população capaz de defender as fronteiras. As principais áreas de repovoamento foram a bacia do Douro (planalto norte), o alto vale do Ebro (La Rioja) e a Catalunha central. O repovoamento da bacia do Douro teve lugar em duas fases distintas: na área norte da bacia, entre os séculos IX e X, o sistema de presura foi empregado; no sul do Douro, nos séculos X e XI, a presura conduziu aos fueros ou forais, que também foram usados ao sul da Cordilheira Central. 
Os reis católicos Fernando e Isabel,
de Aragão e Castela
A presura se referia a um grupo de camponeses que atravessavam as montanhas e se estabeleciam nas terras abandonadas da bacia do Douro. As leis Asturianas promoveram esse sistema, por exemplo, outorgando a um camponês toda a terra que ele poderia cultivar e defender como sua propriedade. Claro que os nobres menores, da Galícia e Astúrias enviaram suas próprias expedições com os camponeses que eles mantinham, conduzindo a muitas áreas feudalizadas, como Leão e Portugal, enquanto Castela, uma área árida com vastas planícies e clima severo, somente atraiu camponeses sem esperanças de irem para Biscaia (província da Espanha ao norte da comunidade autônoma do País Basco). Por consequência, Castela era governada por um só conde, mas com território predominantemente não feudal, com muitos camponeses livres. A presura também surgiu na Catalunha, quando o conde de Barcelona ordenou ao bispo de Urgell e ao conde de Gerona que repovoassem as planícies de Vic (capital da comarca de Osona, província de Barcelona, Catalunha).
Do século X em diante, as cidades grandes e pequenas ganharam mais importância e poder, à medida que o comércio ressurgia e a população continuava crescendo. Os fueros, conforme já comentado anteriormente, eram documentos que relacionavam os privilégios e usos concedidos a todo o povo que repovoava uma cidade, e forneciam uma forma de escapar do sistema feudal, pois eram concedidos somente pelo rei. Como resultado, o conselho da cidade era dependente somente do monarca e, em troca, deviam fornecer ajuda ou tropas ao seu rei. A força militar das cidades transformou-se nos caballeros villanos (cavalheiros das vilas). O primeiro fuero foi dado ao conde Fernán Gonzales para os habitantes de Castrojeriz, na década de 940. As mais importantes cidades da Ibéria medieval tinham fueros ou forais. Em Navarra os fueros foram o sistema mais importante de repovoamento. Mais tarde, no século XII, Aragão também empregou o sistema, por exemplo, o fuero de Teruel, um dos últimos, no início do século XIII. Do meio deste século para diante, não foram concedidas mais cartas, pois a pressão demográfica havia desaparecido e outros meios de repovoamento foram criados.
A língua falada nas partes da Península sob o domínio muçulmano, era o árabe andaluso, extinto com a expulsão dos mouriscos (descendentes da população muçulmana espanhola convertida ao cristianismo), mas cuja influência na língua espanhola, até hoje é encontrada.
Embora o número de muçulmanos colonizadores (em sua maioria mouros) fosse pequeno, muitos habitantes ibérios nativos se converteram ao islamismo. Pelo ano 1000, cerca de 5 milhões dos 7 milhões de habitantes, a maioria deles descendentes de ibérios nativos convertidos, eram muçulmanos. Havia também africanos do sub Saara, que haviam sido absorvidos no Al-Andalus para serem usados como soldados e escravos. O Califado de Córdoba entrou em colapso em 1031 e o território muçulmano na Ibéria caiu sob o domínio do Califado Almóada em 1153. Este segundo estágio foi guiado por uma versão do islamismo que deixou para trás as práticas mais tolerantes. Em 1480, para exercer o controle social e religioso, Fernando e Isabel concordaram com a entrada da Inquisição na Espanha. A população muçulmana de Granada rebelou-se em 1499 e assim permaneceu até 1501, dando às autoridades de Castela uma desculpa para anular o Tratado de Granada, (final de 1491) que garantia vários direitos aos muçulmanos que se rendiam. Em 1501, as autoridades de Castela emitiram um ultimato aos muçulmanos de Granada: converterem-se ao cristianismo ou serem expulsos. Alguns converteram-se e permaneceram na Ibéria.

terça-feira, 13 de junho de 2017

UMA PEQUENA HISTÓRIA DOS ÁRABES MUÇULMANOS (Parte 6)

VII – A RECONQUISTA



VII.1 – A RESISTÊNCIA DOS REINOS DO NORTE

O declínio do domínio muçulmano, na Península Ibérica, começou praticamente após concluída a sua conquista, em 713.
A “Reconquista” é o período da história da Península Ibérica que abrange, aproximadamente, 770 anos, entre a conquista islâmica da Hispania, em 711, e a perda do último reduto do Estado Muçulmano, em Granada, em 1492, para os reinos cristãos em expansão. O fim da Reconquista coincidiu com a descoberta das Américas pela Espanha – o “Novo Mundo” -, prenunciando os impérios coloniais português e espanhol. A historiografia tradicional, especialmente os estudiosos espanhóis, têm enfatizado a existência da “Reconquista”, o fenômeno contínuo pelo qual os reinos cristãos ibéricos se opuseram e conquistaram os reinos muçulmanos, entendido como um inimigo comum que havia militarmente tomado territórios cristãos.
O Império Muçulmano cerca de 750
A figura ao lado mostra o Império Muçulmano pelo ano 750, logo após o início da Reconquista, de acordo com as épocas em que as conquistas islâmicas foram realizadas. Esse mapa serve para dar uma ideia da grandeza do conjunto de terras que haviam sido conquistadas pelos árabes muçulmanos até essa época.
Como em todos os impérios, também entre os muçulmanos conquistadores, atritos começaram a surgir, principalmente pela tensão étnica entre árabes e berberes, recém convertidos ao islamismo, mas que haviam fornecido muitos homens para os combates e sentiam a discriminação contra eles. Este conflito interno deteriorou a unidade muçulmana.
Península Ibérica cerca de 750 com o Reino das Astúrias
quebrando a hegemonia muçulmana
Após a conquista islâmica moura de quase toda a península ibérica, entre 711 e 718, e o estabelecimento do emirado de Al-Andalus, estados cristãos baseados no norte e oeste, lentamente começaram a estender o seu poder sobre o resto da Ibéria. Os Reinos de Navarra, da Galícia, de Leão, de Portugal, de Aragão, da Marca Hispânica e da Coroa de Castela, iniciaram o processo de expansão e consolidação interna durante os vários séculos que se seguiram, sob a bandeira da Reconquista. Seu início é, tradicionalmente, definido pela batalha de Covadonga (718 ou 722), primeira vitória das forças militares cristãs desde a invasão muçulmana em 710. Nesta batalha, um pequeno exército cristão, liderado pelo nobre visigodo Pelagius, derrotou o exército do califado nas montanhas do norte da Ibéria, estabelecendo o independente Reino Cristão das Astúrias em oposição à hegemonia muçulmana. A dinastia de Pelagius, nas Astúrias, sobreviveu e, gradualmente, expandiu os limites do reino até que o noroeste da Ibéria foi incluído, cerca de 775. Contudo, o crédito todo não foi devido apenas a ele, mas também aos seus sucessores. Alfonso I (rei de 739 a 757) convocou o apoio da Galícia quando de lá expulsou o exército mouro, bem como de uma área do que posteriormente tornou-se o Reino de Leão ou Galícia Leão.
Don Pelagius, primeiro rei das Astúrias
Uma expansão adicional do reino, do noroeste em direção ao sul, ocorreu durante o reino de Alfonso II (791 a 842) e, por um curto período, quase alcançou Lisboa. O reino tornou-se firmemente estabelecido com o reconhecimento de Alfonso II como rei de Astúrias, por Carlos Magno e pelo Papa. Durante o seu reinado, foi declarada a descoberta dos ossos de Tiago, um dos apóstolos de Jesus, na Galícia, em Santiago de Compostela; peregrinos de toda a Europa abriram um canal de comunicação entre as isoladas Astúrias e as terras Carolíngias (veremos a seguir) e ainda além. Embora numerosas batalhas, nem os omíadas nem os asturianos tinham poder suficiente para assegurar o controle desses territórios do norte. Alfonso III repovoou a estrategicamente importante cidade de Leão, estabelecendo-a como capital das Astúrias. Iniciou uma série de campanhas para estabelecer o controle das terras ao norte do rio Douro; reorganizou seus territórios em ducados principais (Galícia e Portugal) e condados importantes (Saldaña e Castela), fortificando as fronteiras com muitos castelos. Com a sua morte, em 910, a mudança no poder regional foi completada quando o reino tornou-se o Reino de Leão. Dessa base de poder, seu herdeiro Ordoño II pode organizar ataques contra Toledo e mesmo Sevilha.
Espanha ao tempo de Alfonso II com Astúrias e Galícia unidas
O Califado de Córdoba ganhava força e começou a atacar Leão. O rei Ordoño aliou-se com Navarra contra Abd-al-Rahman, mas foram derrotados em Valdejunquera em 920. Pelos próximos 80 anos o Reino de Leão sofreu com guerras civis, ataques dos mouros, intrigas e assassinatos internos e a independência parcial da Galícia e Castela, assim retardando a reconquista e enfraquecendo as forças cristãs. Só no século seguinte os cristãos começaram a ver suas conquistas como parte de um esforço de longo termo para restaurar a unidade do reino visigodo.
O único ponto deste período em que a situação tornou-se esperançosa para Leão, foi o reinado de Ramiro II, famoso pela legendária batalha de Clavijo. Em aliança com Fernán González de Castela, Ramiro derrotou o califa em Simanca, em 939. Após essa batalha, em que o califa mal escapou com vida, mas com seu exército destruído, o rei Ramiro teve 12 anos de paz, mas teve de conceder a González a independência de Castela. Sob o reinado de Ramiro, a fronteira deslocou-se lentamente em direção ao sul e as possessões asturianas em Castela, Galícia e Leão foram fortificadas, com um intenso programa de repovoamento no interior daqueles territórios. Os ataques dos mouros se atenuaram até que Almanzor iniciou suas campanhas. Alfonso V finalmente recuperou o controle de seus domínios em 1002. Navarra, embora atacada por Almanzor, permaneceu intacta.
Este reino do norte e outro de que vamos ainda falar, a Navarra Basca, embora seu pequeno tamanho, demonstraram habilidade para manter suas independências. Sem poder estender seu domínio além dos Pirineus, os governantes omíadas baseados em Córdoba resolveram consolidar seu poder na Península Ibérica. Forças árabes – berberes faziam incursões periódicas nas Astúrias mas falharam sempre em obter qualquer ganho duradouro contra os reforçados reinos cristãos.
Louis I, rei da Aquitânia e Imperador
do Sacro Império Romano Germânico
Da França, em 737 Charles Martel conduzira uma expedição para o sul ao longo do vale do Rhone para afirmar sua autoridade sobre as terras mantidas pelos omíadas do Al-Andalus. Atacou os omíadas na Septimânia até Narbone, mas teve de retirar o cerco e retornar para Lion e Francia (Reino dos Francos), após subjugar vários baluartes árabes, deixando atrás de si várias cidades e fortalezas em ruínas. Em 759, Pepino o Breve expulsou os muçulmanos, definitivamente, de Narbone, após 40 anos de ocupação e, empurrando-os de volta sobre os Pirineus, conquistou a Aquitânia (sudoeste da França, fronteira com a Espanha), numa implacável guerra de oito anos. Carlos Magno prosseguiu com o trabalho de seu pai, subjugando a Aquitânia pela criação de condados, tomando a Igreja como seu aliado, indicando condes do estoque franco ou burgundiano, como seu leal William de Gellone e tornando Toulouse a base de suas expedições contra Al-Andalus. Decidiu criar um sub-reino regional a fim de manter os habitantes da Aquitânia sob controle e garantir a fronteira sul do Império Carolíngio[1] contra incursões muçulmanas. Em 781 seu filho de três anos, Louis, foi coroado rei da Aquitânia, sob a supervisão de seu confiável William de Gellone, nominalmente encarregado da incipiente Marca Hispânica[2].
Entrementes, à tomada das franjas do sul do Al-Andalus, por Abd ar-Rahman I, em 756 opôs-se o seu governante autônomo ou rei, Yusuf ibn Abd al-Rahman. Este foi expulso de Córdoba por Abd, que ainda levou décadas para expandir aos distritos andaluzes do norte e oeste. Abd ainda sofreu a oposição externa dos abássidas de Damasco, que falharam em suas tentativas de detê-lo.
Em 778, Yusuf encerrou-se no vale do Ebro e os lordes governantes de Zaragoza, Girona, Barcelona e Huesca, inimigos de Abd ar-Rahman I, decidiram atrair os francos cristãos das proximidades, buscando o apoio de Carlos Magno em troca de sua reverência e fidelidade. Vendo uma boa oportunidade, Carlos Magno atravessou os Pirineus em 778 com uma expedição. Próximo de Zaragoza, Carlos Magno recebeu as homenagens de Salayman al-Arabi, mas a cidade, sob a liderança de Husayn, recusou submeter-se fechando os portões. Incapaz de conquistar a cidade pela força, Carlos Magno decidiu retirar-se, mas a caminho de casa a retaguarda de seu exército foi emboscada e destruída por forças locais, na Batalha do Passo de Roncevaux. “A Canção de Rolando[3]”, uma narrativa romantizada dessa batalha, tornar-se-ia mais tarde, uma das mais famosas canções de gesta (do latim, para feitos, façanhas) da Idade Média.
Cerca de 788, Abd ar-Rahman I morreu e foi sucedido por Hisham I que, em 792 proclamou uma jihad[4], avançando em 793 contra o Reino de Astúrias e os francos, e sendo derrotado por William de Gellone, Conde de Toulouse. Em 797, Barcelona, uma cidade importante, tornou-se um alvo potencial para os francos, quando seu governador Zeid rebelou-se contra o emir omíada de Córdoba. Um exército do emir recapturou-a em 799, mas Louis, no comando de um exército, atravessou os Pirineus e sitiou a cidade por dois anos, até que ela finalmente capitulou em dezembro de 801.
Os principais passos nos Pirineus eram Roncesvalles (Roncevaux), Somport e La Jonquera e através deles Carlos Magno estabeleceu as regiões vassalas de Pamplona, Aragão e Catalunha (região nordeste da Espanha), respectivamente; esta última formada de alguns pequenos condados. Elas protegiam os passos dos Pirineus orientais, sob o controle direto de reis francos, formando os remanescentes da Marca Hispânica. Quatro pequenos reinos logo hipotecaram sujeição a Carlos Magno, ao início do século IX (não por muito tempo): Pamplona (a tornar-se Navarra), e os condados de Aragão, Sobrarbe e Ribagorza (os dois últimos tornaram-se partes do condado de Aragão), todos ao norte da atual Espanha, fronteira com a França, nos Pirineus.
Ao final do século IX, sob o Conde Wilfred, Barcelona tornou-se de fato a capital da região, com controle sobre as políticas de outros condados em uma união que, em 948, conduziu à independência da Barcelona sob o Conde Borre II que declarou que a nova dinastia na França, os Capetos, não eram os legítimos governantes da França e, por consequência, deste condado.
Esses estados eram pequenos e, com exceção de Navarra, não possuíam capacidade para atacar os muçulmanos como fizera as Astúrias, mas sua geografia montanhosa provia-lhes relativa segurança para não serem conquistados e suas fronteiras permaneceram estáveis por dois séculos.
Espanha cerca do ano 1000, já com os reinos de Leão e Navarra
O reino de Pamplona estendia-se, originalmente, de ambos os lados dos Pirineus, para o Atlântico e foi formado quando o líder local Iñigo Arista conduziu uma revolta contra a autoridade franca regional e foi declarado rei em Pamplona (824), estabelecendo um reino intrincado, neste estágio ligado a seus parentes da dinastia Muwallad (muçulmanos descendentes de árabes, berberes e ibérios) Banu Qasi. Embora relativamente fraca até o início do século XI, Pamplona passou a ter um papel mais ativo após a ascensão de Sancho, o Grande (1004-1035), quando o reino se expandiu grandemente à medida que absorveu Castela, parte de Leão, Aragão, além de outros condados pequenos que se uniriam para formar o principado da Catalunha; essa expansão também conduziu à independência da Galícia bem como à regência sobre a Gasconha (então território francês). Contudo, no século XII, o reino se contraiu ao seu núcleo e, em 1162, o rei Sancho VI declarou-se rei de Navarra. Por toda sua história inicial, o Reino de Navarra envolveu-se em frequentes escaramuças com o Império Carolíngio, do qual sempre manteve sua independência, uma característica chave de sua história até 1513, já após a conclusão da Reconquista.
Ferdinando I de Leão (Reino de Leão após derrotar seu cunhado, em 1037) era o rei líder em meados do século XI. Ele conquistou Coimbra e atacou os reinos taifa[5], muitas vezes exigindo tributos com os quais ele as enfraquecia militar e financeiramente. Ele também repovoou as fronteiras com numerosos fueros[6]. De acordo com a tradição navarra, com a sua morte, em 1064, dividiu seu reino entre seus filhos. Seu filho Sancho II, de Castela, pretendeu reunir o reino de seu pai, atacando seus irmãos, em companhia de um nobre notável: Rodrigo Díaz, mais tarde cantado em verso e prosa, como Cid, o Campeador. Sancho foi morto no cerco de Zamora pelo traidor Bellido Dolfos (Vellido Adolfo), em 1072.
El Cid e Alfonso VI jurando não ter participado
do assassinato de seu irmão.
 Seu irmão Alfonso VI tomou conta de Leão, Castela e Galícia, deu mais poder aos fueros e repovoou Segovia, Ávila e Salamanca. Após ter reforçado as fronteiras, o rei Alfonso conquistou o poderoso reino taifa de Toledo, em 1085, primeira capital dos visigodos e importante marco, que lhe deu renome por todo o reino cristão. A conquista foi realizada de forma pacífica, durante várias décadas. Antes de tudo um monarca diplomata, Alfonso VI buscou entender os reis das taifas, empregando sempre medidas diplomáticas antes de considerar a força. Adotou o título “Imperador de Toda a Hispania”, referindo-se a todos os reinos cristãos da Península Ibérica e não apenas ao atual país da Espanha. A sua política mais agressiva, em relação às taifas, preocupou os governantes desses reinos, que buscaram ajuda dos Almorávidas
[7]
Espanha cerca de 1150, já com os reinos de Leão e Castela,
Navarra, Aragão e Portugal
O Reino de Aragão foi um desmembramento do Reino de Navarra, formado quando Sancho III de Navarra decidiu dividi-lo entre seus filhos. Aragão foi a parte do reino que passou a Ramiro I de Aragão, filho ilegítimo de Sancho III. Os reinos de Aragão e Navarra foram muitas vezes unidos em união pessoal, até a morte de Alfonso, o Batalhador, em 1135. O Reino de Aragão reuniu um grande número de territórios no Mediterrâneo, conhecidos como a Coroa de Aragão. James I de Aragão, também conhecido como James, o Conquistador, expandiu Aragão para o norte, sul e leste, assinando o Tratado de Corbeil (1258) que o liberava da suserania ao Rei da França. Antes disso, James tentara reunir as coroas Aragonesa e Navarra por um tratado com Sancho VII de Navarra, que não possuía filhos, mas os nobres do reino rejeitaram a proposta, escolhendo Teobaldo IV de Champagne para o seu lugar. Foi o seu descendente distante, Ferdinando II de Aragão, que trouxe o Reino ao pico do seu poder, com a conquista da Navarra Superior (ao sul dos Pirineus) e Granada.
Afonso I na Batalha de Ouriques
Em 1139, após uma esmagadora vitória na Batalha de Ourique, contra os Almorávidas, Afonso Henriques foi proclamado primeiro Rei de Portugal, por suas tropas e coroado pelo arcebispo de Braga. Pelo Tratado de Zamora, de 1143, Alfonso VII de Leão e Castela reconhecia a independência portuguesa do Reino de Leão. Em 1147, Portugal capturava Santarém aos mouros e sete meses depois, a cidade de Lisboa foi trazida dos mouros ao controle dos portugueses. Em 1179, pela bula papal “Manifestis Probatum”, o Papa Alexandre III reconhecia Afonso Henriques como Afonso I, do Reino de Portugal. Com Portugal finalmente reconhecido como reino independente por seus vizinhos, Afonso Henriques e seus sucessores, ajudados pelos Cruzados e as ordens monásticas militares dos Cavalheiros Templários e da Ordem de São Tiago, empurraram os Mouros até o Algarve, na costa sul de Portugal.
Espanha após 1250, com Portugal
independente e fronteiras consolidadas
Após várias campanhas, a parte portuguesa da Reconquista chegou ao seu final com a captura definitiva do Algarve, em 1249. Com Portugal sob o total controle de Afonso III, os grupos religiosos, culturais e étnicos se tornaram gradualmente homogeneizados.


[1] O Império Carolíngio (800–888) foi um imenso império da Europa Central e Oeste, da Idade Média, governado pela Dinastia Carolíngia que havia governado como reis dos francos desde 751 e como reis dos lombardos da Itália desde 774. Em 800, o rei franco Carlos Magno foi coroado imperador em Roma, pelo Papa Leão III, num esforço para reviver o Império Romano do ocidente durante a vacância do Império Romano do Oriente. Após uma guerra civil (840-843) com a morte do Imperador Louis, o Piedoso, o Império foi dividido em reinos autônomos, com um rei ainda reconhecido como imperador, mas com sua autoridade diminuída além do seu próprio reino. A unidade do império e o direito hereditário dos Carolíngios continuou a ser reconhecido.
[2] A Marca Hispânica foi uma zona de amortecimento além da Septimânia, criada por Carlos Magno em 795 como uma barreira entre os mouros omíadas de Al-Andalus e o Império Carolíngio franco. Com o passar do tempo ganhou independência do domínio imperial franco.
[3] “A Canção de Rolando” é um poema épico baseado na Batalha de Roncevaux, durante o reinado de Carlos Magno. É o mais antigo trabalho importante que sobrevive da literatura francesa, em várias versões manuscritas. A data da composição é tida como entre 1040 e 1115, com uma versão inicial de 1040 e adições e alterações feitas até 1115. Seu texto final tem ceca de 4.000 linhas de poesia. O poema épico é o primeiro e, junto com “O Poema do Cid”, um dos mais relevantes exemplos da canção de gesta, uma forma literária que floresceu entre os séculos XI e XV, celebrando feitos lendários.
[4] Jihad é uma palavra árabe que, literalmente, significa empenho, luta, especialmente com um objetivo louvável. Pode ter muitas nuanças de significado num contexto muçulmano, tais como luta contra as inclinações maldosas de alguém ou esforços para o aperfeiçoamento da sociedade. Na lei muçulmana clássica, o termo se refere à luta armada contra os infiéis (que não creem em Alá).
[5] Na história da Península Ibérica, uma taifa era um principado muçulmano independente, normalmente um emirado, embora houvesse uma oligarquia, dos quais um grande número foi formado no Al-Andalus, após o colapso final do Califado Omíada de Córdoba, em 1031.
[6] Originalmente, os fueros eram os estatutos jurídicos aplicáveis em uma determinada localidade, cuja finalidade era, em geral, regular a vida local, estabelecendo um conjunto de normas, direitos e privilégios outorgados pelo rei, o senhor da terra ou o próprio Conselho, isto é, as leis próprias de um lugar. Posteriormente passou a confundir-se com a própria localidade, vila ou cidade.
[7] Os almorávidas foram, originariamente, monges soldados saídos de grupos nômades provenientes do Saara. A dinastia almorávida abraçou uma interpretação rigorista do islamismo, unificando, sob o seu domínio, grandes extensões do mundo ocidental muçulmano, com as quais formaram um império, entre os séculos XI e XII, que chegou a estender-se pelas atuais Mauritânia, Saara Ocidental (sua origem), Marrocos e a metade sul da Península Ibérica.

A seguir, conclusão do artigo com a publicação da PARTE 7.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

ORIGEM DO NOME DA FAMÍLIA AZAMBUJA


INTRODUÇÃO

Já há muito tempo venho tentando, como amador, naturalmente, montar a árvore genealógica da família Azambuja, sobrenome do meu pai, Carlos Ferreira de Azambuja. Tal tarefa tem, muitas vezes, sido provado muito difícil, quando não impossível, mesmo para profissionais da área. Logo constatei tal fato pessoalmente: muitas vezes as fontes são duvidosas, há muitos erros de transcrição, pessoas muitas vezes adotam o sobrenome sem possuir qualquer laço de consanguinidade com a família – era fato comum, antigamente, até mesmo escravos libertos, em reconhecimento a antigos patrões, adotarem oficialmente o seu sobrenome, assim criando personagens que nada tinham a ver com a família -, determinadas gerações não produzem varões que mantenham o sobrenome de interesse, outros simplesmente declinam do seu sobrenome paterno para adotar o sobrenome da mãe. Enfim, trata-se de empreitada complexa, cuidadosa e, sobretudo, longa, sem qualquer garantia de sucesso. Por essa razão, antes que as dificuldades me tentassem à renúncia do meu objetivo, decidi publicar esta pequena postagem em que apresento as origens do nome “Azambuja” bem com alguns fatos a ele relativos deixando, talvez, para as calendas gregas, não o prosseguimento da minha pesquisa maior, mas possivelmente a sua conclusão.

ORIGEM DO NOME E DESCENDÊNCIA

Parte da Espanha e Portugal na Península Ibérica
A origem da Família Azambuja remonta ao século XII, em Portugal. Em realidade, nessa época, Portugal não era ainda o país tal como o conhecemos hoje, mas apenas um “ex-Condado Portucalense”. Foi no início desse século que o reino de Portugal conseguiu a sua independência em relação ao Reino de Leon (um dos reinos da península Ibérica) e seu primeiro monarca, Dom Afonso Henrique (Afonso I), foi proclamado rei em 1139, de acordo com artigo que já publiquei em fevereiro de 2010, neste mesmo “blog”, sob o título “Breve Histórico das Origens de Portugal”, em três partes.
O sobrenome português “Azambuja” (etimologicamente significando “oliveira brava”, de origem árabe - azzabuja) tem origem local, constituindo-se num daqueles sobrenomes derivados do nome do lugar onde um homem uma vez viveu ou possuiu terras. Neste caso, este sobrenome vem do Município e da Vila de Azambuja, que é a sede do município, com uma população atual de 6.900 habitantes, pertencentes ao Distrito de Lisboa, Portugal.
Lisboa, na foz do Tejo e Azambuja, no centro do mapa
 O Município português de Azambuja é composto por nove freguesias: Alcoentre, Aveiras de Baixo, Aveiras de Cima, Azambuja, Maçussa, Manique do Intendente, Vale do Paraíso, Vila Nova da Rainha e Vila Nova de São Pedro, cujas localizações podem ser vistas no mapa. Em termos demográficos, a população do município era, em 1991, de 19.600 residentes para uma área geográfica de 262 km2; e a variação da população residente, entre 1960 e 1991, foi de 7%. A Vila de Azambuja é situada na bacia hidrográfica do rio Tejo, que deságua logo a jusante no Oceano Atlântico, a nordeste de Lisboa e a sudeste de Santarém.
A região de Azambuja foi conquistada pelo primeiro Rei de Portugal, D. Afonso Henrique, que governou do ano 1140 ao ano 1185, após árdua batalha em companhia dos Cavaleiros da Ordem de Cristo, anteriormente denominados Cavaleiros Templários, com o objetivo de expulsar os Árabes, na época Mouros, dessa região, já que ocuparam por séculos toda a Península Ibérica. Como recompensa, essa região foi doada ao nobre cruzado-cavaleiro D. Childe Rolim, que tornou-se seu primeiro senhor, sem lhe adotar o nome (Senhor de Azambuja). Sua filha Maria Rolim, casada com Gonzalo Fernandes de Tavares, batizou seu primeiro filho como Fernão Gonçalves de Azambuja, sendo este o primeiro descendente a levar o sobrenome Azambuja.
Nove freguesias de Azambuja
D. Sancho I, que sucedeu no trono a seu pai, Afonso I, em 1185, concedeu-lhe a carta de foral (carta de lei que regulava a administração de uma cidade) e mandou repovoá-la em 1200. Muitos anos mais tarde, em 1513, D. Manuel atribuiu-lhe novo foral.
Portanto, Fernão Gonçalves de Azambuja era filho de Gonzalo Fernandes de Tavares e sua esposa Dona Maria Rolim, Senhora de Azambuja e filha de Childe Rolim, primeiro lorde da cidade de Rolim, um título que lhe foi outorgado pelo Rei Sancho I, em 1200.
Os membros da família Azambuja são descendentes diretos de Fernão Gonçalves de Azambuja, que foi a primeira pessoa a ser assim chamada, uma vez que foi o primeiro lorde da cidade (no Reino Unido chama-se, até hoje, de “landlord”, o proprietário de alguma terra no campo, ou casa na cidade) com este nome. Na nomenclatura portuguesa, ele teria sido o primeiro Alcaide-Mor da cidade.
Bandeira Vila Azambuja
 Fernão Gonçalves de Azambuja foi designado Alcaide-Mor da cidade de Azambuja, por morte de seu avô, D. Rolim, e casou-se com Dona Ouruana Godins, filha de Don Godinho de Pousada e sua esposa, Dona Santa Pires. Tiveram três filhos: Rui Fernandes Rolim, Tareja Fernandes e Urraca Fernandes.
Rui Fernandes Rolim, também senhor de Azambuja, foi casado com Elvira Esteves de Avelar e teve com ela quatro filhos: Pedro Rodrigues Rolim, senhor de Azambuja, Paio Rodrigues de Azambuja, Estevão Rodrigues de Azambuja (alcaide-mor de Azambuja) e João Rodrigues de Azambuja.
Pedro Rodrigues de Azambuja casou-se com Teresa Rodrigues de Nóbrega e tiveram o filho Gonçalves Rodrigues de Azambuja. Este casou-se com Leonor Esteves e deles nasceu Leonor Gonçalves.
Estevão Rodrigues de Azambuja teve dois filhos: João Esteves de Azambuja e Afonso Esteves de Azambuja. A partir daí, os nomes se perdem na poeira do tempo. Mais tarde temos notícias de que a família Azambuja costumava acompanhar os monarcas portugueses desde o século XIV. Por exemplo, João Rodrigues de Azambuja e seu sobrinho Gonçalo Rodrigues seriam próximos de Afonso IV. Essas notícias informam também que a família Azambuja insere-se num grupo mediano dentro da nobreza da Corte, situado numa posição hierarquicamente inferior a de famílias mais influentes no período medieval, como os Sousas, os Meneses ou os Pachecos, entre outras.
Brazão Vila Azambuja
 O primeiro Azambuja a chegar ao Brasil, em 1683, chamava-se Manoel de Azambuja e veio para o começo de uma nova vida, uma nova geração, a origem de uma família que chegava ao Brasil.
Em 1732, Francisco Xavier Azambuja, filho de Manoel de Azambuja, iniciou uma geração de pioneiros que fez história na criação e revolução do Estado do Rio Grande do Sul, tornando-se a maior geração de descendentes de Azambuja.
A segunda maior geração dos Azambuja encontra-se em Minas Gerais e é formada por descendentes de João Ribeiro Azambuja, que saiu do Rio Grande do Sul por volta de 1760, espalhando-se pelo Triângulo Mineiro, Campo Formoso e Campo Florido.
Cerca de dois séculos após o primeiro Azambuja chegar ao Brasil, por volta de 1870, seus descendentes chegavam à terra do Pantanal Mato-grossense. Após a guerra do Paraguai, cinco gerações de doze irmãos dos Ribeiro Azambuja saíram do Triângulo Mineiro e chegaram à terra do Pantanal. Mais precisamente na região de Três Lagoas e Campo Grande (Garcia Azambuja); Ponta Porã e Itahum (Lopes Azambuja); Dourados (Luiz Azambuja); Maracajú (Ferreira Azambuja); Aquidauana (os gaúchos Azambuja).
Pelourinho de Azambuja
 Essa tornou-se a terceira maior geração de Azambuja. Uma geração de desbravadores, de criadores de gado, de educadores, de políticos, de profissionais liberais; de uma forma ou de outra, gente realizada.
Outras referências ao sobrenome Azambuja, incluem o batizado de uma Maria Azambuja (por acaso o nome de minha mãe), filha de Diniz Augusto de Azambuja e Brazilia da Silva P. Azambuja, que foi celebrado em Santa Efigênia, São Paulo, Brasil, em 10 de fevereiro de 1858. Joaquim Azambuja, seu irmão, foi batizado na mesma igreja, em 14 de abril de 1861.

AZAMBUJAS MAIS CONHECIDOS

Do fundador da família Azambuja, Fernão Gonçalves de Azambuja, resultaram portadores notáveis do sobrenome, que incluem, entre outros, o explorador e colonizador Diogo de Azambuja (1432–1518), o teólogo português Jerónimo de Azambuja, que morreu em 1563, e o escritor e genealogista José Gomes Amado de Azambuja.
Diogo de Azambuja, explorador da costa africana, liderou uma expedição à Costa do Ouro, com Bartolomeu Dias, em 1481 e morreu após essa viagem, seguindo fortes pelejas com sua saúde mental, com a idade de 86 anos. Deixou seu nome registrado na história de Portugal, chegando a ser mencionado por Pedro Álvares Cabral no livro “Nau Capitânia”, escrito por Walter Galvani.
O Padre Mestre Frei Jerónimo da Azambuja, da Ordem dos Dominicanos, professou no Convento de Santa Maria da Vitória da Batalha, a partir de 6 de Outubro de 1520, do qual foi, posteriormente, eleito prior. Tinha amplos conhecimentos de Teologia Escolástica e pleno domínio das línguas hebraica e grega. Foi embaixador régio no Concílio de Trento, no final do ano de 1545, com outros dois religiosos da mesma ordem. Dos seus escritos, só uma pequena parte se publicou, em comparação com o que escreveu durante toda a sua vida. Do convento serviu no Tribunal do Santo Ofício, em Lisboa, por ordem do Cardeal Infante, mas voltou mais tarde como provincial, em 1560.
General Estácio Azambuja
 Mais recentemente, no Estado do Rio Grande do Sul, surge o nome do chefe revolucionário Estácio Azambuja. Nascido em Camaquã a 18 de dezembro de 1860, muito cedo fixou residência em Bagé, onde permaneceu até a sua morte em 9 de abril de 1938. Durante a chamada “Velha República” (1889 – 1930), distinguiu-se pela efetiva participação nos movimentos armados que fizeram tremer o solo gaúcho. Na Revolução Federalista de 1893 esteve ao lado de Joca Tavares; na Revolução de 1923, contra Borges de Medeiros, organizou sua própria força, constituída, basicamente, por familiares e jovens de Bagé. Em todas as oportunidades mostrou energia e bravura exemplares, mostrando lealdade e escrúpulos que o notabilizaram pelo respeito dedicado à vida e aos bens dos adversários enfrentados.
Mais modernamente, surge o nome de Darcy Pereira de Azambuja, jurista, escritor, historiador e professor gaúcho. Nascido em Encruzilhada do Sul em 26 de agosto de 1903, era filho de Ignácio Soares de Azambuja e de Maria Josefa Pereira de Azambuja. Cursou o ensino primário na Escola do Prof. Inácio Montanha e, posteriormente, foi para o Colégio Militar, onde concluiu o curso de Agrimensura, em 1921. Em 11 de maio de 1927, fez-se bacharel em Direito pela Faculdade Livre de Direito de Porto Alegre, mesmo ano em que foi nomeado para a 4ª Promotoria Pública da Capital, a partir da qual exerceu vários cargos públicos na área jurídica. Foi professor da Faculdade de Direito de Porto Alegre, Universidade Federal do Rio Grande do Sul e na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, onde lecionou um sem número de disciplinas, nos cursos de Direito, Ciências Sociais e Políticas, Jornalismo, Português, Letras Clássicas, Letras Neo-Latinas e Letras Anglo-Germânicas.
Darcy Azambuja
Foi membro do Conselho da Ordem dos Advogados do Brasil – RS, membro do Instituto dos Advogados do Rio Grande do Sul, membro do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul e membro da Academia Rio-Grandense de Letras. Recebeu o título honorífico de Comendador da Ordem da Coroa da Itália, concedido pelo Rei Vittoro Emmanuelli III (1937) e o de Officier d’Académie, concedido pelo Ministério da Educação da França (1948). Publicou vários livros, entre eles a obra jurídica “A Teoria Geral do Estado” e o livro de contos “No Galpão”. Este último obteve para Darcy Azambuja, em 1925, o primeiro prêmio de contos, instituído pela Academia Brasileira de Letras, além de ser apontado entre as coisas mais significativas já escritas sobre o Rio Grande.
De Darcy Pereira de Azambuja, diz Celso Pedro Luft, professor, gramático, filólogo, lingüista e dicionarista gaúcho: ‘Com os contos de “No Galpão”, retomou, com êxito, os caminhos da ficção gauchesca de categoria literária, trilhados por Simões Lopes Neto. O mesmo realismo seleto, com a observação do pormenor característico, a narrativa movimentada, o diálogo fidedigno. É a fronteira gaúcha com suas tradições, seus aspectos rústicos; a vulgaridade e a grandeza contrastante do campeiro, suas bravatas e heroísmos...’.
Darcy Pereira de Azambuja faleceu em Porto Alegre, em 14 de março de 1970.
Brasão de Armas da Família Azambuja
A Família Azambuja, com muita garra, venceu barreiras e obstáculos. Em 11 de janeiro de 2008, no Mato Grosso do Sul, foi fundada a AFA - Associação da Família Azambuja -, com o objetivo de unir seus descendentes, dando prosseguimento às tradições e resgatando sua historia.
 As armas, abaixo descritas, foram outorgadas à família, ostentando o nome Azambuja, cujo status de nobreza foi confirmado pela Corte Portuguesa.
O Brasão de Armas é subdividido em quadrantes. O primeiro e quarto possuem, sobre fundo vermelho, um castelo de três torres em azul celeste claro, sendo a torre do meio a mais alta; o segundo e o terceiro quadrantes com quatro bandas vermelhas sobre fundo dourado. O Coroamento traz um castelo, como nas armas.
Evidentemente, minha pesquisa não acaba aqui, pois essa é apenas a origem do nome Azambuja e a sua ligação com a lusitana terrinha natal. Continuamos levantando a genealogia dos Azambuja e um dia, quem sabe, conseguiremos mostrar a quem interessar possa, a completa saga dos Azambuja. Então, nos encontraremos novamente...

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

OS BORGIA (Parte 3)

A segunda parte desta plotagem encerrou com a apreciação do legado do Papa Alexandre VI, entre os quais incluiremos o "Tratado de Tordesilhas, que iniciará essa terceira parte.

O TRATADO DE TORDESILHAS
 
O original Tratado de Tordesilhas
Um dos primeiros atos públicos do Papa Alexandre VI foi evitar a colisão entre Espanha e Portugal por suas terras recém descobertas, através do estabelecimento de uma linha de demarcação: o Meridiano de Tordesilhas. Dizem os bens intencionados, que constituindo um ato de real importância pacífica, e não de ambição ou usurpação. O Tratado de Tordesilhas, assinado em Tordesilhas, atualmente na Província de Valladolid, Espanha, em 7 de junho de 1494, dividiu as terras recém descobertas, fora da Europa, entre Espanha e Portugal, ao longo do Meridiano que passava a 370 léguas (aproximadamente 2.193 km) a oeste das ilhas Cabo Verde (fora da costa oeste da África). Esta ilha de demarcação ficava, aproximadamente, a meio caminho entre as Ilhas Cabo Verde (já portuguesas) e as ilhas recém descobertas por Cristóvão Colombo, em sua primeira viagem (reclamadas pela Espanha). As terras a leste da linha pertenceriam a Portugal e as terras a oeste, à Espanha. O Tratado foi ratificado pela Espanha (à época Coroas de Castilha e Aragão) em 2 de julho de 1494 e por Portugal em 5 de setembro do mesmo ano. O outro lado do mundo seria dividido poucas décadas após, pelo Tratado de Zaragoza, assinado em 22 de abril de 1529, que especificou o antemeridiano à linha de demarcação especificada no Tratado de Tordesilhas.
Os vários meridianos relacionados
Na verdade, a ação do Papa Alexandre VI teria sido a edição da Bula “Inter Coetera”, que fixava a linha a apenas 100 léguas das Ilhas Cabo Verde, sem mencionar Portugal ou suas terras. O Tratado de Tordesilhas resultou do esforço do rei português João II que, não satisfeito com a determinação do Papa, abriu negociações com os reis Ferdinando e Isabel de Espanha, visando mover a linha para oeste, permitindo-lhe reclamar novas terras a serem descobertas a leste da linha, sem consulta e contrariando a bula de Alexandre VI. O Tratado acabou não sendo estritamente cumprido, pois os espanhóis não resistiram à expansão dos portugueses no Brasil, através do meridiano. Ele foi ultrapassado pelo Tratado de Madri, de 1750, que garantiu a Portugal o controle das terras que ocupava na América do Sul, imediatamente repudiado pela Espanha. Outros tratados se seguiram para resolver, definitivamente, o impasse.
O papel do Papa nas negociações do Tratado, combinado com outras ações, provocou hostilidades contra o papado em toda a Europa e acabou ajudando a disparar o gatilho da Reforma Protestante do século XVI, em que a maioria dos estados do norte da Europa rompeu seus laços com a Igreja de Roma.

CORTESÃS E FAMÍLIA

Dentre as várias cortesãs do Papa Alexandre VI, aquela por quem sua paixão mais durou foi, sem dúvida, uma certa Vannozza (Giovanna) dei Cattanei, nascida em 1442 e esposa de três sucessivos maridos. A relação iniciou em 1470 e Vannozza lhe deu quatro filhos que ele abertamente reconheceu como seus: Giovanni, posteriormente duque de Gandia (nascido em 1474), Cesare (nascido em 1476), Lucrezia (nascida em 1480) e Goffredo ou Giuffre (nascido em 1481 ou 1482). Seus outros filhos, Girolama, Isabella e Pedro Luiz eram de origem incerta. Antes de sua elevação ao Papado, a paixão do Cardeal Borgia por Vannozza arrefeceu um tanto, o que a fez, subsequentemente, levar uma vida muito retirada. Seu lugar nas afeições do Papa foi preenchido pela bela Giulia Farnese, esposa de um dos Orsini, mas o seu amor por seus filhos de Vannozza permaneceu tão forte como nunca e provou ser, de fato, o fator determinante de toda a sua carreira. Ele distribuiu vastas somas de dinheiro a eles, bem como títulos de toda a honra. A atmosfera do ambiente do Papa Alexandre VI foi tipificada pelo fato de que sua filha Lucrezia viveu com sua cortesã Giulia, que ainda lhe deu mais uma filha, Laura, em 1492. Fontes bem intencionadas com relação ao Papa Alexandre VI, dizem que há evidências de que ele assumiu o Papado determinado a manter  seus filhos longe da Corte. Uma delas é que a sua filha Lucrezia teria sido prometida em casamento a um nobre espanhol; entretanto, tal casamento nunca se realizou. Possivelmente, o abandono dessas boas intenções podem ser creditadas aos maus conselhos de Ascanio Sforza, a quem Borgia havia premiado com a vice-chancelaria e que era, virtualmente, seu primeiro ministro.
De todos os seus filhos, sem qualquer dúvida, os que mais se distinguiram nos acontecimentos da nobreza da época, foram Cesare e Lucrezia e sobre eles escreveremos algumas linhas.

CESARE BORGIA
Cesare Borgia, filho do Papa Alexandre VI

Cesare Borgia nasceu em 13 de setembro de 1475 e morreu em 12 de março de 1507, antes de completar seus trinta e dois anos. Foi um condottiero(4)  italiano, nobre, político e cardeal.
Cesare foi, inicialmente, preparado para uma carreira na Igreja, tornando-se Bispo de Pamplona à idade de 15 anos. Após as escolas em Perugia e Pisa onde Cesare estudou leis, com a elevação de seu pai a Papa, foi feito Cardeal com a idade de 18 anos. Alexandre VI havia apostado as esperanças da família Borgia em seu irmão mais velho, Giovanni, feito capitão geral das forças militares do papado. Com o seu assassinato, em 1497, em misteriosas circunstâncias, vários contemporâneos sugeriram que Cesare poderia ter sido o seu assassino, por duas razões: o desaparecimento de Giovanni lhe abriria a tão esperada carreira militar e o livraria do concorrente aos amores de Sancha de Aragon, esposa do seu outro irmão Gioffre e sua amante e de Giovanni. Em agosto de 1498, Cesare tornou-se a primeira pessoa na história a renunciar ao Cardinalato, no mesmo dia em que o rei francês Luís XII o nomeava Duque de Valentinois título que, junto com a sua posição anterior de Cardeal de Valência, explicava o seu apelido de “Valentino”.
A primeiro de outubro de 1498, Cesare viaja a Roma para trazer ao Rei Luís XII um chapéu de Cardeal ao seu ministro, d’Amboise, e buscar uma esposa de alta estirpe para si próprio. Ele ainda aspirava à mão de Carlotta de Aragão e Nápoles, que residia na França, mas como aquela princesa persistia em sua recusa, ele conformou-se com a mão de uma sobrinha de Luis XII, a irmã do rei João III, de Navarra, Charlotte d’Albret. Em 10 de maio de 1499, Cesare casa-se com ela e tem uma filha, Louise Borgia, Duquesa de Valentinois, que casa-se, incialmente, com Louis II de la Tremouille, Governador de Burgundy e, posteriormente, com Philippe de Bourbon, Senhor de Busset. Cesare foi também pai de, pelo menos, onze filhos ilegítimos, entre eles, Girolamo Borgia, casado com Isabella Condessa de Capri e Lucrezia Borgia que, após a sua morte, mudou-se para Ferrara, à corte de sua famosa tia Lucrezia Borgia. 
A carreira de Cesar foi fundada na habilidade de seu pai em distribuir benesses e por força de sua aliança com a França (reforçada por seu casamento com Charlotte d’Albret), durante as "Guerras Italianas"(5). Durante a invasão da Itália pela França, em 1499, por Luis XII, Alexandre VI decidiu lucrar com a situação favorável, cavando para Cesare, um estado próprio ao norte da Itália, para isso depondo todos os seus vigários. Como os cidadãos os viam sempre como cruéis e mesquinhos, a tomada de poder por Cesare foi vista como progresso.
Cesare foi nomeado comandante dos exércitos papais com um grande número de mercenários italianos, apoiados por 300 cavaleiros e 4.000 infantes suíços enviados pelo rei da França e, violento e vingativo, tornou-se o mais poderoso homem de Roma, fazendo tremer, inclusive, seu próprio pai. Sua primeira vítima foi Caterina Sforza, monarca de Imola e Forli; após conquistar as duas cidades Cesare retornou a Roma para celebrar o triunfo e receber, de seu pai, o título de Gonfalonier Papal – posto militar e político dos Estados Papais. Giovanni Sforza, primeiro marido de Lucrezia, logo foi despejado de Pesaro; Pandolfo Malatesta perdeu Rimini; Faenza rendeu-se, seu jovem senhor Astorre III Manfredi tendo sido encontrado afogado no rio Tibre por ordem de Cesare.
Em julho de 1500, o Duque de Bisceglie, marido de Lucrezia, cuja existência não trazia mais qualquer vantagem aos Borgia, é assassinado por ordem de Cesare, praticamente na Presença de Alexandre VI, assim deixando sua irmã livre para outro casamento. O Papa, sempre em necessidades financeiras, criou 12 novos cardinais dos quais recebeu 120.000 ducados  e considerou novas conquistas para Cesare. Falou-se mesmo em uma nova Cruzada, mas o objetivo real seria a Itália Central; e, no outono, apoiado pela França e Veneza, movimentou-se com 10.000 homens para completar seu trabalho interrompido na Romagna. Os déspotas locais foram grosseiramente destituídos e uma administração foi estabelecida que, se tirânica e cruel, pelo menos foi forte e ordenada.
Em seu retorno a Roma, em junho de 1501, foi nomeado Duque da Romagna e, contratado por Florença, em seguida juntou o domínio de Piombino às suas novas terras. Enquanto seus condottieri iniciavam o cerco de Piombino, que encerrou em 1502, Cesare comandava as tropas francesas nos cercos de Nápoles e Capua, defendidas por Prospero e Fabrizio Colonna. Em junho de 1501suas tropas atacaram o último, causando o colapso do poder aragonês no sul da Itália. Em junho de 1502 ele lançou-se a Marche, onde conseguiu capturar Urbino e Camerino, usando de acordos e traições. O passo seguinte seria Bologna, mas seus condottiere, mormente Vitellozzo Vitelli e os irmãos Orsini, temendo a crueldade de Cesare, preparam uma trama contra ele. Seus oponentes foram derrotados, ele clamou por reconciliação, mas prendeu-os em Seningallia e, posteriormente, executou-os. O Cardeal Orsini, alma da conspiração, foi preso no Castelo Santo Ângelo e doze dias depois era um cadáver, sem que se possa provar se ele morreu de causas naturais ou se foi executado.

(4) O condottiero era um mercenário que controlava uma milícia, sobre a qual tinha comando ilimitado e estabelecia contratos com qualquer Estado interessado em seus serviços. O nome condottiero vem de condotta (termo derivado do latim conducere, "conduzir"), que era o contrato estabelecido com um determinado governo, de modo que essas milícias servissem como suas tropas mercenárias. Os condottieri surgiram em razão das rivalidades e constantes conflitos entre as cidades italianas. A partir da Idade Média até os séculos XIV e XV, eram frequentes os contratos com governos das cidades-estados, especialmente na Toscana, na Romagna, no Veneto e na Úmbria. Como muitas dessas cidades proibiam seus cidadãos de pegar em armas, a solução era recorrer a mercenários que, a despeito dos contratos firmados, não hesitavam em trocar de lado, se o inimigo oferecesse maior soldo. A maioria dos condottieri era italiana, mas não faltaram exemplos alemães, ingleses e de outros países europeus.
(5) As “Guerras Italianas” foram uma série de conflitos entre 1494 e 1559, envolvendo, em várias épocas, a maioria das cidades-estados da Itália, os Estados Papais, a maioria dos estados da Europa Ocidental (França, Espanha, o Santo Império Romano, Inglaterra e Escócia), bem como o Império Otomano. Originárias de uma disputa dinástica sobre o Ducado de Milão e o Reino de Nápoles, as Guerras rapidamente transformaram-se num conflito geral entre os vários participantes, marcado por um crescente grau de alianças regulares, contra-alianças e traições.
(6) O Ducado foi uma moeda de ouro utilizada no comércio até antes da Primeira Grande Guerra. É possível que a primeira emissão dessa moeda tenha ocorrido sob Rogério II da Sicília que, em 1140, cunhou ducados portando a figura de Cristo e a inscrição, em latim: “Deixai, oh Cristo, esse ducado que governas, ser-te dedicado”.