Música é o meu ponto fraco!!! Ainda sou capaz de identificar, ao ouvir uma melodia, a época e situação da minha vida em que a escutei pela primeira vez ou fui por ela marcado. Qualquer pessoa sabe que é muito difícil dizer qual a sua melodia preferida, pois as músicas impressionam as pessoas de maneiras diversas; e essas várias sensações acabam tornando uma música preferida por tal razão, outra por qual motivo e assim sucessivamente, de forma que diferentes pessoas catalogam diferentes melodias como as suas preferidas.
Assim justificado, nesta página você vai encontrar algumas das minhas músicas preferidas, comentários sobre a sua composição e seus autores e intérpretes. É importante mencionar que as postagens não obedecem a uma ordem de preferência; quando eu lembro ou ouço alguma música e começo a cantarolar, é um sinal, para mim, de que chegou a hora de publicar algo sobre ela; então pesquiso e publico. Além disso, não faço distinção entre música clássica ou popular, mas confesso minha preferência pelas composições mais calmas, embora já tenha cantado e dançado muito "rock" em minha vida. Espero que os visitantes encontrem aqui algo que lhes traga algum prazer.
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ADIÓS
Feita a introdução acima, eu inicio essa minha relação com a melodia chamada
ADIÓS. Cabe, imediatamente, uma ressalva: não sou um fã ardoroso da música
latina. Essa, entretanto, entre algumas outras, me é extremamente evocativa dos
meus tempos de criança. Já tive oportunidade de escrever em outros lugares, que
muitas das minhas músicas preferidas não são do meu tempo, mas a elas fui
conduzido por influência de meus pais, ou por lembrança de tenra idade quando
por eles era levado para assistir apresentações de orquestras no antigo
Auditório Araújo Viana, então situado ao lado da Praça da Matriz, em Porto
Alegre, onde hoje se situa a Assembleia Legislativa do Estado. Morei ali perto,
por pouco tempo e tinha então, em 1947, os meus três anos de idade e músicas
como essas eram muito executadas, naquele período de pós Segunda Guerra
Mundial, por grandes orquestras americanas, estilo Glenn Miller, entre outras.
Essas músicas que são, evidentemente, músicas de boa qualidade, ficaram muito
bem guardadas em minha memória e, embora não sejam executadas com frequência –
principalmente nesses tempos atuais, muito conturbados -, sempre me conduzem de
volta àqueles tempos de criança, já tão longínquos e sempre as escuto com muito
prazer.
Adiós é,
originalmente, uma “rumba fox trot, de autoria de Enric Madriguera (música e
letra original em espanhol), composta em 1931; posteriormente, Eddie Woods
faria uma versão em inglês da letra em espanhol. A letra original é triste e
simples, contando a história de um homem que se despede do seu amor, pedindo
que não o esqueça. Mas é realmente a melodia, que mais traduz a tristeza que
ele sente e que a torna tão linda. Posteriormente essa melodia foi
transformada, em ritmo e orquestração, transformando-se, nas execuções de Glenn
Miller, Mantovani e outras grandes orquestras em canção suave e de alta
qualificação. Vários cantores também gravaram a sua composição, entre eles
Pedro Vargas e o nosso Roberto Carlos.
Enric Madriguera foi um violinista, compositor e diretor de
orquestra espanhol, de origem catalã, nascido em Barcelona, em 17 de fevereiro
de 1904 e morto em 7 de setembro de 1973, em Danbury, Connecticut, USA. Já
costumava dar concertos, ainda quando criança, antes de entrar para o
conservatório de Barcelona. A forma castelhana do seu nome é “Enrique”, como
algumas vezes ele usava em discos.
Antes de emigrar aos Estados Unidos, fez muitas
apresentações na Espanha e França, ainda como adolescente. Já nos EUA, com
vinte e poucos anos de idade, fez parte, como solista, das célebres orquestras
filarmônicas de Chicago e Boston. Ao final dos anos 1920’s, Madriguera tocou na
orquestra de estúdio Ben Selvin, na Columbia Records, New York, onde serviu
brevemente como diretor daquela companhia para gravações de música latina.
Ao encerrar os anos 1920’s, durante uma temporada em Cuba,
chegou a dirigir a Orquestra Filarmônica Cubana, de cuja proveitosa etapa
nasceu o seu gosto pelos ritmos cubanos e seu vínculo com “La Única”. Como era
conhecida a cantora cubana Rita Montaner, inspiradora de uma das suas mais
famosas composições: Adiós. Rita
havia feito uma versão muito original da canção de Moisés Simons, “El
Manisero”; “Adiós”, notavelmente influenciado pelo primeiro, também se
converteu em estrondoso sucesso.
![]() |
Enric Madriguera entre membros de sua orquestra |
Em 1932 ele iniciou sua própria orquestra no Biltmore Hotel,
que gravou para a Columbia até 1934. Nesse período sua música era, na maior
parte, dança ou fox trot anglo-americana, embora tivesse um modesto hit com sua
interpretação em rumba de Carioca. Pelos anos 1940’s ele gravava quase que
exclusivamente música latino-americana. Diz-se que todos os embaixadores de
países sul-americanos declararam Madriguera o “Embaixador de Música para todas
as Américas”. Apareceu em alguns musicais em curta metragem, incluindo “Enric
Madriguera e sua Orquestra, de 1946, em que ele interpretava várias canções
cantadas por sua esposa vocalista Patricia Gilmore.
Enric Madriguera foi, junto com seu patrício Xavier Cugat,
um dos músicos que mais difundiram os ritmos cubanos a partir do início dos
anos 1930’s.
Para ser o mais fiel possível à memória da própria canção,
vou começar apresentando a versão original da gravação de Adiós pelo selo Columbia, com a orquestra de Enric Madriguera e o
vocalista Guty Cárdenas. A seguir, a versão que talvez tenha feito mais sucesso
e também por mostrar um estilo muito característico, pela Orquestra de RayConniff e Seus Cantores. Mas, a gravação que realmente me emocionou, fica por
conta de Mantovani e sua Orquestra. É aquela que que eu costumo dizer que, em
certas partes da sua execução, chega a dar uma dorzinha lá no fundo do coração
...
Para quem quiser acompanhar cantando, segue a letra original
em espanhol. Ao lado da letra, apresentamos a primeira página da partitura da composição "Adiós", com letra de Eddie Woods.
Adiós
Me voy linda
morena lejos de ti
El alma hecha
una pena porque al partir
No quiero que
olvides nuestro amor
Hermosa flor
Mi alma
cautivaste
Con la fragancia
de tú candor
Tú eres toda mi
ilusión
Tú eres mi dulce
canción
Adiós
Me voy linda
morena lejos de aqui
A llorar mi
tristeza lejos de ti
Hermosa flor
Mi alma
cautivaste
Con la fragancia
de tú candor
Tú eres toda mi
ilusión
Tú eres mi dulce
canción
Adiós, adiós
Me voy linda
morena lejos de aqui
A llorar mi
tristeza lejos de ti
Adiós
Adiós, adiós
Me voy linda morena lejos de aqui
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WHAT
A DIFF’RENCE A DAY MADE
Esta
música que eu hoje enfoco, já foi objeto de uma postagem em meu blog “Beowulf”,
por outras razões, mas como eu a acho lindíssima, trago-a aqui como mais uma
das minhas músicas preferidas.
Muito
conhecida por esse nome inglês, essa música foi composta por uma mexicana
chamada María Méndez Grever, com o título original de “Cuando Vuelva a tu Lado”.
Quem já passou dos 50 anos de idade e gostava, quando jovem, de ouvir, cantar e
dançar boleros, como é o meu caso, certamente há de lembrar-se dela. Por outro
lado, os adeptos da música americana mais antiga também hão de conhecê-la em
sua versão no ritmo e língua inglesa. Eu que me enquadro nas duas faunas,
sempre gostei das duas versões. O pitoresco, no assunto, é que eu nunca me dei
conta de que as duas são versões diferentes de uma mesma composição, dada a
diferença de interpretação entre a composição original e a versão em língua
inglesa; além disso, há muito tempo eu não escutava a composição original da
música gravada em 1934, dez anos antes de eu nascer e, como todo bolero, de uma
maneira geral, há muito caída no esquecimento. Essa, por sinal, a razão de ter
publicado uma postagem sobre ela: resgatar, sempre que possível for, os
compositores dessas músicas maravilhosas que escutamos por todo o mundo sem que
a sua autoria seja revelada, uma causa que abraço e sempre abraçarei com o
maior prazer.
María
Joaquina de la Portilla Torres, filha do espanhol de Sevilla, Francisco de la
Portilla e de sua esposa mexicana Julia Torres, nasceu na província de
Guanajuato, México, em 16 de agosto de 1894. Estudou no Colégio do Sagrado
Coração e desde menina recebeu educação musical, tendo feito sua primeira composição
– segundo um artigo do New York Times - com quatro anos de idade: uma canção
natalina com versos escritos por ela mesma.
Aos
seis anos transferiu-se para Sevilla, Espanha, lugar de origem de seu pai. Logo
viajou para Paris onde teve aulas (pasmem!) com os compositores clássicos
Claude Debussy (francês) e Franz Lehár (austríaco). Este último sugeriu-lhe que
não se sujeitasse jamais à técnica musical, mas que conservasse a sua
espontaneidade. Regressando ao México, com a idade de doze anos, Maria
ingressou na escola de canto de sua tia Cuca Torres e em 1916 estabeleceu-se em
New York onde conheceu aquele que seria o seu esposo, no mesmo ano, León A.
Grever, executivo de uma companhia petrolífera americana, de quem adquiriu o
sobrenome com o qual se imortalizaria. Com ele viveu para o resto da sua vida.
Aos
dezoito anos, em 1912, ela escreveu a sua primeira canção, “A una ola” (em
inglês “To a wave”), vendendo três milhões de cópias. Em 1920 começou a
trabalhar como compositora de trilhas sonoras para os estúdios de cinema Paramount Pictures e 20th Century Fox. Ao todo,
escreveu mais de 800 canções – a maior parte delas boleros – e sua popularidade
alcançou grandes audiências na América Latina, Europa e Estados Unidos.
Seu
primeiro grande êxito produziu-se em 1926 com a melodia “Júrame” (em inglês, “Promise,
Love”), um tango-bolero interpretado por José Mojica, quando era ainda pouco
conhecida, e por Julio Iglesias e Placido Domingo mais recentemente, emtre
outros. Por essa época o “bolero” começava a transformar-se no gênero musical
mais popular do momento. Desde então, María Grever alcançou um êxito atrás do
outro, com obras como “Cuando vuelva a tu lado” (em inglês “What a diff’rence a
day made” ou “What a difference a day makes”), “Te quiero, dijiste” (ou “Muñequita
Linda”) – em inglês “Magic is the moonlight”, escrita em 1944 para o filme de
Esther Williams, Bathing Beauty -, gravada
pelo inesquecível Nat King Cole, em espanhol, pelo ator/cantor Dean Martin e pelo
cantor inglês de “rock and roll” Cliff Richard, em inglês e, mais recentemente,
por Placido Domingo, Linda Ronstadt, entre vários outros, “Alma Mia”, Yo canto
para ti”, “Volveré” (em inglês, “I will return”), “Vida mía” e muitas outras.
Tornou-se a primeira compositora mexicana do sexo feminino a tornar-se uma autora
de sucesso. Embora suas músicas tenham alcançado uma imensa e merecida
popularidade, Grever nunca desfrutou do reconhecimento mundial, pois apesar de
sua música ser muito cantada, seu nome é conhecido somente por poucos.
María Grever era
uma compositora extraordinariamente versátil, frequentemente escrevendo a
música e a letra de suas peças e então interpretando-as em concertos ao vivo.
Durante sua carreira, que teve o seu pico nas décadas de 30 e 40, ela escreveu
partituras para filmes e letras para shows da Broadway, organizando concertos
que combinavam teatro, música e dança. Frequentemente baseadas nos ritmos e
estilos da música latino-americana, particularmente mexicana, mas também
espanhola, suas letras eram deliciosamente românticas, cheias de sentimento e
fáceis de lembrar.
Ela
foi um membro atuante da prestigiosa “American Society of Composers, Authors
and Publishers” (Sociedade Americana de Compositores, Autores e Editores). À
data de sua morte, com a idade de 57 anos, em 15 dezembro de 1951, após um
longo período de doença, ela vivia no Wellington Hotel, na Sétima Avenida,
Manhattan. Deixou o marido e dois filhos: Charles Grever, um editor de música
de New York, e a filha Carmen Livingston. Imediatamente após a sua morte ela
foi homenageada com um “sarau musical” no Biltmore Hotel pela “União das
Mulheres das Américas” (Union of Women of the Americas – UWA) e aclamada
“Mulher das Américas, 1952”, pela mesma associação.
A
música que dá o título ao nosso “post” merece, exatamente por essa razão, um
destaque especial. What a Diff’rence a
Day Made é, portanto, uma canção popular originalmente escrita em espanhol,
em 1934, com o título Cuando Vuelva a tu
Lado. Em 1959, Dinah Washington (a minha preferida), uma cantora americana
de Tuscaloosa, Alabama, nascida Ruth Lee Jones, gravou a melodia em inglês, com
letra escrita por Stanley Adams. Embora tenha sido gravada anteriormente por
outros intérpretes, como Harry Roy e sua Orquestra e pelos Irmãos Dorsey, ela
tornou-se a canção assinatura de Dinah Washington, garantindo-lhe um Grammy
Award por Best Rhythm and Blues Performance (Melhor Desempenho em Ritmo e
Blues) e foi, em 1998, introduzida no Grammy Hall of Fame.Capa e disco simples em 78 rpm, com a gravação "What a Diff'rence a Day Makes", com Dinah Washington |
A
seguir apresentamos a letra da versão para o inglês, de Stanley Adams, para que
os leitores possam acompanhar Dinah Washington cantando essa maravilhosa
canção.
What A Diff'rence A Day Made
Autoria de Maria Grever and Stanley Adams
Intérprete Dinah Washington
What a diff'rence a day made
Twenty-four little hours
Brought the sun and the flowers
Where there used to be rain
My yesterday was blue, dear
Today I'm a part of you, dear
My lonely nights are through, dear
Since you said you were mine
Now what a diff'rence a day makes
There's a rainbow before me
Skies above can't be stormy
Since that moment of bliss, that thrilling kiss
It's heaven when you find romance on your menu
What a diff'rence a day made
And the difference is you
Vários outros cantores de grande calibre gravaram essa mesma versão em inglês, entre eles Julie Dawn, Roy Marsh, Sarah Vaughan, Aretha Franklin, Esther Phillips, Diana Ross (gravada em 1972 mas apenas liberada em 2006), Cher, Ray Conniff, Bobby Darin e Rod Stewart, no seu quinto volume de uma série ironicamente chamada “The Great American Songbook”.
Twenty-four little hours
Brought the sun and the flowers
Where there used to be rain
My yesterday was blue, dear
Today I'm a part of you, dear
My lonely nights are through, dear
Since you said you were mine
Now what a diff'rence a day makes
There's a rainbow before me
Skies above can't be stormy
Since that moment of bliss, that thrilling kiss
It's heaven when you find romance on your menu
What a diff'rence a day made
And the difference is you
Vários outros cantores de grande calibre gravaram essa mesma versão em inglês, entre eles Julie Dawn, Roy Marsh, Sarah Vaughan, Aretha Franklin, Esther Phillips, Diana Ross (gravada em 1972 mas apenas liberada em 2006), Cher, Ray Conniff, Bobby Darin e Rod Stewart, no seu quinto volume de uma série ironicamente chamada “The Great American Songbook”.
Com
relação à versão original, em espanhol, vários intérpretes importantes também a
gravaram, entre os quais podemos citar o Trio Los Panchos com Eydie Gorme, Libertad
Lamarque, a célebre cantora argentina de tangos, Jamie Cullum (2003) e Luis
Miguel (1991). Sem dúvida alguma, a que registrou o maior sucesso foi a
primeira e por essa razão, apresentamos a letra original da compositora e a
gravação com o trio Los Panchos e Eydie Gorme.
![]() |
Maria Mendes Grever em seu trabalho. |
Cuando Vuelva a
tu Lado
Trio
Los Panchos & Eydie Gorme
Compositor:
María Mendes Grever
Cuando vuelva a tú
lado
No me niegues tus
besos
Que el amor que te he
dado
No podrás olvidar.
No me preguntes nada
Que nada he de
explicarte
Que el beso que
negaste
Ya no lo puedes dar.
Cuando vuelva a tú
lado
Y esté solo contigo
Las cosas que te digo
No repitas jamás, por
compasión.
Une tu labio al mío
Y estréchame en tus
brazos
Y cuenta a los
latidos
De nuestro corazón.
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CHARMAINE
I – A MÚSICA
“Charmaine”
é uma dessas músicas que a gente ouve pela primeira vez e quer ouvir várias
vezes e imediatamente se põe a cantarolar. E logo vem a vontade de pesquisar as
suas origens, porque música tão delicada não pode ser produto de gente de
poucos sentimentos. E então, mais uma vez se confirma o que alguém escreveu (e
agora não lembro quem) sobre as músicas de filmes: se os compositores clássicos
vivessem hoje, escreveriam música para cinema!
“Charmaine”
é uma canção popular composta por Ernö Rapée (para o seu nome, várias grafias
serão encontradas), com letra de Lew Pollack, em 1926 e publicada em 1927. A
música foi, originalmente, composta em ritmo de valsa, mas as versões
posteriores foram apresentadas em andamento 4/4.
Ela
foi criada em 1926, para o filme mudo “What Price Glory?” (no Brasil, como “Sangue
por Glória”). Quero aqui fazer uma observação necessária. Eu sou velho, mas não
sou do tempo do cinema mudo; apenas, não enxergo idade em música, como muita
gente faz (ou não faz). E se eu enxergasse, como todos os que assim procedem, o
que seria de Mozart, Bach, Beethoven e tantos outros? Mas lembro que, quando
pequeno, assisti a muitos filmes mudos, principalmente de Charles Chaplin ( o
nosso inesquecível “Carlitos”). E lembro também que, em tais filmes, era
indispensável a execução de uma música que permeava todo o filme, e que tinha
que ser totalmente compatível com ele, pois não havendo som e diálogos, era
absolutamente necessário que ela exprimisse a atmosfera e o ambiente da
película. Nesse caso, a sensibilidade dos autores das músicas era, muito mais
do que então, colocada a prova; e só eram aprovados os melhores! E lembro
também, que era necessária a existência, de tempos em tempos, mas não com muita
frequência, na própria película, de cartões escritos que forneciam alguma
explicação vista como indispensável ao seu melhor entendimento. Feito esse
pequeno parênteses, voltemos ao assunto específico da nossa postagem.
A
versão de “Charmaine” que mais vendeu, gravada por Guy Lombardo e sua
Orquestra, permaneceu sete semanas na primeira posição, em 1927. Essa mesma
música foi também executada no filme “Duas Garotas e um Marinheiro”; posteriormente,
foi gravada pela orquestra de Harry James, em 1944.
Uma
versão instrumental, arranjada por Ronald Binge e executada pela Orquestra de Mantovani, a minha favorita, foi o
seu primeiro sucesso nos quadros dos Estados Unidos em 1951. Tal versão foi
lançada pela London Records como número de catálogo 1020. Inicialmente ela
alcançou os quadros da Billboard[1]
em 9 de novembro de 1951, neles permanecendo durante 19 semanas e atingindo o No
10. Várias outras gravações orquestradas dessa música foram realizadas e eu
gostaria de destacar a versão de James Last e sua grande orquestra e coro, pelo próprio mérito do seu arranjo, que fugiu um
pouco da versão original sentimental, tornando-a mais alegre e vibrante.
Em
1963, a gravação dos “The Bachelors”, famoso
conjunto irlandês, alcançou o No5 nos quadros britânicos. Um
doa mais conhecidos cantores americanos, Frank Sinatra, também gravou essa música, em 1962, no álbum “All Alone”
(Sozinho) assim como Tony Williams, o cantor
líder dos “The Platters”, no álbum “A Girl is a Girl”, gravado entre 1961 e
1962.
“Charmaine”
é uma daquelas canções populares cujas letras usam o famoso “pássaro azul da
felicidade” americano, como símbolo de alegria e satisfação: “I wonder, when
bluebirds are mating, will you come back again?” (Eu me pergunto, quando os
pássaros azuis estão se unindo, você vai voltar para mim?); por essa razão ela
tem sido muito usada em filmes sempre que uma situação romântica se configura.
No filme “One Flew Over the Cuckoo’s Nest” (no Brasil como “Um Estranho no
Ninho”), a melodia é constantemente tocada como música de fundo na instituição
mental onde permanece Jack Nicholson, assim como em muitos outros filmes.
Abaixo,
a letra da música “Charmaine”, em duas versões, uma para cantor homem e outra
para cantora, para os leitores poderem acompanhar por qualquer das gravações
apresentadas.
CHARMAINE
(Versão masculina)
I can't
forget the night we met, how bright were stars above
That
precious memory lingers yet, when you declared your love
And then
you went away and now each night and day
I wonder
why you keep me waiting, Charmaine, my Charmaine
I wonder
when bluebirds are mating, will you come back again?
I wonder
if I keep on praying, will our dreams be the same?
I wonder
if you ever think of me too, I am waiting my Charmaine for you
(Versão
Feminina)
You went
away on dreary day, I knew you had to go
Mid
tears and cheers, I heard you say, "Charmaine, I love you so"
Tho old
years turn to new, my heart keeps calling you
"I
wonder why you keep me waiting", Charmaine cries in vain
I wonder
when bluebirds are mating, will you come back again?
I wonder
if I keep on praying, will our dreams be the same?
I wonder if you ever think of me too,
Charmaine's waiting, just for you
II OS AUTORES
Ernö Rapée, o criador da música “Charmaine”, foi um maestro, compositor e pianista
americano, mas nascido húngaro, de Budapeste, em 4 de junho de 1891 e falecido
em 26 de junho de 1945. Foi um dos mais prolíficos maestros sinfônicos
americanos da primeira metade do século XX. Seu cargo mais importante foi o de
maestro principal da Radio City Symphony Orchestra, a orquestra permanente do
Radio City Music Hall, cuja música foi ouvida por milhões, pelo ar. Um virtuoso
pianista, Rapée é também lembrado por canções populares que ele escreveu ao
final da década de 1920, como músicas escritas especialmente para filmes mudos.
Quando não conduzia orquestras ao vivo, supervisionava partituras de filmes
para filmes sonoros, colecionando uma lista substancial de filmes em que ele
trabalhou como compositor, arranjador ou diretor musical.
Estudou
piano e, mais tarde, atuou como maestro, na Real Academia de Música Nacional
Húngara. Mais tarde foi maestro assistente de Ernst von Schuch, em Dresden.
Como compositor, tocou seu primeiro piano concerto com a Orquestra Filarmônica
de Viena e após um tour pela América, como maestro convidado, iniciou suas
apresentações no Teatro Rialto, em Nova York, como assistente de Hugo
Riesenfeld, onde começou a compor e conduzir para filmes mudos.
Posteriormente,
Rapée foi contratado por Samuel “Roxy” Rothafel, como diretor musical da
orquestra de 77 membros do Teatro Capitol, em Nova York. Foi no Capitol que
Rapée fez o seu mais famoso arranjo clássico da Rapsódia Húngara No
13, de Liszt.
A
próxima mudança de Rapée foi para a Filadélfia, onde conduziu uma orquestra de
68 membros, no Teatro Fox, e teve, como artista convidado, o famoso pianista,
arranjador e compositor australiano Percy Grainger. Do Fox ele foi para um
sucesso internacional em Berlim, com uma orquestra de 85 membros da “Ufa-Palast
am Zoo”, quando foi convidado para conduzir a Orquestra Filarmônica de Berlim
em um concerto. Posteriormente apresentou-se como maestro da Filarmônica de
Budapeste e outras orquestras europeias, retornando à América após enorme
sucesso na Europa.
Iniciou
um compromisso com o Roxy Theatre, em Nova York, inaugurando-o em março de
1927, como diretor de música de sua Orquestra Sinfônica Roxy, com 110 membros,
a maior orquestra permanente do mundo à época, excedendo em três a Orquestra
Sinfônica de Nova York.
Em
1932, Rapée atingiu o pico de sua carreira como diretor musical e maestro
principal da Orquestra Sinfônica no novo “Radio City Music Hall” do Roxy
Rothafel, cargo que ocupou até a sua morte, em Nova York, NY, de um ataque do
coração, em 26 de junho de 1945.
Lew Pollack, autor da letra de “Charmaine”, nasceu em Nova York em 16 de junho de
1895 e foi um compositor de músicas ativo durante as décadas de 1920 e 1930.
Entre as suas canções mais conhecidas estão “Charmaine” e “Diane”, ambas em
parceria com Ernö Rapée, entre muitas outras. Foi eleito para Hall da Fama de
Compositores em 1970.
Pollack
foi educado na “DeWitt Clinton High School” e atuou como um rapaz soprano no
Grupo Coral Walter Damrosch. Em sua carreira profissional inicial, Pollack foi
um cantor e pianista em atos de teatro de variedades e começou a escrever temas
musicais para cinema mudo, como em “What Price Glory” e “Seventh Heaven”
(Sétimo Céu). Também escreveu partituras completas para filmes sonoros, entre
eles, “Pigskin Parade”, “One in a Million”, “Life Begins in College”, “Rebecca
of Sunnybrook Farm” e “Captain January” (todos muito antigos para serem nossos
conhecidos).
Colaborou
com compositores como Ernö Rapée, Sidney Mitchell, Paul Francis Webster e Ned
Washington, entre outros.
Lew
Pollack morreu em Hollywood, Califórnia, em 18 de janeiro de 1946.
III – O FILME
“What Price Glory?” (no Brasil, “Sangue por Glória”)
foi uma comédia-drama de guerra, cinema mudo, americano, de 1926, produzido e
distribuído pela Fox Film Corporation e dirigido por Raoul Walsh. O filme foi
baseado na peça de “What Price Glory”, de 1924, de Maxwell Anderson e Lawrence
Stallings, e refilmado em 1952, com o mesmo título, estrelado por James Cagney.
No
filme, Flagg e Quirt eram sargentos veteranos do Corpo de Fuzileiros dos
Estados Unidos, cuja rivalidade vinha de muitos anos atrás. Flagg (Victor
McLaglen) recebe um posto de capitão comissionado no comando de uma companhia
nas linhas de frente da França, durante a Primeira Guerra Mundial. O sargento
Quirt (Edmund Lowe) é designado para a unidade de Flagg como oficial não
comissionado. Flagg e Quirt rapidamente reassumem sua rivalidade que, dessa
vez, toma sua forma através das suas afeições por Charmaine (Dolores del Rio),
a filha do estalajadeiro local. Contudo, o desejo de Charmaine por um marido e
a realidade da guerra, dão aos dois homens uma causa comum.
O
filme foi lançado como cinema mudo pela Fox Film Corporation, em 23 de novembro
de 1926, nos Estados Unidos, com 116 minutos de duração. Em janeiro de 1927 o
filme foi relançado pela Fox, com efeitos sonoros e música sincronizados,
através do sistema Movietone.
Parte
de sua fama vem do fato de que os personagens podem ser vistos falando
obscenidades que não aparecem nos cartões de diálogos, mas podem ser entendidos
por leitores de lábios. O estúdio foi inundado por chamadas e cartas de
americanos enraivecidos, incluindo surdos e mudos, para os quais a vívida
imprecação entre o sargento Quirt e o capitão Flagg pareceu extremamente
ofensiva.
[1] A “Billboard” é
uma revista de música americana fundada em Cincinnati, em 01 de novembro de
1951, por William H. Donaldson e James Hennegan. Foi originalmente sediada na
cidade de Nova York e hoje pertencente à Prometheus Global Media. É considerada
uma das mais antigas revistas de negócio no mundo. Inicialmente a revista focou
a distribuição de panfletos e celebrações de rua antes de se especializar na
indústria da música, na década de 1960. A Billboard mantém vários quadros de
gravações internacionalmente reconhecidos que rastreiam as canções e álbuns
mais populares de várias categorias, em base semanal. Os principais quadros são
“As 100 Mais da Billboard” e “As 200 Mais da Billboard”, respectivamente
classificando as canções e álbuns mais ouvidos, sem considerar o gênero. As
classificações de canções são baseadas em vendas de digitais baixados, música
tocada nas rádios e liberadas na internet. As de álbuns foram baseadas apenas
nas vendas, até 2014 e os dados são principalmente baseados no sistema de
rastreamento Nielsen SoundScan, usado desde 1991.
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Esta música me traz lindas lembranças do ano tão distante de
1973, quando retornava da minha primeira viagem à Europa, em companhia da minha
esposa Selene e da filha Cláudia, então única. Havíamos passado seis meses na
Inglaterra, radicados em Londres, mas viajando por toda a Grã Bretanha, e mais quatro
meses na França, morando na pacata e histórica cidade de Brive-La-Gaillarde,
mas também viajando bastante por toda a metade meridional do país, além da
capital. Após meus trabalhos oficiais, tiramos quase um mês de férias para
conhecer alguns países da Europa e acabamos o giro na cidade de Cannes, ao sul
da França, no Mar Mediterrâneo. De lá embarcamos no “Augusto C” para retornar
ao Brasil numa maravilhosa viagem de treze dias, cruzando boa parte do
Mediterrâneo, atravessando o Estreito de Gibraltar, infletindo para o norte em
busca da Lisboa antiga, onde permanecemos algum tempo para compras e então atravessando
o Atlântico, rumo ao porto de Santos, São Paulo, nosso destino quase final, posto
que iríamos para Porto Alegre.
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ANONIMO VENEZIANO
Pois foi a bordo do “Augusto C” que assistimos à película “Anonimo
Veneziano” (assim mesmo, sem acento, nome do filme em italiano), de cuja trilha
sonora faz parte a maravilhosa música de que trata esta postagem. O filme fora
inteiramente rodado na cidade italiana de Veneza, que havíamos conhecido pouco
tempo atrás e que, em minha opinião, é uma cidade tão linda quanto nostálgica,
por tudo quanto dela se conhece – retornei lá, uma vez, e ainda a achei mais
triste do que na primeira vez. E eu, que já amava a cidade, apaixonei-me pela
música e a trago agora, bem como ao filme, para compartilhar com os meus
leitores.
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Cartaz de Apresentação de "O Anonimo Veneziano" |
O Anonimo Veneziano
é um filme italiano dramático de 1970, vencedor de prêmios, escrito e dirigido
pelo famoso ator italiano Enrico Maria Salerno, na sua estreia como diretor de
cinema. O filme foi estrelado pelo ator americano Tony Musante e pela nossa
atriz brasileira Florinda Bolkan.
O enredo do filme fala de Enrico, um oboísta do “Gran Teatro
La Fenice”, de Veneza, que não conseguiu se tornar o grande maestro que
desejava. Afetado por um câncer incurável, consegue um encontro nesta cidade, com
sua ex-mulher, Valéria, com quem teve um filho, de que está separado há alguns
anos e que vive com outro homem em outra cidade, mas ocultando suas condições
de saúde. Enrico e Valéria caminham e passeiam pelas ruas e canais de Veneza,
lembrando os tempos felizes em que viviam juntos, mas também os maus momentos. Ela
percebe que ainda o ama, mas quando ele, finalmente, confessa estar morrendo,
Valéria percebe que já é tarde demais para voltar atrás e mudar o curso de suas
vidas. No final do filme, quando o dia termina, os dois se despedem cientes de
que não se encontrarão novamente. Enquanto ela se afasta, em lágrimas, da
antiga igreja convertida em estúdio de gravações, Enrico dirige, com paixão, o
ensaio de uma orquestra para um concerto de um autor “anônimo” (e esta a origem
do título do filme), de origem veneziana, que se torna a trilha sonora do
filme.
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O compositor Stelvio Cipriani |
O filme recebeu os prêmios “David di Donatello” para melhor
atriz, Florinda Bolkan, um “David Special” para o diretor Enrico Maria Salerno
e o prêmio “Nastro d’Argento” para a melhor cinematografia a cores (Marcello
Gatti) e a melhor trilha sonora (Stelvio Cipriani), além de três outras
indicações. Saiu da Itália em 30 de setembro de 1970 e obteve enorme sucesso
com o público, aparecendo como o quarto colocado da temporada e superando, em
muito, o filme “Love Story”, do mesmo ano.
O filme é especialmente notável por sua romântica trilha
sonora, composta por Stelvio Cipriani, cujo tema principal ficou conhecida no
Brasil como “Anônimo Veneziano” e, em francês, como “Venise Va Mourir”. Tal
melodia foi gravada por vários intérpretes de várias nacionalidades, vocal e
instrumental, com enorme sucesso. Em 1970, Frida Boccara a gravou em francês
(com letra de Eddy Marnay) e a apresentou mais tarde, no Festival de Filmes de
Cannes. Também em 1970, Tony Renis a gravou como “Anonimo Veneziano”, em inglês
e italiano; em 1971, ele a gravou como “Venise Va Mourir”, na versão francesa.
Posteriormente outras gravações foram realizadas: Sergio Denis (1971), Fred
Bongusto (1971), Ornella Vanoni (1971) e Nana Mouskouri, em 1973, como “To Be
the One You Love”. Como música instrumental foi gravada por Paul Mauriat,
Franck Pourcel, Fausto Papetti e Julio Armando, apenas para citar as mais
conhecidas.
Quanto à trilha sonora, ainda, o filme apresenta uma
particularidade muito interessante. O concerto que o personagem principal,
Enrico, ensaia ao final do filme, é apresentado como “Concerto em Dó Menor para
Oboé, Cordas e Baixo Contínuo”, de Benedetto Marcello. Na realidade, trata-se
do “Concerto em Ré Menor para Oboé, Cordas e Baixo Contínuo”, em três
movimentos, de Alessandro Marcello, irmão mais velho e menos popular que
Benedetto. No caso do ensaio, trata-se do segundo dos três movimentos, o
Adágio. Tornado famoso graças ao filme, nele ele é transcrito e conduzido por
Giorgio Gaslini.
Como nunca gostei de compositores anônimos, algumas palavras sobre o autor da trilha sonora do “Anônimo Veneziano”. Stelvio Cipriani é um compositor italiano nascido em Roma, em 20 de agosto de 1937, muito conhecido por suas composições para trilhas sonoras. Sem vir de família de músicos sempre foi fascinado pelo órgão de sua igreja, onde recebeu as primeiras lições de música. Estudou no Conservatório Santa Cecília a partir dos 14 anos de idade e tocando em bandas de cruzeiros, conheceu Dave Brubeck. Acompanhou Rita Pavone ao piano. Compôs várias trilhas sonoras para filmes, principalmente para “westerns”, no início.
Li uma vez, em algum lugar, que se os compositores clássicos fossem vivos hoje, comporiam música para trilhas sonoras de filmes. Concordo plenamente com a ideia, visto que algumas das músicas mais lindas que conheço, foram compostas para trilhas sonoras; os exemplos são incontáveis. Gostaria de acrescentar também que, fazendo um curso de música há muitos anos atrás, na cadeira em que se aprendia a reconhecer os instrumentos musicais de uma grande orquestra, o professor dizia, sobre o oboé, que era o instrumento mais triste e melancólico de uma orquestra. Considerando o local onde o filme foi rodado e o tema principal do filme, eu diria que a trilha sonora nunca foi tão feliz ao ser composta e escolhida para fazer parte desta película.
Como nunca gostei de compositores anônimos, algumas palavras sobre o autor da trilha sonora do “Anônimo Veneziano”. Stelvio Cipriani é um compositor italiano nascido em Roma, em 20 de agosto de 1937, muito conhecido por suas composições para trilhas sonoras. Sem vir de família de músicos sempre foi fascinado pelo órgão de sua igreja, onde recebeu as primeiras lições de música. Estudou no Conservatório Santa Cecília a partir dos 14 anos de idade e tocando em bandas de cruzeiros, conheceu Dave Brubeck. Acompanhou Rita Pavone ao piano. Compôs várias trilhas sonoras para filmes, principalmente para “westerns”, no início.
Li uma vez, em algum lugar, que se os compositores clássicos fossem vivos hoje, comporiam música para trilhas sonoras de filmes. Concordo plenamente com a ideia, visto que algumas das músicas mais lindas que conheço, foram compostas para trilhas sonoras; os exemplos são incontáveis. Gostaria de acrescentar também que, fazendo um curso de música há muitos anos atrás, na cadeira em que se aprendia a reconhecer os instrumentos musicais de uma grande orquestra, o professor dizia, sobre o oboé, que era o instrumento mais triste e melancólico de uma orquestra. Considerando o local onde o filme foi rodado e o tema principal do filme, eu diria que a trilha sonora nunca foi tão feliz ao ser composta e escolhida para fazer parte desta película.
Para deleite dos leitores, disponibilizarei os “links” para
o tema principal do “Anônimo Veneziano” em várias versões. Por uma questão de
justiça, a primeira versão é um “áudio” da trilha sonora original, bem curta;
nesta versão, o leitor poderá apreciar, com detalhe, toda a melancolia do oboé.
Infelizmente, a minha fonte não declarou o intérprete da gravação, mas
certamente, trata-se da orquestra que gravou a trilha sonora, sob a regência do
seu compositor, Stelvio Cipriani.
A segunda versão é um “clip” da trilha sonora original, mais elaborada e longa, com algumas fotos de Veneza, para colocar o leitor num ambiente mais adequado. Para o intérprete, infelizmente, vale a mesma
observação colocada anteriormente.
A seguir uma versão interpretada por Tony Renis.
Presenteamos nossos leitores com a letra da música, em italiano, com versão
para o português, para que possam acompanhar com o cantor (ver abaixo).
Finalmente, uma versão orquestrada, interpretada pela
orquestra de Paul Mauriat, uma das minhas preferidas.
E para aqueles com gosto mais refinado, apresentamos o
“Concerto em Ré Menor para Oboé, Cordas e Baixo Contínuo”, em três movimentos,
completo, de Alessandro Marcello, interpretado pela Orquestra de Câmera do
Scala de Milão, com Fabien Thouand executando o som tristonho do oboé.
ANONIMO VENEZIANO VENEZIANO ANÔNIMO
Cuore, cosa fai Coração, o que faz
Che tutto solo te ne stai. Que fica tão sozinho.
Il sole è alto e splende già O sol está alto e já brilha
Sulla città. Sobre a cidade.
Al buio tu non guarirai, No escuro você não vai curar
Non stare lì, dai retta a me. Não fique ali, dê-me atenção.
Di là dai vetri forse c'è Além dos vidros talvez tem
Una per te, per te. Uma para ti, para ti.
Almeno guarda giù Ao menos olha em baixo
e tra la gente che vedrai E entre a gente que verá
c'è sempre una, una che Há sempre uma, uma que
è come te. É como tu.
Un viso anonimo che sà Um rosto anônimo que sabe
l'ingratitudine cos'è, A ingratidão o que é,
e una parola troverà E uma palavra encontrará
anche per te, per te. Também para ti, para ti.
E allora te ne vai, E então você vai,
non hai perduto niente ancora. Não perdeu nada ainda.
A un'altra vita, un altro amore Para uma outra vida, um outro amor
non dare mai. Nunca dar.
Il sole alto splende già O sol alto já brilha
sul viso anonimo di chi Sobre o rosto anônimo de quem
potrà rubarti un altro sì, Poderá te roubar um outro sim,
un altro sì. Um outro sim.
Il mondo é lì. O mundo é ali
È lì. É ali
La ra la ra la ra La ra la ra la ra
la ra la ra la ra.... La ra la ra la ra ...
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I stand at your gate and the song that I sing is of moonlight.
I stand and I wait for the touch of your hand in the June night.
The roses are sighing a moonlight serenade.
The stars are aglow and tonight how their light sets me dreaming.
My love, do you know that your eyes are like stars brightly beaming?
I bring you and sing you a moonlight serenade.
Let us stray till break of day
In love's valley of dreams.
Just you and I, a Summer sky,
A heavenly breeze kissing the trees.
So don't let me wait, come to me, tenderly, in the June night.
I stand at your gate and I sing you a song in the moonlight,
A love song, my darling, a moonlight serenade.
___________________________________________________________________________
Ao aproximar-se o final dos domingos, sempre abateu-se sobre mim – e continua a ocorrer no presente - uma espécie de melancolia, nada grave, que nunca soube identificar. Inicialmente eu a creditava à proximidade de uma nova segunda-feira, com as aulas normais e todas as suas consequências e, posteriormente, às maiores responsabilidades profissionais que então se seguiram. Hoje, numa situação bem mais confortável e tranquila, já sem compromissos formais, essa sensação ainda ocorre, nesses momentos.
Durante o último fim de semana, vivenciando aquela espécie de melancolia, recebi, de uma amiga muito querida, de mil anos atrás, Aldinha Gleci Belinzoni, um “clip” maravilhoso que me motivou, formidavelmente, a escrever este “post”.
O “clip” a que me refiro apresenta a Orquestra de André Rieu com seu coral e o Harlem Gospel Choir, apresentando-se no Radio Music City Hall, em New York. Quem nasceu na década de 40 e viveu a sua adolescência nas décadas de 50 e 60, sem uma vez dançar a música “I Will Follow Him” ou “Chariot”, definitivamente não soube o que foi viver aquela época! Eu tive essa felicidade! Satisfazer a curiosidade dos meus leitores, que conhecem – ou não - e se emocionaram com essa canção, é o principal objetivo deste artigo. Nessa orquestra destacamos a terceira soprano a se apresentar, em seu lindo vestido rosa-choque, nossa brasileira Carla Mafioleti, iniciada aos 7 anos de idade em Porto Alegre, pela soprano brasileira Neyde Thomas. Ela estudou na Holanda, posteriormente, e desde 2002 é parte do conjunto de sopranos da orquestra do violinista André Rieu.
Essa maravilhosa melodia foi composta em 1961 por dois franceses dos quais, certamente, muito poucas pessoas já ouviram falar: J. W. Stole e Del Roma. Entretanto, se mencionarmos os nomes dos grandes Franck Pourcel e Paul Mauriat, poucos dirão não conhece-los. Pois ocorre que J. W. Stole foi o pseudônimo utilizado por Franck Pourcel, da mesma maneira que Del Roma foi o apelido usado por Paul Mauriat na composição conjunta de “Chariot”, melodia letrada, em seu original, por Jacques Plante e orquestrada por Raymond Lefèvre, ambos também franceses. A figura abaixo é a partitura original, para piano, de “Chariot”, composta pelos dois músicos franceses.
Essa melodia foi imediatamente gravada por Petula Clark, em 1962, em francês, de acordo com a letra original escrita por Jacque Plante, que apresentamos abaixo, para que os leitores possam acompanhar a gravação também original, que apresentamos a seguir. A capa do vinil que atingiu a primeira posição na França e a oitava na Bélgica, aparece abaixo. Petula Clark ganhou também um Disco de Ouro com sua gravação em italiano, “Sul mio carro”, que alcançou a quarta posição na Itália. Uma sua gravação em inglês, lançada nos EUA, fez muito pouco sucesso.
Chariot, Chariot
Si tu veux de moi
Pour t'accompagner au bout des jours
Laisse-moi venir près de toi
Sur le grand chariot de bois et de toile
Nous nous en irons
Du côté où l'on verra le jour
Dans les premiers reflets du ciel
Avant la chaleur du soleil
Sous la dernière étoile
La plaine, la plaine, la plaine
N'aura plus de frontière
La terre, la terre, sera notre domaine
Que j'aime, que j'aime,
Ce vieux chariot qui tangue,
Qui tangue, qui tangue
Si tu veux de moi
Pour dormir à ton côté toujours
L'été sous la lune d'argent
L'hiver dans la neige et le vent
Alors dis-le moi, je pars avec toi
La plaine, la plaine, la plaine
N'aura plus de frontière
La terre, la terre, verra notre domaine
Que j'aime, que j'aime,
Ce vieux chariot qui tremble
Qui tremble, qui tremble
Si tu veux de moi
De ma vie et de mon fol amour
Le long des torrents et des bois
Au cœur des dangers et des joies
Alors dis-le moi, je pars avec toi.
(Du-du-doot, du-du-doot, du-du-doot.)
(Du-du-du-du-du-du-doot, du-du-doot, du-du-doot.)
(Du-du-du-du-du-du-doot...)
Love him, I love him, I love him.
And where he goes I'll follow, I'll follow, I'll follow.
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MOONLIGHT SERENADE
Esta é outra daquelas melodias que me toca lá no fundo do
coração. Composta 5 anos antes de eu nascer, sempre tive a impressão de que ela
me acompanhou por toda a vida. Penso que, de novo, devo a sua lembrança e o
enorme prazer que sinto ao escutá-la, àqueles tempos da “Pensão Viaduto”,
quando eu tinha apenas 3 anos de idade, mas era levado para escutar as
apresentações musicais no antigo auditório Araújo Viana, ao lado da Praça da
Matriz, já objeto de minhas postagens. Vários anos depois disso, muitas vezes,
na minha adolescência, tive o prazer de dançar esta melodia com a minha
namorada ou alguma outra garota romântica que se apresentasse nos entreatos do
meu namoro. Hoje, 76 anos após a sua criação, ainda sinto as mesmas emoções e o
mesmo prazer que sentia ao escutá-la pela primeira vez. Penso que será assim
até a última vez em que eu vier a escutá-la ...
“Moonlight Serenade”
(Serenata ao Luar) é uma composição popular americana composta por GlennMiller, com letra criada posteriormente por Mitchell Parish. Foi um fenômeno
imediato quando lançada em maio de 1939, com um arranjo instrumental que logo
transformou-se na melodia de assinatura de Glenn Miller. Em 1991, a gravação de Glenn Miller de “Moonlight
Serenade” foi introduzida no “Grammy Hall of Fame”.
A canção, gravada em 4 de abril de 1939, pela RCA
Bluebird, tornou-se um sucesso dos dez mais, nos quadros populares dos EUA em
1939, alcançando o número 3 nos quadros do Billboard, lá permanecendo por 15
semanas. Foi o sucesso número 5 de 1939 no registro de fim de ano do Billboard.
Glenn Miller teve cinco discos entre as 20 melodias de mais sucesso de 1939, na
mesma lista do Billboard.
No Reino Unido, “Moonlight Serenade” foi lançada como o
Lado A de um 78 RPM da “His Master’s Voice” (marca registrada da RCA, aquela
com o cachorrinho Nipper ouvindo o gramofone de uma vitrola), com a melodia
“American Patrol” no Lado B. O disco atingiu o número 12 no ReinoUnido em 1954,
permanecendo no quadro durante uma semana. Num pout-pourri com “Little Brown
Jug” e “In the Mood”, “Moonlight Serenade” alcançou o número 13 no Reino Unido,
em janeiro de 1976, numa sequência de oito semanas.
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"Moonlight Serenade" em V-Disk |
A gravação foi também incluída num “V-Disc” No
39ª, em novembro 1943. V-Disc (V de “victory” – vitória) era uma iniciativa
para elevar o moral dos soldados, envolvendo a produção de várias séries de
gravações durante a era da Segunda Guerra Moral, através de arranjo especial
entre o governo dos EUA e várias gravadoras privadas americanas. Os discos eram
produzidos para uso do pessoal militar americano no exterior. Muito cantores
populares, grandes bandas e orquestras da época, gravaram discos V-disc entre
outubro de 1943 e maio de 1949.
A gravação original usou um conjunto de saxofones
liderados por um clarinete, sendo considerada o clássico estilo Glenn Miller.
Miller estudou a técnica “Schillinger” com Joseph Schillinger, que o ajudou a
criar o “Som Miller” e sob cuja tutelagem Glenn Miller criou “Moonlight
Serenade”.
Na verdade, essa melodia evoluiu de uma versão de 1935
intitulada “Now I lay me down to weep” (Agora eu me recosto para chorar), com
música de Glenn Miller e letra de Eddie Heyman, para uma nova versão chamada
“Gone with the dawn” (Levado pela madrugada), com letra de George Simon e,
ainda, para “The Wind in the trees” (O vento nas árvores), com letra de
Mitchell Parish. Em sua biografia de Glenn Miller, George T. Simon relatou como
o vocalista Al Bowlly, da orquestra de Ray Noble, cantou-lhe a letra de Eddie
Heyman para a música de Glenn Miller “Now I lay me down to weep”, em 1935. A
orquestra de Ray Noble nunca gravou essa música. Finalmente, ela acabou como
“Moonlight Serenade” quando a Robbins Music a comprou e soube que Miller estava
gravando uma versão de “Sunrise Serenade”, uma música associada de Frankie
Carle, para a RCA Victor. Pensaram que “Moonlight Serenade” seria uma
associação natural para “Sunrise Serenade”.
Uma versão notável da música pode ser encontrada no vinil
“Moonlight Sinatra”, com Frank Sinatra, lançado
em 1965, que contém, além de “Moonlight Serenade”,
“Moon Love”, Moonlight Becomes You” e “Oh, You Crazy Moon”, gravadas por Glenn
Miller e sua orquestra. Várias outras gravações de “Moonlight Serenade” foram
realizadas por Frank Sinatra, incluindo uma que aparece em seu último
lançamento, de 2015, “Ultimate Sinatra”, com 100 músicas para celebrar os seus
100 anos de nascimento.
“Moonlight Serenade” teve incontáveis interpretações, e
podemos citar, entre os mais conhecidos vocalistas: Barry Manilow, Carly Simon,
Santo e Johnny, Thelma Houston, Mina, Laura Fygi, Ray Anthony, Ella Fitzgerald,
Bobby Vinton e Carol Burnett. Entre as orquestras mais conhecidas, com
vocalistas ou não, que gravaram “Moonlight Serenade”, podemos citar: Chet
Baker, Count Basie and his Orchestra, Benny Goodman and his Orchestra, Bert
Kaempfert, Ray Conniff, David Rose, Paul Mauriat, Tommy Leonetti, the Boston
Pops com a regência de Arthur Fiedler, John Williams, 101 Strings, Lawrence
Welk, Henry Mancini, James Last, George Melachrino, The Ventures (que aqui apresento, pela sua originalidade) e Mantovani (uma das minhas favoritas, que também apresento na postagem).
Mais
de 30 filmes incluíram, num momento ou outro, a melodia “Moonlight Serenade”,
entre eles, o que conta a história de Glenn Miller, “The Glenn Miller Story” (A
História de Glenn Miller), de 1954, com James Stuart, June Allyson e Harry
Morgan.
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Glenn Miller com seu trombone |
O
autor de “Moonlight Serenade”, Glenn Miller, músico, arranjador, compositor e
líder de orquestra, nasceu Alton Glenn Miller, em 1º de março de 1904, em
Clarinda, estado de Iowa. Logo seus pais - Elmer e Mattie Lou Miller – se
mudaram de Iowa, primeiro para Nebraska, depois para o Missouri e então para
Fort Morgan, Colorado. Em cada uma dessas cidades, o desenvolvimento musical de
Miller dava um novo passo. Durante a sua estadia em Nebraska, seu pai lhe
trouxe um bandolim, que em seguida ele trocou por uma corneta velha. Enquanto
no Missouri, ele começou a tocar trombone como membro de uma banda da cidade. E
quando sua família mudou-se para Fort Morgan, em 1918, Miller alimentou seus
talentos musicais ingressando na banda do segundo grau.
Logo
após graduar-se no segundo grau, em 1921, Glenn Miller entrou na orquestra Boyd
Senter, a primeira de uma série de grupos musicais aos quais ele se uniria.
Deixou essa banda para ingressar na Universidade do Colorado, em 1923, mas logo
abandonou-a para perseguir seu amor pela música. Pelos próximos anos ele
mudou-se para Los Angeles onde tornou-se membro da orquestra de Bem Pollack e
então seguiu para Nova York, em 1928, atuando como trombonista e arranjador.
Nessa época ele casou-se com Helen Burger, sua namorada da faculdade. Glenn
Miller começou então a trabalhar com a orquestra de Dorsey Brothers, organizou
uma orquestra para Ray Noble e estudou teoria e composição musical com Joseph
Schillinger.
A
primeira gravação de Glenn Miller com seu nome surgiu em 1934 enquanto ele
ainda trabalhava com a orquestra de Ray Noble. Em 1937 ele tentou formar sua
própria banda, obtendo pouca popularidade. Dissolvendo esta e reorganizando
outra, Glenn Miller finalmente teve sucesso em 1938, quando a Glenn Miller
Orchestra assinou um contrato no Glen Island Casino.
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A partitura de "Moonlight Serenade" |
Entre
1939 e 1942, Glenn Miller e sua Orquestra alcançaram enorme popularidade e
sucesso comercial. Sua orquestra gravou 17 sucessos em 1939, 31 em 1940, 11 em
1941 e mais 11 em 1942. Tais sucessos incluíram clássicos como “In the Mood”,
“A String of Pearls”, “At Last”, “American Patrol”, “Tuxedo Junction”, “Little
Brown Jug” e “Moonlight Serenade”. Seus sucessos conduziram a outras
empreitadas lucrativas, como suas séries no rádio, intituladas “Moonlight
Serenade”, no ar pela CBS três vezes por semana. Sua orquestra também trabalhou
no cinema, introduzindo sucessos como “Pennsylvania
6-5000”, “Chattanooga Choo Choo” no filme “Sun Valley Serenade (1941) e
“Kalamazoo”, no filme “Orchestra Wives” (1942). Pelos anos 1940’s, Glenn Miller
já faturava US$20.000,00 por semana.
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"Moonlight Serenade" em lado B. |
O
sucesso de sua orquestra deve-se ao seu estilo e som únicos. O próprio Glenn
Miller dizia que “Uma banda deve ter um som próprio, uma personalidade”. A dele
diferenciava-se de outras de muitas formas. A música de jazz é caracterizada
por sua expontaneidade e uso de improvisação; a orquestra de Glenn Miller
tocava “swing”, uma ramificação do jazz que favcorecia mais a orquestração do
que a improvisação. Por isso, muitos aficionados do jazz desaprovaram seu
estilo musical, sem apreciar a meticulosa preparação e estrutura, evidentes na
música da dua orquestra. Combinando os sons do clarinete e do saxofone, Miller
criou em sua orquestra uma ressonância que a distinguia de outras orquestras.
Em sua música o clarinete e o sax tenor contribuíam para a melodia, enquanto os
saxofones tocavam uma linha harmônica complementar, o que tornava a sua
orquestra facilmente reconhecida e a distinguia de outros grupos.
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Major Glenn Miller em tempo de guerra. |
Com
a chegada da Segunda Guerra Mundial, Glenn Miller expontaneamente abandonou seu
sucesso musical para servir ao seu país. Alistou-se na Força Aérea Americana
deixando a sua vida civil, mas não a sua música. Contratado como Capitão no
Corpo de Especialistas, devotou-se à elevação do moral dos soldados,
modernizando a orquestra do exército. Após completar o treinamento básico,
Miller organizou a Orquestra Glenn Miller da Força Aérea, aclamada por vários
como o seu melhor grupo musical.
Como
os esforços anteriores de Glenn Miller, a Orquestra foi um grande triunfo,
realizando uma perfeita programação de tours e apresentações. Durante esse
período, a orquestra realizou mais de 800 apresentações. Outras 500
apresentações foram transmitidas para milhões de ouvintes.
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O UC-64 Norseman, em que Glenn Miller desapareceu em missão |
Sua
orquestra preparava-se para embarcar em um tour pela Europa e Miller pegou um
vôo para Paris em 15 de dezembro de 1944, num UC-64 Norseman, USAAF serial
44-70285, para fazer os arranjos preparatórios do grupo. Partiu da RAF Twinwood
Farm, pequeno aeroporto para vôos noturnos em Clapham, a 7 km ao norte de
Bedford, Inglaterra, e desapareceu em vôo sobre o Canal da Mancha, junto com o
Coronel Norman Baesselll e o piloto John Morgan. O desparecimento do avião de
Glenn Miller pode ter sido causado por mau tempo, mas registros também sugerem
que bombas, lançadas por bombardeiros aliados retornando de uma missão
abortada, podem, inadvertidamente, ter atingido o aeroplano. Até hoje, livros e
artigos continuam a ser publicados na tentativa de explicar o trágico
desaparecimento do grande músico.
O monumento a Glenn Miller, no Cemitério Grove Street, New Haven, Connecticut |
Mesmo
após o desaparecimento de Glenn Miller, sua orquestra militar continuou tocando
para as tropas até agosto de 1945, quando retornou para Nova York e seus
membros se dispersaram.
A
música de Glenn Miller teve enorme popularidade e sucesso coma as audiências da
década de 1940 e continua a nos encantar até hoje. “Alguns dos críticos”, disse
Miller em 1940, “apontam seus dedos nos
acusando de abandonar o jazz real”. E concluiu: “Tudo depende do que você
define como jazz real”. Não obstante a crítica que enfrentou, Glenn Miller
devotou a sua vida, não a saciar seus críticos, mas a entreter seus ouvintes.
Embora morto com 40 ano de idade, Glenn Miller é lembrado hoje, não apenas pela
apreciada música que produziu, mas também por sua influência na evoluição e
sucesso comercial do “swing” e por sua patriótica devoção no tempo da guerra.
Embora a era das grandes orquestras tenha passado e o centenário do nascimento
de Glenn Miller tenha ocorrido em março de 2004, sua música ainda mantém o
mesmo encanto que possuía quando ele era vivo, e as músicas e sons da Orquestra
de Glenn Miller ainda encantam audiências de todas as idades.
Glenn
Miller teve três gravações que foram, postumamente introduzidas no “Grammy Hall
of Fame”, um prêmio Grammy especial estabelecido em 1973, para honrar gravações
com pelo menos 25 anos de idade e com “alto significado qualitativo ou
histórico”:
1. “In the Mood”, gravada em 1939, jazz, com selo da RCA (Bluebird), recebeu o prêmio em 1983;
2. “Moonlight Serenade”, gravada em 1939, no gênero jazz e selo RCA (Bluebird), recebeu o prêmio em 1991;
3. “Chattanooga Choo Choo”, gravada em 1941, jazz, com selo RCA (Bluebird), recebeu o prêmio em 1996.
Finalmente, para quem quiser cantar "Moonlight Serenade", no banheiro ou fora dele, acompanhando Frank Sinatra, ou fazendo um "karaokê" com as orquestras de Glenn Miller, Mantovani ou The Ventures, apresento a seguir a letra da maravilhosa melodia. Bom proveito!
1. “In the Mood”, gravada em 1939, jazz, com selo da RCA (Bluebird), recebeu o prêmio em 1983;
2. “Moonlight Serenade”, gravada em 1939, no gênero jazz e selo RCA (Bluebird), recebeu o prêmio em 1991;
3. “Chattanooga Choo Choo”, gravada em 1941, jazz, com selo RCA (Bluebird), recebeu o prêmio em 1996.
Finalmente, para quem quiser cantar "Moonlight Serenade", no banheiro ou fora dele, acompanhando Frank Sinatra, ou fazendo um "karaokê" com as orquestras de Glenn Miller, Mantovani ou The Ventures, apresento a seguir a letra da maravilhosa melodia. Bom proveito!
MOONLIGHT SERENADE
(Glenn Miller & Mitchell Parish)
I stand at your gate and the song that I sing is of moonlight.
I stand and I wait for the touch of your hand in the June night.
The roses are sighing a moonlight serenade.
The stars are aglow and tonight how their light sets me dreaming.
My love, do you know that your eyes are like stars brightly beaming?
I bring you and sing you a moonlight serenade.
Let us stray till break of day
In love's valley of dreams.
Just you and I, a Summer sky,
A heavenly breeze kissing the trees.
So don't let me wait, come to me, tenderly, in the June night.
I stand at your gate and I sing you a song in the moonlight,
A love song, my darling, a moonlight serenade.
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I WILL FOLLOW YOU ou CHARIOT?
Ao aproximar-se o final dos domingos, sempre abateu-se sobre mim – e continua a ocorrer no presente - uma espécie de melancolia, nada grave, que nunca soube identificar. Inicialmente eu a creditava à proximidade de uma nova segunda-feira, com as aulas normais e todas as suas consequências e, posteriormente, às maiores responsabilidades profissionais que então se seguiram. Hoje, numa situação bem mais confortável e tranquila, já sem compromissos formais, essa sensação ainda ocorre, nesses momentos.
Durante o último fim de semana, vivenciando aquela espécie de melancolia, recebi, de uma amiga muito querida, de mil anos atrás, Aldinha Gleci Belinzoni, um “clip” maravilhoso que me motivou, formidavelmente, a escrever este “post”.
O “clip” a que me refiro apresenta a Orquestra de André Rieu com seu coral e o Harlem Gospel Choir, apresentando-se no Radio Music City Hall, em New York. Quem nasceu na década de 40 e viveu a sua adolescência nas décadas de 50 e 60, sem uma vez dançar a música “I Will Follow Him” ou “Chariot”, definitivamente não soube o que foi viver aquela época! Eu tive essa felicidade! Satisfazer a curiosidade dos meus leitores, que conhecem – ou não - e se emocionaram com essa canção, é o principal objetivo deste artigo. Nessa orquestra destacamos a terceira soprano a se apresentar, em seu lindo vestido rosa-choque, nossa brasileira Carla Mafioleti, iniciada aos 7 anos de idade em Porto Alegre, pela soprano brasileira Neyde Thomas. Ela estudou na Holanda, posteriormente, e desde 2002 é parte do conjunto de sopranos da orquestra do violinista André Rieu.
Essa maravilhosa melodia foi composta em 1961 por dois franceses dos quais, certamente, muito poucas pessoas já ouviram falar: J. W. Stole e Del Roma. Entretanto, se mencionarmos os nomes dos grandes Franck Pourcel e Paul Mauriat, poucos dirão não conhece-los. Pois ocorre que J. W. Stole foi o pseudônimo utilizado por Franck Pourcel, da mesma maneira que Del Roma foi o apelido usado por Paul Mauriat na composição conjunta de “Chariot”, melodia letrada, em seu original, por Jacques Plante e orquestrada por Raymond Lefèvre, ambos também franceses. A figura abaixo é a partitura original, para piano, de “Chariot”, composta pelos dois músicos franceses.
Essa melodia foi imediatamente gravada por Petula Clark, em 1962, em francês, de acordo com a letra original escrita por Jacque Plante, que apresentamos abaixo, para que os leitores possam acompanhar a gravação também original, que apresentamos a seguir. A capa do vinil que atingiu a primeira posição na França e a oitava na Bélgica, aparece abaixo. Petula Clark ganhou também um Disco de Ouro com sua gravação em italiano, “Sul mio carro”, que alcançou a quarta posição na Itália. Uma sua gravação em inglês, lançada nos EUA, fez muito pouco sucesso.
CHARIOT
Chariot, Chariot
Partitura original de "Chariot" |
Pour t'accompagner au bout des jours
Laisse-moi venir près de toi
Sur le grand chariot de bois et de toile
Nous nous en irons
Du côté où l'on verra le jour
Dans les premiers reflets du ciel
Avant la chaleur du soleil
Sous la dernière étoile
La plaine, la plaine, la plaine
N'aura plus de frontière
La terre, la terre, sera notre domaine
Que j'aime, que j'aime,
Ce vieux chariot qui tangue,
Qui tangue, qui tangue
Si tu veux de moi
Pour dormir à ton côté toujours
L'été sous la lune d'argent
L'hiver dans la neige et le vent
Alors dis-le moi, je pars avec toi
Petula Clark na capa que lhe deu o #1 na França |
La plaine, la plaine, la plaine
N'aura plus de frontière
La terre, la terre, verra notre domaine
Que j'aime, que j'aime,
Ce vieux chariot qui tremble
Qui tremble, qui tremble
Si tu veux de moi
De ma vie et de mon fol amour
Le long des torrents et des bois
Au cœur des dangers et des joies
Alors dis-le moi, je pars avec toi.
No ano seguinte de 1963, uma americana, Little Peggy March, gravou a mesma melodia numa versão adaptada por Arthur Altman, em língua inglesa, criada por Norman Gimbel, com o título “I will follow Him”. Com essa gravação, Little Peggy March, então com 15 anos de idade, tornou-se a mais jovem intérprete feminina a colocar um simples em primeiro lugar no “US billboard”e em todo o mundo. Além dos EUA, essa gravação fez muito sucesso na Austrália, Nova Zelândia, Japão e Escandinávia. Abaixo, a capa do vinil que fez todo esse sucesso. A letra original, em francês, não tem nada a ver com a sua versão inglesa, a começar pelo título. A primeira é uma canção romântica que transporta a pretendente em um carro (“chariot”), ao encontro do seu amado; a versão em língua inglesa é praticamente um “gospel” que proclama a intérprete como uma seguidora de Deus. Foi impossível encontrar um “clip” da época com a famosa interpretação que a tornou número 1 em todo o mundo. Entre apresentar um “clip” mais moderno e apenas escutar à interpretação original, apreciando a capa do disco que a fez famosa, optamos por esta última e a apresentamos a seguir. E logo a letra da versão em inglês para que o leitor possa bem acompanhar a brilhante gravação.
Little Peggy March, a mais jovem #1 no "billboard" |
I WILL FOLLOW HIM
(Du-du-doot, du-du-doot, du-du-doot.)
(Du-du-du-du-du-du-doot, du-du-doot, du-du-doot.)
(Du-du-du-du-du-du-doot...)
Love him, I love him, I love him.
And where he goes I'll follow, I'll follow, I'll follow.
I will follow him.
Follow him wherever he may go.
There isn't an ocean too deep,
A mountain so high it can keep,
Keep me away.
(Du-du-doot, du-du-doot, du-du.)
I must follow him (follow him).
Ever since he touched my hand I knew,
That near him I always must be.
And nothing can keep him from me.
He is my destiny (destiny).
I love him, I love him, I love him,
And where he goes, I'll follow, I'll follow, I'll follow
He'll always be my true love, my true love, my true love,
From now until forever, forever, forever.
I will follow him (follow him).
Follow him wherever he may go
There isn't an ocean too deep,
A mountain so high it can keep,
Keep me away, away from my love
I love him, I love him, I love him,
And where he goes, I'll follow, I'll follow, I'll follow.
He'll always be my true love, my true love, my true love,
From now until forever, forever, forever.
I will follow him (follow him),
Follow him wherever he may go,
There isn't an ocean too deep,
A mountain so high it can keep,
Keep me away, away from my love.
(Du-du-doot, du-du-doot, du-du-doot...)
(And where he goes I'll) follow, I'll follow, I'll follow.
I know I'll always love him, I love him, I love him.
And where he goes I'll follow, I'll follow, I'll follow.
I know I'll always love him...
[Fade.]
Vários outros intérpretes gravaram essa melodia, incluindo a nossa brasileira Lana Bittencourt, em inglês, e quiçá tenha sido essa a gravação mais cantada e dançada na década de 60, no Brasil, a dessa cantora de tantos outros sucessos à época.
Gravações instrumentais da mesma melodia também foram realizadas, destacando-se, evidentemente, as interpretadas pelas orquestras dos dois próprios compositores. De fato, Franck Pourcel iniciou a vitoriosa carreira da canção, como peça instrumental, no mesmo ano de 1961 e a colocou na quinta posição, aparecendo no LP de lançamento europeu “Amour Danse e Violons No 17”.
Paul Mauriat somente a gravou, com sua orquestra, no ano de 1976, no álbum “Paul Mauriat Plays the Hits of 1976”, usando um “Moog Synthesizer”.
Finalmente, no ano de 1992, a canção foi apresentada, com proeminência, no filme “Sister Act” (Mudança de Hábito), em que estrelou Whoppi Golberg, quando executada pelo coro das freiras, numa homenagem ao Papa.
Como incondicional admirador que sou, das duas orquestras mencionadas, sinto-me na obrigação de colocar, como fecho ao meu artigo, uma curta biografia dos dois grandes músicos franceses, Franck Pourcel e Paul Mauriat, aqui realçados como compositores da sua canção título. Para não tornar ainda mais longa essa postagem, clique nos "links" correspondentes, acima ou abaixo, para conhecer algo da vida desses ilustres músicos franceses.
Follow him wherever he may go.
There isn't an ocean too deep,
A mountain so high it can keep,
Keep me away.
(Du-du-doot, du-du-doot, du-du.)
I must follow him (follow him).
Ever since he touched my hand I knew,
That near him I always must be.
And nothing can keep him from me.
He is my destiny (destiny).
I love him, I love him, I love him,
And where he goes, I'll follow, I'll follow, I'll follow
He'll always be my true love, my true love, my true love,
From now until forever, forever, forever.
I will follow him (follow him).
Follow him wherever he may go
There isn't an ocean too deep,
A mountain so high it can keep,
Keep me away, away from my love
I love him, I love him, I love him,
And where he goes, I'll follow, I'll follow, I'll follow.
He'll always be my true love, my true love, my true love,
From now until forever, forever, forever.
I will follow him (follow him),
Follow him wherever he may go,
There isn't an ocean too deep,
A mountain so high it can keep,
Keep me away, away from my love.
(Du-du-doot, du-du-doot, du-du-doot...)
(And where he goes I'll) follow, I'll follow, I'll follow.
I know I'll always love him, I love him, I love him.
And where he goes I'll follow, I'll follow, I'll follow.
I know I'll always love him...
[Fade.]
Vários outros intérpretes gravaram essa melodia, incluindo a nossa brasileira Lana Bittencourt, em inglês, e quiçá tenha sido essa a gravação mais cantada e dançada na década de 60, no Brasil, a dessa cantora de tantos outros sucessos à época.
Gravações instrumentais da mesma melodia também foram realizadas, destacando-se, evidentemente, as interpretadas pelas orquestras dos dois próprios compositores. De fato, Franck Pourcel iniciou a vitoriosa carreira da canção, como peça instrumental, no mesmo ano de 1961 e a colocou na quinta posição, aparecendo no LP de lançamento europeu “Amour Danse e Violons No 17”.
Paul Mauriat somente a gravou, com sua orquestra, no ano de 1976, no álbum “Paul Mauriat Plays the Hits of 1976”, usando um “Moog Synthesizer”.
Finalmente, no ano de 1992, a canção foi apresentada, com proeminência, no filme “Sister Act” (Mudança de Hábito), em que estrelou Whoppi Golberg, quando executada pelo coro das freiras, numa homenagem ao Papa.
Como incondicional admirador que sou, das duas orquestras mencionadas, sinto-me na obrigação de colocar, como fecho ao meu artigo, uma curta biografia dos dois grandes músicos franceses, Franck Pourcel e Paul Mauriat, aqui realçados como compositores da sua canção título. Para não tornar ainda mais longa essa postagem, clique nos "links" correspondentes, acima ou abaixo, para conhecer algo da vida desses ilustres músicos franceses.
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BILITIS
INTRODUÇÃO
O objetivo da postagem é a canção intitulada “Bilitis”, mais uma das minhas grandes preferidas. Entretanto, como se trata de trilha sonora de um filme, que por sua vez foi baseado num livro, sou obrigado, para bem informar o leitor, a abordar as três matérias.
Não sei se já escrevi em alguma de minhas postagens, mas li, em alguma publicação que tratava de música clássica, que se os grandes compositores clássicos fossem vivos, eles comporiam trilhas sonoras para cinema. Nunca esqueci disso e conheci muitas músicas lindas, que realmente me tocavam, que foram especificamente criadas para o cinema. Esta é apenas mais uma delas.
O FILME
O filme “Bilitis”, de 1977, é um drama romântico e erótico francês, dirigido pelo fotógrafo David Hamilton, com trilha sonora do mais que mundialmente conhecido Francis Lai, autor de, entre outras, “Love Story”, “Un Homme et une Femme” e “Vivre pour vivre”. São estrelas do filme, Patricia (Patti) D’Arbanville e Mona Kristensen, repectivamente nos papeis título Bilitis e Melissa.
No enredo, uma estudante adolescente (Bilitis) é aluna de uma escola só para meninas que está prestes a iniciar a interrupção para as férias de verão. Durante essas férias, Bilitis vê-se às voltas com sua sexualidade em desenvolvimento e inicia um relacionamento com um casal cujo casamento é já inamistoso, desenvolvendo uma intensa paixão lésbica pela esposa, sua guardiã. Ao mesmo tempo ela busca relações amorosas com um adolescente local (Lucas) e procura encontrar um adequado amante masculino para a esposa.
Embora “Bilitis” possa ser descrito como um filme com personagens que estão por atingir a idade adulta, a personagem do título, Bilitis, acaba por retornar à escola ao final do filme, percebendo que ainda não está pronta para tornar-se adulta.
Esse filme de 1977, é uma versão a cores do mesmo filme feito na França em 1959 que está, há muitos anos, sem possibilidades de cópia.
O filme é livremente baseado num livro de poemas de Pierre Louÿs, chamado “As Canções de Bilitis” (Les Chansons de Bilitis), encenado na antiga Grécia, embora o filme aconteça na moderna Europa.
O LIVRO
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Ilustração de George Barbier para o livro "Les Chansons de Bilitis" |
O livro “As Canções de Bilitis” (Les Chansons de Bilitis) é uma coleção de poemas eróticos, essencialmente lésbicos, pelo poeta francês Pierre Louÿs, publicado em Paris em 1894. Propositalmente, Louÿs alegou que havia traduzido a poesia original do grego antigo quando, na verdade, os poemas foram inteligentes fábulas criadas por ele mesmo e são, ainda hoje, considerados importante literatura.
Pierre Louÿs, nascido Pierre Félix Louis, foi um poeta e escritor francês, nascido em 10 de dezembro de 1870, em Ghent, Bélgica, mas relocado para França onde viveu o resto da sua vida, principalmente renomado por temas lésbicos e clássicos em alguns dos seus escritos. Conhecido como o escritor que procurou “expressar a sensualidade pagã com perfeição estilística”, foi inicialmente feito Cavaleiro e então Oficial da Legião de Honra, por suas contribuições à literatura francesa.
Estudou na École Alsacienne, em Paris, onde desenvolveu uma boa amizade com o futuro vencedor do Prêmio Nobel e campeão dos direitos homosexuais, André Gide. A partir de 1890 passou a escrever seu nome como “Louÿs” como forma de expressar seu apego à cultura grega clássica (a letra “Y”, em francês, é chamada de “i grega”). Durante os anos 1890’s tornou-se amigo do dramaturgo irlandês homosexual Oscar Wilde e foi o dedicado da edição francesa do “Salomé” de Oscar Wilde. Outro importante amigo de Louÿs, o compositor clássico Claude Debussy, compôs uma adaptação musical de três dos poemas de seu “Chansons de Bilitis” para voz e piano, entre 1897 e 1898.
Os poemas seguem o estilo de Sappho [1] e a introdução da coletânea alega que os poemas foram encontrados nas paredes de uma tumba em Chipre, escritos por uma mulher da Grécia antiga, chamada Bilitis. Era uma cortesã contemporânea de Sappho, a quem Louÿs, para emprestar credibilidade à falsificação, dedica uma pequena seção do livro, chamada “A Vida de Bilitis”, creditando a um arqueólogo alemão ficcional a descoberta da tumba de Bilitis. Quando de sua publicação, o livro iludiu até mesmo grandes estudiosos do assunto.
A MÚSICA
A música conhecida por “Bilitis” é, na verdade, uma das composições da maravilhosa trilha sonora do filme, chamada “Générique”, toda composta por Francis Lai, um dos mais importantes compositores de trilhas sonoras do mundo.
Francis Albert Lai foi um compositor francês, de Nice, nascido em 26 de abril de 1932, exaltado por suas trilhas sonoras para o cinema. Filho de jardineiros que plantavam para venda de mercado, desde tenra idade foi fascinado pela música, inicialmente tocando em suas orquestras regionais. Em Marseille ele descobriu o jazz e se encontrou com Claude Goaty, um cantor de canções populares dos anos 1950’. Em seus vinte anos, Lai deixou o seu lar acompanhando Goaty a Paris, onde tornou-se parte do vivo cenário musical de Montmartre. Com Bernard Dimey escreveu sua primeira composição, numa parceria que renderia mais de cem músicas. Após um curto período com a orquestra de Michel Magne, tornou-se um acompanhador para Édith Piaf, para quem também acabaria compondo.
Em 1965 ele conheceu o diretor Claude Lelouch e foi contratado para a trilha sonora para o filme “Um Homme et une Femme” (Um Homem e uma Mulher), liberado em 1966, um sucesso internacional que lhe rendeu uma indicação para “Melhor Trilha Sonora Original”. Continuou a trabalhar com Lelouch em trilhas sonoras de filmes como “Vivre pour Vivre” (1967), “Un Homme qui me plait” (1969), “Le Voyou” (1970), “O Passageiro da Chuva” (1970) e “La Bonne Anné” (1973), para citar alguns. Em 1970, ainda, Lai venceu o Oscar de Melhor Trilha Sonora Original e o Globo de Ouro para o filme “Love Story”. Em 1975 compôs a trilha sonora de “Emmanuelle” e em 1977 para “Bilitis. Numa carreira que durou mais de 40 anos, Lai também escreveu música para programas de TV e em colaboração com outros, compôs música para mais de cem filmes, pessoalmente escrevendo mais de 600 canções.
Francis Lai morreu em 7 de novembro de 2018, com a idade de 86 anos.
Há um álbum com a trilha sonora completa do filme, chamado “Bilitis – Música por Francis Lai”, que nos agracia com todas as partes que a compõem e nos permite observar que a melodia de “Bilitis” (Générique), como geralmente acontece, permeia várias das suas componentes.
Existem algumas versões diferentes de Bilitis, e eu gostaria de apresentar três delas, que considero indispensáveis à nossa postagem. Procurei muito e não encontrei qualquer versão letrada; creio mesmo que, em se tratando de trilha sonora e de um filme com tal história, seja natural que Francis Lai a tenha composto, propositalmente, sem letra.
Por questão de mérito, gostaria que a primeira delas fosse a “Bilitis” (Générique) que abre a trilha sonora original do filme, primeira música do álbum com a trilha sonora completa do filme, “Générique (de Bilitis)”.
Considerando que a composição não tenha letra, gostaria de apresentar a versão, não cantada, mas murmurada, por uma das minhas cantoras favoritas, Sarah Brightman. É uma inovação que vale à pena degustar.
E a terceira versão que eu gostaria de apresentar, para o deleite dos leitores, é a gravação com a orquestra de Franck Pourcel, mundialmente conhecida e uma das minhas preferidas.
Espero que os leitores apreciem a música escolhida para esta postagem, mais uma composição de Francis Lai, com toda a delicadeza que o filme exigiria.
[1] Sappho foi um poeta grego antigo de Eresos ou Mytilene, na ilha de Lesbos, conhecido por sua poesia lírica, escrita para ser cantada acompanhada por música. Nos tempos antigos, Sappho foi amplamente visto como um dos maiores poetas líricos.
2 comentários:
Nelson Azambuja,
Não sei como vim parar aqui na sua pagina (blogger), mas o fato é que a sua definição pra "MUSICAS PREFERIDAS " era a explicação que eu procurava a muito tempo, assim como o Glenn Miller procurava a sua assinatura musical que o destino lhe apresentou quando um musico da sua orquestra que tocava trompete e, em um ensaio, feriu o lábio e um outro que tocava sax o substitui lendo a mesma partitura , só que pra instrumentos diferentes . ( Essa foi a explicação do Glenn Miller no filme Musica e Lágrimas.) E foi aí que ele descobriu o som que ele tanto procurava.
Coincidentemente as musicas que você diz ter predileção , também são as minhas preferidas e todas com uma historia agregada como :
* Monnlight Serenade .. ... .. Glenn Miller
* Adios ........... Glenn Miller
* CUANDO VUELVA A TU LADO...... RAY CONNIFF & BILLY BUTTERFIELD
* WHAT DIFFERENCE A DAY MAKES... DINAH WASHINGTON
* ANONIMO VENEZIANO ............ TONY RENIS / FRED BONGUSTO
OU SEJA , VOCE LEU O MEU PENSAMENTO E PUBLICOU ESSA DEFINIÇÃO de " MUSICAS PREFERIDAS " ANTES DE MIM, MAS PELO SEU BOM GOSTO MUSICAL QUE " BATE" COM O MEU , TÁ PERDOADO ... ( rs..)
e atrevido que sou , como diria o Helio Ribeiro , meu ídolo do radio e o maior comunicador de todos os tempos , vou por essa definição de musicas no meu blog com o devido credito , se você assim o permitir.
meu blog >> http://blogdowagnerxina.blogspot.com.br/2015_02_01_archive.html
Parabens pelo Blog e pode contar com mais um seguidor
Wagner ( xina )
Prezado Wagner (Xina):
Foi, realmente, com muito prazer que recebi o seu comentário. De repente, mesmo que por pouco tempo, deixei de me sentir como un dinossauro, por gostar de boas músicas.
Antes de qualquer coisa, já andei visitando o seu "Blog", que faz muito o meu gênero.
Alguns pequenos comentários sobre o teu comentário. Primeiro, sinta-se totalmente à vontade de usar coisas que eu tenha escrito; será sempre uma honra. Meu "Blog", do qual não faço propaganda nem para os meus parentes, tem como objetivo primeiro, o meu próprio prazer e é assim que sou. Se outras pessoas visitarem e gostarem das coisas que lá coloco, ficarei sempre muito feliz. Outra coisa que deve ter percebido, é que a música, embora dos meus mais importantes prazeres, constitui apenas uma das páginas do meu "blog". De longe, dedico a maior parte do meu tempo às postagens sobre vários outros assuntos, que se encontram na Página Inicial; bem que eu gostaria de dedicar mais tempo às músicas.
Um pequena retificação: sobre a música "Adiós", uma das interpretações que disponibilizei, foi com a Orquestra do Mantovani, e não com a orquestra do Glenn Miller que, claro, adoro também. Apenas faço o reparo porque a interpretação dessa música com a orquestra do Mantovani é algo único.
Obrigado pelos cumprimentos. Novamente, muito feliz por tê-lo como seguidor.
Grande abraço,
Nelson.
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