Homenagem ao lendário herói ancestral dos ingleses que deu título a um dos considerados "Cem Maiores Livros do Mundo" e tido como o mais antigo escrito em "Old English".

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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

ROBIN HOOD E O CORAÇÃO DA ROSA - 4a (E ÚLTIMA ) PARTE

O MUSICAL 

“The Heart of the Rose” começa com um prólogo montado no antigo santuário "The Heart of the Rose". Aqui, a antiga lenda de Eostre e Laan é reapresentada e, nesta, Eostre usa a sua mágica para ressuscitar o seu amado Laan. Como gratidão por seu renascimento e como um sinal de que ele sempre olhará pela terra, Laan modela um artefato na forma de cornos de cedro, da madeira de uma árvore sagrada situada no centro do bosque.
A história de Robin e Marian começa muitos séculos mais tarde, durante a Idade Média e o reinado de Edward II. A Inglaterra é próspera e o Conde de Lancaster permite que a velha religião continue em Nottingham. A primeira cena é o tradicional festival do 'Dia de Maio' e dispostos na praça da cidade estão os cornos sagrados, uma vez fabricados pelo próprio Laan. Durante o festival Robin encontra Marian pela primeira vez e os dois se apaixonam. Juntos, eles são coroados rei e rainha de maio – as representações da deusa e do deus Eostre e Laan. A meia-irmã de Marian, Elizabeth, já apaixonada por Robin, lhe jura vingança. Convencida de que a velha religião a traiu, a amargurada Elizabeth rouba os chifres, crendo que sem a sua proteção a velha religião cairia e que Robin e Marian cairiam com ela. Ela deixa a cidade e entra para a Igreja, fazendo os votos como freira.
Pouco tempo depois a fome estende-se por toda a terra. Quando o apelo de Lancaster ao rei, para abolir as taxações inviáveis para a situação, cai em ouvidos surdos, ele lidera uma revolução. Contudo, o seu braço direito, Henry de Facombery, o trai, entregando os planos de batalha ao rei; e o exército rebelde é emboscado e derrotado. Lancaster é morto e Robin, seu capitão, é mortalmente ferido. Marian leva Robin ao santuário “The Heart of the Rose”, no meio da floresta de Sherwood, onde ele é miraculosamente curado. Quando os rebeldes sobreviventes vêm que Marian salvou Robin das mãos da morte, eles ficam convencidos de que o par é verdadeiramente a reencarnação de Eostre e Laan. Crendo que eles são agora conduzidos por seu velho deus, os fora-da-lei espontaneamente concordam em seguir Robin em seu empenho contra a opressão.
Aceitando esse papel, Robin organiza os rebeldes numa efetiva força de luta e começa a roubar os ricos para alimentar os pobres. Inevitavelmente, os fora-da-lei entram em conflito com o novo Sheriff de Nottingham, Henry de Facombery, que vai, ao final, vingar-se de Robin assassinando Marian. Embora Robin finalmente mate o Sheriff num duelo e seja perdoado pelo Rei, sem Marian ele é um homem alquebrado. Ele não possui mais uma causa pela qual lutar e a sua fé em seu destino foi-se. Por muitos anos ele vive só na floresta até que adoece e é conduzido por Little John à abadia onde Elizabeth é agora a abadessa. Desavisado do ódio e traição de Elizabeth, Robin é secretamente envenenado por sua cunhada. Durante a sua morte, Elizabeth mostra-lhe os chifres sagrados que roubou muitos anos atrás. Ainda amarga, conta-lhe que foi ela a responsável pela morte de Marian e pela queda da velha religião. Quando ela permite a Robin segurar os chifres pela última vez, longe de deixar o mundo como um homem alquebrado e deprimido, sua fé miraculosamente retorna. Ele sabe que, como a personificação de Laan, sua vida inspirará outros das gerações vindouras. Embora Robin morra e seja enterrado por Little John no “Heart of the Rose”, ele permanece unido à Marian, em espírito, e sua lenda perdurará para sempre.

Como vêm, uma linda mistura da história com a lenda, colocada em música maravilhosa. E de repente, não se tem mais certeza do que é lenda ou realidade, ou se ambas são apenas uma coisa só, aquilo que desejamos que seja ...
E para que os leitores possam bem acompanhar essa belíssima interpretação do ‘Air Supply’, segue, para fechar o artigo, a letra da música e a correspondente tradução.


Heart Of The Rose                   Coração da Rosa

Air Supply                                                 Air Supply



A long time ago, from the valley of the sun                   Há muito tempo atrás, do vale do sol,
Came the holy power,                                                  Chegou o poder sagrado.
When the gods were one                                              Quando os deuses eram um,
Searching for a new home,                                           Procurando por um novo lar,
Searching for this land                                                 Procurando por esta terra,
Guided by the stars, and a vision they had seen            Guiado pelas estrelas e uma visão que tinham tido.
The pillars of the temple,                                             Os pilares do templo
In these hills of green                                                  Nessas verdes Colinas,
Buried deep inside for only us to find                            Profundamente enterradas para que apenas nós os encontrássemos



(Chorus)                                                                      (Coro)
It is the roar of the wind,                                             É o rugido do vento,
The power of the sun                                                   O poder do sol,
The strength of a thousand bows                                  A energia de mil arcos.
And those who near it again, will fear it again               E aqueles que dele se reaproximarem, teme-lo-ão novamente.
And it's here in the heart of the rose                             E é aqui, no coração da rosa.
Painted in the sky was the moment to awake                Pintado no céu era o momento de acordar.
All that lay within you,                                                 Tudo o que existe dentro de você,
As this dawn should break                                            Quando esta aurora deve romper,
With this force awoken, none can stand before             Com esta força desperta, ninguém pode permanecer adiante.
This is the hour, now is the time                                  Esta é a hora, agora é o momento.
Driven by the purest love, I give you mine                    Guiado pelo amor mais puro, eu lhe dou o meu.
All that we must be, is everything we see                     Tudo o que devemos ser, é tudo o que vemos


(Chorus)                                                                     (Coro)
Our love, has brought us both together                         Nosso amor fez o nosso encontro
And it's our love that will go on forever                         E é o nosso amor que durará para sempre.
There is no love that can become as one                       Não há amor que possa tornar-se um só,
Before it's time                                                            Antes que seja tempo.


(Chorus)                                                                      (Coro)
It is the trees in the earth,                                           São as árvores na terra,
It is the rivers that run                                                São os rios que correm.
And through us this secret flows                                   E através de nós esse segredo flui.
And now our destiny calls,                                            E agora nosso destino chama .
You'll remember it all                                                   Você se lembrará de tudo.
Our love for the heart of the rose                                 Nosso amor pelo coração da rosa.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

ROBIN HOOD E O CORAÇÃO DA ROSA - 3a PARTE


A LENDA
Sempre tive uma atração especial pelas histórias e lendas medievais, com seus monstros e dragões, cavalheiros destemidos e donzelas em aflição. E sempre me pergunto por que essas lendas sobrevivem? Talvez por que pessoalmente nos relacionamos ao que elas dizem? As lendas são de fato um exagero de uma verdade original? Este é o caso da lenda de Robin Hood? Por que a história de Robin Hood desafia o tempo e renasce com cada nova narrativa? É por que os personagens na história eram carne e sangue e viveram e amaram exatamente como nós? É por que eles se empenharam para conquistar os seus próprios medos e lutar pelo que as suas consciências lhes disseram o que era certo? Ou é por que há um elemento de magia e mistério situado apenas abaixo da superfície do conto – um que ainda existe logo abaixo da superfície do mundo moderno?
A popular história de Robin Hood que todos conhecem, imortalizada pelo mito de Hollywood e outras mecas da cinematografia, é baseada numa peça escrita por um contemporâneo de Shakespeare, Anthony Munday, em 1598. Ela narra o conto de um nobre deserdado que conduz um bando de foras-da-lei em sua luta contra o inescrupuloso Sheriff de Nottingham, a partir das profundezas da Floresta de Sherwood. A história é assentada nos anos 1190 quando o Rei Ricardo I, o Coração de Leão (Richard I, the Heart of Lion) encontra-se fora, participando das Cruzadas, e seu irmão, Príncipe John, governa a Inglaterra em seu lugar.
Na lenda, Robin Hood é o maior arqueiro e o melhor líder de homens – um fora da lei injustamente expulso de suas terras. Roubando dos ricos para dar aos pobres ele é uma inspiração para o tiranizado e oprimido. Para aqueles que abandonaram tudo o que tinham para segui-lo, ele é quase uma figura messiânica cuja liderança fornece finalidade e razão para as suas duras e amargas vidas. A história de Robin Hood tem sido contada por centenas de anos. Ela tem sido retratada em poemas, peças e novelas por sete séculos e, presentemente, aparece nos cinemas, na TV e até mesmo em desenhos. Mas trata-se simplesmente de uma história? De fato, soa muito como material de fantasia e sonho. Contudo, atrás do conto há uma verdade histórica: uma história real e tão impressionante e romântica quanto um mito medieval.

A HISTÓRIA
Muitos historiadores que haviam previamente buscado evidência da verdade através da história, examinaram registros a partir do reinado de Ricardo I. Como nada conclusivo foi encontrado, muitos acreditaram que Robin Hood era nada mais do que um mito.
Contudo, em sua pesquisa histórica, o escritor Graham Phillips descobriu evidência conclusiva de um Robin Hood histórico, de um período inteiramente diferente. A razão pela qual outros falharam em descobrir essa evasiva documentação foi que, baseados em enganos feitos por Anthony Munday, eles haviam pesquisado datas erradas. Nas criptas da Biblioteca Britânica, em Londres, sobrevive um conto de Robin Hood escrito mais de 200 anos antes dos tempos de Munday. Trata-se de um trabalho anônimo que apareceu pela primeira vez na segunda metade do século XIV, chamado “As Façanhas de Robin Hood”. A palavra original inglesa “Gest” (Façanhas) era uma palavra medieval que significa uma história ou conto, de forma que, por conveniência, o trabalho é mencionado como Gest. Estudiosos literários há muito que sabiam da existência da Gesta, mas muitos historiadores negligenciaram sua importância como evidência para um Robin Hood histórico. Significativamente, ela coloca a história numa época diferente da peça de Munday. Ela é assentada no início do século XIV e não ao final do século XII, quando o rei não é Ricardo I, mas Eduardo II. Robin também não é um nobre, mas um soldado – um cavalheiro no exército de Thomas, Conde de Lancaster. A ação se desenrola em 1322 quando Robin é forçado a tornar-se um fora-da-lei após o Conde de Lancaster ter falhado numa rebelião contra o Rei. A rebelião de Lancaster é um evento histórico e os registros mostram que muitos dos seus seguidores se refugiaram na Floresta de Sherwood para continuar uma campanha de guerrilha. O Conde de Lancaster havia sido o Lorde de Nottinghamshire e Yorkshire e havia liderado um levante popular contra as injustas taxas impostas pelo Rei, imediatamente após uma extrema falta de víveres. Infelizmente, Lancaster foi traído pela revelação de seus planos ao Rei por seu, até então leal, braço direito, Henry de Facombery. Quando o exército rebelde foi derrotado na batalha de Boroughbridge, em Yorkshire, em 15 de março de 1322, Lancaster foi morto e o Rei recompensou Facombery, designando-o Sheriff de Nottinghamshire e Yorkshire, sendo encarregado de capturar os rebeldes que haviam se refugiado na Floresta de Sherwood. Tudo leva a crer que Henry de Facombery tenha se tornado o lendário Sheriff de Nottingham.
  
O mapa ao lado mostra a região onde teria vivido Roberto Hode, ou Robin Hood, podendo-se ver Barnsdale (ao centro do mapa) no condado de Yorkshire e, mais abaixo, Nottingham e a Floresta de Shervood, já no condado de Nottinghamshire, conforme é relatado a seguir.
Seguindo o trabalho de um obscuro historiador de Yorkshire, de meados do século XIX, chamado Joseph Hunter, Graham descobriu um registro do líder dos rebeldes, que havia escapado logo após a derrota de Lancaster. Nos arquivos de Wakefield Manor, na borda norte da Floresta Barnsdale, cinquenta milhas ao norte de Sherwood, seu nome está registrado como Robert Hode. Como Robin era o apelido de Robert e Hode era a ortografia medieval de Hood, parecia que o Robin Hood histórico havia sido finalmente encontrado. De fato, em um documento particular, ele é referido como ‘Robin Hode’. É muito possível que esta e a Floresta de Sherwood fossem, naquele período da história uma só floresta ou que Robin tivesse atuado nos dois locais. Atualmente, Barnsdale Forest situa-se em Yorkshire ao passo que Sherwood Forest situa-se em Nottinghamshire, ao sul.
A possibilidade de que Robert Hode fosse de fato o histórico Robin Hood, foi apoiada pelos nomes dos outros fora-da-lei registrados como sendo do seu bando. Little John, o poeta equilibrado que compôs a primeira história de Robin Hood para preservar a verdade para o futuro, como braço direito de Robin tornou-se o contrapeso das decisões muitas vezes impulsivas do seu líder, geradas por seu amor por Marian.

Um homem conhecido por Little John é registrado como tendo sido enterrado no pátio da igreja próxima de Hathersage, onde seu túmulo ainda pode ser visto.
Além disso, há registros de um certo Frei Tuck, tido como Capelão de Lancaster e que tomou parte na revolta.
A esposa de Robert também era uma perfeita candidata para a donzela Marian, pois, digno de nota à época, ela de fato se teria juntado a ele na floresta e tido um papel ativo no conflito.
Tudo isso funcionou como prova adicional de que Roberto Hode teria sido o histórico Robin Hood. Robert era um cavalheiro relativamente abastado, nascido em Loxley, Yorkshire, que viveu em um solar modesto na margem da Floresta de Barnsdale. Em 1321 ele casou com uma garota da vila próxima de Woolley, chamada Matilda. Na peça de Anthony Munday, Matilda era o nome real da donzela Marian, sendo o nome Marian um cognome adotado por ela após ter-se refugiado na Floresta de Sherwood. Exatamente como na lenda, Matilda Hode juntou-se ao seu marido na floresta e, raro para a época, ela de fato representou um importante papel no movimento. Foi ela que primeiro conduziu Robin na confusão celestial de um novo mundo, pela descoberta do Coração da Rosa – o antigo santuário nas profundezas da floresta onde o tempo e o espaço não podiam penetrar. Todos esses fatos servem como espantosa confirmação de que Robert Hode foi de fato o Robin Hood histórico.
Os arquivos reais, datando do reinado de Edward II em Winchester, ao sul da Inglaterra, revelam que aos fora-da-lei de Sherwood, fora finalmente concedida anistia pelo rei em 1323, como recompensa por seu apoio em sufocar uma nova rebelião. Entretanto, dois anos mais tarde, com a rebelião deixada para trás, Edward II mudou de idéia e Robert e seus seguidores foram novamente colocados fora da lei e desapareceram de registro. Graham não pode encontrar evidência histórica do que aconteceu com Robert Hode. Contudo, a Gesta diz que Robin Hood teria sido finalmente assassinado – sangrado pela abadessa do Convento de Kirklees, em Yorkshire, quando ele buscou refúgio naquele lugar, em 1347. A razão pela qual a abadessa o teria assassinado é um mistério uma vez que o manuscrito que restou foi danificado e os que dizem respeito à traição não sobrevivem mais. Tudo o que se tem conhecimento é que, após matar Robin, a prioresa suicidou-se e Little John chegou apenas para enterrar o corpo do seu amigo nas proximidades.

À direita, a casa de recepção do Convento de Kirklees, em West Yorkshire, onde Robert Hode teria sido assassinado em 1347. Essa é a construção que restou do convento, que foi destruído muito pouco tempo após a sua morte.
O Convento de Kirklees historicamente existiu e Elizabeth de Staynton é de fato registrada como a prioresa pelos anos 1340’s. Quando seu túmulo foi encontrado nos anos 1950’s, a inscrição revelou que ela havia de fato morrido em 1347, exatamente no ano em que a Gesta diz que ela se teria suicidado.

Mais surpreendentemente ainda, o túmulo de um Roberto Hode foi descoberto numa mata próxima. O túmulo original não se encontra mais lá, mas em 1665 um historiador local chamado Nathaniel Johnston fez um esboço do que dele ainda sobrevive. Hoje, um monumento em ruínas, do século XIX, marca o local, trazendo uma inscrição que clama ser ele o local real do túmulo de Robin Hood.
Ao lado, o local do túmulo original de Robin Hood, a cerca de 600 m do Convento de Kirklees.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

ROBIN HOOD E O CORAÇÃO DA ROSA - 2a PARTE

A BUSCA
Embora os três parceiros contassem com muitos elementos, ainda faltavam algumas respostas essenciais para a montagem do seu musical. Por exemplo, quem seria a enigmática prioresa Elizabeth de Staynton e porque essa mulher da Igreja havia aparentemente assassinado Robin Hood e então se suicidado? O que aconteceu com Marian e, mais intrigante de tudo, onde teria Robin passado os misteriosos vinte e dois anos entre o seu desaparecimento em 1325 e a sua morte em Kirklees em 1347? Em busca desses elementos, os Russells e Graham Phillips decidiram passar o verão viajando pela Inglaterra em busca de novas pistas históricas. Eles nunca imaginaram quão extraordinária se tornaria essa busca.

No mapa dos condados da Grã Bretanha, ao lado, pode-se apreciar o palco onde se desenrolaram os eventos relacionados à vida de Robin Hood. Em amarelo, quase no centro da Ilha, encontra-se o maior condado inglês, Yorkshire, onde se situa a Floresta de Barnsdale; limítrofe deste, ao sul, em azul e bem pequeno, o condado de Nottinghamshire, onde fica a cidade de Nottingham e a floresta de Sherwood.
Vencedores da batalha de Hastings, os normandos franceses invadiram a Inglaterra saxônica em 1066. Em remotos condados do interior, muitos saxões que haviam sido oprimidos por seus supremos senhores Normandos, permaneceram fiéis à sua antiga religião pré-cristã e ainda veneravam suas principais deidades pagãs – o deus da floresta Herne, o deus caçador Laan e a deusa da natureza Eostre. Nos condados do Conde de Lancaster permitiu-se que a antiga religião prosseguisse paralelamente à Igreja estabelecida e ambas coexistiam pacificamente. Após a morte de Lancaster, entretanto, Henry de Facombery proibiu a velha religião e os fora-da-lei foram declarados heréticos.
Phillips e os Russells descobriram um manuscrito do século XVI, previamente desprezado, nas criptas da Biblioteca William Salt, em Stafford, que lançou uma fascinante nova luz sobre os papéis que Robin e Marian representaram nessa velha religião. O autor era o historiador Elizabethano Robert Vernon, que tinha feito um estudo da lenda de Robin Hood após a estréia da peça de Anthony Munday em 1598. A partir de documentos que ainda existiam em seu tempo, Vernon descobriu que os fora-da-lei de Sherwood consideravam Robin e Marian como personificações dos antigos deuses Eostre e Laan. De acordo com Vernon, após a morte dos históricos Robin e Marian, surgiu a lenda de que eles retornariam um dia. Além disso, a velha religião sobreviveu e ainda era praticada em segredo no principal santuário ao deus Herne – um azevinho sagrado que permanecia num antigo círculo de pedra nas profundezas da floresta da Inglaterra central. Sendo guardado por dois lobos espectrais, o santuário era conhecido por “The Heart of the Rose” (o Coração da Rosa).
Nos seus escritos, Roberto Vernon havia feito referência a uma lenda similar relativa a Robin e Marian. A lenda contava que Robin havia sido mortalmente ferido em batalha e que a donzela Marian o tinha levado ao ‘Coração da Rosa’ para tratar de suas feridas. Ali o deus Herne apareceu e deu-lhe o poder de cura para revivê-lo. De acordo com o conto popular, uma vez recuperado, Robin ganhou o poder do deus caçador Laan e foi capaz de reunir os fora-da-lei como oposição à tirania do Sheriff de Nottingham.
Assim, os Russells e Phillips tinham agora a resposta a um enigma previamente não resolvido: por que a lenda de Robin Hood havia sobrevivido por tão longo tempo antes que fosse popularizada pela peça de Anthony Munday. Segundo parece, Robin e Marian eram vistos, no passado, como figuras celestiais na mitologia Saxã; além de herói popular, Robin Hood era visto como ser semi-divino.

Intrigados por essas novas descobertas, Phillips e os Russells decidiram redescobrir a localização, há tanto esquecida, do ‘Coração da Rosa’. Embora ainda existissem registros históricos relativos à sua importância como santuário Saxão, em épocas pré-Cristãs, nenhuma referência específica à sua localização sobreviveu. O nome ‘Coração da Rosa’ parecia ser o nome medieval para o santuário, previamente referido em Latim como ‘Litha Duodecima’ (A Duodécima Pedra). Tudo o que eles sabiam é que ela estaria em algum lugar no centro da Inglaterra, pois era evidente o que o nome medieval implicava, tendo em vista que a rosa era o emblema da Inglaterra. Além disso, as lendas de Robin Hood sugeriam que ela estaria em algum lugar da Floresta de Sherwood.
Diz-se que o exato coração da Inglaterra é a vila de Meriden em Warwickshire, onde um monumento ainda marca o local. Por isso, eles decidiram concentrar sua busca numa mata próxima; se o ‘Coração da Rosa’ tivesse realmente existido, parecia improvável que o círculo de pedras ainda sobrevivesse. Havia, de fato, apenas uma área de bosque que poderia ter qualquer associação com Robin Hood: era um denso trecho de um bosque de pinho chamado Braden Wood, onde a lenda falava de um encontro entre Robin e um cervo gigante. Embora puro folclore, a história pode ter-se originado de uma tradição genuína relativa ao histórico Robin e sua associação com um santuário local onde o deus Herne era venerado. O cervo era considerado consagrado e Herne era muitas vezes representado com uma cabeça de cervo.
O círculo vermelho no mapa ao lado, localiza a Vila de Meriden, situada no condado de Warwickshire, considerado o ponto central da Inglaterra, não da Grã Bretanha. Logo acima pode-se ver a cidade de Nottingham e, um pouco mais ao norte, York.
Numa ensolarada e quente tarde do meio do verão, Phillips e os Russells visitaram Braden Wooden e foi ali que a extraordinária série de eventos iniciou. Os três encontravam-se seguindo uma trilha nas profundezas da floresta quando, subitamente, o som de uivos encheu o ar. Eles congelaram e olharam-se com surpresa, pois soava exatamente como o uivo de um lobo. Tal som, que poderia ser comum no agreste dos EUA, na Inglaterra central seria impossível, pois há séculos que não existiam mais lobos selvagens nas Ilhas Britânicas. Enquanto eles permaneciam escutando, o som gélido se fez ouvir novamente, desta feita como se dois lobos estivessem uivando em uníssono. Recuperando o ânimo, eles seguiram o som até uma solitária cabana à beira do caminho. Olhando em torno, eles viram que havia, de fato, dois lobos dentro de um cercado isolado no jardim da cabana. Verificou-se que o proprietário da cabana mantinha os animais como animais de estimação, tendo-os salvo quando um zoológico local havia sido obrigado a fechar. Pareceu uma estranha coincidência que eles estivessem procurando por um local que, dizia a lenda, fosse guardado por dois lobos e ali eles tivessem encontrado dois lobos reais.
Os três brincaram com a ideia de que tal fato poderia ser a forma do destino dizer-lhes que eles estavam próximos do local que procuravam. Embora, no momento, eles não vissem razão lógica para considerar a possibilidade seriamente, concluíram que não perderiam nada se procurassem na área de mata atrás da cabana e logo se encontraram numa clareira no meio da qual havia um único grande azevinho com cerca de 10m de altura. Quando Graham Phillips lembrou-lhes que o azevinho era considerado consagrado ao Deus Herne e que se dizia que havia um deles no ‘Coração da Rosa’, Graham Russell percebeu que havia algo realmente misterioso. A árvore estava coberta de frutos vermelho brilhante e ele disse que as bagas de azevinho não amadureciam até a chegada do inverno – de fato, pelo meio do inverno, razão pela qual elas são tradicionalmente associadas com o Natal. Contudo, aqui, elas haviam amadurecido no pico do verão. Obviamente, a árvore não poderia ter permanecido ali por mais de 700 anos, mas era certamente algo muito singular. Os lobos e agora o azevinho bizarramente amadurecido!
Diz-se que o ‘Coração da Rosa’ era um antigo círculo de pedras, chamados megálitos e encontrados por toda a Inglaterra; alguns deles estão admiravelmente bem preservados, como é o caso do maior e mais famoso, Stonehenge. Embora a maioria fosse muito menor e menos elaborada que Stonehenge, esses antigos monumentos foram todos erigidos há mais de 3.000 anos atrás, como locais de adoração. Anos depois, os Anglo-Saxões adotaram alguns deles como templos para seus próprios deuses e diz-se que o ‘Coração da Rosa’ teria sido o mais importante.
Não havia pedras aparentes em torno do azevinho. Contudo, se tivesse existido um círculo de pedras ali, seus megálitos poderiam ter caído há séculos atrás. Eles decidiram afastar as samambaias que cobriam o solo e, imediatamente, encontraram três grandes pedras semi-enterradas e cobertas de limo. Cada uma delas tinha cerca de 1,4 m de comprimento e eram retangulares, claramente modeladas pelo homem. Eram em tudo exatamente como os megálitos caídos de um antigo círculo de pedras. Nada estava marcado no mapa, mas os arqueólogos estão continuamente descobrindo os restos de círculos de pedra até então desconhecidos, quando megálitos caídos são desenterrados ou descobertos sob a terra por acidente. Os três não podiam ver outra razão pela qual tais pedras pudessem estar no meio da floresta e pareceu que eles tinham descoberto um círculo de pedras esquecido.
Teriam eles encontrado o ‘Heart of the Rose’? Certamente era uma possibilidade razoável. As pedras estavam no que tinha sido uma vez parte da Floresta de Sherwood; era próximo do centro da Inglaterra; era a única mata por milhas a volta, ligada a uma lenda de Robin Hood – especificamente, alguma que associasse os fora-da-lei com um cervo, o animal sagrado de Herne. Embora círculos de pedra megalíticos fossem comuns em algumas partes do país, muito poucos são conhecidos na Inglaterra Central. Que eles tivessem encontrado os restos do que parecia um, nesse local particular, tornou muito provável que fosse o sítio pelo qual estivessem procurando. O que era particularmente singular é que eles jamais teriam encontrado as pedras não fosse pelos lobos e então pelo azevinho peculiar. A despeito do que o senso comum ditasse, eles não poderiam fazer nada a não ser acreditar que tivessem sido conduzidos ao ‘Coração da Rosa’.

domingo, 24 de janeiro de 2010

ROBIN HOOD E O CORAÇÃO DA ROSA - 1a PARTE

Como muitos devem saber, “Air Supply” é o nome de uma dupla de “soft rock” com uma seqüência de sucessos em todo o mundo, a partir do final da década de 70 aos dias de hoje. O conjunto é hoje formado pelo guitarrista e vocalista Graham Russell, nascido Graham Cyril Russell, a 11 de junho de 1950, em Sherwood, Nottingham, England, UK e pelo vocalista principal Russell Hitchcock, nascido Russell Charles Hitchcock, em 15 de junho de 1949, em Melbourne, Victoria, Austrália. O par se encontrou pela primeira vez em maio de 1975 quando participava da produção australiana do musical “Jesus Christ Superstar”, de Andrew Lloyd Weber, o mesmo autor de tantos outros maravilhosos musicais como “The Phantom of the Opera”, “Cats”, “Aspects of Love”, “Evita”, “Joseph and the Amazing Technicolor Dreamcoat”, “Starlight Express”, entre os que conheço e me lembro. Mas essa é uma outra história.
Um pouco mais tarde, no mesmo ano, junto com Chrissie Hammond e outros dois componentes, formaram o “Air Supply”, como um grupo de cinco. Posteriormente o grupo realizou alterações em seus quadros e o resultado final é hoje a dupla vocalista tão conhecida e o seu conjunto de instrumentistas.

Tornei-me um fã incondicional das músicas do “Air Supply” desde que os escutei pela primeira vez: pelo conjunto de suas vozes, pelas composições de alta qualidade que criam, pelos arranjos orquestrais primorosos que produzem para as suas músicas. Entre as suas interpretações há uma que, desde cedo, atraiu particularmente o meu gosto musical, sem que eu mesmo pudesse explicar as razões para tal: “Heart of the Rose”, composição de Graham Russell, de 1995. Pois um dia desses, estava eu escutando minhas músicas gravadas no PC - em ordem alfabética para não demonstrar qualquer favoritismo -, quando realizava mais uma de minhas pesquisas, quando chega a vez de “Heart of the Rose”. Quem possui fluência em qualquer idioma, sabe que, por várias razões, uma das coisas mais complicadas de se entender em uma língua estrangeira, são as letras das músicas enquanto cantadas. Até na língua mãe ocorre esse tipo de coisa. Dei-me conta então, de que nunca procurara a letra dessa melodia, embora a apreciasse muito; e fui buscá-la. E em sua busca tomei conhecimento de fatos incríveis, para mim até então desconhecidos, que pretendo agora resumir neste artigo.
INTRODUÇÃO
O Air Supply permaneceu como uma das bandas mais tocadas do mundo durante as três últimas décadas. Com muitos “simples” nas "Dez Mais" e álbuns de platina a seu crédito, o membro da banda, cantor e compositor, Graham Russell, decidiu compor uma peça musical sobre a história de Robin Hood, lenda internacional original da Floresta de Sherwood, Nottingham, mesma cidade inglesa onde nasceu o cantor. Por que Robin Hood? E o cantor conta que, nascido em Nottingham, era grande candidato a qualquer associação com Robin Hood. Enquanto garoto, sempre queria desesperadamente ir à Floresta de Sherwood e quando pela primeira vez caminhou na real Floresta de Sherwood, com nove anos de idade, tornou-se parte da sua mágica. Naquela época já usava então o seu autêntico boné de Robin Hood e só uma coisa lhe faltava: construir seu acampamento secreto e encontrar os outros divertidos companheiros e Marian, naturalmente, a menos que o mau Sheriff a tivesse capturado. Entretanto, à medida que crescia começou a perceber que Robin era sempre lembrado apenas como uma lenda e isso era desolador, pois o seu Robin era muito real e ele não o deixaria ir. Observava também que os encantos de Robin em Nottingham eram, certamente, apenas lenda; o castelo de Nottingham não tinha nada a ver com Robin, o maior carvalho na floresta de Sherwood que, dizia-se, servia para armazenar todo o dinheiro roubado dos ricos, não era, nem de perto, velho bastante para ser do tempo de Robin. Quem sabe ele seria apenas um mito? Em torno de 1975 Graham começou a sonhar com a floresta em termos de um musical, sentindo um orgulho renovado por pertencer ao território de Robin Hood. Naquela época ele começava a participar da produção australiana de “Jesus Christ Superstar” e começou a dar-se conta de como poderia ser encenado um show chamado “Sherwood”. A coisa o excitava porque ele estava sendo pago para atuar numa produção teatral real ao mesmo tempo em que absorvia e aprendia tudo o que podia.
Nesse instante, algo aconteceu que o fez colocar Sherwood de lado por algum tempo: o Air Supply teve um sucesso extraordinário, excursionando, gravando, escrevendo canções e atuando por todo o mundo por muitos anos. Apenas em 1987, quando as coisas desaceleraram um pouco, Graham pode voltar ao seu sonho de concretizar “Sherwood”. Estimulado por Jodi, sua esposa americana, fizeram uma viagem à Inglaterra para reunir mais informação histórica e, por absoluta coincidência, encontraram um historiador em Coventry, cujo novo livro estava para ser liberado. O título do livro era “Robin Hood: The Man Behind the Myth” (Robin Hood: o Homem Atrás do Mito), e o escritor, Graham Phillips. Em seu livro, Phillips propunha que Robin Hood havia sido, de fato, uma figura histórica. Embora muitos dos contos relativos às façanhas de Robin tenham sido exagerados, Phillips descobriu registros medievais que revelavam que a lenda foi baseada, com um notável grau de veracidade, em eventos históricos.
Tornaram-se grandes amigos e atravessaram a Inglaterra, em busca do “real” Robin Hood e o que encontraram foi muito mais interessante do que a própria lenda. Encontraram Robin Hood, o homem real, e com ele todos os seus amigos e Marian; mas ele mostrou-lhes mais alguma coisa. Ele os conduziu a um lugar que existe em todos nós, cuja corporificação física é um azevinho ao lado de uma fascinante lagoa, circundada por pedras antigas, bem no coração da Inglaterra. Escondido de todos até a hora certa, era um lugar fora dos limites desta dimensão: Robin os havia conduzido ao ‘Heart of the Rose’.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

BOA NOITE, MRS. CALABASH, ONDE QUER QUE ESTEJA

Uma vez eu escutei, não lembro mais onde, nem quando (já tudo começa a perder-se, nas brumas do tempo ...), uma melodia maravilhosa, cantada por uma voz e uma interpretação únicas. Não se tratava, de forma alguma, de uma grande voz, uma voz maravilhosa, mas apenas uma voz inesquecível, como também a melodia, diga-se de passagem. Não descansei mais enquanto não descobri a canção e o seu intérprete: tratava-se da antiga “Make someone happy”, interpretada por Jimmy Durante. Não demorou muito e consegui importar um CD inteiro – The Best of Jimmy Durante - gravado por ele; e foi com agradável surpresa que, nesse disco, além da música que eu buscava, descobri um conjunto de outras jóias raras. O disco inteiro é uma jóia só, mas quero, nesse artigo, tocar levemente na primeira canção mencionada acima, que foi o grande motivo da minha busca, mencionar de passagem uma segunda, “I’ll be seeing you” e dedicar, a maior parte do texto, a uma terceira do mesmo CD, chamada “I’ll see you in my dreams”.
Pelo menos as duas últimas músicas não são, absolutamente, do meu tempo, como a gente costuma dizer, toda vez que não quer parecer tão velho como é, em realidade. Lembro-me, vagamente, de minha mãe mencionar o nome do intérprete algumas vezes, não como cantor, propriamente dito, mas como ator de cinema, meio cômico, no mais das vezes.
“Make someone happy” (“Faça alguém feliz”) é uma canção popular que ficou famosa, (relativamente) recentemente, através do filme de 1993, “Sleepless in Seattle”, interpretada pelo mesmo Jimmy Durante. A letra e a música dessa canção foram criadas por Betty Comden, Adolph Green e Jule Styne e ela foi originalmente criada para o musical, de 1960, “Do, Re, Me”, estrelada por Phil Silvers, Nancy Walker, David Burns, John Reardon, Nancy Dussault e interpretada por Nancy Walker.
“I’ll be seeing you” – “Estarei vendo você” - é uma canção popular criada para o musical da Broadway “Right This Way” – “Exatamente dessa forma” -, que fechou após quinze apresentações, apenas. A música foi escrita por Sammy Fain, a letra por Irving Kahal e a canção foi publicada em 1938. Já vêm que eu tinha razão quando dizia que as músicas não eram do meu tempo, visto ter eu nascido em 1944. O tema musical tem forte poder emocional e foi muito apreciada durante a Segunda Guerra Mundial. Apresentada ao longo de todo o filme de 1944, também intitulado “I’ll be seeing you”, estrelado por Ginger Rogers e Joseph Cotten, a sua gravação por Bing Crospby tornou-se um sucesso naquele ano (oh, ano do meu nascimento!), chegando a número um na segunda semana de julho. Mais tarde a canção tornou-se notavelmente associada ao pianista Liberace, como o tema do seu espetáculo de televisão na década de 1950.
“I’ll see you in my dreams” – “Verei você em meus sonhos” -, também uma canção popular, das mais famosas e cantadas dos seus dias, foi escrita por Isham Jones, com letra de Gus Kahn. Essa, ainda mais antiga que as anteriores, foi publicada em 1924 e originalmente gravada pelo próprio Isham Jones e a Orquestra de Ray Miller. Permaneceu no quadro das mais tocadas por dezesseis semanas durante o ano de 1925 e por sete semanas como a número 1. A canção foi escolhida como a canção título do filme de mesmo nome, uma biografia musical de Gus Kahn. Posteriormente, foi gravada por muitas vozes famosas, que incluíram Mario Lanza, Louis Armstrong, Ella Fitzgerald, além de Jimmy Durante e ainda outros. Mais tarde, a canção tornou-se a trilha sonora do filme “Kitty Foyle”, de 1940, que premiou Ginger Rogers com o seu único Oscar como melhor atriz principal.
Desde que ouvi essa melodia pela primeira vez, fiquei muito curioso com a frase com que Jimmy Durante encerra a sua interpretação de “I’ll see you in my dreams”: Good night, Mrs. Calabash, wherever you are (Boa noite, Senhora Calabash, onde quer que esteja). Como a música é muito romântica, pus-me a conjeturar sobre o objetivo da despedida, ao final da música. Vamos às possibilidades!
James Francis “Jimmy” Durante, nascido a 10 de fevereiro de 1893 e falecido a 29 de janeiro de 1980, nas vésperas de celebrar 87 anos, era um cantor e ícone do cinema americano, pianista, comediante e ator, cuja distintiva ironia, linguagem cômica pesada, canções com influência no jazz e o enorme nariz – suas freqüentes piadas sobre o próprio apêndice criaram uma espécie de auto referência que tornou-se o seu apelido: “Schnozzola”, mistura de “nose” (nariz em inglês) com a sua descendência italiana – ajudaram-no a torná-lo uma das personalidades mais familiares e populares entre os anos 1920’s e os anos 1970’s.
Jimmy Durante trabalhou, por muitos anos, em shows de rádios e suas apresentações eram tradicionalmente reconhecidas por duas marcas registradas: “Inka Dinka Doo” como seu tema de abertura e a sua invariável assinatura de despedida “Good night, Mrs. Calabash, wherever you are”. Por anos, Jimmy Durante preferiu manter vivo o mistério, mas acabou condescendendo.
Uma das teorias é de que a frase referir-se-ia à proprietária de um restaurante da cidade de Calabash, na Carolina do Norte, onde Jimmy e sua trupe haviam parado uma vez para comer. Ele teria sido tão tocado pela comida servida e pelo bate-papo que teria dito à proprietária que a faria famosa; como não soubesse o seu nome, ele se referia a ela como Mrs. Calabash. De fato, ao momento do encontro, a proprietária não fazia a menor idéia da pessoa com quem estava falando. Residentes de longa data de Calabash confirmam que ela era uma pessoa real com um nome real, Lucille “Lucy” Coleman. Em 1940, Lucy teria 28 anos de idade e gerenciava um restaurante na cidade, à época uma minúscula comunidade a beira-mar, limitando com a Carolina do Sul. A filha de Lucy, Clarice Holden, disse que jamais esqueceria o que aconteceu após a conversa entre os dois. “Quando Mr. Durante e seu grupo estavam se encaminhando para a saída, após a refeição, ele voltou-se para a minha mãe e disse: boa noite Mrs. Calabash.” Lucy Coleman morreu em 1989, quase 50 anos  após seu encontro  com Jimmy Durante; os residentes de Calabash acreditam que a saudação de boa noite de Jimmy Durante era a sua maneira de dizer a Mrs. Coleman: “Olá, Lucy, eu lembro de você, se você ainda estiver por aí, agora.” Aparentemente, a popularidade de Jimmy Durante era tão grande que ele podia imortalizar a proprietária de um pequeno restaurante do Sul.
A outra teoria – sou mais simpático a essa – é de que esse “boa noite”, de despedida, seria a sua saudação pessoal à sua falecida primeira esposa, Jeanne Olsen, que ele desposou em 19 de junho de 1921 e perdeu no Valentine’s Day (espécie de Dia dos Namorados e/ou dos Amigos, festejado nos EUA) de 1943. A palavra “Calabash” pode ter sido uma típica mutilação de Jimmy Durante com relação à palavra “Calabasas”, o local do Sul da Califórnia onde o par teria constituído o seu lar durante os últimos dias da vida de Jeanne. Num encontro do “National Press Club”, em 1966 (transmitido no programa “NBC’s Monitor”), Jimmy Durante revelou que a saudação era, de fato, um tributo à primeira Mrs. Durante. Certa vez, enquanto dirigindo pelo interior, eles pararam numa pequena cidade chamada Calabash, pela qual Mrs. Durante teria se apaixonado. Ele se lembrava que a cidade situava-se próximo de Chicago. Assim, “Mrs. Calabash” tornou-se o seu apelido íntimo; anos mais tarde ele passou a assinar a sua despedida do programa de rádio com a saudação “Good Night, Mrs. Calabash”. Ele adicionou o resto “... wherever you are”, ao final do primeiro ano do programa.
Não é muito importante saber qual das duas versões seria a verdadeira; ambas são muito bonitas e é emocionante ouvi-lo dizer a frase ao final da música. Se vocês nunca a ouviram, convido-os a escutar agora, não apenas “I’ll see you in my dreams”, mas também as duas primeiras mencionadas: “Make someone happy” e “I’ll be seeing you”, pelas quais tenho um especial carinho. Mas prestem muita atenção à terceira, “I’ll see you in my dreams” e, principalmente, ao seu final, quando ele diz “Good night, Mrs. Calabash, wherever you are”, e vocês hão de concordar que é impossível ouvir essas canções sem se apaixonar pelo fantástico romântico “narigudo”, Jimmy Durante.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

CURIOSIDADES ACERCA DE "MY WAY" OU "COMME D'HABITUDE"

Existe uma música antiga, belíssima, que foi popularizada por Frank Sinatra, denominada "My Way". Entretanto, na verdade, a melodia original é uma canção francesa, denominada "Comme d'Habitude", composta por Claude François, Jacques Revaux e Gilles Thibault. Quem escreveu a letra, em inglês, para a gravação americana, foi também um cantor americano antigo, que fez muito sucesso pelo final da década de 50 e década de 60, mas continua cantando até hoje, chamado Paul Anka. A letra inglesa, de Paul Anka, contando a história de um homem que se aproxima da morte e que deve ter tido nela sucesso, não apresenta qualquer relação com a letra original francesa de Claude François e Gilles Thibault.
O próprio Paul Anka poderia ter gravado a música cuja letra criou, pois foi, como dissemos acima, cantor de sucesso durante os famosos e decantados "Anos Dourados", dos quais participei com toda a minha energia e imensa alegria. A razão pela qual ele não a gravou, é o objetivo desse artigo.
Paul Anka ouviu essa canção popular, original da França, de 1967, "Comme d'Habitude", executada por Claude François, com música de Jacques Revaux e letra de Gilles Thibault, quando se encontrava em férias, no sul da França. Ele, imediatamente, voou para Paris, para negociar os direitos da canção.
Muitos anos mais tarde, numa entrevista em 2007, ele teria dito: "Eu pensei que fosse uma gravação 'de merda', mas havia qualquer coisa estranha nela".
Assim, ele adquiriu os direitos de publicação sem qualquer custo e, dois anos mais tarde, durante um jantar na Flórida, com Frank Sinatra e um par de indivíduos da Máfia, após oferecer a melodia a Sinatra, para gravação, dele teria ouvido que estava "deixando o serviço. Estou cheio dele, estou caindo fora".
Mesmo assim, de volta a Nova York, Paul Anka reescreveu a canção original para Frank Sinatra, sutilmente alterando a estrutura melódica e mudando a letra. Sobre a sua ação, ele conta:
"A uma da manhã eu sentei numa velha máquina de escrever elétrica IBM e disse: 'Se Frank fosse escrever isso, o que ele diria?' E eu comecei, metaforicamente, 'E agora, o fim está próximo'. Eu li um monte de jornais e notei que tudo era 'meu isso' e 'meu aquilo'. Estávamos na 'geração eu' e Frank tornou-se o cara que eu iria usar para dizer isso. Usei palavras que nunca usaria: 'Eu comi tudo e cuspi tudo de volta'. Mas essa era a sua forma de falar. Eu costumava frequentar saunas de vapor com os caras da 'Rat Pack' (a turma do Frank Sinatra: Dean Martin, Sammy Davis Jr. e outros) – eles gostavam de falar como os caras da Máfia embora tivessem medo da própria sombra."
Paul Anka terminou a canção às cinco da manhã. E prossegue contando:
"Eu telefonei a Frank em Nevada – ele estava no Caesar's Palace – e disse, 'Tenho alguma coisa realmente especial para você!'"
Mais tarde Paul Anka veio a queixar-se: "Quando minha companhia de gravação descobriu o que eu havia feito eles ficaram "putos" porque não a guardei para mim próprio. Eu respondi, 'hei, eu posso escrevê-la, mas isso não indica que sou o cara feito para cantá-la.' Ela foi para Frank e para ninguém mais".
Talvez agora, até se entenda porque os tribunais deram a Paul Anka o ganho da causa, uma vez que ele havia negociado os direitos de publicação sem quaisquer custos. Se ele possuía o documento comprobatório dessa transação, teria que ganhar, inevitavelmente. Mas, realmente, é incrível!!!
Posteriormente, até o próprio Paul Anka e, entre outros, o nosso conhecido Elvis Presley e o moderno Robbie Williams (este, em espanhol: "A Mi Manera") acabaram gravando essa música, mas nunca com o mesmo sucesso obtido por Frank Sinatra, como acertadamente havia vaticinado o escritor da letra inglesa.
Quem quiser relembrar, sinta-se à vontade para curtir "My Way", com o "dono" do sucesso, Frank Sinatra, imbatível mesmo depois de velho.
Esta postagem, feita ao final do ano de 2009, estava encerrada e enterrada, colocada à disposição do público, desde aquela data. Mas vejam como são as coisas. Hoje, 19 de novembro de 2020, um seguidor colocou um comentário elogioso àquela postagem e, para responder ao comentário, tive que reler a postagem. E vi então que, na minha concepção, cometi um esquecimento sem justificativa, considerando a maneira como costumo escrever minhas postagens. E resolvi então fazer este acréscimo a ela.
Na verdade, eu conheci essa música em sua versão original, em francês, sob o título "Comme d'Habitude", quando eu ainda não conhecia a versão inglesa "My Way". Eu já tinha, naquela época, mais de um disco de uma grande intérprete da música francesa, chamada Mireille Mathieu, que se tornou, logo logo, uma das minhas cantoras preferidas. Mireille Mathieu chegou a gravar um CD em que interpretava apenas canções francesas interpretadas pela diva francesa Edith Piaf. Por essa razão, foi indesculpável não mencionar esse fato na postagem, falta de que me redimo agora, oferecendo aos meus leitores a gravação "Comme d'Habitude", na voz maravilhosa de Mireille Mathieu.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

TRIBUTO A PATSY CLINE

Patsy Cline, nascida Virginia Patterson Hensley, no dia 8 de setembro de 1932 e tragicamente falecida em um acidente aviatório em 5 de março de 1963, foi uma cantora norte-americana “country” que deleitou-se com a música popular através do sucesso durante a era do “Nashville Sound”, no início dos anos sessenta. Desde a sua morte, com a tenra idade de trinta anos, no pico da sua carreira, ela tem sido considerada uma das mulheres vocalistas de maior sucesso, influentes, reverenciadas e aclamadas do século XX. A história de sua vida e carreira foi objeto de vários livros, filmes, documentários, artigos e peças de teatro.
Patsy Cline foi mais conhecida por seu maravilhoso timbre e a emocionalmente expressiva e vigorosa voz de contralto que, junto com seu papel como movedora e agitadora da indústria da música “country”, tem sido citada e louvada como inspiração por vários vocalistas de vários gêneros musicais.
Postumamente, milhões de seus álbuns foram vendidos nos últimos 45 anos e ela recebeu numerosos prêmios que lhe proporcionaram um status de ícone semelhante ao das lendas da música Johnny Cash e Elvis Presley. Apenas dez anos após a sua morte, ela tornou-se o primeiro artista solo feminino introduzido ao “Country Music Hall of Fame” (Hall da Fama da Música Country). Em 2001 ela foi votada pelos artistas e membros da indústria da música country como Número 1 no especial para televisão da Country Music Television das “40 Maiores Mulheres da Country Music” de todos os tempos e, em 1999, ela foi votada como a Número 11 no especial da VH1 “As 100 Maiores Mulheres do Rock and Roll” de todos os tempos, por membros e artistas da indústria do Rock. De acordo com a sua placa de 1973 do Hall of Fame da Country Music, “Sua herança de gravações eternas é o testemunho à sua capacidade artística".
Patsy Cline nasceu na cidade de Winchester, estado da Virginia, filha de Sam e Hilda Patterson Hensley, um ferreiro e uma costureira, e era a mais velha de três crianças. Teve uma infância infeliz e cresceu uma garota pobre “no lado errado dos trilhos”, seu pai tendo abandonado o lar quando ela tinha quinze anos de idade. Uma grave doença, enquanto criança, causou-lhe uma infecção na garganta que, de acordo com Patsy, resultou no grande presente que foi a sua voz.
Para ajudar a sustentar a sua família após seu pai tê-la abandonado, ela desistiu do secundário e teve vários empregos: engarrafadora de refrigerantes e garçonete durante o dia e cantora de boates locais à noite, vestindo o seu famoso vestido com franjas à moda do oeste, desenhado por ela própria e feito por sua mãe Hilda.




Após ter sido descoberta e brilhar por oito anos como cantora, o avião em que viajava de volta para casa, em Nashville, pilotado por seu segundo marido, sob mau tempo, após um show beneficente em Kansas City, Kansas, bateu às 18:20 hs, de acordo com o relógio de Patsy, em uma floresta nas vizinhanças de Camden, Tennessee , a somente 150 km do seu destino. O avião havia caído com o nariz para baixo e não houve sobreviventes.
Muitos dos itens recolhidos pelos fãs, após o acidente, foram mais tarde doados ao “The Country Music Hall of Fame”, mas o vestido branco de chifon que Patsy usara no seu último concerto, nunca foi encontrado.
Ela foi enterrada em sua cidade natal, Winchester, Virginia, no Shenandoah Memorial Park e seu túmulo é marcado com uma simples placa de bronze onde se lê: Virginia H (Patsy Cline) “A morte não pode matar o que nunca morre: Amor.”
Entre os seus grandes sucessos, podemos encontrar: "Always", "Walkin' After Midnight", "I Fall to Pieces", "She's Got You", "
Crazy", e "Sweet Dreams".



Após essa curta biografia, do alto da minha ignorância, eu pergunto aos meus amigos: sabem de quem eu estou falando? Possivelmente, a grande maioria dirá um sonoro não; não irá reconhecê-la ou se lembrar, tal como aconteceu comigo. Esta foi exatamente a razão porque tanto desejei escrever esse tributo a Patsy Cline. Entretanto, escutem as melodias "Always", do inesquecível Irving Berlin, e “Crazy”, do famoso Willie Nelson, aqui colocadas como anexos e, tal como eu fiz, deliciem-se, recordem, comovam-se e prestem também tributo, se assim o desejarem, à garota que as interpreta, Patsy Cline.