Homenagem ao lendário herói ancestral dos ingleses que deu título a um dos considerados "Cem Maiores Livros do Mundo" e tido como o mais antigo escrito em "Old English".

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segunda-feira, 29 de agosto de 2011

DECLARAÇÃO DE AMOR À ILHA QUE ME ADOTOU

Nascido em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, até o final do ano de 1976 sempre me faltou oportunidade adequada para conhecer a linda cidade de Florianópolis, capital de Santa Catarina, nosso vizinho estado. Mas quando a conheci, foi para ficar!
Com minha família morando na cidade de São Paulo, desde o ano de 1961, inicialmente solteiro e posteriormente casado e constituindo família, eu usava a BR-116 para as viagens freqüentes que fazia à Paulicéia, para visitá-los. Era uma viagem em estrada simples de mão dupla, perigosa, que por ser longa me obrigava a correr demais para evitar o pernoite no caminho; o resultado era uma média de dezessete horas de viagem (que podia chegar a mais de vinte horas), em condições bem arriscadas e nunca sem sobressaltos, se considerarmos também as condições normais (anormais?) das estradas brasileiras e, particularmente essa, que cruza várias serras conhecidas. Posteriormente, a BR-101 foi construída, o que facilitou bastante essas minhas viagens, tanto no que se refere à segurança como à duração da viagem. Entretanto, tanto por uma, como pela outra, sempre deixava ao largo a bela capital dos catarinenses. Com uma boa dose de tristeza, principalmente quando trafegando pela BR-101, quando era possível apreciar, pela proximidade da estrada, as maravilhosas praias de todo o litoral e a Ilha de Santa Catarina. Mas o objetivo, em épocas de estudante e início de carreira, era apenas chegar ao destino, fosse ele São Paulo ou Porto Alegre.
Em dezembro de 1976, por razões que aqui não cabem (quem sabe numa outra crônica?), solicitei a minha demissão da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), onde exercia as minhas atividades junto ao Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) e candidatei-me a uma vaga em um consórcio de empresas privadas de Porto Alegre e Rio de Janeiro. Na ocasião, o Consórcio vencedor da concorrência estava recrutando mão de obra especializada para trabalhar num grande projeto de controle de enchentes no Vale do rio Tubarão, que havia sofrido uma inundação catastrófica no ano de 1974. O projeto havia sido licitado pelo extinto Departamento Nacional de Obras de Saneamento (DNOS) e seria supervisionado por sua 14ª Diretoria Regional de Saneamento, em Santa Catarina, Florianópolis. Como os quadros com formação realmente cientifica do DNOS haviam ficado concentrados em sua administração central, no Rio de Janeiro, o Diretor Regional de Santa Catarina aplicou no empreiteiro recém contratado, a famosa “chave de estrela” dos militares e lá retornei eu para o serviço público federal, agora contratado em Função de Assessoramento Superior, pelo Ministério do Interior.
Fui numa espécie de “pelotão precursor”, sozinho, para sentir como seriam as coisas em Florianópolis; após alguns dias foi a vez da minha esposa e logo em seguida realizamos a mudança, quando se juntaram a nós as nossas duas filhas – o Nelson Jr. viria mais tarde, como um lindo presente extra da terra. Nos apaixonamos pela cidade e, particularmente, pela Ilha Maravilhosa. E lá ficamos pelos últimos trinta e cinco anos!
Naquela época, Florianópolis era uma pequena capital, de cuja população ninguém gostava de falar. Era sempre a população da “Grande Florianópolis”, que englobava então os municípios vizinhos de São José, Palhoça, Biguaçú e outros, e aí se conseguia chegar a números imprecisos, que variavam entre 150 mil e 350 mil habitantes. E foi nesse encanto de cidade, onde então as balconistas das lojas paravam de nos atender para conversar com uma amiga que havia chegado ao recinto, que criamos as nossas duas filhas e o filho, que lá foi gerado.
Na Florianópolis do final de 1976, ainda trafegava-se pela velha ponte pênsil Hercílio Luz e pela recém inaugurada ponte Colombo Salles. Em questão de dois anos foi inaugurada a segunda ponte de concreto e, em compensação, entrou em recesso permanente (pelo menos até os dias de hoje) a antiga ponte pênsil.
Nossas crianças tomaram seu primeiro banho de mar em Santa Catarina, na Lagoa da Conceição, um “mar” de águas claras dentro de uma ilha, dentro do mar..., em cujas margens se instalava o Lagoa Iate Club ou LIC, projetado por Oscar Niemayer, onde passamos dias maravilhosos das quatro estações, pois a pouca afluência da época fazia do LIC um lugar tranqüilo durante o ano inteiro.
Passamos nosso primeiro ano num lindo apartamento alugado, num pequeno prédio cor-de-rosa, de três andares, recém concluído, da Rua Almirante Alvim, em frente ao então Supermercado Riachuelo, de onde podia-se ir a pé ao centro da cidade. No ano seguinte compramos a nossa casa no Jardim Santa Mônica, na rua Jonas Alves Messina, esquina com a Av. Madre Benvenuta. Era uma típica casa de bairro estritamente residencial, devidamente planejado para que não faltasse nada e tampouco sobrasse alguma coisa. Nessa casa, que sofreu algumas reformas ao mesmo tempo em que as crianças cresciam e se tornavam adultas, vivemos durante vinte e três anos e vimos o progresso, inexorável, chegar a Florianópolis e ao nosso calmo bairro.
E a chegada do progresso – que trouxe junto a expansão imobiliária, o comércio, o movimento e a impessoalidade – testemunhou, no ano de 1999, a nossa “fuga” para um belo apartamento da rua Bocaiúva, primeira paralela à Av. Beira Mar Norte, próximo ao centro da cidade, novamente, onde permanecemos, vendo os filhos casarem e os netos chegarem, até o ano de 2007.
Com a aposentadoria e mais alguns anos de trabalho na consultoria independente, com as origens começando a chamar fortemente de volta, negociamos o apartamento da Bocaiúva e compramos um apartamento em Gramado, RS, mas também um na praia de Canasvieiras, para não perder o vínculo com a Ilha, onde ainda temos dois dos nossos filhos residindo.
Essa foi a curtíssima história da nossa vida em Florianópolis. Poderia escrever alguns livros sobre essa Ilha Maravilhosa, que nos acolheu tão bem e que ainda não nos mandou embora - não creio que algum um dia o faça. Não nos cobrou absolutamente nada por tudo quanto nos deu de bom. Foi nela que os nossos filhos cresceram, estudaram e se criaram, tiveram as suas alegrias e as suas tristezas e fizeram as suas vidas. Na verdade as nossas vidas! Foi nela que fizemos amizades que jamais esqueceremos e que esperamos que não nos esqueçam nunca. Foram tantas e boas as amizades que fizemos, que não mencionaremos nenhuma, pois correríamos o risco de omitir algum nome que também poderia também ter sido muito querido. Mas se algum deles ler essa pequena crônica, saberá com certeza, que o temos muito bem guardado em nossos corações.

E, por tudo isso, agradeço a Florianópolis a acolhida que nos deu e a alegria que nos proporcionou durante todos esses anos, sem fazer qualquer esforço para isso, nos transformando, dessa forma, em mais alguns entre seus muitos filhos adotivos. E presto-lhe, como também a todos os amigos que aqui fizemos, uma singela homenagem, através de uma pequena coleção de fotos e do hino que popularizou, de forma tão eloqüente, a Ilha Maravilhosa de Florianópolis. Aos que não a conhecem e aos que já tiveram o prazer e sentem saudades, convido a seguirem o link e apreciar algumas das belas paisagens de Forianópolis e de suas praias maravilhosas, regadas ao som do “Rancho de Amor à Ilha” do inesquecível Zininho. Aumentem o volume e se deliciem pois a transição dos "slides" é automática. A apresentação é muito mais eloquente do que um milhão de palavras.
Muito obrigado, querida Ilha da Magia!

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

SANTA HELENA, A TRISTE ILHA DE NAPOLEÃO (2/2)

Lembro aos meus leitores e amigos que quiserem ler o texto completo, que comecem pela primeira parte (1/2), publicada anteriormente; infelizmente, por configuração do blog, ela encontra-se abaixo desta (2/2).

Santa Helena (Saint Helena, em inglês) é um território britânico ultramarino do Atlântico Sul, localizado praticamente a meio do oceano, mas geralmente englobado nos territórios africanos por se encontrar mais perto da África do que da América do Sul. A ilha, entretanto, curiosamente foi descoberta em 1501 pelo navegador galego João da Nova, enquanto a serviço de Portugal. João da Nova dirigia-se à Índia, tendo nessa viagem também descoberto a ilha de Ascensão. Entretanto, Portugal nunca colonizou a ilha rochosa e sem praias, que veio a ser ocupada pela marinha inglesa no século XIX.

Colônia até 1981, o território é constituído pela Ilha de Santa Helena (122 km² e 4.255 habitantes) e por duas dependências muito afastadas: Ascensão (91 km² e 1.122 habitantes), a noroeste, e Tristão da Cunha (207 km² e 284 habitantes), ao sul. Relativamente à ilha de Santa Helena propriamente dita, o território mais próximo é a ilha de Ascensão, seguindo-se a costa africana do sul de Angola e do norte da Namíbia, a leste. Sua capital é Jamestown.


Longwood House foi a residência oficial de Napoleão Bonaparte durante seu exílio na ilha de Santa Helena, de 10 de dezembro de 1815 até a sua morte em 5 de maio de 1821. A casa situa-se numa planície varrida pelo vento, cerca de 6,5 km distante de Jamestown. Originalmente a residência de verão do Tenente Governador, ela foi convertida  para uso de Napoleão em 1815. O governo britânico reconheceu sua inadequabilidade como lar do ex-Imperador e seu séquito e, ao tempo de sua morte, havia construído uma nova casa, próxima daquela, que, infelizmente, ele nunca chegou a ocupar.

Após a morte de Napoleão , Longwood House foi revertida à Companhia das Índias Orientais e, posteriormente, à Coroa Inglesa, passando a ser usada para finalidades agrícolas. Relatórios sobre o seu abandono chegaram a Napoleão III, sobrinho de Napoleão Bonaparte, inicialmente Presidente e, posteriormente, Imperador da França. Desde 1854 negociava ele com o governo britânico  a sua transferência à França. Em 1858 Longwood House foi transferida ao governo francês junto com o Valley of the Tomb por uma soma de £7.100 (sete mil e cem libras). O Valley of the Tomb (Sane Valley) foi o local escolhido por Napoleão para o seu túmulo, muito simples, sem qualquer ostentação. Ele chegou até Sane Valley em uma de suas solitárias caminhadas e ficou deleitado pela paisagem de paz e pelas plantas que lá cresciam. Desde então, ambos têm estado sob controle do Ministro das Relações Exteriores Francês e um representante do governo francês vive na ilha, como responsável pelo gerenciamento das duas propriedades. Em 1959 uma terceira propriedade, The Briars, onde Napoleão passou os seus dois primeiros meses na Ilha, enquanto Longwood estava sendo preparado, foi também doado ao governo francês.
Como resultado da destruição pelos cupins, o governo francês considerou a demolição do prédio na década de 1940. Longwood House e Balcombe House, nos Briars, foram demolidas nessa época, mas Longwood House foi salva e tem sido fielmente restaurada por curadores franceses. Os degraus de pedra na entrada constituem a única parte original da estrutura a sobreviver. Os restos mortais do Imperador encontram-se hoje nos Invalides, em Paris.
Atuamente, a indústria do turismo local explora muito tal particular aspecto da história, bem como o calmo estilo de vida da população de Santa Helena. Por não possuir praias e ser o seu litoral completamente rochoso, a ilha sempre foi utilizada como prisão. Não há uma saída fácil do seu interior, a não ser através da capital, Jamestown.

Santa Helena não possui aeroporto, sendo todo o transporte de pessoas e cargas feito através de barcos. Existe um projeto para construção de um aeroporto, que provavelmente será concluído no ano de 2010, como forma de viabilização econômica da ilha, principalmente através do turismo. Santa Helena é ainda muito dependente de recursos vindos da Inglaterra.




Um triste fim? Sim, muito triste para um homem que realizou, ao longo da sua atribulada vida, feitos tão memoráveis. Um fim justo? Bem, Napoleão julgou a si próprio quando declarou, já em Santa Helena, sozinho com suas reflexões: “O infortúnio também encerra glória e heroísmo. Se tivesse morrido no trono, com a auréola da onipotência, a minha história ficaria incompleta para muita gente. Hoje, mercê da desgraça, posso ser julgado por aquilo que realmente sou”.  É tarefa impossível, para qualquer outro mortal, julgá-lo com justiça. Deixemo-la aos cuidados de Deus!

SANTA HELENA, A TRISTE ILHA DE NAPOLEÃO (1/2)


Toda a vez que ouço falar ou cito Santa Helena, a ilha para a qual Napoleão Bonaparte foi desterrado após o seu último governo dos “Cem Dias”, não posso deixar de enxergar a triste figura do ex-imperador francês e conquistador de quase toda a Europa, sentado em um dos seus rochedos, cabisbaixo e meditabundo. E deduzo que ele estaria, possivelmente, rememorando os seus dias de glória, mas também, certamente, avaliando e pesando as suas ações durante o período em que o mundo a ele se curvava, com medo.
Esse artigo não pretende falar sobre a vida de Napoleão, mas sim sobre a ilha, pouco conhecida, onde o ex-imperador - que, ao contrário de Carlos Magno que humildemente dirigiu-se a Roma, convocou o Papa para coroá-lo em Paris -, passou seus últimos e solitários dias. Entretanto, para que os leitores possam, com mais fundamento, raciocinar ou emitir opinião acerca do merecimento ou não do seu triste fim, apresentamos também um curtíssimo resumo da sua trajetória desde o início da sua notabilidade nas cortes européias e do mundo. Como em geral acontece, a pesquisa tornou-se demasiado longa para uma só publicação, razão pela qual este “post” refere-se apenas à primeira parte da idéia. A segunda parte será publicada imediatamente, a seguir.
Digam o que disserem os historiadores que forem contra, e sejam os motivos os que foram, à época, a grande verdade é que Napoleão Bonaparte, de general francês vitorioso, em pouco tempo tornou-se imperador da França, com o mesmo poder absoluto da realeza que a Revolução Francesa, que não era sua, derrubara pouco antes.
Napoleão Bonaparte começou a destacar-se, militarmente, em 1795, ao sufocar uma revolução monarquista em Paris, após o término do período do terror, numa Revolução já combalida. Após ter-se destacado na guerra contra a Itália e na Campanha do Egito, foi escolhido para chefiar o golpe que depôs o Diretório, com o auxílio de militares e membros do governo, em 10 de novembro de 1799 ou, segundo o calendário republicano, no 18 Brumário, sendo designado General-em-Chefe  do Exército do Interior. Entretanto, a derrubada do Diretório não lhe foi suficiente e após aquela, dissolveu também a Assembléia e implantou o Consulado, numa ditadura disfarçada, além de retomar princípios do Antigo Regime e encerrar dez anos de lutas revolucionárias que influenciariam, como influenciaram profundamente, os movimentos de independência na América Latina e a organização dos países da Europa.
O Consulado foi o período de 1799 a 1804, durante o qual Napoleão promulgou uma nova Constituição, reestruturou o aparelho burocrático e criou o ensino controlado pelo Estado. Em 1801 declarou o Estado leigo, com a subordinação do clero às autoridades seculares. Em 1804 promulgou o Código Napoleônico, que garantia a liberdade individual, a igualdade perante a lei, o direito à propriedade privada, o divórcio e incorporou o primeiro código comercial. Entretanto, como se não bastasse, no mesmo ano Napoleão criou o seu Império – coroando-se Imperador, com o nome de Napoleão I -, espécie de monarquia vitalícia sustentada pelo êxito das guerras e reformas internas. E, como não poderia deixar de ser, em 1805 a França voltou a adotar o tão bom e antigo calendário gregoriano, sofrendo um governo ditatorial, com censura à imprensa e repressão policial e do exército.

A partir desse estado de coisas, Napoleão passou a intervir em toda a Europa, derrotando as tropas austríacas, prussianas e russas, passando a controlar a Áustria, Holanda, Suíça, Itália e Bélgica. Avançou na Espanha, enfrentando a resistência de guerrilheiros locais e obrigou a família real portuguesa, temerosa da expansão napoleônica, a fugir, em 1808, para o Brasil, sua colônia na América.
Em 1806, após a derrota da marinha francesa na Batalha de Trafalgar, na Espanha, para a marinha britânica do Almirante Nelson, Napoleão decretou o “Bloqueio Continental” contra a Inglaterra, proibindo que qualquer país europeu abrisse seus portos ao comércio com a Inglaterra, com o óbvio objetivo de enfraquecer os ingleses e, ao mesmo tempo, reservar o mercado continental europeu às manufaturas francesas. Em 1807 o bloqueio recebeu a adesão da Espanha e da Rússia; Portugal, tradicional aliado da Inglaterra, recusou-se a aderir, sendo invadido pelas tropas francesas.
Em 1812 o Império Napoleônico incorporou 50 (cinqüenta) milhões dos 175 (cento e setenta e cinco) milhões de habitantes do continente europeu e introduziu as reformas burguesas nos demais países da Europa, quebrando as estruturas feudais remanescentes. Impôs o sistema métrico decimal, implantou o direito moderno e (pasmem, mesmo sendo um Imperador!) difundiu amplamente as idéias de liberdade, igualdade e fraternidade da Revolução Francesa.
No mesmo ano, pretextando punição contra o abandono do Bloqueio Continental pela Rússia, Napoleão declarou guerra a Moscou, mas, subestimando o famoso inverno russo, transformou a sua própria campanha num completo desastre. O formidável escritor russo Tolstoi declara, explicitamente, em seu monumental romance “Guerra e Paz”, que é lenda a história de que, diante da iminência da invasão o governador russo teria ordenado o incêndio da cidade após o abandono da sua população; segundo ele, tal incêndio teria sido, na verdade, acidental. Fato ou lenda, o exército napoleônico encontrou apenas destroços e, sem possibilidade de reabastecer seus suprimentos, dos seus 600 mil soldados conseguiu manter apenas cerca de 37 mil, para a desastrada retirada que ainda sofreu permanente assédio da guerrilha russa até às vizinhanças de Paris.
Tal derrota estimulou a formação de uma coalizão que reuniu russos, ingleses, espanhóis, prussianos, suecos e austríacos contra a França. Em1813, os exércitos aliados conseguiram derrubar o sistema napoleônico e libertar a Alemanha, a Holanda e o norte da Itália. Em 1814 tomaram Paris e formaram um governo provisório, dirigido por Talleyrand, que depôs Napoleão desterrando-o para a Ilha de Elba, na costa Italiana. Os Bourbon retornaram ao poder e entronizaram Luís XVIII, irmão de Luís XVI, guilhotinado durante a Revolução Francesa.
Napoleão, do fundo de seu retiro, nunca deixou de informar-se do que sucedia no continente. Conhecendo as deficiências do governo enfraquecido, sabia que o exército queria vê-lo novamente no comando. Em tais circunstâncias, Napoleão fugiu da Ilha de Elba e desembarcou na costa Meridional da França, a 1º de março de 1815, sendo recebido em toda a parte com alegria delirante pelos camponeses e pelos ex-soldados. Entrou triunfalmente em Paris a 20 de março de 1815 e, a partir daí, reinou por mais cem dias, desta feita de forma moderada, organizando o regime através de um “Ato Adicional” à Constituição, tornando-se um “imperador liberal”.
Entretanto, os soberanos estrangeiros coligados, reunidos no Congresso de Viena e surpreendidos com o acontecimento, renovaram a aliança, declararam Napoleão fora da lei e levantaram novo exército destinado a, definitivamente, destruir Napoleão Bonaparte. Entendendo ser melhor tomar a ofensiva, a fim de frustrar os planos de seus inimigos, Napoleão marchou sobre a Bélgica e venceu os prussianos, comandados por Blücher, em Ligny. Entretanto, em 18 de junho de 1815, em Waterloo, foi fragorosamente derrotado pelo Duque de Wellington e pelo general Blücher, à frente de um exército coligado. Entregando-se aos ingleses foi por eles deportado em exílio definitivo, no dia 21 de junho, para Santa Helena, uma pequena ilha perdida no Atlântico Sul, onde morreu em 5 de maio de 1821.