Homenagem ao lendário herói ancestral dos ingleses que deu título a um dos considerados "Cem Maiores Livros do Mundo" e tido como o mais antigo escrito em "Old English".

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quinta-feira, 6 de março de 2025

ADIÓS

 Tendo em vista a modorra causada por este verão de 2025, algo anormal, da nossa querida cidade de Gramado, vamos à republicação, em forma de postagem, de uma música já publicada anteriormente na "tag" "MÚSICAS" de nosso "blog".
Cabe, imediatamente, uma ressalva: não sou um fã ardoroso da música latina. Essa, entretanto, entre muitas outras, me é extremamente evocativa dos meus tempos de criança. Já tive oportunidade de escrever em outros lugares, que muitas das minhas músicas preferidas não são do meu tempo, mas a elas fui conduzido por influência de meus pais, ou por lembrança de tenra idade quando por eles era levado para assistir apresentações de orquestras no antigo Auditório Araújo Viana, então situado ao lado da Praça da Matriz, em Porto Alegre, onde hoje se situa a Assembleia Legislativa do Estado. Morei ali perto, por pouco tempo e tinha então, em 1947, os meus três anos de idade e músicas como essas eram muito executadas, naquele período de pós Segunda Guerra Mundial, por grandes orquestras americanas, estilo Glenn Miller, entre outras. Essas músicas que são, evidentemente, músicas de boa qualidade, ficaram muito bem guardadas em minha memória e, embora não sejam executadas com frequência – principalmente nesses tempos atuais, muito conturbados -, sempre me conduzem de volta àqueles tempos de criança, já tão longínquos e sempre as escuto com muito prazer.
Adiós é, originalmente, uma “rumba fox trot, de autoria de Enric Madriguera (música e letra original em espanhol), composta em 1931; posteriormente, Eddie Woods faria uma versão em inglês da letra em espanhol. A letra original é triste e simples, contando a história de um homem que se despede do seu amor, pedindo que não o esqueça. Mas é realmente a melodia, que mais traduz a tristeza que ele sente e que a torna tão linda. Posteriormente essa melodia foi transformada, em ritmo e orquestração, transformando-se, nas execuções de Glenn Miller, Mantovani e outras grandes orquestras em canção suave e de alta qualificação. Vários cantores também gravaram a sua composição, entre eles Pedro Vargas e o nosso Roberto Carlos.
Enric Madriguera foi um violinista, compositor e diretor de orquestra espanhol, de origem catalã, nascido em Barcelona, em 17 de fevereiro de 1904 e morto em 7 de setembro de 1973, em Danbury, Connecticut, USA. Já costumava dar concertos, ainda quando criança, antes de entrar para o conservatório de Barcelona. A forma castelhana do seu nome é “Enrique”, como algumas vezes ele usava em discos.
Antes de emigrar aos Estados Unidos, fez muitas apresentações na Espanha e França, ainda como adolescente. Já nos EUA, com vinte e poucos anos de idade, fez parte, como solista, das célebres orquestras filarmônicas de Chicago e Boston. Ao final dos anos 1920’s, Madriguera tocou na orquestra de estúdio Ben Selvin, na Columbia Records, New York, onde serviu brevemente como diretor daquela companhia para gravações de música latina.
Ao encerrar os anos 1920’s, durante uma temporada em Cuba, chegou a dirigir a Orquestra Filarmônica Cubana, de cuja proveitosa etapa nasceu o seu gosto pelos ritmos cubanos e seu vínculo com “La Única”. Como era conhecida a cantora cubana Rita Montaner, inspiradora de uma das suas mais famosas composições: Adiós. Rita havia feito uma versão muito original da canção de Moisés Simons, “El Manisero”; “Adiós”, notavelmente influenciado pelo primeiro, também se converteu em estrondoso sucesso. 
Enric Madriguera entre membros de sua orquestra
Em 1932 ele iniciou sua própria orquestra no Biltmore Hotel, que gravou para a Columbia até 1934. Nesse período sua música era, na maior parte, dança ou fox trot anglo-americana, embora tivesse um modesto hit com sua interpretação em rumba de Carioca. Pelos anos 1940’s ele gravava quase que exclusivamente música latino-americana. Diz-se que todos os embaixadores de países sul-americanos declararam Madriguera o “Embaixador de Música para todas as Américas”. Apareceu em alguns musicais em curta metragem, incluindo “Enric Madriguera e sua Orquestra, de 1946, em que ele interpretava várias canções cantadas por sua esposa vocalista Patricia Gilmore.
Enric Madriguera foi, junto com seu patrício Xavier Cugat, um dos músicos que mais difundiram os ritmos cubanos a partir do início dos anos 1930’s.
Para ser o mais fiel possível à memória da própria canção, vou começar apresentando a versão original da gravação de Adiós pelo selo Columbia, com a orquestra de Enric Madriguera e o vocalista Guty Cárdenas. A seguir, a versão que talvez tenha feito mais sucesso e também por mostrar um estilo muito característico, pela Orquestra de RayConniff e Seus Cantores. Mas, a gravação que realmente me emocionou, fica por conta de Mantovani e sua Orquestra. É aquela que que eu costumo dizer que, em certas partes da sua execução, chega a dar uma dorzinha lá no fundo do coração ...
Para quem quiser acompanhar cantando, segue a letra original em espanhol. Ao lado da letra, apresentamos a primeira página da partitura da composição "Adiós", com letra de Eddie Woods.

ADIÓS 
(Enric Madriguera)

Adiós
Me voy linda morena lejos de ti
El alma hecha una pena porque al partir
No quiero que olvides nuestro amor
Hermosa flor
Mi alma cautivaste
Con la fragancia de tú candor
Tú eres toda mi ilusión
Tú eres mi dulce canción
Adiós
Me voy linda morena lejos de aqui
A llorar mi tristeza lejos de ti
Hermosa flor
Mi alma cautivaste
Con la fragancia de tú candor
Tú eres toda mi ilusión
Tú eres mi dulce canción
Adiós, adiós
Me voy linda morena lejos de aqui
A llorar mi tristeza lejos de ti
Adiós
Adiós, adiós
Me voy linda morena lejos de aqui

sexta-feira, 18 de março de 2016

STRANGER IN PARADISE (ESTRANHO NO PARAÍSO)

I - INTRODUÇÃO

“Stranger in Paradise´é uma canção popular do musical Kismet, de 1953, creditada a Robert Wright e George Forrest. Como todas as músicas do musical, esta melodia foi tomada emprestada de músicas compostas por Alexander Borodin, compositor clássico russo que viveu entre 1833 e 1887. Neste caso, trata-se do original “Dança Deslizante das Donzelas”, das “Danças Polovtsianas” da ópera “Príncipe Igor”. No musical, a canção é um dueto de apaixonados que descreve os sentimentos excelsos que o amor traz às suas cercanias. Versões posteriores da melodia foram muito editadas para serem executadas por artistas solo masculinos.
Talvez eu surpreenda, negativamente, os meus leitores e os desagrade algo, mas como tudo se originou do clássico de Borodin, é por ele que vou iniciar a história de “Stranger in Paradise”, para corretamente “dar a Cesar o que é de Cesar”.

II – O COMPOSITOR ALEXANDER BORODIN
Alexander Borodin em dezembro de 1864

Alexander Porfiryevich Borodin, nascido em 12 de novembro de 1833 e morto em 27 de fevereiro de 1887, na São Petersburgo da romântica Rússia Czarista, foi um compositor romântico de origem georgiana, além de médico e químico. Foi apenas um dos proeminentes compositores do século XIX, conhecidos como “O Poderoso Punhado”, “Os Cinco”, “O Círculo de Balakirev” ou “A Nova Escola Russa”, um grupo ativo em São Petersburgo, Rússia Imperial, dedicado a produzir uma espécie única de música clássica russa, ao invés de imitar modelos europeus ocidentais anteriores. Tal grupo reuniu-se de 1856 a 1870 e era formado por Mily Balakirev, o líder, César Cui, Modest Mussorgsky, Nikolai Rimsky-Korsakov e Alexander Borodin. “O Poderoso Punhado” era um ramo do movimento Nacionalista Romântico na Rússia, repartindo objetivos artísticos similares com a “Colônia Abramtsevo” e o “Renascimento Russo”.
Borodin é melhor conhecido por suas sinfonias, seus dois quartetos de cordas, “Nas Estepes da Ásia Central” e sua ópera Príncipe Igor. A música de “Príncipe Igor” e seus quartetos de cordas foram posteriormente adaptados para a confecção do musical americano “Kismet”. Um notável advogado dos direitos das mulheres, Borodin foi um promotor da educação na Rússia e fundou a “Escola de Medicina para Mulheres”, em São Petersburgo.
Borodin era filho ilegítimo de um nobre georgiano de 62 anos, Luka Stepanovich Gedevanishvili, e uma mulher russa casada, de 25 anos, Evdokia Konstantinovna Antonova, que por essas circunstâncias foi registrado como filho de um dos servos de seu pai, Porfiry Borodin, daí obtendo o seu sobrenome. Com isso, tanto Alexander Borodin como seu pai nominal Porfiry eram oficialmente servos de seu pai biológico Luka. Entretanto, Alexander foi emancipado da servidão aos sete anos e lhe foi concedido, bem como a sua mãe, moradia e dinheiro, sem que nunca tenha sido publicamente reconhecido por sua mãe, que permanecia próximo, mas era sempre referida como “tia” do jovem Borodin. Sempre foi bem amparado por seu pai biológico e cresceu numa enorme casa de quatro pisos, presente do nobre para Alexander e sua “tia”. Embora o seu registro não permitisse a matrícula em escolas adequadas, Borodin recebeu uma ótima educação em todos os assuntos, através de tutores particulares em casa. Em 1850 ele entrou na Academia Médico Cirúrgica em São Petersburgo, onde seguiu a carreira de químico. Com a graduação, passou um ano como cirurgião num hospital militar seguido de três anos em estudos científicos avançados na Europa Ocidental. Em 1862 Borodin retornou a São Petersburgo para assumir uma cadeira em química na Academia Imperial Médico-Cirúrgica, onde passou o restante da sua carreira científica, pesquisando, lecionando e supervisionando a educação de terceiros. Acabou por estabelecer cursos médicos para mulheres, em 1872.
Borodin conheceu e começou a tomar aulas de composição com Mily Balakirev em 1862 e sob a sua tutela em composição, começou sua Sinfonia No 1 em Mi-bemol maior, apresentada em 1869, com a condução de Balakirev. No mesmo ano, Borodin começou sua Sinfonia No 2 em Si Menor, que não foi um sucesso em sua primeira apresentação em 1877, com a regência de Eduard Nápravnik; entretanto, com alguma reorquestração mínima, teve uma apresentação de muito sucesso em 1879, pela Escola de Música Livre sob a direção de Rimsky-Korsakov. Em 1880 ele compôs o popular poema sinfônico “Nas Estepes da Ásia Central”. Dois anos mais tarde ele começou a composição de uma terceira sinfonia que ficou inacabada com a sua morte; dois de seus movimentos foram posteriormente completados e orquestrados por Glazunov. Em 1868 Borodin distraiu-se do trabalho inicial com a Segunda Sinfonia por sua preocupação com a ópera “Príncipe Igor”, vista por alguns como seu trabalho mais significativo e uma das mais importantes óperas russas. Contém as “Danças Polovtsianas”, muitas vezes executadas com um Concerto por si só, formando o que é, provavelmente, a composição mais conhecida de Borodin. Esta - assim como poucos outros trabalhos - ficou inacabada à época de sua morte, sendo completada, postumamente, por Rimsky-Korsakov e Alexander Glazunovde, em 1890.
Túmulo de Borodin, no cemitério de Tikhvin
em São Petersburgo
Borodin casou-se com Ekaterina Protopopova, uma pianista, em 1863 e teve pelo menos uma filha, chamada Gania. A música permaneceu, para Borodin, como uma vocação secundária. Teve má saúde, superando a cólera e vários pequenos ataques de coração. Morreu subitamente durante um baile na Academia, sendo enterrado no cemitério de Tikhvin, Monastério Alexander Nevsky, em São Petersburgo.

III – O “PRÍNCIPE IGOR” DE BORODIN

O Compositor adaptou o libreto do antigo épico russo “O Poema do Anfitrião de Igor”, que conta a campanha do príncipe russo Igor Svyatoslavich contra as tribos invasoras Cumans[1] (também chamadas Polovtsianas), em 1185. Ele também incorporou material tirado de duas crônicas medievais Kievan.
Após ter brevemente considerado “A Noiva do Tsar”, de Lev Mei, como um assunto (retomado em 1898 por Nikola Rimsky-Korsakov, em sua nona ópera), Borodin iniciou a busca de um novo projeto para a sua primeira ópera. Vladimir Stasov, crítico e conselheiro do “Poderoso Punhado” sugeriu “O Poema do Anfitrião de Igor”, um poema em prosa épico do século XII, enviando a Borodin o cenário para uma ópera em três atos, em 30 de abril de 1869. Inicialmente, Borodin achou a proposta instigante, mas assustadora. Iniciou os trabalhos em setembro de 1869, por árias de alguns personagens isolados e por esboços das “Danças Polovtsianas”. Mas abandonou em seguida os trabalhos por um período de quatro anos, durante os quais trabalhou em suas sinfonias. Retornou ao “Príncipe Igor” em 1874, mas sua ocupação principal, para consternação de seus companheiros, era a química, com a pesquisa e o ensino, e Borodin trabalhou em sua ópera por quase 18 anos e ainda assim não conseguiu completa-la antes de sua morte.
A ópera acontece no ano de 1185, na cidade de Putivl (durante o Prólogo, Atos 1 e 4) e num acampamento Polovtsiano (nos Atos 2 e 3).
O livreto de "Príncipe Igor", ópera em 4 atos
e Prólogo, de Alexander P. Borodin
O Prólogo acontece na praça da Catedral e Igor prepara-se para iniciar a sua campanha contra os Polovtsianos e suas Khans que atacaram as terras russas. Enquanto o povo canta, ocorre um eclipse solar que gera total consternação como mau presságio. Dois soldados desertam certos de que Vladimir Yaroslavich, o Príncipe Galitsky (irmão da esposa de Igor), lhes ofereceria trabalho mais a seu gosto. Embora Yaroslavna, esposa de Igor, considere a eclipse sinal de mau presságio, Igor insiste que a honra o obriga à guerra. O povo canta um grande coro de louvor enquanto o anfitrião põe-se a caminho contra os Polovtsianos.
No Ato 1 o mau caráter do príncipe Galitsky e seus homens é apresentado enquanto eles se aproveitam da ausência de Igor para viverem na luxúria em Putivl. Num quarto do Palácio de Yaroslavna, ela se preocupa por não ter tido notícias de Igor e seus homens, enquanto sua governanta entra com jovens mulheres que revelam o sequestro de uma jovem pelo seu irmão e do seu mau procedimento e seus homens por toda a cidade. Galitsky entra em seus aposentos e é repreendido por ela pelos seus atos; ele lhe diz que pode tomar o trono quando quiser, sendo por isso ameaçado por ela de chamar o pai de ambos, que o havia expulsado de casa. Os nobres da corte entram para avisar que Igor, seu filho e seu irmão haviam sido presos pelos Polovtsianos, seu exército destroçado e que a cidade encontrava-se ameaçada de invasão. Os nobres dizem que vão organizar a defesa, mas Galitsky retorna exigindo que ele seja aclamado o novo príncipe. A cidade é um caos.
No Ato 2, donzelas Polovtsianas cantam e dançam a famosa “Dança Deslizante das Donzelas” - nesta cena ouve-se, claramente, o motivo que deu origem a “Stranger in Paradise” – e Konchakovna, filha do chefe cuman, une-se a elas esperando que seu amado retorne breve. Vladimir, filho de Igor encontra-se com Konchakovna, sua amada, e cantam o seu desejo de casarem, sabendo que o pai dela permitirá, mas não o seu pai. Igor chega e canta lamentando a sua sorte, sendo consolado por Khan Konchak que lhe diz não ser prisioneiro, mas um digno convidado. Oferece-lhe a liberdade mediante a promessa de não o atacar novamente, mas Igor a recusa por não querer mentir. Khan Konchak chama seus escravos para dançarem as “Danças Polovtsianas”.
No Ato 3 o exército Polovtsiano canta as suas glórias enquanto o cristão Ovlur prepara cavalos para Vladimir e Igor que agora concorda em fugir. A aflita Konchakovna suplica que Vladimir a leve ou fique com ela e Igor é obrigado a fugir só. Konchakovna soa o alarme e Vladimir é preso, mas Konchak não permite que os guardas o matem, punindo-os e realizando o casamento de Vladimir com Konchakovna.
No Ato 4, de volta a Putivl, Yaroslavna arrasada por sua separação de Igor, vê chegarem dois cavalos com ele e Ovlur. O casal festeja a sua sorte e os dois soldados que se juntaram ao seu irmão, sem perceber a presença de Igor, cantam uma canção que troça com ele. Quando finalmente o vêm, correm à igreja e badalam o sino para anunciar a volta de Igor; o povo se reúne e, com alegria celebra a volta do seu príncipe.
Embora raramente executada completa fora da Rússia, “Príncipe Igor” recebeu duas novas produções mais recentes, uma na Companhia de Ópera e Ballet do Estado Bolshoi, em 2013, e outra no Metropolitan Opera Company da cidade de New York, em 2014.
Naturalmente, a ópera completa seria muito longa para apresentar nesta postagem. Assim, para os que têm mais interesse na música clássica, estou disponibilizando um clip com a versão completa das “Danças Polovtsianas”, com a duração de menos de 10 minutos, para que os leitores possam, posteriormente, compará-las com a melodia popular “Stranger in Paradise”.

IV – OS COMPOSITORES ROBERT WRIGHT E GEORGE FORREST

Com relação à canção popular “Stranger in Paradise”, conforme dito na Introdução, seus autores são George Forrest e Robert Wright.
George Forrest, nascido em 31 de julho de 1915 e falecido em 10 de outubro de 1999, foi um escritor de música e letra para musicais de teatro, mais conhecido por seu “Kismet”. Nascido George Forrest Chichester Jr., no Brooklin, New York, também conhecido profissionalmente por Chet Forrest, por toda a sua carreira trabalhou exclusivamente com o compositor-letrista Robert Wright.
Robert (Bob) Craig Wright, nascido em 25 de setembro de 1914 e falecido em 27 de julho de 2005, foi um compositor-letrista americano para Hollywood e o teatro musical, melhor conhecido por seus musicais da Broadway e o seu trabalho “Kismet”.
O par tinha uma grande afinidade para adaptar temas de música clássica adicionando letras a tais temas para apresentação em musicais nos teatros de Hollywood e Broadway. Wright dizia que que a música era, usualmente, uma colaboração a 50% entre Wright e Forrest, mas embora ambos fossem creditados igualmente como compositores-letristas, era Forrest quem trabalhava com a música. “Kismet” foi um de vários trabalhos que Forrest criou com Wright, encarregados pelo empresário Edwin Lester para a Ópera Leve Municipal de Los Angeles (Los Angeles Civic Light Opera – LACLO). A “Canção da Noruega”, “Cigana”, “Madalena” e sua adaptação de “A Grande Valsa”, foram também encomendadas por Lester par a LACLO, que então exportava a maioria dessas produções para a Broadway. Forrest e Wright venceram um Prêmio Tony (Tony Award) por seu trabalho em “Kismet” e, em 1995, receberam o Prêmio Richard Rodgers da Fundação ASCAP (American Society of Composers, Authors and Publishers).

V - O MUSICAL “KISMET”

“Kismet” é, portanto, um musical com letras e adaptação musical (bem como alguma música original) de Robert Wright e George Forrest, a partir de música de Alexander Borodin e com livro de Charles Lederer e Luther Davis. Este musical, por sua vez, é uma adaptação da peça teatral “Kismet” de 1911, de Edward Knoblock. Os autores usaram a música de Borodin por sentirem nela um adequado sabor exótico e inebriantes melodias. A história se passa em Bagdá, na idade áurea do islamismo medieval e trata de um astuto poeta que escapa de problemas por várias vezes enquanto sua bela filha encontra e se apaixona pelo jovem Califa.
Logo original de "Kismet", para a
Broadway, em 1953
O musical, conforme mencionado acima, foi encomendado por Edwin Lester, apresentado em Los Angeles e depois em São Francisco, no verão e outono de 1953, vencendo o Tony Award de melhor musical em 1954. A produção mudou para a Broadway em dezembro de 1953, sendo apresentada no Ziegfeld Theatre, com direção de Albert Marre, coreografia de Jack Cole e suntuosos cenários e costumes por Lemuel Ayres. O elenco original estrelou com Alfred Drake no papel do poeta Haji, Doretta Morrow como sua filha Marsinah, Richard Kiley como o jovem Califa de Bagdá, Henry Calvin como o Vizir e Joan Diener como Lalume, a sedutora esposa do mau Vizir. O show abriu em meio a uma greve da imprensa e como a crítica não estava disponível, os produtores usaram a propaganda da TV para promover o espetáculo. O musical ganhou a atenção popular e teve 583 apresentações de sucesso. “Kismet” teve ainda mais sucesso em Londres, com 648 apresentações no Stoll Theatre, a partir do início de abril de 1955. A produção londrina abriu com as três estrelas do elenco da Broadway, Drake, Morrow e Diener, que foram posteriormente substituídos por Tudor Evans, Elizabeth Larner e Sheila Bradley, respectivamente.
A peça abre numa mesquita onde um Imam reza ao nascer do sol. Três pedintes sentados fora do templo e um quarto, Haji, fora a Meca. Um poeta entra para vender seus versos e sua linda filha Marsinah se junta a ele, sem sucesso. Marsinah é enviada para roubar laranjas no Bazaar, para seu café, enquanto seu pai senta para esmolar. Os mendigos objetam ao fato do poeta tomar o lugar de Haji ao que ele responde ser seu primo, ameaçando amaldiçoar aos que não lhe derem esmola. Hassen-Bem, um homem do deserto confunde o poeta com Haji e o sequestra; o poeta, que daqui para a frente é referenciado como Haji, é levado a Jawan, um conhecido bandido que havia sido amaldiçoado por Haji quinze anos atrás com o desaparecimento do seu filho e que agora deseja a remoção da maldição. O novo Haji, vendo a oportunidade de ganhar algum dinheiro, promete retirar a maldição por 100 peças de ouro. Jawan parte para Baghdad em busca do seu filho e Haji se regozija com suas novas riquezas.
De volta à cidade, o Vizir (autoridade com poder de polícia) anda pelo Bazaar com sua sedutora mulher Lalume, em busca de um empréstimo muito necessário. Em troca do dinheiro emprestado pelo Rei de Ababu, o Califa deveria casar com uma (ou as três) das princesas de Ababu, que realizam uma dança sensual e dizem a Lalume que desejam retornar ao lar, mas são por ela convencidas que Baghdad é uma cidade mais excitante que qualquer outra.
Enquanto isso Marsinah é perseguida pelo mercador de frutas de quem roubara, mas seu pai chega para salvá-la e dá-lhe metade do dinheiro que obtivera. O jovem Califa, que viajava incógnita com seu conselheiro, se apaixona por Marsinah e a segue. Em outro local, Haji se deleita com algumas escravas, em trajes sumários, que recém comprara e é detido pela polícia que busca por Jawan. A polícia reconhece em suas moedas o “penacho” de uma família que Jawan havia roubado e o prende como ladrão. Enquanto isso, Marsinah encontra uma rara casa com um lindo jardim, que pensa em comprar para seu pai e ela. Ela admira o jardim quando o jovem Califa adentra fingindo ser o jardineiro e se apresenta. Eles se apaixonam e nesta cena interpretam “Stranger in Paradise”. Prometem se encontrar novamente no jardim ao nascer da lua.
No palácio do Vizir, Haji está sendo julgado pelo roubo de 100 peças de ouro e sem necessitar de provas ele o condena a 20 chicotadas e à perda de sua mão direita. Lalume, atraída pelo poeta, implora pelo perdão do seu marido, mas o Vizir não se convence e manda açoitá-lo novamente. Um guarda entra para avisar que haviam capturado Jawan que entra e pergunta a Haji pelo seu filho, quando vê no pescoço do Vizir um medalhão que seu filho usava quando despareceu: o Vizir é o seu filho! Jawan louva o poder de Haji que pode amaldiçoar e desfazer a maldição e se emociona por encontrar o seu filho; entretanto o Vizir condena o seu próprio pai à morte, porque não pode ter um pai como o maior criminoso da Mesopotâmia.
Jawan é conduzido para a execução e o Vizir percebe que Haji o havia amaldiçoado. Quando a ponto de mata-lo, entra o Califa e comunica que encontrou uma noiva e que casará com ela à noite. O Vizir se apavora porque se o Califa não casar com uma princesa da Ababu ele estará arruinado, e conclui que é tudo culpa da maldição de Haji e lhe implora para retirá-la, prometendo-lhe a suspensão da pena e o título de Emir. Haji concorda embora Lalume saiba que ele não é nenhum mágico, e decide que pode ser a sua chance de ter uma boa vida e promete ajuda-lo dizendo-se apaixonada por ele. Com o retorno do Vizir, Haji canta uma canção mística, enquanto as escravas dançam selvagemente distraindo o Vizir, e salta em fuga por uma janela.
No Ato 2, o Califa e a procissão de casamento aproximam-se da casa de sua amada e, dentro, Marsinah pensa no seu jardineiro e apresenta uma reprise de “Stranger in Paradise”. Haji entra, conta da situação deles e diz que têm que fugir imediatamente para Damasco, mas Marsinah recusa. Eles têm uma discussão séria e ela foge de forma que quando o Califa chega, não a encontra.
O Vizir é informado de que a noiva do Califa desapareceu. Ele se alegra com a notícia e com o fato de ter um mago como Emir e instrui Lalume a manter feliz o seu novo Emir, o que ela está louca para fazer. Haji e Lalume planejam uma viagem quando Marsinah entra e eles se reconciliam; ela lhe conta do seu amor e pede que o encontre. Ao mesmo tempo, no quarto vizinho, o Califa ordena que o Vizir encontre o seu amor.
O Vizir, tentando convencer o Califa de que pensar em uma esposa é apenas uma fase, mostra-lhe seu harém por uma vigia, onde ele vê Marsinah e fica horrorizado achando que ela é um membro do harém do Vizir. O Vizir, certo de que Haji era o responsável por tudo, diz que ela é uma de suas esposas e o Califa concorda em escolher a sua esposa naquela noite; para não parecer que havia mentido para o seu príncipe, o Vizir casa-se imediatamente com Marsinah.
Naquela noite, as candidatas ao Califa dançam para ele, que permanece impávido. Haji busca por Marsinah; o Vizir agradece a Haji por ter colocado a amada do Califa em seu harém e rindo lhe conta que casou com a linda Marsinah. Vendo o que tinha acontecido, Haji tira do turbante uma placa em branco e a joga na piscina; inventa uma história para o Vizir, que entra na piscina para recuperá-la, e quando o faz, Haji o afoga.
Haji então explica ao Califa tudo o que havia acontecido e o Califa volta a se unir a Marsinah. O Califa perdoa a Haji por ter matado um servidor público, mas o poeta pede, como sua punição, ser banido para um oásis com a viúva do Vizir, para consolá-la em sua dor.

VI – OUTRAS APRESENTAÇÕES, FILMAGENS E GRAVAÇÕES

O musical foi reapresentado no “Lincoln Center’s New York State Theater”, estreando em 22 de junho de 1965, para 39 apresentações, estrelando Drake, Lee Venora, Anne Jeffreys e Henry Calvin. O “New York City Opera” apresentou o musical em outubro de 1985, estrelando George Heam (Haji), Susanne Marsee (Lalume) e Maryanne Telese (Marsinah), com direção de Frank Corsaro.
Outras versões, bem estilizadas, foram depois lançadas, com adição de novas melodias. Novas apresentações também foram encenadas através das séries do “New York City Center Encores”, com novo elenco e foi revivido em 2007 pelo “English National Opera” no “London Coliseum”, estrelando os veteranos dos musicais do West End, Michael Ball, Faith Prince e Alfie Boe. Também foram liberadas duas gravações de estúdio, uma por Jay Records, em 1989 e outra em 1991, com direção musical de Paul Gemignani.
Do musical foi realizado um filme em Cinemascope, em 1955, pela MGM, dirigido por Vincent Minnelli e estrelado por Howard Keel, como Haji, Ann Blith, como Marsinah, Dolores Gray, como Lalume e Vic Damone, como o Califa. Este último, que muito pouco filme fez, mas foi um cantor importante para os jovens adolescentes das décadas de 1950 e 1960, ainda está vivo com a idade de 87 anos. Do filme estamos apresentando “Stranger in Paradise”, da cena do jardim quando o Califa e Marsinah se encontram pela primeira vez. Para “matar a saudade”!
Uma versão para a televisão foi transmitida em 1967, estrelando Barbara Eden como Lalume, José Ferrer como Haji, Anna Maria Alberguetti como Marsinah e George Chakiris (o mesmo portorriquenho do “West Side Story” – Amor Sublime Amor) no papel do Califa. A transmissão foi encurtada para 90 minutos através do corte de uns poucos números musicais.
No que se refere às gravações da melodia “Stranger in Paradise”, a versão mais popular foi a cantada por Tony Bennett (1953), mas outras versões, pelos “The Four Aces” (apoiados pela orquestra de Jack Pleis) e Tony Martin, também receberam grande favor popular em 1954. A versão de Bennett alcançou a primeira posição no Quadro de Simples, no Reino Unido, em maio de 1955. Apenas em 1955, “Kismet” e suas melodias chegaram a Londres, junto com Tony Bennett.
A enorme popularidade de “Stranger in Paradise” no Reino Unido deve-se ao fato de que não menos de seis versões despontaram no topo do quadro em 1955: além de Tony Bennett, foram incluídos os Four Aces, Tony Martin, Bing Crosby, Don Cornell, além de uma versão instrumental com Eddie Calvert.
Mose Allison, Sarah Brightman, Ray Conniff, Sammy Davis, Jr., Percy Faith, Al Hirt, Engelbert Humperdinck, Gordon MacRae, Johnny Mathis, Keely Smith, Curtis Counce, Isaac Hayes, the Ink Spots, Jack Jones, Mantovani, Martin Denny, Wes Montgomery, André Rieu, Saint Etienne, George Shearing, Sun Ra, the Supremes and Toots Thielemans, estão entre outros artistas que gravaram novas versões da mesma melodia. Neil Young apresentou também a canção ao vivo. Em 1965, The Ventures lançaram sua versão com dois outros nomes: “The Stranger” and “Ten Seconds to Heaven”. Mais recentemente, em 2011, Tony Bennett regravou a música em dueto com Andrea Bocelli, para o seu álbum Duetos II.
Não conheço todas essas gravações, nem iria submetê-las aos meus leitores. Mas tenho as minha preferidas, que gostaria de apresentar. Na voz masculina, como se trata de uma música extremamente romântica, fico com meu cantor preferido, Johnny Mathis. Na interpretação feminina, pela mesma razão, apresento uma das minhas preferidas, Sarah Brightman. Para a versão instrumental, eu recomendo e apresento a Orquestra de Mantovani, que executa essa melodia de uma maneira inconfundível com seus violinos maravilhosos. Mas não gostaria de omitir a versão instrumental, com coral, do nosso imortal Ray Conniff que, definitivamente, consagrou “Stranger in Paradise”, numa versão mais leve, alegre e vibrante.
Espero que apreciem, como eu, essa maravilha da música clássica e ao mesmo tempo popular.

[1] Os cumans eram um povo nômade turco, braço ocidental da confederação Cuman-Kipchak. Após a invasão mongol de 1237, muitos deles procuraram asilo na Hungria.

terça-feira, 3 de março de 2015

EVOCANDO LILI

Tendo em vista a grandeza do assunto das Antigas Civilizações Mundiais - e, consequentemente, a sua amplitude - resolvi praticar aqui um pequeno entreato antes de iniciar a postagem sobre a Civilização Egípcia, que viria na sequência. Com esse "recreio", imagino trazer, aos meus leitores, um refresco que os ajudará na sua futura caminhada pelos desertos do Egito, antes mesmo dela ser iniciada.

Sem qualquer razão aparente, como imagino que aconteça a muitas pessoas, vez ou outra, eu hoje acordei um pouco sorumbático e “de repente, não mais que de repente”, me veio à memória a música “Hi Lili, hi Lili, hi lo”, que imediatamente comecei a cantarolar. Não sei quão poucas pessoas ainda se lembrarão do assunto e nem mesmo, com certeza, a idade que tinha, mas era bem pequeno, quando essa música fez muito sucesso no Brasil, em versão para o português, arrastada pelo filme “Lili”. E então resolvi escrever essa postagem, principalmente para os mais velhos, como eu, que ainda se recordam, quem sabe para afastar a pena, se não servir para qualquer outro objetivo.

O FILME

O filme “Lili” foi uma produção americana da Metro Goldwyn Mayer (MGM), liberada em 1953. Eu tinha, então, 9 anos de idade; supondo que um filme americano levasse, na época, uns dois anos para ser exibido no Brasil (se não mais!), quando fui assisti-lo é possível que tivesse meus 11 anos, idade em que não se esquece um filme singelo como aquele. Lembro até mesmo do cinema em que fui assisti-lo, certamente acompanhado dos meus pais: o velho “Cinema Avenida”, de Porto Alegre, numa das esquinas da Avenida João Pessoa com a Rua Venâncio Aires.
Os atores principais eram a Leslie Caron, bem mocinha, no papel título, Mel Ferrer, também moço (embora um dos atores que, para mim, já nasceram velhos), a loiríssima e muito conhecida Zsa Zsa Gabor e Jean-Pierre Aumont, que confesso não lembrar mais de quem se trata, embora recorde o nome. O roteiro foi escrito por Helen Deutsch (que também fez a letra original da música), adaptado de “The Man Who Hated People” (“O Homem que Odiava as Pessoas”), um conto de Paul Gallico, que apareceu na edição de 28 de outubro de 1950 no “Saturday Evening Post”. O filme teve direção de Charles Walters, produção de Edwin H. Knopf. Com o sucesso do filme, Paul Gallico expandiu sua história para um romance, em 1954, intitulado “The Love of Seven Dolls” (“O Amor de Sete Bonecas”) e o filme foi, posteriormente, adaptado para o teatro, com o título de “Parque de Diversões”.
O filme ganhou o Oscar de “Melhor Música”, com autoria de Bronislaw Kaper, e também concorreu no Festival de Cannes de 1953.
No enredo, Lili (Leslie Caron), a heroína do filme, era uma tocante e ingênua garota francesa, cuja emocionante relação com um operador de marionetes de um parque de diversões (Paul/Mel Ferrer), é conduzida por meio de quatro marionetes. Lili, de apenas 16 anos, chega a uma pequena cidade da província em busca de um velho amigo de seu pai, recém falecido, apenas para descobrir que ele também já morreu. Ela é então resgatada de um lojista que tenta dela se aproveitar, pelo mágico do parque de diversões Marc (Jean-Pierre Aumont), cujo nome de palco é “Marcus, o Magnífico”, um homem elegante, sedutor e de fala macia por quem ela se apaixona e segue. Ao saber que ela é tão jovem, ele a ajuda a obter um emprego de garçonete onde ela não dura uma só noite. Marc a aconselha a voltar ao lugar de onde veio; sem lar e com o coração partido, Lili pensa em suicidar-se, sem dar-se conta de que é observada por Paul, que puxa conversa com ela por meio de suas marionetes. Logo um grande grupo de trabalhadores do parque fica cativado pela interação de Lili com os marionetes, que não sabe que Paul maneja os bonecos atrás das cortinas. Paul lhe oferece um emprego no ato, que se torna um sucesso pela maneira natural como Lili interage com os bonecos. Paul, ex-dançarino conhecido, ferido em uma perna na Segunda Guerra Mundial, é amargurado por considerar seu trabalho como inferior e embora se apaixone por Lili, mostra-se desagradável para com ela e apenas se comunica através de seus quatro bonecos, com medo de ser rejeitado. Enquanto isso, Lili continua a sonhar com Marc e tenta substituir sua assistente sexi, Rosalie (Zsa Sza Gabor). Marc recebe uma oferta para o cassino local mas tenta seduzir Lili antes de partir sendo descoberto por Paul que o impede e mostra a ela a aliança de Marc. Lili decide abandonar o parque de diversões e na saída é impedida pelas vozes dos quatro bonecos que pedem para ir junto; ela os abraça e percebe que eles estão tremendo; lembra então que alguém maneja os bonecos e puxa a cortina para descobrir Paul. Ele, em vez de dizer seus sentimentos em relação a ela, fala de uma proposta de trabalho que recebera para ambos e ela conclui que este é o seu único interesse e parte. Saindo da cidade ela imagina que os bonecos, agora em tamanho real, se juntam a ela. À medida que ela dança com cada um, todos se transformam em Paul. Voltando à realidade, Lili corre de volta ao parque e aos braços de Paul e, enquanto se beijam, os bonecos aplaudem.

A MÚSICA

“Hi Lili, hi Lili, Hi lo” é uma canção popular – uma valsa, na verdade - com melodia de Bronislau Kaper e letra de Helen Deutsch, publicada em 1952, um ano antes do filme. A música foi então introduzida no filme “Lili”, onde é interpretada por Leslie Caron e por Mel Ferrer, na figura do boneco “Carrot Top”. A partitura do filme foi composta por Hans Sommer, com orquestrações de Robert Franklin e Skip Martin.
Essa música teve uma quantidade enorme de gravações, por diversos cantores, homens e mulheres e orquestras. Pequeno como era, eu ouvi muito e muito cantei essa música em sua versão em português, mas, infelizmente, não consegui encontrar essa versão original. Encontrei uma gravação com a Gal Costa, ao vivo, de 1983, onde ela canta com o auxílio do público e, por isso, a gravação ficou um pouco prejudicada. Encontrei também, em português, uma gravação com a Nalva Aguiar, mas em ritmo de marcha de carnaval não mostra nada da inocência da melodia original. Por isso, eu apresento aos leitores a gravação da Gal Costa.
A gravação original de “Hi Lili, Hi Lili, Hi Lo”, por Leslie Caron e Mel Ferrer, de 1953, foi lançada num single e tornou-se um pequeno sucesso, alcançando apenas o número 30 nos quadros de música popular dos Estados Unidos. Consegui, do You Tube, o clip do filme, onde eles interpretam a canção; a par da introdução e do final infeliz de quem postou a gravação original, pode-se ter uma boa ideia do clima do filme, ao escutar essa gravação, que apresentei acima.
Além dos já citados, muitos outros cantores de língua inglesa gravaram a melodia e aqui cito apenas os mais conhecidos do público brasileiro:

Dina Shore com a orquestra e coro de Frank De Vol, gravada em 1952;
Roger Williams (Orquestra), em 1956;
Mantovani (orquestra), de 1958, apresentada nesta postagem, com seus maravilhosos violinos de sempre;
The Everly Brothers, em 1961;
Shelley Fabares de 1962, que eu recomendo muito;
The Four Seasons, 1962, muito boa para quem quiser relembrar os velhos tempos;
Nat King Cole, 1963, a mesma magnífica voz de veludo de sempre;
Richard Chamberlain, em 1963;
Ray Conniff, de 1965, sempre boa;
Anne Murray, gravação de 1977, como sempre muito agradável;

Há muitas outras que não coloquei. Mas há uma, que considero especialíssima e que vou apresentar a vocês e, por essa razão, não a juntei às demais. Trata-se de uma gravação de Jimmy Durante, um dos meus intérpretes favoritas, embora a sua ocupação primeira fosse ator e não cantor. Ele realizou essa gravação em 1964 e, como todas as suas gravações, eu a considero de extrema felicidade. Espero que os leitores concordem comigo.
Finalmente, para os candidatos a cantor, que quiserem acompanhar, em inglês ou português, apresento as letras no documento anexo. Importante mencionar que a letra em português não é a tradução do inglês, mas uma versão adaptada, cujo autor eu desconheço. E que a letra em inglês corresponde à gravação de Jimmy Durante, pois cada cantor sempre apresenta a sua própria versão.
Espero que a postagem tenha sido do agrado dos leitores e aqui fico, até a próxima.