Homenagem ao lendário herói ancestral dos ingleses que deu título a um dos considerados "Cem Maiores Livros do Mundo" e tido como o mais antigo escrito em "Old English".

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segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

HISTÓRIA DOS REIS DA INGLATERRA A PARTIR DE 1066 (PARTE 8)

EDWARD VI (1547 – 1553)
Edward VI, rei da Inglaterra

Edward VI, filho de Henry VIII e Jane Seymour, nasceu em 1537. Subiu ao trono com a idade de 9 anos, com a morte de seu pai. Estava prometido à sua prima, Mary, rainha da Escócia, mas as prejudicadas relações entre ingleses e escoceses impediram o casamento. O frágil e protestante rapaz morreu de tuberculose com 16 anos sem casar.
Seu reino foi eivado por problemas desde o nascimento. Seu pai havia emitido decreto para que um conselho de regência governasse até que Edward se tornasse maior, mas seu tio, Edward Seymour, assumiu o controle. O Conselho ofereceu-lhe o Protetorado do Reino e o Ducado de Somerset; Seymour realmente importou-se com o reino e com o jovem rei, mas usou o Protetorado e o radicalismo religioso de Edward para implementar seus interesses protestantes. O “Livro do Orador Comum”, eloquente trabalho do arcebispo Thomas Cranmer, foi instituído em 1549 como um manual do novo estilo de adoração que evitava questões controversas num esforço para pacificar católicos. E a Inglaterra transformou-se num refúgio para heréticos continentais. Os católicos gostaram da branda versão protestante, mas os radicais protestantes clamaram por reformas adicionais, aumentando a sempre presente discórdia entre as facções.
A miséria econômica atormentou a Inglaterra durante o reinado de Edward VI e as relações exteriores encontravam-se em desordem. A nova fé e a dissolução dos monastérios deixaram uma considerável de quantidade de funcionários do clero sem trabalho, num tempo em que o desemprego subia; o cerco de terras monásticas privou muitos camponeses de seu meio de sobrevivência. A cunhagem perdeu valor - as novas moedas eram feitas de metais inferiores – quando as moedas do Novo Mundo invadiram os mercados ingleses. Uma aliança francesa/escocesa ameaçou a Inglaterra, causando a invasão da Escócia por Somerset, onde os escoceses foram derrotados em Pinkie. A intranquilidade geral e manobras entre as facções provocaram a queda de Somerset; ele foi executado em Setembro de 1552, assim iniciando um das mais corruptas eras da história política da Inglaterra.
John Dudley, modelo de corrupção
O responsável por tal corrupção foi o Duque de Warwick, John Dudley, um político ambicioso que queria tornar-se o maior proprietário de terras da Inglaterra. Dudley forçou Edward, alegando que ele havia alcançado a condição de adulto aos doze anos de idade e que estava pronto para governar, além de manejar suas finanças. Dudley foi feito Duque da Northumberland e virtualmente governou a Inglaterra, sem título oficial. Sob sua liderança, o Conselho sistematicamente confiscou os territórios da Igreja, à medida em que a recente onda de radicalismo Protestante parecia uma continuação lógica e justificável da reforma de Henry VIII. As ambições de Northumberland cresciam na proporção do seu ganho de poder, buscando desesperadamente sua ligação à família real. Permitiram-lhe mesmo influir na sucessão de Edward VI assim que diagnosticada sua tuberculose, em janeiro de 1553.
Segundo o testamento de Henry VIII, a Edward VI deveriam suceder suas irmãs Mary e Elizabeth, seguidas dos descendentes da irmã de Henry VIII, Mary: Frances Grey e filhos. Northumberland convenceu Edward de que sua irmã católica Mary arruinaria as reformas protestantes concretizadas até então, sabendo que ela restauraria o catolicismo, devolvendo ao clero os territórios confiscados, que enriqueciam o Conselho. O condenado rei declarou suas irmãs bastardas, passando a sucessão à filha de Frances Grey, lady Jane Grey, uma de suas reais amigas e sua prima. Northumberland fez os Greys consentirem num casamento entre seu filho Guildford e Lady Jane. Edward morreu em 6 de julho de 1553, deixando Jane, contra seus desejos, declarada rainha pelo Conselho.

LADY JANE GREY (NOVE DIAS DE 1553)
Lady Jane Grey, infeliz rainha

A Inglaterra do século XVI viu um tempo turbulento na vida religiosa de seus cidadãos. A Reforma e Henry VIII haviam jogado católicos contra protestantes e foi nesse ambiente que o lar da família Grey viu nascer a filha Jane, em seu chalé palaciano de caça, Bradgate Manor, em Leicestershire, em outubro de 1537.
No início de maio de 1553, Jane foi convocada à presença de seus pais para ser informada de que ela fora prometida a Guildford Dudley, filho de John Dudley, Duque de Northumberland. Ela protestou dizendo que já estava prometida a Edward, Lord Hertford, provavelmente mais por desgostar de Dudley e sua família do que por gostar de Hertford.
Em 25 (ou 21) de maio Jane estava casada com Guildford, em “Durham House on the Strand”, em Londres, na mesma cerimônia em que sua irmã Lady Katherine casou-se com Lord Herbert, filho do Duque de Pembroke, e a filha de Northumberland, Katherine, casou-se com Lord Hastings; a irmão mais nova de Jane foi prometida a seu primo Lord Arthur Grey. Esses casamentos uniram Northumberland a três das famílias mais poderosas na corte.
Dez dias após o casamento, Northumberland divulgou seu plano aos pais de Jane, no mesmo instante em que Jane foi informada da doença de Edward e da necessidade de estar preparada para o que dela fosse exigido. Os planos de Northumberland culminaram com o documento assinado por Edward que eliminava Mary e Elizabeth da linha de sucessão, nomeando Frances Grey, e seus descendentes, herdeiros da Coroa; Frances Grey foi convocada ao leito de morte de Edward onde formalmente cedeu o trono à sua filha Jane. Em quatro dias Jane foi proclamada rainha da Inglaterra e Irlanda, no mesmo dia em que Mary recebeu uma carta do Conselho que a declarava ilegítima.
Robert Dudley, outro filho de Northumberland, foi enviado para toma-la sob custódia, mas Mary, avisada por um simpatizante, fugiu para o Castelo de Framlingham, em Suffolk, e reivindicou o trono.
Em 11 de julho, William Paulet, o lord Tesoureiro Mor, trouxe a coroa para Jane ver como se ajustava, mas ela recusou dizendo que não havia pedido para ver as joias. Como ele explicasse que ela deveria levar o assunto a sério e que ele logo voltaria para ver uma coroa também para seu marido, ela percebeu e extensão dos planos de Northumberland, que não a queria como rainha mas como esposa de seu filho, que lhe daria o supremo poder da Inglaterra. Sem se intimidar, ela reuniu seus conselheiros, a quem informou que Guildford não seria rei, mas apenas o Duque de Clarence.
A concordância de Northumberland em deixar o Conselho sem sua supervisão foi um enorme erro tático. Em sua ausência, Mary reuniu apoio popular e viajou triunfante para Londres onde os conselheiros questionaram sua autoridade. Em 18 de julho todo o Conselho deixou a Torre para um encontro secreto no castelo de Baynard, onde proclamou Northumberland traidor – por cujo crime foi decapitado em 22 de agosto de 1553 - e Mary rainha.
Após um reinado de apenas nove dias, Jane Grey adentrou a Torre em 10 de julho de 1553, na fortaleza que deveria ser o seu palácio e que transformou-se em sua prisão. Sete meses depois, ela seria decapitada por ordem de sua prima Mary, e seu corpo enterrado na capela Real, sem cerimônia, aos dezessete anos de idade.

MARY I (1553 – 1558)
Mary I da Inglaterra

Mary I, filha de Henry VIII e Catarina de Aragão, nasceu em 1516 e teve uma terrível infância de omissão, intolerância e má saúde. Foi uma católica fiel desde o Nascimento, resistindo sempre à pressão de outros para renunciar à sua fé, à qual sempre resistiu com firmeza. Casou-se com Felipe II da Espanha – filho de Charles V, que se opôs com sucesso a Henry VIII em 1527 -, mas não conseguiu ter um filho.
Mary, a primeira mulher a ser coroada rainha, em seu próprio direito, iniciou o seu tumultuado reinado aos 37 anos de idade, chegando a Londres em meio a uma cena de grande alegria, mas já em fevereiro de 1554, em Kent, ocorreu um levante popular liderado por Sir Thomas Wyatt. Os rebeldes marcharam sobre Londres onde um punhado de fidalgos chave, fieis a Mary, esmagaram a insurreição. A rainha deposta, Jane Grey e seu pai, Duque de Suffolk, foram executados para impedir que se tornassem foco de futuro dessossego.
O primeiro ato de Mary foi revogar a legislação protestante de seu irmão, Edward VI, lançando a Inglaterra numa fase de severa perseguição religiosa. Seu principal objetivo foi o restabelecimento do catolicismo na Inglaterra, ao qual se dedicou integralmente. Mais por um desejo de pureza de fé do que por vingança, aproximadamente 300 pessoas, incluindo o prévio arcebispo de Canterbury, Thomas Cranmer, e muitos dos mais proeminentes membros da sociedade, foram queimados por heresia; por isso Mary recebeu o apelido “Bloody Mary” (Mary Sanguinária).
O casamento de Mary com o militante católico Felipe também foi projetado para reforçar o catolicismo do reino. Infelizmente para Mary, dois fatores provocaram oposição a seus planos: o povo inglês odiava estrangeiros – mormente espanhóis – e vinte anos de protestantismo haviam azedado o inglês contra o papismo. Ela encontrou resistência em todos os setores da sociedade e, ao contrário de seu pai e irmão, falhou em moldar a sociedade segundo um padrão ideológico. Felipe II, frio e indiferente à Mary e ao reino, permaneceu na Inglaterra apenas por um curto período, além de forçar a rainha a uma guerra contra a França, que resultou em derrota e perda de Calais, última possessão continental inglesa. Com a saída de seu pai, Charles V, do Santo Império Romano, Felipe retornou à Espanha.
A Inglaterra sofreu durante o reinado de Mary I: economia em ruína, a questão religiosa chegou ao clímax e a Inglaterra perdeu seu último território continental. Após duas falsas gravidez, Mary adoeceu, sem retorno, em agosto de 1558 e morreu sem filhos na madrugada de 17 de novembro. Sua única herdeira era sua irmã, Elizabeth, filha de Anne Boleyn.

ELIZABETH I (1558 – 1603)
Elizabeth I, a rainha virgem

Durante o seu reinado, Mary sempre vira sua irmã protestante, Elizabeth, como uma ameaça, embora não tivesse feito qualquer esforço para impedir sua ascensão ao trono; o próprio parlamento já a reconhecera, informalmente, como a futura rainha, uma semana antes da morte de Mary.
Uma protestante moderada, Elizabeth herdou um reino nervoso onde o catolicismo dominava em toda a Inglaterra, com exceção das cidades principais, o sudeste e East Anglia. Em 1559, Elizabeth lançou o “Church Settlement” (Acordo da Igreja), que pretendia ser inclusivo, mas foi muito protestante. O acordo restaurou a Supremacia Real (do tempo do rei Henry VIII) e o “Act of Uniformity”, um reforço ao Prayer Book de Cranmer, de 1552, mas em um gesto conciliatório reintroduziu as vestes clericais e uma Eucaristia mais católica. Os alteres foram permitidos e o clero teve permissão para casar.
Todos os bispos de Mary, com exceção de um, foram afastados após recusarem o “Oath of Supremacy” e substituídos por homens escolhidos a dedo pelo seu ministro-chefe, Robert Cecil. A maioria era mais radical que a própria rainha, como os clérigos que preencheram as paróquias dos padres católicos resignatários. Os altares, embora permitidos na teoria, foram removidos por comissões que circularam pelo país para verificar o cumprimento das ordens.
A igreja foi ainda mais sufocada em 1563 quando outro “Act of Uniformity” fez da recusa ao juramento ou a defesa da autoridade papal, uma ofensa de traição. Mas desta vez, a ameaça estrangeira era real: uma revolta em 1569, a invasão papal da Irlanda, a excomunhão de Elizabeth e a chegada de padres da França, salientaram a insegurança da igreja anglicana. Paralelamente, a severidade das leis de traição aumentaram o sentimento anti-católico, empurrando-o para os subterrâneos para o resto do seu reinado, longo o suficiente para garantir o estabelecimento do Anglicismo como protestante. Após as políticas vacilantes de Edward e Mary, a Reforma teve 45 anos de governo Elizabethano para sedimentar.
Felipe II da Espanha
Digno de nota em seu reinado foi o agravamento da crise entre Inglaterra e Espanha, iniciada com a morte de Mary, esposa de Felipe II e a ascensão de Elizabeth, muito mais por questões religiosas do que por qualquer outra. O tratado de assistência às Províncias Unidas (reunião de territórios nos Países Baixos) foi assinado no Palácio de Nonsuch, Surrey, e previa ajuda militar inglesa para a Antuérpia, sitiada por forças espanholas. A Antuérpia caiu em 17 de agosto de 1585, mas o tratado foi tido como um ato de Guerra por Felipe II da Espanha e conduziria, por uma série de eventos, ao envio da Armada para invadir a Inglaterra.
A situação chegou ao auge em 1588 quando Elizabeth rejeitou proposta de casamento de Felipe II da Espanha. O indignado rei espanhol, inflamado pela pirataria inglesa e as pilhagens na exploração do Novo Mundo (Américas), enviou sua temida “Invencível Armada” para atacar a Inglaterra, dando a Elizabeth a oportunidade de por a público as qualidades que ninguém esperaria encontrar numa frágil mulher daqueles tempos. A Inglaterra habilmente venceu a batalha, ajudada pelo tempo inclemente do British Channel (Canal da Mancha), emergindo como o maior poder naval mundial e estabelecendo o cenário para os futuros projetos imperiais britânicos.
Embora não indispensável ao nosso trabalho, creio adequado abrir aqui um pequeno parênteses, para apresentar um importantíssimo personagem do seu reinado, que também ajudará a esclarecer a sucessão de Elizabeth I e mostrar como se confundem as histórias da Inglaterra e da Escócia.
Mary Stuart, filha de James V, rei dos escoceses, nascida a 8 de dezembro de 1542, tornou-se rainha da Escócia com a morte de seu pai, aos seis dias de idade. Sua avó paterna, mãe de seu pai, Margaret Tudor, era irmã do rei Henry VIII da Inglaterra, o que a tornava sua sobrinha bisneta.
Mary Stuart,
rainha da Escócia
Evidentemente, o governo da Escócia foi exercido por uma dupla regência até que ela se tornasse adulta. Durante essa regência, Henry VIII pretendeu realizar o casamento de Mary com seu próprio filho, o príncipe Edward, que se tornou rei da Inglaterra, assim unindo os dois países, através do acordo. Tal desejo acabou não se concretizando porque o mais forte regente de Mary, católico, favoreceu a aproximação da Escócia com a França, inclinou-a para o catolicismo e rompeu o acordo de casamento, o que enfureceu Henry VIII.
O rei da França, Henry II, propôs então unir França e Escócia, através do casamento de seu filho e herdeiro, Francis II, com Mary Stuart; com isso ela tornou-se rainha consorte da França e ele rei consorte da Escócia. Acordado o casamento, Mary, católica, mudou-se com 5 anos para a corte francesa, de onde só retornaria, para a Escócia, com a idade de 19 anos, após a morte de Francis II em 1560, para iniciar o seu reinado, num país religiosamente dividido, tendo como conselheiro chefe, seu ilegítimo meio irmão, James Stuart, Conde de Moray.
Em julho de 1565, Mary casou-se pela segunda vez, com seu primo inglês (ambos netos de Margaret Tudor), Henry Stuart, lorde Darnley, católico, ambos reclamantes ao trono da Inglaterra, enfurecendo sobremaneira Elizabeth I e o Conde de Moray, que partiu para revolta aberta, embora sem sucesso.
Em junho de 1566 nasceu James, filho de Mary e lorde Darnley, que viria a tornar-se rei da Escócia como James VI, quando o casamento de seus pais já desmoronava após o assassinato de Davis Rizzio, secretário católico particular de Mary, em que seu marido tomara parte. Nas primeiras horas da manhã de 10 de fevereiro de 1567, uma explosão devastou a casa onde lorde Darnley se recuperava de uma doença e ele foi encontrado morto nos jardins, aparentemente asfixiado, num crime misterioso e sem condenações.
Em abril de 1567, Mary visitou seu filho pela última vez, pois na volta a Edinburgh foi sequestrada por James Hepburn, 4º Conde de Bothwell, um dos principais suspeitos do assassinato do seu marido, que a conduziu ao castelo de Dunbar, onde a teria estuprado. Em maio ela retornou a Edinburgh onde casou com Bothwell segundo ritos protestantes. A decisão de Mary de casar com James Hepburn, causou imenso prejuízo à sua reputação, provocando a rebelião da nobreza escocesa. Foi feita prisioneira e obrigada a abdicar em favor de seu filho James VI. Escapou em maio de 1568 e levantou um exército que foi decisivamente batido por forças sob o comando do conde de Moray. Sem desistir, Mary logrou deixar o país, adentrando solo inglês para pedir a Elizabeth apoio na recuperação do seu trono.
Entretanto, Elizabeth tinha outras ideias. Como sabemos, ela própria havia sido declarada herdeira ilegítima num ato não repelido formalmente, sabendo que muitos católicos consideravam Mary a legítima herdeira do trono inglês. Sua presença na Inglaterra poderia despertar um levante católico e Elizabeth recusou ajuda-la até que tivesse provado sua inocência no assassinato de Lord Darnley, sendo conduzida para o castelo Carlisle, como prisioneira.
A investigação não comprovou culpa, mas Mary ficou detida na Inglaterra, onde tornar-se-ia o foco de muitas intrigas para destronar Elizabeth. Católicos do norte se levantaram com o objetivo de substituir Elizabeth por Mary Stuart, mas quando esmagados, seus líderes foram executados ou fugiram para o exílio. O episódio encorajou Elizabeth a abandonar a tolerância religiosa permitindo que a igreja da Inglaterra se tornasse mais expressivamente protestante.
No último dia de 1580, o prévio regente anglófilo da Escócia, James Douglas, Duque de Morton, foi preso e acusado de cumplicidade no assassinato do marido de Mary Stuart, em 1567. Elizabeth obteve de James VI a promessa de que sua vida seria poupada; contudo ele foi executado em 2 de junho de 1581, o que a desgostou profundamente.
Em 1586 Mary Stuart foi implicada no complô de Babington para assassinar Elizabeth I e culpada de traição. Seus conselheiros, sabedores de que Elizabeth estaria sempre em perigo enquanto Mary estivesse viva, executaram-na após Elizabeth ter finalmente consentido em assinar a pena de morte.
Findo o parênteses sobre Mary Stuart, retornamos à “rainha virgem”, como foi conhecida Elisabeth I, posto que nunca casou, para vê-la morrer em 1603, sem marido e sem herdeiro, mas com o país unido como nunca foi possível tê-lo no século anterior, por uma religião comum e por um inimigo comum, a França. Patriotismo e Protestantismo foram duas metades de uma mesma moeda, uma moeda que barrava o título de Henry VIII, “Defensor da Fé”, e continua barrando. Ironicamente, a coroa inglesa passou ao rei protestante James VI da Escócia, filho de Mary Stuart, que tornou-se James I, o primeiro rei Stuart da Inglaterra. A ascensão de James fez com que os reinos separados da Inglaterra, Escócia e Irlanda fossem, pela primeira vez, unidos sob um só monarca.
William Shakespeare
Propositalmente fora da cronologia, para não misturar as profissões, antes de fechar o reinado de Elizabeth I, queremos fazer referência a um escritor que viveu em sua época, provavelmente o escritor mais importante da Inglaterra e um dos mais conhecidos em todo mundo. William Shakespeare nasceu em Stratford Upon Avon, em 1564, apenas seis anos ou menos após a ascensão de Elizabeth ao trono, provavelmente algo em torno de 23 de abril (pois seu batizado foi realizado em 26 de abril), de Mary Arden and John Shakespeare. Sua biografia tem sido uma enorme fonte de controvérsia, pois embora um dos maiores escritores do mundo, o que se conhece dos 28 primeiros anos de sua vida poderia ser escrito nas costas de um selo de correio, embora ele tenha vivido até os 52 anos de idade. Na verdade, apenas os últimos anos de sua vida são suficientemente bem documentados, para alguém da sua classe social e profissão, para comprovar a sua existência.
Apenas após 1592, sua vida em Londres, onde ele morava desde 1589, tornou-se mais clara. Shakespeare foi o dramaturgo da história da Inglaterra, sua estreia acontecendo com uma trilogia sobre as “Guerras das Rosas” e pelo fim de 1592 já havia escrito “Richard III”. Entre 1594 e 1595, ele escrevia suas primeiras obras-primas, “Sonho de uma Noite de Verão” e “Romeu e Julieta”. Várias outras obras importantes se seguiram, como “Henry IV”, “The Twelfth Night”, “King Lear”, “Macbeth”, “Hamlet”, “The Tempest” e muitas outras, entre comédias, tragédias e peças históricas, além de vários poemas.
O registro do enterro atesta a sua morte em 23 de abril de 1616, data do seu nascimento, em sua cidade natal, onde ele se tornara um pilar da comunidade local, tendo sido enterrado na igreja da Holy Trinity (Santa Trindade). O mundo que ele representou com tanta emoção – a velha Inglaterra com seus reis bons e maus, velhos frades e santas mulheres – foi o mundo de sua própria vida, em que ele juntou os conflitos do seu tempo, a revolução cultural da era Elizabethana e pós- Elizabethana. Verdadeira permanece a frase do seu amigo Bem Jonson: “Shakespeare não foi de uma era, mas de todos os tempos”.

Continua na PARTE 9

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

THE TOWER OF LONDON (A TORRE DE LONDRES)

Após a sua coroação na Abadia de Westminster, no dia de Natal de 1066, o novo Rei William, o Conquistador, retirou-se para Barking, Essex, enquanto vários baluartes eram construídos em Londres, como salvaguarda contra a ameaça da imensa e feroz população, ciente de que a sua primeira tarefa era subjugar Londres totalmente. A figura abaixo mostra uma vista aérea da Torre de Londres, às margens do Thames (rioTâmisa) e a Tower Bridge (Ponte da Torre).
Evidências arqueológicas sugerem que um desses baluartes foi construído no canto sudeste das antigas muralhas romanas, local da futura Torre de Londres. Essas defesas anteriores foram substituídas por uma grande torre de pedra, “The White Tower” (a Torre Branca) que proclamava a força e a façanha física do novo monarca Normando.
Não se sabe exatamente quando começou a construção da Torre Branca ou quando foi concluída, mas a primeira parte dos trabalhos de construção estava, certamente, a caminho, na década de 1070, sob a supervisão de Gundulf, o Bispo de Rochester. Pedreiros normandos foram empregados, algumas das pedras da construção foram trazidas da Normandia, mas o trabalho foi realizado por ingleses. A “Anglo-Saxon Chronicle” (Crônica Anglo-Saxã) comenta, em 1097, que ‘muitos condados cujo trabalho era devido a Londres foram duramente pressionados por causa da muralha que seria construída em torno da Torre’. Cerca de 1100 a Torre Branca estava pronta!
Localização da Torre na Londres Central (círculo negro)
Nada com aquilo havia antes sido visto na Inglaterra. O prédio era enorme, um retângulo de 36,0 m por 32,5 m, com uma altura de 27,5 m no lado sul, onde o terreno é mais baixo. A Torre dominava o horizonte por milhas em todas as direções.
A Torre era protegida por muralhas romanas em dois lados, fossos ao norte e oeste, com 7,5 m de largura e 3,4 m de profundidade, além de um aterro encimado por uma paliçada de madeira.
Embora muitos reis e rainhas posteriores tenham ficado na Torre, ela nunca foi construída como a principal residência real, visto que palácios como Westminster, possuíam quartos mais opulentos. Além disso, a Torre não era a primeira linha de defesa contra exércitos invasores, embora pudesse enfrentar tal desafio. A primeira função da Torre era de um baluarte-fortaleza, um papel que permaneceu imutável até o final do século XIX.
Planta moderna da Torre de Londres (orientação norte)
Como uma base de poder em tempo de paz e um refúgio em tempo de crise, as fortificações da Torre foram modernizadas e ampliadas pelos reis medievais. Uma série de campanhas de construção garantiu que, cerca de 1350, a Torre estivesse transformada na formidável fortaleza que vemos hoje.
Tais trabalhos de edificação foram iniciados no reinado de Richard, o Coração de Leão, que partindo às Cruzadas, deixou a Torre nas mãos do seu chanceler William Longchamp, bispo de Ely, que dobrou a fortaleza em tamanho, com novas defesas. Essas alterações vieram a tempo, pois na ausência do rei, seu irmão John usou a oportunidade para desafiar a autoridade do Chanceler, preparando o ataque. Sitiou a Torre e suas novas defesas resistiram até que a falta de abastecimentos obrigou Longchamp a render-se. Como sabemos, ao retornar em 1194, Richard recuperou o controle, John implorou por seu perdão e foi, mais tarde, indicado por Richard como seu sucessor. Como rei, John ficava frequentemente na Torre e foi, provavelmente, o primeiro rei a manter leões e outros animais exóticos lá.
Interior do pátio mais central, com a Torre Branca
Aos nove anos, Henry III, filho de John, assumiu um reino em crise, mas em meses os franceses foram derrotados na Batalha de Lincoln e a atenção primeira voltou-se para o reforço dos castelos reais. Os regentes do rei menino começaram uma extensão importante das acomodações reais na Torre, que incluíram a construção de duas novas torres, na frente que dava para o rio: a Wakefield, como alojamento do rei, e a Lanthorn, provavelmente pretendida para a rainha.
Quando os barões revoltosos obrigaram Henry a refugiar-se na Torre, em 1238, o nervoso rei percebeu a vulnerabilidade das defesas do castelo. No mesmo ano ele envolveu-se na construção de uma maciça muralha aos lados norte, leste e oeste, reforçada por nove novas torres e circundada por um fosso inundado, construído pelo engenheiro flamengo John Le Fossur (o cavador de valas).
Essa pública demonstração do poder real começou a preocupar os londrinos, cuja alegria foi registrada pelo escritor da época, Mathew Paris, quando uma seção de uma muralha recém construída, próximo da torre Beauchamp, ruiu.
Muralha externa da Torre de Londres e a Legges Mount ao centro
Edward I era um líder mais agressivo e confiante, que conseguiu manejar bem os rebeldes do seu país, mas ele estava determinado a completar os trabalhos defensivos que seu pai havia começado na Torre. Entre 1275 e 1285 ele gastou mais de £21.000 (aproximadamente R$76.500,00, hoje) na transformação da Torre, no maior e mais forte castelo concêntrico (um anel de defesa dentro do outro) da Inglaterra. Ele encheu o fosso e criou outra muralha envolvendo a existente, construída por seu pai, e também criou um novo fosso. Apesar de todo esse trabalho e da construção de novos alojamentos reais confortáveis, raramente ele permaneceu na Torre.
Entretanto, o reino de Edward viu a Torre ser utilizada com outros fins além de militar e residencial. Além de ser usada regularmente como prisão, o rei passou a usar a Torre como local seguro para guardar papéis valiosos e preciosidades. Um ramo principal da Casa da Moeda real foi estabelecido, uma instituição que representaria um papel importante na história do castelo, até o século XIX.
Torre de Londres à noite, despontando a Torre Branca
Edward II o filho pouco guerreiro de Edward I, carente de destreza militar e diplomacia, logo colocou em teste a eficiência das novas defesas da Torre. O descontentamento dos barões atingiu um nível comparável ao atingido durante o reinado de seu avô Henry III, e Edward II foi frequentemente forçado a nela buscar refúgio. Ele montou residência na área em torno da presente Torre Lanthorn. Os alojamentos reais anteriores nas torres Wakefield e Saint Thomas passaram a ser usadas por cortesãos e para o guarda-roupa (um departamento que armazenava preciosidades e tratava com abastecimentos reais).
Ao contrário do seu pai, Edward III foi um guerreiro de sucesso e os reis da França e Escócia, capturados, foram mantidos na torre. Ele também realizou trabalhos menos importantes na fortaleza e ampliou o cais.
Em 1399, Richard II, acusado de tirania por seu primo Henry Bolingbroke (Henry IV), foi forçado a renunciar à coroa e mantido prisioneiro na Torre.
Nossa história dos “Reis da Inglaterra” foi interrompida neste ponto, mas a história da Torre continua por reis que ainda serão considerados naquela publicação.
Durante a Guerra das Rosas, a Torre assumiu importância chave e para os vitoriosos tornou-se o local das celebrações.
Henry VI realizou torneios na Torre; Edward IV foi coroado lá, por duas vezes; Henry VII realizou festas de vitória na Torre e entreteve seus apoiadores em grande estilo. Em contrapartida, para os derrotados, a Torre foi o local de assassinatos e execuções que incluíram o próprio Henry VI, em 1471 e o jovem Edward V e seu irmão em 1483.
Capela de Saint John, dentro da Torre Branca
Henry VIII começou a trabalhar nos prédios da residência real, iniciados por seu pai Henry VII, mas em escala muito maior. Ele autorizou a realização de amplos aposentos com estruturas de madeira, principalmente para o conforto e prazer de sua segunda esposa Anne Boleyn, para a sua coroação em 1533. Entretanto, a partir daí, foram raramente usados, cessando o papel da Torre como residência real.
A decisão de Henry VIII de romper com Roma, inflou a população da Torre com prisioneiros religiosos e políticos a partir de 1530, enquanto o país se ajustava ao novo papel do seu rei como chefe supremo da nova Igreja Protestante da Inglaterra. Os prisioneiros incluíram Sir Thomas More, o bispo Fisher of Rochester e duas das esposas de Henry. Os quatro foram executados. Antes de sua morte prematura, Edward VI prosseguiu a política de execuções de seu pai.
Mary I trouxe de volta ao país o catolicismo e seu curto reinado viu muitos rivais e figuras chaves do protestantismo serem aprisionados na Torre. Lady Jane Grey foi executada na Torre sob as ordens da rainha e sua meia-irmã, Elizabeth, futura rainha, foi nela mantida prisioneira.
Elizabeth I manteve a de gula da Torre até o ponto de repleção, com prisioneiros célebres, mas como seu sucessor James I, fez poucos melhoramentos nas defesas da Torre.
O reinado de Charles I anunciou uma longa e sangrenta guerra civil entre o rei e o parlamento. Mais uma vez, a Torre foi um dos mais importantes ativos do rei. Os londrinos temiam que ele a usaria para dominá-los, mas ao final, a Torre foi vencida pelos parlamentaristas, permanecendo em suas mãos pelo resto da guerra civil. A perda da Torre e de Londres foi um golpe fatal às forças do rei e um fator crucial para a sua derrota.
Face sul da Waterloo Barracks (Quartel Waterloo)
Após a execução de Charles I, o Parlamento organizou uma grande venda das posses do rei, através da fundição do ouro e prata das ‘Joias da Coroa’ e venda das joias para o bem da riqueza da Nação. Cromwell, então ‘Lorde Protetor’, instalou a primeira guarnição permanente da Torre, que os futuros monarcas usaram para subjugar problemas na cidade.
Com a restauração da monarquia em 1660, Charles II planejou ambiciosas defesas para a Torre, que nunca foram construídas. O seu uso como prisão declinou e tornou-se o quartel-general do arsenal da Inglaterra; a maior parte do castelo foi tomada por munições e escritórios. As novas ‘Joias da Coroa’ foram expostas e, em 1671, por pouco escaparam de ser roubadas.
O Duque de Wellington foi o guardião da Torre de 1826 á 1852 e sob a sua rígida liderança o fosso, cada vez mais fétido e lodoso, foi drenado e convertido em vala seca. O grande depósito foi destruído pelo fogo em 1841 e o Duque providenciou a limpeza do entulho e iniciou os trabalhos de imensas barracas para acomodar cerca de mil homens. Em junho de 1845 o Duque deitou a pedra de fundação do Waterloo Barracks (Quartel Waterloo) nomeado da Batalha de Waterloo, sua maior vitória.
Mais defesas foram construídas, incluindo um enorme bastião de tijolo e pedra que acabou sucumbindo a uma bomba da Segunda Grande Guerra. Foi também no início do século XIX que muitas das instituições históricas da Torre a deixaram. A Casa da Moeda foi a primeira a sair do Castelo, em 1812, seguida do mini zoo em 1830, que cresceu para dar origem ao Zoo de Londres. O Arsenal deixou a Torre em 1855 e, finalmente, o Arquivo foi relocado em 1858.
Um interesse crescente, na história e arqueologia da Torre, conduziu a um processo de recondução à era medieval, numa tentativa de remover escritórios, despensas, tavernas e quarteis de má aparência, bem como restaurar as fortalezas à sua aparência original.
Na década de 1850, o arquiteto Anthony Salvin, figura de proa na restauração gótica, foi encarregado da restauração da fortaleza para um estilo mais medieval, tornando-a mais agradável ao olho – e à imaginação – Victoriana. Primeiro ele transformou a Torre Beauchamp para torna-la adequada à exposição pública dos grafites dos prisioneiros, refazendo as paredes exteriores e substituindo janelas, caixilhos e ameias. Encomendas adicionais incluíram a restauração da Torre Salgada (completada em 1858) e alterações na Capela Saint John na Torre Branca, em 1864. Salvin restaurou a Torre Wakewfield de forma a poder abrigar as ‘Joias da Coroa’, que lá permaneceram até 1967, construindo também a ponte que a ligou à Torre Saint Thomas, para que o ‘Guarda da Casa das Joias’ pudesse morar lá.
Torre Branca (século XI), peça central da Torre de Londres
Na busca do perfeito castelo medieval, seu sucessor, John Taylor, controversamente destruiu importantes prédios originais para criar uma vista desimpedida da Torre Branca e para construir uma nova muralha sul interna ao lado do velho palácio medieval.
O número de visitantes cresceu dramaticamente no século XIX. Turistas privilegiados, que pagavam por um passeio com guia, desde 1590, ou apenas gente comum que deseja passar um dia na Torre, pode visita-la. Em 1838, três das velhas gaiolas de animais do mini zoo foram usadas para fazer uma bilheteria na entrada leste, onde os visitantes podiam comprar refrescos e um guia da Torre. Ao final do reinado da rainha Victória, em 1901, mais de meio milhão de pessoas visitavam a Torre em cada ano.
A partir do século XVIII, praticamente, só foram realizados trabalhos de manutenção na Torre; grandes esforços foram despendidos para evitar o assoreamento do fosso, com pouco sucesso. Apenas um portão de acesso e uma ponte levadiça foram construídos na extremidade leste da muralha externa sul, em 1774, dando acesso do pátio externo para o cais
Na Primeira Grande Guerra, entre 1914 e 1916 vários espiões foram presos e posteriormente executados na Torre de Londres. A última execução na Torre foi a do espião nazista Josef Jakobs, em 1941, preso quando saltava de paraquedas para penetrar território inglês, munido de libras e documentos falsos. No mesmo ano, Rudolf Hess, o vice de Hitler, esteve preso na Torre por curto período de tempo, após saltar de paraquedas na Escócia, numa tentativa de obter um tratado de paz. Durante a Segunda Grande Guerra os danos de bombardeios foram consideráveis e várias instalações foram destruídas, inclusive o Bastião Norte, do meio do século XIX, diretamente atingido em outubro de 1940. Durante esse período o fosso foi usado para cultura de vegetais e distribuição de alimentos; as Joias da Coroa haviam então sido transferidas para um local seguro.
Um 'Yeoman Warder' no seu uniforme diário
Hoje a Torre é uma das maiores atrações turísticas do mundo e um “Local de Herança Mundial”, atraindo mais de dois milhões de visitantes de todo o mundo. Uma equipe de conservadores de prédios mantêm a estrutura da Torre. Entre 2008 e 2011, eles desenvolveram obras importantes na Torre Branca, limpando o exterior e removendo a poluição que estragava o prédio.
Os antigamente tão famosos “Vigias do Rei” (The Yeomen Warders), guardas cerimoniais da Torre de Londres, responsáveis pela guarda dos prisioneiros e salvaguarda das “Joias da Coroa”, atuam hoje, na prática, como guias turísticos e são uma atração turística a parte, sendo comum e popularmente conhecidos como “Beefeaters” (Comedores de Carne). Quando na Inglaterra, em 1972-1973, realizando estágio técnico na minha área de especialização, fiquei muito curioso sobre tal designação e fui buscar uma explicação para ela. Na verdade, o nome “Beefeater” é de origem incerta, com várias propostas. A mais provável proposta vem do direito que possuíam “The Yeomen of the Guards” de comer tanta carne quanto quisessem, da mesa do rei. Conde Cosimo, Grande Duque da Toscana, frequentou a corte em 1699 e ao referir-se aos “The Yeomen of the Guards”, ele disse: “Uma enorme ração de carne é diariamente dada a eles na corte ... de forma que eles podem ser chamados beef-eaters.”
Após tantos anos de existência e ter assistido a tantas aventuras e desventuras, hoje a Torre de Londres apresenta a fascinação de séculos passados, com a história turbulenta, e algumas vezes chocante, da Inglaterra e de seus Monarcas.