Homenagem ao lendário herói ancestral dos ingleses que deu título a um dos considerados "Cem Maiores Livros do Mundo" e tido como o mais antigo escrito em "Old English".

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domingo, 26 de fevereiro de 2017

A REFORMA E OS REFORMADORES - PARTE 6

VI.4 – ITÁLIA E ESPANHA

Embora tenham surgido apoiadores isolados da Reforma nesses países, nenhuma organização forte ou ampla surgiu. Aqui e ali, na Itália, indivíduos influentes (por exemplo Vittoria Colonna e seu círculo) favoreceram a Reforma, mas desejando que esta ocorresse dentro e não como uma rebelião contra a Igreja. Poucos italianos abraçaram o luteranismo ou calvinismo, por exemplo, John Valdez, secretário do vice-rei de Nápoles. Nas cidades de Turim, Pavia, Veneza, Ferrara (onde a duquesa Renata favoreceu a Reforma) e Florença podiam ser encontrados adeptos dos reformadores Alemão e Suíço, embora não tão extremados quanto seus protótipos. Os mais proeminentes tiveram que deixar o país: Pietro Paolo Vergerio, que fugiu para a Suíça e então para Wittenberg, Bernardino Ochino, que fugiu para Genebra e foi mais tarde professor em Oxford, Petrus Martyr Vermigli, que fugiu para Zurique e foi posteriormente ativo em Oxford, Strasburg e novamente em Zurique. Pela vigorosa inauguração da verdadeira reforma eclesiástica no espírito do Concílio de Trento, através da atividade de numerosos santos homens (São Charles Borromeo e Felipe Neri), através da vigilância dos bispos e a diligência da Inquisição, a Reforma foi excluída da Itália. Em alguns círculos racionalistas e antitrinitarianas, as tendências se revelaram e a Itália foi o berço de dois heresiarcas, Laelius Socinus e seu sobrinho Faustus Socinus, fundadores do Socinianismo. 
Miguel Revet, denunciado por Calvino e morto
na fogueira, "não por autoridade do homem,
mas pela Glória de Deus"
O curso dos eventos foi o mesmo na Espanha. A despeito de algumas tentativas de disseminação de artigos antieclesiásticos no país, a Reforma não teve sucesso, graças ao zelo demonstrado pelas autoridades eclesiásticas e públicas no contra-ataque aos seus esforços. Os poucos espanhóis que aceitaram as novas doutrinas não puderam desenvolver qualquer atividade no país e viveram no exterior – Francisco Enzinas (Dryander), que fez uma tradução da Bíblia para o espanhol, Juan Diaz, Miguel Servet (Servetus), condenado à fogueira por Calvino, em Genebra, por sua doutrina contra a Trindade.

VI.5 – HUNGRIA E TRANSILVÂNIA (CENTRO OCIDENTE DA ROMÊNIA)

A Reforma foi difundida na Hungria por quem havia estudado em Wittenberg e lá abraçado o luteranismo. Em 1525, leis estritas foram passadas contra os adeptos das doutrinas heréticas, mas seu número continuou a crescer, principalmente entre a nobreza - que desejava confiscar a propriedade eclesiástica -, e nas cidades livres do reino. As vitórias e conquistas turcas e a guerra entre Ferdinando da Áustria e John Zapolya favoreceram os reformadores. Além dos luteranos, logo surgiram seguidores de Zwingli e Calvino no país. Cinco cidades luteranas na Hungria Superior aceitaram a Confissão de Augsburg. O calvinismo, contudo, gradualmente sobrepujou as demais crenças, embora as disputas domésticas entre as seitas reformadoras não tivessem cessado. Na Transilvânia mercadores do Hermannstadt que haviam tido contato com a heresia de Lutero em Leipzig, espalharam a Reforma após 1521. Apesar da perseguição dos reformadores, uma escola luterana iniciou em Hermannstadt e a nobreza empenhou-se no uso da Reforma como meio de confiscar a propriedade do Clero. Em 1529 as ordens regulares e os mais fortes campeões da Igreja foram expulsos da cidade. Em Kronstadt o pregador luterano Johann Honter ganhou a ascendência em 1534, com a abolição da missa e a organização do serviço divino segundo o modelo luterano. Em um sínodo que aconteceu em 1544, a nação saxônica na Transilvânia decidiu em favor da Confissão de Augsburg, enquanto os magiares rurais aceitavam o calvinismo. Na Dieta de Klausenburg, em 1556, a liberdade religiosa geral foi garantida e a propriedade eclesiástica confiscada para a defesa do país e a construção de escolas luteranas. Entre os apoiadores da Reforma, acorreram divisões adicionais. Além dos luteranos, surgiram os unitarianos (socinianos) e os anabatistas e cada uma dessas seitas provocou guerra contra as demais. Uma minoria católica sobreviveu entre os Wallaquianos gregos (a Wallachia é uma região histórica e geográfica da Romênia).

VI.6 – POLÔNIA, LIVÔNIA E CURLÂNDIA[1]

Os poloneses aprenderam sobre a Reforma por alguns jovens estudantes de Wittenberg e pelas Confrarias Bohemia e Moraviana[2]. O Arcebispo Laski de Gnesen e o rei Sigismundo I (1501 – 1548) se opuseram energicamente à difusão das doutrinas heréticas. Contudo, os apoiadores da Reforma tiveram sucesso em obter recrutas na Universidade da Cracóvia, em Posen e em Dantzig, de onde ela se espalhou para Thorn e Elbing onde alguns nobres favoreceram as novas doutrinas. Sob o governo do fraco Sigismundo II (1548 – 1572) havia na Polônia, além dos luteranos e da Confraria Bohemia, zwinglianos, calvinistas e socinianos. O Príncipe Radziwill e John Laski favoreceram o calvinismo e a Bíblia foi traduzida para o polonês, de acordo com o seu partido, em 1563. A despeito dos esforços do núncio papal, Aloisius Lippomano (1556 – 1558), a livre prática da religião foi secretamente garantida nas três cidades acima mencionadas e a nobreza pôde ter serviços religiosos privados em suas casas. As diversas seitas reformadas lutavam entre si e a fórmula de fé, introduzida no Sínodo Geral de Sandomir, em 1570, pelos reformados, luteranos e a Confraria Bohemia, não produzia qualquer unidade. Em 1573, os partidos heréticos asseguraram a paz religiosa de Varsóvia que garantia direitos iguais a católicos e dissidentes, estabelecendo a paz permanente entra as duas seções. Pela zelosa inauguração da verdadeira reforma eclesiástica, a diligente atividade dos legados papais e bispos capacitados, além dos trabalhos Jesuítas, se conseguiu evitar progressos adicionais da Reforma.
Na Livônia e na Curlândia, territórios da Ordem Teutônica, o curso da Reforma era o mesmo que na Prússia, outro território da Ordem. O comandante Gotthard Kettler, da Curlândia, abraçou a Confissão de Augsburg e transformou a terra em ducado secular hereditário, tributário da Polônia. Na Livônia, o comandante Walter de Plettenberg empenhou-se em promover o Luteranismo, que havia sido aceito em Riga, Dorpat e Reval desde 1523, esperando assim tornar-se independente do Arcebispo de Riga. Quando Margrave William de Brandenburg tornou-se Arcebispo de Riga em 1539, o Luteranismo obteve o domínio exclusivo na Livônia.

VI.7 – PAÍSES BAIXOS (Netherlands)
Carlos V, Sacro Imperador Romano Germânico,
Rei da Espanha e Senhor dos Países Baixos

Durante o reinado de Carlos V, as dezessete províncias dos Países Baixos permaneceram imunes à infecção da nova doutrina. Vários seguidores de Lutero haviam aparecido lá dispostos a disseminar os escritos e doutrinas de Lutero. Carlos V, contudo, emitiu decretos rígidos contra os luteranos e a impressão e difusão das ideias do reformador. Os excessos dos anabatistas produziram a violenta supressão do seu movimento e até 1555 a Reforma produziu poucas raízes no país. Neste ano, Carlos V transferiu o governo a seu filho Felipe II e em seu período o calvinismo fez rápidos avanços, especialmente nas províncias do norte. Muitos dos seus grandes nobres e muito da baixa nobreza empobrecida usou a Reforma para incitar os amantes da liberdade contra a administração real, os oficiais e tropas espanholas e a severidade do governo. A desavença continuou a crescer, principalmente devido às severas práticas do Duque de Alba e à sangrenta perseguição que conduziu. Guilherme de Orange-Nassau, governador da província da Holanda, por razões políticas assegurou a vitória do Calvinismo e obteve sucesso em vários distritos do norte. Colocou-se à liderança da revolução contra o domínio espanhol e nas guerras que se seguiram as províncias do norte fizeram a sua independência, a partir da qual o calvinismo ganhou ascendência. Em 1581 foi proibida qualquer atividade pública da fé católica. A “Confissão Belga” de 1562 já possuía uma base calvinista; pelos sínodos de Dordrecht, em 1574 e 1618, o calvinismo recebeu uma forma definitiva. Os católicos do país (cerca de dois quintos da população) foram sujeitados a violenta supressão.

VI.8 – INGLATERRA E ESCÓCIA
Elizabeth I, Rainha de Inglaterra e Irlanda
filha de Henry VIII e Anne Boleyn

A Reforma recebeu sua forma final na Inglaterra durante o reinado da rainha Elizabeth (1558–1603). Na base da liturgia estabelecida no “Livro da Oração Comum”, sob Edward VI (1547-1553) e da “Confissão de Quarenta e Dois Artigos” compostos pelo arcebispo Cranmer e o bispo Ridley, em 1552, e depois que a rainha Mary I (1553-1558), filha de Henry VIII com sua primeira esposa, falhou em reunir seu país com Roma e a fé católica, a ascendência do Anglicanismo foi estabelecida na Inglaterra por Elizabeth (filha de Henry VIII e sua segunda esposa). Os Quarenta e Dois Artigos foram revisados para os Trinta e Nove Artigos da Igreja Anglicana, tornando-se, em 1562, a norma do seu credo religioso. A supremacia eclesiástica da rainha foi reconhecida e o “Juramento da Supremacia” tornou-se exigência sob pena de remoção de cargo e perda de propriedade. Vários prelados e universidades ofereceram resistência que foi vencida pela força. A maioria do baixo clero fez o juramento exigido com sempre crescente severidade por todos os membros da Casa dos Comuns, eclesiásticos, advogados e professores. Nas aparências, muito da antiga forma católica fora retida. Após o fracasso do movimento em favor de Mary Stuart da Escócia, que fugira para a Inglaterra em 1568, a opressão dos católicos ingleses continuou com crescente violência. Além da Igreja Anglicana Estabelecida, havia na Inglaterra os não conformistas calvinistas que opuseram uma organização presbiteriana popular à hierarquia episcopal; como os católicos, e foram muito oprimidos pelos governantes ingleses.
Na Escócia, a situação social e política deu um grande ímpeto à Reforma, ajudada pela ignorância e rudeza do clero (em grande parte o resultado das constantes rixas). A nobreza usou a Reforma como arma em sua guerra contra a casa real, então apoiada pelo alto clero. Já sob James V (1524-1542), os apoiadores das doutrinas luteranas (Patrick Hamilton, Henry Forest e Alexander Seton, confessor do rei) avançaram como reformadores. Os dois primeiros foram executados e o último fugiu para o Continente. Contudo, as doutrinas heréticas continuaram a encontrar novos adeptos. À morte de James V, sua filha e herdeira Mary tinha apenas seis dias de idade e a regência coube a James Hamilton que, embora previamente de sentimentos protestantes, retornou à Igreja Católica e apoiou o arcebispo David Beaton em suas enérgicas medidas contra os inovadores. Após a execução do reformador George Wishart, os protestantes formaram uma conspiração contra o arcebispo, atacando-o em seu castelo e executando-o em 1545. Os rebeldes (entre eles John Knox), apoiados por 140 nobres, fortificaram-se no castelo. Knox foi para Genebra em 1546 lá abraçando o calvinismo; a partir de 1555 foi o líder da Reforma na Escócia onde venceu a ascendência na forma do calvinismo. A confusão política prevalente na Escócia a partir da morte de James V, facilitou a introdução da Reforma.

VII – DIFERENTES FACÇÕES DA REFORMA

As principais formas da Reforma foram o Luteranismo, Zwinglianismo, Calvinismo e o Anglicanismo. Em cada um desses ramos, entretanto, conflitos surgiram em consequência das diversas visões dos representantes individuais. Negociações, compromissos e fórmulas de união foram buscadas, usualmente sem sucesso duradouro, para estabelecer a unidade. Toda a Reforma, repousando em autoridade humana, apresentou, desde o seu início, frente à unidade de fá católica, um aspecto de triste dissensão. Além desses ramos principais, surgiram inúmeras outras formas que deles se desviavam em pontos essenciais e que, gradualmente, deram origem a incontáveis divisões do Protestantismo. As principais dessas formas serão revistas brevemente.
Os Anabatistas, que surgiram na Alemanha e na Suíça Alemã logo após o aparecimento de Lutero e Zwingli, desejavam levar sua concepção de Igreja de volta aos tempos apostólicos. Eles negavam a validade do batismo das crianças, viam na sagrada eucaristia somente uma cerimônia comemorativa e desejavam restaurar o Reino de Deus de acordo com sua visão herética e mística. Embora atacados por outros reformadores, eles fizeram adeptos em muitos lugares. Deles também saíram os Mennonitas, fundado por Menno Simonis.
Os Schwenkfeldianos foram fundados por Kaspar Schwenkfeld, conselheiro palaciano do duque Frederick de Liegnitz - Duque de Chojnów and Strzelin a partir de 1453, de Oława e Legnica a partir de 1454, de Brzeg a partir de 1481 e de Lubin, a partir de 1482 (todas cidades do sul e sudoeste da Polônia) - e cônegos. Inicialmente ele associou-se com Lutero, mas depois de 1525 a ele se opôs em sua Cristologia, bem como em sua concepção da Eucaristia e sua doutrina de justificação. Atacados pelos reformadores alemães, seus seguidores puderam formar apenas poucas comunidades. Até hoje os Schwenkfeldianos ainda se mantêm nos Estados Unidos.
Sebastian Franck (1499-1542), um espiritualista puro, rejeitou toda a forma externa de organização eclesiástica, favorecendo uma Igreja espiritual e invisível. Assim, se absteve de fundar uma comunidade separada e apenas procurou disseminar suas ideias.
Os Socinianos e outros Antitrinitarianos. Alguns membros individuais dos primeiros reformadores atacaram a doutrina fundamental da Sagrada Trindade, especialmente o espanhol Miguel Servet (Servetus), cujo escrito “De Trinitatis Erroribus”, impresso em 1531, foi queimado por Calvino, em Genebra, 1533. Os principais fundadores do Antitrinitarismo foram Laelius Socinus, professor de jurisprudência em Siena e seu sobrinho Faustus Socinus. Obrigados a fugir de suas casas, mantiveram-se em vários lugares e fundaram comunidades Socinianas. Faustus disseminou sua doutrina especialmente na Polônia e Transilvânia.
Valentine Weigel (1533-1588) e Jacob Böhme (falecido em 1642), um sapateiro de Gorlitz (cidade do extremo leste alemão), representaram um panteísmo místico, ensinando que a revelação externa de Deus na Bíblia poderia ser reconhecida somente através de uma luz interna. Ambos tiveram numerosos discípulos. Os seguidores de Böhme receberam, mais tarde, o nome de Roza Cruzes porque foi amplamente suposto que estavam sob a direção de um líder escondido chamado Rozenkreuz.
Os Pietistas, na Alemanha, tiveram por líder Philip Jacob Spener (1635-1705). O Pietismo foi inicialmente uma reação contra a estéril ortodoxia luterana e via a religião principalmente como algo do coração.
As Comunidades Inspiração se originaram na Alemanha durante os séculos XVII e XVIII com vários visionários apocalípticos. Eles viam o reino do Espírito Santo como já chegado acreditando no presente universal da profecia e no milênio. Entre os fundadores de tais sociedades visionárias estavam Johann Wilhelm Petersen (falecido em 1727), superintendente em Luneberg, e Johann Konrad Duppel (nascido em 1734), um médico de Leiden.
Os Herrnhuter foram fundados pelo Conde Nicholas de Zinzendorf (1700-1760). No Hutberg, Alemanha, ele estabeleceu a comunidade de Herrnhut, com uma constituição especial formada de Irmãos Moravianos e Protestantes. A ênfase foi posta na doutrina da Redenção e foi inculcada uma estrita disciplina moral. Tal comunidade se espalhou para vários locais.
Os Quakers foram fundados por John George Fox de Drayton (1624-1691), em Leicestershire, região central da Inglaterra. Ele favoreceu um espiritualismo visionário e encontrou na alma de cada homem uma parte da inteligência divina. Segundo ele, todos podem orar de acordo com a forma como o espírito os incitam. Os preceitos morais de tal seita eram muito estritos. Muitos Quakers, perseguidos na Inglaterra, emigraram para os Estados Unidos onde formaram uma enorme comunidade
Os Metodistas foram fundados por John Wesley. Em 1729 ele instituiu, com seu irmão Charles e seus amigos Morgan e Kirkham, uma associação, em Oxford, Inglaterra, para o cultivo de uma vida religiosa e ascética, dessa sociedade desenvolvendo-se o Metodismo.
Os Batistas se originaram na Inglaterra, em 1608. Mantinham que o batismo era necessário apenas para os adultos, apoiavam o calvinismo em suas essências e observavam o dia de descanso no sábado ao invés de domingo.
Os Swedenborgianos, tiraram seu nome do seu fundador, Emmanuel Swedenborg (falecido em 1772) filho de um bispo protestante sueco. Acreditando em seu poder de comunicação com o mundo espírita e no recebimento de revelações divinas, fundou uma comunidade com liturgia especial, a “Nova Jerusalém”. Teve numerosos seguidores que se espalharam por muitos lugares.
Os Irvingitas tomaram o nome do seu fundador Edward Irving, um nativo da Escócia e, desde 1822, pregador numa capela presbiteriana em Londres.
Os Mormons foram fundados por Joseph Smith, nos Estados Unidos, que fez sua aparição, com supostas revelações, em 1822 (também conhecida como Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias). Muito fortes, ainda hoje, principalmente no Estado de Utah.
Adventismo é um ramo do Protestantismo com origem no renascimento americano protestante do século XIX, conhecido como “O Segundo Grande Despertar”. O nome se refere à crença na iminente segunda vinda (ou segundo advento) de Jesus Cristo. William Miller iniciou o movimento adventista na década de 1830 e seus seguidores tornaram-se conhecidos como “Milleritas”.
Além destas ramificações mais bem conhecidas da Reforma, há muitas outras denominações, diferentes resultados da evolução de novas formas surgidas e que surgirão, devido à arbitrariedade subjetiva transformada em princípio pelo ensinamento herético do século XVI. (CONTINUA NA PARTE 7)

[1] A Curlândia é uma das regiões culturais e históricas da Latvia, país da região báltica do norte da Europa, um dos três estados bálticos. Situada no oeste da Latvia, a Curlândia corresponde, grosseiramente, aos distritos latvianos de Kuldiga, Liepaja, Saldus, Talsi, Tukums e Ventspils.
[2] "Confraria Bohemia" e "Confraria Moraviana" são as designações populares da Fraternidade Unitas, fundada na Bohemia em 1457, renovada pelo Conde Zinzendorf em 1722 e ainda ativa até hoje.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

HISTÓRIA DOS REIS DA INGLATERRA A PARTIR DE 1066 (PARTE 13 - ÚLTIMA)

GEORGE V – (1910-1936)
George V

George V nasceu em 3 de junho de 1865, Segundo filho de Edward VII e Alexandra. Sua educação básica foi algo insignificante se comparada à do herdeiro legítimo, seu irmão mais velho Albert. George escolheu a carreira de oficial da marinha, que serviu com competência até a morte de Albert, em 1892, com a qual assumiu o papel de herdeiro legítimo. Casou-se com Mary de Teck em 1893, que lhe deu quatro filhos e uma filha.
George subiu ao trono no meio da controvérsia do orçamento de 1910. Tories, na Casa dos Lordes, estavam em desacordo com os Liberais, na Casa dos Comuns, pressionando por reformas sociais. Quando George concordou em criar pares suficientes para aprovar a medida, os Lordes capitularam e desistiram do poder de veto absoluto, oficialmente resolvendo o problema com a aprovação da Lei do Parlamento, em 1911.
A criação da Royal Flying Corps (RFC), em abril de 1912, refletiu o reconhecimento britânico da crescente importância da aviação militar. Em 1918, a RFC foi unida à Royal Naval Air Service para formar a Royal Air Force (RAF).
Nessa época, o transatlântico ‘Titanic’, da White Star, era o maior navio no mundo, à época do seu lançamento. Seus construtores e proprietários clamavam que nada afundaria o navio, mas em sua viagem inaugural, de Southampton para New York, ele colidiu com um iceberg, afundando em horas, com perda de 1.503 vidas.
Em junho de 1914, o herdeiro do trono Austro-Húngaro, Arquiduque Franz Ferdinand, foi assassinado por Gavrilo Princip, um terrorista bosnio-servo, em Sarajevo. O governo Austro-Húngaro culpou a Servia, usando o assassinato como pretexto para a guerra. Para a maioria dos bretões, este foi um evento remoto e insignificante, mas o conflito cresceu fortemente, arrastando as “Grandes Potências” e resultando na explosão da Primeira Guerra Mundial.
Em agosto de 1914, a Rússia, aliada da Servia mobilizou seu exército. A Alemanha, aliada do império Austro-Húngaro, declarou Guerra à Rússia. Mas a aliança da França com a Rússia ameaçou a Alemanha em duas frentes e ela agiu rapidamente, invadindo a neutra Bélgica. A Bretanha, garantidora da neutralidade belga, exigiu o recuo da Alemanha, que expirou em 4 de agosto, com a sua imediata declaração de guerra. Durante a guerra, George e Mary fizeram várias visitas ao fronte e numa delas o cavalo de George rolou sobre ele, fraturando-lhe o pélvis e deixando-o com fortes dores para o resto da sua vida.
Buscando a rendição da Inglaterra, em fevereiro de 1916 os alemães declaram guerra irrestrita, por seus submarinos, a navios mercantes de todas as nacionalidades; falharam em seus objetivos e apressaram a entrada dos EUA na guerra, em abril de 1917. Nessa mesma época, sentimentos antialemães fizeram George adotar o nome de família "Windsor" (do castelo de mesmo nome), criando a famosa Casa de Windsor, que reina até hoje na figura de Elizabeth II.
Em fevereiro de 1917, o Czar Nicholas II da Rússia foi forçado a abdicar após sérios reveses na guerra contra a Alemanha. Um governo provisório, de liberais e moderados, foi estabelecido, mas também falhou no campo de batalha e foi derrubado por um golpe cuidadosamente planejado pelos bolchevistas, que prometeram ‘paz pão e terras’ ao povo russo esgotado pela guerra. Em novembro do mesmo ano, inspirado pelos escritos de Karl Marx, os bolchevistas estabeleceram um governo baseado no 'soviet' (conselho de governo), afastando-se da Guerra em março de 1918, em termos humilhantes, pelo tratado de Brest-Litovsk, com Alemanha, Império Austro-Húngaro e Império Otomano. Na busca, a qualquer preço, da paz prometida pelo líder bolchevista Vladimir Lenin, a Rússia perdeu enormes faixas de território, com um terço da sua população, 50% da sua indústria e 90% de suas minas de carvão. A oposição ao Tratado ajudou a incendiar a Guerra civil russa, que durou até 1922.
Em 11 de novembro de 1918, sob termos muito onerosos, finalmente a Alemanha capitulou, assim encerrando-se a Primeira Grande Guerra com a vitória da Inglaterra e seus aliados.
A relação entre a Inglaterra e o resto do Império sofreu várias alterações. Em 1918, após o levante de Sinn Féin(1) , em 1916, foi estabelecido um Parlamento irlandês independente e o Ato do Governo da Irlanda, de 1920, dividiu a Irlanda ao longo de linhas religiosas. Em abril de 1925, em seu primeiro orçamento como Ministro das Finanças, Winston Churchill reconduziu a Bretanha ao seu sistema monetário pré 1914, pelo qual a moeda inglesa era fixada a um preço que refletia as reservas em ouro do país. O ato resultou em deflação maciça e supervalorização da Libra. Em outubro de 1926, a Imperial Conference, em Londres, reconheceu legalmente que os domínios do Canadá, Austrália, Nova Zelândia e África do Sul, eram autônomos e iguais em status, uma decisão mais tarde confirmada pelo Estatuto de Westminster, de 1931, que criou o British Commonwealth of Nations (Comunidade das Nações Britânicas).
Em 1922, um grupo de fabricantes de rádios, incluindo o pioneiro Guglielmo Marconi, estabeleceram a British Broadcasting Company. Em 1927 a companhia obteve uma carta patente, tornando-se a British Broadcasting Corporation (BBC), presidida por John Reith, com a missão de melhorar a Bretanha através da radiodifusão, instruindo a corporação com a famosa frase 'informar, educar e entreter'.
A Quinta Lei da Reforma de maio de 1928, proposta pelo governo Conservador, alterou a Representação da "Lei do Povo" de 1918, que havia concedido emancipação às mulheres com mais de 30 anos, com propriedade. A nova lei deu a todas as mulheres os mesmos direitos dos homens: voto a todas maiores de 21 anos.
Enquanto trabalhava no St Mary's Hospital, em Paddington, Londres, Alexander Fleming percebeu que o mofo que crescia num prato, impediu o desenvolvimento da bactérias. Howard Florey e Ernst Chain desenvolveram a penicilina posteriormente de forma que pudesse ser usada como remédio, mas apenas com a Segunda Guerra Mundial ela começou a ser produzida em massa.
A depressão mundial de 1929 a 1931 afetou profundamente a Inglaterra, levando o rei a persuadir os líderes dos partidos Conservador, Liberal e Trabalhista, a se unirem numa coalizão governamental. Ao final da década de 1920, George e os Windsors eram uma das poucas famílias reais que mantinham seu status na Europa. Em 1935, a Índia recebeu alguma autodeterminação através da Lei da Índia.
A natureza da monarquia evoluiu pela influência de George. Em contraste com à sua avó Victoria e seu pai Edward VII, a perspectiva real de George foi bem mais humilde. Ele esforçou-se em personificar as qualidades que a nação via como suas forças maiores: atividade, dignidade e dever. A monarquia passou de uma instituição de legalidade constitucional a baluarte dos valores e costumes tradicionais, particularmente os relativos à família.
George morreu após seu Jubileu de Prata (25 anos de reinado), após uma série de ataques de bronquite, em 20 de janeiro de 1936, sendo substituído por seu filho Edward.

EDWARD VIII – (1936)
Edward VIII, o rei que abdicou

Edward VIII, filho mais velho de George V e Mary de Teck, nasceu em 23 de junho de 1894. Casou-se com uma americana divorciada, Wallis Simpson, após abdicar ao trono, após escassos onze meses de reinado. O casal não teve filhos.
Rumores relativos à ligação entre Edward e Mrs. Simpson circulavam antes da morte de George V. A situação chegou à beira de uma crise constitucional com a sua ascensão: a Igreja da Inglaterra (a mesma de Henry VIII), da qual era o líder, censurava o divórcio, o Parlamento recusou qualquer título a Wallis, o povo opôs-se a ter uma mulher duas vezes divorciada como consorte do rei e a lei inglesa não possuía precedente para uma esposa de rei sem título ou capacidade oficial. O Primeiro Ministro Stanley Baldwin avisou-lhe que o povo britânico não a aceitaria. Se Edward insistisse na questão, a monarquia constitucional seria irrevogavelmente ferida. Na iminência de perder a mulher que amava, Edward preferiu abdicar, transmitindo sua decisão à nação em 11 de dezembro de 1936. Casou-se com Wallace Simpson, na França, em junho de 1937, tornando-se Duque e Duquesa de Windsor. Baldwin recebeu o crédito de ter evitado uma crise constitucional que poderia ter acabado com a monarquia.
Edward era imensamente popular quando assumiu o trono; sua viúva, a duquesa de Windsor lamentou sua abdicação após a sua morte, em 1972: “Ele teria sido um grande rei; o povo o amava!”

GEORGE VI – (1936 – 1952)
George VI, do Reino Unido

O irmão mais novo de Edward VIII, o Duque de York, foi coroado George VI. Nascido em 14 de Dezembro de 1895, George era o Segundo filho de George V e Mary de Teck. Era um jovem tímido e modesto que muito admirava seu irmão Edward, Príncipe de Gales. Da infância aos trinta anos, George muito sofreu pela gagueira em seus discursos, o que exacerbava sua timidez; Lionel Logue, um fonoaudiólogo australiano, teve um papel fundamental na ajuda a George para vencer a gagueira.
George casou-se com Elizabeth Bowes-Lyon em 1923, que lhe deu duas filhas, Elizabeth e Margaret. Ele e sua esposa, rainha Elizabeth (posteriormente a rainha mãe), tornaram-se figuras inspiradoras para a Bretanha, durante a segunda guerra mundial. O monarca visitou seus exércitos em diversas frentes de batalha e fundou a Cruz de George para ‘atos de grande heroísmo ou da mais notável coragem em circunstâncias de extremo perigo’.
Em 1o de setembro as forças alemãs invadiram a Polônia. O Primeiro Ministro Neville Chamberlain ainda evitou declarar Guerra à Alemanha, mas uma ameaçadora revolta no gabinete e um forte sentimento público de que Hitler tinha que ser confrontado, forçaram-no a honrar o tratado anglo-polonês. Após vários anos de políticas de apaziguamento, a Grã Bretanha e a França declararam guerra à Alemanha em 3 de setembro de 1939, pela segunda vez em 25 anos.
George, seguindo os passos de seu pai, visitou as tropas, fábricas de munições, docas de abastecimento e áreas atingidas por bombas, em apoio aos esforços de guerra. Embora os bombardeios nazistas a Londres, a família real permaneceu no Palácio de Buckingham. George chegou ao ponto de praticar tiro ao alvo com seu revolver, jurando defender o Palácio até a morte, o que nunca foi necessário. Todas essas ações, durante os anos de Guerra, muito somaram ao prestígio da monarquia.
No início de maio de 1940, o Primeiro Ministro Neville Chamberlain havia perdido a confiança na Casa dos Comuns. Os ministros trabalhistas recusaram servir numa coalizão nacional tendo Chamberlain como líder e ele resignou. Churchill tornou-se o Primeiro Ministro de coalizão em 10 de maio, mesmo dia em que a Alemanha invadiu a Holanda e a Bélgica.
Sir Winston Churchill,
Primeiro Ministro da Guerra
Em 26 de maio de 1940, 338.000 soldados ingleses e franceses foram evacuados na épica retirada de Dunkirk, de que participaram destroieres e centenas de pequenas embarcações voluntárias. Em 25 de junho de 1940 a França capitulou.
Os EUA entraram na Guerra com os aliados, em dezembro de 1941, após o ataque japonês a Pearl Harbor e a subsequente declaração de guerra alemã aos Estados Unidos. Milhões de homens e milhares de aviões foram despachados para a Bretanha, que tornou-se a base para pilotos americanos bombardearem a Europa, uma plataforma para tropas americanas lutarem no norte da África e, crucialmente, o ponto de lançamento para as invasões do “Dia D”, início da libertação da Europa Ocidental.
Em 6 de junho de 1944, as forças aliadas invadiram a Normandia no “Dia D”, no maior ataque anfíbio da história, com 150.000 homens nas praias da Normandia no primeiro dia, numa ação combinada de centenas de navios e total superioridade aérea. Ao final do “Dia D”, cinco cabeças de praia haviam sido tomadas e os aliados finalmente tinham um pé na França.
Hitler suicidou-se em 30 de abril de 1945, quando as forças soviéticas de aproximavam do “bunker” de Berlim, e o grande almirante alemão, Karl Dönitz, rendia-se ao general aliado Dwight Eisenhower em 7 de maio do mesmo ano. No dia seguinte a Bretanha celebrou o fim da guerra com o dia da vitória na Europa. Em 15 de agosto de 1945, o dia da vitória sobre o Japão marca o fim da Segunda Guerra Mundial.
Na Conferência de Yalta, início de 1945, os “Três Grandes”, Winston Churchill, da Bretanha, Presidente Franklin D. Roosevelt dos EUA e o líder soviético Joseph Stalin, concordaram em estabelecer uma nova organização global – as Nações Unidas (ONU), oficialmente entrando em atividade em 24 de outubro, com a Bretanha como um dos cinco membros do seu “Conselho de Segurança”, com poder de veto.
Em 23 de outubro de 1951 o governo trabalhista caiu, com os conservadores obtendo uma clara maioria. Singularmente, Winston Churchill tornou-se Primeiro Ministro novamente com a idade de 76 anos, focando seu governo nas relações exteriores, incluindo a redução da escalada das tensões da Guerra Fria e mantendo um especial relacionamento com os EUA.
George, desde o início de 1941, predissera as privações do fim da Segunda Guerra Mundial. De 1945 a 1950, a Grã Bretanha passou por marcadas transições. O Banco da Inglaterra, bem como muitas facetas da indústria, transporte, produção de energia e saúde, passaram a ter algum grau de propriedade pública. As dores do parto do estatismo e a mudança do Império para uma Comunidade multirracial, perturbaram o nervoso rei, deixando-o física e emocionalmente drenado à época de sua morte. O “esbelto e calmo homem de olhos cansados” tivera um reinado conturbado, mas havia feito o possível para deixar a monarquia em melhores condições do que a havia encontrado. George morreu de câncer em 6 de fevereiro de 1952.

ELIZABETH II – (1952 ATÉ O PRESENTE)
Elizabeth II e o Duque de
Edinburgh, na Coroação

Elizabeth II é, atualmente, a rainha da Inglaterra, a rainha da geração atual, da minha geração. É, portanto, a rainha da época em que vivemos, da época que vivenciamos. Ainda lembro da época em que ela ascendeu ao trono, na flor dos meus oito anos. Por esta razão, e até para não ser monótono, não daremos maiores detalhes do seu reinado, mas apenas as generalidades que dizem respeito à própria monarca.
Elizabeth II, nascida em 21 de abril de 1926, era a filha mais velha de George VI e Elizabeth Bowes-Lyon. Casou-se com Philip Mountbatten, um primo distante, em 1947; o casal tem 4 filhos: Charles, príncipe de Gales, Anne, Andrew e Edward. Ela já reina por sessenta e um anos e tudo indica que ainda permanecerá no trono por um bom tempo.
A monarquia, como instituição na Europa, quase desapareceu durante as duas guerras mundiais: escassos dez reis permanecem hoje, sete dos quais possuem família ligada à Inglaterra. Elizabeth é, de longe, a mais conhecida e mais viajada chefe de estado no mundo. Ela aprova a transformação de império para Comunidade, descrevendo a troca como “uma metamorfose benéfica e civilizada”. A indivisibilidade da Coroa foi formalmente abandonada, por estatuto, em 1953 e, “Líder da Comunidade”, foi adicionada à longa lista de títulos reais que ela possui.
As viagens de Elizabeth renderam-lhe a lisonja de seus súditos; ela é saudada com honesto entusiasmo e calorosa estima em cada visita ao exterior. Tem sido o elo principal de uma cadeia forjada entre os vários países da Comunidade. A monarquia, bem como o Império, evoluiu - o que era antes a imagem do poder absoluto é agora um símbolo de fraternidade.
Elizabeth tem trabalhado muito para manter uma clara divisão entre seu público e sua vida privada. Foi a primeira monarca a enviar seus filhos a internatos, a fim de removê-los da mídia indiscreta. Ela possui um forte senso de dever e zelo, despachando suas obrigações reais com grande eficiência e dignidade. Seu conhecimento das situações e tendências atuais é singularmente atual, muitas vezes criando embaraço em seus Primeiros Ministros. Harold Wilson, ao aposentar-se, observou: "Certamente aconselharei meu sucessor a fazer seu dever de casa antes da audiência". Churchill, que serviu a quatro reis, era impressionado e encantado por seu conhecimento e juízo. Ela possui um senso de humor raramente exibido onde uma presença digna é o objetivo.
Elizabeth II, a "velha" rainha do
Reino Unido e Commonwealth
Elizabeth, como seu pai antes dela, elevou o caráter da monarquia através de suas ações. Infelizmente, as ações de seus filhos têm desdourado o seu nome real. Os divórcios públicos de Charles e Diana e Andrew e Sarah Ferguson, foram seguidos por indiscrições adicionais dos príncipes, levando uma população sobrecarregada por impostos, a repensar a necessidade de uma monarquia. Talvez Elizabeth não venha a reinar tanto quanto Victoria, mas seu reinado, excepcionalmente longo, já deixou uma brilhante marca na vida do seu país.
E com esta postagem marcamos o fim desta longa publicação, considerando cumprida nossa proposta de relatar a "HISTÓRIA DOS REIS DA INGLATERRA A PARTIR DE 1066", uma história das pessoas que, de uma forma ou de outra, em suas respectivas épocas, lograram atenuar as tensões entre o estado, a sociedade e a igreja, entre os povos nativos, invasores ou convidados, de forma a forjar, por séculos de conflitos entremeados por períodos de paz, o maior império que o mundo jamais viu.


(1) Sinn Féin (em português “Nós Mesmos”) era o nome de partido político irlandês fundado em 1905 por Arthur Griffith, que deu foco ao nacionalismo e republicanismo irlandês, em várias formas. De fato, o Sinn Féin não esteve envolvido no fracassado “Levante da Páscoa”, durante a semana da Páscoa de 1916, a despeito da culpa que lhe imputou o governo inglês. Os líderes do levante buscavam mais do que a proposta do partido de uma separação mais forte do que um governo nacional sob uma monarquia dupla.


segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

HISTÓRIA DOS REIS DA INGLATERRA A PARTIR DE 1066 (PARTE 8)

EDWARD VI (1547 – 1553)
Edward VI, rei da Inglaterra

Edward VI, filho de Henry VIII e Jane Seymour, nasceu em 1537. Subiu ao trono com a idade de 9 anos, com a morte de seu pai. Estava prometido à sua prima, Mary, rainha da Escócia, mas as prejudicadas relações entre ingleses e escoceses impediram o casamento. O frágil e protestante rapaz morreu de tuberculose com 16 anos sem casar.
Seu reino foi eivado por problemas desde o nascimento. Seu pai havia emitido decreto para que um conselho de regência governasse até que Edward se tornasse maior, mas seu tio, Edward Seymour, assumiu o controle. O Conselho ofereceu-lhe o Protetorado do Reino e o Ducado de Somerset; Seymour realmente importou-se com o reino e com o jovem rei, mas usou o Protetorado e o radicalismo religioso de Edward para implementar seus interesses protestantes. O “Livro do Orador Comum”, eloquente trabalho do arcebispo Thomas Cranmer, foi instituído em 1549 como um manual do novo estilo de adoração que evitava questões controversas num esforço para pacificar católicos. E a Inglaterra transformou-se num refúgio para heréticos continentais. Os católicos gostaram da branda versão protestante, mas os radicais protestantes clamaram por reformas adicionais, aumentando a sempre presente discórdia entre as facções.
A miséria econômica atormentou a Inglaterra durante o reinado de Edward VI e as relações exteriores encontravam-se em desordem. A nova fé e a dissolução dos monastérios deixaram uma considerável de quantidade de funcionários do clero sem trabalho, num tempo em que o desemprego subia; o cerco de terras monásticas privou muitos camponeses de seu meio de sobrevivência. A cunhagem perdeu valor - as novas moedas eram feitas de metais inferiores – quando as moedas do Novo Mundo invadiram os mercados ingleses. Uma aliança francesa/escocesa ameaçou a Inglaterra, causando a invasão da Escócia por Somerset, onde os escoceses foram derrotados em Pinkie. A intranquilidade geral e manobras entre as facções provocaram a queda de Somerset; ele foi executado em Setembro de 1552, assim iniciando um das mais corruptas eras da história política da Inglaterra.
John Dudley, modelo de corrupção
O responsável por tal corrupção foi o Duque de Warwick, John Dudley, um político ambicioso que queria tornar-se o maior proprietário de terras da Inglaterra. Dudley forçou Edward, alegando que ele havia alcançado a condição de adulto aos doze anos de idade e que estava pronto para governar, além de manejar suas finanças. Dudley foi feito Duque da Northumberland e virtualmente governou a Inglaterra, sem título oficial. Sob sua liderança, o Conselho sistematicamente confiscou os territórios da Igreja, à medida em que a recente onda de radicalismo Protestante parecia uma continuação lógica e justificável da reforma de Henry VIII. As ambições de Northumberland cresciam na proporção do seu ganho de poder, buscando desesperadamente sua ligação à família real. Permitiram-lhe mesmo influir na sucessão de Edward VI assim que diagnosticada sua tuberculose, em janeiro de 1553.
Segundo o testamento de Henry VIII, a Edward VI deveriam suceder suas irmãs Mary e Elizabeth, seguidas dos descendentes da irmã de Henry VIII, Mary: Frances Grey e filhos. Northumberland convenceu Edward de que sua irmã católica Mary arruinaria as reformas protestantes concretizadas até então, sabendo que ela restauraria o catolicismo, devolvendo ao clero os territórios confiscados, que enriqueciam o Conselho. O condenado rei declarou suas irmãs bastardas, passando a sucessão à filha de Frances Grey, lady Jane Grey, uma de suas reais amigas e sua prima. Northumberland fez os Greys consentirem num casamento entre seu filho Guildford e Lady Jane. Edward morreu em 6 de julho de 1553, deixando Jane, contra seus desejos, declarada rainha pelo Conselho.

LADY JANE GREY (NOVE DIAS DE 1553)
Lady Jane Grey, infeliz rainha

A Inglaterra do século XVI viu um tempo turbulento na vida religiosa de seus cidadãos. A Reforma e Henry VIII haviam jogado católicos contra protestantes e foi nesse ambiente que o lar da família Grey viu nascer a filha Jane, em seu chalé palaciano de caça, Bradgate Manor, em Leicestershire, em outubro de 1537.
No início de maio de 1553, Jane foi convocada à presença de seus pais para ser informada de que ela fora prometida a Guildford Dudley, filho de John Dudley, Duque de Northumberland. Ela protestou dizendo que já estava prometida a Edward, Lord Hertford, provavelmente mais por desgostar de Dudley e sua família do que por gostar de Hertford.
Em 25 (ou 21) de maio Jane estava casada com Guildford, em “Durham House on the Strand”, em Londres, na mesma cerimônia em que sua irmã Lady Katherine casou-se com Lord Herbert, filho do Duque de Pembroke, e a filha de Northumberland, Katherine, casou-se com Lord Hastings; a irmão mais nova de Jane foi prometida a seu primo Lord Arthur Grey. Esses casamentos uniram Northumberland a três das famílias mais poderosas na corte.
Dez dias após o casamento, Northumberland divulgou seu plano aos pais de Jane, no mesmo instante em que Jane foi informada da doença de Edward e da necessidade de estar preparada para o que dela fosse exigido. Os planos de Northumberland culminaram com o documento assinado por Edward que eliminava Mary e Elizabeth da linha de sucessão, nomeando Frances Grey, e seus descendentes, herdeiros da Coroa; Frances Grey foi convocada ao leito de morte de Edward onde formalmente cedeu o trono à sua filha Jane. Em quatro dias Jane foi proclamada rainha da Inglaterra e Irlanda, no mesmo dia em que Mary recebeu uma carta do Conselho que a declarava ilegítima.
Robert Dudley, outro filho de Northumberland, foi enviado para toma-la sob custódia, mas Mary, avisada por um simpatizante, fugiu para o Castelo de Framlingham, em Suffolk, e reivindicou o trono.
Em 11 de julho, William Paulet, o lord Tesoureiro Mor, trouxe a coroa para Jane ver como se ajustava, mas ela recusou dizendo que não havia pedido para ver as joias. Como ele explicasse que ela deveria levar o assunto a sério e que ele logo voltaria para ver uma coroa também para seu marido, ela percebeu e extensão dos planos de Northumberland, que não a queria como rainha mas como esposa de seu filho, que lhe daria o supremo poder da Inglaterra. Sem se intimidar, ela reuniu seus conselheiros, a quem informou que Guildford não seria rei, mas apenas o Duque de Clarence.
A concordância de Northumberland em deixar o Conselho sem sua supervisão foi um enorme erro tático. Em sua ausência, Mary reuniu apoio popular e viajou triunfante para Londres onde os conselheiros questionaram sua autoridade. Em 18 de julho todo o Conselho deixou a Torre para um encontro secreto no castelo de Baynard, onde proclamou Northumberland traidor – por cujo crime foi decapitado em 22 de agosto de 1553 - e Mary rainha.
Após um reinado de apenas nove dias, Jane Grey adentrou a Torre em 10 de julho de 1553, na fortaleza que deveria ser o seu palácio e que transformou-se em sua prisão. Sete meses depois, ela seria decapitada por ordem de sua prima Mary, e seu corpo enterrado na capela Real, sem cerimônia, aos dezessete anos de idade.

MARY I (1553 – 1558)
Mary I da Inglaterra

Mary I, filha de Henry VIII e Catarina de Aragão, nasceu em 1516 e teve uma terrível infância de omissão, intolerância e má saúde. Foi uma católica fiel desde o Nascimento, resistindo sempre à pressão de outros para renunciar à sua fé, à qual sempre resistiu com firmeza. Casou-se com Felipe II da Espanha – filho de Charles V, que se opôs com sucesso a Henry VIII em 1527 -, mas não conseguiu ter um filho.
Mary, a primeira mulher a ser coroada rainha, em seu próprio direito, iniciou o seu tumultuado reinado aos 37 anos de idade, chegando a Londres em meio a uma cena de grande alegria, mas já em fevereiro de 1554, em Kent, ocorreu um levante popular liderado por Sir Thomas Wyatt. Os rebeldes marcharam sobre Londres onde um punhado de fidalgos chave, fieis a Mary, esmagaram a insurreição. A rainha deposta, Jane Grey e seu pai, Duque de Suffolk, foram executados para impedir que se tornassem foco de futuro dessossego.
O primeiro ato de Mary foi revogar a legislação protestante de seu irmão, Edward VI, lançando a Inglaterra numa fase de severa perseguição religiosa. Seu principal objetivo foi o restabelecimento do catolicismo na Inglaterra, ao qual se dedicou integralmente. Mais por um desejo de pureza de fé do que por vingança, aproximadamente 300 pessoas, incluindo o prévio arcebispo de Canterbury, Thomas Cranmer, e muitos dos mais proeminentes membros da sociedade, foram queimados por heresia; por isso Mary recebeu o apelido “Bloody Mary” (Mary Sanguinária).
O casamento de Mary com o militante católico Felipe também foi projetado para reforçar o catolicismo do reino. Infelizmente para Mary, dois fatores provocaram oposição a seus planos: o povo inglês odiava estrangeiros – mormente espanhóis – e vinte anos de protestantismo haviam azedado o inglês contra o papismo. Ela encontrou resistência em todos os setores da sociedade e, ao contrário de seu pai e irmão, falhou em moldar a sociedade segundo um padrão ideológico. Felipe II, frio e indiferente à Mary e ao reino, permaneceu na Inglaterra apenas por um curto período, além de forçar a rainha a uma guerra contra a França, que resultou em derrota e perda de Calais, última possessão continental inglesa. Com a saída de seu pai, Charles V, do Santo Império Romano, Felipe retornou à Espanha.
A Inglaterra sofreu durante o reinado de Mary I: economia em ruína, a questão religiosa chegou ao clímax e a Inglaterra perdeu seu último território continental. Após duas falsas gravidez, Mary adoeceu, sem retorno, em agosto de 1558 e morreu sem filhos na madrugada de 17 de novembro. Sua única herdeira era sua irmã, Elizabeth, filha de Anne Boleyn.

ELIZABETH I (1558 – 1603)
Elizabeth I, a rainha virgem

Durante o seu reinado, Mary sempre vira sua irmã protestante, Elizabeth, como uma ameaça, embora não tivesse feito qualquer esforço para impedir sua ascensão ao trono; o próprio parlamento já a reconhecera, informalmente, como a futura rainha, uma semana antes da morte de Mary.
Uma protestante moderada, Elizabeth herdou um reino nervoso onde o catolicismo dominava em toda a Inglaterra, com exceção das cidades principais, o sudeste e East Anglia. Em 1559, Elizabeth lançou o “Church Settlement” (Acordo da Igreja), que pretendia ser inclusivo, mas foi muito protestante. O acordo restaurou a Supremacia Real (do tempo do rei Henry VIII) e o “Act of Uniformity”, um reforço ao Prayer Book de Cranmer, de 1552, mas em um gesto conciliatório reintroduziu as vestes clericais e uma Eucaristia mais católica. Os alteres foram permitidos e o clero teve permissão para casar.
Todos os bispos de Mary, com exceção de um, foram afastados após recusarem o “Oath of Supremacy” e substituídos por homens escolhidos a dedo pelo seu ministro-chefe, Robert Cecil. A maioria era mais radical que a própria rainha, como os clérigos que preencheram as paróquias dos padres católicos resignatários. Os altares, embora permitidos na teoria, foram removidos por comissões que circularam pelo país para verificar o cumprimento das ordens.
A igreja foi ainda mais sufocada em 1563 quando outro “Act of Uniformity” fez da recusa ao juramento ou a defesa da autoridade papal, uma ofensa de traição. Mas desta vez, a ameaça estrangeira era real: uma revolta em 1569, a invasão papal da Irlanda, a excomunhão de Elizabeth e a chegada de padres da França, salientaram a insegurança da igreja anglicana. Paralelamente, a severidade das leis de traição aumentaram o sentimento anti-católico, empurrando-o para os subterrâneos para o resto do seu reinado, longo o suficiente para garantir o estabelecimento do Anglicismo como protestante. Após as políticas vacilantes de Edward e Mary, a Reforma teve 45 anos de governo Elizabethano para sedimentar.
Felipe II da Espanha
Digno de nota em seu reinado foi o agravamento da crise entre Inglaterra e Espanha, iniciada com a morte de Mary, esposa de Felipe II e a ascensão de Elizabeth, muito mais por questões religiosas do que por qualquer outra. O tratado de assistência às Províncias Unidas (reunião de territórios nos Países Baixos) foi assinado no Palácio de Nonsuch, Surrey, e previa ajuda militar inglesa para a Antuérpia, sitiada por forças espanholas. A Antuérpia caiu em 17 de agosto de 1585, mas o tratado foi tido como um ato de Guerra por Felipe II da Espanha e conduziria, por uma série de eventos, ao envio da Armada para invadir a Inglaterra.
A situação chegou ao auge em 1588 quando Elizabeth rejeitou proposta de casamento de Felipe II da Espanha. O indignado rei espanhol, inflamado pela pirataria inglesa e as pilhagens na exploração do Novo Mundo (Américas), enviou sua temida “Invencível Armada” para atacar a Inglaterra, dando a Elizabeth a oportunidade de por a público as qualidades que ninguém esperaria encontrar numa frágil mulher daqueles tempos. A Inglaterra habilmente venceu a batalha, ajudada pelo tempo inclemente do British Channel (Canal da Mancha), emergindo como o maior poder naval mundial e estabelecendo o cenário para os futuros projetos imperiais britânicos.
Embora não indispensável ao nosso trabalho, creio adequado abrir aqui um pequeno parênteses, para apresentar um importantíssimo personagem do seu reinado, que também ajudará a esclarecer a sucessão de Elizabeth I e mostrar como se confundem as histórias da Inglaterra e da Escócia.
Mary Stuart, filha de James V, rei dos escoceses, nascida a 8 de dezembro de 1542, tornou-se rainha da Escócia com a morte de seu pai, aos seis dias de idade. Sua avó paterna, mãe de seu pai, Margaret Tudor, era irmã do rei Henry VIII da Inglaterra, o que a tornava sua sobrinha bisneta.
Mary Stuart,
rainha da Escócia
Evidentemente, o governo da Escócia foi exercido por uma dupla regência até que ela se tornasse adulta. Durante essa regência, Henry VIII pretendeu realizar o casamento de Mary com seu próprio filho, o príncipe Edward, que se tornou rei da Inglaterra, assim unindo os dois países, através do acordo. Tal desejo acabou não se concretizando porque o mais forte regente de Mary, católico, favoreceu a aproximação da Escócia com a França, inclinou-a para o catolicismo e rompeu o acordo de casamento, o que enfureceu Henry VIII.
O rei da França, Henry II, propôs então unir França e Escócia, através do casamento de seu filho e herdeiro, Francis II, com Mary Stuart; com isso ela tornou-se rainha consorte da França e ele rei consorte da Escócia. Acordado o casamento, Mary, católica, mudou-se com 5 anos para a corte francesa, de onde só retornaria, para a Escócia, com a idade de 19 anos, após a morte de Francis II em 1560, para iniciar o seu reinado, num país religiosamente dividido, tendo como conselheiro chefe, seu ilegítimo meio irmão, James Stuart, Conde de Moray.
Em julho de 1565, Mary casou-se pela segunda vez, com seu primo inglês (ambos netos de Margaret Tudor), Henry Stuart, lorde Darnley, católico, ambos reclamantes ao trono da Inglaterra, enfurecendo sobremaneira Elizabeth I e o Conde de Moray, que partiu para revolta aberta, embora sem sucesso.
Em junho de 1566 nasceu James, filho de Mary e lorde Darnley, que viria a tornar-se rei da Escócia como James VI, quando o casamento de seus pais já desmoronava após o assassinato de Davis Rizzio, secretário católico particular de Mary, em que seu marido tomara parte. Nas primeiras horas da manhã de 10 de fevereiro de 1567, uma explosão devastou a casa onde lorde Darnley se recuperava de uma doença e ele foi encontrado morto nos jardins, aparentemente asfixiado, num crime misterioso e sem condenações.
Em abril de 1567, Mary visitou seu filho pela última vez, pois na volta a Edinburgh foi sequestrada por James Hepburn, 4º Conde de Bothwell, um dos principais suspeitos do assassinato do seu marido, que a conduziu ao castelo de Dunbar, onde a teria estuprado. Em maio ela retornou a Edinburgh onde casou com Bothwell segundo ritos protestantes. A decisão de Mary de casar com James Hepburn, causou imenso prejuízo à sua reputação, provocando a rebelião da nobreza escocesa. Foi feita prisioneira e obrigada a abdicar em favor de seu filho James VI. Escapou em maio de 1568 e levantou um exército que foi decisivamente batido por forças sob o comando do conde de Moray. Sem desistir, Mary logrou deixar o país, adentrando solo inglês para pedir a Elizabeth apoio na recuperação do seu trono.
Entretanto, Elizabeth tinha outras ideias. Como sabemos, ela própria havia sido declarada herdeira ilegítima num ato não repelido formalmente, sabendo que muitos católicos consideravam Mary a legítima herdeira do trono inglês. Sua presença na Inglaterra poderia despertar um levante católico e Elizabeth recusou ajuda-la até que tivesse provado sua inocência no assassinato de Lord Darnley, sendo conduzida para o castelo Carlisle, como prisioneira.
A investigação não comprovou culpa, mas Mary ficou detida na Inglaterra, onde tornar-se-ia o foco de muitas intrigas para destronar Elizabeth. Católicos do norte se levantaram com o objetivo de substituir Elizabeth por Mary Stuart, mas quando esmagados, seus líderes foram executados ou fugiram para o exílio. O episódio encorajou Elizabeth a abandonar a tolerância religiosa permitindo que a igreja da Inglaterra se tornasse mais expressivamente protestante.
No último dia de 1580, o prévio regente anglófilo da Escócia, James Douglas, Duque de Morton, foi preso e acusado de cumplicidade no assassinato do marido de Mary Stuart, em 1567. Elizabeth obteve de James VI a promessa de que sua vida seria poupada; contudo ele foi executado em 2 de junho de 1581, o que a desgostou profundamente.
Em 1586 Mary Stuart foi implicada no complô de Babington para assassinar Elizabeth I e culpada de traição. Seus conselheiros, sabedores de que Elizabeth estaria sempre em perigo enquanto Mary estivesse viva, executaram-na após Elizabeth ter finalmente consentido em assinar a pena de morte.
Findo o parênteses sobre Mary Stuart, retornamos à “rainha virgem”, como foi conhecida Elisabeth I, posto que nunca casou, para vê-la morrer em 1603, sem marido e sem herdeiro, mas com o país unido como nunca foi possível tê-lo no século anterior, por uma religião comum e por um inimigo comum, a França. Patriotismo e Protestantismo foram duas metades de uma mesma moeda, uma moeda que barrava o título de Henry VIII, “Defensor da Fé”, e continua barrando. Ironicamente, a coroa inglesa passou ao rei protestante James VI da Escócia, filho de Mary Stuart, que tornou-se James I, o primeiro rei Stuart da Inglaterra. A ascensão de James fez com que os reinos separados da Inglaterra, Escócia e Irlanda fossem, pela primeira vez, unidos sob um só monarca.
William Shakespeare
Propositalmente fora da cronologia, para não misturar as profissões, antes de fechar o reinado de Elizabeth I, queremos fazer referência a um escritor que viveu em sua época, provavelmente o escritor mais importante da Inglaterra e um dos mais conhecidos em todo mundo. William Shakespeare nasceu em Stratford Upon Avon, em 1564, apenas seis anos ou menos após a ascensão de Elizabeth ao trono, provavelmente algo em torno de 23 de abril (pois seu batizado foi realizado em 26 de abril), de Mary Arden and John Shakespeare. Sua biografia tem sido uma enorme fonte de controvérsia, pois embora um dos maiores escritores do mundo, o que se conhece dos 28 primeiros anos de sua vida poderia ser escrito nas costas de um selo de correio, embora ele tenha vivido até os 52 anos de idade. Na verdade, apenas os últimos anos de sua vida são suficientemente bem documentados, para alguém da sua classe social e profissão, para comprovar a sua existência.
Apenas após 1592, sua vida em Londres, onde ele morava desde 1589, tornou-se mais clara. Shakespeare foi o dramaturgo da história da Inglaterra, sua estreia acontecendo com uma trilogia sobre as “Guerras das Rosas” e pelo fim de 1592 já havia escrito “Richard III”. Entre 1594 e 1595, ele escrevia suas primeiras obras-primas, “Sonho de uma Noite de Verão” e “Romeu e Julieta”. Várias outras obras importantes se seguiram, como “Henry IV”, “The Twelfth Night”, “King Lear”, “Macbeth”, “Hamlet”, “The Tempest” e muitas outras, entre comédias, tragédias e peças históricas, além de vários poemas.
O registro do enterro atesta a sua morte em 23 de abril de 1616, data do seu nascimento, em sua cidade natal, onde ele se tornara um pilar da comunidade local, tendo sido enterrado na igreja da Holy Trinity (Santa Trindade). O mundo que ele representou com tanta emoção – a velha Inglaterra com seus reis bons e maus, velhos frades e santas mulheres – foi o mundo de sua própria vida, em que ele juntou os conflitos do seu tempo, a revolução cultural da era Elizabethana e pós- Elizabethana. Verdadeira permanece a frase do seu amigo Bem Jonson: “Shakespeare não foi de uma era, mas de todos os tempos”.

Continua na PARTE 9