Homenagem ao lendário herói ancestral dos ingleses que deu título a um dos considerados "Cem Maiores Livros do Mundo" e tido como o mais antigo escrito em "Old English".

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sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

A REFORMA E OS REFORMADORES - PARTE 5


VI - DIFUSÃO DA REFORMA NOS VÁRIOS PAÍSES

VI.1 - ALEMANHA E SUÍÇA ALEMÃ
As 95 Teses de Lutero, que colocaram em dúvida e
repudiaram várias das práticas católicas

A Reforma foi inaugurada na Alemanha (então Prússia, como nação do Sacro Império Romano Germânico) quando Lutero afixou suas celebradas teses às portas da igreja de Wittenberg (cidade do estado da Saxônia onde fica a Universidade de mesmo nome, em que lecionava Lutero), em 31 de outubro de 1517. A partir das consequências da excomunhão papal e do banimento imperial, Lutero foi protegido pelo Eleitor Friedrich da Saxônia, seu soberano territorial. Friedrich da Saxônia teve, no episódio, participação bastante controvertida. Externamente, adotou uma atitude neutra, mas passou a encorajar a formação de comunidades luteranas dentro de seus domínios, após o retorno de Lutero a Wittenberg, onde assumiu a liderança da Reforma em oposição aos Anabatistas. Após a Dieta[1] de Worms, convocada pelo Imperador Carlos V em 1521, pela qual Lutero foi proclamado fugitivo e herege, tendo suas obras proscritas pelo édito correspondente, temendo pelo seu destino, Friedrich o abrigou no Castelo de Wartburg (Turíngia, Alemanha), onde ele permaneceu um ano, durante o qual traduziu o Novo Testamento para o alemão. Friedrich, fundador da Universidade de Wittenberg, entretanto, pouco contato teve com Lutero, tendo permanecido católico romano. 
Friedrich III, Eleitor da Saxônia

Foi Lutero que introduziu as regulações arbitrárias para a adoração Divina e funções religiosas; de acordo com tais regulações, comunidades luteranas foram estabelecidas formando um corpo herético que se opôs à Igreja Católica. Entre outros príncipes que logo se associaram a Lutero, apoiando seus esforços, estavam:
  • Johann da Saxônia (irmão de Friedrich);
  • Grande Mestre Albert da Prússia, que converteu as terras de sua ordem num ducado secular, tornando-se seu lorde hereditário ao aceitar o luteranismo;
  • Duques Heinrich e Albert de Mecklenburg;
  • Conde Albert de Mansfield;
  • Conde Edzard da Friesland Oriental;
  • Príncipe Philip de Hesse, que se declarou definitivamente pela Reforma após 1524.
Enquanto isso, em várias cidades da Alemanha Imperial o movimento da Reforma foi iniciado por seguidores de Lutero, especialmente em Ulm, Augsburg, Nuremberg, Nördlingen, Strasburg, Constance, Mainz, Erfurt, Zwickau, Magdeburg, Frankfort-on-the-Main e Bremen. Os príncipes luteranos formaram a Aliança de Torgau em 4 de maio de 1526, para sua defesa comum. Por sua presença na Dieta de Speyer em 1526, eles garantiram a adoção da resolução que, com relação ao Édito de Worms contra Lutero e sua errônea doutrina, cada um pudesse adotar uma atitude com a qual responder a Deus e o Imperador. A liberdade para introduzir a Reforma em seus territórios foi assim garantida aos governantes territoriais. Os estados católicos foram desencorajados enquanto os príncipes luteranos e suas demandas cresceram. Mesmo os decretos totalmente moderados da Dieta de Speyer de 1529 provocaram protestos dos estados luteranos e reformados.
As negociações na Dieta de Augsburg (1530), em que os estados, rejeitando a fé católica, elaboraram o seu credo (Confissão de Augsburg), demonstraram que a restauração da unidade religiosa não seria efetuada. A Reforma ampliou-se e o Luteranismo e o Zwinglianismo foram introduzidos em outros territórios germânicos. Além dos principados e cidades mencionados acima, por 1530 eles já haviam feito o seu caminho pelos principados de Bayreuth, Ansbach, Anhalt e Brunswick-Lunenburg; nos anos seguintes, na Pomerania, Jülich-Cleve e Wurtemberg. Na Silésia e no ducado de Liegnitz, a Reforma também fez grandes avanços. In 1531 a Liga Smalkaldic concluiu uma aliança defensiva e ofensiva entre os príncipes protestantes e as cidades. Especialmente após sua renovação (1535), a esta liga se uniram outras cidades e príncipes que haviam esposado a Reforma (Conde Palatine Rupert de Zweibrücken, Conde William de Nassau, as cidades de Augsburg, Kempten, Hamburg e outras.
Negociações adicionais entre as partes religiosas foram instituídas visando o fim do cisma, sem sucesso. Entre os métodos adotados para a difusão da Reforma, a força foi cada vez mais livremente empregada. Quando a diocese de Naumburg-Zeitz se tornou vaga, o eleitor Johann Frederick da Saxônia instalou, pela força, o pregador luterano Nicholas Amsdorf (no lugar do reitor da Catedral Julius von Pflug, escolhido por seus cônegos) que assumiu o governo secular. O duque Henry de Brunswick-Wolfenbuttel foi exilado em 1542 e a Reforma foi introduzida à força, como também em Colônia. O colapso da Liga Smalkaldic (1547) reduziu o progresso da Reforma: Julius von Pflug foi instalado em sua diocese de Naumburg, o duque Henry de Brunswick-Wolfenbuttel recuperou suas terras e Hermann von Wied teve de resignar à diocese de Colônia, onde a fé católica foi assim mantida.
A fórmula de união estabelecida pela Dieta de Augsburg, em 1547 (Augsburg Interim) não teve sucesso, embora introduzida em muitos territórios Protestantes. Enquanto isso, o Príncipe Moritz da Saxônia, fazia um tratado secreto com Henrique II da França, inimigo da Alemanha, formando uma confederação com os príncipes protestantes William de Hesse, John Albert de Mecklenburg e Albert de Brandenburg, para fazer Guerra contra o Imperador e o Império, quebrando o seu poder. Por sugestão de Carlos V, então Imperador do Sacro Império Germânico, seu irmão e sucessor, rei Fernando I, convocou a Dieta de Augsburg, em 1555 onde, após longas negociações, foi concluído o tratado conhecido por “Paz Religiosa de Augsburg”. Este pacto continha as seguintes disposições em seus vinte e dois parágrafos:
  • Entre os Estados imperiais católicos e os da Declaração de Augsburg (os Zwinglianos não foram considerados no Tratado) a paz e a harmonia deverão ser observadas;
  • Nenhum Estado do Império constrangerá outro Estado ou seus súditos a mudar de religião nem fará guerra por motivo religioso;
  • O dignitário eclesiástico que esposar a Declaração de Augsburg, perderá sua dignidade eclesiástica com todos os escritórios e salários a ele conectados, sem prejuízo, contudo, de sua honra e posses privadas. Contra este dispositivo eclesiástico, os Estados Luteranos protestaram:
  • Os proprietários da Declaração de Augsburg manterão todas as suas propriedades eclesiásticas possuídas desde o início da Reforma; após 1555 nenhuma parte poderá tomar nada de outra parte;
  • Até a conclusão da paz entre os corpos religiosos disputantes (a ser efetivada na próxima Dieta de Ratisbon) a jurisdição eclesiástica da hierarquia católica fica suspensa nos territórios da Declaração da Augsburg;
  • Se qualquer conflito surgir entre as partes relacionadas a terras ou direitos, uma tentativa inicial deve ser feita para ajustar tais disputas por arbitragem;
  • Nenhum Estado Imperial pode proteger seus súditos de outro estado das autoridades;
  • Cada cidadão do Império tem o direito de escolher qualquer uma das duas religiões reconhecidas e de praticá-la em outro território sem perda de direitos, honra ou propriedade (sem prejuízo, contudo, aos direitos do lorde territorial sobre classe camponesa);
  • Essa paz incluirá os cavalheiros livres e as cidades livres do Império; as cortes imperiais devem ser guiadas exatamente por estas provisões;
  • Os juramentos devem ser administrados ou em nome de Deus ou de seu Santo Evangelho.

Por esta paz, o Cisma religioso do Império Germânico foi definitivamente estabelecido; daí em diante os estados católicos e protestantes ficaram em campos opostos. Quase toda a Alemanha, da fronteira com a Holanda a oeste, à fronteira polonesa, a leste, o território da Ordem Teutônica na Prússia, a Alemanha Central com exceção da maior parte porção ocidental, e (no Sul da Alemanha) Wurtemburg, Ansbach, Pfalz-Zwibrucken e outros domínios menores, com numerosas cidades livres, haviam esposado o Luteranismo. Além disso, no sul e sudeste, que permaneceram predominantemente católicos, surgiram numerosos apoiadores. O Calvinismo também se espalhou amplamente.
Mas a Paz de Augsburg falhou em garantir a harmonia que se esperava. Desafiando suas expressas provisões, uma série de principados eclesiásticos (dois arcebispados, doze bispados e numerosas abadias) foram reformadas e secularizadas antes do início do século XVII. A “Liga Católica” foi formada para proteção dos interesses católicos e para compensar a “União Protestante”. Logo se seguiu a “Guerra dos Trinta Anos”[2], uma funesta luta para a Alemanha, que entregou o país aos seus inimigos do oeste e norte, destruindo o poder, riqueza e influência do Império Germânico. A Paz de Westphalia, concluída em 1648, com a França, em Munster, e com a Suécia, em Osnabrück, confirmando definitivamente o status do cisma religioso na Alemanha, colocou os Calvinistas e os Reformados no mesmo pé dos Luteranos e garantiu aos Estados imediatamente sujeitos ao imperador, o direito de introduzir a Reforma. Daí para a frente, os soberanos territoriais podiam obrigar seus súditos a adotar uma dada religião, sujeito ao reconhecimento da independência daqueles que, em 1624 tinham o direito de manter seus próprios serviços religiosos. O Absolutismo Estatal nas questões religiosas havia atingido seu mais alto desenvolvimento na Alemanha.
Na Suíça Germânica ocorreu algo similar. Após Zurich ter aceito e introduzido à força a Reforma, Basle seguiu o seu exemplo com John OEcolampadius e Wolfgang Capito associando-se a Zwingli, espalhando seu ensinamento e conquistando a vitória para a nova fé. Os membros católicos do Grande Conselho foram expulsos. Resultados similares foram obtidos em Appenzel Outer Rhodes, Schaffhausen e Glarus. Após longa hesitação a Reforma foi aceita também em Berna, onde um apóstata cartusiano (ordem religiosa), Franz Kolb, com Johann e Berthold Haller pregaram o Zwinglianismo. Todos os monastérios foram subjugados e uma grande violência foi usada para impor o Zwinglianismo ao povo do território. St. Gall, onde Joachim Vadianus pregava, e uma grande parte de Graubunden também adotaram as inovações. Por todo o Império o Zwinglianismo era um forte rival do Luteranismo e um violento conflito entre as duas profissões começou, a despeito das permanentes negociações pela união. As tentativas para terminar com a infeliz divisão da religião não eram desejadas na Suíça. Em maio de 1526 uma grande disputa religiosa ocorreu em Baden, com o catolicismo sendo representado por Johann Eckius (Eck), Johann Faber e Murner, e a Reforma por OEcolampadius e Berthold Haller. O resultado foi favorável aos católicos, com a maioria dos representantes dos Estados presentes declarando-se contra a Reforma e os escritos de Lutero e Zwingli sendo proibidos, o que veio a estimular a oposição dos Estados reformados. Em 1527 Zurich formou uma aliança com Constance; Basle, Berna e outros Estados reformados juntaram-se à Confederação em 1528. Como autodefesa, os Estados católicos formaram uma aliança em 1529 para a proteção da verdadeira fé dentro de seus territórios. Na guerra que se seguiu, os católicos obtiveram uma vitória em Kappel, com Zwingli morrendo no campo de batalha. Zurich e Berna tiveram a paz garantida sob a condição de não se perturbarem mutuamente por questões religiosas, com os serviços católicos podendo ser livremente mantidos nos territórios comuns. A fé católica foi restaurada em certos distritos de Glarus e Appenzell; a abadia de St. Gall foi retornada ao abade, embora a cidade tenha permanecido reformada. Em Zurich, Basle, Berna e Schaffhausen, contudo, os católicos não puderam garantir seus direitos. Os reformadores suíços logo compuseram declarações formais de suas crenças, sendo digna de nota a Primeira Profissão Helvética produzida por Bullinger, Myconius, Grynaeus e outros (1536), e a Segunda Profissão, composta por Bullinger em 1564, adotada pela maioria dos territórios reformados do tipo Zwingli.

VI.2 – OS REINOS DO NORTE: DINAMARCA, NORUEGA E SUÉCIA
Frederick I, rei da Dinamarca e Noruega

A Reforma Luterana fez uma penetração precoce na Dinamarca, Noruega (então unida à Dinamarca) e Suécia, principalmente devido a influências reais. O rei Christian II da Dinamarca (1513-1523) acolheu a Reforma como forma de enfraquecer a nobreza e, especialmente, o clero (que possuía extensas propriedades), por esse meio estendendo o poder do trono. Sua primeira tentativa de difusão dos ensinamentos de Lutero, em 1520, teve pouco sucesso: os barões e prelados logo o depuseram por tirania elegendo, em seu lugar, o Duque Frederick of Schleswig e Holstein (Rei Frederick I da Dinamarca e Noruega), secreto seguidor do luteranismo, que havia jurado, em sua coroação de 1523, manter a religião católica. Entretanto, assim que sentou no trono, favoreceu os reformadores, em particular o pregador Hans Tausen. Na Dieta de Odensee, em 1527, ele garantiu a liberdade de religião aos reformadores, permitiu o casamento ao clero e reservou ao rei a confirmação de 11 ordenações episcopais. O luteranismo difundiu-se por meios violentos e os fiéis da religião católica foram oprimidos. Seu filho Christian III, que já havia reformado Holstein, lançou às prisões os bispos dinamarqueses que haviam protestado contra sua sucessão, cortejando o apoio dos barões. Com exceção do bispo Ronow de Roskilde, que morreu na prisão (1544), todos os bispos concordaram em resignar e não mais opor-se à nova doutrina; com isso foram libertados tendo suas propriedades restituídas. Todos os padres que se opuseram à Reforma foram deportados, os monastérios fechados e a Reforma introduzida em todos os lugares à força. Em 1537, Johann Bugenhagen (Pomeranus), companheiro de Lutero, foi convocado de Wittenberg para a Dinamarca para estabelecer a Reforma de acordo com as ideias de Lutero. Na Dieta de Copenhagen, em 1546, os últimos direitos dos católicos foram retirados (direito de herança, elegibilidade para qualquer posto) e os padres católicos foram proibidos de morar no país sob pena de morte. 
Christian III, Rei da Dinamarca/Noruega
Na Noruega, o arcebispo Olaus de Trondhjem apostatou ao luteranismo, mas foi obrigado a deixar o país, como partidário do rei deposto, Christian II. Com a ajuda da nobreza dinamarquesa, Christian III introduziu a Reforma na Noruega à força. A Islândia resistiu mais tempo ao absolutismo real e às inovações religiosas. O inflexível bispo de Holum, Jon Arason, foi decapitado e a Reforma espalhou-se rapidamente após 1551. Algumas aparências do período católico foram mantidas – o título de bispo e, em alguma extensão, as vestimentas litúrgicas e formas de adoração.
Também na Suécia a Reforma foi introduzida por razões políticas pelo soberano secular. Gustavus Vasa, que havia sido dado a Christian II da Dinamarca, em 1520, como um refém e conseguira escapar para Lubeck, lá se familiarizou com o ensinamento luterano e reconheceu os serviços que ele poderia render-lhe. Retornando à Suécia, tornou-se o primeiro chanceler imperial e depois de ter sido eleito rei, com a deposição de Christian II na Dinamarca, tentou converter a Suécia numa monarquia hereditária, mas teve que curvar-se à oposição do clero e nobreza. A Reforma ajudou-o a atingir seus objetivos, embora sua introdução fosse difícil por conta da grande fidelidade do povo à fé católica. Indicou para altas posições dois suecos, os irmãos Olaf e Lorenz Peterson, que haviam estudado em Wittenberg e aceito os ensinamentos de Lutero; um capelão da corte em Estocolmo e o outro como professor em Upsla. Ambos trabalharam em segredo para a difusão do luteranismo, conseguindo muitos adeptos que incluíram o arquidiocesano Lorenz Anderson que o rei, a partir daí, nomeou seu chanceler. Em suas tratativas com o Papa Adriano VI e seus representantes, o rei simulava a máxima fidelidade à Igreja, enquanto fornecia às inovações religiosas o seu maior apoio. Os dominicanos, que ofereceram uma forte oposição aos seus projetos, foram banidos do reino e os bispos que resistiram foram sujeitos a todos os tipos de opressão. Após uma disputa religiosa na Universidade de Upsala, o rei concedeu a vitória a Olaf Peterson e procedeu à reforma da universidade, ao confisco da propriedade eclesiástica e ao emprego de todos os meios para compelir o clero a aceitar a nova doutrina. Uma revolução popular deu-lhe a oportunidade de acusar os bispos católicos de alta traição e, em 1527, o arcebispo de Upsala e o bispo de Westraes foram executados. Muitos eclesiásticos aderiram às vontades do rei; outros resistiram e tiveram de suportar violenta perseguição; um exemplo disso foi a heroica resistência das freiras de Wadstena. Após a dieta de Westraes, em 1527, grandes concessões foram feitas ao rei pelo medo da recente sujeição dos dinamarqueses, especialmente o direito de confisco da propriedade da Igreja, de indicações e remoções eclesiásticas etc. Alguns dos nobres logo se voltaram ao Rei quando da opção do retorno dos bens doados à Igreja pelo ancestral de alguém desde 1453. O celibato clerical foi abolido e o vernáculo foi introduzido no serviço Divino. O rei constituiu-se suprema autoridade em questões religiosas e rompeu a unidade religiosa do país. O Sínodo de Orebro (1529) completou a Reforma, embora muitos dos ritos externos, as imagens nas igrejas, as vestimentas litúrgicas e os títulos de arcebispo e bispo fossem mantidos. Em 1544 Gustavus Vasa tornou hereditário o seu trono. Os numerosos levantes contra ele e suas inovações foram debeladas com violência sangrenta. Mais tarde outras grandes revoltas religiosas surgiram, também de caráter político.
O Calvinismo também se espalhou e Eric XIV (1560-1568) dedicou-se a promove-lo. Foi, entretanto, destronado pela nobreza por sua tirania e seu irmão John III (1568-1592) nomeado rei. Este restaurou a Fé Católica e tentou devolver a terra à unidade da Igreja, mas com a morte de sua primeira esposa, Princesa Katherina, seu ardor declinou em face das numerosas dificuldades e sua segunda esposa favoreceu o luteranismo. Com a morte de John, seu filho Sigismund, já rei da Polônia e católico de sentimento, tornou-se rei da Suécia. Contudo, seu tio Duque Charles, chanceler do Reino, deu forte apoio à Reforma e a Confissão de Augsburg foi introduzida no Sínodo Nacional de Upsala, em 1593. Sigismund não teve poder contra o chanceler e a nobreza sueca; finalmente, em 1600, foi deposto como um apóstata da “verdadeira doutrina” e Charles foi coroado rei. Gustavus Adolphus (1611-1632), filho de Charles, usou a Reforma para aumentar o poder da Suécia pelas suas campanhas. A Reforma foi então oficializada em toda a Suécia.

VI.3 – FRANÇA E SUÍÇA FRANCESA

Em alguns círculos humanísticos[3] da França, muito anteriormente, originou-se um movimento favorável à Reforma. O centro desse movimento foi Meaux, onde o bispo Guillaume Briconnet favoreceu as ideias humanistas e místicas e onde ensinavam o professor Lefèvre d’Etaples, W. Farel e J. de Clerc, humanistas com tendências luteranas. Contudo, a Corte, a Universidade e o Parlamento se opuseram às inovações religiosas e a comunidade luterana de Meaux foi dissolvida. Centros mais importantes da Reforma foram encontrados ao sul, onde os Waldensianos[4] haviam preparado o terreno. Aqui muitos tumultos ocorreram, durante os quais imagens de Cristo e de Santos foram destruídas. Os parlamentos, na maioria dos casos, tomaram enérgicas medidas contra os inovadores embora em alguns lugares tenham encontrado protetores – especialmente em Margaret de Valois, irmã do rei Francisco I e esposa de Henrique d’Albret, rei de Navarra. Os líderes da Reforma na Alemanha buscaram derrotar Francisco I, aliado dos príncipes protestantes alemães por razões políticas; ele, entretanto, permaneceu fiel à Igreja e suprimiu os movimentos pró-reforma em todo o território. Nos distritos do sudeste, especialmente em Provence e Dauphine, os apoiadores das novas doutrinas cresceram em função dos esforços dos reformadores da Suíça e Strasburg, até que a profanação e o saque das igrejas obrigaram o rei a tomar medidas enérgicas contra eles. Após o calvinismo ter-se estabelecido em Genebra, sua influência cresceu rapidamente nos círculos da Reforma francesa. Calvino apareceu em Paris em 1533 como defensor do novo movimento religioso, dedicou ao rei francês Francisco I suas “Instituições das Religiões Cristãs” e foi para Genebra no mesmo ano. Expulso de Genebra ele retornou em 1541 e lá iniciou o estabelecimento final de sua organização religiosa. Com sua academia inaugurada por Calvino, Genebra era o principal centro da Reforma e afetou principalmente a França. Pierre le Clerc estabeleceu a primeira comunidade calvinista em Paris; outras foram estabelecidas em Lyons, Orléans, Angers e Rouen, onde medidas repressivas mostraram pouca valia. O bispo Jacques Spifamius, de Nevers, desviou-se para o calvinismo e, em 1559, ainda sob Henrique II, Paris testemunhou a reunião de um sínodo geral de reformadores franceses que adotou o credo calvinista, introduzindo a constituição presbiteriana suíça para as comunidades reformadas. Devido ao apoio dos waldensianos à disseminação da literatura reformista de Genebra, Basle e Strasburg, e ao permanente influxo de pregadores dessas cidades, os adeptos da Reforma cresceram na França. Com a morte do rei Henrique II (1559) os huguenotes[5] calvinistas pretenderam tirar vantagem da fraqueza do governo para aumentar o seu poder. A rainha viúva Catarina de Médici, ambiciosa e intrigante, perseguiu uma política oportunista. Logo aspirações políticas se emaranharam com o movimento religioso que assumiu proporções maiores e maior importância. De oposição à linha regulatória e aos poderosos e zelosamente católicos duques de Guise, os príncipes da linha Bourbon tornaram-se os protetores dos calvinistas, como Antoine de Vendôme, rei de Navarra e seus irmãos, especialmente Louis de Condé. A eles outros se juntaram, incluindo bispos e cardeais. 
O massacre do dia de São Bartolomeu, por François Dubois
A despeito de leis anti-heréticas, o calvinismo fazia constante progresso no sul da França, quando, em 17 de janeiro de 1562 a rainha viúva, regente de Charles IX, emitiu um édito de tolerância que permitia aos huguenotes a livre prática de sua religião fora das cidades e sem armas, mas proibindo toda a interferência e atos de violência contra instituições católicas, além de ordenar a restituição de todas as igrejas e propriedades eclesiásticas tomadas aos católicos. Os calvinistas ainda mais audaciosos, cometeram, especialmente no sul, revoltantes atos de violência contra os católicos, executando padres católicos até nos bairros de Paris. Em 1º de março de 1562, em Vassy, Champagne, a comitiva do Duque de Guise entra em conflito com os huguenotes inaugurando a primeira guerra civil e religiosa na França. Embora esta tenha encerrado com a derrota dos huguenotes, ocasionou grandes perdas aos católicos da França. Relíquias de Santos foram queimadas e espalhadas, igrejas magníficas reduzidas a cinzas e numerosos padres assassinados. O édito de Amboise garantiu novos favores a nobres calvinistas embora o édito de tolerância anterior tivesse sido retirado. Cinco outras guerras civis se seguiram, durante as quais ocorreu o massacre do dia de São Bartolomeu (24 de agosto de 1572), quando dezenas de líderes huguenotes foram assassinados numa série coordenada de ataques planejados pela família real católica. Esse foi o início de um massacre mais vasto que durou até outubro e envolveu doze cidades francesas.
Richelieu, cardeal da Igreja Católica
e primeiro-ministro da França
 
Somente com a extinção da linha de Valois com Henry III (1589) e a ascensão de Henry de Navarra (que abraçou o catolicismo em 1593) ao trono, as guerras religiosas chegaram ao fim pelo Édito de Nantes (13 de abril de 1598), que garantiu aos calvinistas plena liberdade religiosa, admissão a todos os serviços públicos e uma privilegiada posição no Estado. Dificuldades de natureza política surgiram e o Cardeal de Richelieu buscou acabar com a posição influente dos huguenotes. A captura de sua principal fortaleza, La Rochelle (28 de outubro de 1628), finalmente quebrou o poder dos calvinistas franceses como entidade política. Mais tarde, muitos deles retornaram ao catolicismo, embora ainda muitos adeptos do calvinismo na França tenham subsistido.




[1] A palavra dieta vem do latim dieta (de dies, dia, do primeiro significado, regime alimentício diário) e, no caso, significa uma assembleia política ou administrativa.
[2] A Guerra dos Trinta Anos (1618-48) iniciou quando Ferdinando II, Imperador do Sacro Império Romano, da Bohemia, tentou restringir as atividades religiosos de seus súditos, provocando a rebelião entre os protestantes. Incialmente envolvendo apenas alemães, a guerra incluiu as maiores potências da Europa: Suécia, França, Espanha e Áustria lutando em solo germânico. Com atrocidades cometidas por todos os lados, 20% da população alemã pereceu na guerra que terminou com uma série de tratados convertidos na Paz de Vestefália e redesenhou o mapa político e religioso da Europa Central.
[3] Humanismo é o nome dado ao movimento intelectual, literário e científico dos séculos XIV a XVI, um movimento que visava basear todo ramo do aprendizado na literatura e cultura da antiguidade clássica. Acreditando que apenas o treino clássico poderia formar um homem perfeito, os humanistas assim se auto denominaram em oposição aos escolásticos, adotando o termo humaniora (as humanidades) com o significado de sabedoria dos anciãos. Embora o intervalo entre o período clássico e os seus próprios dias fosse visto pelos humanistas como bárbaros e destrutivos com relação à arte e ciência, o Humanismo (como qualquer outro fenômeno histórico) estava ligado ao passado.
[4] Uma seita herética surgida na segunda metade do século XII e que, modificada de uma forma considerável, sobreviveu até os dias atuais. O nome é derivado de Waldes, seu fundador.
[5] Huguenote foi, originalmente, um termo político, não religioso, usado para descrever, entre 1520 e 1524, os patriotas de Genebra hostis ao Duque de Savoy que uniram a cidade à Confederação Suíça.

Prossegue com a PARTE 6

quinta-feira, 28 de abril de 2016

ORIGEM E FORMAÇÃO DA ALEMANHA (PARTE 2)

GUERRAS NAPOLEÔNICAS

Friedrich Wilhelm II, 1797.

Durante o reinado de Friedrich Wilhelm II (1786-1797), a Prússia anexou território polonês através de outras Partições da Polônia[1]. Seu sucessor, Friedrich Wilhelm III (1797-1840), anunciou a união da igreja luterana da Prússia e as igrejas reformadas em uma. Com a ajuda de seus ministros, Barão vom und zum Stein e o Príncipe Karl August von Hardenberg, instituiu uma série de reformas liberais dentro do reino.
De 1801 a 1805, durante as “Guerras Napoleônicas”, a Prússia foi dominada por Napoleão I (Napoleão Bonaparte). A Prússia teve parte importante nas guerras revolucionárias francesas, mas permaneceu em silêncio por mais de uma década, devido à Paz de Basileia, de 1795, só para ir mais uma vez à guerra com a França em 1806, quando falharam as negociações com aquele país sobre a alocação dos domínios de influência no Império Germânico. Por isso, em 1806, Friedrich Wilhelm III reuniu uma coligação contra Napoleão e foi derrotado, perdendo muito do seu território.
Friedrich Wilhelm III, o rei das
Guerras Napoleônicas
 A Prússia sofreu uma derrota devastadora contra as tropas de Napoleão Bonaparte nas Batalhas gêmeas de Jena e Auerstedt, travadas em 14 de outubro de 1806. A derrota decisiva sofrida pelo exército prussiano subjugou o Reino da Prússia ao Império Francês até a Sexta Coalizão[2], formada em 1812, levando Friedrich Wilhelm III e sua família a fugir temporariamente para Memelburgo (Klaipėda)[3]. Nos termos dos Tratados de Tilsit, em 1807, o estado perdeu quase a metade do seu território, incluindo as áreas adquiridas com a segunda e a terceira Partições da Polônia, que então caíram para o Ducado de Varsóvia, além da obrigação de pagar uma grande indenização ao exército e a permissão de tropas francesas por toda a Prússia, efetivamente tornando-a um reino satélite francês.
A partir de 1806, com a formal dissolução do milenar “Sacro Império Romano-Germânico”, por Napoleão Bonaparte, em 6 de agosto, com a renúncia do seu último imperador Francisco II (a partir de 1804, Francisco I da Áustria) que manteve até 1918 o título de Imperador da Áustria, os estados alemães se encontraram muito fragmentados e, como resposta a esta derrota, reformadores como Stein e Hardenberg definiram a modernização do estado prussiano. Entre as suas reformas estavam a libertação dos camponeses da servidão e a emancipação dos judeus como cidadãos com pleno direito. O sistema escolar foi reorganizado e, em 1818, o comércio livre foi introduzido. O processo de reforma do exército terminou em 1813 com a introdução do serviço militar obrigatório.
Após a derrota de Napoleão na Rússia, em 1812, a Prússia encerrou sua aliança com a França e participou da “Sexta Coalizão” durante as "Guerras de Libertação" contra a ocupação francesa. Tropas prussianas, sob o comando do marechal Gebhard Leberecht von Blücher, contribuíram decisivamente (com os britânicos) na Batalha de Waterloo, em junho de 1815, com a vitória final sobre Napoleão e seu desterro definitivo na Ilha de Santa Helena.
O Congresso de Viena em 1815, que redesenhou o mapa político da Europa após a “Batalha de Waterloo”, que resultou na queda do Império Francês, deu como recompensa à Prússia, a recuperação de sua fortuna e seus territórios perdidos, bem como boa parte do noroeste da atual Alemanha, com toda a Renânia, Vestfália e alguns outros territórios. Essas terras ocidentais eram de vital importância, porque incluíam a área do Ruhr, área rica em carvão e centro da recente industrialização da Alemanha, especialmente na indústria de armas. Tais ganhos territoriais implicaram também na duplicação da população da Prússia. Em troca, a Prússia se retirou das áreas da Polônia central para permitir a criação do Congresso da Polônia sob a soberania russa. 
Confederação Germânica em 1815. Verde escuro, Estados
Membros; em claro, territórios dos Estados fora da Confederação
A Prússia emergiu das guerras napoleônicas como a potência dominante entre os estados alemães que, após 1815, no Congresso de Viena, passaram a ser chefiados pelo Império Austríaco, na “Confederação Germânica”, criada para coordenar as economias separadas dos países de língua alemã e substituir o antigo Sacro Império Romano. Tal era uma confederação fraca de 39 Estados, que representava apenas os soberanos e não os povos daqueles territórios. O tamanho e a influência da cada Estado variava consideravelmente. O Império Austríaco e o Reino da Prússia eram os maiores e mais importantes membros da confederação. Grandes partes de seus territórios e de suas forças armadas não foram incluídas na confederação, o que permitia a ambos atuar como países independentes; por exemplo, durante as guerras com a Dinamarca, Áustria e Prússia não combateram sob a bandeira da confederação. Ambas possuíam um voto cada na dieta (assembleia). Dois Estados-membros eram governados por soberanos estrangeiros: os reis da Dinamarca, dos Países Baixos e do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda (até 1837) eram membros da Confederação Germânica na qualidade, respectivamente, de duque de Holstein e rei de Hanôver. Cada um detinha um voto cada na dieta. Seis outros Estados contavam um voto cada na dieta: os reis da Baviera, Saxônia e Vurtemberg, o príncipe-eleitor do Hesse e os grão-duques de Baden e do Hesse. Vinte e três membros menores compartilhavam cinco votos na dieta. As quatro cidades livres de Lübeck, Frankfurt, Brêmen e Hamburgo compartilhavam um voto na dieta. As suas fronteiras eram aproximadamente as mesmas fronteiras do Sacro-Império à época da Revolução Francesa, excetuando o território que corresponde hoje à Bélgica. Os seus membros, drasticamente reduzidos em relação aos mais de 200 que constituíam o Sacro-Império, dispunham de plena soberania e comprometiam-se a uma defesa mútua, mantendo em conjunto uma série de fortalezas no Luxemburgo, em Mogúncia, Rastatt, Ulm e Landau. Os assuntos políticos, naturalmente limitados devido à grande autonomia dos estados-membros, discutiam-se na dieta federal, sob presidência austríaca, de Frankfurt.
A primeira metade do século XIX viu uma luta prolongada nos estados alemães, entre os liberais, que queriam uma Alemanha unida e federal sob uma constituição democrática, e os conservadores, que queriam manter o Império como uma colcha de retalhos de estados independentes monárquicos, com a Prússia e a Áustria competindo por influência. Um pequeno movimento que marcou o desejo de unificação alemã neste período foi o movimento estudantil Burschenschaft (corporação estudantil de antigos combatentes das guerras contra Napoleão Bonaparte, que haviam retomado seus estudos, em 1815, na Universidade de Jena), que incentivou o uso da bandeira preto-vermelho-ouro, as discussões sobre a nação alemã unificada e um sistema político progressista e liberal. Por causa do tamanho da Prússia e de sua importância econômica, os estados menores começaram a associar-se em sua área numa zona de livre comércio em 1820. A Prússia se beneficiou com a criação em 1834 da união aduaneira alemã (Zollverein), que incluiu a maioria dos estados alemães mas excluiu a Áustria.
Por essa época, o Reino da Dinamarca mantinha uma União Pessoal (uma união de estados com chefe de Estado comum) com os ducados de Schleswig e Holstein, sendo que ambos tinham laços estreitos entre si, embora apenas Holstein fizesse parte da Confederação Germânica. O Schleswig era um ducado soberano (formalmente independente), de maioria dinamarquesa, vinculado à coroa da Dinamarca por uma União Pessoal e por laços feudais. Já o Holstein era um ducado soberano, de maioria alemã, que integrara o Sacro Império Romano-Germânico e a Confederação, mas ligado à Dinamarca por uma União Pessoal desde o século XV. Em outras palavras, o rei da Dinamarca era o duque do Schleswig e do Holstein, territórios governados, na prática, pelos dinamarqueses. O chamado Tratado de Ribe (1460) dispunha que os dois ducados não poderiam ser separados. A extinção da linhagem real masculina da Dinamarca, com a morte do rei Friedrich VII, criou para os dinamarqueses o problema da manutenção do seu controle sobre o Schleswig-Holstein, cobiçado por advogados da unificação Alemã.
Por 1844 quase todos os estados germânicos estavam economicamente ligados à Prússia. Quando Friedrich VII, rei da Dinamarca, após as Revoluções de 1848, tentou integrar Schleswig, mas não Holstein, ao estado dinamarquês, promulgando uma constituição democrática comum à Dinamarca e ao Schleswig, provocou um movimento separatista nos ducados. Em março de 1848, a grande maioria alemã do Schleswig-Holstein rebelou-se contra a Dinamarca e buscou a independência frente a esta última, para se associar à Confederação Germânica. O Reino da Prússia, sob Friedrich Wilhelm IV, interveio militarmente em favor da revolta, expulsou dos ducados as tropas dinamarquesas e conseguiu levar a Confederação Germânica contra a Dinamarca na Primeira Guerra do Schleswig (1848-1851). A guerra terminou quando as grandes potências europeias pressionaram a Prússia a aceitar o Protocolo de Londres de 1852. Nos termos deste acordo de paz, a Confederação Germânica devolvia o Schleswig-Holstein à Dinamarca que, por um acordo com a Prússia, comprometia-se a não criar laços adicionais com o Schleswig mais fortes do que os deste último com o Holstein. Como se vê, um resultado não conclusivo que logo faria estalar um novo conflito.

AS GUERRAS DE UNIFICAÇÃO

Wilhelm I, proclamado imperador do Império Alemão
Sob o Rei Wilhelm I (1861 a 1888), e seu primeiro ministro e chanceler imperial, Príncipe Otto Von Bismarck (a partir de 1862), o Chanceler de Ferro, ministro presidente do Reino, a Prússia alcançou o pico do seu poder, realizando a unificação alemã através do desprezo aos recursos do liberalismo político e da opção pela política da força.
Em 1862, o rei Wilhelm I nomeou Otto von Bismarck como primeiro-ministro da Prússia, decidido a derrotar tanto os liberais quanto os conservadores e aumentar a supremacia prussiana e a sua influência entre os estados alemães. Há muito debate sobre se Bismarck realmente planejou criar uma Alemanha unida quando partiu nesta jornada, ou se ele simplesmente se aproveitou das circunstâncias. Certamente suas memórias pintam um quadro róseo de um idealista, mas estes foram escritos com o benefício da retrospectiva e certos eventos cruciais que não poderiam ser previstos. O que está claro é que Bismarck apoiou grandes setores da população com a promessa de levar a luta para uma maior unificação alemã. Em busca do seu objetivo maior, Bismarck guiou a Prússia através de três guerras que, no seu conjunto, trouxeram Wilhelm I da Prússia à posição de Imperador Alemão: (1) a guerra contra a Dinamarca em 1864; (2) a “Guerra das Sete Semanas” contra a Áustria, em 1866; (3) e a “Guerra Franco-Prussiana” em 1870. Essas três guerras colocaram a Prússia como estado líder no Império Germânico. Em 1867 tornou-se o núcleo da Confederação da Alemanha do Norte e, em 1871, do Império Germânico. Daí em diante, a história da Prússia geralmente coincide com a história da Alemanha.
Chanceler Otto Von Bismarck,
retratado por N. Repik
Em 1863, a Dinamarca introduziu uma constituição compartilhada para a Dinamarca e Schleswig. Isso levou a um conflito com a Confederação Germânica, que autorizou a ocupação de Holstein pela Confederação, da qual as forças dinamarquesas se retiraram. Em 1864, forças prussianas e austríacas cruzaram a fronteira entre Holstein e Schleswig iniciando a Segunda Guerra do Schleswig. As forças austro-prussianas derrotaram os dinamarqueses, que entregaram os dois territórios. Na Convenção de Gastein, de 1865 a Prússia assumiu a administração de Schleswig enquanto a Áustria assumiu a de Holstein.
Bismarck percebeu que a dupla administração de Schleswig e Holstein era apenas uma solução temporária, e as tensões aumentaram entre o Reino da Prússia e o Império Austríaco. A luta pela supremacia na Confederação e a disputa sobre Schleswig e Holstein, levou à Guerra Austro-Prussiana, em 1866.
Do lado austríaco, ao sul, estavam os estados alemães (incluindo a Baviera e Württemberg), alguns estados alemães centrais (incluindo Saxônia) e Hanôver, ao norte. Do lado prussiano estavam o Reino da Itália e a maioria dos estados ao norte da Confederação e alguns estados centrais menores. As tropas prussianas, melhor armadas, conquistaram a vitória fundamental na batalha de Königgrätz, sob Helmuth von Moltke. O conflito centenário entre Berlim e Viena pelo domínio da Confederação havia acabado.
Pela Paz de Praga, em 1866, a Prússia anexou quatro dos aliados austríacos no norte e no centro da Alemanha: Hanôver, Hesse-Kassel, Nassau e Frankfurt. A Prússia também ganhou o controle total de Schleswig-Holstein. Como resultado desses ganhos territoriais, a Prússia estendeu-se através de dois terços do norte da Confederação, que continha dois terços da sua população. A “Confederação Germânica” foi dissolvida e a Prússia agrupou 21 estados norte do rio Meno para formar a “Confederação da Alemanha do Norte” sob hegemonia do Reino da Prússia e excluindo a Áustria e a Baviera.
Wilhelm I, Imperador Germânico  a partir
de 18 de janeiro de 1871.
A Prússia foi o Estado dominante na nova confederação, como um reino composto praticamente de quatro quintos do território do novo Estado e da população. O controle quase total da Prússia sobre a confederação foi garantido na constituição redigida por Bismarck em 1867. O poder executivo seria realizado por um presidente, coadjuvado por um chanceler apenas a ele subordinado. A presidência foi um cargo hereditário dos governantes Hohenzollern da Prússia. Havia também uma casa de dois parlamentos. A casa baixa, ou Reichstag, eleita por sufrágio universal masculino; a casa superior, ou Bundesrat (Conselho Federal), era nomeado pelos governos estaduais e, na prática, a casa mais forte. A Prússia teve 17 de 43 votos, e poderia facilmente controlar processos através de alianças com outros estados.
A polêmica entre a Prússia e o “Segundo Império Francês”[4] sobre a candidatura de um Hohenzollern ao trono espanhol foi intensificada tanto pela França como por Bismarck. Com seu “despacho de Ems”[5], Bismarck provocou a declaração de guerra da França à Prússia, por Napoleão III, em 19 de julho de 1870. Honrando os seus tratados, os estados alemães juntaram forças e, rapidamente, derrotaram a França na Guerra Franco-Prussiana. Com a vitória, sob a liderança de Bismarck, Baden, Württemberg e a Baviera, que haviam ficado fora da Confederação da Alemanha do Norte, aceitaram a incorporação a um Império Germânico unificado.
Segundo Bismark, o Império era a solução da "Alemanha Menor" no que se refere à união de todos os povos de língua alemã em um estado, excluindo a Áustria, que permaneceu conectada ao Reino da Hungria e cujos territórios incluíam populações não-alemãs. Em 18 de janeiro de 1871 (o 170º aniversário da coroação do rei Friedrich I), Wilhelm I foi proclamado "Imperador Germânico" (não "Imperador da Alemanha") no Salão dos Espelhos, em Versalhes, perto de Paris, com a capital francesa ainda sob cerco. Esse título (em alemão, “Deutscher Kaiser”) foi o título oficial do chefe de estado do Império Germânico, (Deutsches Reich) então ocupado pelo rei da Prússia (e Bismarck como seu chanceler), e vigorou desde que a Confederação da Alemanha do Norte, após a vitória da Prússia sobre a França na Guerra Franco – Prussiana, em 1871, tornou-se um império, até 1918, com o término da Primeira Guerra Mundial e a derrota da Alemanha.

[1] As Partilhas da Polônia ocorreram ao longo do século XVIII e puseram fim à existência da soberana República das Duas Nações (Reino da Polônia e Grão Ducado da Lituânia). Elas envolveram o Reino da Prússia, o Império Russo e a Monarquia/Império Austríaco, dividindo as terras da república entre elas. As três partilhas ocorreram em: 5 de agosto de 1772; 23 de janeiro de 1793; e 24 de outubro de 1795.
[2] A Sexta Coalizão (1812-1814) reuniu Áustria, Prússia, Rússia, Reino Unido, Portugal, Suécia, Espanha e alguns Estados Germânicos que finalmente conseguiram derrotar a França e enviar Napoleão para o seu primeiro exílio, na Ilha de Elba. Com a frustrada invasão da Rússia, os seus adversários se reorganizaram, expulsaram Napoleão da Alemanha em 1813 e invadiram a França em 1814, obrigando Napoleão a abdicar restaurando os Bourbons.
[3] Klaipėda, anteriormente referida como Memelburgo, é uma cidade e único porto lituano, situada na entrada da laguna da Curlândia, que deságua no mar Báltico, fundada pelos Cavaleiros Teutônicos. Algumas de suas construções mais antigas possuem similaridades com construções alemãs, francesas, inglesas, dinamarquesas e também do sul da Suécia.
[4] O Segundo Império Francês foi o regime monárquico bonapartista implantado por Napoleão III de 1852 a 1870, entre os períodos históricos da Segunda República e da Terceira República, na França. Durante este período, a capital Paris foi centro de exposições mundiais, para onde convergiam a divulgação do progresso cultural e industrial do mundo. Com a Guerra Franco-Prussiana, o Império encontrou seu fim, mostrando seu despreparo militar, com o próprio Imperador Napoleão III sendo capturado na desastrosa batalha de Sedan e deposto em seguida.
[5] O “Despacho de Ems” é um documento histórico. Foi o telegrama que relatou o encontro, em 13 de Julho de 1870 entre o Rei da Prússia Wilhelm I e o embaixador da França, na Prússia, em Bad Ems, no rio Lahn, perto de Koblenz. O telegrama foi habilmente manipulado por Bismark, de forma a torna-lo uma afronta aos franceses, assim provocando a declaração de Guerra da França.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

AS TRÊS PRIMEIRAS GRANDES CIVILIZAÇÕES MUNDIAIS: MESOPOTÂMIA (PARTE 01)

I - INTRODUÇÃO

Custei, mas aprendi, por conta mesmo de muitas das postagens aqui colocadas, sobre a necessidade do conhecimento das civilizações que, segundo os grandes mestres da História, são consideradas como as primeiras da humanidade, aquelas a partir das quais todas as demais se desenvolveram ou profundamente sofreram a sua influência. Tais civilizações foram responsáveis por toda a sequência de acontecimentos mundiais que as sucederam e, por isso mesmo, são frequentemente citadas em todas as informações disponíveis. Por essa razão, frequentemente somos obrigados a realizar alguma incursão sobre uma ou mais delas, para que os nossos leitores – os que ainda não conhecem o assunto – fiquem também a par dessas informações.
Lembro aos leitores que, neste artigo, estaremos falando sobre as primeiras civilizações e não sobre os primeiros homens ou humanoides sobre a terra - questão ainda bem mais complexa de resolver, dados os vários aspectos religiosos e científicos envolvidos -, provavelmente surgidos na África, cerca de 250.000 AC. Todos possuímos alguma ideia sobre o significado da palavra “civilização”, um conceito relacionado a uma sociedade complexa e avançada, como a atual sobre a Terra, mas também a culturas antigas que floresceram há milênios atrás, nos deixando um fantástico legado. Will Durant, em sua “História da Civilização”, define tal conceito como: “Ordem Social na promoção da criação de cultura”; e junta os quatro elementos que constituem uma civilização: “disposição econômica, organização política, tradições morais e a busca do conhecimento e das artes”. Acrescenta um ponto importantíssimo ao dizer que “a civilização começa aonde o caos e a insegurança começam, pois quando o medo é dominado, a curiosidade e a construção são livres e o homem passa, pelo impulso natural em direção ao entendimento e ao embelezamento da vida”. Numa definição mais palpável, Xavier Bartlett, licenciado em História e Arqueologia pela Universidade de Barcelona, diz que “civilização, num amplo sentido, denota um conjunto de ideias, conhecimentos, valores, instituições e empreendimentos de uma sociedade em um dado instante”.
É nesse contexto que, tentando resolver a nossa situação, de uma vez por todas, decidimos tomar coragem, realizando a pesquisa e publicando a presente matéria, que tem como objetivo a descrição das três primeiras grandes civilizações da Terra: Mesopotâmia, Egito e Vale do Indo.
Lembro aos leitores, como reforço à importância do tema, a frequência com que certas cidades, personagens e fatos ocorridos nessas civilizações, são mencionados no livro mais importante do mundo, o Antigo Testamento da Bíblia. Certamente, de posse desses conhecimentos, poderemos entender bem melhor a leitura do Livro Sagrado.
Entretanto, antes de iniciar o desenvolvimento dos objetivos específicos a que nos propomos, vejo importante que façamos, pelo menos, uma introdução ao sistema arqueológica de idades, muito necessário ao perfeito entendimento do estudo das grandes civilizações primitivas, como segue.

II - SISTEMA ARQUEOLÓGICO DAS TRÊS IDADES

O sistema das três idades, em arqueologia e antropologia física, é a classificação da pré-história[1] humana em três períodos de tempo consecutivos, designados por suas respectivas tecnologias de confecções de ferramentas:

Idade da Pedra (grosseiramente 3,4 milhões de anos atrás, até 6.000 a 2.000 AC)
Idade do Bronze (3.300 A.C – 1.200 A.C)
Idade do Ferro (1.200 AC – 200 D.C)

É temerário - e de pouco valor cronológico - querer definir com precisão inícios e finais das várias eras, pois está mais do que provado que elas não iniciaram ou acabaram simultaneamente em todo o mundo As datas e contextos variam muito, dependendo da região e tal sequência de eras não é necessariamente verdadeira para cada parte da superfície terrestre. Há áreas, como ilhas do Pacífico Sul, interior da África e partes da América do Norte e do Sul, onde os povos passaram diretamente do uso da pedra para o uso do ferro sem uma era intermediária do bronze. Muito próximo de nós, temos o caso do Brasil, que se encontrava, certamente, na Idade da Pedra quando os navegadores portugueses aqui chegaram, com todo o conhecimento da passagem da Idade Média para o Renascimento europeu, que incluía o uso das armas de fogo; nossos índios ficaram, portanto, muito longe de conhecerem toda a transição pelas várias eras.
O conceito da divisão das eras pré-históricas, em um sistema baseado nos metais, estende-se até a antiga história europeia, mas o presente sistema arqueológico das três eras principais – pedra, bronze e ferro – origina-se do arqueólogo dinamarquês Christian Jurgensen Thomsen (1788–1865), que colocou o sistema em bases mais científicas, por estudos tipológicos[2]  e cronológicos, inicialmente de ferramentas e outros artefatos presentes no Museu das Antiguidades do Norte, em Copenhague (mais tarde Museu Nacional da Dinamarca). Posteriormente ele utilizou artefatos e relatórios de escavação publicados ou a ele enviados por arqueólogos que faziam escavações controladas. Sua posição como curador do museu deu-lhe visibilidade suficiente para tornar-se altamente influente na arqueologia dinamarquesa.
A partir do exame dos artefatos do Museu e relatórios das modernas escavações, Thomsen mostrou que o material poderia ser classificado em tipos e que esses tipos variavam no tempo de forma a correlaciona-los com a predominância de implementos e armas de pedra, bronze e ferro. Desta forma, ele transformou o Sistema de Três Eras, de um esquema evolucionário, baseado na intuição e no conhecimento geral, em um sistema de cronologia relativa apoiado por evidência arqueológica. Tal como desenvolvido por Thomsen e seus contemporâneos na Escandinávia, esse sistema foi inicialmente enxertado na cronologia bíblica. Mas, durante os anos de 1830 eles alcançaram independência das cronologias textuais e confiaram principalmente na tipologia e estratigrafia[3].
Arranjando o material da coleção cronologicamente, Thomsen mapeou as espécies de materiais que ocorriam simultaneamente nos depósitos e quais não, pois que tais arranjos lhe permitiriam discernir tendências exclusivas a certos períodos. Desta forma ele descobriu que ferramentas de pedra não apareciam junto com ferramentas de bronze e ferro nos depósitos mais antigos e que ferramentas de bronze não foram encontradas com ferramentas de ferro, de forma que três períodos podiam ser definidos pelos três materiais disponíveis, pedra, bronze e ferro.
Essa análise, que enfatizava a ocorrência simultânea e a atenção sistemática ao contexto arqueológico, permitiu a Thomsen construir uma estrutura cronológica dos materiais da coleção e classificar novos achados em relação à cronologia estabelecida, mesmo sem muito conhecimento da sua origem. Desta forma, o sistema de Thomsen era realmente um sistema cronológico e não um sistema evolucionário ou tecnológico.
Por 1831 Thomsen estava tão certo da utilidade do seu método que fez circular um panfleto “Artefatos Escandinavos e sua Preservação”, aconselhando arqueólogos a observar o maior cuidado em anotar o contexto de cada artefato; tal panfleto teve efeito imediato. Resultados reportados a ele confirmaram a universalidade do Sistema das Três Eras. Thomsen já tinha uma reputação internacional quando, em 1836, a Real Sociedade de Antiquários do Norte publicou a sua contribuição ilustrada no “Guia da Arqueologia Escandinava” em que ele expunha a sua cronologia com comentários sobre tipologia e estratigrafia.
Thomsen foi o primeiro a perceber tipologias de objetos de túmulos, tipos de túmulos, métodos de enterro, motivos cerâmicos e decorativos, bem como designar esses tipos a camadas encontradas em escavações. Seus aconselhamentos pessoais e publicados, relativos a métodos de escavação, a arqueólogos dinamarqueses, produziram resultados que comprovaram, empiricamente, o seu sistema, colocando a Dinamarca na vanguarda da arqueologia europeia por uma geração, pelo menos.
Desde 1836 o seu sistema tem sido expandido por subdivisões de cada era e refinado por achados arqueológicos e antropológicos adicionais, além do concurso de outros arqueólogos e antropólogos que vieram após ele. As alterações mais importantes referem-se à subdivisão da Idade da Pedra em três períodos – Paleolítico, Mesolítico e Neolítico – e à subdivisão da Idade do Bronze em dois períodos – Idades do Cobre e do Bronze propriamente dita.


TABELA RESUMIDA DO SISTEMA DAS TRÊS ERAS 

Era
Período
Ferramentas
Economia
Locais de Moradia
Sociedade
Religião
Idade da Pedra
Paleolítico
Ferramentas e objetos manufaturados encontrados na natureza – porrete, clava, pedra afiada, cutelo, machado, lança, arpão, agulha.
Caça e coleta
Estilo de vida móvel - cavernas, cabanas, em geral a beira de rios ou lagos
Um grupo de coletores de plantas comestíveis e caçadores (25 a 100 pessoas)
Evidência de crença no após vida apenas no Paleolítico Superior, marcado pela aparência de rituais de enterro e adoração de ancestrais. Sacerdotes e servos de santuários aparecem na pré-história.
Mesolítico
Ferramentas empregadas em dispositivos compostos – arpões, arco e flecha. Outros dispositivos tais como cestas de pesca e barcos
Caça e coleta intensa, presa de animais selvagens e sementes de plantas selvagens para uso doméstico e cultivo
Vilas temporárias em locais oportunos para atividades econômicas
Tribos e bandos
Neolítico
Ferramentas de pedra polida, dispositivos úteis no cultivo de subsistência e defesa – formão, enxada, arado, canga, gancho de ceifa, tear, cerâmica e armas
Revolução Neolítica – domesticação de animais usados na agricultura e pastoreio, caça e pesca. Ferramentas de guerra.
Instalações permanentes variáveis em tamanho, de vilas a cidades muradas, obras públicas.
Tribos e formação de supremacias em algumas sociedades Neolíticas do final do período
Politeísmo presidido pela deusa mãe.
Idade do Bronze
Idade do Cobre
Ferramentas de cobre, roda de oleiro
Civilização incluindo ofício e comércio
Centros urbanos circundados por comunidades politicamente ligadas
Cidades-estados*
Deuses étnicos, religião do estado
Idade do Bronze
Ferramentas de bronze
Idade do Ferro
Ferramentas de ferro
Economia nacional presidida pelo governo
Cidades ligadas por estradas, capital de cidade
Países, impérios
Uma ou mais religiões sancionadas pelo estado
* A formação de estados se inicia durante o início da Idade do Bronze no Egito e Mesopotâmia; durante o final da Idade do Bronze são fundados os primeiros impérios.



[1] Pré-história (antes da história, ou antes do conhecimento adquirido pela investigação) é o período de tempo antes da que a história fosse registrada ou antes da invenção dos sistemas de escrita. Ela se refere ao período da existência humana antes da disponibilidade daqueles registros escritos com os quais começa a história registrada. Mais amplamente, pode se referir a todo o tempo entre o início da existência humana e a invenção da escrita.
[2] Na arqueologia, a tipologia é um método científico que estuda os diversos utensílios e outros objetos (cerâmicas, peças de metal, indústrias lítica e óssea, etc.) encontrados nas escavações, e que os agrupa e classifica segundo as suas características quantitativas (medidas) e qualitativas (morfologia, matéria-prima, técnicas de fabrico, etc.), com vista à sua repartição em classes definidas por tipos modelo.
[3] Estratigrafia é um ramo da geologia que estuda as camadas de rochas e a formação em camadas (estratificação). Ela é primariamente utilizada no estudo de rochas sedimentares e rochas vulcânicas em camadas. A estratigrafia inclui dois campos relacionados: estratigrafia litológica (lito estratigrafia) e estratigrafia biológica (bio estratigrafia).

Na próxima postagem, PARTE 2