Homenagem ao lendário herói ancestral dos ingleses que deu título a um dos considerados "Cem Maiores Livros do Mundo" e tido como o mais antigo escrito em "Old English".

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

A REFORMA E OS REFORMADORES - PARTE 2

III – OS PRECURSORES DA REFORMA

Como a Renascença, que pouco a antecedeu, a Reforma tem um grande número de possíveis pontos de partida. O desejo de redescobrir uma versão mais simples e autêntica da vida cristã é característico de muitos novos movimentos dentro do Cristianismo, um dos quais o comprometimento com a pobreza de São Francisco. A reação contra o mundanismo da Igreja é outro tema recorrente, como o caso de Savonarola[1]. Mas John Wycliffe,
John Wycliffe, precursor das reformas religiosas que

sacudiram a Europa nos séculos XV e XVI
na Inglaterra do século XIV, introduz tantos fatores da Reforma – com relação a prelados mundanos, a primazia da escritura e a natureza da Eucaristia – que ele é usualmente identificado como o principal precursor deste maior de todos os levantes da história Cristã.
Entre 1376 e 1379, John Wycliffe, escrevendo principalmente de Oxford, segue uma linha controversa em muitas questões. Ele argumenta que a Igreja não tem um papel correto em questões materiais e que homens corruptos da Igreja perdem até a autoridade espiritual supostamente inerente às suas posições. Ele sustenta que tudo que um cristão precisa é o exemplo da Escritura, que os crentes deveriam poder ler em suas próprias línguas. Ele nega que o pão e o vinho consagrado sejam literalmente transubstanciados no corpo e sangue de Cristo. Mais provocativo que tudo, não encontra justificativa na Bíblia para a autoridade papal. Em 1377, o Papa Gregório XI
Papa Gregório XI, o último Papa antes do
“Grande Cisma”
ordena que Wycliffe seja preso e examinado, mas contando com protetores poderosos na Inglaterra, entre eles, John of Gaunt
[2], ele é apenas posto em prisão domiciliar. Em 1378 Gregório XI morre e o papado mergulha no “Grande Cisma”[3], originando mais problemas que o herético inglês que muda para passar os últimos poucos anos de sua vida em Lutterworth, onde morre em 1384. Suas ideias se espalharam pela Inglaterra cujos seguidores passaram a ser conhecidos como “Lollards” (uma palavra holandesa para “resmungão), prefigurando muito do que seria associado com o “Puritanismo”. As “Doze Conclusões” publicadas pelos Lollards, em 1395, além dos temas de Wycliffe – a maior tarefa do padre é pregar, as escrituras devem ser acessíveis a todos e a recusa desdenhosa às pretensões de Roma – repudiavam as imagens, as peregrinações, as vestimentas, a confissão, o celibato dos padres e mesmo os votos de castidade das freiras. Como seita proibida, os Lollards somente vão ter qualquer papel na Inglaterra do século XV, mas os trabalhos de Wycliffe, levados de Oxford para Praga, fermentam uma poderosa agitação entre os seguidores de John Huss.
John Huss, um professor de filosofia na Universidade de Praga, é nomeado, em 1402, para uma posição controversa, encarregado da capela de Bethlehem, Praga. Fundada 10 anos atrás, a capela é associada a uma abordagem radical do Cristianismo. O púlpito, lugar para sermões na língua tcheca, para pessoas comuns, é tão proeminente quanto o altar e nele os pregadores pedem por um cristianismo simples, uma religião de pobreza e humildade, bem diferente da grandeza mundana do papado. Ao tempo do primeiro envolvimento de Huss com a capela, a tensão foi aumentada pelo retorno de Oxford de seu jovem amigo Jerome de Prague, que traz consigo livros de Wycliffe cujos pontos de vista, particularmente a natureza não santa do papado, coincidem com os de Huss. Por vários anos violentos os reformadores pregam e agitam em Praga tendo o papado como um alvo fácil já que desde 1378 existiam dois papas rivais; a partir de 1409 eles eram três. Um deles chegou ao despudor de vender indulgências em Praga para financiar sua campanha contra seus oponentes. Em 1414 um concílio é reunido em Constance[4] para resolver a questão dos três Papas. Como voz proeminente da reforma eclesiástica, Huss é convidado para expor seu caso. O convite implica em perigo pessoal para Huss, mas ele conta com a promessa de salvo conduto do Imperador Sigismund. Viaja para a pequena cidade agora cena de brilhante reunião de potentados cristãos e em semanas de sua chegada Huss é preso com a tácita aprovação do Imperador.
A execução de Jan Hus, importante
precursor da Reforma, em 1415
O Concílio trata da heresia mais rapidamente do que discute com sucesso a redução de três papas para um. As ideias de Wycliffe e Huss são discutidas e rapidamente condenadas e o último é queimado na estaca em 1415. Jerome de Prague que corre a Constance em defesa de seu mestre também é preso e em maio de 1416 é queimado no mesmo local em que o fora Huss. Como garantia de que não restassem sinais de heresia, o Concílio espalha as cinzas de Huss no rio Reno, da mesma forma que ordena que o corpo de Wycliffe seja desenterrado, queimado e destinado a um rio inglês.
Quando as notícias da morte de Huss chegaram a Praga, o movimento da reforma foi grandemente ampliado. Seu sucessor na capela de Bethlehem lista quatro princípios radicais em que os Hussitas insistem: liberdade para pregar; o vinho, como o pão, a ser dado aos fiéis na Missa; um clero comprometido com a pobreza, junto com a expropriação da propriedade da Igreja; e uma punição pública de pecadores notórios, entre os quais as prostitutas são escolhidas por atenção especial. Os Hussitas também discordavam de Roma por conduzir seus serviços em tcheco ao invés de latim. Suas ideias se espalharam rapidamente pela Bohemia[5], alimentadas por uma onda nacionalista antigermânica, já que Huss havia sido morto em solo germânico, por traição do rei germânico e imperador do Sacro Império Roman Germânico, Sigismund, meio irmão do rei boêmio Wenceslas IV. Com sua morte, em 1419, Sigismund pressiona sua reivindicação ao trono da Bohemia e o reino explode.
Em 1420 os hussitas constroem uma cidade fortificada em Tabor, a 80 km ao sul de Praga, de onde seu líder, Jan Zizka, conduz uma série de brilhantes campanhas contra os exércitos de Sigismund e o novo Papa Martin V. Em 1420 o Papa proclama uma cruzada contra os hussitas, na primeira vez em que uma heresia é especificamente atacada por determinação Católica Romana e o Papa acusado de trair o exemplo dos primeiros cristãos de duas formas: sua universalidade e sua restrição do sacramento. Marchando sob sua bandeira simbólica, um cálice de comunhão, os hussitas derrotam uma dúzia de exércitos papais e imperiais enviado contra eles entre 1420 e 1431. Tais vitórias finalmente arrancam do Papa algumas concessões notáveis da Bohemia, em termos acordados em 1433.
Pelos Tratados de Praga de 1433, confirmados pelo tratado de paz de 1436, foi garantido aos hussitas (1) a permissão papal para dar o sacramento das duas formas; (2) a apreensão das terras da Igreja em seus territórios; e (3) foi garantida à Bohemia uma igreja independente sob um arcebispo eleito. Tais concessões não terminaram com a discussão. A divisão religiosa permaneceu como principal questão por todo o século XV, que viu a eleição do rei hussita George de Podebrady ao trono da Bohemia em 1458.
Durante o século XV desenvolveu-se, no noroeste da Europa, um calmo movimento devoto do Cristianismo, muito diferente da pompa e cerimônia de Roma, como uma percepção tardia da complexa evolução da Reforma. Conhecido como “Devoção Moderna”, o movimento derivou da “Fraternidade da Vida Comum”, um grupo de padres e leigos que compartilhavam uma vida simples semelhante à dos primeiros cristãos, que se devotavam ao ensino e cuidado do pobre. Um livro escrito no início do século XV, a Imitação de Cristo, provavelmente de Thomas de Kempis, transformou-se no manual extremamente influente, para a devoção cristã. Sem hierarquia e ritual, a ênfase do grupo ficava na abordagem pessoal de Cristo através do intenso estudo dos primeiros textos cristãos. Tais textos, originalmente em grego, tinham por séculos sido conhecidos somente no latim da Vulgata[6]. Tentando retornar às fontes originais, tais estudiosos do norte compartilhavam o interesse com os pioneiros da Renascença na Itália.
A educação de Erasmus[7], nos Países Baixos, na década de 1470, é tingida pela influência da “Devoção Moderna”. Como a fraternidade, ele pode ser visto como parte de uma tendência em direção à Reforma, embora ele ardorosamente evitasse endossá-la. Sua atitude com relação ao papado materialista do século XVI é essencialmente a dos reformadores. Sua tradução do Novo Testamento grego para o latim, sempre teve em vista a “Devoção Moderna” e a Reforma.
A Alemanha estabelece um contexto em que materialismo dentro da Igreja Romana Católica é ofensivamente evidente. Alguns dos principados que juntos fazem o Sacro Império Romano, são governados por prelados inescrupulosos vivendo ao estilo dos príncipes da Renascença, entre eles e principalmente, Albert, arcebispo de Mainz e um dos sete eleitores imperiais. Com a idade de 24 anos, Albert ocupa um bispado e um segundo arcebispado além de Mainz. Tal pluralidade é proibida pela lei canônica, mas o Papa Leão X 
Papa Leão X, Giovanni di Lorenzo de Medici,
último Papa não sacerdote
negligencia a irregularidade em troca de uma grande doação para os custos da nova São Pedro. O Papa e o arcebispo eram homens do mundo (o Papa era um Médici) e o primeiro vê um meio de recompensar o segundo por seus custos, garantindo-lhe a concessão da venda de indulgências para a Basílica de São Pedro, com a metade do dinheiro de cada indulgência indo para Roma e a outra metade para pagar as dívidas de Albert para com a dinastia dos Fuggers a quem havia solicitado o empréstimo. Este arranjo secreto poderia perturbar os fiéis se soubessem dele, mas mais chocante foi o procedimento imediato de Johann Tetzel, a quem Albert empregou para vender as indulgências e que foi muito além da doutrina oficial das indulgências.
Johann Tetzel, (1465–1519) foi um frade e pregador dominicano alemão da Igreja Católica. Foi um Grande Inquisidor de Heresia na Polônia, mais tarde tornando-se o Grande Comissário para indulgências na Alemanha. Dizem que ia tão longe a ponto de prometer a liberação das dores do Purgatório assim que uma compra fosse efetuada. Foram as agressivas práticas de “marketing” de Johann Tetzel na promoção desta causa, que provocaram Lutero a escrever suas “Noventa e Cinco Teses”, condenando o que ele via como “compra e venda da salvação”. Na Tese 28 Lutero objetava a um dito atribuído a Tetzel: “Assim que uma moeda tilinta no cofre, uma alma se salva do Purgatório”. As “Noventa e Cinco Teses” não apenas denunciavam tais transações, mas negavam ao Papa o direito de garantir perdão por Deus, em primeiro lugar. A única coisa que as indulgências garantiam, segundo Lutero, era um aumento do lucro e da avareza, porque o perdão da Igreja estava somente no poder de Deus.
Johann Tetzel, o frei dominicano pivô
imediato das teses de Lutero
Na verdade, as palavras de Tetzel não eram representativas do ensinamento oficial da Igreja sobre as indulgências, mas antes um reflexo da sua capacidade de exagerar. Contudo, se Tetzel exagerava a questão das indulgências para os mortos, seu ensinamento de indulgências para os vivos era puro e quanto a elas, ele sempre ensinou a doutrina pura. A afirmativa de que ele evidenciava as indulgências como sendo, não apenas uma remissão da punição temporal do pecado, mas um perdão da sua culpa, é tão infundada quanto a de que ele vendia o perdão do pecado por dinheiro, sem mesmo qualquer menção de contrição e confissão, ou que, por pagamento, ele absolvia de pecados que ainda seriam cometidos no futuro. Seu ensinamento era, de fato, muito definido e em total harmonia com a teologia da Igreja, como era então e como é agora, isto é, as indulgências “aplicam-se apenas à punição temporal devido a pecados dos quais já houve o arrependimento e a confissão”...
O caso era muito diferente com relação às indulgências para os mortos, para as quais não há dúvida do que Tetzel fez, de acordo com o que ele considerava suas instruções oficiais: proclamar como doutrina cristã que nada além de uma doação em dinheiro era necessário para ganhar a indulgência dos mortos, sem aqui existir qualquer questão de contrição ou confissão. Ele também ensinou, de acordo com a opinião então tida, que uma indulgência poderia ser aplicada a qualquer alma, de efeito sem falha. Partindo dessa hipótese, não há dúvida de que sua doutrina era, virtualmente, a do drástico provérbio. Foi uma opinião escolástica vaga e certamente nunca uma doutrina da Igreja, que foi impropriamente usado como verdade dogmática. O primeiro dos teólogos da corte romana, Cardeal Cajetan, sempre foi inimigo de tais extravagâncias e declarou, enfaticamente, que mesmo que os teólogos e pregadores ensinassem tais coisas, não se lhes era preciso dar crédito. Disse ele que “pregadores falam em nome da Igreja só quando proclamam a doutrina de Cristo e Sua Igreja; mas que, se para seu próprio benefício, eles ensinam sobre coisas que nada sabem e que é somente sua própria imaginação, não devem ser aceitos como porta-vozes da Igreja”.


[1] Girolamo Savonarola (21 de setembro 1452 – 23 de maio 1498) foi um frei dominicano italiano e ativo pregador na Florença renascentista. Ficou conhecido por suas profecias sobre glória cívica, destruição da arte e cultura secular e seus chamados à renovação cristã. Denunciou a corrupção do clero, o governo despótico e a exploração dos pobres. Enquanto Savonarola interferia com o rei francês, os florentinos expulsavam o domínio Medici e por sua incitação estabelecia uma república popular. Declarando que Florença seria a Nova Jerusalém, centro mundial da Cristandade “mais rica, poderosa e gloriosa que nunca”, instituiu uma campanha de extrema austeridade, com ajuda da juventude florentina. Em 1945, quando Florença recusou unir-se à Santa Liga do Papa Alexandre VI contra os franceses, o Vaticano convocou Savonarola a Roma; ele desobedeceu e desafiou o Papa pregando através de um édito que reforçava sua campanha por reformas. Em retaliação, Savanarola foi excomungado pelo Papa em maio de 1497, ameaçando Florença com interdição. Savonarola e dois frades que o apoiavam foram presos e, sob tortura, Savonarola confessou ter inventado suas visões e profecias. Em 23 de maio de 1498, a Igreja e autoridades civis condenaram, enforcaram e queimaram os três frades na principal praça de Florença.
[2] John de Gaunt (6 março 1340 – 3 fevereiro 1399), 1º Duque de Lancaster, o terceiro de quatro filhos sobreviventes do Rei Edward III da Inglaterra e Philippa de Hainault. Chamado “de Gaunt” porque nascido em Ghent, Flandres (hoje Bélgica). Irmão mais novo de Edward, Príncipe de Gales, John teve grande influência sobre o trono inglês enquanto o filho de Edward (Rei Ricardo II) era menor e os períodos que se seguiram de discórdia política. Devido a algumas generosas doações de terras, John foi um dos homens mais ricos de sua era. Fez uma tentativa frustrada à Coroa de Castela por anuência de sua segunda esposa, Constance, herdeira daquele reino, e por algum tempo considerou-se como tal.
[3] Em 1377, após o papado ter residido por quase 70 anos em Avignon, sob a sombra do poder real francês, Gregório XI conseguiu levá-lo de volta a Roma, a despeito da hostilidade de nobres e de seus próprios cardeais. Quando morreu, em março de 1378, vários cardeais ainda viviam em Avignon onde uma parte considerável da burocracia papal ainda funcionava. O “Grande Cisma”, que só foi encerrado pelo Concílio de Constance, em 1417, irrompeu pela impossibilidade da definição de um só Papa e do local de sua Sé.
[4] Constance é uma cidade universitária com aproximadamente 80.000 habitantes localizada na extremidade oeste do lago Constance, sul da Alemanha, fronteira com a Suíça. A cidade abriga a Universidade de Konstanz e foi, por mais de 1.200 anos, a residência da Diocese Católoca Romana de Konstanz.
[5] A Bohemia é uma região histórica da Europa Central, que compreende hoje os terços ocidental e central da República Tcheca. É flanqueada pela Alemanha, Polônia, a histórica região tcheca da Morávia e a Áustria. A Bohemia foi unificada sob a dinastia Premyslid pela qual tornou-se também uma parte autônoma do Sacro Império Romano, após aceitar o Cristianismo no nono século. Charles IV, Imperador do Sacro Império, da dinastia subsequente Luxembourg, estabeleceu a primeira universidade da Europa Central em Praga, estabelecendo a fórmula para o rápido desenvolvimento econômico, cultural e artístico da região.
[6] Em 382 o Papa Damasus encarregou Jerome de produzir uma versão definitiva da Bíblia em Latim. Tal versão, concluída em 405, ficou conhecida como Vulgata, sendo estabelecida como a Bíblia de toda a Igreja Ocidental até a Reforma.
[7] Erasmo de Roterdã (28 de outubro de 1466 – 12 de julho de 1536) foi um padre católico, humanista, crítico social, professor e teólogo da Renascença holandesa. Usando técnicas humanistas de redação, ele preparou importantes novas edições do Novo Testamento em latim e grego, que suscitaram questões influentes na Reforma e Contra Reforma Católica.

PROSSEGUE COM A PARTE 3

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

A REFORMA E OS REFORMADORES - PARTE 1

I - INTRODUÇÃO

Inicio este trabalho, que considero, talvez, o mais importante de tantos quantos publiquei até hoje, com um parágrafo do prefácio da obra “História da Reforma do Século XVI”, de autoria de J. H. Merle d’Aubigné. E faço isto, porque considero este parágrafo extremamente importante para a questão que me proponho apresentar, qual seja, a Reforma:

“A história de uma das maiores revoluções jamais consumadas nas relações humanas – de um poderoso impulso comunicado ao mundo três séculos atrás, e cuja influência é ainda hoje visível em todo o mundo – e não a história de uma mera facção, é o objeto da minha presente empresa. A história da Reforma é distinta da história do Protestantismo. Na primeira, cada coisa traz a marca do renascimento da raça humana – de uma mudança religiosa e social emanando do próprio Deus. Na segunda, muitas vezes testemunhamos uma evidente degeneração dos princípios originais, lutas entre facções, um espírito sectário e os traços de mesquinhas individualidades. A história do Protestantismo pode ter interesse apenas para os Protestantes; a história da Reforma se dirige a toda a Cristandade, ou ainda, a toda a Humanidade.”

A Reforma Protestante, muitas vezes conhecida simplesmente por “Reforma”, foi um cisma (ou uma dissidência) da Igreja Católica Romana iniciado por Martin Luther e continuado por Jean Calvin e outros reformadores protestantes da Europa do século XVI.
Embora tenham havido tentativas significativas anteriores para reformar a Igreja Católica Romana, como as de Jan Hus, Peter Waldo e John Wycliffe, Martin Luther[1] é amplamente reconhecido por ter iniciado a Reforma com suas “Noventa e Cinco Teses”[2], de 1517.
O movimento religioso que iniciou na Europa Ocidental e que, ostensivamente, visava uma renovação interna da Igreja, realmente conduziu a uma grande revolta contra si e a um abandono das principais crenças cristãs.
Luther começou por criticar a venda de indulgências, insistindo que o Papa não tinha autoridade sobre o Purgatório e que a doutrina católica dos “méritos dos Santos”[3] não possuía respaldo nos Evangelhos. A posição protestante, entretanto, incorporaria mudanças doutrinais como os "Cinco Somente” (de que ainda falaremos). A motivação central atrás dessas mudanças era teológica, embora muitos outros fatores tenham agido, incluindo a ascensão do nacionalismo, o “Cisma Ocidental”, que erodiu a fé do povo no Papado, a corrupção observada na Cúria Romana, o impacto do humanismo e o novo “Renascimento” que questionou muito do pensamento tradicional.
O movimento iniciado na Alemanha proliferou em vários lugares e outros impulsos à reforma surgiram independentes de Lutero. A difusão criada pela prensa de Gutenberg forneceu os meios necessários para a rápida disseminação de materiais religiosos no vernáculo. Os maiores grupos foram os Luteranos e os Calvinistas. As igrejas luteranas foram fundadas, principalmente, na Alemanha, nos Bálticos e na Escandinávia, ao passo que as calvinistas na Suíça, Hungria, França, Holanda e Escócia. O novo movimento influenciou a Igreja da Inglaterra[4] decisivamente após 1547, embora tenha se tornado independente sob Henry VIII, mais por razões políticas do que religiosas.
Outros movimentos reformadores também aconteceram por toda a Europa, conhecidos por Reforma Radical, que deu origem aos movimentos Anabatista[5], Moraviano e outros. Os reformadores radicais, além de formar comunidades fora da sanção do Estado, muitas vezes empregaram mudanças doutrinárias extremadas, tais como a rejeição das doutrinas dos Concílios de Niceia e Calcedônia.
A Igreja Católica Romana respondeu com uma Contrarreforma iniciada pelo “Concílio de Trento”. Desenvolvido em três períodos, entre 1545 e 1563, nas cidades de Trento e Bolonha, norte da Itália, o “Concílio de Trento” foi dos mais importantes concílios ecumênicos da Igreja Católica Romana. Motivado pela Reforma, ele tem sido descrito como a personificação da Contrarreforma. Quatrocentos anos mais tarde, quando o Papa João XXIII preparava o “Concílio Vaticano Segundo”, ele confirmou os éditos então emitidos: “O que era ainda é”. Como os éditos, o Concílio emitiu condenações do que ele definiu como heresias cometidas pela Reforma e, em resposta a eles, declarações-chave e esclarecimentos sobre as doutrinas e ensinamentos da Igreja. Tais incluíram uma ampla gama de assuntos, incluindo as Escrituras, o Cânon Bíblico, a tradição sagrada, o pecado original, reabilitação, salvação, os sacramentos, a Missa e a veneração dos Santos. O Papa Paulo III, que convocou o Concílio, presidiu a abertura e as onze primeiras sessões (1545-1547); as sessões de números 12 a 16 (1551-1552) foram presididas pelo Papa Júlio III e as sessões 17 a 25 (1562-1563), pelo Papa Pio IV.
Em geral, o norte da Europa, com exceção da maior parte da Irlanda ficou sob a influência do Protestantismo (como sinônimo de Reformador), enquanto o sul da Europa permaneceu Católico Romano, embora a Grécia permanecesse, predominantemente, Ortodoxa Oriental, ao passo que a Europa Central foi um local de conflito feroz, que culminou com a Guerra dos Trinta Anos, que a deixou devastada.
Todos os assuntos apenas anunciados nesta Introdução, serão vistos com detalhes na exposição que segue.

II – IDEIAS GERAIS DAS CAUSAS DA REFORMA

As causas da grande revolução religiosa do século XVI retroagem até o século XIV.
A doutrina da Igreja, é verdade, havia até então permanecido pura; vidas santas eram ainda frequentes em todas as partes da Europa e as numerosas instituições medievais beneficentes da Igreja continuavam o seu curso sem interrupção. Fossem quais fossem as condições infelizes que existiam, eram devidas às influências civis e profanas ou pelo exercício de autoridade por eclesiásticos nas esferas civis; as coisas não eram obtidas em todos os lugares com a mesma intensidade, nem ocorriam simultaneamente no mesmo país. A vida eclesiástica e religiosa exibia, em muitos lugares, vigor e variedade; trabalhos de educação e caridade abundavam; a arte religiosa, em todas as suas formas, tinha uma força viva; os missionários domésticos eram muitos e influentes; uma literatura pia e edificante era comum e apreciada. Gradualmente, contudo, e muito devido ao espírito hostil, de forma variada, dos poderes civis, nutrido e aumentado por vários elementos da nova ordem, surgiram, em várias partes da Europa, condições políticas e sociais que obstruíram as livres atividades reformadoras da Igreja, favorecendo o audacioso e o inescrupuloso, que usou uma oportunidade única de liberar todas as forças de heresia e cisma por tanto tempo mantidas em cheque pela ação harmoniosa das autoridades eclesiásticas e civis.
Desde as invasões bárbaras, a Igreja havia observado uma transformação e renascimento completos das raças da Europa Oriental, além de um desenvolvimento glorioso da vida intelectual e religiosa. O Papado havia se tornado o centro de poder da família das nações cristãs e como tal teve, por séculos, em união com o episcopado e o clero, disponibilizado uma atividade muito benéfica. Com a organização eclesiástica plenamente desenvolvida, ocorreu que as atividades dos corpos governantes eclesiásticos não ficaram mais confinados ao domínio eclesiástico, mas afetavam quase toda a esfera da vida popular. Gradualmente, um mundanismo lamentável manifestou-se em muitos altos eclesiásticos. Seu objetivo principal – guiar o homem para o seu objetivo eterno – raramente chamava a sua atenção e as atividades mundanas tornaram-se, em muitos casos, seu principal interesse. O poder político, posses materiais, posição privilegiada na vida pública, a defesa de direitos históricos antigos, interesses terrenos de várias espécies, foram muitas vezes o objetivo principal de grande parte do clero superior. A solicitude pastoral, o objetivo especificamente religioso e eclesiástico, ficou totalmente para trás, não obstante as várias tentativas para acertar os males existentes.
Conectados com o que foi dito acima, estavam vários abusos nas vidas do clero e do povo. Na Cúria Papal os interesses políticos e uma vida mundana eram muitas vezes proeminentes. Muitos bispos e abades (especialmente em países onde eram príncipes territoriais) mantinham-se como governantes temporais ao invés de servos da Igreja. Muitos membros dos corpos eclesiásticos preocupavam-se apenas com suas rendas e em como aumenta-las, especialmente pela união de vários rendimentos nas mãos de uma pessoa que assim gozava de maior renda e poder. A luxúria prevalecia amplamente entre o clero superior, ao passo que o baixo clero se achava oprimido. O treinamento científico e ascético do clero deixava muito a desejar; muitos detinham um padrão moral muito baixo e a prática do celibato não era observada em todos os lugares. Não menos séria era a condição de muitos monastérios de homens e mesmo de mulheres (muitas vezes lares das filhas solteiras da nobreza). O antigo prestígio do clero havia sofrido demais e seus membros eram, em muitos lugares, vistos com escárnio. Com relação aos cristãos, em numerosos distritos a ignorância, superstição, indiferença religiosa e imoralidade grassavam. Contudo, vigorosos esforços para a revivicação eram feitos em muitas terras e, lado a lado com a decadência moral, numerosos exemplos de sincera e correta vida cristã surgiam. Tais esforços, contudo, eram muitas vezes confinados a círculos limitados. A partir do século XIV a demanda pela “reforma de cabeça e membros” era exigida com energia crescente por homens sérios e de bom discernimento, mas o mesmo grito também era dado por muitos que não possuíam um desejo real por uma renovação religiosa, querendo reformar os demais, mas não a si mesmos e buscando apenas seus próprios interesses. Esse chamado por uma reforma, discutido em vários escritos e discussões com insistência sobre abusos existentes e muitas vezes exagerados, tendiam necessariamente a rebaixar ainda mais o clero aos olhos do povo, especialmente à medida que os concílios do século XV, embora muito ocupados com as tentativas de reforma, não tinham sucesso em seu cumprimento extensivo ou permanente. 
Felipe IV da França, que transferiu
a sede do Papado para Avignon
A autoridade da Santa Sé também tinha sido seriamente debilitada, parcialmente por culpa de alguns de seus ocupantes e parcialmente através de seus príncipes leigos. A mudança do Papa para Avignon[6], no século XIV, foi um erro atroz, dado que o caráter universal do papado foi assim obscurecido nas mentes dos cristãos. Certas fases da rixa com Luís, o Bávaro, e com os Seguidores Franciscanos, claramente indicava um declínio do poder Papal. O mais severo golpe ocorreu pelo desastroso “Cisma Ocidental”[7] (1378-1418), que passou aos cristãos ocidentais a ideia de que a guerra poderia ser feita, com todas as armas espirituais e materiais, contra alguém a quem outros cristãos viam como o único Papa legal. Após a restauração da unidade, as tentativas de reforma da Cúria Papal não foram completas. O Humanismo e os ideais do Renascimento foram zelosamente cultivados em Roma e, infelizmente, as tendências pagãs deste movimento, tão opostas à lei de moral cristã, afetaram tão profundamente a vida de muitos eclesiásticos superiores, que ideias mundanas, luxúria e imoralidade rapidamente se enraizaram no centro da vida eclesiástica. Quando a autoridade eclesiástica se enfraqueceu na nascente, decaiu em todos os lugares necessariamente. Havia também sérios abusos administrativos na Cúria Papal[8]. A sempre crescente centralização da administração eclesiástica havia exposto que os exagerados benefícios eclesiásticos em todas as partes da Cristandade eram conferidos em Roma onde, para a sua concessão, os interesses pessoais do peticionário eram muito mais considerados do que as necessidades espirituais do fiel. As várias espécies de restrições tinham também se tornado um grave abuso. A insatisfação era amplamente sentida entre o clero pelas excessivas taxas impostas pela Cúria sobre os beneficiados pelos benefícios eclesiásticos. A partir do século XIV essas taxas causaram graves queixas. Proporcionalmente, como a autoridade papal perdeu o respeito de muitos, o ressentimento cresceu contra a Cúria e o Papado. Os concílios de reforma do século XV, ao invés de melhorar a situação, ainda mais enfraqueceram a mais alta autoridade eclesiástica em razão de suas tendências e medidas antipapas. 
Papa Bonifácio VIII, último
Papa de Roma antes do Cisma
Nos príncipes e governos se havia desenvolvido, a este tempo, uma consciência nacional puramente temporal e, em grande extensão, hostil à Igreja; os poderes civis interferiam mais frequentemente nos assuntos eclesiásticos e a influência direta exercida pelos leigos sobre a administração doméstica da Igreja, aumentava rapidamente. No correr dos séculos XIV e XV, o conceito moderno de Estado surgiu. Durante o período precedente, muitos assuntos de natureza secular ou mista haviam sido regulados ou gerenciados pela Igreja de acordo com o desenvolvimento histórico da sociedade europeia. Com a crescente autoconsciência do Estado, os governos temporais procuraram controlar todos os assuntos dentro de sua competência, o que, embora em grande medida justificável, era novo e ofensivo assim conduzindo a frequentes colisões entre a Igreja e o Estado. Além disso, o Estado, devido à histórica ligação entre as ordens eclesiástica e secular, transgrediu o domínio eclesiástico. Durante o curso do “Cisma Ocidental”, Papas que se opunham buscaram o suporte dos poderes civis assim dando aos últimos abundantes ocasiões de interferir em questões puramente eclesiásticas. Novamente, para reforçar sua autoridade em face às tendências antipapas, os Papas do século XV fizeram, com frequência, certas concessões às autoridades civis que as fizeram crer que as questões eclesiásticas eram do seu domínio. Para o futuro, a Igreja deveria ser subordinada ao poder civil e encontrava-se crescentemente ameaçada de completa sujeição. De acordo com a autoconsciência nacional desenvolvida em vários países da Europa, o sentido da unidade e interdependência desenvolvido na família de nações cristãs enfraqueceu. O ciúme entre nações cresceu, o egoísmo proliferou, a fenda entre política, moralidade cristã e religião se ampliou, e tendências revolucionárias perigosas se espalharam rapidamente entre as pessoas. O amor à riqueza recebeu um grande incentivo com a descoberta do Novo Mundo, o rápido desenvolvimento do comércio e a nova prosperidade das cidades. 
Clemente V, o primeiro
Papa de Avignon
O Renascimento e o Humanismo[9], parcialmente, introduziram e grandemente favoreceram essas condições. O amor à luxúria logo foi associado ao renascimento da arte e da literatura do paganismo greco-romano. O ideal do religioso cristão foi muito abandonado; uma cultura intelectual mais elevada, anteriormente prerrogativa, em geral, do clero, mas agora comum aos leigos, assumiu um caráter secular e, em muitos casos, promoveu ativa e praticamente um espírito, moralidade e visão pagãs. Um materialismo grosseiro obtido entre as classes superiores da sociedade e no mundo educado, caracterizado por um vulgar amor pelo prazer, um desejo do ganho e uma voluptuosidade de vida, surgiu diametralmente oposta à moralidade cristã. Apenas um fraco interesse na vida sobrenatural sobreviveu. A nova arte da impressão tornou possível a disseminação ampla dos trabalhos de autores pagãos e dos seus imitadores humanísticos. Poemas e romances imorais, sátiras mordazes sobre pessoas e instituições eclesiásticas, trabalhos e canções revolucionários, circulavam em todas as direções e causaram enorme prejuízo. 
O Grande Cisma Ocidental: áreas rosa seguindo Avignon;
roxas seguindo Roma; passando de uma a outra, sublinhadas
com rosa e roxo.
À medida que o Humanismo se desenvolveu, promoveu intensa guerra contra o Escolasticismo[10] do tempo. O método teológico tradicional degenerou devido à maneira fastidiosa e minuciosa de tratar as questões teológicas e porque um sólido e completo tratamento da teologia havia infelizmente desaparecido de muitas escolas e escritos. Os humanistas cultivaram novos métodos baseando a teologia na Bíblia e nos estudos dos antepassados, em essência, um bom movimento que poderia ter renovado o estudo da Teologia, se adequadamente desenvolvido. Mas a violência dos humanistas, seus ataques exagerados ao Escolasticismo e a frequente obscuridade do seu ensino, criou forte oposição dos escolásticos representativos. O novo movimento, contudo, tinha ganho a simpatia do mundo leigo e de parte do clero devotado ao Humanismo. A perigo era muito grande de que a reforma não se confinasse aos métodos teológicos, mas que alcançasse o conteúdo do dogma eclesiástico, encontrando amplo suporte nos círculos humanistas.
O solo estava assim pronto para o crescimento dos movimentos revolucionários na esfera religiosa. Muitos avisos graves foram dados, indicando o perigo iminente e invocando uma reforma fundamental das reais condições. Muito havia sido feito nessa direção pelo movimento da reforma em várias ordens religiosas e pelos esforços apostólicos de indivíduos zelosos. Mas uma renovação geral da vida eclesiástica e um melhoramento uniforme das condições, iniciando por Roma, o centro da Igreja, não foi adequadamente tomada e logo foi apenas necessário um impulso externo para precipitar a revolução, que fez separar da unidade da Igreja grandes territórios do centro e quase todo o norte da Europa.


[1] Martin Luther (Martinho Lutero, como é conhecido em português) (10/11/1483-18/02/1546) foi um monge agostiniano alemão e professor de teologia na recém fundada Universidade de Wittenberg. Sua recusa em retratar-se de todos os seus escritos, sob demanda do Papa Leão X e de Charles V, Imperador do Sacro Império Romano, resultou em sua excomunhão pelo Papa e sua condenação como fora da lei pelo Imperador.
[2] As “Noventa e Cinco Teses” ou “Disputa pelo Poder das Indulgências”, são uma lista de proposições escritas por Lutero em 1517, que avançam as suas posições contra o que ele viu de errado na venda de indulgências. Lutero enviou as Teses a Albert de Brandenburg, arcebispo de Mainz, em 31 de outubro de 1517, data hoje considerada o início da Reforma.
[3] O “crédito de mérito” ou “crédito da Igreja”, de acordo com a crença católica, consiste dos méritos de Jesus Cristo e seus crentes, um crédito que, por causa da comunhão dos santos, beneficiaria outras pessoas como uma metáfora que indicaria os caminhos em que a fé de Cristo e dos Santos poderia ajudar outros.
[4] A Igreja da Inglaterra é a igreja cristã estabelecida na Inglaterra e a igreja mãe da Comunhão Anglicana internacional. Seu estabelecimento data da missão Gregoriana do século VI em Kent, conduzida por Agostinho de Canterbury. A Igreja da Inglaterra renunciou à autoridade papal quando Henry VIII pediu ao Papa, e não obteve, a anulação do seu casamento com Catarina de Aragão na década de 1530, tornando-se chefe da Igreja. A Reforma Inglesa acelerou sob Edward VI, antes de uma breve restauração do Catolicismo sob a rainha Mary I e o rei Philip. O Ato da Supremacia de 1558 renovou o rompimento e o reinado de Elizabeth traçou um rumo pelo qual a Igreja da Inglaterra seria ao mesmo tempo Católica e Reformada.
[5] Anabatistas eram os membros de um corpo violento e extremamente radical de reformadores civis-eclesiásticos, que surgiram em 1521, em Zwickau, atual reino da Saxônia, e que ainda existe em formas mais brandas.
[6] O Papado de Avignon foi o período de 1309 a 1377, durante o qual sete Papas sucessivos residiram em Avignon (então no reino de Arles, parte do Sacro Império Romano), ao invés de Roma, a partir de conflito entre o Papa Bonifácio VIII e o rei francês Felipe IV. Com a morte do papa seu sucessor, Benedito XI, após somente oito meses de papado, um conclave paralisado finalmente elegeu Clemente V, um francês, como Papa em 1305, que declinou de sua mudança para Roma, permanecendo na França e movendo sua corte para o enclave papal em Avignon, onde permaneceu pelos 67 anos seguintes. Os sete Papas que reinaram em Avignon eram todos franceses que caíram cada vez mais sob a influência da coroa francesa.
[7] Tal Cisma, dos séculos XIV e XV, difere em todos os pontos do Cisma Oriental – uma revolta real contra a autoridade suprema da Igreja, fomentada pela ambição dos patriarcas de Constantinopla, favorecida pelos imperadores gregos, apoiada pelo clero e povo bizantinos e que durou nove séculos. O Cisma Ocidental foi um mal-entendido temporário, embora tenha compelido a Igreja, por quarenta anos, a buscar a sua verdadeira liderança; foi alimentada por políticos e paixões e se encerrou com a reunião dos Concílios de Pisa e Constança. Essa divisão religiosa, infinitamente menos séria que a outra, foi encerrada em 1417 pela eleição de um Papa indisputado.
[8] Estritamente falando, a Cúria Papal é o conjunto de departamentos ou ministérios que assistem o Pontífice no governo da Igreja Universal. Incluem as Congregações Romanas, os tribunais e os escritórios da Cúria.
[9] Humanismo é o nome dado ao movimento intelectual, filosófico, ético e científico dos séculos XIV a XVI, que enfatiza o valor e a atuação do ser humano, individual e coletivo e, geralmente, prefere o raciocínio crítico e a evidência sobre a aceitação de dogma ou superstição. Por ser mais material que espiritual, a Igreja acrescenta à definição dada, que se trata de um movimento que visou a degradação de qualquer ramo do aprendizado da literatura e cultura da antiguidade clássica.
[10] O Escolasticismo é um método de pensamento crítico que dominou o ensino pelos acadêmicos (“escolásticos” ou “homens de escola”) das universidades medievais na Europa, de cerca de 1100 a 1700, e um programa de emprego do método ao articular e defender dogmas num contexto cada vez mais pluralístico. Originou-se das escolas monásticas cristãs, nas primeiras universidades europeias.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

ORIGEM E FORMAÇÃO DA ALEMANHA (PARTE 5 - CONCLUSÃO)

A ALEMANHA DO PÓS-GUERRA

Como consequência da derrota da Alemanha Nazista em 1945 e o estabelecimento da “Guerra Fria”[1] em 1947 e que duraria meio século, o que restou do Terceiro Reich foi dividido em dois blocos globais, no leste e no oeste, num período conhecido como “a divisão da Alemanha”. Milhões de refugiados do Centro e Leste Europeu deslocaram-se para o oeste, a maior parte deles para a Alemanha Ocidental. Dois estados emergiram: (1) a Alemanha Ocidental foi uma democracia parlamentar, membro da OTAN[2], membro fundador do que mais tarde seria a União Europeia e uma das maiores economias do mundo; (2) a Alemanha Oriental foi uma ditadura comunista totalitária, país satélite de Moscou. 
Ocupação da Alemanha após a Segunda Grande Guerra,
com a Berlim dividida em território russo.
A ajuda americana à Alemanha global iniciou em 1948 com o Plano Marshall. O sucesso da reforma monetária realizada em 1948 no lado ocidental, enfureceu os soviéticos, que cortaram todas as ligações por rodovias, estradas de ferro e canais navegáveis entre a zona ocidental e Berlim Ocidental (a cidade de Berlim, também dividida nas porções Ocidental e Oriental, ficara totalmente dentro da Alemanha Oriental), concretizando o “Bloqueio de Berlim”, que durou de 24 de junho de 1948 a 12 de maio de 1949. Como resposta, os Estados Unidos e a Grã-Bretanha iniciaram um transporte aéreo de alimentos e carvão, com distribuição de nova moeda em Berlim Ocidental que, desta forma, tornou-se economicamente integrada à Alemanha Ocidental.
Os alemães tiveram muito pouca voz no governo até 1949, quando a ocupação aliada encerrou e os dois estados emergiram. As zonas de ocupação ocidentais (americana, britânica e francesa) foram reunidas na formação da “República Federal da Alemanha” (RFA ou Alemanha Ocidental), uma democracia parlamentar com um sistema econômico capitalista e igrejas e sindicatos livres. A zona de ocupação soviética transformou-se na República Democrática Alemã (RDA ou Alemanha Oriental), uma ditadura marxista-leninista com sua liderança dominada pelo Partido de Unidade Socialista da Alemanha (SED), alinhada aos socialistas e mantida sob a esfera de influência da União Soviética.
Nas zonas ocidentais de ocupação, República Federal da Alemanha, os antigos territórios prussianos foram divididos entre Renânia do Norte-Vestfália, Baixa Saxônia, Hesse, Renânia-Palatinado e Schleswig-Holstein. Württemberg-Baden e Württemberg-Hohenzollern fundiram-se mais tarde com Baden para criar o estado de Baden-Württemberg. A região de Sarre, que tinha sido administrada pelos franceses como um protetorado separado do resto da Alemanha Ocidental, foi admitido na República Federal da Alemanha como um estado separado, em 1956, após um plebiscito.
Na zona de ocupação soviética, República Democrática Alemã, os antigos territórios prussianos foram reorganizados nos estados de Brandenburgo e Saxônia-Anhalt, com as partes restantes da Pomerânia indo para Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. Esses estados foram abolidos em 1952, sendo recriados após a queda da União Soviética, em 1990.
Talvez fosse uma boa ideia separar, neste ponto, a evolução da Alemanha pós-guerra, de acordo com a evolução das “duas Alemanhas”, até a sua reunificação final e definitiva, em 1990.

A REPÚBLICA DEMOCRÁTICA ALEMÃ

Em 1949 a zona soviética tornou-se a República Democrática Alemã (RDA ou Alemanha Oriental), sob o controle do Partido da Unidade Socialista (SED), sem um exército significativo até os anos 1960’, mas com um serviço de Segurança do Estado (STASI) que tem sido descrito como uma das mais efetivas e repressivas agências de inteligência e polícia secreta jamais criadas, que se infiltrou em todos os aspectos da sociedade alemã.
A Alemanha Oriental era um Estado do bloco oriental sob controle político e militar da União Soviética através de suas forças de ocupação e do Tratado de Varsóvia[3]. O poder político era somente exercido pelos membros líderes (Politburo) do SED, de controle comunista. Um comando de economia ao estilo soviético foi estabelecido; em seguida, a RDA tornou-se o mais avançado estado do COMECON. Embora a propaganda da Alemanha Oriental fosse baseada nos benefícios dos seus programas sociais e a alegada ameaça permanente da invasão da Alemanha Ocidental, muitos de seus cidadãos olhavam para o ocidente em busca de liberdade política e prosperidade econômica.
Walter Ulbricht foi o presidente do SED de 1950 a 1971. Em 1933, ele havia fugido para Moscou onde serviu como agente do Comintern[4], leal a Stalin. À medida que a Segunda Grande Guerra terminava, Stalin atribuiu-lhe a tarefa de projetar o sistema alemão de pós-guerra que centralizaria todo o poder no Partido Comunista. Em 1949 Ulbricht tornou-se o presidente, primeiro ministro e secretário (chefe executivo) do SED (comunista) em 1950. 
O Muro de Berlim, construído em 1961 e símbolo da
Guerra Fria, foto batida do lado ocidental
A Alemanha Oriental estagnou na medida em que sua economia era fortemente organizada para atender às necessidades da União Soviética e a Polícia Secreta Russa-Alemã Oriental controlava totalmente a vida diária dos alemães. Cerca de 2,6 milhões de pessoas havia fugido da Alemanha Oriental até 1961, quando o Muro de Berlim foi construído e encerrou o fluxo permanente de refugiados para o Ocidente. O que a RDA chamava de “Muro de Proteção Antifascista”, foi um obstáculo imenso ao programa durante a “Guerra Fria”, mas estabilizou a Alemanha Oriental, postergando o seu colapso. Ulbricht perdeu poder em 1971, mas foi mantido como nominal chefe de estado, sendo substituído por ter falhado na solução das crises nacionais crescentes, tais como a economia decadente de 1969-70, o temor de outro levante popular, como o que ocorrera em 1953, e o sentimento de desprazer causado pela política de afrouxamento em relação ao ocidente.
A transição para Erich Honecker (Secretário Geral de 1971 a 1989) conduziu a uma mudança na direção da política nacional e esforços do Politburo dando mais atenção às reclamações do proletariado. Seus planos não tiveram sucesso, com a discórdia crescendo na população da Alemanha Oriental.
Em 1989 o regime socialista ruiu, após 40 anos, embora a sua onipresente polícia secreta, principalmente pelos graves problemas econômicos e a crescente emigração para o oeste. A cultura da Alemanha Oriental havia sido modelada pelo comunismo e, particularmente, pelo Stalinismo, e sua população original havia sofrido muito por tal exotismo. Críticos da Alemanha Oriental sempre alegaram que a dedicação do estado ao comunismo foi uma ferramenta cínica e vazia da elite governante; o argumento é desafiado por outros estudiosos que alegam que o Partido se dedicava ao avanço do conhecimento científico, desenvolvimento econômico e progresso social. Contudo, a vasta maioria viu os ideais comunistas do estado nada mais serem do que um enganoso método para controle do governo. Mais uma desastrosa experiência do comunismo.

REPÚBLICA FEDERAL DA ALEMANHA

Na Alemanha Ocidental o governo foi inicialmente formado pelo Chanceler Konrad Adenauer e sua aliança conservadora UDC/USC[5], no poder durante a maior parte do período, desde 1949. Sua capital foi Bonn até que se mudou para Berlim, em 1990, quando a RFA absorveu a Alemanha Oriental, promovendo a reunião da Alemanha e ganhando a plena soberania sobre Berlim. 
Adenauer em 1952, aliado dos EUA e
França, opondo-se à URSS.
Em todos os pontos a Alemanha Ocidental foi maior e mais rica que a Alemanha Oriental, tornada uma ditadura sob o controle do Partido Comunista e monitorado muito de perto por Moscou e pivô da “Guerra Fria”.
Konrad Adenauer foi o primeiro chanceler da Alemanha Ocidental e seu líder dominante durante o período de 1949-1963. Foi o fundador e, até a sua morte, líder da União Democrática Cristã (UDC), uma coalizão de conservadores, ordoliberais[6] e aderentes do ensino social Católico e Protestante que dominou a política da Alemanha Ocidental pela maior parte de sua história. Durante a sua chancelaria, a economia da RFA cresceu rapidamente e o país estabeleceu relações amigáveis com a França, participou da emergente União Europeia, restabeleceu as forças armadas do país e tornou-se um pilar da OTAN, além de firme aliado dos Estados Unidos. Além disso, seu governo iniciou um longo processo de reconciliação com os Judeus e Israel, após o Holocausto.
Após experimentar o seu “milagre econômico” em 1955, a Alemanha Ocidental tornou-se a mais próspera economia da Europa, com Konrad Adenauer. 
Willy Brandt, chanceler alemão e Prêmio Nobel da Paz, 1971
A “Grande Coalizão” formada entre UDC/USC e o Partido Social Democrata (PSD), os dois principais partidos da RFA, levou ao poder o líder socialista Willy Brandt, do PSD, como Chanceler Presidente e Ministro das Relações Exteriores. A Grande Coalizão vigorou entre 1966 e 1969 e tornou-se melhor conhecida por reduzir as tensões entre as nações do bloco soviético e estabelecer relações diplomáticas com a Czechoslovakia, Romênia e Iugoslávia. Willy Brandt foi o líder do PSD entre 1964 e 1987 e chanceler entre 1969 e 1974. Sob sua liderança o governo alemão procurou reduzir as tensões com a União Soviética e melhorar as relações com a RDA (Ostpolitik ou Política do Leste). As relações entre as duas “Alemanhas” encontravam-se congeladas com propaganda maciça contra cada direção. O pesado escoamento de talento da RDA havia construído o “Muro de Berlim” em 1961, que veio a piorar as tensões da “Guerra Fria”, impedindo os alemães orientais de viajarem. Embora ansioso por aliviar os sofrimentos das famílias divididas e reduzir a fricção, a política de Willy Brandt estava concentrada no seu conceito de “dois estados alemães numa só nação alemã”. A “Ostpolitik” sofreu a oposição dos elementos conservadores da RFA, mas valeu a Brandt uma reputação internacional e o Prêmio Nobel da Paz de 1971. Em setembro de 1973 a RDA e a RFA foram admitidas às Nações Unidas, passaram a manter representantes permanentes em 1974 e, em 1987, Erich Honecker, líder da RDA realizou uma visita de oficial de estado à RFA. 
Helmut Kohl, primeiro chanceler da Alemanha reunificada
Helmut Kohl trouxe os conservadores de volta ao poder em 1982, com a coalizão UDC/USC – PDL (Partido Democrático Livre da Alemanha) e serviu como chanceler até 1998. Após repetidas vitórias em 1983, 1987, 1990 e 1994; foi finalmente derrotado em 1998 por uma grande maioria de votos à esquerda, sendo sucedido como Chanceler por Gerhard Schröeder, do PSD. Kohl foi muito conhecido por orquestrar a reunificação com a aprovação das quatro grandes potências da Segunda Guerra Mundial, que ainda tinham voz ativa nos assuntos da Alemanha.

A REUNIFICAÇÃO DA ALEMANHA

Durante o verão de 1989, rápidas alterações, conhecidas como “revolução pacífica”, tiveram lugar na Alemanha Oriental que, rapidamente, conduziram à reunificação da Alemanha. Números crescentes de alemães orientais emigraram para a Alemanha Ocidental, muitos via Hungria, após a abertura de suas fronteiras. Milhares de alemães orientais também tentaram alcançar o oeste através de atalhos por protestos em instalações diplomáticas da RFA em outras capitais do Leste Europeu, principalmente em Praga. Tal êxodo gerou demandas, dentro da RDA, por mudanças políticas e demonstrações de massa em várias cidades continuaram a crescer. (Figura Queda Muro Berlim)
Incapaz de deter a crescente intranquilidade civil, Erich Honecker, da RDA, foi forçado a renunciar em outubro e, em 9 de novembro, as autoridades da Alemanha Oriental, inesperadamente, permitiram que cidadãos entrassem em Berlim Ocidental e Alemanha Ocidental. Centenas de milhares de pessoas usaram tal oportunidade, com novos pontos de passagem sendo abertos no Muro de Berlim e ao longo da fronteira com a Alemanha Ocidental. No mesmo ano o Muro de Berlim foi finalmente destruído. 
Alemanha em suas fronteiras atuais
Tais fatos conduziram a uma aceleração no processo de reformas na Alemanha Oriental, que terminou com a reunificação da Alemanha, concretizada em 3 de outubro de 1990, quando os aliados renunciaram a todas as dívidas relacionadas a territórios alemães, com o “Tratado do Ajuste Final com Respeito à Alemanha”, pelo qual a Alemanha também renunciava a todas as suas demandas de territórios perdidos durante a Segunda Grande Guerra. Esse tratado se ocupava também da reorganização da Alemanha como um todo e resolvia outras questões consequentes da Segunda Guerra Mundial. 
Bandeira da Alemanha Ocidental
e Unificada, de 1949 até hoje
Em 1998 a Alemanha foi um dos países fundadores da Zona do Euro e permanece, até hoje, uma das economias mais poderosas da Europa, contribuindo com um quarto do Produto Interno Bruto anual da Eurozona, como a “Bundesrepublik Deutschland”, ou República Federal da Alemanha, com os territórios e a bandeira que possui até hoje.

[1] A “Guerra Fria” foi um estado de tensão política e militar, após a Segunda Guerra Mundial, entre potências do bloco ocidental (Estados Unidos, seus aliados da OTAN e outros) e potências do bloco oriental (União Soviética e seus aliados do Pacto de Varsóvia). Os historiadores não concordam perfeitamente sobre as datas, mas o período entre 1947 e 1991 é comum. O termo “fria” é usado porque não havia, entre os dois lados, uma luta direta em larga escala, embora guerras regionais importantes tivessem ocorrido, apoiadas pelos dois lados.
[2] A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) é uma aliança militar intergovernamental baseada no Tratado do Atlântico Norte, assinado em 4 de abril de 1949. A Organização constitui um sistema de defesa coletiva pelo qual seus estados-membros concordam com a defesa mútua em resposta a um ataque por qualquer entidade externa. O quartel general da OTAN está localizado em Haren, Bruxelas, Bélgica, onde reside também o Comandante Aliado Supremo. A Bélgica é um dos 28 membros entre América do Norte e Europa, os mais novos dos quais, Albânia e Croácia, se uniram em abril de 2009. Vinte e dois outros países participam do programa da OTAN “Parceria para a Paz”, com quinze outros países envolvidos em programa de diálogo institucionalizado.
[3] Também chamado de “Pacto de Varsóvia”, criado em maio de 1955, de forma semelhante à OTAN, foi um tratado de defesa coletivo entre a União Soviética e sete Estados satélites soviéticos na Europa Central e Oriental, existente durante a “Guerra Fria”. Foi o complemento militar ao “Conselho para Mútua Assistência Econômica (COMECON)", a organização econômica regional para os estados comunistas da mesma região. O Pacto foi criado como reação à integração da Alemanha Ocidental na OTAN, em 1955, mas também motivado pelos desejos soviéticos de manter controle sobre as forças militares na região. Nunca houve um confronto direto entre a OTAN e o Pacto, mas o conflito foi lutado apenas em base ideológica. O Maior evento militar do Pacto, foi a invasão da Czechoslovakia (com a participação de todas as nações do pacto, com exceção da Romênia e da Albânia). O Pacto deixou de funcionar quando as Revoluções de 1989 se espalharam pela Europa Oriental, começando pelo movimento Solidariedade, da Polônia e seu sucesso em junho de 1989. Em fevereiro de 1991 o Pacto foi declarado findo em um encontro de ministros da defesa e relações exteriores dos membros que restavam, na Hungria. Em julho de 1991, o presidente da Czechoslovakia, Vaclav Havel, formalmente declarou o fim do Pacto.
[4] Ou Komintern, é o termo com que se designa a Terceira Internacional ou Internacional Comunista (1919-1943), isto é, a organização internacional fundada por Vladimir Lenin e pelo PCUS (bolchevique), em março de 1919, para reunir os partidos comunistas de diferentes países. Tinha como propósito, conforme seus primeiros estatutos, “lutar pela superação do capitalismo, pelo estabelecimento da ditadura do proletariado e da República Internacional dos Sovietes, pela completa abolição das classes e a realização do socialismo, como uma transição para a sociedade comunista, com a completa abolição do Estado, para isso se utilizando de todos os meios disponíveis, inclusive armados, para derrubar a burguesia internacional”.
[5] Informalmente também chamado de “Partidos da União” ou simplesmente “União”, o UDC/USC foi a união política da “União Democrática Cristã da Alemanha” (UDC)) com a “União Social Cristã” da Bavária (USC), ambas estabelecidas após a Segunda Guerra Mundial.
[6] O ordoliberalismo é a variante germânica do liberalismo social que enfatiza a necessidade do Estado assegurar que o livre mercado produza resultados próximos ao seu potencial teórico.