Homenagem ao lendário herói ancestral dos ingleses que deu título a um dos considerados "Cem Maiores Livros do Mundo" e tido como o mais antigo escrito em "Old English".

Mostrando postagens com marcador Alexandr Solzhenitsyn. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Alexandr Solzhenitsyn. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 8 de março de 2016

A REVOLUÇÃO RUSSA DE 1917 (Parte 10 - Última)

X - CONCLUSÃO


E aqui encerramos esta verdadeira empreitada. Mais longe não importa ir, já que o objetivo da postagem era apenas a Revolução Russa. O que segue é a continuação de um regime que se foi gradativamente atenuando, com uma brusca reviravolta ao final da década de 1980, em direção a um capitalismo econômico, embora ainda mantendo um sistema autoritário de governo, com imprensa controlada e restos do famoso regime comunista, relativamente recente e plenamente documentado para uma busca fácil. Entretanto, à guisa de conclusão, eu gostaria de colocar uma séria pergunta aos meus leitores, para motivar uma discussão adicional: A Revolução Russa terá valido à pena?
Em primeiríssimo lugar, eu mesmo que coloco a pergunta já me antecipo e digo que de pouco adianta colocar essa questão, porque ela, boa ou ruim, de fato aconteceu e nada mais se pode fazer a respeito, além do fato de que uma quantidade significativa de pessoas pondera que “nada neste mundo acontece por acaso”.
Em segundo lugar, tal questão deveria ser colocada ao povo russo e a mais ninguém, porque foi ele que sofreu a revolução e porque, segundo os líderes revolucionários, foi em nome desse povo russo que ela foi realizada. É conversa aceita, em geral pelos profissionais revolucionários, que as revoluções são produto do povo. Entretanto, é muito fácil de entender, que Povo nenhum faz revoluções se não contar com líderes carismáticos e, principalmente, sem meios materiais importantes: armas principalmente, mas também transportes, meios de comunicação, alimentos e recursos financeiros. Na minha modestíssima opinião, a revolução russa não teria sequer acontecido – e muito menos saído vitoriosa – se os seus líderes não se tivessem aproveitado do fato de que a Rússia estava participando da Primeira Guerra Mundial. E, na falta de outras provas, a maior delas foi o fracasso de todos os seus movimentos anteriores visando melhorar as condições de vida do atrasado povo russo daquela época e substituir o poder absoluto do Czar por um poder menos tirano. Isso foi conseguido? 
Ruínas de instalações de Gulag, Sibéria
De tudo o que li e pesquisei para a realização do presente trabalho, nunca entendi que o povo russo sequer pretendesse sacar do poder o Czar, quanto mais transformar o regime vigente (fosse qual fosse à época) num regime marxista/socialista/comunista. O povo russo da época era extremamente ignorante em sua grande maioria e não é preciso rever estatísticas para aceitar essa assertiva. Não podemos confundir a nobreza, o clero e os militares russos da época do Czar, que viviam em São Petersburgo e Moscou, com o povo russo, vivendo num país rude, de clima inclemente e solo pouco produtivo (o solo mais produtivo da Rússia encontrava-se na Ucrânia)! O povo russo era composto de 95% de camponeses que habitavam uma nação de fantásticas dimensões territoriais, em sua maioria muito afastados do poder central e, em consequência, sem poder ser devidamente atendido por esse mesmo poder; além disso, a imensa maioria desse povo não possuía a menor ideia do que fosse socialismo, marxismo ou comunismo. O que esse povo queria era o que o povo de qualquer país ou região sempre desejou: alimento, moradia, educação para os seus filhos, mínimas condições de saúde e segurança. E o povo russo não possuía absolutamente nada disso. Isso poderia ter sido conseguido sem a revolução russa? Obviamente que sim! Nem o mais maquiavélico marxista / comunista se atreveria a dizer que não. Todos os países antigos ou modernos que não adotaram o comunismo, estão aí para demonstrar que sim. Alguns desses países possuíam condições de vida até mesmo piores que os russos, tiveram as suas revoluções e não fizeram essa escolha. E aí, na minha opinião, reside a grande maldade que os líderes revolucionários russos perpetraram contra o seu povo. Esses líderes, todos com problemas pessoais brutais, viveram longe do povo russo, na Europa; eram estudiosos das doutrinas marxistas e usaram esse mesmo povo para implementar a sua ideologia, na melhor das hipóteses, porque acreditavam, possivelmente, que poderiam resolver os seus problemas dessa forma. Mas não apenas isso. Não vou ao ponto de dizer que tivessem agido de má intenção, para prejudicar o povo, já que eram parte da nação. A menos da seríssima intenção de derrubar o Czarismo, até mesmo por fortes razões pessoais. Porque, na verdade, tiveram inúmeras oportunidades para resolver os problemas do povo de forma pacífica, sem matança e refugaram essas oportunidades, como ficou claramente demonstrado por tudo quanto se escreveu nessa postagem. No início da Revolução em fevereiro de 1917, o Czar já havia renunciado, havia um governo provisório constituído, pronto para formar um regime social democrático. Mas para os bolchevistas isto não era suficiente; o mais importante era a vitória da ideologia comunista. Além disso, não apenas não devemos desprezar, como devemos colocar como razão principal, a ambição pessoal de todos os líderes revolucionários da história, não apenas da revolução russa, pelo poder. Se não fosse assim, eu pergunto, por que os líderes revolucionários tornaram-se ditadores ao final da revolução ao invés de entregarem o poder ao povo? Por que um Stalin tornou-se o ditador que, na história, mais concentrou poder em suas mãos e mais matou amigos e inimigos, antes, durante e após o período revolucionário? Por que o mesmo fato ocorreu na revolução francesa, a mais decantada e celebrada revolução da história e ícone para os próprios revolucionários russos, onde os líderes, em ondas sucessivas se devoraram uns aos outros, passaram de uma monarquia a uma república, até o surgimento de um Napoleão, imperador absoluto de uma nação que fez uma revolução para tirar um rei e que, em menos de 30 anos retornava à monarquia? Que também teve um “Reino do Terror”, mas onde, pelo menos, as mortes foram contadas aos milhares e não aos milhões! Os líderes russos se aproveitaram da ignorância do povo russo para impor à nação russa a sua ideologia, adquirida durante os seus anos de exílio no exterior, uma ideologia estrangeira, importada, com duplo objetivo, se quiserem, nessa ordem: resolver, sim, o problema social do povo russo, mas implementar a ideologia marxista, em que acreditavam e, com ela, a tomada do poder com a queda do Czarismo. 
Aleksandr Solzhenitsyn,, Vladivostok
(extremo sudeste da Rússia), verão de 1994
A entrada da Rússia na 1ª Grande Guerra, grandemente favoreceu os objetivos de tais líderes. As condições de vida do povo foram agravadas por todas as razões deste mundo: recursos financeiros e materiais necessários à guerra, envio de soldados do povo para serem mortos, carência cada vez maior de recursos na pátria em alimentos e todas as demais consequências de uma guerra dessas proporções, em que o exército russo estava sendo fragorosamente derrotado. Tais líderes usaram exatamente essas bandeiras para contarem com a adesão e colaboração do povo: o término da guerra e alimentos para o povo. Notem a coincidência das datas da revolução russa com o início da derrocada da Rússia na 1ª Grande Guerra: 1917. E esses líderes saíram vencedores, em nome do povo, do mesmo povo que, posteriormente, foi brutalmente morto aos milhões, por fome e por fuzilamentos, em nome da mesma revolução que os redimiria.
Voltando à pergunta “Valeu à Pena?”, a história encarregou-se de contar o que aconteceu, através da desintegração da União Soviética em 15 países independentes, formalmente decretada em 26 de dezembro de 1991, como resultado da declaração No 142 do Soviete Supremo da União Soviética, reconhecendo a independência das antigas Repúblicas Soviéticas e criando a Comunidade dos Estados Independentes (CEI), seu colapso sendo saudado pelo oeste como uma vitória da liberdade e um triunfo da democracia sobre o totalitarismo, após 74 anos de sofrimentos. Entretanto, a desintegração soviética já se iniciara em março de 1985, com a eleição de Mikhail Gorbachev para o cargo de Secretário Geral, pelo Politburo. Mas o mais importante não foi, propriamente, o fim do regime, mas sim o reconhecimento do seu fracasso pelos novos líderes que emergiram, do ponto de vista social, econômico e político, como amplamente divulgado pela mídia internacional. De uma certa forma, um replay ampliado do que já acontecera com a morte de Stalin e a ascensão de Khrushchev, em 1953. Some-se a tudo isso, o fato de que são vários os autores que já disseram e têm dito, que Marx e Engels, criadores da teoria comunista, teriam se horrorizado se tivessem vivido para ver o que os líderes da revolução russa fizeram em nome do Marxismo/Socialismo/Comunismo. Ainda muito mais apoiados pelo fato de que tal tipo de revolução somente poderia ocorrer a partir de países desenvolvidos, com a indústria e o proletariado já bastante avançados. Tal seria o caso da Alemanha e Inglaterra, principalmente, razão pela qual tais líderes muito tempo viveram na Alemanha e Suíça, por exemplo.
Finalmente, mesmo considerando que a Revolução Comunista da Rússia tivesse valido à pena, não poderíamos deixar de perguntar: valeu à pena para quem? Para os líderes revolucionários que já estão todos mortos e nem sequer viveram para ver o resultado final? Para o povo, que vivenciou a revolução e sentiu na carne o seu drama particular, ou que viu os seus parentes, filhos, mães e pais morrerem de fome ou assassinados por um pelotão de fuzilamento, ou ainda morrerem esgotados num campo de trabalhos forçados? Ou para os que ainda viveram para ver a queda de Stalin, a esperança renovada ou ainda o fim da União Soviética, sonho de muitos russos? Que os leitores cheguem às suas próprias conclusões.
Afirmo aos meus leitores que foi imensa a bibliografia consultada para a elaboração dessa pesquisa (e daí não relacioná-la toda), que resultou nessas cinquenta e três páginas de texto, muito condensadas. Entretanto, para os que ainda quiserem se aprofundar mais no assunto que, obviamente, possui uma quantidade imensa de material produzido, apresento abaixo apenas alguns poucos títulos, que tratam de assuntos mais específicos, deixando para os meus leitores a tarefa de buscarem os mais genéricos, até mais fáceis de serem encontrados. 
Nem o grande líder Lenin escapou à derrocada da URSS:
março de 1990, na Romênia, após o fuzilamento do líder
comunista Nicolae Ceausescu.
1) “A Carta Testamento de Lenin”: Nesta carta escrita pelo próprio Lenin, em 1923, ele propõe, entre outras coisas, alterações à estrutura do governo soviético, critica os membros líderes da liderança soviética e sugere que Joseph Stalin seja removido de sua posição como Secretário Geral do Partido Comunista Soviético.
2) "Since Lenin Died" (Desde que Lenin Morreu): Neste ensaio, escrito em 1925, Max Forrester Eastman (04/01/1883 – 25/03/1969) descreveu “O Testamento de Lenin”, cópia que ele retirara da URSS clandestinamente, durante sua estadia na Rússia, onde viveu por um ano e nove meses entre 1922 e 1924 (fim da guerra civil, primeiro ano de Lenin e ano de sua morte). Eastman foi influenciado pela rivalidade mortal entre Leon Trotsky e Joseph Stalin, que culminou com o assassinato de Trotsky, e pelos indiscriminados abusos cometidos durante o “Grande Expurgo” de Stalin. Enquanto na União Soviética, Eastman iniciou uma amizade com Trotsky que durou até o seu exílio e assassinato no México. Tendo dominado a língua russa em pouco mais de um ano, Eastman traduziu vários trabalhos de Trotsky para o inglês, incluindo sua monumental “História da Revolução Soviética”, em três volumes. Após retornar aos EUA, em 1927 (depois de ficar três anos na Europa), Eastman publicou vários trabalhos que foram muito criticados pelo sistema stalinista. Em outros ensaios, Eastman descreveu as condições existentes para artistas e ativistas políticos na Rússia. Tais ensaios o tornaram muito impopular entre americanos esquerdistas da época. Posteriormente, entretanto, seus escritos sobre o assunto foram citados por muitos, da esquerda e da direita, como sóbrios e realistas retratos do sistema soviético sob Stalin. As experiências de Eastman na União Soviética e seus estudos, fizeram-no mudar sua visão do Marxismo sob os russos, mas seus compromissos com as ideias políticas esquerdistas não se abateram.
3) “A História da Revolução Soviética”: Escrito por Leon Trotsky, em 1930. E traduzido para o inglês, em 1932, por Max Eastman, em três volumes: “A Derrubada do Czarismo”; “A Tentativa da Contrarrevolução”; “O Triunfo dos Soviéticos”. É a história da Revolução Russa de 1917 escrita por um dos seus líderes. Em sua nota sobre o autor, na primeira tradução inglesa, Max Eastman escreveu que "esta presente obra ... vai tomar o seu lugar de importância na vida de Trotsky ... como uma das realizações suprema desta mente versátil e poderosa”.
4) “O Discurso Secreto”: de Nikita Khrushchev, apresentado em 25 de fevereiro de 1956, com o título “Sobre o Culto da Personalidade e suas Consequências”, foi proferido durante o 20º Congresso do Partido Comunista da União Soviética. Num discurso secreto, diante de plenário fechado, Khrushchev denunciou o culto à personalidade de Stalin. Além disso, revelou que Stalin havia prendido milhares de pessoas e enviado a um imenso sistema de campos de trabalhos políticos (o famoso Gulag). Essa revelação foi atendida com assombro por muitos dos presentes ao discurso, mas ajudou a quebrar um pouco do poder que Stalin ainda tinha sobre o povo.
5) “The Great Terror”: Este livro, do historiador britânico Robert Conquest (1917-2015), de 1968, popularizou a frase “O Grande Terror”. O título de Conquest foi uma alusão ao período que foi chamado “Reino do Terror”, ocorrido durante a Revolução Francesa de 1789, durante o seu período mais sangrento, de junho a agosto de 1794, bem como um título alternativo ao período da história soviética conhecida como “O Grande Expurgo”. Uma versão revisada do livro, com o título “O Grande Terror: Uma Reavaliação”, foi editada em 1990, após a possibilidade que teve de atualizar o texto com a consulta dos recém-abertos arquivos soviéticos.
6) “The Harvest of Sorrow (A Colheita do Sofrimento) – A Coletivização e o Terror SoviéticosFome”: É um livro de 1987, de Robert Conquest, a primeira história completa da mais horrenda tragédia do século XX. Entre 1929 e 1932, o Partido Comunista Soviético aplicou um duplo golpe no campesinato russo: a extinção dos Kulaks (Camponeses, para evitar a confusão com os Gulag), tomada de suas terras e deportação de milhões de famílias camponesas; e a coletivização, a abolição da propriedade privada da terra e a concentração dos camponeses restantes em fazendas coletivas controladas pelo Partido. Tais medidas foram seguidas, em 1932-1933, por uma “fome do terror’, infligida pelo Estado sobre os camponeses coletivizados da Ucrânia e certas outras áreas, tornando impossível altas quotas de grãos, removendo quaisquer outras fontes de alimentação e proibindo ajuda de outros locais, mesmo de outras áreas da União Soviética, para alcançar e atenuar a fome da população esfaimada. A quantidade de mortos, estimada, resultante dessas medidas de Stalin descritas nesse livro, chegou a 14,5 milhões de pessoas, mais do que o número total de mortes de todos os países na 1ª Guerra Mundial. Ambicioso, meticulosamente pesquisado e lucidamente escrito, “A Colheita do Sofrimento” é um testamente profundamente comovente àqueles que morreram, que registrará na consciência ocidental um sentimento do lado escuro da história desse século.
7) “Age of extremes - The short twentieth century: 1914-1991” (Era dos Extremos - O Breve Século XX: 1914 – 1991): Este é um livro de História escrito por Eric Hobsbawm, o maior historiador esquerdista de língua inglesa, em 1994, que discorre sobre o século XX, mais precisamente do início da Primeira Guerra Mundial, em 1914, até a queda da União Soviética, no ano de 1991. É muito interessante apreciar a forma como Hobsbawm - um marxista irredutível que defendeu o indefensável, quando numa entrevista que chocou leitores, críticos e colegas, alegou que o assassinato de milhões orquestrado por Stalin na União Soviética teria valido à pena se dele tivesse resultado uma "genuína sociedade comunista" – apreciou a Revolução de 1917, principalmente quando comenta a atuação de Stalin.
8) “Le Livre Noir du Communisme – Crimes, terreur, répression” (O Livro Negro do Comunismo – Crimes, terror, repressão): Stéphane Courtois, Nicolas Werth, Jean-Louis Panné, Andrzej Paczkowski, Karel Bartosek e Jean-Louis Margolin constituem a equipe de historiadores e universitários - que permanecem ou estiveram ligados à esquerda – que trazem a público, em 1999, o saldo estarrecedor de mais de sete décadas de história de regimes comunistas: massacres em larga escala, deportações de populações inteiras para regiões sem a mínima condição de sobrevivência, expurgos assassinos liquidando o menor esboço de oposição, fome e miséria provocadas que dizimaram indistintamente milhões de pessoas, enfim, a aniquilação de homens, mulheres, crianças, soldados, camponeses, religiosos, presos políticos e todos aqueles que, pelas mais diversas razões, se encontraram no caminho de implantação do que, paradoxalmente, nascera como promessa de redenção e esperança. Os autores não hesitam em usar a palavra genocídio, pois foram cerca de 100 milhões de mortos! Esse número assustador ultrapassa amplamente, por exemplo, o número de vítimas do nazismo e até mesmo o das duas guerras mundiais somadas. Genocídio, holocausto, portanto, confirmado pelos vários relatos de sobreviventes e, principalmente, pelas revelações dos arquivos hoje acessíveis.
Finalmente, àqueles que ainda acharam pouco e possuem estômago suficientemente forte, eu recomendo que assistam ao documentário abaixo, de uma hora e vinte e seis minutos de duração, que eu assisti. Afinal, é muito pouco tempo quando comparado ao tempo de sofrimento de todos os que são apresentados no documentário: “A VERDADEIRA HISTÓRIA DO COMUNISMO SOVIÉTICO”


Assim como esse documentário, eu dedico essa minha postagem aos vinte ou trinta milhões de vítimas russas que a União Soviética fez ao longo de sua existência.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

A REVOLUÇÃO RUSSA DE 1917 (Parte 9)



IX - OS ANOS DE FERRO DA ERA STALIN (Continuação)

Localização dos campos Gulag da União Soviética

O TENEBROSO GULAG SOVIÉTICO

Gulag, acrônimo da expressão russa Glavnoye Upravleniye Lagerei, que significa "Administração Central dos Campos", e a palavra que, por fim, passou a descrever todo o sistema soviético de punição e trabalhos forçados, era um sistema de campos de trabalhos forçados para criminosos, presos políticos, prisioneiros de guerra e qualquer cidadão (homens, mulheres e crianças), em geral, que se opusesse ao regime da União Soviética (todavia, a grande maioria era de presos políticos: no campo Gulag de Kengir, em junho de 1954, existiam 650 presos comuns e 5200 presos políticos). Antes da Revolução, o Gulag chamava-se Katorga e, praticamente, possuía as mesmas finalidades. Entretanto, os bolcheviques continuaram a tradição autocrática-imperial russa em uma escala dezenas de vezes maior e em condições muito piores, onde até o canibalismo foi praticado. Na União Soviética, este sistema funcionou de 1930 até 1960. Nesses campos foram aprisionadas e mortas milhões de pessoas, muitas delas vítimas das perseguições de Stalin, as consideradas "pessoas infames", para a chamada "Pátria Mãe" (a URSS), e que deveriam passar por "trabalhos forçados educacionais" para merecerem viver nela. O Gulag tornou-se um símbolo da repressão da ditadura de Stalin. Na verdade, as condições de trabalho nos campos eram bastante penosas e incluíam fome, frio, trabalho intensivo com características próprias da escravatura (por exemplo, horário de trabalho excessivo) e guardiões desumanos. Floresceram durante o regime stalinista da URSS, estendendo-se a regiões como a Sibéria e a Ucrânia, por exemplo, e destinavam-se, na verdade, a silenciar e torturar opositores ao regime, incluindo os anarquistas, trotskistas e outros.
Embora algumas vezes comparado aos campos de concentração nazistas, os motivos que presidiram à construção de ambos são bastante diferentes: para o Gulag, as motivações eram tanto a punição por crimes comuns, como para ideologias contrárias ao comunismo, delitos de opinião, ou simplesmente a necessidade de se ver livre de alguém que poderia significar concorrência ao poder; para os campos de concentração nazistas iam prisioneiros de guerra e judeus, basicamente.
O número de presos no Gulag cresceu gradualmente a partir de 1930, com 179.000, para 1934, com 510.307; em 1938 essa taxa cresceu muito mais rapidamente, por conta dos expurgos, para 1.881.570; durante a Segunda Guerra Mundial o número de presos decresceu por conta do recrutamento de presos para o Exército Vermelho (eram 1.179.819 presos em 1944). Em 1945 voltou a crescer, até 1950, atingindo um valor máximo (cerca de 2.500.000), que se manteve praticamente constante até 1953, ano da morte de Stalin. A tabela abaixo apresenta os números de presos no Gulag soviético, durante o período que vai de 1930 a 1953, segundo dados apresentados no livro “Gulag”, de Anne Applebaum, página 602, copiados de documentos da NKVD.
Os fluxos de entrada e saída dos campos de trabalhos forçados eram substanciais e o número total de detentos foi contabilizado em cerca de 18 milhões durante o período entre 1929 e 1953. Como parte do mais amplo termo "trabalhos forçados", mais 4 milhões de prisioneiros de guerra devem ser adicionados a esse número e, pelo menos, 6 milhões de "especiais", isto é, camponeses deportados durante a coletivização, chegando-se a um total de 28.000.000 de prisioneiros que terão passado pelo Gulag soviético.
O número de mortos nesses campos de concentração soviéticos, ainda está sob investigação, mas um valor provisório indica 2.749.163 baixas. Este número não leva em conta as execuções relacionadas com o sistema judicial (as execuções, apenas por razões políticas, chegam a 786.098). Segundo dados soviéticos, morreram no Gulag 1.053.829 pessoas entre 1934 e 1953, excluindo mortos em colônias de trabalho (outro tipo de prisão, segundo as informações soviéticas.

Número de prisioneiros pelos documentos da NKVD

1930
179.000
1936
1.296.494
1942
1.777.043
1948
2.199.535
1931
212.000
1937
1.196.369
1943
1.484.182
1949
2.356.685
1932
268.700
1938
1.881.570
1944
1.179.819
1950
2.561.351
1933
334.300
1939
1.672.438
1945
1.460.677
1951
2.525.146
1934
510.307
1940
1.659.992
1946
1.703.095
1952
2.504.514
1935
965.742
1941
1.929.729
1947
1.721.543
1953
2.468.524


Os campos recebiam também prisioneiros de outras nacionalidades, incluindo cidadãos americanos. Em 1931, a Amtorg Trading Corporation (primeira representação comercial soviética nos Estados Unidos) recrutou milhares de trabalhadores americanos, que sofriam as consequências da Grande Depressão, atraindo-os com promessas de boas condições de trabalho. Estes trabalhadores, que contribuíram para o desenvolvimento da indústria da URSS, eram dispensados quando não mais necessários e poucos conseguiram retornar aos EUA. Muitos, foram enviados ao Gulag, permanecendo detidos ali por anos. O telefilme de 1982 “Coming Out of the Ice(em português “Atrás da Cortina de Gelo”), baseado no livro homônimo, dramatiza a vida de Victor Herman, paraquedista estadunidense, que passou 18 anos detido na Sibéria por recusar-se a adotar a nacionalidade soviética, após bater o recorde de salto em queda livre.
De acordo com Werh Nicolas, historiador francês do “Centre National de la Recherche Scientifique”, em Paris, no livro "História da Rússia no século XX", páginas 318-9, "As estimativas do número de presos no Gulag, ao final dos anos trinta, variam entre 3.000.000 (Timasheff, Bergson, Wheatcroft) e de 9 a 10.000.000 (Dallin, Conquest, Avtorkhanov, Rosefielde, Solzhenitsyn). Os arquivos do Gulag, confirmados pelos dados dos censos de 1937 e 1939, em documentos dos Ministérios da Justiça, do Interior e da Procuradoria Geral, dão um valor de cerca de 2.000.000 prisioneiros em 1940 (cerca de 300.000 em 1932, e de 1.200.000, no início de 1937). O número acumulado de entradas no Gulag durante os anos 30, tendo em conta a alta rotatividade dos detentos, é cerca de 6.000.000 de pessoas." No mesmo livro, à página 416, lemos: "Como evidenciado pelos arquivos do Gulag, recentemente exumados, nos anos 1945-53 houve um forte aumento no número de prisioneiros nos campos de trabalho Gulag (passando de 1.200. 000 para 2.500.000 entre 1944 e 1953), e o número de deportados ‘especiais’ passou de 1.700.000 em 1943, para 2.700.000 em 1953”.
As localizações dos campos no Gulag eram um segredo (calcula-se o seu número em 476 à época da 2ª Guerra Mundial), mas o medo que despertavam era bem conhecido por russos, lituanos, poloneses, armênios e outros tantos que viveram sob a influência da antiga União Soviética. Os campos de concentração espalhavam-se por todo o país, da gélida Sibéria às inóspitas regiões da Ásia Central, passando pelas florestas dos Urais e os subúrbios de Moscou. Eles surgiram antes mesmo de suas infames contrapartidas nazistas, como Auschwitz, Sobibor e Treblinka, e continuaram a crescer muito tempo depois do fim da Segunda Guerra Mundial. Hoje, a história do Gulag, esse sistema de repressão e punição que aterrorizou milhões, é muito bem conhecida do mundo ocidental, principalmente através de duas obras. A primeira delas, “Arquipélago Gulag”, é um clássico referencial sobre o assunto e foi escrita pelo dissidente, Alexandr Solzhenitsyn, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 1973. Este livro, escrito entre 1958 e 1967, é uma narrativa de fatos que foram presenciados pelo autor, prisioneiro durante onze anos, em Kolima, um dos campos do arquipélago, e por duzentas e trinta e sete pessoas, que confiaram as suas cartas e relatos ao autor. Embora publicada em 1973 no ocidente, a obra circulou clandestinamente na União Soviética, numa versão minúscula, escondida, até à sua publicação oficial no ano de 1989. A segunda fonte, escrita após o colapso da União Soviética, “Gulag: Uma História dos Campos de Prisioneiros Soviéticos”, é de autoria de Anne Applebaum e recebeu o Prêmio Pulitzer de 2004. O livro apresenta um retrato completo e acurado de um dos maiores crimes cometidos contra a humanidade. Longe de se limitar à frieza dos documentos oficiais, finalmente acessíveis, Applebaum enriquece a história com entrevistas e relatos de sobreviventes, que se sobressaem, não só pela força da prosa, mas também pela capacidade de sondar abaixo da superfície do horror cotidiano. Segundo a autora, e de modo ainda mais amplo, Gulag veio a significar todo o sistema repressivo soviético, o conjunto de procedimentos que os presos outrora denominaram "o moedor de carne": as prisões, os interrogatórios, o traslado em vagões de gado sem aquecimento, o trabalho forçado, a destruição de famílias, os anos de degredo, as mortes prematuras e desnecessárias.

Evolução do número de presos no Gulag (1930-1953)
Rapidamente, a indústria soviética atinge grandes proporções de riqueza em pouco tempo, tornando-se uma grande potência mundial. Paradoxalmente e com a lei das coletivizações em marcha, o povo vivia na pobreza extrema. Além do mais, as medidas políticas de Stalin provocaram grandes ondas de fome que assolaram as repúblicas, principalmente na Ucrânia, que deu origem ao termo Holodomor (Ver Quadro “O Holodomor”, a seguir).
Até hoje os estudiosos discordam quanto às razões que teriam levado Stalin à execução dos “Anos de Terror” na União Soviética. Uma delas, com grande quantidade de seguidores acredita que com a ascensão de Hitler ao poder na Alemanha, sua política belicista e anti-comunista tornava mais próxima a ideia de uma invasão da URSS. Não podemos esquecer que, desde 1925, Hitler vagamente declarara em seu manifesto político e autobiografia "Mein Kampf" (“Minha Luta”) que ele invadiria a União Soviética, afirmando que o povo alemão necessitava garantir espaço vital para assegurar a sobrevivência da Alemanha pelos anos futuros. 
Presos na construção do canal Mar Branco-
Báltico, 1931 - 1933

O nazismo via a União Soviética (e todo o leste europeu) como povoado por “sub humanos” não arianos, governados por conspiradores bolcheviques judeus (para igualar os comunistas aos judeus). “Minha Luta” dizia que o destino da Alemanha era avançar para o leste como havia sido feito seiscentos anos antes. Como decorrência, a política nazista estabelecia matar, deportar ou escravizar a maioria dos russos e outras populações eslavas, repovoando a terra com povos germânicos. E Stalin sabia disso. No Oriente, o expansionismo japonês (conquista da Manchúria e guerra contra a China) ameaçava o forte siberiano. Criou-se assim um clima favorável para o “alarme da Pátria socialista em perigo” e a arregimentação de todas as forças em torno da ditadura stalinista. Esta pressão externa condicionou Stalin a visualizar seus inimigos políticos (dentro do Partido) como, objetivamente, inimigos da revolução e aliados da reação fascista.



O HOLODOMOR

Holodomor é uma palavra ucraniana que significa “extermínio pela fome”. Foi o nome dado à fome causada por Stalin na República Soviética Socialista da Ucrânia, entre 1931 e 1933, que matou um número estimado entre 5,0 e 7,5 milhões de ucranianos. Porém, levando-se em conta os efeitos prolongados dessa política econômica perversa e os ucranianos que foram levados ao trabalho forçado e lá morreram, esse número pode ser superior a 14 milhões.
A Ucrânia foi o país da URSS que mais resistiu às medidas do plano de coletivização imposto por Stalin. A autonomia cultural ucraniana e sua forte identidade nacional tornavam-na intolerável aos soviéticos russos. A insurreição dos camponeses ucranianos contra as medidas de coletivização forçada e a requisição compulsória de cereais obrigou Stalin a impingir medidas ainda mais drásticas do que as executadas em outras regiões.
Stalin traçou uma campanha antiucraniana para demonstrar quão “nociva” era a postura desse país com relação aos anseios comunistas. Inicialmente, deu-se início a uma sistemática humilhação de intelectuais ucranianos, que foram submetidos a julgamentos vexaminosos e ridiculizações diversas. Houve também uma debelação de possíveis focos de organização antissoviética que pudessem irromper a longo prazo. Depois dessas medidas, Stalin passou a atacar o próprio campesinato.
A partir de 1929, deu-se início a uma ferrenha estipulação de metas de produção de cereais, destinados ao poder central soviético, que passaram a ser exigidas dos camponeses da Ucrânia. A rigidez era tão grande que esses camponeses só conseguiriam atender à demanda se deixassem de consumir sua parte do que era produzido, isto é, só se passassem fome, de fato. Tudo passou a ser de propriedade do governo. Muitas pessoas foram presas e condenadas a trabalhos forçados simplesmente por comerem batatas ou colherem espigas de milho para consumo. Progressivamente, a morte foi se acentuando na Ucrânia. Entre 1931 e 1933, o número de mortos era tão grande que os cadáveres se espalhavam pelas ruas e pelos campos. O odor dos corpos apodrecidos dominava regiões inteiras. O historiador Thomas Woods reitera esse fato:
Em 1933, Stalin estipulou uma nova meta de produção e coleta, a ser executada por uma Ucrânia agora à beira da mortandade em massa por causa da fome, que havia começado em março daquele ano. Vou poupar o leitor das descrições mais trágicas do que aconteceu a partir daqui. Mas os cadáveres estavam por todos os lados, e o forte odor da morte pairava pesadamente sobre o ar. Casos de insanidade e até mesmo de canibalismo, estão bem documentados.” (Woods, Thomas. “A Fome na Ucrânia – um dos Maiores Crimes do Estado Foi Esquecido”. Instituto Ludwig Von Mises Brasil.)
Desde 2006, o Holodomor tem sido reconhecido pela Ucrânia independente e muitos outros países como um genocídio do povo ucraniano perpetrado pela União Soviética. É impossível determinar o número exato de vítimas, mas ele aumenta significativamente quando as mortes no densamente povoado Kuban ucraniano são incluídas. Os estudiosos discordam sobre a importância relativa de fatores naturais e más políticas econômicas como causas da escassez absoluta de alimentos mas acreditam que foi um plano a longo prazo de Stalin, uma tentativa de eliminar o movimento de independência ucraniana.
Usar o Holodomor como referência à fome, enfatiza os seus aspectos de “feito pelo homem”, sustentando que ações como a proibição de ajuda externa, o confisco dos mantimentos das residências e a restrição ao movimento da população, conferem intenção, definindo a fome como genocídio e comparando o número de perdas de vidas às do Holocausto. Se as políticas e ações soviéticas estivessem conclusivamente documentadas como pretendendo erradicar a ascensão do nacionalismo ucraniano, elas teriam caído sob a definição legal de genocídio.

Fome na Ucrânia, em 1933
Dado o despreparo do país para enfrentar um ataque conjunto alemão-japonês, era inevitável que a oposição terminasse por questionar sua autoridade sobre o país. Ele passou a agir de forma "preventiva" antes que a oposição ganhasse vulto, explorando a insatisfação contra o Regime. As abjetas confissões a que os velhos revolucionários foram submetidos, tinham por objetivo degradá-los perante a opinião pública - ao mesmo tempo que consagravam Stalin como o único e exclusivo seguidor do Leninismo e da pureza revolucionária. A industrialização acelerada, feita sem nenhum amparo em referências anteriores, fez com que os inevitáveis acidentes e dificuldades fossem apontados como sabotagem contrarrevolucionária. Desta forma eximia-se a facção dirigente das inevitáveis calamidades que uma industrialização galopante traz em seu bojo. O terror passou a exercer uma função pedagógica. As falhas e a incompetência eram punidas com a prisão ou fuzilamento, fazendo com que as eficiências de formação fossem superadas pela dedicação integral ao trabalho. Os processos e fuzilamentos atuavam também como uma espécie de "compensação" psicológica para a massa da população. Apesar dos sofrimentos a que estavam submetidos, pelas condições do trabalho, pela escassez de víveres e de habitação, "consolavam-se" ao ver os privilegiados do regime stalinista pagar com a vida sua indisposição com a facção dirigente. Mas não foram apenas os quadros políticos e técnicos os atingidos pelas grandes purgas. Nem o Exército nem a polícia secreta ficaram imunes: 65% dos oficiais graduados foram executados ou presos e mais de três mil “chekists”[1] foram fuzilados. De certa forma isto foi interpretado como demonstração de fraqueza do Estado Soviético, pois ao eliminarem os quadros da nova intelligentsia militar (pincipalmente o grande estrategista, Marechal Tukaschevski) favoreceram os preparativos belicistas de Hitler. Os resultados internos, no entanto, consagraram o domínio absoluto de Stalin. Uma nova equipe dirigente foi colocada a sua disposição. Duros, eficientes e cruéis, propiciaram uma centralização efetiva do poder. Deve-se observar que o stalinista típico, tinha formação cultural bem inferior à dos membros da Velha Guarda partidária. Poucos conheciam o exterior, ficando suas raízes em solo russo. Ao contrário da elite intelectual dos primeiros tempos, fornida pela alta especulação teórica, os homens de Stalin dominavam o jargão convencional do marxismo. Sua própria situação social era distinta. Excetuando talvez Molotov e Malenkov, seus próximos emergiram da baixa classe média e do operariado, como Kalinin e Kruschev. Foi durante seu período de pleno poder que a Ciência, as Artes e a Literatura tornaram-se adstritas à política. Nenhum ramo do conhecimento atuava à margem dos interesses partidários imediatos, tornando-se instrumento da propaganda oficialista, sob a batuta do Ministro da Cultura Zhadanov. Artistas e historiadores viviam sob a vigilância permanente e seus textos, muitas vezes, eram censurados pelo próprio Stalin (de acordo com a tradição czarista, pois Nicolau I fazia o mesmo com as rimas do grande poeta Puschkin). Mesmo assim, os alcances da instrução massiça atingiram as multidões. 
Documento de Beria sobre assinado por
Stalin para matar 15 mil oficiais polacos
e 10 mil intelectuais na Floresta Katyn.
O terceiro plano quinquenal desenvolveu-se apenas por três anos, de 1938 a 1941, quando a Alemanha invadiu a União Soviética, durante e Segunda Guerra Mundial. À medida que a guerra se aproximava, mais recursos eram lançados no desenvolvimento de armamentos de todas as espécies, bem como na construção de novas fábricas militares a leste dos Montes Urais. Os primeiros dois anos deste terceiro plano foram mais um desapontamento em termos da proclamada produção de objetivos. Contudo, ainda uma taxa relatada de crescimento de 12% a 13% foi atingida na união soviética durante a década de 1930.
Em 23 de agosto de 1939 Stalin firma um pacto de não agressão com a Alemanha hitlerista, conhecido como Pacto Molotov - Ribbentrop, imediatamente antes da invasão alemã na Polônia que disparou o gatilho da 2ª Guerra Mundial na Europa. UM protocolo secreto ao Pacto, resumia um acordo entre Alemanha e União Soviética sobre a divisão dos estados nas fronteiras do leste europeu, entre suas respectivas “esferas de influência”: a União Soviética e a Alemanha repartiriam a Polônia no caso de uma invasão pela Alemanha e a Rússia poderia ocupar os Estados Bálticos e a Finlândia. Como conclusão do pacto, no mês seguinte a União Soviética de Stalin invadiu a Polônia, promovendo a anexação da parte leste do país e deixando o mundo atônito tendo em vista a mútua hostilidade prévia das duas partes e suas ideologias conflitantes. Em março e setembro de 1940, aproveitando o fato de “não estar participando da Segunda Guerra Mundial”, Stalin respectivamente ocupa partes da Finlândia e da Romênia.
Massacre na Floresta Katyn em 1940
Como resultado do pacto, Alemanha e União Soviética mantiveram ralações diplomáticas razoavelmente fortes por dois anos, promovendo importante relação econômica. Em 1940 os dois países assinaram um pacto de comércio pelo qual os soviéticos recebiam equipamento militar e bens de consumo alemão, fornecendo aos alemães matéria prima como óleo e trigo como ajuda para frustrar o bloqueio inglês à Alemanha. A despeito das aparentes relações cordiais ostensivas, cada lado suspeitava fortemente das intenções do outro. Após a formação do Eixo, com Japão e Itália, a Alemanha iniciou negociações para uma potencial entrada da União Soviética no Eixo e após dois dias de negociações em Berlim, de 12 a 14 de novembro de 1940, a Alemanha apresentou uma proposta escrita para a entrada da União Soviética no Eixo. Em 25 de novembro de 1940, a União Soviética ofereceu uma contraproposta por escrito, para unir-se ao eixo, sob a condição de que a Alemanha suspendesse sua interferência sobre a esfera de influência da União Soviética, não respondida pela Alemanha. Como os dois lados começaram a colidir na Europa Oriental, o conflito surgiu como mais provável, embora ainda assinassem um acordo comercial e de fronteiras sobre várias questões, em janeiro de 1941.
Desfile conjunto alemão-soviético em 23/09/1939,
ao final da campanha da Polônia.
Imediatamente antes, durante e logo após a 2ª Guerra mundial, Stalin conduziu uma série de deportações, em tão grande escala a ponto de profundamente afetar o mapa étnico da União Soviética, provavelmente por não confiar em etnias particulares, como os coreanos soviéticos, os alemães do Volga, chechenos e poloneses. Estima-se que entre 1941 e 1949, aproximadamente 3,3 milhões foram deportados para a Sibéria e as repúblicas da Ásia Central. Por algumas estimativas, até 43% da população reassentada morreu de doenças e desnutrição. As razões oficiais mencionadas para as deportações foram o separatismo, a resistência ao mando soviético e a colaboração com os alemães invasores. As circunstâncias individuais dos que passaram algum tempo em territórios ocupados pelos alemães não foram examinadas. Após a breve ocupação nazista do Cáucaso, toda a população de cinco dos pequenos povos das montanhas e os tártaros da Crimeia – no total, mais de um milhão de pessoas – foram deportados sem aviso prévio ou qualquer oportunidade de apanhar suas posses.
Finalmente, em 22 de junho de 1941, a Alemanha declara guerra à URSS, através da “Operação Barba Ruiva”, sem uma declaração oficial de guerra, embora os preparativos bélicos e todos os planos de ataque e de defesa dos dois lados, ao longo de toda a fronteira. Cerca de 03:15 hs de 22 de junho de 1941, as forças do Eixo iniciaram a invasão da União Soviética pelo bombardeio das principais cidades da Polônia ocupadas pelos soviéticos e por uma barragem de artilharia sobre as defesas do Exército Vermelho em toda a frente. Em torno do meio dia a invasão foi transmitida à população pelo Ministro das Relações Exteriores Vyacheslav Molotov: “ .... Sem uma declaração de Guerra, as forças germânicas caíram sobre nosso país, atacaram nossas fronteiras em vários pontos ... O Exército Vermelho e toda a nação travarão uma vitoriosa Guerra Patriótica por nosso amado país, pela honra, pela liberdade ...”. Ao conclamar a devoção da população à Nação e não ao Partido, Molotov tocou uma corda patriótica que ajudou um povo atordoado a absorver notícias perturbadoras. Stalin só se dirigiu à nação, sobre a invasão, no dia 3 de julho e, como Molotov, clamou por uma “Guerra Patriótica” de todo o povo soviético.
Não resta dúvida de que houve êxito na reconstrução do país e na elevação do nível econômico e cultural da população soviética, tornando a URSS, juntamente com os Estados Unidos, após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), uma das superpotências mundiais, embora a União Soviética tenha tido perdas humanas e materiais que nunca poderão ser comparadas com qualquer dos países que participou da guerra. Com a vitória dos aliados sobre o eixo nazi-fascista (Alemanha, Japão e Itália), a União Soviética, principal oponente da Alemanha na Europa, passou a dispor de enorme prestígio internacional, embora as suas imensas perdas.

[1] Cheka foi a primeira de uma sucessão de organizações de segurança do estado soviético, criada em 20/12/1917, por um decreto de Lenin. Até o final de 1918, centenas de Chekas haviam sido criadas em várias cidades, em múltiplos níveis. Milhares de dissidentes, desertores e outras pessoas foram presas, torturadas e executadas por vários grupos Cheka. Após 1922, grupos Cheka passaram por uma série de reorganizações, com a NKVD, em corpos cujos membros continuaram a ser chamados “Chekistas”, até a década de 1980.

Prossegue na próxima postagem com a PARTE 10

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

A REVOLUÇÃO RUSSA DE 1917 (Parte 1)

I - INTRODUÇÃO

Claro que todos já ouvimos falar muito sobre a revolução comunista na Rússia, sobre a “auto antropofagia” que lá ocorreu durante muitos anos da história daquele povo e já lemos alguns livros sobre os acontecimentos que se seguiram durante ou imediatamente após aquela revolução – entre eles o “Doutor Jivago”, de Boris Pasternak, “Um Dia Na Vida de Ivan Denisovich” e o “Arquipélago Gulag”, ambos de Alexandr Solzhenitsyn, prêmio Nobel de Literatura de 1970. Entretanto, eu nunca havia lido nada histórico, sobre a Revolução Comunista de 1917, seus antecedentes, suas dissidências, grupos antagônicos que dela participaram, a brutal ditadura de Stalin e as suas consequências para o povo russo e a humanidade, de uma forma geral. Por outro lado, me orgulho de dizer que li, para conhecer as duas faces da moeda e por isso não poder ser acusado de desconhecer, os livros que mais difundiram a doutrina comunista/socialista, tidos como bandeiras de glória por todos aqueles que a professam, tais como “O Capital” de Karl Marx, “O Manifesto Comunista” de Karl Marx e Friedrich Engels, “O Contrato Social” de Jean Jacques Rousseau, entre outros.
Por essa razão, resolvi realizar uma pesquisa sobre o assunto e fazer uma postagem, apenas baseado em alguns dos documentos existentes, já que a documentação completa é praticamente inexaurível e o assunto extremamente controvertido. É preciso entender que a Revolução Russa de 1917 foi um acontecimento capital na História do Século XX e, apesar de o mundo socialista por ela criado haver desmoronado ao final do período, aquele evento exerceu, sem dúvida, uma extraordinária influência na vida de centenas de milhões de seres humanos. A revolução, em si, terminou em 1917, mas foram tantos os seus desdobramento e consequências dramáticas que a sucederam, que vamos prolongar a nossa pesquisa até o final da Era Stalin, último revolucionário a exercer o poder na então União Soviética. Com isso consideraremos cumprida a árdua tarefa.
Entretanto, é impossível analisar tal assunto, sem antes apresentar uma breve história da Rússia pré-revolução, para que os leitores possam melhor entender as razões que conduziram a tão sangrento e injusto evento, embora possam nunca entender a injustificável matança ocorrida durante os primeiros 40 anos do governo socialista na Rússia pós revolução.

II - ORIGENS DA RÚSSIA

Mapa político da Rússia atual, ou Federação Russa
A Rússia atual, oficialmente Federação Russa ou Federação da Rússia, após a desintegração da União Soviética, em 1991, é um país localizado no norte da Eurásia (conjunto formado pela Europa e Ásia). Faz fronteira com os seguintes países (de noroeste para sudeste): Noruega, Finlândia, Estônia, Letônia, Lituânia e Polônia (através da província de Kaliningrado), Bielorrússia, Ucrânia, Geórgia, Azerbaijão, Cazaquistão, China, Mongólia e Coreia do Norte. Faz também fronteiras marítimas com o Japão (pelo Mar de Okhotsk) e com os Estados Unidos (pelo Estreito de Bering). Com 17.075.400 quilômetros quadrados, a Rússia é o país com maior área do planeta, cobrindo mais de um nono da área terrestre. A Rússia também é o nono país mais populoso, com 142 milhões de habitantes.
A história do país começou com os eslavos do Leste, que surgiram como um grupo étnico reconhecido na Europa entre os séculos III e VIII da era Cristã. Fundado e dirigido por uma classe nobre de guerreiros vikings e pelos seus descendentes, o primeiro Estado Eslavo do Leste, o Principado de Kiev, surgiu no século IX e adotou o cristianismo ortodoxo, do Império Bizantino, em 988, dando início à síntese das culturas bizantina e eslava que definiram a cultura russa. O Principado de Kiev finalmente se desintegrou e suas terras foram divididas em muitos pequenos estados feudais. O estado sucessor do Principado de Kiev foi Moscóvia (Moscou), que serviu como a principal força no processo de reunificação da Rússia e na luta de independência contra a Horda de Ouro (o mais duradouro reino do Império Mongol). Moscóvia gradualmente reunificou os principados russos e passou a dominar o legado cultural e político do Principado de Kiev. Sob a liderança de Ivan III, o Grande, Moscou venceu os tártaros em 1480, na Batalha do Rio Ugra, livrando-se enfim de 240 anos do jugo tártaro-mongol e, praticamente fundando o Império Russo, maior império e maior estado nacional de todos os tempos, em área.
Sob o reinado de Ivan IV, o Terrível, oficialmente coroado o primeiro czar[1] da Rússia, em 1547, vários territórios e os canatos[2] de Astrakhan e Kazan foram reconquistados aos tártaros e anexados ao nascente Império Russo. Ivan IV criou uma Rússia multicultural e multireligiosa, mas foi sempre lembrado pelas atrocidades cometidas durante sua época. 
Czar Pedro I da Rússia, início Dinastia Romanov
É com a Dinastia Romanov (iniciada em 1613) que se inicia o grande processo de "imperialização" da Rússia. Pedro, o Grande, ou Pedro I da Rússia, derrotou a Suécia na Grande Guerra do Norte forçando o inimigo a ceder partes do seu território. E é na Íngria[3] que se forma uma nova capital: São Petersburgo (em homenagem a São Pedro).
Com as ideias do Oeste Europeu, Pedro I faz evoluir a Rússia que antes se encontrara numa situação de pobreza extrema e prepara o caminho para o auge do país. O território do império aumenta e, em 1648, o líder cossaco Semyon Dezhnyov descobre o estreito que separa a América da Ásia: o atual Estreito de Bering. Nasce assim o maior império da história da Rússia. O Império Russo, termo geralmente utilizado para se referir ao período de tempo que começa com a expansão iniciada por Pedro I, até o reinado de Nicolau II, deposto pelas revoluções de 1917, expandiu-se até o Oceano Pacífico entre os séculos XVII e XIX.
A czarina Catarina, a Grande, continuou o trabalho de Pedro, derrotando a Polônia e anexando a Bielorrússia e a Ucrânia - outrora o principado de Kiev. Catarina assina um acordo com o reino da Geórgia de modo a evitar invasões do império turco – a Geórgia passa a ser protegida militarmente pela Rússia.
Durante o século XVIII, o país teve grande expansão através da conquista, anexação e exploração de territórios, tornando-se o Império Russo, que foi o terceiro maior império da história e se estendia da Polônia, na Europa, até o Alasca, na América do Norte.
Em 1812, quando a Rússia se achava sob o governo de Alexandre I, o exército de Napoleão entra em Moscou, mas vê-se forçado a abandoná-la, pois a encontra vazia e sem mantimentos com a retirada do exército russo. O frio e a falta de recursos foram responsáveis pela morte de 95% das tropas francesas. Durante o regresso de Napoleão à França, os russos perseguiram-no até Paris, trazendo para o império as ideias liberais que estavam em marcha na França e na Europa Ocidental. Ainda durante a perseguição de Napoleão, a Rússia conquista a Finlândia e a Polônia. O golpe final sobre Napoleão foi dado em 1813 quando o império e os seus aliados – austríacos e prussianos - venceram as forças de Napoleão na batalha de Leipzig. 
Alexandre II, o czar modernizador da Rússia
A ascensão de Nicolau I (1825-1855) que travara o desenvolvimento da Rússia em meados do século XIX, principalmente devido à lei da servidão, obrigando os camponeses a lavrar as terras sem possui-las, é compensada por seu sucessor, Alexandre II (1855-1881), que cria reformas que vão fazer com que a Rússia consiga um maior desenvolvimento.
Alexandre II tinha consciência da necessidade de promover reformas modernizadoras no país, para aliviar as tensões sociais internas e transformar a Rússia num Estado mais respeitado internacionalmente. Com sua política reformista, Alexandre II realizou a abolição da servidão agrária, beneficiando cerca de 40 milhões de camponeses que ainda permaneciam submetidos ao mais cruel sistema de exploração; desenvolveu o ensino elementar e a concessão de autonomia acadêmica às universidades; concedeu maior autonomia administrativa aos diferentes governos das províncias.
Mesmo sem provocar alterações significativas na estrutura social existente na Rússia, a política reformista do czar encontrou forte oposição das classes conservadoras da aristocracia, extremamente sensíveis a quaisquer perdas de privilégios sociais em favor de concessões ao povo. Por isso, apesar das medidas reformistas, o clima de tensão social aumentava entre os setores populares. A terra distribuída aos camponeses era insuficiente, fortemente concentrada nas mãos de uma aristocracia latifundiária, a quem faltavam recursos técnicos e financeiros para modernização da agricultura. O resultado era a baixa produtividade agrícola, que provocava frequentes crises de abastecimentos alimentares, afetando tanto os camponeses como a população urbana. Em 1881, Alexandre II foi assassinado por um dos grupos de oposição política (os Pervomartovtsky) que lutavam pelo fim da monarquia vigente, responsabilizada pela situação de injustiça social existente.
Ao final do século XIX o tamanho do Império era cerca de 22.400.000 km2, abrangendo vastas áreas da Europa Oriental e do norte e centro da Ásia. Seus limites eram o Oceano Ártico, ao norte, o Cáucaso e as fronteiras com a Pérsia e o Afeganistão, ao sul, o Oceano Pacífico e as fronteiras com a China, Coreia e Japão, a leste, e os Montes Cárpatos, onde fazia fronteira com a Alemanha e a Áustria -Hungria, a oeste. O Império Russo ainda chegou a contar com um território na América, o Alasca, que foi vendido aos Estados Unidos, em 1867. Em seu apogeu, o Império Russo incluía, além do território russo atual, os estados bálticos (Lituânia, Letônia e Estônia), a Finlândia, o Cáucaso, Ucrânia, Bielorrússia, boa parte da Polônia (antigo reino da Polônia), Moldávia (Bessarábia) e quase toda a Ásia Central. Também contava com zonas de influência no Irã, Mongólia e norte da China. Em 1914, o Império Russo estava dividido em 81 províncias (guberniyas) e 20 regiões (oblasts). Vassalos e protetorados do Império incluíam os canatos de Khiva e Bukhara e, após 1914, Tuva.
Com o assassinato de Alexandre II, as forças conservadoras russas uniram-se em torno do novo czar, Alexandre III, que retomou o antigo vigor do regime monárquico absolutista. Concedeu grandes poderes à polícia política do governo (Okhrana), que exercia severo controle sobre os setores educacionais, imprensa e tribunais, além dos dois importantes partidos políticos, Narodnik e o Partido Operário Social Democrata Russo, de ideologia marxista, que queriam acabar com a autocracia e passaram a atuar na clandestinidade. Embora desarticulado dentro da Rússia em 1898, voltou a organizar-se no exterior, tendo como líderes principais Gueorgui Plekhanov, Vladimir Ilyich Ulyanov (de codinome Lenin) e Lev Bronstein (conhecido como Trotsky).
Impedidos de protestar contra a exploração de que eram vítimas, camponeses e trabalhadores urbanos continuaram sob a opressão da aristocracia agrária e dos empresários industriais, celeiro dos futuros oficiais do exército russo e membros da Igreja Ortodoxa Russa. Estes, associando-se a capitais franceses, impulsionavam o processo de industrialização do país. Apesar da repressão política comandada pela Okhrana, as ideias socialistas eram introduzidas no país por intelectuais preocupados em organizar a classe trabalhadora.
Alexandre III faleceu em 1894 e foi sucedido por Nicolau II, que procurou facilitar a entrada de capitais estrangeiros para promover a industrialização do país, principalmente da França, da Alemanha, da Inglaterra e da Bélgica, que ocorreu posteriormente à maioria dos países da Europa Ocidental. O desenvolvimento capitalista russo foi ativado por medidas como o início da exportação do petróleo, a implantação de estradas de ferro e da indústria siderúrgica.
Os investimentos industriais foram concentrados em centros urbanos populosos, como Moscou, São Petersburgo, Odessa e Kiev. Nessas cidades, formou-se um operariado de aproximadamente 3 milhões de pessoas, que recebiam salários miseráveis e eram submetidas a jornadas de 12 a 16 horas diárias de trabalho, não recebiam alimentação e trabalhavam em locais imundos, sujeitos a doenças. Nessa dramática situação de exploração do operariado, as ideias socialistas encontraram um campo fértil para o seu florescimento. E Nicolau II viria a ser o Czar da Revolução Comunista, sendo deposto e morto, com o seu advento.

[1] Czar, tsar ou tzar foi o título usado pelos monarcas do Império Russo entre 1546 e 1917. Foi adotado por Ivan IV da Rússia como um símbolo da natureza da monarquia russa. O termo "tsar" ou "czar", tal como o alemão kaiser, tem a sua origem na palavra latina Caesar, título adotado pelos imperadores romanos.
[2] Canato, Canado ou Khanato era um ente político governado por um Khan, que em mongol e em turco, significa "líder tribal" ou senhor de um território; ou seja um principado, reino ou mesmo um império.
[3] A Íngria é uma região histórica, cuja maior parte encontra-se, atualmente, localizada na Rússia, compreendendo a área ao longo da bacia do rio Neva, entre o Golfo da Finlândia, o rio Narva, o lago Peipsi no Oeste, e o lago Ladoga e a planície pantanosa ao sul deste, no leste. Historicamente a Íngria foi povoada pelos povos fínicos (da Finlândia) dos izorianos, vótios (os povos nativos da Íngria) e mais tarde também pelos finlandeses da Íngria e estonianos. Foi russificada na década de 1930.

Prossegue com a Parte 2.