Homenagem ao lendário herói ancestral dos ingleses que deu título a um dos considerados "Cem Maiores Livros do Mundo" e tido como o mais antigo escrito em "Old English".

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quarta-feira, 8 de outubro de 2025

HISTÓRIA DO POVO JUDEU APÓS O RETORNO DE SEU EXÍLIO NA BABILÔNIA (PARTE 4)

VI – O PERÍODO HELENÍSTICO E A CRISE DE IDENTIDADE (333 AC - 63 AC)

No império Persa, Artaxerxes I foi sucedido por seu filho Xerxes II que foi, por sua vez, assassinado e sucedido por seu meio irmão Soguediano, ambos reinando por períodos muito curtos. Dario II (424 – 404 AC) sucedeu a Soguediano e foi sucedido por seu filho Artaxerxes II, que reinou de 404 AC até a sua morte em 358 AC. Artaxerxes III o sucedeu no trono, sendo sucedido por Dario III, último rei do Império Aquemênida Persa, tendo reinado de 336 a 330 AC.
Alexandre, o Grande, da Macedônia
Por essa época Felipe, rei da Macedônia (norte da Grécia), foi assassinado em Egae, por Pausanias, filho de Cerastes, da família de Orestes, e Alexandre, seu filho, o sucedeu no trono.
Alexandre, passando pelo Helesponto (atual Estreito de Dardanelos) derrotou os generais do exército de Dario III na batalha travada em Cranicum, marchou sobre a Lydia (antigo nome da região oeste da Turquia asiática), subjugou a Ionia, Caria e Pamphylia, avançando para o leste da atual Turquia. Enquanto isso, Dario avançava com seus exércitos para o oeste, visando dar combate a Alexandre em Issus, Cilicia. Sanballat, certo de que Dario derrotaria Alexandre, reafirmou suas promessas a Massaneh. Entretanto, Dario foi batido por Alexandre que tomou a maior parte dos seus exércitos além de aprisionar sua mãe, esposa e filhos, e fugiu para a Pérsia. Alexandre invadiu a Síria, tomando Damasco, Sidon e sitiando Tiro, quando então buscou o alto sacerdote judeu para fornecer suprimentos a seus exércitos. Entretanto, o Alto Sacerdote respondeu-lhe que não transgrediria seu juramento a Dario enquanto este estivesse vivo, pois temia sua represália. Alexandre, evidentemente não gostou de sua resposta e prometeu represália aos judeus assim que tomado Tiro. Isso aconteceu rapidamente e Alexandre chegou a Gaza que foi sitiada e teve o governador da guarnição, Babemeses, preso.
Ao tempo do sítio de Tiro, Sanballat viu um boa oportunidade de atingir seus objetivos e, renunciando a Dario III, buscou Alexandre oferecendo-lhe cerca de sete mil de seus soldados e aceitando-o como seu lorde. Sanballat, sendo bem recebido por Alexandre, narrou-lhe seus próprios problemas e fez ver a Alexandre que dividindo Jerusalém com dois altos sacerdotes, dividiria também sua força. Contou com a anuência de Alexandre e apressou-se na construção do Templo prometido, fazendo Manasseh alto sacerdote. Entretanto, assim que Alexandre conquistou Tiro e Gaza, Sanballat morreu e Alexandre apressou-se a tomar Jerusalém (cerca de 329 AC), colocando o Alto Sacerdote Jaddua em pânico, fazendo com que adornasse a cidade e abrisse os seus portões para receber o Rei Alexandre. Recebeu Alexandre com toda a pompa, foi por ele muito bem aceito e conduzido ao Templo, onde ofereceu sacrifício ao Deus dos Judeus, tratando magnificamente o Alto Sacerdote e os demais sacerdotes. Tal foi a maneira como Alexandre atendeu a todas as reivindicações dos Judeus, que muitos deles se prontificaram a marchar sob suas ordens para as suas novas conquistas. Após Alexandre ter acertado todos os assuntos em Jerusalém, conduziu seu exército pelas cidades vizinhas que o receberam muito bem. A partir dessa época, a Palestina passou a ser chamada de Palestina Helenística. Vendo que os judeus o haviam recebido tão bem, os samaritanos, que tinham Shechem por sua metrópole (uma cidade situada no monte Gerizzim e habitada por apóstatas da nação judia), manifestaram, como de outras vezes, sua descendência judia, igualmente saudando o rei Alexandre.
A Província Helenística de Judá
O Império Persa, sob o qual os judeus haviam desfrutado de uma autonomia limitada, foi, portanto, conquistado por Alexandre, o Grande, da Macedônia, no século IV AC. Em 313 AC, Alexandre anexou a Terra de Israel ao seu crescente império, marcando uma nova fase de dominação estrangeira. A ascensão meteórica de Alexandre ao poder e a extensão de seu domínio por vastas regiões do mundo antigo, tudo antes de completar 30 anos, tiveram um impacto notável na história judaica.
A conquista de Alexandre não se deu apenas pela força militar, mas também pela disseminação da língua e cultura gregas num processo conhecido como helenização. O helenismo, a disseminação da cultura e língua gregas, teve um impacto profundo e complexo no judaísmo. A língua grega tornou-se um veículo de comunicação universal em todo o Oriente Médio, facilitando um diálogo cultural entre gregos e civilizações orientais. Em algumas comunidades da diáspora, notadamente em Alexandria, no Egito, os judeus se abriram à cultura helenística, assimilando-a em vários níveis, desde a língua até o pensamento e o modo de vida. Um dos produtos literários mais importantes desse contato foi a tradução da Bíblia hebraica para o grego, conhecida como a Septuaginta, realizada em etapas entre o século III e o século I AC em Alexandria. Essa tradução foi crucial para os muitos judeus da diáspora que haviam perdido o contato com a língua hebraica e para a difusão do pensamento judaico no mundo helenístico. No entanto, a influência helenística não foi uniformemente aceita. Enquanto os judeus dispersos, especialmente no Egito, mantiveram um diálogo fecundo com a cultura grega, os judeus residentes na Terra de Israel, rejeitaram fortemente a cultura helênica imposta, pois a viam como uma ameaça direta à sua identidade judaica. Dessa interação e confronto de culturas, surgiu uma rica produção literária, tanto de apoio ao helenismo (literatura de justificação) quanto de rejeição a ele (literatura de resistência). A interação entre o judaísmo e o helenismo não foi uma simples dicotomia de aceitação ou rejeição, mas um espectro de respostas que moldou profundamente a identidade judaica. A tradução da Septuaginta, por exemplo, não foi apenas um ato de adaptação linguística, mas um empreendimento que tornou as Escrituras judaicas acessíveis a um público mais amplo, incluindo os gentios, e que influenciaria profundamente o desenvolvimento do cristianismo. A resistência ao helenismo forçado, por outro lado, fortaleceu a convicção religiosa e a coesão identitária dentro da Judeia, culminando com a Revolta dos Macabeus. Essa dualidade de adaptação e resistência demonstra a capacidade do judaísmo de se engajar com culturas dominantes sem perder sua essência, um modelo de resiliência que se repetiria ao longo de sua história.

VII – DA MORTE DE ALEXANDRE, O GRANDE, À REVOLTA DOS MACCABEUS

Com a súbita morte de Alexandre, o Grande, em 323 AC, seus generais e sucessores, os “Diadochi” (Sucessores), lutando pela sucessão, acabaram por dividir o reino entre si: Seleucus I Nicator (que deu origem ao Reino Selêucida), obteve a Ásia (Ásia Menor, Síria, Mesopotâmia e Babilônia); Lysimachus governou a Trácia (Trácia propriamente e grande parte da atual Turquia); a Cassandro coube a Macedônia (que incluía a Macedônia e toda a Grécia); e a Ptolomeu I Soter coube o Egito (Egito propriamente dito, a região da Silícia, na Ásia Menor e parte da Palestina). 
Partição do reino de Alexandre entre seus generais
A Judeia, anteriormente sob o domínio persa e estrategicamente localizada entre os reinos ptolomaico e selêucida, tornou-se um ponto de disputa constante entre entre os Ptolomeus e os Selêucidas. Inicialmente, sob o governo ptolomaico, as práticas religiosas judaicas foram toleradas. No entanto, a transição para o domínio selêucida, especialmente sob Antiocus IV Epifânio, traria uma nova e severa ameaça à identidade judaica. Essa instabilidade política e a subsequente mudança de controle de um império tolerante (Ptolomeu) para um opressor (Selêucida) demonstraram a vulnerabilidade contínua da comunidade judaica a forças externas. Essa sucessão de dominações estrangeiras, cada uma com suas próprias políticas e impactos culturais, forçou os judeus a desenvolverem estratégias de resistência e adaptação, que se manifestariam em movimentos religiosos e políticos distintos, preparando o terreno para a Revolta dos Macabeus.
Com as alterações das guerras durante os primeiros anos dos Diadochi, o Reino de Judá foi, inicialmente, para o comando dos Ptolomeus que governavam o Egito, seguido do comando Selêucida no segundo século AC, com Antiocus III, o Grande. A incorporação de Judá ao reino ptolomaico como uma unidade administrativa separada (Hiparquia) liderada pelos Alto Sacerdotes Judeus, que foram diretamente responsáveis pelo governo na Alexandria, foi responsável por isso. Em contraste, os hiparcas diretamente instalados pelo rei Ptolomaico, gerenciaram todas as outras hiparquias na Selesíria, tais como a Samaria, Galileia, Idumeia e Ashdod.
Ptolomeu I reinou sobre Jerusalém de maneira cruel, num certo momento tomando grande número de cativos das partes montanhosas da Judeia e de locais em torno de Jerusalém e Samaria e próximos do Monte Gerizzim e conduzindo-os para o Egito, onde se tornaram responsáveis pela região de Alexandria. Posteriormente outros judeus, por sua própria vontade, deslocaram-se para o Egito pela qualidade dos seus solos e pela liberalidade de Ptolomeu.
Em contraste com o que sabemos sobre as atividades dos Ptolomeus na Palestina, são virtualmente nulas as informações que se têm sobre as atuações políticas dos judeus ao tempo dos Diadochi. As províncias praticamente não se envolveram em eventos geopolíticos. Contudo, as variações no poder político também tiveram consequências significativas para Judá, que se refletiram mesmo na cunhagem de moedas. A Judeia continuou a ser governada pelo Alto Sacerdote e a aristocracia sacerdotal. Um dos poucos incidentes de que se tem notícia foi a questão sobre a taxação entre o Alto Sacerdote Onias e Ptolomeu III Euergetes (que reinou entre 246 e 221 AC) que frequentava o Templo de Jerusalém. O resultado da disputa foi a indicação do jovem José, filho de Tobias, um sobrinho do Alto Sacerdote, como coletor de impostos para todo o país. A rivalidade entre a família de Tobias e do Alto Sacerdote Onias acabou tendo um papel importante na tentativa radical da Helenização da Judeia no segundo século AC.
Quando Onias morreu, seu filho Simon, o Justo, tornou-se seu sucessor. Com a morte de Simon (que havia deixado um filho também com o nome Onias), seu irmão Eleazar tornou-se o Alto Sacerdote, sendo responsável pela libertação de mais de 100.000 judeus escravos no Egito, por ordem de Ptolomeu.
Durante os anos de conflito entre Ptolomeus e Selêucidas, cada um dos rivais era apoiado por uma facção judia. A Gerousia (Conselho dos Anciãos), mencionada pela primeira vez em fontes dessa época, apoiava os Selêucidas. Há registros de que o Alto Sacerdote Simon, o Justo, (cerca de 200 AC), que provavelmente liderou a Gerousia, teria apoiado os Selêucidas. Provavelmente ele teria recuperado o poder sobre a taxação, anteriormente entregue a José, filho de Tobias, agora encarregado da renovação do Templo e da Cidade.
Em 221 AC o rei Selêucida Antiochus III (223 a 187) invadiu a Palestina pela primeira vez, sem ter o sucesso da conquista. A morte do rei Ptolomeu IV Philopator, em 203 AC abriu o caminho a Antiochus III para novas tentativas e em 201 AC ele invadiu o país novamente, conquistando-o rapidamente.
Quando Antiochus III tomou o controle da Judeia, ele afirmou o direito dos judeus de viverem de acordo com suas leis ancestrais. Contudo, apenas 30 anos após, os judeus proponentes de uma helenização extrema veriam seu filho o rei Selêucida Antiochus IV Epiphanes, como o agente que poria em ação seus planos de helenizar Jerusalém e seu povo. Ao tempo em que o domínio dos Ptolomeus na Palestina terminou, cidades gregas haviam se estabelecido por todo o país e o helenismo havia firmado fortes bases a ponto de dividir a nação antes que a Judeia recuperasse sua independência. Cerca de 198 AC, os Selêucidas estavam solidamente no controle e assim permaneceriam até a revolta dos Macabeus (168-164 AC), que enfraqueceu o poder do Império Selêucida, preparando o caminho para o início da dinastia local Hasmoneana. Em seguida ao cerco de Jerusalém por Pompeu, o Grande, em 63 AC, a região foi anexada pela República Romana, marcando o fim da Palestina Helenística e o início da Judeia Romana.
Antiochus III devia uma grande quantia de dinheiro aos romanos e a fim de obter esses recursos ele decidiu roubar um templo. O povo do templo de Bel in Lam, para vingar-se, matou Antiochus e todos os que o ajudaram, em 187 AC. Antiochus III foi sucedido por seu filho Seleucos IV Philopater que simplesmente defendeu a área de Ptolomeu V antes de ser assassinado por seus ministros em 175 AC. Seu irmão, Antiochus IV Epiphanes, tomou seu lugar. Antes de matar o rei anterior, o ministro Heliodorus tentara roubar os tesouros do Templo em Jerusalém e Antiochus IV foi informado disso por um rival do atual Alto Sacerdote Onias III que proibira a entrada de Heliodorus no Templo. Onias III foi chamado para explicar por que um ministro do rei fora impedido de acessar as dependências do Templo. Em sua ausência, seus rivais colocaram um novo Alto Sacerdote em seu lugar, Jason (versão helenizada de Josué), irmão de Onias III. 
A Palestina à época dos Macabeus
A perseguição selêucida sob Antiochus IV Epifânio (175-164 AC) foi o catalisador para a Revolta dos Macabeus. Antiochus, que se autodenominava "deus manifesto", buscou impor uma assimilação cultural e religiosa forçada sobre os judeus. Ele proibiu práticas religiosas judaicas, como a observância das leis alimentares, a circuncisão e o Sábado, e ordenou a adoração do deus grego Zeus. O ápice de sua profanação ocorreu em 167 AC, quando ele sacrificou um porco no Templo de Jerusalém, transformando-o em um local de culto sincrético pagão-judaico.
Essa opressão desencadeou a Revolta dos Macabeus, uma rebelião judaica liderada por Matatias, um sacerdote judeu, e seus cinco filhos, notavelmente Judas Macabeu, um competente general judeu. A resistência ganhou força com revoltas populares e uma campanha militar contra as forças selêucidas. Um dos momentos mais simbólicos da revolta foi a recuperação e purificação do Templo de Jerusalém pelos Macabeus, um evento celebrado até hoje no festival judaico de Hanukkah.
A Revolta dos Macabeus foi uma resposta à tentativa de aniquilação cultural e religiosa, e seu sucesso em repelir os gregos e estabelecer um reino independente marcou uma fase importante na história judaica. A profanação do Templo por Antiochus IV não foi apenas um ato de tirania, mas uma violação do cerne da identidade judaica, que considerava o Templo como o centro de sua fé e unidade. A revolta, portanto, não foi apenas uma luta por independência política, mas uma defesa existencial da religião e da identidade do povo. O estabelecimento de Hanukkah como uma festa duradoura reforça a importância da memória histórica e da resiliência religiosa como elementos centrais da identidade judaica.
Os Macabeus começaram a chamar a atenção do rei Antiochus IV em 165 AC, que mandou seu chanceler Lysias pôr um fim à revolta. Para tanto, Lysias enviou três generais que foram todos derrotados pelos Macabeus. O próprio Lysias enfrentou a questão que foi então solucionada por negociação.
Após a morte de Antiochus IV em 164 AC, seu filho Antiochus V, tendo Lysias como regente, deu aos judeus liberdade religiosa.
Ao tempo da re dedicação do Templo, durante o cerco da fortaleza de Acre, Eleazor, um dos irmãos de Judas Macabeus foi morto. Os Macabeus tiveram que se retirar para Jerusalém onde foram totalmente batidos. Contudo Lysias teve que abandonar pela contradição sobre quem seria o regente de Antiochus V. Pouco depois ambos foram assassinados por Demetrius I Soter que se tornou o novo rei selêucida. O novo Alto Sacerdote, Alcimus, tinha vindo a Jerusalém em companhia de um exército conduzido por Bacchides. Judas Macabeus conseguira há pouco um tratado com os romanos, quando foi morto em Jerusalém lutando contra o exército de Bacchides. O irmão de Judas Macabeus, Jonathan, o substituiu e por oito anos não pode fazer muita coisa. Contudo, em 153 o Império Selêucida começou a enfrentar problemas. Jonathan aproveitou a oportunidade para oferecer suas tropas a Demetrius I, como tentativa para retomar Jerusalém.
Em 152 AC, Alexandre Balas, da família Selêucida, aportou no território Fenício (costa norte da Palestina) e iniciou uma guerra civil contra Demetrius I Soter, apoiado por mercenários e facções descontentes do Império Selêucida. Em batalha decisiva em julho de 150 AC, Demetrius I foi derrotado e morto por Alexandre Balas que governou o Império Selêucida de 150 a agosto de 145 AC como Alexandre I Theopator Euergetes. Jonathan foi indicado Alto Sacerdote por Alexandre Balas e quando os conflitos entre Ptolomeu do Egito e os Selêucidas reiniciaram, ele tomou o controle da fortaleza de Acre. Em 142 Jonathan foi morto e seu irmão Simão tomou seu lugar. (Parte 5 na próxima postagem)

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

A HISTÓRIA DO IMPÉRIO PERSA (IRÃ) - Parte 3

III.2 – CONQUISTA HELÊNICA E IMPÉRIO SELÊUCIDA (312-248 AC)


Alexandre, o Grande, da Macedônia

Entre 334 e 331 AC, Alexandre III, o Grande, da Macedônia, derrotou Dario III nas batalhas de Granicus, Issus e Gaugamela, rapidamente conquistando todo o Império Persa. Como rei do Império Persa, Alexandre ainda invadiu a Índia, em 326, conquistando importantes batalhas e retornando, finalmente, à Babilônia, por solicitação de suas tropas, ansiosas por retornar ao lar. Morreu na Babilônia, no palácio de Nabucodonosor, em 323 AC, cidade em que planejava estabelecer a capital do seu império, sem executar uma série de campanhas planejadas que seriam iniciadas com uma invasão da Arábia.
Jovem e sem deixar herdeiro (seu único filho legítimo conhecido, Alexandre IV, gerado por Roxane, nasceria após a morte de Alexandre), o império macedônico de Alexandre entrou em colapso e passaria por 40 anos de guerras civis, ao final das quais o mundo helenístico se estabeleceria em quatro blocos estáveis de poder: o Egito Ptolomaico[1], a Mesopotâmia e Ásia Central Selêucida, a Anatólia Atálida[2] e a Macedônia Antigônida (de Antígono II ou Gônatas). Durante o processo, Alexandre IV e Felipe III (um meio irmão de Alexandre) foram assassinados. 
Seleucos I Nicator, primeiro
imperador grego da Pérsia
após Alexandre
Seleucos I Nicator, um dos generais de Alexandre, estabeleceu-se na Babilônia em 312 AC - ano geralmente usado para definir a data da fundação do Império Selêucida -, assumindo o controle da Pérsia e Mesopotâmia e formando o Império Selêucida, sua descendência ficando conhecida como a dinastia Selêucida. Após vencer Antígono Monoftalmo (da Macedônia) na Batalha de Isso em 301 AC, ao lado de Lisímaco, Seleucos obteve controle sobre a Anatólia oriental e sobre a parte norte da Síria. Nessa última área, fundou uma nova capital em Antióquia (antiga Antakia, na Síria, hoje na Turquia), às margens do rio Orontes, próximo ao Mediterrâneo, cidade a qual deu o nome do pai. Uma outra capital alternativa foi estabelecida em Selêucia, margem ocidental do Tigre, ao norte da Babilônia, Mesopotâmia. O império de Seleucos alcançou sua extensão máxima após a morte de seu aliado de longa data, Lisímaco, na Batalha de Corupédio em 281 AC. Seleucos ampliou seu controle, abarcando a Anatólia ocidental. Ainda tinha esperanças de controlar as terras de Lisímaco na Europa - Trácia, e mesmo a própria Macedônia -, mas terminou por ser assassinado em 281 AC por Ptolomeu Cerauno, da Macedônia, logo ao chegar ao continente europeu.
Seu filho e sucessor, Antíoco I Sóter, mostrou-se incapaz de recomeçar de onde seu pai havia parado, nunca conquistando as partes europeias do império de Alexandre. Ainda assim, possuía um reino incrivelmente vasto - consistia de basicamente todas as porções asiáticas do império e a tarefa de apenas manter o império já foi formidável, tendo como inimigos mais importantes Antígono II Gônatas, na Macedônia, e Ptolomeu II Filadelfo, no Egito.
Uma revolta na Síria eclodiu quase imediatamente. Logo foi obrigado a fazer paz com o assassino de seu pai, Ptolomeu Cerauno, aparentemente abandonando a Macedônia e a Trácia. Na Anatólia não pôde subjugar a Bitínia (região a noroeste da Ásia Menor, na costa do Mar Negro) ou as dinastias persas que governavam na Capadócia (região central da Ásia Menor). Em 278 AC os gauleses (povos de origem celta oriundos do oeste europeu, principalmente França atual) irromperam na Anatólia e Antíoco I conseguiu vencê-los utilizando elefantes de guerra da Índia.
Ao final de 275 AC, a questão da Coele-Síria[3], aberta entre as casas de Seleucos e Ptolomeu, desde a repartição de 301 AC, levou a hostilidades (Primeira Guerra Síria). Embora sempre estivesse no domínio ptolomaico, a casa de Seleucos manteve sua reivindicação. A guerra não alterou materialmente as fronteiras dos dois reinos, embora cidades fronteiriças como Damasco e os distritos costeiros da Ásia Menor pudessem trocar de mãos.
Seu filho mais velho, Seleucos, havia governado no oriente, como vice-rei, de 275 AC até 268/267 AC e foi condenado à morte por Antíoco sob acusação de revolta. Cerca de 262 AC, Antíoco tentou quebrar o crescente poder de Pérgamo pela força das armas, mas foi derrotado e morreu pouco depois, sendo sucedido por seu segundo filho Antíoco II Theos (261 AC)
Antíoco II Theos herdou de seu pai em 261 AC, um estado de guerra com o Egito Ptolomaico, a “Segunda Guerra Síria”, lutada ao longo das costas da Ásia Menor, e as constantes intrigas de déspotas triviais e agitadas cidades estados da Ásia Menor. Antíoco II também fez alguma tentativa para colocar um pé na Trácia. Durante a guerra, recebeu o título Theos (Deus em grego) dos cidadãos de Mileto por ter libertado a cidade de seu tirano Timarchus. Durante o tempo em que se ocupava com a guerra contra o Egito, seu sátrapa na Pártia[4], Andrágoras, proclamou sua independência. Da mesma forma, seu sátrapa, Diodotus, na Báctria[5], também revoltou-se, em 255 AC, fundando o reino Greco-Bactriano que, posteriormente, expandiu-se na Índia, em 180 AC, para formar o Reino Indo-Grego (180-1 AC). Então, cerca de 238 AC, Arsaces conduziu uma revolta dos partas contra Andrágoras, conduzindo à fundação do Império Parta.
Por essa época, Antíoco II fez paz com Ptolomeu II Filadelfo, encerrando a Segunda Guerra Síria. Para selar o pacto, Antíoco repudiou sua esposa Laodice I e exilou-a em Éfeso (costa oeste da Anatólia, próximo de Mileto), casando-se com a filha de Ptolomeu, Berenice, recebendo importante dote. Durante sua estada em Éfeso, Laodice I urdiu várias tramas para tornar-se rainha novamente. Em 246 AC, Antíoco II havia deixado Berenice e seu filho pequeno, Antíoco, na Antióquia, para viver novamente com Laodice I, na Ásia Menor. Laodice usou a oportunidade para envenenar Antíoco, enquanto seus sectários assassinavam Berenice e seu filho na Antióquia. Laodice então proclamou rei Seleucos II, seu filho mais velho com Antíoco.
Quando Seleucos II Calínico, subiu ao trono por volta de 246 AC os selêucidas já estavam em declínio. Além das secessões da Pártia e da Bactriana, seu reinado começou a Terceira Guerra Síria. Ptolomeu III, irmão de Berenice e governante do Egito, invadiu o Império Selêucida marchando vitorioso para o Tigre e além. Teve a submissão das províncias orientais do Império Selêucida enquanto as frotas egípcias varriam a costa da Ásia Menor. Seleucos II permaneceu seguro no interior da Ásia Menor e quando Ptolomeu voltou ao Egito, conseguiu recuperar o norte da Síria e as províncias mais próximas do Irã. Contudo, Antíoco Hierax, um irmão mais jovem de Seleucos II, se estabelecera como seu rival na Ásia Menor, com um grupo ao qual a própria Laodice aderira. Na Batalha de Ancyra (cerca de 235 AC), Seleucos II sofreu uma enorme derrota e deixou o país, além das montanhas Taurus (cadeia de montanhas que separa a região costeira mediterrânea do sul da Turquia do Planalto Central Anatoliano), para o seu irmão e outras potências da península. Seleucos II então empreendeu uma marcha forçada para recuperar a Pártia, o que resultou em nada. Alguns autores mencionam que ele teria feito uma paz com Arsaces da Pártia, que reconhecera sua realeza. Também na Ásia Menor a dinastia selêucida perdia controle, pois os gauleses já se haviam estabelecido completamente na Galácia[6]; reinos semi-independentes e semi-helenizados haviam surgido na Bitínia, em Ponto[7] e na Capadócia (região da Anatólia Central); e a cidade de Pérgamo, no ocidente, sob Áttalus I, asseverava sua independência sob a Dinastia Atálida, formando o Reino de Pérgamo. Antíoco Hierax, após uma tentativa fracassada para tomar os domínios de seu irmão, quando os seus próprios se perdiam, pereceu como fugitivo na Trácia em 227 AC. Cerca de um ano mais tarde, Seleucos II foi morto numa queda do seu cavalo, sendo sucedido por seu filho mais velho Seleucos III Cerauno e, posteriormente, por seu filho mais novo Antíoco III, o Grande. 
Antíoco III, recriador do império Selêucida
Seleucos III Soter, chamado Seleucos Cerauno, teve um breve reinado de três ano (225-223 AC) e foi assassinado na Anatólia por membros do seu exército enquanto em campanha contra Attalus I de Pérgamo.
O irmão de Seleucos III Cerauno estava na Babilônia quando do seu assassinato e sucedeu-o como Antíoco III, em 223 AC, herdando um estado desorganizado. Entretanto, sob o seu governo, a Pérsia teve um reflorescimento e Antíoco III se tornaria o maior dos governantes selêucidas após o próprio Seleucos I.
A Ásia Menor havia se separado e as províncias mais orientais se haviam dissolvido: a Báctria, sob o grego Diodotus de Báctria e a Pártia sob o chefete Arsaces. Logo que subiu ao poder, a Média (região noroeste do Irã, base cultural e política dos medas) e Fars se revoltaram com seus governadores, os irmãos Molon e Alexander.
O jovem rei, sob a influência do ministro Hermeias, chefiou um ataque à Síria Ptolomaica ao invés de enfrentar pessoalmente os rebeldes. O ataque contra o Império Ptolomaico foi um fiasco e os generais enviados contra Molon e Alexander foram um desastre. Somente na Ásia Menor, onde Aqueus, primo do rei, representou a causa Selêucida, seu prestígio foi recuperado, com o envio do poder Pérgamo de volta aos seus limites anteriores. Finalmente, em 221 AC, Antíoco III foi para o leste abafando a rebelião de Molon e Alexander. Seguiu-se a submissão da Média Menor, que havia feito sua independência com Artabazanes, após o que retornou para a Síria. Enquanto isso, o próprio Aqueus agora se revoltava, tomando o título de rei na Ásia Menor; admitindo que seu poder não estivesse sedimentado para um ataque à Síria, Antíoco desistiu de Aqueu, na ocasião, preferindo renovar suas tentativas contra a Síria Ptolomaica.
As campanhas de 219 e 218 AC levaram os exércitos selêucidas aos confins do reino ptolomaico, mas em 217 AC, Ptolomeu IV derrotou Antíoco III na Batalha de Ráfia, anulando todos os seus sucessos e causando a sua retirada para o norte do Líbano, embora ainda mantendo o controle de Selêucia Pieria (o porto de Antióquia). Em 216 AC os exércitos de Antíoco III marcharam para a Anatólia ocidental para abafar uma rebelião liderada por seu próprio primo, Aqueu. Em 214 AC Aqueu foi derrotado, preso e executado, mas a cidadela foi mantida até 213 AC por sua viúva Laodice, que então se rendeu. Tendo assim recuperado a parte central da Ásia Menor (já que o governo Selêucida teve que tolerar as dinastias de Pérgamo, Bitínia e Capadócia), Antíoco III iniciou a recuperação das províncias externas do norte e leste. Obrigou Xerxes da Armênia a reconhecer sua supremacia em 212 AC. Em 209, invadiu a Pártia, ocupando a capital do Império Parta, avançando até a Hircânia (sudeste do mar Cáspio, moderno Irã) e com o rei parta, Arsaces II, aparentemente implorando por paz.
O ano de 209 viu Antíoco III na Báctria, onde derrotou o rei greco-bactriano Eutidemo I (que se havia revoltado contra Diodotus) na batalha de Arius. Após sustentar um cerco em sua capital Bactra, Eutidemo I obteve uma paz honrosa pela qual Antíoco III prometeu a seu filho Demétrius a mão de uma de suas filhas. Seguindo os passos de Alexandre, atravessou para o Vale de Kabul (no atual Afeganistão), alcançando o reino do rei indiano Sofagaseno, em 206 AC.
Impérios Romano, Selêucida e Parta no ano 200 AC
De Selêucia, Antíoco III conduziu uma curta expedição ao Golfo Pérsico contra a Gerrha (margem ocidental do Golfo) na costa da Península Arábica, em 204/205 AC. Parece ter restaurado o Império Selêucida no leste, o que lhe fez merecer o título de “o Grande”. Nessa mesma época, Ptolomeu V Epifânio assumia o trono do Egito, quando Antíoco III teria feito um pacto com Felipe V da Macedônia para repartir as suas possessões. Por tal pacto, Felipe receberia as terras em torno do mar Egeu e Cirena (na atual Líbia), ao passo que Antíoco III anexaria o Egito e Chipre. Uma vez mais, Antíoco III atacaria a província de Coele-Síria e Fenícia e por 199 AC parece ter tido sua posse antes de que Scopas a recuperasse brevemente para Ptolomeu. Em 198 AC, Antíoco III derrotaria Scopas na batalha de Panium, próximo das fontes do rio Jordão, marcando o fim do domínio ptolomaico na Judéia e restaurando a glória do Reino Selêucida.
Antíoco III ainda realizou outras incursões à Ásia Menor quando enfrentou o antagonismo da República Romana, principalmente ao se aproximar do cartaginês Aníbal. Em 192 AC invadiu a Grécia, mas em 191 os romanos forçaram sua retirada para a Ásia Menor, logo invadida por eles que, já em 190 AC, a tinham em suas mãos. Pelo tratado de Apamea (188 AC), Antíoco III abandonou todo o país ao norte e oeste das montanhas Taurus. Como consequência deste golpe no poder Selêucida, as províncias externas do império, recuperadas por Antíoco III, readquiriram suas independências. Numa nova expedição ao Luristão, enquanto pilhando um templo persa, Antíoco III morreu em 187 AC.
O reino de seu filho e sucessor, Seleucos IV Filopator (187-175 AC), foi consumido na busca de recursos para pagamento de grandes indenizações aos romanos; ele acabou assassinado por seu ministro Heliodoro.
O irmão mais novo de Seleucos IV, Antíoco IV Epifânio, assumiu o trono em seu lugar e tentou restaurar o poderio e o prestígio Selêucida, iniciando por uma guerra contra o Egito Ptolomaico, antigo inimigo, derrotando e perseguindo o exército egípcio até Alexandria. Antíoco IV foi então informado de que delegados romanos, liderados pelo procônsul Gaius Popillius Laenas, solicitavam um encontro com o rei selêucida, que concordou. Sem quaisquer preâmbulos, Antíoco IV foi instado a retirar-se do Egito por ordem do senado, com o que concordou para não entrar em guerra com o império romano novamente. A última parte do seu reino assistiu a uma crescente desintegração do Império, embora seus maiores esforços. Enfraquecido econômica, militar e por perda de prestígio, o Império tornou-se vulnerável a rebeldes nas áreas orientais, que começaram a mais solapar o reino, enquanto os Partas ocupavam o seu vácuo de poder para ocupar os antigos territórios persas. A agressiva helenização (ou desjudaização) provocou uma rebelião armada total na Judea – a Revolta dos Macabeus. Os esforços consumidos com os Partas e Judeus, bem como para manter o controle das províncias, provaram estar além do poder do Império enfraquecido. Antíoco morreu durante uma expedição militar contra os partas em 164 AC.
Após a morte de Antíoco IV, o império Selêucida tornou-se crescentemente instável, tendo que enfrentar guerras civis que enfraqueciam a autoridade central. Seu filho mais jovem, Antíoco V Eupator, foi destronado pelo filho de Seleucos IV, Demétrio I Soter, em 161 AC, que tentou restaurar o poder selêucida na Judea, particularmente. Foi derrubado em 150 AC por Alexander Balas, um impostor que (com apoio do Egito), reivindicava ser filho de Antíoco IV. Alexander Balas reinou até 145 AC quando foi destronado pelo filho de Demétrio I, Demétrio II Nicator que se mostrou incapaz de controlar o reino. Enquanto dominava a Babilônia e a Síria oriental, de Damasco, os restantes apoiadores de Balas, dominavam na Antióquia. Por 143 AC os judeus, sob os Macabeus, haviam consolidado sua independência. A expansão Parta prosseguia. Em 139 AC, Demétrio II era derrotado e capturado em batalha, pelos Partas. Por essa época, todo o Platô Iraniano havia sido perdido para o controle Parta.
O irmão de Demétrio II Nicator, Antíoco VII Sidetes, assumiu o trono com a captura de seu irmão. Enfrentou a enorme tarefa de restaurar um império em rápida desagregação e enfrentando ameaças em várias frentes. O controle da Coele-Síria era ameaçada pelos rebeldes macabeus judeus. Antigas dinastias vassalas na Armênia, Capadócia e Ponto, ameaçavam a Síria e o norte da Mesopotâmia; os nômades partas, brilhantemente liderados por Mitrídates I da Pártia, haviam dominado as áreas altas da Média; a intervenção romana era uma ameaça permanente. Antíoco VII conseguiu submeter os Macabeus e manter as dinastias da Anatólia sob submissão temporária. Em 133 AC ele se dirigiu para o leste com o pleno poder do exército real apoiado pelo príncipe Hasmoneano, João Hircanus, para fazer retroceder os Partas. Teve um sucesso inicial espetacular, recapturando a Mesopotâmia, Babilônia e Média, e derrotando e matando em combate pessoal, o sátrapa parta da Selêucia. No inverno de 130/129 AC, seu exército estava disperso pela Média e Fars quando o rei Parta, Fraates II, contra-atacou. Contando apenas com as tropas imediatamente à disposição, Antíoco VII Sidetes, algumas vezes chamado “o último grande rei selêucida”, foi emboscado e morto pelos Partas. Após a sua morte, todos os territórios orientais recuperados foram recapturados pelos Partas, os Macabeus se rebelaram novamente, a guerra civil dividiu o império em pedaços e os Armênios começaram a invadir a Síria, pelo norte.
Mitrídates VI, último rei do império Selêucida
Cerca de 100 AC, aquele que havia sido uma vez o formidável Império Selêucida, limitava-se apenas à Antióquia e algumas cidades sírias. A despeito do claro colapso do seu poderio e do declínio do seu reino em torno deles, os nobres continuaram a brincar de “fazedores de reis” numa base regular, com ocasionais intervenções do Egito e outras potências estrangeiras. Os selêucidas existiram somente porque nenhuma nação os quis absorver, usando-os como um útil amortecedor entre outros vizinhos. Nas guerras da Anatólia, entre Mitrídates VI do Ponto (que não tem nada a ver com os Mitrídates da dinastia Parta) e Sulla (general, estadista e cônsul romano por duas vezes) de Roma, os selêucidas foram totalmente abandonados por ambos. O ambicioso genro de Mitrídates VI, Tigranes o Grande, rei da Armênia, contudo, viu a oportunidade para expansão na constante disputa para o sul e, em 83 AC, com o convite de uma das facções nas intermináveis guerras civis, ele invadiu a Síria estabelecendo-se como seu governante e dando um fim ao Império Selêucida, virtualmente.
Cneu Pompeu Magno, o
derradeiro golpe romano
no império Selêucida
O domínio selêucida, contudo, não acabara totalmente. Em seguida à derrota de Mitridates e Tigranes em 69 AC pelo general romano Lucullus, muito próximo de Sulla, um resto do reino selêucida foi restaurado sob Antíoco XIII. Mesmo assim, as guerras civis não terminaram, pois um outro selêucida, Felipe II, contestou o poder. Após a conquista romana do Ponto, os romanos ficaram crescentemente alarmados com a constante fonte de instabilidade na Síria sob os Selêucidas. Assim que Mitrídates VI foi derrotado por Pompeu, em 63 AC, este se encarregou de refazer o Oriente helenístico, com a criação de novos reinos clientes e o estabelecimento de províncias. Enquanto nações clientes como Armênia e Judea puderam continuar com algum grau de autonomia som o domínio de reis locais, Pompeu via os selêucidas como muito complicados para continuar. Acabando com os dois príncipes selêucidas rivais, ele tornou a Síria uma província romana.
Império Selêucida em sua máxima extensão,
às vésperas da morte de Seleucos I, 281 AC
A língua, filosofia e arte gregas vieram com os colonizadores. Durante a Era Selêucida, a língua grega tornou-se a linguagem comum da diplomacia e literatura por todo o Império Persa e o zoroastrismo foi levado para o oeste, vindo a influenciar o judaísmo. A extensão do Império Selêucida, que cobria desde o mar Egeu até o atual Afeganistão, trouxe uma multidão de povos: gregos, persas, medos, sírios, judeus, indianos, entre outros. Sua população total foi estimada em 35 milhões de habitantes, ou 15% da população mundial na época em que era o maior e mais poderoso império do mundo. Seus governantes mantinham uma posição política cujo interesse era salvaguardar a ideia de unidade racial introduzida por Alexandre. Em 313 AC, os ideais helênicos (disseminados por filósofos, historiadores, oficiais em reserva e casais de ligação inter-racial provindos do vitorioso exército macedônio) haviam começado sua expansão de quase 250 anos nas culturas do Oriente Médio e da Ásia central. O esqueleto estrutural da forma de governo do império consistia em estabelecer centenas de cidades para troca e ocupação. Muitas cidades começaram - ou foram induzidas - a adotar não só pensamentos filosóficos, como também sentimentos religiosos e políticas de natureza helênica. A tentativa de sintetizar o helenismo com culturas nativas e diferentes correntes intelectuais resultou em sucessos de tamanho ou naturezas diferentes - tendo como consequência paz e rebelião simultâneas em diferentes partes do império.


[1] Ptolomeu I Sóter foi um general macedônio de Alexandre, o Grande, que se tornou governador do Egito de 323 AC a 283 AC, fundando a Dinastia Ptolemaica. Tomou o título de rei a partir de 305 AC, instituindo então o culto dinástico do rei-salvador (Sóter), de acordo com a tradição dos Faraós egípcios. Recusou-se a pagar tributo ao rei da Macedônia, sucessor de Alexandre Magno. Fundou um império poderoso que, sem conquistas territoriais, manteve um reconhecido esplendor econômico e cultural, firmado em novas e eficazes formas administrativas. Instituiu sua capital em Alexandria, cidade fundada por Alexandre.
[2] A dinastia Atálida foi uma dinastia helênica que reinou na Anatólia, da cidade de Pérgamo (leste da Anatólia), após a morte de Lisímaco, um general de Alexandre. Um dos oficiais de Lisímaco, Philetaerus, tomou o controle da cidade em 282 AC. Os Atálidas seguintes foram descendentes de seu pai e expandiram a cidade a um reino. Attalus I proclamou-se rei em 230 AC.
[3] Coele-Síria, Coelesíria ou Celesíria, foi uma região da Síria, na antiguidade clássica, limitada pela Síria, Mesopotâmia e Península Arábica. A área hoje é parte das modernas nações do Líbano, Síria e Israel.
[4] A Pártia é uma região histórica no nordeste do Irã, base política e cultural da dinastia Arsácida (ou Parta), governadores do Império Parta (247 AC-224 DC).
[5] Báctria ou Bactriana era o nome de uma região histórica da Ásia Central, localizada entre a cordilheira do Indu Kush e o rio Amu-Darya, cobrindo uma região plana que abrange os atuais Afeganistão, Uzbequistão e Tajiquistão.
[6] Galácia era o nome de uma região da Anatólia central que abrangia a região de Ancara e Çorum, na província de Yozgat da moderna Turquia. Ela recebeu este nome por causa dos imigrantes gauleses vindos da Trácia que se assentaram ali e formaram a classe dominante do século III AC em diante, logo depois da invasão gaulesa dos Balcãs em 279 AC.
[7] O Reino do Ponto foi um antigo estado helenístico, localizado a norte da península da Anatólia, atual Turquia.

sábado, 21 de outubro de 2017

A HISTÓRIA DO IMPÉRIO PERSA (IRÃ) - Parte 2

III – ANTIGUIDADE CLÁSSICA


III.1 – IMPÉRIOS MEDO E AQUEMÊNIDA (650-330 AC)

Os medos fixaram-se no norte do Planalto Iraniano, em Ecbátana (atual Hamadã, a 400 km a sudoeste de Teerã), e os persas, até então nômades, estabeleceram-se ao sul, em Parsa (atual província iraniana de Fars), na cidade de Anshan, onde Teispes (que reinou entre cerca de 675-640 AC), filho de Aquêmenes (semi-lendário, com reinado entre 700-675 AC), teria fundado um novo reino, intitulando-se “rei da cidade de Anshan”, primeiro passo do Império Aquemênida. Sucederam a Teispes, Ciro I e Cambises I. Este último casou-se com a neta do líder medo Ciáxares e foi pai de Ciro II, conhecido como o Grande. O reino de Anshan, tributário dos medos, continuou a usar o elamita como idioma oficial por algum tempo, embora a dinastia governante falasse persa, uma língua indo-européia. A posterior expansão do reino da cidade de Anshan resultaria na criação do Império Persa.
Império Neo-Assírio e suas expansões
Em 646 AC, o rei assírio Assurbanipal saqueou Susa (essa e as cidades que seguem podem ser vistas no mapa do Império Neo-Assírio), acabando com a supremacia elamita na região. Por mais de 150 anos os reis assírios do norte da Mesopotâmia estavam procurando conquistar as tribos medas do Irã ocidental, com tal pressão apenas causando a união dos pequenos reinos dessa região em estados cada vez maiores e mais centralizados. Na segunda metade do século VII AC, os medos ganharam sua independência e foram unidos por Deioces.
Império Meda (Região da Média), 678 a 549 AC
Durante anos dominadas pelos citas e pelos assírios, as tribos medas, unificadas por Ciáxares (neto de Deioces) e apoiados por Nabopolassar, rei da Babilônia, invadiram a Assíria e conquistaram Nínive, capital da Assíria, destruindo-a em 612 AC, levando à queda do Império Neo-Assírio. Urartu foi também, posteriormente, conquistado e dissolvido pelos medos. Após a derrota definitiva dos assírios em 610 AC, os medos ocuparam território no que é hoje o Irã, bem como na Ásia Menor, na Anatólia e na Lídia.
Ciro II, o Grande, rei da Pérsia,
da dinastia Aquemênida
Aos medos é creditada a fundação do Irã como nação e império, bem como o estabelecimento do primeiro Império Iraniano, o maior de seu tempo, até que Ciro II, o Grande, de origem persa, em 550 AC derrotou os medos e tomou o trono, estabelecendo um império unificado dos Medos e Persas, que conduziu ao Império Aquemênida (550 a 330 AC), ou Primeiro Império Persa, com sua capital em Pasárgada. Na verdade, medos e persas pertenciam à mesma raça iraniana e suas línguas eram quase idênticas, de forma que a ascensão de Ciro pode ser vista como uma revolução interna que não afetou o Império. Senhor dos territórios anteriormente sujeitos ao Império Medo, Ciro II tomou a antiga capital elamita de Susa, para onde foi transferida a capital persa. Em seguida, os persas conquistam a Lídia (contra quem os medos lutavam há décadas), a Jônia, a Cária, a Lícia e a Babilônia, após derrotar o Rei Nabonido em 538 AC. Sucedendo seu pai Ciro II, Cambises II conquistou, em vinte anos, por meio de força militar e de uma política liberal para com os povos submetidos, um Império que se estendia do Mediterrâneo ao Indo e que incluía o Egito (causando o colapso da 26ª Dinastia do Egito), muito maior que o da Assíria. Cambises II adoeceu e morreu antes ou quando deixava o Egito e conforme relata Heródoto, ele foi abatido por sua forte irreverência contra as deidades egípcias.
Cambises II, o rei persa liberal
Durante o período aquemênida, o Zoroastrismo, fundado por Zoroastro (Zaratustra), tornou-se a religião dos governantes e da maior parte dos povos da Pérsia. O Zoroastrismo enfatizava uma luta dualista entre o bem e o mal, e uma batalha final vindoura. O zoroastrismo e seus líderes místicos, os magi (singular mago), viriam a ser um elemento definidor da cultura persa.
Dario I, o rei persa do auge do
Império Aquemênida
Dario I reivindicou a sucessão por uma linha colateral do Império Aquemênida. A primeira capital de Dario I foi em Susa e seu programa de construção foi iniciado em Persépolis. Ele reconstruiu um canal entre o rio Nilo e o Mar Vermelho, um precursor do moderno Canal de Suez. Melhorou o extenso sistema de estradas e durante o seu reinado foi pela primeira vez mencionada a Estrada Real, uma grande estrada para ligar o seu extenso império, estendendo-se de Susa a Sardes (Turquia, às margens do Mediterrâneo), com estações de correio a intervalos regulares. As estradas também se destinavam ao comércio do Egito e da Europa com a Índia e a China, do qual a Pérsia se beneficiou grandemente. A cunhagem, na forma do Daric (moeda de ouro) e o Shekel (moeda de prata) foi padronizada, já que a cunhagem havia sido inventada mais de um século antes, na Lídia; a eficiência administrativa foi aumentada. Sob Dario I, o Império Persa Aquemênida acabou por tornar-se o maior e mais poderoso Estado que o mundo havia visto até então, quando reinou e administrou a maior parte do mundo então conhecido, além de estender-se pelos três continentes, Europa, Ásia e África. Dario dividiu o reino em cerca de vinte satrapias (províncias), supervisionadas por governadores (sátrapas). Também instituiu um sistema tributário para cobrar impostos de cada província, ampliou o sistema postal dos assírios e adotou o uso de agentes secretos (conhecidos como os Olhos e Ouvidos do Rei). A antiga língua persa aparece em inscrições reais, numa versão especialmente adaptada da escrita cuneiforme[1]. Sua maior realização foi o próprio império, que representou a primeira superpotência mundial baseada num modelo de tolerância e respeito por outras culturas e religiões. 
Império Persa cerca de 490 AC
Ao final do século VI AC, Dario I lançou sua campanha europeia, durante a qual derrotou os peonianos[2], conquistou a Trácia[3] e subjugou todas as cidades gregas costeiras, derrotando a Cítia Europeia[4] em torno do rio Danúbio. Em 512/511 AC, a Macedônia, sob Felipe I, tornou-se um reino vassalo da Pérsia.
Em 499 AC, Atenas cedeu apoio a uma revolta em Mileto[5] que resultou no saque de Sardes, conduzindo a uma campanha Aquemênida contra a Grécia continental, que ficou conhecida como as Guerras Grego-Persas (ou Guerras Médicas) e durou até a primeira metade do século V AC, uma das guerras mais importantes da história da Europa. Na primeira invasão persa, o general persa Mardonius reconquistou a Trácia e tornou a Macedônia totalmente integrada à Pérsia, embora ao final a guerra tenha se transformado em derrota. 
Relevo em rocha de Xerxes I
em sua tumba
O sucessor de Dario I foi Xerxes I e, como seu antecessor, governou o Império no seu auge territorial, de 486 AC até o seu assassinato em 465 AC, pelas mãos de Artabano, o comandante da sua guarda pessoal. Lançou a segunda invasão persa da Grécia, em 480 AC e em dado momento cerca de metade da Grécia continental havia sido conquistada pelos persas, incluindo todos os territórios ao norte do Istmo de Corinto (que liga o Peloponeso, extensa península ao sul da Grécia, à Grécia continental); contudo tal situação logo foi revertida para uma vitória grega, após as batalhas de Plataea e Salamis, quando a Pérsia perdeu sua base de operações na Europa, acabando por retirar-se dela. Pertence a esta invasão o famoso episódio histórico da Batalha das Termópilas, quando uma pequena força de espartanos comandada por um rei de Esparta, Leônidas, resistiu por três dias a um grande exército persa, embora fosse ao final derrotada. Durante as Guerras Grego-Persas, a Pérsia teve grandes vantagens territoriais e destruiu Atenas, em 480 AC. Contudo, após uma sequência de vitórias gregas, os persas foram forçados a retirar, assim perdendo o controle da Macedônia, Trácia e Jônia (região da costa sudoeste da Anatólia, hoje na Turquia, banhada pelo Mar Egeu). A luta continuou por várias décadas após os gregos terem repelido com sucesso a Segunda Invasão, com numerosas cidades-estados gregas sob a recém-formada Liga de Delos (com sua sede na cidade de Delos) e que finalmente terminou com a paz de Callias em 449 AC e término das Guerras Grego-Persas. Xerxes também esmagou revoltas no Egito e na Babilônia logo após assumir o império.
Ruínas do Palácio de Artaxerxes I, em Persépolis
Artaxerxes I, terceiro filho de Xerxes I, sucedeu a seu pai como o quinto Rei da Pérsia, reinando entre 465AC e 424 AC e durante o seu reinado foi assinada a paz de Callias, em 449AC. Seu sucessor foi seu filho Xerxes II que, após um reinado de quarenta e cinco dias, foi assassinado em 424 AC por seu irmão ilegítimo Sogdianus, figura histórica obscura que foi, por seu turno, assassinado por outro irmão ilegítimo, Dario II.
Os historiadores pouco sabem do reinado de Dario II. Enfrentou uma rebelião dos medos em 409 AC e parece ter sido muito dependente de sua esposa Parysatis. Enquanto o poder de Atenas permaneceu intacto, ele não se envolveu nos negócios gregos. Em 413 AC Atenas apoiou o rebelde Amorges, na Caria (região no sudoeste da Anatólia), e Dario II não teria interferido se, no mesmo ano, o poder ateniense não tivesse sido rompido em Siracusa (cidade histórica na região sudeste da ilha da Sicília, Itália). Como resultado do evento, Dario II deu ordem a seus sátrapas na Ásia Menor, para iniciar uma guerra contra Atenas, o que os persas efetivaram através de uma aliança com Esparta. Para maior efetividade, em 408 Dario II enviou para a Ásia menor seu filho Ciro. Dario II morreu em 404 AC, no nono ano do seu reinado, sendo sucedido como rei da Pérsia por Artaxerxes II, seu filho.
Dario II morreu logo antes da vitória final do general egípcio Amirteu, sobre os persas, em revolta do Egito. Os faraós seguintes resistiram às tentativas persas, até 343 AC, quando foi finalmente reconquistado por Artaxerxes III.
O filho mais velho de Dario II, Arsames, foi coroado como Artaxerxes II e ainda antes da coroação enfrentava oposição de seu irmão mais jovem Ciro. Este havia conseguido pacificar as rebeliões locais na Ásia Menor, tornando-se líder popular entre iranianos e gregos. Sabedor da doença de seu pai, Ciro reuniu apoio dos gregos locais e mercenários e marchou para a Babilônia, inicialmente declarando sua intenção de esmagar os exércitos revoltosos na Síria. Ao saber da morte de Dario II, Ciro declarou sua reivindicação ao trono, baseado no argumento de que ele era nascido de Dario e Parysatis, após Dario ter ascendido ao trono, ao passo que Artaxerxes nascera antes de Dario II assumir o trono. Artaxerxes II defendeu sua posição contra Ciro que, com ajuda de imenso exército tentava usurpar o seu direito. Embora Ciro tenha obtido uma vitória tática na Batalha de Cunaxa, na Babilônia (401 AC), foi morto durante a batalha, tornando a vitória irrelevante.
Artaxerxes III, de seu túmulo em Persépolis
Artaxerxes III, filho e sucessor de Artaxerxes II, reinou entre 358 e 338 AC como o Grande Rei (Xá) da Pérsia e o 11º do Império Aquemênida, bem como o 1º Faraó da 31ª dinastia do Egito. Logo após tornar-se rei, Artaxerxes III assassinou toda a família real para garantir seu lugar como rei. Iniciou duas campanhas contra o Egito. Falhou na primeira delas que foi seguida por rebeliões em todo o oeste do Império. Em 343 AC, Artaxerxes III derrotou Nectanebo II, o Faraó do Egito. Nos últimos anos de Artaxerxes, o poder de Felipe II da Macedônia, pai de Alexandre Magno, crescia na Grécia, onde ele tentava convencer os gregos a se revoltarem contra a Pérsia Aquemênida. A isso se opôs Artaxerxes III e com sua ajuda a cidade de Perinthus (ao lado da moderna Istambul) resistiu a um cerco macedônio. Há evidências de uma renovada política de construção em Persépolis, ao final de sua vida, onde Artaxerxes III erigiu um novo palácio e sua tumba, iniciando projetos de longo prazo, tais como o Portão Inacabado. Segundo uma placa cuneiforme, hoje no Museu Britânico, Artaxerxes teria morrido de causas naturais.
Felipe II da Macedônia
Artaxerxes IV, o filho mais jovem de Artaxerxes III, foi rei da Pérsia entre 338 e 336 AC. Foi um rei marionete de Bagoas, um poderoso vizir da Pérsia que poderia ter assassinado seu pai e que, de fato, exercia o poder atrás do trono. Bagoas acabou por envenenar Artaxerxes IV, levando ao trono um seu primo, como Dario III da Pérsia. Uma grande preocupação da Pérsia durante o seu curto reinado foram as hostilidades das fronteiras ocidentais com a Macedônia, sob os reis Felipe II, inicialmente, e Alexandre o Grande, posteriormente. Tais eventos se transformaram na guerra de conquista de Alexandre durante o reinado do sucessor de Artaxerxes III, Dario III.
Dario III, último rei do Império Aquemênida
Após as tentativas frustradas para conquistar a Grécia, o império aquemênida começou a declinar. Décadas de golpes, revoltas e assassinatos enfraqueceram o poder dos aquemênidas. Dario III, originalmente chamado Artashata, foi o último rei do Império Aquemênida da Pérsia, de 336 a 330 AC. Seu reinado foi instável, com grandes áreas governadas por sátrapas ciumentos e não confiáveis, habitado por súditos sem afeto e revoltosos. Em 334 AC, Alexandre, o Grande, iniciou sua invasão do Império Persa. Em 333 AC, os persas já não tinham mais força para suportar a avalanche de ataques de Alexandre, o Grande, que derrotou os persas em várias batalhas antes de saquear e destruir a capital Persépolis, incendiada em 331 AC. Com o Império Persa agora efetivamente sob o seu controle, Alexandre decidiu perseguir Dario III. Em 330 AC, antes de Alexandre captura-lo, Dario III, o último rei Aquemênida foi assassinado pelo sátrapa Bessus (que era também seu primo), com o primeiro Império Persa caindo em mãos dos gregos e macedônios. 


[1] A escrita cuneiforme foi um dos primeiros sistemas de escrita, inventado pelos sumérios. Distinguiu-se por suas marcas em forma de cunha em tabletes de argila, feitas por meio de um bambú rombudo a funcionar como estilete.
[2] A Peônia, terra e reino dos peonianos, tem localização obscura, mas tudo indica que corresponderia à atual República da Macedônia e a uma estreita faixa do norte da Macedônia Grega, nos limites com a República da Macedônia e uma pequena parte do sudoeste da Bulgária.
[3] A Trácia é uma área geográfica e histórica no sudeste da Europa, agora dividida entre a Bulgária, Grécia e Turquia, limitada pelos Balcãs ao norte, o mar Egeu ao sul e o mar Negro ao leste. Compreende o sudeste da Bulgária, o nordeste da Grécia e a parte europeia da Turquia.
[4] A Cítia era uma região da Eurásia Central na antiguidade clássica que incluía partes da Europa Oriental, a leste do rio Vístula, e Ásia Central, com as margens orientais vagamente definidas pelos gregos, que davam este nome a todas as terras do nordeste da Europa e a costa norte do Mar Negro.
[5] Mileto era uma antiga cidade grega na costa oeste da Anatólia (atual Turquia), próxima da foz do rio Maeander na antiga região da Cária. Antes da invasão persa, Mileto era considerada a maior e mais rica das cidades gregas. Suas ruínas estão localizadas próximas da moderna vila de Balat, na província de Aydin, Turquia.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

A REVOLUÇÃO RUSSA DE 1917 (Parte 1)

I - INTRODUÇÃO

Claro que todos já ouvimos falar muito sobre a revolução comunista na Rússia, sobre a “auto antropofagia” que lá ocorreu durante muitos anos da história daquele povo e já lemos alguns livros sobre os acontecimentos que se seguiram durante ou imediatamente após aquela revolução – entre eles o “Doutor Jivago”, de Boris Pasternak, “Um Dia Na Vida de Ivan Denisovich” e o “Arquipélago Gulag”, ambos de Alexandr Solzhenitsyn, prêmio Nobel de Literatura de 1970. Entretanto, eu nunca havia lido nada histórico, sobre a Revolução Comunista de 1917, seus antecedentes, suas dissidências, grupos antagônicos que dela participaram, a brutal ditadura de Stalin e as suas consequências para o povo russo e a humanidade, de uma forma geral. Por outro lado, me orgulho de dizer que li, para conhecer as duas faces da moeda e por isso não poder ser acusado de desconhecer, os livros que mais difundiram a doutrina comunista/socialista, tidos como bandeiras de glória por todos aqueles que a professam, tais como “O Capital” de Karl Marx, “O Manifesto Comunista” de Karl Marx e Friedrich Engels, “O Contrato Social” de Jean Jacques Rousseau, entre outros.
Por essa razão, resolvi realizar uma pesquisa sobre o assunto e fazer uma postagem, apenas baseado em alguns dos documentos existentes, já que a documentação completa é praticamente inexaurível e o assunto extremamente controvertido. É preciso entender que a Revolução Russa de 1917 foi um acontecimento capital na História do Século XX e, apesar de o mundo socialista por ela criado haver desmoronado ao final do período, aquele evento exerceu, sem dúvida, uma extraordinária influência na vida de centenas de milhões de seres humanos. A revolução, em si, terminou em 1917, mas foram tantos os seus desdobramento e consequências dramáticas que a sucederam, que vamos prolongar a nossa pesquisa até o final da Era Stalin, último revolucionário a exercer o poder na então União Soviética. Com isso consideraremos cumprida a árdua tarefa.
Entretanto, é impossível analisar tal assunto, sem antes apresentar uma breve história da Rússia pré-revolução, para que os leitores possam melhor entender as razões que conduziram a tão sangrento e injusto evento, embora possam nunca entender a injustificável matança ocorrida durante os primeiros 40 anos do governo socialista na Rússia pós revolução.

II - ORIGENS DA RÚSSIA

Mapa político da Rússia atual, ou Federação Russa
A Rússia atual, oficialmente Federação Russa ou Federação da Rússia, após a desintegração da União Soviética, em 1991, é um país localizado no norte da Eurásia (conjunto formado pela Europa e Ásia). Faz fronteira com os seguintes países (de noroeste para sudeste): Noruega, Finlândia, Estônia, Letônia, Lituânia e Polônia (através da província de Kaliningrado), Bielorrússia, Ucrânia, Geórgia, Azerbaijão, Cazaquistão, China, Mongólia e Coreia do Norte. Faz também fronteiras marítimas com o Japão (pelo Mar de Okhotsk) e com os Estados Unidos (pelo Estreito de Bering). Com 17.075.400 quilômetros quadrados, a Rússia é o país com maior área do planeta, cobrindo mais de um nono da área terrestre. A Rússia também é o nono país mais populoso, com 142 milhões de habitantes.
A história do país começou com os eslavos do Leste, que surgiram como um grupo étnico reconhecido na Europa entre os séculos III e VIII da era Cristã. Fundado e dirigido por uma classe nobre de guerreiros vikings e pelos seus descendentes, o primeiro Estado Eslavo do Leste, o Principado de Kiev, surgiu no século IX e adotou o cristianismo ortodoxo, do Império Bizantino, em 988, dando início à síntese das culturas bizantina e eslava que definiram a cultura russa. O Principado de Kiev finalmente se desintegrou e suas terras foram divididas em muitos pequenos estados feudais. O estado sucessor do Principado de Kiev foi Moscóvia (Moscou), que serviu como a principal força no processo de reunificação da Rússia e na luta de independência contra a Horda de Ouro (o mais duradouro reino do Império Mongol). Moscóvia gradualmente reunificou os principados russos e passou a dominar o legado cultural e político do Principado de Kiev. Sob a liderança de Ivan III, o Grande, Moscou venceu os tártaros em 1480, na Batalha do Rio Ugra, livrando-se enfim de 240 anos do jugo tártaro-mongol e, praticamente fundando o Império Russo, maior império e maior estado nacional de todos os tempos, em área.
Sob o reinado de Ivan IV, o Terrível, oficialmente coroado o primeiro czar[1] da Rússia, em 1547, vários territórios e os canatos[2] de Astrakhan e Kazan foram reconquistados aos tártaros e anexados ao nascente Império Russo. Ivan IV criou uma Rússia multicultural e multireligiosa, mas foi sempre lembrado pelas atrocidades cometidas durante sua época. 
Czar Pedro I da Rússia, início Dinastia Romanov
É com a Dinastia Romanov (iniciada em 1613) que se inicia o grande processo de "imperialização" da Rússia. Pedro, o Grande, ou Pedro I da Rússia, derrotou a Suécia na Grande Guerra do Norte forçando o inimigo a ceder partes do seu território. E é na Íngria[3] que se forma uma nova capital: São Petersburgo (em homenagem a São Pedro).
Com as ideias do Oeste Europeu, Pedro I faz evoluir a Rússia que antes se encontrara numa situação de pobreza extrema e prepara o caminho para o auge do país. O território do império aumenta e, em 1648, o líder cossaco Semyon Dezhnyov descobre o estreito que separa a América da Ásia: o atual Estreito de Bering. Nasce assim o maior império da história da Rússia. O Império Russo, termo geralmente utilizado para se referir ao período de tempo que começa com a expansão iniciada por Pedro I, até o reinado de Nicolau II, deposto pelas revoluções de 1917, expandiu-se até o Oceano Pacífico entre os séculos XVII e XIX.
A czarina Catarina, a Grande, continuou o trabalho de Pedro, derrotando a Polônia e anexando a Bielorrússia e a Ucrânia - outrora o principado de Kiev. Catarina assina um acordo com o reino da Geórgia de modo a evitar invasões do império turco – a Geórgia passa a ser protegida militarmente pela Rússia.
Durante o século XVIII, o país teve grande expansão através da conquista, anexação e exploração de territórios, tornando-se o Império Russo, que foi o terceiro maior império da história e se estendia da Polônia, na Europa, até o Alasca, na América do Norte.
Em 1812, quando a Rússia se achava sob o governo de Alexandre I, o exército de Napoleão entra em Moscou, mas vê-se forçado a abandoná-la, pois a encontra vazia e sem mantimentos com a retirada do exército russo. O frio e a falta de recursos foram responsáveis pela morte de 95% das tropas francesas. Durante o regresso de Napoleão à França, os russos perseguiram-no até Paris, trazendo para o império as ideias liberais que estavam em marcha na França e na Europa Ocidental. Ainda durante a perseguição de Napoleão, a Rússia conquista a Finlândia e a Polônia. O golpe final sobre Napoleão foi dado em 1813 quando o império e os seus aliados – austríacos e prussianos - venceram as forças de Napoleão na batalha de Leipzig. 
Alexandre II, o czar modernizador da Rússia
A ascensão de Nicolau I (1825-1855) que travara o desenvolvimento da Rússia em meados do século XIX, principalmente devido à lei da servidão, obrigando os camponeses a lavrar as terras sem possui-las, é compensada por seu sucessor, Alexandre II (1855-1881), que cria reformas que vão fazer com que a Rússia consiga um maior desenvolvimento.
Alexandre II tinha consciência da necessidade de promover reformas modernizadoras no país, para aliviar as tensões sociais internas e transformar a Rússia num Estado mais respeitado internacionalmente. Com sua política reformista, Alexandre II realizou a abolição da servidão agrária, beneficiando cerca de 40 milhões de camponeses que ainda permaneciam submetidos ao mais cruel sistema de exploração; desenvolveu o ensino elementar e a concessão de autonomia acadêmica às universidades; concedeu maior autonomia administrativa aos diferentes governos das províncias.
Mesmo sem provocar alterações significativas na estrutura social existente na Rússia, a política reformista do czar encontrou forte oposição das classes conservadoras da aristocracia, extremamente sensíveis a quaisquer perdas de privilégios sociais em favor de concessões ao povo. Por isso, apesar das medidas reformistas, o clima de tensão social aumentava entre os setores populares. A terra distribuída aos camponeses era insuficiente, fortemente concentrada nas mãos de uma aristocracia latifundiária, a quem faltavam recursos técnicos e financeiros para modernização da agricultura. O resultado era a baixa produtividade agrícola, que provocava frequentes crises de abastecimentos alimentares, afetando tanto os camponeses como a população urbana. Em 1881, Alexandre II foi assassinado por um dos grupos de oposição política (os Pervomartovtsky) que lutavam pelo fim da monarquia vigente, responsabilizada pela situação de injustiça social existente.
Ao final do século XIX o tamanho do Império era cerca de 22.400.000 km2, abrangendo vastas áreas da Europa Oriental e do norte e centro da Ásia. Seus limites eram o Oceano Ártico, ao norte, o Cáucaso e as fronteiras com a Pérsia e o Afeganistão, ao sul, o Oceano Pacífico e as fronteiras com a China, Coreia e Japão, a leste, e os Montes Cárpatos, onde fazia fronteira com a Alemanha e a Áustria -Hungria, a oeste. O Império Russo ainda chegou a contar com um território na América, o Alasca, que foi vendido aos Estados Unidos, em 1867. Em seu apogeu, o Império Russo incluía, além do território russo atual, os estados bálticos (Lituânia, Letônia e Estônia), a Finlândia, o Cáucaso, Ucrânia, Bielorrússia, boa parte da Polônia (antigo reino da Polônia), Moldávia (Bessarábia) e quase toda a Ásia Central. Também contava com zonas de influência no Irã, Mongólia e norte da China. Em 1914, o Império Russo estava dividido em 81 províncias (guberniyas) e 20 regiões (oblasts). Vassalos e protetorados do Império incluíam os canatos de Khiva e Bukhara e, após 1914, Tuva.
Com o assassinato de Alexandre II, as forças conservadoras russas uniram-se em torno do novo czar, Alexandre III, que retomou o antigo vigor do regime monárquico absolutista. Concedeu grandes poderes à polícia política do governo (Okhrana), que exercia severo controle sobre os setores educacionais, imprensa e tribunais, além dos dois importantes partidos políticos, Narodnik e o Partido Operário Social Democrata Russo, de ideologia marxista, que queriam acabar com a autocracia e passaram a atuar na clandestinidade. Embora desarticulado dentro da Rússia em 1898, voltou a organizar-se no exterior, tendo como líderes principais Gueorgui Plekhanov, Vladimir Ilyich Ulyanov (de codinome Lenin) e Lev Bronstein (conhecido como Trotsky).
Impedidos de protestar contra a exploração de que eram vítimas, camponeses e trabalhadores urbanos continuaram sob a opressão da aristocracia agrária e dos empresários industriais, celeiro dos futuros oficiais do exército russo e membros da Igreja Ortodoxa Russa. Estes, associando-se a capitais franceses, impulsionavam o processo de industrialização do país. Apesar da repressão política comandada pela Okhrana, as ideias socialistas eram introduzidas no país por intelectuais preocupados em organizar a classe trabalhadora.
Alexandre III faleceu em 1894 e foi sucedido por Nicolau II, que procurou facilitar a entrada de capitais estrangeiros para promover a industrialização do país, principalmente da França, da Alemanha, da Inglaterra e da Bélgica, que ocorreu posteriormente à maioria dos países da Europa Ocidental. O desenvolvimento capitalista russo foi ativado por medidas como o início da exportação do petróleo, a implantação de estradas de ferro e da indústria siderúrgica.
Os investimentos industriais foram concentrados em centros urbanos populosos, como Moscou, São Petersburgo, Odessa e Kiev. Nessas cidades, formou-se um operariado de aproximadamente 3 milhões de pessoas, que recebiam salários miseráveis e eram submetidas a jornadas de 12 a 16 horas diárias de trabalho, não recebiam alimentação e trabalhavam em locais imundos, sujeitos a doenças. Nessa dramática situação de exploração do operariado, as ideias socialistas encontraram um campo fértil para o seu florescimento. E Nicolau II viria a ser o Czar da Revolução Comunista, sendo deposto e morto, com o seu advento.

[1] Czar, tsar ou tzar foi o título usado pelos monarcas do Império Russo entre 1546 e 1917. Foi adotado por Ivan IV da Rússia como um símbolo da natureza da monarquia russa. O termo "tsar" ou "czar", tal como o alemão kaiser, tem a sua origem na palavra latina Caesar, título adotado pelos imperadores romanos.
[2] Canato, Canado ou Khanato era um ente político governado por um Khan, que em mongol e em turco, significa "líder tribal" ou senhor de um território; ou seja um principado, reino ou mesmo um império.
[3] A Íngria é uma região histórica, cuja maior parte encontra-se, atualmente, localizada na Rússia, compreendendo a área ao longo da bacia do rio Neva, entre o Golfo da Finlândia, o rio Narva, o lago Peipsi no Oeste, e o lago Ladoga e a planície pantanosa ao sul deste, no leste. Historicamente a Íngria foi povoada pelos povos fínicos (da Finlândia) dos izorianos, vótios (os povos nativos da Íngria) e mais tarde também pelos finlandeses da Íngria e estonianos. Foi russificada na década de 1930.

Prossegue com a Parte 2.