Homenagem ao lendário herói ancestral dos ingleses que deu título a um dos considerados "Cem Maiores Livros do Mundo" e tido como o mais antigo escrito em "Old English".

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quarta-feira, 24 de agosto de 2011

UMA PEQUENA HISTÓRIA DA INGLATERRA CONTADA POR UM GAÚCHO DE PORTO ALEGRE, DESCENDENTE DE PORTUGUESES E RESIDENTE EM GRAMADO - A HISTÓRIA PROPRIAMENTE DITA (18) (Vigésima Sexta Parte)

O AMBIENTE ARTHURIANO (ÚLTIMA PARTE)
E o que dizer sobre Avalon, a Ilha mística e lugar do repouso eterno do Rei Arthur da fábula? O primeiro escritor a mencionar Avalon foi Geoffrey of Monmouth quando, em sua Historia, ele a chama “Insula Avallonis”, referindo-se a ela duas vezes: quando ele diz que a espada Caliburn, de Arthur foi forjada em Avalon e quando, após sua última batalha, ele foi transladado para lá para que suas feridas pudessem ser curadas em um berço de ouro, em troca de sua promessa de lá permanecer com Morganna.
Localização de Glastonbury, vizinho da Cornwall, a oeste e de Wales, ao norte
O local que imediatamente emerge à mente, sempre que Avalon é mencionado, é a cidade de Glastonbury, na região oeste da England, vizinho à Cornwall e ao Wales e sua reivindicação tem sido sujeita a muita controvérsia. Aninhando-se entre um grupo de colinas, Glastonbury, a mais antiga cidade cristã da England, foi, no início da Cristandade, quase uma ilha, quando a maior parte da área circundante era submersa. É, certamente, um local imponente, com sua mais alta colina, Glastonbury Tor, tendo em seu pico, uma solitária torre de pedra que pode ser vista a milhas de distância, de toda a fértil planície de Somerset, marcando as ruínas da Igreja de Saint Michael. A Tor (em português, um rochedo pontudo, ou outeiro) foi uma ilhota durante séculos pois as águas das enchentes levavam um tempo enorme para retroceder.
Glastonbury, com a Glastonbury Tor, na colina à direita, com a flecha verde
 Somerset, a região onde se situa Glastonbury, é uma abreviatura para ‘Summer Settlement’ (povoado de verão) em virtude de ser a área totalmente inundada e impossível de ser habitada durante o inverno, exceção feita à Tor. Esta era originalmente chamada ‘Ynys Witrin’ ou ‘Ilha de Vidro’ (ou ainda ‘Ilha da Visão’), ligada à terra principal somente por uma estreita faixa de terra durante a maré baixa. As pessoas que acreditam ainda acrescentam o poder de um lugar sagrado. Esse longo período de semi-isolamento pode ter, não somente preservado a natureza extraterrestre da Tor, mas também aumentado a sua aura de excepcionalidade através dos olhos da população.
Glastonbury Tor e o caminho que conduz à Torre da Igreja de St. Michael
E como veio Glastonbury a ligar-se à mística Avalon? Não existe qualquer evidência de que antes de 1190 alguém a tenha ligado à Ilha. William of Malmesbury, no início do século XII, compilou a história de Glastonbury e nem uma só vez a ligou a Arthur ou a conectou de alguma forma a Avalon. Cerca de 1140, Caradoc of Llancarfan, escreveu o primeiro texto conhecido ligando Arthur a Glastonbury, dizendo que o Abade de Glastonbury ajudou na libertação de Guinevere do rei Malwas de Somerset, mas nunca mencionando Avalon. A ligação do Rei Arthur com Glastonbury resultou de uma descoberta que se diz ter ocorrida ao final dos anos 1100’s, nos terrenos da Abadia de Glastonbury, destruída por incêndio em 1184, quando os monges iniciavam a reconstrução. Segundo consta, os monges teriam encontrado um túmulo contendo os ossos de um homem alto além de ossos menores e restos de cabelos loiros, junto com uma cruz de chumbo com uma inscrição latina que traduziria da seguinte forma:

“Aqui jaz o renomado Rei Arthur, na Ilha de Avalon, com sua segunda esposa Guinevere.”

Nem os ossos nem a cruz existem hoje, de forma que nada pode ser provado, mas a descoberta do túmulo foi muito oportuna, para dizer o mínimo, já que a Abadia necessitava desesperadamente de dinheiro para a reconstrução e a atração de peregrinos era uma maneira segura de conseguir dinheiro de contribuições para ver, não apenas o túmulo de uma lenda, mas também para conhecer a Ilha de Avalon. A menção à sua segunda esposa teria sido também um golpe de sorte, pois à época dizia-se que a esposa de Arthur chamava-se Guinevere ou Ganhumara; a existência de uma segunda esposa satisfaria a todos. Alguns anos mais tarde, quando se tornara aceito que Arthur tinha tido apenas uma esposa, foi alegado que a cruz tinha escrito apenas:


“Aqui jaz o renomado Rei Arthur, na Ilha de Avalon.”

Em 1962 o arqueólogo Dr. Ralegh Radford escavou o local em que os monges diziam ter cavado e, de fato, acharam indicações de um túmulo antigo que, sem a cruz para examinar serviria para muito pouco. Sobraria apenas a inscrição, ela própria muito controversa, pois, de acordo com o linguista de Oxford, James Hudson, o latim utilizado nada tinha a ver com o latim do século VI. Finalmente, os monges da época disseram também ter desenterrado St. Patrick, St. Gildas, e o Arcebispo Dunstan, que por mais de duzentos anos jazia em paz em Canterbury. Todas essas relíquias dúbias foram dispostas ao público e renderam generosas doações de seus adoradores para a construção da nova abadia. Consequentemente, este famoso local associado ao Rei Arthur pela Ilha de Avalon não suporta um escrutínio histórico científico.
A torre das ruínas da Igreja de St. Michael, no topo da Glastonbury Tor
Embora Geoffrey possa ter baseado sua Avalon em antigas lendas Celtic, muito pouco há de Celtic na sua descrição de Avalon, que muito tomou emprestado da mitologia clássica. A existência das nove mulheres, da deusa Celtic Morrigan (Morgan) e do próprio nome Avalon determinam a origem Celtic do tema, que por isso pode ter sido associado com a lenda Arthuriana original; mas tentar localizar Avalon é um assunto bem mais complexo e se tivéssemos que buscar uma ilha real, poderia ser praticamente em qualquer lugar. Existe, por exemplo a Ilha de Man, tomando o seu nome do deus Manannan, que teria sido o seu lar. Há também a própria Ireland, que o conto de Culhwch and Olwen identifica como Annwan. Ao sudoeste encontram-se as Ilhas Scilly que aparecem numa lenda datando do princípio da Idade Média, que teria Morganna como sua rainha. Na Scotland, Iona era chamada “A Ilha dos Sonhos”, um nome aplicado a Avalon em mis de um romance medieval. O disputante Welsh seria a Ilha Bardsey, por séculos o local de enterros de Santos e outros homens cristãos sagrados; uma lenda registrada no século XIII conta que Merln dorme numa caverna, preservando para sempre um calderão com os tesouros dos vencedores Britons.
Mas não vale à pena buscar por Arthur em qualquer desses lugares. De acordo com Geoffrey, Arthur vai a Avalon apenas para ser curado de suas feridas, sem que diga que ele foi enterrado lá ou pudesse inventar um local para tal. Antes de Geoffrey, William of Malmesbury escreveu que o túmulo de Arthur ainda não havia sido encontrado e o poema Welsh The Stanzas of the Graves (As Mansões dos Túmulos), que trata dos locais de enterros dos heróis Celtic, admite que o túmulo de Arthur permanece um mistério.
Sir Thomas Malory decidiu minimizar sues riscos sobre o assunto e partiu do ponto em que Geoffrey conduz Arthur em um barco para Avalon, buscando alívio para suas feridas, sem especificar que teria sido enterrado lá. Algumas linhas adiante, Bedivere chega a Glastonbury onde descobre um eremita pranteando um túmulo recente e pergunta quem estava enterrado ali, ao que lhe é respondido: ‘Nessa mesma noite, à meia-noite, aqui veio um grupo de damas trazendo um morto e rogou-me que o enterrasse’.  Bedivere então supõe que o corpo seja de Arthur embora o eremita não o confirme. Parece que Malory se empenhava em satisfazer os seus leitores no que se refere à Abadia de Glastonbury, sem estar convencido de que tal local poderia ser uma ilha. De fato, ele não se compromete com Glastonbury e inclui uma nova versão em que a sepultura de Arthur permanece incógnita. Infelizmente, os contos de Avalon poderiam conduzir a qualquer lugar e a qualquer conclusão.


EPÍLOGO

Depois de tudo o que escrevemos, após mais de um ano de postagens sobre este assunto, concluir sobre a veracidade ou não da figura do Rei Arthur nos parece uma questão totalmente supérflua e desnecessária. A verdade apresenta-se por si própria, naturalmente. O personagem certamente existiu e teve, inquestionavelmente, um papel muito importante na história da formação da nação e do povo da Britain. Se a própria história encarregou-se de supervalorizar a figura e a sua importância, é questão de somenos importância. É parte e desejo da natureza humana criar os seus mitos, porque deles necessita. Toda a humanidade usou dessa prerrogativa desde o início dos tempos e seria inevitável que uma nação da importância e com uma história tão brilhante como a que possui a Britain, também possuísse os seus próprios heróis, dos quais o Rei Arthur é, certamente, o mais potente deles. É, sem qualquer dúvida, uma figura majestosa, que encantou e continua a encantar não apenas o povo britânico, mas a população mundial de todos os tempos e épocas e para sempre permanecerá na memória desta e das futuras gerações.
Gostaria de encerrar essa imensa matéria, de cujo sucesso de publicação eu mesmo duvidei muitas vezes, dado o seu imenso escopo, com um texto que é apresentado na primeira e segunda páginas do livro “King Arthur – The True Story”, escrito por Graham Phillips e Martin Keatman. Nessas duas páginas, os autores foram, em minha opinião, de uma felicidade imensa na apresentação da essência da lenda do Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda, tal como a conhecemos hoje e como gostaríamos que fosse lembrada essa maravilhosa história de realidade/ficção, mas sobretudo de caráter e honra, características cada vez mais raras e difíceis de serem encontradas no mundo moderno.

Em um tempo muito distante, quando a Britain era dividida e sem um rei, hordas bárbaras devastaram aquilo que havia sido um dia um fértil território. O trono apresentou-se vago para um homem certo e justo, que poderia libertar o povo do seu jugo servil e expulsar os invasores da sua terra. Mas apenas aquele, que arrancasse da pedra uma magnífica espada, provaria a si mesmo a sua herança por direito. Os anos passaram e muitos tentaram, mas a misteriosa espada permanecia firme e inflexível na velha e decomposta pedra. Então, um dia, um jovem emergiu da floresta e, para o assombro de todos, teve sucesso na missão que até o mais forte havia falhado. A multidão regozijou-se; o rei havia chegado e seu nome era Arthur!
Na ascensão do mais alto posto na terra, Arthur tomou as primeiras providências para restaurar o destroçado país. Após construir a inexpugnável fortaleza de Camelot e fundar a ordem dos destemidos cavaleiros, os Cavaleiros da Távola Redonda, o rei cavalgou adiante para varrer o demônio que havia devastado a terra. Os camponeses libertados rapidamente o tomaram em seus corações e Arthur reinou com justiça sobre seu novo e próspero reino, tomando por esposa a linda Lady Guinevere.
Até mesmo uma terrível praga que grassou pelo país foi derrotada pela recente decisão sobre os assuntos de Arthur, pois eles prepararam uma busca para descobrir o Santo Graal, um fabuloso cálice que portava o segredo da cura para todos os males. Mas como acontece frequentemente durante uma época de plenitude, sempre existem aqueles que são corrompidos pelo poder. Logo uma rebelião dividiu o reino, através de um levante armado conduzido por Mordred, o traiçoeiro sobrinho de Arthur. Contudo, havia uma, possuída pelas forças do mal, que se dispôs no coração da contenda: a misteriosa e satânica feiticeira Morganna. Na batalha final Mordred foi finalmente derrotado e Morganna destruída por Merlin, o mago da corte. Mas nem tudo correu bem, pois Arthur fora mortalmente ferido.
Enquanto jazia à morte, no campo de batalha, a última demanda feita pelo poderoso rei, foi que a Excalibur, a fonte de todo o seu poder, fosse lançada em um lago sagrado e perdida para sempre ao homem mortal. Quando a espada mágica caiu à água, o braço de uma sílfide elevou-se da superfície das águas, agarrando-a pelo punho e levando-a para baixo, nas profundezas cristalinas.
O último sono do Rei Arthur, pintura de Edward Burne-Jones, iniciada em 1881
 Quando o grande rei encontrava-se próximo da morte, ele foi, com regozijo, conduzido em uma barca à mística Ilha de Avalon, acompanhado por três misteriosas donzelas integralmente vestidas de branco. Muitos dizem que ele morreu e foi enterrado na Ilha, embora outros haja que creem que a alma de Arthur não será encontrada entre os mortos. Diz-se que ele apenas dorme e que retornará um dia.

Bons sonhos e bom descanso, Rei Arthur, nobre e valoroso cavaleiro.

terça-feira, 21 de junho de 2011

UMA PEQUENA HISTÓRIA DA INGLATERRA CONTADA POR UM GAÚCHO DE PORTO ALEGRE, DESCENDENTE DE PORTUGUESES E RESIDENTE EM GRAMADO - A HISTÓRIA PROPRIAMENTE DITA (10) (Décima Oitava Parte)

A HISTÓRIA DE ARTHUR E SEUS CAVALHEIROS (1)

Embora em nossa última publicação sobre esse assunto tenhamos dito que o que ocorreu a partir do ano 570 DC não interessasse diretamente ao nosso assunto específico, ainda para o completo entendimento da participação do personagem Arthur na época em que viveu, faremos um breve relato sobre a consolidação plena do domínio Anglo-Saxon sobre a Britain.
Na verdade, logo após 550 os Saxons reiniciaram sua ofensiva em direção ao oeste, com uma vitória importante em Old Sarum, próximo a Salisbury (Sorviodunum dos romanos e Searoburh após a batalha). Em 577 os Britons do sudoeste foram totalmente separados do resto da Britain após um triunfo Saxon na batalha de Dyrham, quando Bath, Cirencester e Gloucester foram perdidas.
Salisbury (em verde, ao sul), Bath (em negro, noroeste), Cirencester (em azul, no centro da figura) e Gloucester (em vermelho, mais ao norte)
 Por algum tempo, os Britons parecem ter se embrenhado nos pântanos de Somerset (a oeste da área anterior), mas em 614 os Saxons se moveram para Devon e em torno de 682 tinham o efetivo controle de todo o sudoeste peninsular, com exceção da Cornwall, que permaneceu independente até 962.
Cornwall no contexto da Britain e detalhe
 Numa escala macroscópica, ao sul do rio Thames os invasores eram, predominantemente, Saxons, enquanto que ao norte eles eram Angles. Nessas últimas áreas, Midlands e o Norte da England, os Angles moveram-se em direção ao oeste um pouco mais tarde do que os Saxons, em torno do início do Século VII. No extremo norte, o poderoso reino da Northumbria rapidamente emergiu dos reinos Anglian menores da Bernicia e Deira. Contudo, no Século VIII, a Northumbria foi eclipsada pelo reino central English da Mercia, que cresceu sob o seu famoso líder Offa, empurrando os Britons remanescentes para as montanhas Welsh. A fase final Anglo-Saxon viu o crescimento do reino Saxon de Wessex, que alcançou notoriedade sob Alfred, o Grande, no Século IX. Foi o seu sucessor, Athelstan, que efetivamente uniu os Anglo-Saxons em um só reino, em torno de 927 DC. Essa enorme nação Anglo-Saxon, primeiro chamada de Angelcynn e então Englaland, tornou-se finalmente conhecida por England.
Os Reinos da Bernicia, Deira e Mercia  e o Reino unificado da Northumbria, pela união dos dois primeiros
 Os British nativos foram gradualmente empurrados para fora da England, reduzidos a três remanescentes da civilização Celtic: Wales, Cornwall e o Noroeste, ao passo que outros fugiram através do English Channel, estabelecendo-se na Bretagne. Ao final, mesmo a Cornwall e o Noroeste foram dominados pelos Anglo-Saxons, deixando apenas a área que hoje chamamos Wales como o lar sobrevivente dos nativos Britons. Do Século X para a frente, não se tratava mais de uma questão de Britain Anglo-Saxon e nativa, mas de dois países separados, England e Wales.
Foi esta divisão que permitiu a sobrevivência das histórias do Rei Arthur, primariamente, no Wales e Cornwall. Isso explicaria porque os “Annales Cambriae” (Anais de Wales) mencionam Arthur, ao passo que o English “Anglo-Saxon Chronicle” (Crônica Anglo-Saxon) não o menciona; e também porque o monge Welsh Nennius faz menção a Arthur, enquanto que ele é omitido da obra do monge English Bede. É certamente nas áreas de Cornwall e Wales que o folclore do Rei Arthur é mais evidente, onde o seu nome e feitos heroicos parecem ter sobrevivido até o período dos romancistas medievais. Como veremos adiante, isso bem poderia explicar porque Geoffrey of Monmouth coloca o nascimento e morte de Arthur em Cornwall e sua corte em Wales.
A partir desse momento, contamos com todos os elementos necessários para um bom entendimento da História da England, desde as suas origens, sumamente importantes, para que possamos passar a discutir o nosso assunto principal, que é a história/mito do Rei Arthur e seus Cavalheiros.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

UMA PEQUENA HISTÓRIA DA INGLATERRA CONTADA POR UM GAÚCHO DE PORTO ALEGRE, DESCENDENTE DE PORTUGUESES E RESIDENTE EM GRAMADO - A HISTÓRIA PROPRIAMENTE DITA (6) (Décima Quarta Parte)

O Terceiro Século
A morte de Commodus pôs em movimento uma série de eventos que finalmente conduziram à guerra civil. Após o curto reinado de Pertinax, muitos rivais emergiram visando o império, incluindo Septimius Severus e Clodius Albinus, o novo governador da Britain que havia, aparentemente, vencido os nativos em suas primeiras rebeliões e que controlava três legiões, tornando-o um forte pretendente. Albinus atravessou o Canal para a Gaul em 195 DC, onde as províncias lhe eram simpáticas e estabeleceu-se em Lugdunum (atual Lyon, França). Severus chegou em Fevereiro de 196 e a batalha que se seguiu foi decisiva. Albinus foi derrotado e suicidou-se. Severus eliminou os adeptos de Albinus e confiscou grandes áreas de terra na Britain como punição. Entretanto, Albinus havia claramente demonstrado a necessidade de três legiões para a boa defesa da província e a visão tradicional é de que a sua ausência levou o norte da Britain à total anarquia. A sucessão de governadores militarmente distinguidos sugere que os inimigos de Roma colocavam um difícil desafio e o relatório de Lucius Alfenus Senecio a Roma, em 207 DC descreve os “bárbaros” se rebelando, devastando a terra, saqueando e causando destruição por todo o lado. Senecio solicitou reforços ou uma expedição imperial que Severus adotou embora já tivesse 62 anos de idade. Evidência arqueológica mostra que Senecio havia reconstruído Muralha de Adriano e a chegada de Severus à Britain induziu as tribos inimigas a um pedido de paz imediata. Contudo, parece que o Imperador não faria tal viagem em vão e, além disso, quisesse fornecer aos seu filhos adolescentes Caracalla e Geta, uma experiência, ao vivo, de como controlar uma terra bárbara hostil. Severus conduziu uma expedição de 20.000 homens ao norte (208 ou 209 DC), atravessando a muralha e passando pelo leste da Scotland numa rota parecida com a de Agricola. Sabotados por ataques de guerrilha das tribos do norte e retardados por um terreno hostil, Severus nunca pode enfrentar os Caledonii em um campo de batalha. As forças romanas avançaram para o norte até, o rio Tay, pouco conseguindo com a invasão em vista dos tratados de paz com os Caledonii. Cerca de 210 DC Severus já havia retornado a York, e a fronteira, novamente à Muralha de Adriano. Como uma de suas últimas medidas, Severus tentou resolver o problema de poderosos e rebeldes governantes na Britain, dividindo a província em Britannia Superior e Britannia Inferior, mantendo as rebeliões potenciais em xeque por quase um século. Fontes históricas fornecem pouca informação sobre as décadas seguintes, um período conhecido por “Longa Paz”. Ainda assim, o número de grandes amontoados enterrados de bens encontrados deste período cresceu, indicando permanente agitação. Uma cadeia de fortes foi construída ao longo da costa da Britain sul, para controlar a pirataria, que cresceu em número pelos cem anos seguintes, tornando-se os “Fortes de Praia Saxon”.
 

A Bacia Hidrográfica do rio Tay, na Scotland, e meandrando no seu leito para o leste

Em meados do terceiro século DC, o Império Romano foi convulsionado por invasões e rebeliões bárbaras e por novos aspirantes imperiais. Com exceção do aumento dos assentamentos Frisian na costa do Mar do Norte (com aprovação das autoridades romanas para proteger a área contra os ataques Caledonian), a Britannia aparentemente evitou essas questões. Em 259 foi estabelecido o chamado Império Gallic, quando Postumus rebelou-se contra Gallienus e a Britannia fez parte desse Império até o ano de 274, quando Aureliano reunificou o antigo Império.
Ao final dos anos 270, um meio briton chamado Bononus rebelou-se para evitar a repercussão ao deixar sua frota ser incendiada por bárbaros em Cologne. Ele foi rapidamente destroçado por Probus, mas logo em seguida um governador anônimo na Britannia também tentou um levante. Tropas irregulares de Vândalos e Burgundianos foram enviadas pelos romanos através do Canal por Probus para abafar o levante, por volta de 278 DC.
A última das rebeliões que afetou a Britannia foi a de Carausius e seu sucessor Allectus. Carausius, um comandante naval, provavelmente no English Channel, foi acusado de manter, para si próprio, saque de pirataria, e sua execução foi ordenada pelo Imperador Maximiano. Em 286 DC ele proclamou-se imperador na Britain e norte da Gaul e permaneceu no poder enquanto Maximian tratava de sublevações em outros locais. Em 288 uma invasão para depor o usurpador falhou. Seguiu-se uma incômoda paz, durante a qual Carausius cunhou moedas, proclamando a sua legitimidade e convidando reconhecimento oficial. Em 293 DC Constantius Chlorus lançou uma segunda ofensiva, sitiando o porto do rebelde em Boulogne e cortou sua assistência naval. Após a queda da cidade, Constantius atacou os aliados Frankish de Carausius. Susequentemente, o usurpador foi assassinado por seu tesoureiro, Allectus que o sucedeu brevemente. Seu reino teve um fim quando Julius Asclepiodotus atracou próximo de Southampton e derrotou-o numa batalha em terra. Constantius chegou a London para receber a vitória e decidiu dividir a província ainda mais, em quatro regiões, cada uma com o seu próprio governador:
•    Maxima Caesariensis (com base em London) tirada da Britannia Superior;
•    Britannia Prima, também da Britannia Superior;
•    Flavia Caesariensis, da Britannia Inferior;
•    Britannia Secunda, da Britannia Inferior.
No mesmo ano, sob as reformas da Tetrarquia, do Imperador Diocleciano, a Britannia tornou-se uma das quatro dioceses – governada por um "vicarius" - da prefeitura pretoriana das Galliae (as Gauls), compreendendo as províncias da Gaul, Britannia, Germania e Hispania.

Quarto Século

Constantius Chlorus retornou em 306 DC para invadir o norte da Britannia embora sua saúde enfraquecida. Sabe-se pouco de suas campanhas, mas de fontes históricas fragmentárias parece que ele chegou ao extremo norte da Britain, vencendo uma grande batalha antes de retornar para York, ao sul. Ele permaneceu na Britain até a sua morte, sendo substituído em suas funções por seu filho Constantino I, que usou a sua base na Britannia como ponto de partida de sua marcha ao trono imperial.
No meio do século, por alguns anos a província foi leal ao usurpador Magnentius, que sucedeu Constans após a sua morte. Após a derrota e morte de Magnentius na batalha de Mons Seleucus, em 353 DC, Constantius II seu notário imperial chefe, Catena, à Britain a caça dos seguidores de Magnentius.
À medida que o quarto século avançava, crescentes ataques dos saxons se verificaram ao leste e dos irish a oeste da England. Uma série de fortes já estava sendo construída no início de 280 DC, para a defesa das costas, mas essas defesas não foram suficientes quando um assalto geral de saxons, irish e attacotti, combinado com uma aparente discórdia na guarnição da Muralha de Adriano, aniquilou a Britain Romana em 367 DC. Essa crise, muitas vezes chamada de “Conspiração Bárbara” ou “Grande Conspiração”, foi revertida por Flavius Theodosius com uma série de reformas civis e militares. Outro usurpador imperial, Magnus Maximus, possivelmente filho de Theodosius, levantou o bastião da revolta em Segontium (atual Caernarvon), ao norte de Wales, em 383 DC, e atravessou o English Channel. Maximus manteve muito do império ocidental e lutou uma campanha de sucesso contra os Picts e os Scots, em torno de 384. Suas proezas continentais exigiram tropas da Britain e parece que fortes em Chester e outros lugares foram abandonados neste período, causando ataques e assentamentos ao norte de Wales pelos Irish. Seu governo encerrou em 388 DC, mas nem todas as tropas British retornaram, pois os recursos militares imperiais estavam agonizando após a catastrófica batalha de Adrianópolis, em 378. Em torno de 396 houve crescentes incursões bárbaras na Britain e uma expedição, possivelmente conduzida por Stilicho, foi realizada contra os atacantes. Parece que a paz foi restaurada em 399 DC e nenhuma outra guarnição foi ordenada; ao contrário, em 401 DC mais tropas foram retiradas para ajudar na guerra contra Alarico I.

Fim do Domínio Romano
A visão tradicional dos historiadores é de que houve um declínio econômico geral no início do quinto século. Contudo, evidência arqueológica consistente conta outra história que tem reavaliado essa visão, embora algumas características tenham acordado: menos residências urbanas, embora mais opulentas, final de novos edifícios públicos e abandono de alguns existentes, com exceção de estruturas defensivas e a formação generalizada de depósitos de “terra negra”, indicando uma horticultura crescente nos limites urbanos. O abandono de alguns locais aconteceu posteriormente ao que se cria anteriormente e muitas construções alteraram o seu uso, mas não foram destruídas. Os ataques bárbaros cresceram, mas focados em assentamentos rurais vulneráveis e não em cidades. Algumas vilas tiveram novos pisos de mosaico construídos nessa época, sugerindo que os problemas econômicos foram limitados e irregulares, embora muitos tenham se deteriorado antes de ser abandonados no quinto século. Alguns centros urbanos, como Canterbury, Cirencester, Wroxeter, Winchester e Gloucester permaneceram ativos durante o quinto e sexto séculos, cercados por grandes estados agrícolas. A vida urbana, em geral, cresceu com menos intensidade pelo quarto final do quarto século e moedas cunhadas entre 378 e 388 DC eram muito raras, indicando uma combinação provável de declínio econômico, diminuição do número das tropas e problemas com os pagamentos de soldados e oficiais. É provável que cerca de 430 DC as moedas, como meio de troca, tenham sido abandonadas. A produção em massa de cerâmica provavelmente terminou uma ou duas décadas antes; os ricos continuaram a usar vasos de metal e vidro, ao passo que os pobres adotaram vasos de couro ou madeira.
Ao final do quarto século a Britain esteve sob crescente pressão dos bárbaros, por todos os lados e as tropas eram muito pequenas para uma defesa efetiva. O exército rebelou-se e após elevar dois usurpadores decepcionantes, escolheu um soldado, Constantino III, para tornar-se imperador em 407. Ele atravessou a Gaul com um exército e foi derrotado por Honorius; é incerto o número de tropas que permaneceu ou se alguma vez retornou ou, ainda, se algum comandante em chefe foi novamente nomeado para a Britain. Uma incursão Saxon foi repelida pelos Britons em 408 e, no ano seguinte Zosimus registra que os nativos expulsaram a administração civil romana. Um último apelo feito pelas comunidades British foi rejeitado pelo imperador Honorius em 410 DC. A aparente contradição é explicada como uma revolta camponesa contra as classes dominantes de terra, solicitantes da ajuda romana. Com a saída da maior parte do governo militar e civil, a administração e a justiça ficaram nas mãos das autoridades municipais e pequenos “senhores da guerra” gradualmente emergiram na Britain, ainda aspirando aos ideais e convenções romanas.

As ‘Idades das Trevas’
Na Britain oeste e norte, em torno dos mares ocidentais, o fim do poder romano viu a reafirmação dos antigos padrões, isto é, a continuidade das tendências culturais e linguísticas que vigoravam antes da Idade do Ferro. Contudo, no longo termo, o contínuo desenvolvimento de um mosaico mutável de sociedades, gradualmente tendeu (como em outros lugares da Europa) à formação de estados maiores. Assim, por exemplo, o reino de Dalriada, governado pelos Irish, no extremo noroeste, fundiu com o reino Pictish para formar a Scotland. As partes mais a oeste da velha província, onde a cultura romana não havia deslocado a tradicional, também compartilhou dessas tendências, criando pequenos reinos que se desenvolveriam, sob a pressão dos Saxons, nas regiões Welsh e Cornish.
O destino do resto da província romana foi muito diferente: após o colapso do poder imperial, cerca de 410 DC, a civilização romanizada prontamente definhou. Pelo século VI DC, a maior parte da Britannia era tomada pelos reinos ‘Germanic’. Aparentemente, houve uma completa descontinuidade entre a Britain romana e a England anglo-saxon; acreditou-se uma vez que os romano-british foram massacrados ou empurrados para o oeste por hordas invasoras de anglo-saxons, parte do grande movimento para o oeste de ‘bárbaros’ esmagando o império ocidental. Contudo, nunca houve tal deslocamento de ‘celtas’ por ‘germans’.
(No próximo episódio, a chegada dos Anglo-Saxons)

terça-feira, 29 de março de 2011

UMA PEQUENA HISTÓRIA DA INGLATERRA CONTADA POR UM GAÚCHO DE PORTO ALEGRE, DESCENDENTE DE PORTUGUESES E RESIDENTE EM GRAMADO - A HISTÓRIA PROPRIAMENTE DITA (5) (Décima Terceira Parte)

II - OS ROMANOS NA GREAT BRITAIN - 43 DC – 410 DC

Introdução
Chamamos de Britain Romana, a parte da Great Britain controlada pelo Império Romano entre 43 DC e 410 DC, à qual os próprios romanos se referiam como Britannia. A conquista romana que iniciou em 43 DC, ilustra o profundo impacto cultural e político que pequenos números de pessoas podem proporcionar em algumas circunstâncias, já que os romanos não colonizaram as ilhas da Britain de forma significativa. Para uma população em torno de três milhões, seus exércitos, administração e aventureiros políticos adicionaram apenas uns poucos por cento.
As cidades e vilas da província foram, predominantemente, construídas por pessoas nativas adotando a nova cultura internacional do poder. A civilização greco-romana deslocou a cultura ‘celta’ da Europa da Idade do Ferro. Esses ilhéus, realmente, tornaram-se romanos, tanto cultural quanto legalmente (a cidadania romana era mais um status político do que uma identidade étnica). Pelo ano 300 DC, quase todos eram romanos na ‘Britannia’, legal e culturalmente, embora de descendência indígena, ainda a maioria falando dialetos ‘celtas'. O governo romano viu uma alteração cultural profunda, mas, enfaticamente, sem qualquer emigração de massa.
Antes da invasão romana, conforme vimos, a Idade do Ferro Britain já possuía laços culturais e econômicos com a Europa Continental, mas os invasores introduziram novos desenvolvimentos na agricultura, urbanização, indústria e arquitetura, deixando um legado ainda hoje aparente. Registros históricos, após a invasão inicial, eram esparsos, embora muitos historiadores romanos mencionassem, de passagem, a Britannia e os nomes de muitos de seus governadores fossem conhecidos. A maior parte do conhecimento da Britain Romana vem de investigações arqueológicas e, especialmente, de evidência epigráfica. Com a conquista romana surgiram os primeiros registros históricos da história da England.

A Invasão Romana
Como já mencionado, Julius Caesar havia visitado a England, em 55 e 54 AC¸ mas apenas para agradar ao seu público em Roma, como propaganda política (desde aquela época já utilizada). Realmente, em 43 DC o Imperador Claudius retornou ao trabalho de Julius Caesar, ordenando a invasão da England, sob o comando de Aulus Plautius. Não se sabe quantas legiões romanas foram enviadas; diretamente atestado, apenas a legião ‘II Augusta’, comandada pelo futuro imperador Vespasiano, tomou parte na invasão. Os romanos velejaram em três divisões e, provavelmente, desembarcaram em Richborough, Kent, embora alguns sugiram que pelo menos parte da invasão desembarcou na costa sul, na área de Fishbourne, West Sussex.
Os romanos derrotaram os Catuvelaunni e seus aliados em duas batalhas: no rio Medway e no Thames, onde teria morrido Togodumnus, um de seus líderes. Plautius suspendeu a campanha no Thames e pediu ajuda a Claudius que chegou com reforços, incluindo artilharia e elefantes, para a marcha final sobre Camulodunum - nome romano para o antigo assentamento hoje conhecido por Colchester, cidade do condado de Essex), - a capital dos Catuvelaunni.

Camulodonum, atual Colchester, próximo do estuário do Thames. entrada natural dos invasores romanos
O Estabelecimento do Governo Romano
Os romanos rapidamente estabeleceram controle sobre as tribos do sudeste da England. O chefe da tribo British Catuvellauni, Caractacus, irmão de Togodumnus, inicialmente fugiu de Camulodunum para o sul de Wales, onde esboçou alguma resistência, até a sua derrota e captura em 51 DC. Afirma-se que Camulodunum é a cidade mais velha na Britain, como registrada pelos romanos, tornando-se, posteriormente, a primeira cidade romana. De fato existe evidência arqueológica de assentamento de 3.000 anos atrás. Caractacus foi posteriormente enviado para Roma, onde fez amizades nos altos escalões, sendo finalmente libertado em reconhecimento por sua coragem e acabou morrendo em Roma. A resistência ao domínio romano continuou em Wales, particularmente inspirada pelos Druidas, chefes religiosos dos povos celtas nativos.
Por dez anos a England permaneceu calma, até a morte de Prasutagus, o rei da tribo Iceni. Boudicca, sua rainha, incomodada por ter suas terras tomadas e suas duas filhas violentadas pelos romanos, optou por uma ação afirmativa ao invés de uma abordagem diplomática. Sob a liderança de Boudicca, os Iceni, com os seus vizinhos do sul, os Trinovantes, se revoltaram, incendiando até as bases as cidades de Londinium (London), Verulamium (St. Albans) e Camulodunum (Colchester). Boudicca envenenou-se após seu exército ter sido virtualmente aniquilado pelas legiões romanas que retornavam do norte de Wales, após nova tentativa para subjugar os Druidas, em Anglesey.
Durante os anos 70’ e 80’ os romanos, sob o comando de Gnaeus Julius Agricola, estenderam seu controle ao norte e oeste da England, com legiões localizadas em York (ao norte), Chester e Caerleon (a oeste) marcando os limites da ‘Zona Civil’. Agricola ainda moveu-se em direção ao norte, derrotando as tribos Caledonian, sob a liderança de Calgacus, na batalha de Mons Graupius, ao norte da Scotland, mas gradualmente desistiu de suas conquistas na região.
Por muito tempo da história da Britain romana, um grande número de soldados formou a guarnição da ilha, fazendo com que os Imperadores colocassem um militar sênior como governador da província. Como resultado, muitos futuros imperadores romanos serviram antes como governadores ou embaixadores nessa província, incluindo Vespasiano, Pertinax e Gordian I.

Ruínas de teatro romano em Verulamium, atual St. Albans, Hertfordshire, Great Britain
 Não há fonte histórica descrevendo as décadas que se seguiram à retirada de Agricola, incluindo o nome do seu substituto. A arqueologia tem mostrado que alguns fortes romanos ao sul do istmo do Forth-Clyde foram reconstruídos e aumentados, embora outros tenham sido abandonados. Moedas e cerâmica romanas circularam em assentamentos nativos nas Lowlands scottish antes de 100 DC, indicando a crescente romanização. Contudo, em torno de 105 DC parece ter havido um sério recuo por conta dos Picts: vários fortes foram destruídos pelo fogo, indicando hostilidades nas áreas do sudeste da Scotland, embora os próprios romanos tivessem o hábito de destruir seus fortes durante retiradas ordenadas para negar recursos ao inimigo.
Ao visitar a Britannia, cerca de 120 DC, o Imperador Adriano dirigiu a construção de uma extensa muralha de defesa, conhecida como Muralha de Adriano, com comprimento de cerca 130 km, de Newcastle, na costa leste, a Carlisle, na costa oeste, projetada para marcar os limites do Império Romano. Ruínas desta muralha podem ser vistas até hoje.
Quando Adriano morreu em 138 DC, seu sucessor Antonius Pius (138-161 DC) abandonou a recém completada muralha e fez uma nova investida em direção ao norte, estabelecendo uma nova fronteira através da Muralha Antonina, construída entre as foz do rio Forth e do rio Clyde, na Scotland. Em torno de 160 DC a Muralha Antonina foi abandonada e a Muralha de Adriano novamente tornou-se o limite norte do Império Romano na Britain. Entretanto, os romanos não abandonaram totalmente a Scotland por essa época, mantendo um grande forte em Newstead com sete postos avançados menores, pelo menos até 180 DC. Enorme quantidade de prata romana foi encontrada na Scotland, a sugerir mais do que um comércio comum, sendo provável que os romanos estivessem reforçando acordos formais, pagando tributo aos seus implacáveis inimigos, os Picts.
Em 175 DC uma grande força de 5.500 homens de cavalaria da Sarmácia (atual Irã) chegou à Britannia, provavelmente para reforçar tropas lutando contra revoltas sem registro. Em 180 DC a Muralha de Adriano foi rompida pelos Picts e nessa batalha, morto o oficial comandante ou governador da Província.

Localização das Muralhas de Adriano e Antonina na Great Britain
 Ulpius Marcellus foi enviado como governador substituto e pelo ano 184 conseguiu uma nova paz, para enfrentar um motim de suas próprias tropas. Descontentes com a inflexibilidade de Marcellus, eles tentaram eleger um conselheiro chamado Priscus, como governador usurpador; ele recusou, e Marcellus deu-se por muito feliz por deixar a província com vida.

Ruínas da Muralha de Adriano na Great Britain atual
 O futuro imperador Pertinax foi enviado à Britannia para dominar o motim e teve sucesso, inicialmente. Contudo, um levante eclodiu entre as tropas e Pertinax foi atacado e deixado como morto. Enviado a Roma sucedeu, por breve período, a Commodus, como imperador, em 192 DC.
Os romanos nunca tiveram sucesso em subjugar totalmente a Britain, tendo sempre que manter uma presença militar significativa para controlar a ameaça das tribos não conquistadas. Mas a maior parte dos habitantes acatou a disciplina e a ordem romana. Cidades apareceram pela primeira vez na Great Britain, que incluíam York, Chester, St. Albans, Bath, Lincoln, Gloucester e Colchester. Todos esses centros maiores ainda encontram-se ligados pelo sistema romano de estradas militares, irradiando do grande porto de London, que também permitiam a distribuição de supérfluos romanos, como condimentos, vinhos, vidros etc., trazidos de outras regiões do império. É provável que a ‘romanização’ da Britain tenha afetado principalmente a aristocracia, que teria aumentado o seu ‘status’ adotando a forma e as práticas romanas, como por exemplo, o banho regular. A grande maioria da ‘populaça’ teria permanecido intocada pela civilização romana, vivendo da terra e ganhando a vida com dificuldade.

quinta-feira, 24 de março de 2011

UMA PEQUENA HISTÓRIA DA INGLATERRA CONTADA POR UM GAÚCHO DE PORTO ALEGRE, DESCENDENTE DE PORTUGUESES E RESIDENTE EM GRAMADO - A HISTÓRIA PROPRIAMENTE DITA (4) (Duodécima Parte)

Antes de Roma: Os Celtas
Ao final da Idade do Ferro (os últimos 700 anos AC) encontramos nossas primeiras testemunhas oculares da Britain, através de autores Greco-romanos, incluindo Julius Caesar, que a invadiu em 55 e 54 AC. Essas revelam um mosaico de povos distintos mas há pouco indício de que tais grupos tivessem algum senso de identidade coletiva mais apurado do que os ilhéus do ano 100 DC, que se consideravam ‘Britons’. Contudo, há algo em que romanos, modernos arqueólogos e os próprios ilhéus da Idade do Ferro, concordariam: eles não eram celtas. Esta foi uma invenção do século XVIII; o nome nunca foi usado antes. A ideia veio da descoberta, cerca de 1700 DC, de que as línguas não inglesas da Ilha, se relacionam à     dos antigos Gauleses do continente, que realmente eram chamados Celtas. Este antigo rótulo étnico continental foi aplicado à mais ampla família das línguas. Mas ‘Celtic’ logo foi estendida para descrever monumentos, arte, cultura e povos insulares, antigos e modernos: a identidade ‘celtic’ nasceu, como ‘britishness’, no século XVIII. Contudo, a linguagem não determina etnicidade (o que faria os modernos ilhéus ‘Germans’, uma vez que a maioria deles fala inglês, classificada como língua ‘germanic’). De qualquer forma, ninguém sabe como ou quando as línguas que escolhemos chamar ‘celtic’, chegaram no arquipélago – elas já estavam estabelecidas há muito e tinham se diversificado em várias línguas quando nossa evidência começou. Certamente, não há razão para ligar a vinda da língua ‘celtic’ com qualquer grande ‘invasão celtic’ da Europa durante a Idade do Ferro porque não há qualquer forte evidência a sugerir que tivesse existido alguma. Os arqueólogos concordam plenamente sobre duas coisas na Idade do Ferro British: suas muitas culturas regionais se desenvolveram a partir da Idade do Bronze local precedente e não derivaram de ondas de invasores continentais ‘celtas’; em segundo lugar, chamar a Idade do Ferro British ‘celtic’ é tão enganoso que é melhor abandonar. Certamente há importantes semelhanças e conexões culturais entre Britain, Ireland e Europa continental, que refletem contatos íntimos e, sem dúvida, o movimento de algumas pessoas, mas o mesmo poderia ser dito para vários outros períodos da história. As coisas que rotulamos como ícones ‘celtas’ – tais como fortes de colina, arte, armas e joias – eram muito mais relacionadas a aspectos aristocráticos, políticos, militares e religiosos do que à etnia comum.

A Crescente Influência Romana

Pelo final do segundo século AC a influência romana passou a estender-se ao Mediterrâneo ocidental e sul da França, o que causou o crescente contato entre a Britain e o mundo romano através do English Channel (Canal da Mancha). Esse contato foi inicialmente confinado ao comércio de pequenas quantidades de bens supérfluos romanos, como vinho, provavelmente cambiados por escravos, minerais e grãos, através de locais como Hengistbury Head, em Dorset e Mount Batten, próximo de Plymouth, em Devon. Após 50 AC e a conquista da Gaul (França moderna) por Julius Caesar, esse comércio intensificou e focou o sudeste da England.
Além de relações comerciais intensas, parece que Roma estabeleceu relações diplomáticas com um bom número de tribos e pode ter exercido considerável influência política antes da conquista romana da England no ano 43 DC. No mesmo tempo, novos tipos de grandes assentamentos chamados ‘oppida’ apareceram ao sul da Britain, aparentemente para atuar como centros políticos, econômicos e religiosos. Outros apareceram como centros de produção de moedas da Idade do Ferro, que muitas vezes deram os nomes dos governantes, alguns se autodenominando ‘rex’, em latim, para ‘rei’.
Após 43 DC, todo o Wales e England, ao sul da linha da Muralha de Hadrian, tornou-se parte do império romano. Além dessa linha, na Scotland e Ireland, a Idade do Ferro e suas tradições permaneceram, com ocasionais incursões romanas na Scotland e algum comércio com a Ireland.

Tribos Nativas da Britain
As Ilhas British e as regiões tribais no primeiro século DC

Regiões Tribais Chaves

01: Caledones (Caledonii);
02: Taexali; 03: Carvetii; 04: Venicones; 05: Epidii; 06: Damnonii; 07: Novantae; 08: Selgovae; 09: Votadini; 10: Brigantes; 11: Parisi; 12: Cornovii; 13: Deceangli; 14: Ordovices; 15: Corieltauvi; 16: Iceni; 17: Demetae; 18: Catuvellauni; 19: Silures; 20: Dubunni; 21: Dumnonii; 22: Durotriges; 23: Belgae; 24: Atrebates; 25: Regni; 26: Cantiaci; 27: Trinovantes.

O mapa acima mostra a localização aproximada das principais tribos que viviam na Britain ao tempo da conquista romana, no primeiro século DC, unicamente de acordo com escritores romanos que visitaram a Britain. Um dos melhores observadores das tribos da Britain celta foi Tacitus, que escreveu sobre eventos hstóricos na Britain, seguido de um geógrafo chamado Ptolemy, que fez uma descrição da Britain, listando os nomes das muitas tribos british. Contudo, devemos tratar estes escritos com cuidado, pois os cronistas romanos muitas vezes mal entendiam os eventos british ou mesmo os nomes das tribos. Isso é especialmente verdade no que se refere às suas descrições de tribos ao norte, onde o conhecimento dos romanos era ainda mais limitado. De fato, uma informação precisa sobre onde essas tribos viviam, é inteiramente ausente de registros romanos contemporâneos.

sábado, 8 de janeiro de 2011

UMA PEQUENA HISTÓRIA DA INGLATERRA CONTADA POR UM GAÚCHO DE PORTO ALEGRE, DESCENDENTE DE PORTUGUESES E RESIDENTE EM GRAMADO - LINHA TEMPORAL BRITÂNICA (3) (Sexta Parte)

BRITAIN ROMANA
43 DC – 410 DC

INÍCIO DO VERÃO DE 43 DC
O Imperador Claudius ordena a invasão da Britain
Um exército de quatro legiões e aproximadamente 20.000 auxiliares, comandados pelo Senador Aulus Plautius, atraca em Richborough, Kent. Os romanos enfrentam e derrotam um grande exército de Britons chefiados por Caratacus e seu irmão Togodumnus, reis dos Catuvellauni, no rio Medway, Kent. Pouco depois são novamente derrotados no Thames, perecendo Togodumnus e retirando-se Caratacus para terrenos mais defensáveis, a oeste.
Local da invasão romana, em Richborough, na England sudeste  

FIM DO VERÃO DE 43 DC
A capital British Camulodunum (Colchester) cai frente aos romanos
O Imperador Claudius chega à England para, simbolicamente, conduzir seus exércitos à vitória. Em agosto cai a capital da poderosa tribo Catuvellauni e, com todo o sudeste da Britain devastada, onze reis british se submetem. O comandante Aulus Plautius é nomeado primeiro governador romano da Britain, mas a maior parte da Ilha não seria pacificada pelo menos por 50 anos.

VERÃO DE 44 DC
O general romano Vespasiano captura os fortes de colina de Dorset.
Prosseguindo na segunda fase da conquista da Britain, o general romano Titus Flavius Vespasianus, futuro imperador, trava numerosas pequenas batalhas e captura uma linha de fortes de colina, incluindo Maiden Castle e Hod Hill. 












O forte de colina de Maiden Castle em Dorset                                                                             Ruinas romanas de Maiden Castle

47 DC
Aulus Plautius é substituído por Publius Ostorius Scapula como governador da nova província.
Ordenados a depor suas armas pelo novo governador, membros da tribo Iceni, aliados de Roma e baseados em East Anglia, resistem, mas a rebelião é rapidamente controlada.

VERÃO DE 49 DC
Cidade-Colônia romana é fundada em Camulodunum (Colchester), logo tornando-se a capital da província da Britain
A cidade foi fundada para abrigar legionários que se aposentavam, com a conversão de barracas em casas privadas, ereção de prédios públicos e início da construção de um templo para o culto imperial. Terras locais foram confiscadas para a criação de fazendas para os veteranos.

VERÃO DE 51 DC
Caratacus, o líder da resistência british é derrotado e capturado
Após ter fugido para as tribos dos Silures e dos Ordovices, em Gloucestershire e Wales, Caratacus travou uma verdadeira guerra de guerrilha; finalmente foi trazido para o campo de batalha e derrotado pelo governador romano Publius Scapula. Apesar de tudo, foi-lhe permitido acabar seus dias em retiro na Itália.

VERÃO DE 52 DC
A guerrilha eclode a sudeste de Wales
Logo após a morte do governador Publius Scapula, em 52 DC, por esgotamento no cargo, as tribos Silures passam à luta. O conflito malogrou sob seu sucessor Aulus Didius Gallus e em 58 DC um novo governador, Quintus Veranius Nepos, finalmente esmaga os Silures e pacifica a região com uma rede de estradas e guarnições.

INÍCIO DO VERÃO DE 61 DC
Os romanos atacam os druidas no extremo oeste da Britain
Os druidas eram sábios sacerdotes da antiga Britain. Entretanto “druida” era também a palavra genérica usada pelos romanos para indicar todos aqueles que resistiam ao seu comando. Para subjugar os druidas no extremo oeste da Britain, o governador romano Gaius Suetonius Paulinus domina a ilha de Mona (Anglesey), mas é forçado a interromper sua campanha para abafar uma revolta dos Iceni, comandados por Boudicca, esposa do rei Prasutagus, morto em combate, no sudeste da Britain. As cidades romanas de Camulodunum, Londinium (London) e Verulamium (St. Albans) são incendiadas e morrem milhares. Boudica é finalmente derrotada e morre logo em seguida.
Ilha de Anglesey, no mar da Irlanda 

VERÃO DE 69 DC
A morte de Nero deflagra o motim no exército romano da Britain
Com a morte de Nero no ano 68 DC, quatro imperadores se seguiram em rápida sucessão: Galba, Otho, Vitellius e Vespasiano, que já havia conduzido uma legião vitoriosa na conquista da Britain. Os motins e revoltas que ocorreram em Roma, também aconteceram na Britain.
A tribo dos Brigantes, ao norte da Britain, era aliada dos romanos, dirigida por Cartimandua e seu esposo Venutius, e lideraram o apoio a Caratacus, contra os romanos, no ano 51. Separaram-se logo e Venutius tentou uma revolta, sufocada pelos romanos. Em 69 DC, com o império romano em guerra civil, Venutius ensaiou uma segunda revolta contra Cartimandua - desta feita com sucesso – que, derrotada, fugiu para os romanos.

VERÃO DE 71 DC
Os romanos conquistam o norte da Inglaterra
O novo governador da Britain, Quintus Petilius Cerialis, sob ordens do imperador Vespasiano, investe contra Venutius, o líder rebelde da tribo dos Brigantes, e o derrota. Ao fim do seu governo, em 74 DC, Cerialis havia alcançado Carlisle, onde construiu o último de uma série de fortes de guarnição.

VERÃO DE 78 DC
Os romanos conquistam Wales
Sextus Julius Frontinus, sucedendo a Cerialis em 74 DC, após três anos de campanha havia conseguido tudo com exceção de completar a conquista e ocupação do oeste da Britain. O território foi pacificado pela colocação de fortes auxiliares nas colinas, ligados por estradas. Uma legião em Caerleon, a sudeste, e a outra em Chester, a nordeste, poderiam responder, rapidamente, a qualquer revolta.

OUTONO DE 78 DC
Os romanos invadem Mona e destroem um centro de druidismo
O novo governador romano, Gnaeus Julius Agricola, conduz um exército para a região dos recém conquistados Ordovices, então sublevados, e dizima-os. Invade então a ilha de Mona destruindo o último centro druida importante. Os druidas não deixaram textos escritos, mas eram, provavelmente, animistas que praticavam sacrifícios humanos e reconheciam bem mais do que 400 diferentes deuses.

OUTONO DE 79 DC
Inauguração do centro cívico de Verulamium
A inauguração do centro cívico de Verulamium, hoje cidade de St. Albans, foi um evento de pompa e cerimônia, assistido pelo governador Agricola. Compreendia uma praça (fórum) com lojas com colunatas, uma sala de reuniões com escritórios do conselho e templos do culto oficial circunvizinhos. Logo torna-se uma das maiores e mais ricas cidades de Britain romana

INVERNO DE 79/80 DC
Os aristocratas locais são encorajados a abandonar a antiga cultura British
Numa proposta para encerrar o comportamento belicoso dos Britons, o governador romano Agricola iniciou uma campanha para encorajar os aristocratas nativos a aprender latim, vestir a toga e investir em municipalidades florescentes, pela doação de estátuas e prédios. Evidência arqueológica sugere que a romanização foi imediata e que ao final do primeiro século DC o sudeste da Britain estava repleta de vilas e cidades ao estilo romano.

OUTONO DE 82 DC
O governador romano Agricola cogita da invasão da Irland
Tendo subjugado o que hoje é o sudoeste da Scotland, Agricola considerou, mas nunca executou, a invasão da Irlanda, chegando a dar refúgio a um príncipe exilado irlandês, como pretexto para a tentativa. Entretanto, contatos comerciais regulares foram iniciados entre a Irlanda e a Britain romana.

FINAL DO VERÃO DE 84 DC
Os romanos derrotam tribos caledônias na batalha de Mons Graupius
Mais de três anos após estender o controle romano ao que é hoje a Scotland, o governador Agricola finalmente teve sucesso ao trazer as tribos caledônias a uma batalha intensa, em lugar não identificado, chamado Mons Graupius, provavelmente em algum lugar das Scottish Highlands, e infligir-lhes pesada derrota, retirando-se para o sul, após. Ele também enviou navios pela costa da Scotland para estabelecer verdadeiramente que a Britain era uma Ilha.

VERÃO DE 87 DC
A fortaleza legionária no extremo norte da Britain é evacuada
Pressão exercida em algum lugar nas bordas do império romano – possivelmente na Dacia (hoje, Moldova) – obriga os romanos a retirarem as tropas do extremo norte da Britain ao final dos anos 80’ DC. Evidência arqueológica inconclusiva sugere que a fortaleza em Inchtuhill (Tayside, Scotland) foi sistematicamente desmantelada e abandonada, menos de quatro anos após sua construção.

VERÃO DE 100 DC
Os romanos estabelecem uma nova fronteira na linha Tyne-Solway
Pelos mesmos problemas na Dacia, o novo imperador Trajano ordenou uma completa retirada das forças romanas da Scotland e uma nova fronteira, compreendendo estrada, fortes e estações sinalizadoras, foi estabelecida através de uma linha leste-oeste através da moderna Northumberland, entre Newcastle-upon-Tyne e Carlisle, no Solway. Vindolanda foi um dos fortes sobre esta chamada “Stanegate Line”.

VERÃO DE 122 DC
O imperador Adriano ordena a construção de uma muralha através da Britain norte
Adriano era um talentoso administrador que estabeleceu uma política de criar barreiras, naturais ou criadas pelo homem, nos limites externos do império. Idealizando uma nação separada dos “bárbaros”, ele constrói, com soldados romanos, uma muralha de pedra com quase 120 km de comprimento desde a moderna Newcastle até Carlisle. Ela marca o limite extremo norte do império, servindo como um permeável controle de fronteira para o movimento de pessoas e bens e uma real fortificação defensiva em tempos de disputa.

Muralha Adriano, de New Castle a Carlisle

VERÃO DE 142 DC
Iniciada a construção da Muralha Antonine, ao norte da Muralha de Adriano
Concluída a Muralha de Adriano, o novo imperador, Antoninus Pius, determinou que seu governador na Britain, Quintus Lollius Urbicus, avançasse para uma fronteira ao norte, bem mais curta, do estuário do Clyde ao estuário do Forth e aí uma muralha de pedra foi construída, com cerca de 60 km de comprimento. O objetivo principal era subjugar as tribos no que hoje é o norte da England e o sul da Scotland.

Muralha Antonina, da foz do Forth à foz do Clyde

VERÃO DE 142 DC
Um incêndio destrói ma boa parte de Verulamium central (St Albans)
Embora uma das maiores e mais ricas cidades do segundo século da Britain romana, Verulamium era ainda composta, em sua maior parte, de pequenas casas e lojas de madeira. O que provavelmente começou como um fogo doméstico, rapidamento se alastrou, varrendo a parte central da cidade, soprado por ventos fortes. O prejuízo foi tão grande que alguns locais levaram mais de século para serem recompostos.

VERÃO DE 163 DC
A muralha Antonine é evacuada e os romanos recuam para a muralha de Adriano
Apenas passadas duas décadas a política romana sobre a fronteira norte da Britain mudou novamente. A grande conquista do imperador Pius, as terras altas do sul da Scotland, havia sido abandonada logo que ele morreu e o exército abandonou a muralha Antonine, retirando-se para a muralha de Adriano