Homenagem ao lendário herói ancestral dos ingleses que deu título a um dos considerados "Cem Maiores Livros do Mundo" e tido como o mais antigo escrito em "Old English".

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sexta-feira, 31 de julho de 2015

HISTÓRIA DO POVO HEBREU APÓS A CONQUISTA DE JUDÁ PELA BABILÔNIA (PARTE 3 - FINAL)

IV.1 - FACÇÕES EXISTENTES À ÉPOCA

Este me parece o momento adequado para introduzir as facções surgidas em Israel, muito importantes para o bom entendimento dos desdobramentos consequentes, principalmente antes, durante e pouco após a época de Cristo.
Os essênios eram descendentes de Zadok, o sacerdote ao tempo de Davi, que se mantiveram fora do poder durante os períodos Hasmoneano e Romano. Consideravam o Templo impuro, se mudaram num exílio auto imposto para uma comunidade monástica em Qumran, no rio Jordão, e esperaram por uma batalha do fim dos tempos em que eles, como “filhos da luz”, seriam conduzidos pelo alto sacerdote e o “Mestre da Retidão” contra os filhos das trevas. Como isso aconteceu no rio Jordão, sua figura central era a reconquista de Canaã. Os essênios eram ascetas e formavam uma comunidade hierarquicamente organizada, uma seita apocalíptica fundamental. São conhecidos hoje pelos Manuscritos do Mar Morto, que contêm alguns dos seus escritos, mas a maioria são cópias dos trabalhos da Bíblia Hebreia. Os manuscritos foram descobertos no deserto da Judeia, próximo ao rio Jordão, em 1942.
É difícil dizer quando os fariseus, como uma facção, surgiram. Josephus os menciona pela primeira vez em conexão com Jônatas, o sucessor de Judas Macabeu. Um dos fatores que distinguia os fariseus de outros grupos, antes da destruição definitiva do Templo, era a sua crença de que todos os judeus tinham de observar as leis da pureza (aplicadas ao serviço do templo) fora do templo. A maior diferença, contudo, era a permanente aderência dos fariseus às leis e tradições do povo judeu com relação à assimilação. Formavam um movimento de reforma laica (não sacerdotal) e eram os guardadores do Tora oral, isto é, as interpretações orais do Tora, que eles criam foram dadas a Moisés no Monte Sinai e que ajudaram o povo a manter os mandamentos com menos possibilidade de transgressão. Transferiram muitos aspectos da pureza do Templo à esfera doméstica e enfatizaram os rituais domésticos e os serviços de sinagoga que poderiam ser feitos fora do Templo, em Jerusalém. Como Josephus observou, os fariseus eram considerados os mais versados e precisos expositores da lei judaica.
Os saduceus eram os líderes sacerdotais no poder durante a dinastia Hasmoneana, que se encontravam também em termos cordiais com Roma, quando ela dominou. Eram conservativos na crença: a autoridade era o Tora, sem interpretação oral, profetas nem escritos. Não acreditavam em ressurreição pessoal.
Durante o período hasmoneano, os saduceus e os fariseus funcionaram, primariamente, como facções políticas. Embora os fariseus tenham se oposto às guerras de expansão dos hasmoneanos e à forçada conversão dos idumeus, o racha político entre eles se tornou maior quando os fariseus exigiram que o rei Alexander Janeu escolhesse entre ser rei e ser o Alto Sacerdote. Como resposta, o rei alinhou-se abertamente com os saduceus, adotando os seus ritos no templo. Tais ações causaram um motim no templo, conduzindo a uma breve guerra civil que terminou com uma sangrenta repressão aos fariseus, embora em seu leito de morte o rei tenha pedido uma reconciliação entre as partes. Sua viúva e sucessora, Salomé Alexandra, tinha um irmão que era líder fariseu. Josephus atesta que Alexandra era favoravelmente inclinada aos fariseus, cuja influência cresceu muito durante o seu reino, especialmente na instituição denominada “Sinédrio” (uma espécie de assembleia ou conselho, famosa no tempo de Cristo). Seu filho mais velho, que a sucedeu, buscou o apoio fariseu e seu filho mais novo, Aristobulus, procurou o apoio saduceu. Como vimos, este conflito culminou numa guerra civil que terminou quando o general romano Pompeu capturou Jerusalém, em 63 AC, inaugurando o período romano da história judia.
Todas as facções mencionadas perduraram por todo o período romano, até a guerra dos Judeus, que culminou com a destruição do Templo de Jerusalém e a difusão dos judeus por todo o mundo.

V – PALESTINA ROMANA E FIM DOS HASMONEANOS

Retornamos ao assunto principal, no ponto em que os dois irmãos Hircano II e Aristobulus II disputavam o poder de Israel.
Pois ao tempo em que a guerra civil pelo poder se desenvolvia, o general romano Marcus Aemilius Scaurus chegou à Síria para tomar posse, em nome do Cônsul Gnaeus Pompeius Magnus (Pompeu), do reino dos selêucidas. Os dois irmãos apelaram a ele, com presentes para seduzi-lo. Inicialmente, Scaurus inclinou-se para Aristobulus, mas quando Pompeu chegou à Síria, as coisas mudaram, pois ele pretendia ter a Judeia sob o mando romano. E chegou à conclusão que para isso, seria muito mais fácil se Hircano estivesse no poder ao invés de Aristobulus. Este adivinhou as intenções de Pompeu e reuniu seus exércitos, mas foi derrotado por ele várias vezes, tendo suas cidades capturadas. Aristobulus entrincheirou-se na fortaleza de Alexandrium (entre Scythopolis e Jerusalém), mas concluindo sobre a impossibilidade de vencer, rendeu-se à primeira convocação dos romanos, comprometendo-se a entregar-lhes Jerusalém. Como os cidadãos relutavam em entregar a cidade, Pompeu teve que sitiá-la e finalmente penetrou na Cidade Santa em 63 AC. Com isso a Judeia tornou-se um protetorado de Roma, devendo-lhe impostos, sob a administração de um governador romano da Síria, mas com direito a manter um rei.
De 57 a 55 AC, Aulus Gabinius, proconsul da Síria, dividiu o reino hasmoneano anterior em Galileia (ao norte), Samaria (no centro) e Judeia (ao sul), com cinco distritos com conselhos legais e religiosos (os Sinédrios): Jerusalém, Gadara (na Jordânia, onde se encontram os limites com Síria e Israel), Amathus (sem localização), Jericó e Sepphoris (região central da Galileia, 3,7 km de Nazaré).
Com a vitória de Pompeu, Aristobulus foi levado para Roma como prisioneiro e Hircano novamente indicado Alto Sacerdote, mas com autoridade política. Entretanto, em 50 AC, Júlio Cesar, sucedendo a Pompeu, demonstrou interesse em usar Aristobulus e sua família como clientes para tomar o controle da Judeia de Hircano e Antipater, devedores de Pompeu, fazendo com que partidários de Pompeu envenenassem Aristobulus em Roma. 

No início da guerra civil entre Pompeu e Júlio Cesar, Hircano e Antipater preparavam-se para apoiar Pompeu, mas com o seu assassinato e a queda da República Romana para o Império Romano, conduziram as forças judias para apoiar Cesar, em dificuldades na Alexandria. Sua ajuda na hora certa, somada à sua influência junto aos judeus egípcios, recomendaram ambos a Cesar que os garantiu como extensão de sua autoridade na Palestina. A Judeia foi liberada dos tributos e taxas devidos a Roma e ganhou independência para administração interna.
A restauração de Hircano como etnarca (e alto sacerdote) em 47 AC, coincidiu com a indicação de Antipater como primeiro Procurador Romano da Judeia, permitindo-lhe promover os interesses de sua própria casa, colocando seus filhos Phasael, como governador de Jerusalém, e Herodes, como governador da Galileia. Com isso a tensão entre Hircano e a família de Antipater cresceu, culminando com o julgamento de Herodes por supostos abusos em seu governo e sua fuga para o exílio em 46 AC. Mas Hircano era tão incapaz e fraco que Herodes retornou em seguida e, quando defendeu-o contra o Sinédrio, frente a Marco Antônio, este retirou sua autoridade política nominal e seu título, entregando-as ao acusado Herodes, em 43 AC.
Herodes, o Grande, governador da Galileia e, posteriormente,
"Rei dos Judeus" pelo Senado Romano, em 40 AC 
Cesar foi assassinado em 44 AC e a confusão e intranquilidade se espalharam por todo o mundo romano, incluindo a Judeia. Antipater, o idumeu, foi assassinado por um rival em 43 AC, mas os filhos de Antipater assassinaram o rival, mantendo o controle sobre a Judeia e o fantoche de seu pai, Hircano.
Após o assassinato de Júlio Cesar, Quintus Labienus, um general romano republicano e embaixador junto aos Parta, alinhou-se com Brutus e Cassius (assassinos de Cesar) na guerra civil dos “Libertadores”. Com a sua derrota, Labienus uniu-se aos Partas, ajudando-os na invasão dos territórios romanos, em 40 AC. O exército parta atravessou o Eufrates e Labienus conseguiu a adesão das guarnições romanas de Marco Antônio em torno da Síria à sua causa. Os partas dividiram seu exército e, sob Pacorus, conquistaram o Levante da costa Fenícia até a terra de Israel.
Antigonus II Matatias, filho de Aristobulus II, instigou os partas a invadirem a Síria e a Palestina e os judeus apoiaram a descendência dos Macabeus, expulsando os odiados idumeus e seu fantoche rei judeu. A luta entre o povo e os romanos foi deflagrada e Antigonus, colocado no trono pelos partas, imaginou que uma nova era de independência havia chegado.
Phasael e Hircano II partiram em embaixada aos partas e foram presos por eles. Antigonus, presente ao evento, cortou as orelhas de Hircano II para impedi-lo de voltar a ser Alto Sacerdote e condenou Phasael à morte. Antigonus acumulou os cargos de rei e alto sacerdote por apenas três anos, porque não havia capturado Herodes, o mais perigoso dos seus inimigos. Herodes fugiu em exílio buscando o apoio de Marco Antônio e foi declarado “Rei dos Judeus” pelo Senado Romano, em 40 AC.
O conflito persistiu por alguns anos pois as forças romanas se ocupavam em derrotar os partas, faltando recursos para o apoio a Herodes. Finalmente, derrotando os partas, em 37 AC, Antigonus foi entregue a Marco Antônio e executado em seguida. Os romanos confirmaram a proclamação de Herodes, o Grande, como Rei dos Judeus, trazendo o fim da Dinastia Hasmoneana sobre a Judeia, 
mas não dos hasmoneanos, cujo destino foi ainda mais cruel.
O reino hasmoneano havia sobrevivido 103 anos antes de chegar à Dinastia Herodiana. Herodes, o Grande, casou com uma princesa hasmoneana, Mariane, tentando amenizar a situação. Aristobulus III, neto de Aristobulus II, por seu filho mais velho Alexander, foi feito alto sacerdote por muito pouco tempo e então executado em 36 AC, por ciúmes de Herodes. Sua irmã Mariane, esposa de Herodes, caiu também vítima dos seus ciúmes. Seus filhos, Aristobulus IV e Alexander, foram também executados por seu pai, Herodes, quando adultos.
Hircano II fora mantido pelos partas desde 40 AC e até 36 AC viveu entre os judeus babilônios que lhe prestavam todo o respeito. Naquele ano, Herodes, que ainda temia que ele pudesse reivindicar o trono, convidou-o a retornar a Jerusalém. Em vão os judeus babilônios o avisaram para não ir. Herodes recebeu-o com todo o respeito, deu-lhe o assento de honra em sua mesa e a presidência do conselho de estado, esperando por uma boa oportunidade para livrar-se dele. Em 30 AC, acusado de conspiração com o rei da Arábia, Hircano II, o último hasmoneano restante, foi condenado e executado. Como se vê, sua sede de matar não era pequena, sendo importante lembrar que esse Herodes, o Grande, é o mesmo Herodes da época do nascimento de Cristo que, segundo o Evangelho de Mateus, mandou matar todas os meninos com menos de um ano de idade, nascidos em Belém, com medo de perder o trono para o recém-nascido “Rei dos Judeus”, que lhe fora revelado pelos Três Reis Magos.



                                                                 VI - EPÍLOGO


Herodes Antipas, governador da Galileia na era de Cristo
 Com a morte de Herodes, o Grande, em 4 AC, o imperador romano de então, Augustus, respeitou seu testamento, dividindo seu reino entre seus três filhos. Arquelaus recebeu o título de “etnarca” e foi indicado para governar as três regiões geográficas de Samaria, Judeia e Idumeia. Ele foi deposto e exilado em 6 DC, quando Roma juntou essas regiões na província romana da Judeia. Herodes Antipas, designado “tetrarca” (governador de um quarto), recebeu a Pereia e a Galileia (até 39 DC), onde Jesus viveu o seu ministério de adulto. Felipe recebeu partes mais remotas do reino, que nada interessam ao nosso contexto.
Mas além dos governadores, o poder nas diferentes regiões da Palestina era dividido por mais duas figuras, ao final dos anos 20 DC e início dos anos 30. Pôncio Pilates, romano, com a queda de Arquelaus, era o prefeito romano da grande Judeia (onde ficava Jerusalém). Por isso foi o responsável pelo julgamento de Cristo. José Caifás, também figura importante ao tempo de Cristo, era o grande sacerdote em Jerusalém, lembrando que a Samaria (pertencente à grande Judéia) não era judia ao tempo.
Em 44 DC, Roma instalou o mando de um Procurador Romano, paralelo aos reis herodianos que seguiram, Herodes Agripa I (41 a 44 DC) e Agripa II (50 a 100 DC)
A queda do Reino Hasmoneano marcou o fim de um século de governo judeu independente, mas o nacionalismo judeu e seu desejo por independência prosseguiram sob o domínio romano. Iniciaram com o “Censo de Quirinius”, em 6 DC (ao qual o Evangelho de Lucas relaciona o nascimento de Cristo), e conduziram a uma série de guerras judia – romanas, nos séculos I e II DC, incluindo a “Grande Revolta” (66 a 73 DC), a “Guerra de Kitos” (115 a 117 DC) e a “Revolta de Bar Kokhba” (132 a 135 DC).
Durante tais guerras, comunidades temporárias foram estabelecidas, mas que acabavam por cair ao poder sustentado de Roma. As legiões romanas de Vespasiano e Titus sitiaram Jerusalém, saquearam e incendiaram o Templo de Herodes (no ano 70 DC) e fortalezas judias, como Gamla (63 DC) e Massada (73 DC), escravizando e massacrando grande parte da população judia. A derrota das revoltas judias contra o Império Romano, contribuíram notavelmente para os números e a geografia da “Diáspora Judia”, a dispersão dos judeus que perderam seu estado ou foram vendidos como escravos por todo o império romano. Mas isso já é um outro grande assunto ...

terça-feira, 23 de março de 2010

UM POUCO DA HISTÓRIA DOS HEBREUS - PARTE IV (ÚLTIMA)

A partir daí, o cronista bíblico concentra-se no relato da história de um dos filhos de Jacó, especificamente José ou José do Egito, como ficou conhecido. Ele foi o décimo primeiro filho de Jacó, nascido de Raquel, citado no livro do Gênesis, do Antigo Testamento, considerado o fundador da Tribo de José, constituída, por sua vez, pelas semi-tribos de Efraim e de Manassés (seus filhos). José teria sido o filho preferido de Jacó, apesar de não ser o seu primogênito (mas o primeiro filho de Raquel, a mulher que mais amava) e nunca escondeu a sua posição de superioridade, em relação aos outros irmãos, que se ia manifestando através de sonhos em que a sua figura tomava sempre um lugar de destaque e liderança. O favoritismo de que era alvo, por parte do pai, valeu-lhe a malquerença dos irmãos, que o venderam como escravo, por 20 moedas de prata, a mercadores ismaelitas, que o levaram ao Egito do período da XVII dinastia (faraós hicsos).
No Egito, José foi comprado por Potifar, oficial e capitão da guarda do rei, de quem conquistou a confiança e tornou-se o mais diligente dos criados e adimistrador da casa, após estudar com um escriba e aprender o egípcio antigo. Sofreu acusação injusta de tentativa de abuso da mulher do seu amo, após tentativa frustada de sedução por parte desta e por isso foi preso. Na prisão, tornou-se conhecido como intérprete de significado dos sonhos e decifrou o sonho dos copeiro-chefe e padeiro-chefe do palácio do Faraó Apopi I, presos e acusados de conspiração. Segundo a interpretação de José, o sonho do padeiro-chefe indicava que ele seria enforcado e o do copeiro-chefe que seria salvo, o que de fato ocorreu. Um dia, o Faraó teve um sonho em que sete vacas magras comiam sete vacas gordas e mesmo assim continuavam magras. Ele convocou todos os sacerdotes do Egito para decifrá-lo, mas nenhum deles conseguiu. José foi então chamado e interpretou o sonho do Faraó como se o Egito fosse passar por sete anos de fartura e sete anos de seca. Satisfeito com a interpretação dada por José, o Faraó o nomeia Adon do Egito, um cargo semelhante a chanceler, embora algumas versões da bíblia mencionem a palavra Governador. José, então, ordena a construção de celeiros para armazenar a produção do Egito durante os anos de fartura. Com isso ele conseguiu, não apenas evitar a fome em sua região, como vender, na época da seca, alimento a preço de ouro à região do Alto Egito, assim desastabilizando a situação política do grande adversário (Taá II, apoiado pela casta religiosa do Baixo Egito) do seu Faraó. O Faraó deu a José, por esposa, a filha de um sacerdote egípcio, da qual lhe nasceram dois filhos: Manassés e Efraim, que não prestavam culto ao Senhor, especialmente Efraim que rapidamente prosperou.
Por causa da fome nos países vizinhos, os irmãos de José, com exceção de Benjamim, seu único irmão por parte de pai e mãe, acabaram por ir ao Egito em busca de suprimentos. Seus irmãos não reconheceram José, que forneceu-lhes os cereais mas fingiu suspeitar de que fossem espiões. Finalmente liberou-os para a partida, mantendo apenas Simão cativo, dizendo-lhes que trouxessem Benjamim como prova de que eram honestos. Jacó, inicialmente, não permite, mas depois concorda que Benjamim acompanhe os irmãos de volta ao Egito. São bem recebidos por José que esconde sua taça de prata na bagagem de Benjamim, simulando um furto. O irmão mais novo é ameaçado de prisão mas os irmãos mostram-se solidários e Judá se oferece para ficar no Egito em lugar de Benjamim. Certo do arrependimento de seus irmãos, José se revela, perdoa a todos e os convida para irem com seus rebanhos ao Egito, onde são assentados e se multiplicam na região mais propícia à criação de ovelhas e cabras. Antes de morrer, Jacó chamou a José e seus filhos e os abençoou. José, o filho predileto de Jacó, praticamente ressuscitado e elevado a um glorioso posto, ainda havia salvo toda a sua família de uma fome calamitosa. Jacó refletiu sobre a maneira como Deus encaminhara as circunstâncias da sua vida e lembrou-se da ocasião em que Deus lhe apareceu novamente, prometendo que faria dele uma multidão de povos e daria a terra de Canaã à sua descendência em possessão perpétua. O plano de Deus permitiu a Jacó não só ver seu filho outra vez, mas também seus netos. Nesta ocasião Jacó adotou como seus filhos diretos os dois filhos de José, que passaram a ter os mesmos direitos que seus próprios filhos. Trazendo seus filhos a Jacó, aquele sobre quem ele colocasse sua mão direita receberia a benção principal. Como profeta de Deus, Jacó sabia que o mais novo, Efraim, teria preeminência sobre seu irmão mais velho: outra vez não seria exercido o direito à primogenitura. Sem saber disso, José colocara Manassés do lado direito de Jacó. Mesmo sem poder ver, pois já havia perdido a visão em sua velhice, Jacó percebeu quem era quem e simplesmente cruzou seus braços para que sua mão direita repousasse sobre Efraim. Jacó faleceu no Egito onde foi mumificado e transportado por José e seus outros filhos para sepultamento em Hebron, com os dois outros patriarcas. Depois de haver sepultado seu pai, José retornou ao Egito com os seus irmãos e todos os que o haviam acompanhado a Canaã e habitou no Egito, junto com a casa de seu pai, tendo conhecido os filhos de seus filhos até a terceira geração. Ao morrer garantiu a seus irmãos a vinda de Deus para conduzi-los à terra que prometeu a Abrahão, Isaque e Jacó; e os fez prometer que o transportariam ao túmulo de seu pai.
Nessa época, vários conflitos civis ocorreram no Egito, terminando com a vitória de Taá II e é muito provável que José tenha morrido em um desses movimentos. No Egito foi embalsamado e colocado em um caixão para ser transportado a Canaã com sua família.
Nesse ponto encerra-se o livro da Gênesis do Antigo Testamento da Bíblia, e inicia-se o Êxodo. A Bíblia omite, em sua narrativa, um longo período após a morte de José e inicia, novamente, num período em que o Faraó reinando no Egito era já outro que não conhecera José. Naquela época a nação israelita havia proliferado enormemente e os mandatários egípcios, temerosos do grande aumento de sua população e do seu poder, haviam-na subjugado à escravidão completa. Malgrado todas as medidas tomadas, a população do povo de Israel crescia em enormes proporções e o Faraó teria então ordenado que todo o menino nascido dos judeus, fosse lançado ao rio para morrer afogado. E surge então a figura de Moisés, filho de um membro da tribo de Levi e sua esposa, que o tendo concebido, para salvar-lhe a vida colocou-o em um cesto nas margens do Nilo. O menino teria sido encontrado pela filha do Faraó que compadeceu-se do menino ao saber que era filho de hebreu e adotou-o, dando-lhe o nome de Moisés. Este cresceu entre os egípcios mas tornando-se adulto e entrando em contato com o povo Hebreu soube de sua origem e iniciou a defesa do seu povo, passando a ser perseguido pelo Faraó; juntou-se novamente a seu povo pelo casamento com uma israelita, filha de pastores.

Em Êxodo, a Bíblia narra como Moisés e seu irmão mais velho Arão (posteriormente sumo sacerdote dos hebreus), lideraram os hebreus das 12 tribos em sua fuga do Egito. Durante a narrativa, as tribos são contadas, e seus líderes e representantes são nomeados, demonstrando um forte senso de individualidade entre as tribos e as meio-tribos de José. À tribo de Levi são designadas as tarefas sacerdotais e os direitos e deveres diferenciados que estas tarefas implicavam. As demais mantiveram-se com os mesmos direitos e obrigações, embora, através do número de membros, algumas tribos já pudessem gozar de alguma superioridade política.
Moisés liderou as 12 tribos pelo deserto da Península do Sinai sem penetrar em Canaã; seu sucessor Josué recebeu a tarefa de coordenar a tomada de Canaã. Para que ocorresse de forma ordenada, a terra de Canaã foi dividida entre cada uma das tribos e meias-tribos, que se encarregaram de conquistá-las, na maior parte dos casos sem o auxílio das demais. Uma das tribos, a de Levi, não recebeu uma porção territorial fixa, mas sim algumas cidades distribuídas por toda a Palestina.

OS HEBREUS
Hebreus significa, etimologicamente, "descendentes do patriarca bíblico Éber", sendo o nome dado ao povo que viveu na região do Oriente Médio a partir do segundo milênio AC, e que daria origem aos povos semitas, como os árabes e os israelitas, antepassados históricos e espirituais dos atuais judeus. Éber, ou Heber, é um dos descendentes de Noé, da linhagem de Sem, e ancestral de Abrahão. Eber, também pode ser interpretado como “do Outro Lado ou do Oriente - além do Rio Jordão -, importante rio da Terra Santa. Entretanto, também etimologicamente, e aí o termo pode vir do de Éber ou da raíz “a-vár”, o termo hebreu significa “passar, transitar, atravessar ou cruzar” e, nesse caso, denotaria “viandantes”, ou seja, aqueles que viajam, tendo em vista que eram descendentes de povos nômades.
Podemos dizer que a história dos hebreus foi dividida em três grandes etapas: governo dos patriarcas, governo dos juízes e governo dos reis.
Na era dos patriarcas os hebreus foram dirigidos pelos patriarcas, líderes políticos encarados como “pais” da comunidade. Como vimos, o primeiro grande patriarca foi Abrahão, segundo o antigo testamento, mesopotâmico, originário de Ur, na Caldéia. Após a saída de Ur, na Mesopotâmia, conduzidos por Abrahão, em direção à Palestina (estreita faixa de terra entre a Fenícia, atual Líbano, e o Egito), os hebreus dividiram-se em tribos, formadas por clãs patriarcais que cultuavam a um único Deus (monoteismo), acreditando ser o povo eleito, de onde Deus escolheria determinados membros do grupo para que estes fizessem com que os planos divinos fossem cumpridos. Os clãs eram construídos por um patriarca e pelos filhos e servos; praticavam uma economia baseada no pastoreio, que evoluiu para a agricultura graças à fertilidade das terras do norte e das zonas montanhosas do sul da Palestina. Os hebreus permaneceram por três séculos na Palestina, até a ocorrência de uma violenta seca que abalou a região.
De Abrahão a liderança foi passada a seu filho Isaque e depois para Jacó, filho de Isaque. Seu nome foi posteriormente alterado para Israel, de onde tiveram origem as doze tribos de Israel.
Quando os hebreus chegaram à Palestina, vindos do Egito, por volta de 1550 AC, conduzidos por Moisés, a região encontrava-se já ocupada. De início, fixaram-se nas regiões localizadas a oeste do mar Morto, mas pouco a pouco ocuparam as margens do Mediterrâneo e as terras do norte da Palestina. Nessa época, todos os hebreus eram julgados pelo Patriarca.
Posteriormente, com o envolvimento do povo judeu em suas guerras pela conquista de Canaã, surgiram os líderes militares, indicados pelas doze tribos de Israel. Que julgavam tudo e todos. Foi o governo ou era dos Juízes, período que se estendeu por cerca de 300 anos, entre a conquista de Canaã (Palestina) e o início da Monarquia. Entre esses chefes, tornaram-se famosos Gideão, Jefté, Samuel e Sansão, conhecido por sua força descomunal.
No século XII AC, os chamados povos do mar, entre eles os filisteus, ocuparam as planícies litorâneas. As constantes lutas entre os dois povos terminaram com a vitória dos hebreus. Os filisteus sempre representaram e nessa época ainda representavam grande ameaça aos hebreus, visto que lutavam pelo completo controle do território da Palestina. No século X AC, a Palestina aproveitou o enfraquecimento dos grandes impérios vizinhos para expandir o seu território. Isso fez com que os hebreus instituíssem a monarquia, como forma de centralização de poder e proporcionar mais força para enfrentar os adversários. O primeiro rei hebreu foi Saul, da tribo de Benjamim, que não teve sucesso ao enfrentar os filisteus e suicidou-se em batalha, com seu escudeiro, ao perceber que não conseguiria derrotar os seus adversários. Seu sucessor Davi, de história bem conhecida, no século XI AC, mostrou grande eficiência nos combates militares, conseguindo vencer os seus inimigos, tornando a nação hebraica forte e estabilizada e expandindo os domínios do seu reino que tinha Jerusalém como capital. Seu filho Salomão o sucedeu em 966 AC, quando ainda muito jovem, ficando conhecido na história pela imensa fortuna e sabedoria que acumulou. Ampliou a participação de Israel no comércio e construiu inúmeras obras públicas – como o famoso Templo de Jerusalém, dedicado a Jeová (Javé).
Com a morte de Salomão, o reino dividiu-se em dois: o Reino de Israel e o Reino de Judá, com as capitais, respectivemente em Samaria e Jerusalém. Com isso o reino original tornou-se vulnerável, sendo invadido pela Babilônia, com Nabucodonosor, em 587 AC e levado a cativeiro que durou até 539 AC, quando foram libertados pelo imperador persa Ciro, o Grande, que apoderou-se da Babilônia, e retornaram à Palestina para a reconstrução do Templo, da cidade e de suas muralhas.
Depois da conquista do Império Persa pelo macedônio Alexandre o Grande, a Palestina foi conquistada pelos greco-macedônios, ficando submetida à influência helenística. Finalmente foram conquistados pelos romanos. Em 70 DC Tito, general romano, destruiu Jerusalém e os hebreus abandonaram a Palestina, constituindo a chamada Diáspora.
Somente em 1948 foi fundado novamente o Estado de Israel, que permanece até hoje em meio a incessantes conflitos com as nações árabes vizinhas.