Homenagem ao lendário herói ancestral dos ingleses que deu título a um dos considerados "Cem Maiores Livros do Mundo" e tido como o mais antigo escrito em "Old English".

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sexta-feira, 31 de julho de 2015

HISTÓRIA DO POVO HEBREU APÓS A CONQUISTA DE JUDÁ PELA BABILÔNIA (PARTE 3 - FINAL)

IV.1 - FACÇÕES EXISTENTES À ÉPOCA

Este me parece o momento adequado para introduzir as facções surgidas em Israel, muito importantes para o bom entendimento dos desdobramentos consequentes, principalmente antes, durante e pouco após a época de Cristo.
Os essênios eram descendentes de Zadok, o sacerdote ao tempo de Davi, que se mantiveram fora do poder durante os períodos Hasmoneano e Romano. Consideravam o Templo impuro, se mudaram num exílio auto imposto para uma comunidade monástica em Qumran, no rio Jordão, e esperaram por uma batalha do fim dos tempos em que eles, como “filhos da luz”, seriam conduzidos pelo alto sacerdote e o “Mestre da Retidão” contra os filhos das trevas. Como isso aconteceu no rio Jordão, sua figura central era a reconquista de Canaã. Os essênios eram ascetas e formavam uma comunidade hierarquicamente organizada, uma seita apocalíptica fundamental. São conhecidos hoje pelos Manuscritos do Mar Morto, que contêm alguns dos seus escritos, mas a maioria são cópias dos trabalhos da Bíblia Hebreia. Os manuscritos foram descobertos no deserto da Judeia, próximo ao rio Jordão, em 1942.
É difícil dizer quando os fariseus, como uma facção, surgiram. Josephus os menciona pela primeira vez em conexão com Jônatas, o sucessor de Judas Macabeu. Um dos fatores que distinguia os fariseus de outros grupos, antes da destruição definitiva do Templo, era a sua crença de que todos os judeus tinham de observar as leis da pureza (aplicadas ao serviço do templo) fora do templo. A maior diferença, contudo, era a permanente aderência dos fariseus às leis e tradições do povo judeu com relação à assimilação. Formavam um movimento de reforma laica (não sacerdotal) e eram os guardadores do Tora oral, isto é, as interpretações orais do Tora, que eles criam foram dadas a Moisés no Monte Sinai e que ajudaram o povo a manter os mandamentos com menos possibilidade de transgressão. Transferiram muitos aspectos da pureza do Templo à esfera doméstica e enfatizaram os rituais domésticos e os serviços de sinagoga que poderiam ser feitos fora do Templo, em Jerusalém. Como Josephus observou, os fariseus eram considerados os mais versados e precisos expositores da lei judaica.
Os saduceus eram os líderes sacerdotais no poder durante a dinastia Hasmoneana, que se encontravam também em termos cordiais com Roma, quando ela dominou. Eram conservativos na crença: a autoridade era o Tora, sem interpretação oral, profetas nem escritos. Não acreditavam em ressurreição pessoal.
Durante o período hasmoneano, os saduceus e os fariseus funcionaram, primariamente, como facções políticas. Embora os fariseus tenham se oposto às guerras de expansão dos hasmoneanos e à forçada conversão dos idumeus, o racha político entre eles se tornou maior quando os fariseus exigiram que o rei Alexander Janeu escolhesse entre ser rei e ser o Alto Sacerdote. Como resposta, o rei alinhou-se abertamente com os saduceus, adotando os seus ritos no templo. Tais ações causaram um motim no templo, conduzindo a uma breve guerra civil que terminou com uma sangrenta repressão aos fariseus, embora em seu leito de morte o rei tenha pedido uma reconciliação entre as partes. Sua viúva e sucessora, Salomé Alexandra, tinha um irmão que era líder fariseu. Josephus atesta que Alexandra era favoravelmente inclinada aos fariseus, cuja influência cresceu muito durante o seu reino, especialmente na instituição denominada “Sinédrio” (uma espécie de assembleia ou conselho, famosa no tempo de Cristo). Seu filho mais velho, que a sucedeu, buscou o apoio fariseu e seu filho mais novo, Aristobulus, procurou o apoio saduceu. Como vimos, este conflito culminou numa guerra civil que terminou quando o general romano Pompeu capturou Jerusalém, em 63 AC, inaugurando o período romano da história judia.
Todas as facções mencionadas perduraram por todo o período romano, até a guerra dos Judeus, que culminou com a destruição do Templo de Jerusalém e a difusão dos judeus por todo o mundo.

V – PALESTINA ROMANA E FIM DOS HASMONEANOS

Retornamos ao assunto principal, no ponto em que os dois irmãos Hircano II e Aristobulus II disputavam o poder de Israel.
Pois ao tempo em que a guerra civil pelo poder se desenvolvia, o general romano Marcus Aemilius Scaurus chegou à Síria para tomar posse, em nome do Cônsul Gnaeus Pompeius Magnus (Pompeu), do reino dos selêucidas. Os dois irmãos apelaram a ele, com presentes para seduzi-lo. Inicialmente, Scaurus inclinou-se para Aristobulus, mas quando Pompeu chegou à Síria, as coisas mudaram, pois ele pretendia ter a Judeia sob o mando romano. E chegou à conclusão que para isso, seria muito mais fácil se Hircano estivesse no poder ao invés de Aristobulus. Este adivinhou as intenções de Pompeu e reuniu seus exércitos, mas foi derrotado por ele várias vezes, tendo suas cidades capturadas. Aristobulus entrincheirou-se na fortaleza de Alexandrium (entre Scythopolis e Jerusalém), mas concluindo sobre a impossibilidade de vencer, rendeu-se à primeira convocação dos romanos, comprometendo-se a entregar-lhes Jerusalém. Como os cidadãos relutavam em entregar a cidade, Pompeu teve que sitiá-la e finalmente penetrou na Cidade Santa em 63 AC. Com isso a Judeia tornou-se um protetorado de Roma, devendo-lhe impostos, sob a administração de um governador romano da Síria, mas com direito a manter um rei.
De 57 a 55 AC, Aulus Gabinius, proconsul da Síria, dividiu o reino hasmoneano anterior em Galileia (ao norte), Samaria (no centro) e Judeia (ao sul), com cinco distritos com conselhos legais e religiosos (os Sinédrios): Jerusalém, Gadara (na Jordânia, onde se encontram os limites com Síria e Israel), Amathus (sem localização), Jericó e Sepphoris (região central da Galileia, 3,7 km de Nazaré).
Com a vitória de Pompeu, Aristobulus foi levado para Roma como prisioneiro e Hircano novamente indicado Alto Sacerdote, mas com autoridade política. Entretanto, em 50 AC, Júlio Cesar, sucedendo a Pompeu, demonstrou interesse em usar Aristobulus e sua família como clientes para tomar o controle da Judeia de Hircano e Antipater, devedores de Pompeu, fazendo com que partidários de Pompeu envenenassem Aristobulus em Roma. 

No início da guerra civil entre Pompeu e Júlio Cesar, Hircano e Antipater preparavam-se para apoiar Pompeu, mas com o seu assassinato e a queda da República Romana para o Império Romano, conduziram as forças judias para apoiar Cesar, em dificuldades na Alexandria. Sua ajuda na hora certa, somada à sua influência junto aos judeus egípcios, recomendaram ambos a Cesar que os garantiu como extensão de sua autoridade na Palestina. A Judeia foi liberada dos tributos e taxas devidos a Roma e ganhou independência para administração interna.
A restauração de Hircano como etnarca (e alto sacerdote) em 47 AC, coincidiu com a indicação de Antipater como primeiro Procurador Romano da Judeia, permitindo-lhe promover os interesses de sua própria casa, colocando seus filhos Phasael, como governador de Jerusalém, e Herodes, como governador da Galileia. Com isso a tensão entre Hircano e a família de Antipater cresceu, culminando com o julgamento de Herodes por supostos abusos em seu governo e sua fuga para o exílio em 46 AC. Mas Hircano era tão incapaz e fraco que Herodes retornou em seguida e, quando defendeu-o contra o Sinédrio, frente a Marco Antônio, este retirou sua autoridade política nominal e seu título, entregando-as ao acusado Herodes, em 43 AC.
Herodes, o Grande, governador da Galileia e, posteriormente,
"Rei dos Judeus" pelo Senado Romano, em 40 AC 
Cesar foi assassinado em 44 AC e a confusão e intranquilidade se espalharam por todo o mundo romano, incluindo a Judeia. Antipater, o idumeu, foi assassinado por um rival em 43 AC, mas os filhos de Antipater assassinaram o rival, mantendo o controle sobre a Judeia e o fantoche de seu pai, Hircano.
Após o assassinato de Júlio Cesar, Quintus Labienus, um general romano republicano e embaixador junto aos Parta, alinhou-se com Brutus e Cassius (assassinos de Cesar) na guerra civil dos “Libertadores”. Com a sua derrota, Labienus uniu-se aos Partas, ajudando-os na invasão dos territórios romanos, em 40 AC. O exército parta atravessou o Eufrates e Labienus conseguiu a adesão das guarnições romanas de Marco Antônio em torno da Síria à sua causa. Os partas dividiram seu exército e, sob Pacorus, conquistaram o Levante da costa Fenícia até a terra de Israel.
Antigonus II Matatias, filho de Aristobulus II, instigou os partas a invadirem a Síria e a Palestina e os judeus apoiaram a descendência dos Macabeus, expulsando os odiados idumeus e seu fantoche rei judeu. A luta entre o povo e os romanos foi deflagrada e Antigonus, colocado no trono pelos partas, imaginou que uma nova era de independência havia chegado.
Phasael e Hircano II partiram em embaixada aos partas e foram presos por eles. Antigonus, presente ao evento, cortou as orelhas de Hircano II para impedi-lo de voltar a ser Alto Sacerdote e condenou Phasael à morte. Antigonus acumulou os cargos de rei e alto sacerdote por apenas três anos, porque não havia capturado Herodes, o mais perigoso dos seus inimigos. Herodes fugiu em exílio buscando o apoio de Marco Antônio e foi declarado “Rei dos Judeus” pelo Senado Romano, em 40 AC.
O conflito persistiu por alguns anos pois as forças romanas se ocupavam em derrotar os partas, faltando recursos para o apoio a Herodes. Finalmente, derrotando os partas, em 37 AC, Antigonus foi entregue a Marco Antônio e executado em seguida. Os romanos confirmaram a proclamação de Herodes, o Grande, como Rei dos Judeus, trazendo o fim da Dinastia Hasmoneana sobre a Judeia, 
mas não dos hasmoneanos, cujo destino foi ainda mais cruel.
O reino hasmoneano havia sobrevivido 103 anos antes de chegar à Dinastia Herodiana. Herodes, o Grande, casou com uma princesa hasmoneana, Mariane, tentando amenizar a situação. Aristobulus III, neto de Aristobulus II, por seu filho mais velho Alexander, foi feito alto sacerdote por muito pouco tempo e então executado em 36 AC, por ciúmes de Herodes. Sua irmã Mariane, esposa de Herodes, caiu também vítima dos seus ciúmes. Seus filhos, Aristobulus IV e Alexander, foram também executados por seu pai, Herodes, quando adultos.
Hircano II fora mantido pelos partas desde 40 AC e até 36 AC viveu entre os judeus babilônios que lhe prestavam todo o respeito. Naquele ano, Herodes, que ainda temia que ele pudesse reivindicar o trono, convidou-o a retornar a Jerusalém. Em vão os judeus babilônios o avisaram para não ir. Herodes recebeu-o com todo o respeito, deu-lhe o assento de honra em sua mesa e a presidência do conselho de estado, esperando por uma boa oportunidade para livrar-se dele. Em 30 AC, acusado de conspiração com o rei da Arábia, Hircano II, o último hasmoneano restante, foi condenado e executado. Como se vê, sua sede de matar não era pequena, sendo importante lembrar que esse Herodes, o Grande, é o mesmo Herodes da época do nascimento de Cristo que, segundo o Evangelho de Mateus, mandou matar todas os meninos com menos de um ano de idade, nascidos em Belém, com medo de perder o trono para o recém-nascido “Rei dos Judeus”, que lhe fora revelado pelos Três Reis Magos.



                                                                 VI - EPÍLOGO


Herodes Antipas, governador da Galileia na era de Cristo
 Com a morte de Herodes, o Grande, em 4 AC, o imperador romano de então, Augustus, respeitou seu testamento, dividindo seu reino entre seus três filhos. Arquelaus recebeu o título de “etnarca” e foi indicado para governar as três regiões geográficas de Samaria, Judeia e Idumeia. Ele foi deposto e exilado em 6 DC, quando Roma juntou essas regiões na província romana da Judeia. Herodes Antipas, designado “tetrarca” (governador de um quarto), recebeu a Pereia e a Galileia (até 39 DC), onde Jesus viveu o seu ministério de adulto. Felipe recebeu partes mais remotas do reino, que nada interessam ao nosso contexto.
Mas além dos governadores, o poder nas diferentes regiões da Palestina era dividido por mais duas figuras, ao final dos anos 20 DC e início dos anos 30. Pôncio Pilates, romano, com a queda de Arquelaus, era o prefeito romano da grande Judeia (onde ficava Jerusalém). Por isso foi o responsável pelo julgamento de Cristo. José Caifás, também figura importante ao tempo de Cristo, era o grande sacerdote em Jerusalém, lembrando que a Samaria (pertencente à grande Judéia) não era judia ao tempo.
Em 44 DC, Roma instalou o mando de um Procurador Romano, paralelo aos reis herodianos que seguiram, Herodes Agripa I (41 a 44 DC) e Agripa II (50 a 100 DC)
A queda do Reino Hasmoneano marcou o fim de um século de governo judeu independente, mas o nacionalismo judeu e seu desejo por independência prosseguiram sob o domínio romano. Iniciaram com o “Censo de Quirinius”, em 6 DC (ao qual o Evangelho de Lucas relaciona o nascimento de Cristo), e conduziram a uma série de guerras judia – romanas, nos séculos I e II DC, incluindo a “Grande Revolta” (66 a 73 DC), a “Guerra de Kitos” (115 a 117 DC) e a “Revolta de Bar Kokhba” (132 a 135 DC).
Durante tais guerras, comunidades temporárias foram estabelecidas, mas que acabavam por cair ao poder sustentado de Roma. As legiões romanas de Vespasiano e Titus sitiaram Jerusalém, saquearam e incendiaram o Templo de Herodes (no ano 70 DC) e fortalezas judias, como Gamla (63 DC) e Massada (73 DC), escravizando e massacrando grande parte da população judia. A derrota das revoltas judias contra o Império Romano, contribuíram notavelmente para os números e a geografia da “Diáspora Judia”, a dispersão dos judeus que perderam seu estado ou foram vendidos como escravos por todo o império romano. Mas isso já é um outro grande assunto ...

segunda-feira, 27 de julho de 2015

HISTÓRIA DO POVO HEBREU APÓS A CONQUISTA DE JUDÁ PELA BABILÔNIA (PARTE 2)

Matatias, o Hasmoneano,
iniciador da revolta dos Macabeus
As tentativas de Antíoco IV de proscrever a religião judia, conduziram a um conflito entre um grupo judeu rebelde, conhecido como Macabeus, e o Império Selêucida, que durou de 167 a 160 AC e que ficou conhecido como a “Revolta dos Macabeus”. Segundo “Macabeus I, Antigo Testamento”, um sacerdote judeu, chamado Matatias, o Hasmoneano, inflamou a revolta pela recusa em adorar deuses gregos, matando um judeu helenístico que avançou para sacrificar a um ídolo, em seu lugar, e fugindo, em seguida, para o deserto de Judá, com seus cinco filhos. Após a morte de Matatias, um ano depois, em 166 AC, seu filho Judas Macabeu conduziu um exército de judeus dissidentes à vitória sobre a dinastia Selêucida, em ações de guerrilha, inicialmente contra judeus helenizados. Os Macabeus destruíram altares pagãos, circuncisaram meninos e obrigaram os judeus a se oporem à lei. O termo “Macabeus”, usado para descrever o exército judeu, foi tomado da palavra hebraica para “martelo”.
Após as vitórias iniciais, os Macabeus entraram triunfalmente em Jerusalém, limparam o Templo, restabeleceram a tradicional adoração judia e instalaram Jônatas Macabeu, irmão de Judas Macabeu, como alto sacerdote. A nova consagração do Templo, quando retomado pelos Macabeus de Judá, após sua vitória, é a base da celebração do Hanuka no Judaísmo. Após cinco anos de guerra, em 161 AC, Judas buscou uma aliança com a República Romana, para remover os gregos. 
Jônatas Macabeu, irmão de Judas,
continuador da revolta dos Macabeus
Um grande exército selêucida foi enviado para esmagar a revolta, mas retornou à Síria com a morte de Antíoco IV. Seu comandante Lysias, preocupado com problemas internos, concordou com um compromisso político que restaurava a liberdade religiosa. Antíoco IV foi substituído por Demetrius I Soter, o sobrinho cujo trono ele havia usurpado. Demetrius enviou para Israel o general Bachides, com um poderoso exército, a fim de instalar Alcimus no posto de Alto Sacerdote. Bachides subjugou Jerusalém, matou Judas Macabeu e estabeleceu os helenos como governantes de Israel. Com isso, os patriotas perseguidos, sob a liderança de Jônatas Macabeu, fugiram, estabelecendo acampamento a leste do rio Jordão e permanecendo em guerrilha contra os selêucidas.
Após a morte de seu governador fantoche, Alcimus, alto sacerdote de Jerusalém, Bachides sentiu-se seguro para deixar o país. Mas as guerrilhas de Jônatas o chamaram de volta e depois de sitiado vários dias por Bachides, ele ofereceu um tratado de paz e troca de prisioneiros de guerra. Bachides rapidamente assentiu e afirmou nunca mais fazer guerra contra Jônatas, abandonando Israel com suas forças. Jônatas fixou residência na velha cidade de Michmash e de lá empenhou-se em limpar Jerusalém. 
Attalus II Philadelphus, rei
de Pergamo, relevo em pedra 
As relações de Demetrius I Soter com Attalus II Philadelphus, do Pergamo (1), (que reinou entre 159 e 138 AC neste reino importante do período helenístico), Ptolomeu VI do Egito (reinou entre 163 e 145 AC) e sua irmã e rainha conjunta Cleópatra II, estavam se deteriorando e eles apoiaram um reclamante rival ao trono selêucida, Alexandre Balas, que pretendia ser filho de Antíoco IV Epifânio e primo de Demetrius. Este foi obrigado a chamar de volta as guarnições da Judeia, exceto as das cidades do Acra e Beth-zur, para reforçar seu poderio. Além disso, ele fez uma proposta pela lealdade de Jônatas, permitindo-lhe recrutar um exército e recuperar os reféns mantidos na cidade de Acre. Jônatas aceitou tais termos, estabeleceu residência em Jerusalém e iniciou a fortificação da cidade. Alexander Balas ofereceu a Jônatas termos ainda mais favoráveis, que incluíam o posto de Alto Sacerdote em Jerusalém; apesar de uma segunda carta de Demetrius que fazia promessas quase impossíveis de honrar, Jônatas declarou seu apoio a Balas, tornando-se líder oficial do seu povo e já oficiando a Festa dos Tabernáculos de 153 AC com as vestes do Alto Sacerdote. Com isso, o partido helenístico já não poderia ataca-lo sem severas consequências.
Em 150 AC, Demetrius perdia seu trono e sua vida. Ao vitorioso Alexander Balas foi dada a honra adicional de casar com Cleopatra Thea, filha de seus aliados Ptolomeu VI e Cleopatra II. Convidado para a cerimônia, Jônatas compareceu com presentes para os reis e sentou-se entre eles como seu igual. Foi declarado por Balas uma espécie de governador militar e governador civil da Província, e enviado de volta  para Jerusalém, com honras.
Em 147 AC, Demetrius II Nicator, filho de Demetrius I Soter, reivindicou o trono de Balas. O governador de Coele Syria (termo helenístico para uma região da Síria), Apolônio Taos, aproveitou para desafiar Jônatas para uma batalha. Jônatas e Simeão conduziram uma força de 10.000 homens contra o exército de Apolônio, em Jafa, que não estava preparado para o rápido ataque e abriu os portões para render-se aos judeus, mas recebendo reforços de Azotus, apareceu na planície com 3.000 homens, incluindo forças de cavalaria superiores. Jônatas atacou, capturou e queimou Azotus, com o templo residente de Dagon, e as vilas da vizinhança.
Alexander Balas honrou o Alto Sacerdote vitorioso, dando-lhe a cidade de Ekron com seu território circunjacente. O povo de Azotus queixou-se ao rei Ptolomeu VI, que tinha vindo para lutar com seu genro, mas Jônatas encontrou-o em Jaffa, em paz, e acompanhou-o até o rio Eleuterus, retornando a Jerusalém e mantendo a paz com o rei do Egito, a despeito do seu apoio a diferentes rivais ao trono Selêucida.
Em 145 AC, a Batalha de Antióquia (capital do Império Selêucida, fundada por Seleucos I Nicator em finais do século IV AC) resultou na derrota final de Alexander Balas pelas forças de seu sogro Ptolomeu VI, que foi uma das baixas da batalha. Demetrius II Nicator ficou como único mandatário do Império Selêucida, tornando-se o segundo marido de Cleópatra.
Jônatas não se submeteu ao novo rei e aproveitou a oportunidade para sitiar a fortaleza selêucida de Acra, em Jerusalém, símbolo do controle selêucida sobre a Judeia. Ela era fortemente guarnecida por uma força selêucida e oferecia asilo a judeus helenistas. Jônatas foi chamado a conversar com Demetrius e foi acompanhado dos anciãos e sacerdotes com muitos presentes. Por 300 talentos (medida de peso em metal precioso) Jônatas consegui a isenção do pagamento de impostos, por escrito, para todo o país. Em troca, Jônatas levantou o cerco de Acra, deixando-a em mãos selêucidas.
Logo em seguida, um novo reclamante ao trono selêucida surgiu na figura de Antíoco VI Dionysus, filho de Alexandre Balas e Cleopatra Thea. Tinha apenas três anos de idade mas o general Diodotus Tryphon o usou para avançar nos seus projetos ao trono. Demetrius então chamou Jônatas, como seu aliado, prometendo a retirada da guarnição de Acra. Jônatas deu-lhe a proteção de 3.000 homens em sua capital, Antióquia, contra seus próprios súditos.
Demetrius não cumpriu sua promessa para com Jônatas que resolveu então apoiar o novo rei quando Diodotus Tryphon e Antíoco VI capturaram a cidade, especialmente quando o último confirmou seus direitos e indicou seu irmão Simão como strategos (líder militar) da Paralia (província costeira da Palestina à época), desde a “Escada do Tiro” (penhasco ao sul do Tiro) até a fronteira com o Egito.
Jônatas e Simão tinham agora poder para realizar conquistas e foi o que fizeram: Ashkelon (sul de Israel), Gaza (mais ao sul),a planície de Hazar (ao norte de Israel) e a fortaleza de Beth-Zur (próximo de Jerusalém). Como Judá nos primeiros anos, Jônatas buscou alianças com outros povos. Renovou seus tratados com os romanos e trocou mensagens amistosas com Partia e outras potências.
Diodotus Tryphon foi com um exército à Judeia e convidou Jônatas a Scythopolis (nome grego da cidade de Beit She’an, às margens do Jordão, a jusante do Mar da Galileia) para uma conferência amistosa onde ele o persuadiu a dispensar seu exército de 40.000 homens, prometendo-lhe Acra e outras fortalezas. Jônatas caiu na armadilha, levou com ele 1.000 homens a Acra, onde foram todos mortos e ele aprisionado.
Quando Diodotus Tryphon entrava em Judeia, foi confrontado pelo novo líder judeu, Simão, pronto para a batalha. Pretendendo evitar a batalha, Tryphon exigiu 100 talentos e os dois filhos de Jônatas como reféns, para libertar Jônatas. Para não ser acusado da morte de seu irmão, Simão concordou com as exigências. Tryphon executou Jônatas para que ele não fosse empecilho às suas conquistas e nada se sabe sobre seus dois filhos. Jônatas foi enterrado por Simão em Modin (a moderna Modin a 30 km a oeste de Jerusalém). Uma de suas filhas foi uma ancestral de Flavius Josephus.
Simão assumiu a liderança em 142 AC, recebendo os cargos de Alto Sacerdote e Príncipe de Israel. A liderança dos Hasmoneanos foi estabelecida por uma resolução adotada em 131 AC, numa grande assembleia dos sacerdotes, anciãos e povo da terra, para que Simão fosse o seu líder e Alto Sacerdote para sempre, até que surgisse um “profeta confiável”. Ironicamente, a eleição foi realizada no estilo helenístico. 
Simão Macabeu, fundador da
Dinastia Hasmoneana
Simão fez o povo judeu semi-independente dos gregos selêucidas e reinou de 142 a 135 AC, inaugurando a Dinastia Hasmoniana, com a concordância do Senado Romano, em 139 AC. Simão foi assassinado (junto com seus filhos mais velhos, Matatias e Judá) pela instigação de seu genro Ptolomeu, filho de Abubus (ou Abobus ou Abobi), que havia sido nomeado governador da região pelos selêucidas.

IV – A DINASTIA HASMONEANA

A Dinastia Hasmoneana foi a dinastia governante de Judá e regiões vizinhas, de 140 a 116 AC, reinando quase autonomamente dos selêucidas. A dinastia foi estabelecida sob a liderança de Simão Macabeu, duas décadas depois que seu irmão Judas Macabeu derrotou o exército selêucida durante a Revolta dos Macabeus. Essa revolta iniciou um período de 25 anos de independência judia, potencializado pelo permanente colapso do Império Selêucida sob ataques das potências nascentes da República Romana e do Império Parta. Contudo, o mesmo vácuo de poder que permitiu ao Estado Judeu ser reconhecido pelo Senado Romano em 139 AC, propiciou a sua exploração pelos próprios romanos.
Em 135 AC, João Hircano, o terceiro filho de Simão, assumiu a liderança e governou como Alto Sacerdote, tomando um nome de governante grego (de Hyrcania) em aceitação à cultura helenística de seus suseranos selêucidas. No primeiro ano da morte de Simão, o rei selêucida Antíoco VII Sidetes atacou Jerusalém e, de acordo com Flavius Josephus, Hircano abriu o sepulcro do Rei David e removeu 3.000 talentos, que pagou como tributo para que poupassem a cidade. Ele permaneceu como governador, como um vassalo selêucida, como seu pai, reinando pelas duas décadas seguintes, como semiautônomo.
O Império Selêucida se desintegrava em face das guerras Selêucida – Parta e em 129 AC, Antíoco VII Sidetes foi morto por forças de Phraates II da Partia, permanentemente encerrando o mando selêucida a leste do Eufrates. Em 116 AC explodiu uma guerra civil entre os meio irmãos Antíoco VIII Grypus e Antíoco IX Cyzicenus, que resultou numa ruptura adicional do já significantemente reduzido reino, propiciando a revolta dos estados clientes selêucidas, como a Judeia.
Em 110 AC, com o desmoronamento do império selêucida, a dinastia tornou-se totalmente independente e João Hircano conseguiu suas primeiras conquistas militares, levantando um exército mercenário para capturar Madaba (na Jordânia, imediatamente a montante do Mar Morto) e Schechem (Siquém, margem ocidental do Jordão ao norte de Jerusalém, primeira capital do Reino de Israel), aumentando consideravelmente sua influência regional. Em seguida capturou a Transjordânia, Samaria, Galileia e Idumeia (a bíblica Edom) forçando o seu povo a converter-se ao judaísmo, como condição para permanecerem em seu país. Ele queria que sua mulher o sucedesse como chefe do governo e seu filho Aristobulus I permanecesse apenas como Alto Sacerdote. Entretanto, com sua morte, Aristobulus encarcerou sua mãe (deixando-a morrer) e três irmãos, tomando o poder como o primeiro hasmoneano com o título de basileus (termo grego com o mesmo significado de rei ou imperador), afirmando a independência do estado. Morreu apenas um ano depois, em 103 AC.
Seus irmãos foram libertados e um deles, Alexander Janeu, reinou de 103 a 76 AC, morrendo durante o cerco da fortaleza Ragaba. Em 87 AC, de acordo com Josephus, após uma guerra civil de seis anos, envolvendo o rei selêucida Demetrius III Eucaerus, Alexander crucificou 800 rebeldes judeus em Jerusalém.
Alexander foi sucedido por sua esposa Salomé Alexandra, que reinou de 76 a 67 AC, sendo a primeira rainha judia. Em seu reinado, seu filho Hircano II foi o Alto Sacerdote e nomeado seu sucessor. Ele reinava há apenas três anos quando seu irmão mais jovem, Aristobulus II iniciou uma revolução. Hircano II avançou contra ele com exército de mercenários e seus seguidores fariseus (logo falaremos deles), mas Aristobulus possuía um exército mais forte e na batalha que decidiria o reino, próximo de Jericó, a maior parte dos mercenários desertou de Hircano bandeando-se para seu irmão. Hircano refugiou-se na cidadela de Jerusalém, mas a captura do templo, por Aristobulus, obrigou-o a render-se. A paz foi acertada com a renúncia de Hircano ao reino e ao posto de alto sacerdote, mas mantendo as demais dignidades a que fazia jus como irmão do novo rei Aristobulus II, que reinou de 67 a 63 AC.
De 63 a 40 AC, o governo esteve nas mãos de Hircano II como alto sacerdote e etnarca (líder político), embora o poder estivesse nas mãos de seu conselheiro Antipater, o Idumeu, fundador da Dinastia Herodiana e pai de Herodes, o Grande. É importante lembrar que em 63 AC, com a conquista do reino pela República Romana (veremos abaixo, a “Palestina Romana”), dissolvido e estabelecido como Estado Cliente Romano, os governantes, daí para a frente, tornaram-se fantoches de uma guerra entre Júlio César e Pompeu, o Grande. As mortes de Pompeu (em 48 AC), César (em 44 AC) e as guerras civis romanas relacionadas, temporariamente relaxaram a pressão de Roma sobre Israel, permitindo a breve ressurgência de um hasmoneano apoiado pelo Império Parta. Esta curta independência foi rapidamente esmagada pelos romanos sob Marco Antônio e Otávio.

(1) Pergamo foi, inicialmente, uma antiga cidade grega, hoje localizada na moderna Turquia, entre o Mar Egeu (Mediterrâneo grego, a 26 km dele) e o Mar Negro. A partir da dinastia dos Attalus, a cidade expandiu-se para formar o Reino de Pergamo, tornando-se sua capital (281 a 133 AC), durante o período helenístico. Pergamo é citada no Livro das Revelações (Bíblia), como uma das sete igrejas da Ásia.

Na próxima postagem, conclusão da HISTÓRIA DO POVO HEBREU ..., com a terceira e última parte.