Homenagem ao lendário herói ancestral dos ingleses que deu título a um dos considerados "Cem Maiores Livros do Mundo" e tido como o mais antigo escrito em "Old English".

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sábado, 11 de abril de 2015

AS TRÊS PRIMEIRAS GRANDES CIVILIZAÇÕES MUNDIAIS: EGITO (PARTE 04)

III.7 – NOVO REINO (1550 – 1069 AC)


Novo Reino em sua máxima extensão século XV AC 
O Novo Reino do Egito, ao qual também se refere como o Império Egípcio, é o período da história do Egito Antigo entre os séculos XVI (entre 1570 e 1544 AC) e XI AC, que cobriu da 18ª à 20ª Dinastias do Egito. Foi o período mais próspero do Egito e marcou o pico do seu poder e sua máxima extensão territorial. Os faraós do Novo Reino estabeleceram um período de prosperidade sem precedentes, pela segurança de suas fronteiras e pelo estreitamento dos laços diplomáticos com seus vizinhos, incluindo o Império Mitani, Assíria e Canaã. Os faraós do Novo Reino Promoveram a construção em larga escala, em honra ao deus Amun[1] cujo culto crescente era baseado em Karnak[2]. Eles também construíram monumentos para glorificar seus próprios sucessos, reais e imaginários.A última parte deste período, durante a 19ª e 20ª Dinastias (1292-1069 AC), é também conhecida como período Ramessita, devido aos onze faraós que tomaram o nome de Ramsés.
Máscara mortuária de Tutankamon, o jovem
rei que restaurou a antiga religião

A 18ª Dinastia teve alguns dos mais famosos faraós do Egito, incluindo Ahmose I, Hatshepsut, Tutmose III, Amenotep III, Akenaten e Tutankamon. A rainha Hatshepsut, que reinou por quase vinte e dois anos, promoveu a paz e concentrou-se em expandir o comércio externo do Egito, perdido com a ocupação dos hicsos, enviando uma expedição comercial até a distante terra do Punt. Tutmose III (1479-1425 AC) - como seu avô Tutmose I - expandiu o exército egípcio e controlou-o com grande sucesso para consolidar o império de seus predecessores. Foi durante o seu reinado que o termo Faraó, originalmente se referindo ao palácio do rei, tornou-se uma espécie de título para o rei. Quando Tutmose III morreu, em 1425 AC, o Egito tinha um império que se estendia da Niya, no noroeste da Síria, até a quarta cachoeira do Nilo, na Núbia, concretando alianças e abrindo acesso a importações críticas, como bronze e madeira.
A despeito de suas realizações, Amenotep II (também conhecido como Amenófe II), herdeiro do sobrinho (e enteado) de Hatshepsut, Tutmose III, tentou apagar o seu legado durante e próximo ao final do reinado do seu pai, tornando suas muitas das realizações dela. Ele também tentou mudar muitas tradições estabelecidas durante séculos, numa fútil tentativa de evitar que outras mulheres se tornassem faraós e frear sua influência no reino.
Estátua da Rainha Hatshepsut
Cerca de 1350, a estabilidade do Reino Novo pareceu mais ameaçada quando Amenotep IV, um dos mais conhecidos faraós da 18ª Dinastia, subiu ao trono e instituiu uma série de reformas radicais e caóticas. Mudando seu nome para Akenaten (em honra de Aten, um aspecto do deus Ra), ele promoveu a obscura deidade Aten a suprema e praticamente exclusiva deidade, suprimindo a adoração das demais, no primeiro exemplo de monoteísmo da história. Atacou o poder do templo que era dominado pelos sacerdotes de Amun, em Tebas, e mudou a capital para Aketaten, tornando-se surdo aos eventos do Oriente Próximo, onde hititas, mitanis e assírios competiam pelo controle. Após a sua morte, o culto a Aten foi rapidamente abandonado, os sacerdotes de Amun recuperaram seu poder e o poder retornou a Tebas. Sob sua influência, os faraós subsequentes, Tutankamon, Ay e Horemhem, trabalharam para apagar toda a menção à heresia de Akenaten, agora conhecida como Período Amarna. Possivelmente, foi esse fervor religioso de Akenaten pelo deus único Ten, que posteriormente o tornou proscrito da história egípcia. Sob seu reinado a arte egípcia floresceu atingindo um nível inédito de realismo.
Possível localização da Terra de Punt
com rotas terrestres e marítimas
Cerca de 1279 AC, Ramsés II, também conhecido como Ramsés, o Grande, já da 19ª Dinastia, subiu ao trono e construiu mais templos, erigiu mais estátuas e obeliscos e procriou mais crianças que qualquer outro faraó na história. Procurou recuperar territórios no Levante que tinham sido ocupados pela 18ª Dinastia. Um forte líder militar, Ramsés II conduziu seu exército contra os hititas na Batalha de Kadesh e, após lutar um combate sem decisão, finalmente concordou com o primeiro tratado de paz registrado, em 1258 AC. Sem poder vencer os hititas e temeroso da expansão do Médio Império Assírio, o Egito retirou-se muito do Oriente Próximo. Com isso os hititas foram deixados competir, sem sucesso, com os poderosos assírios e os recém chegados frígios.
Seus sucessores imediatos continuaram as campanhas militares, embora uma corte crescentemente conturbada – que em algum ponto colocou no trono um usurpador, Amenmesse –, tornou difícil a um faraó a tarefa de reter o controle sem incidente.
Tutmose III, o faraó militar,
"o Napoleão do Egito"
O último grande faraó do Novo Reino é aceito pela maioria como Ramsés III, um faraó da 20ª Dinastia, que reinou por várias décadas após Ramsés II. No oitavo ano do seu reino, os Povos do Mar (Filisteus entre outros) invadiram o Egito por terra e por mar sendo batidos por Ramsés III em duas grandes batalhas de mar e terra. Ramsés pretendeu tê-los incorporado como súditos estabelecendo-os ao sul de Canaã, embora haja evidência de que eles forçaram seu caminho para Canaã. Sua presença lá pode ter contribuído para a formação de novos estados nessa região, como a Filisteia[3] (Palestina), após o colapso do Império Egípcio.
O alto custo dessas ações de guerra lentamente drenou a riqueza do Egito e contribuiu para o seu gradual declínio na Ásia. A grandeza de suas dificuldades foi tão grande que a primeira greve de trabalho registrada na história ocorreu durante o 19º ano do reinado de Ramsés III, quando não foi possível fornecer as rações para os artesãos e construtores dos túmulos reais na vila de Deir el Medina. Características climáticas incomuns impediram a adequada insolação, prejudicando o crescimento global das árvores por quase duas décadas completas, até 1140 AC, provavelmente pela erupção do vulcão Hekla, na Islândia, cuja data correta permanece em disputa.
Faraó Akenaten (Amenotep IV), fundador da
primeira religião monoteísta 
A morte de Ramsés III foi seguida por anos de disputa entre seus herdeiros, três filhos do qual ascenderam ao trono sucessivamente como Ramsés IV, Ramsés VI e Ramsés VIII. O Egito foi, cada vez mais, perturbado por secas (abaixo do nível normal das cheias do Nilo), fome, agitação civil e corrupção no governo. Além disso, a riqueza do Egito, entretanto, fê-lo um alvo tentador à invasão, particularmente pelos berberes líbios do oeste e os Povos dos Mares, uma poderosa confederação de piratas gregos, luvianos (povo da Anatólia relacionado aos hititas) e fenícios/canaanitas. Inicialmente o exército pode repelir tais invasões, mas o Egito acabou perdendo o controle dos seus territórios ao sul de Canaã, principalmente para os assírios. O poder do último faraó da dinastia, Ramsés XI tornou-se tão fraco, que os altos sacerdotes de Amun, em Tebas, tornaram-se os governantes de fato do Alto Egito; e Smendes, controlando o Baixo Egito, ainda antes da morte de Ramsés XI, acabou fundando a 21ª Dinastia em Tanis, região nordeste do Delta do Nilo, conduzindo o Egito ao Terceiro Período Intermediário.

III.8 – TERCEIRO PERÍODO INTERMEDIÁRIO (1069 – 664 AC)

O Terceiro Período Intermediário do Antigo Egito inicia com a morte do faraó Ramsés XI, em 1070 AC e termina com o início do Último Período, com a fundação da 26ª Dinastia, por Psamtik, em 664 AC. Foi um período de declínio e instabilidade política, marcado pela divisão do Estado e pelo governo de estrangeiros, embora muitos aspectos da vida dos egípcios comuns tenham mudado relativamente pouco.
Com a morte de Ramsés XI, em 1078 AC, Smendes assumiu o poder sobre a região norte do Egito, reinando da cidade de Tanis e constituindo a 21ª Dinastia. O sul e o médio vale estavam efetivamente controlados pelos sacerdotes de Amun, em Tebas, que reconheciam Smendes apenas no nome. Durante este período, tribos berberes, do que mais tarde se chamaria Líbia, se haviam estabelecido no delta ocidental e os chefetes desses colonizadores começaram a aumentar a sua autonomia. Príncipes líbios tomaram controle do delta sob Shoshenq I, em 945 AC, fundando a dinastia Berbere Líbia ou Bubastita – 22ª Dinastia -, que governou por cerca de 200 anos. Soshenq I também ganhou controle do sul do Egito, colocando membros da sua família em posições sacerdotais e reunificando o país. Com isso, o Egito teve estabilidade por mais de 100 anos quando, após o reinado de Osorkon II, o país rachou em dois estados, com Shoshenq III, da 22ª Dinastia, controlando o Baixo Egito por 818 AC, enquanto Takelot II e seu filho Osorkon (o futuro Osorkon III) governavam o Médio e Alto Egito. Em Tebas, uma guerra civil engolfou a cidade entre as forças de Pedubast I, que se havia proclamado Faraó e a linha existente de Takelot II/Osorkon. Essas duas facções disputaram o poder e o conflito só foi resolvido no 39º ano de Shoshenq III quando Osorkon derrotou completamente os seus inimigos, prosseguindo para fundar a Dinastia Egípcia Líbia Superior de Osorkon III – Takelot III – Rudamun; mas esse reino rapidamente fragmentou-se após a morte de Rudamun, com o surgimento de cidades estados locais sob reis como Peftjaubast de Herakleopolis, Nimblot de Hermopolis e Init em Tebas.
O reino núbio ao sul tirou vantagem dessa divisão e instabilidade política. O rei núbio Kashta, da dinastia Kushita (24ª Dinastia), já havia estendido a influência de seu reino sobre Tebas, quando obrigou Shepenupet, sacerdotisa de Amun e irmã de Takelot III, a adotar sua filha Amenirdis como sua sucessora. Então, 20 anos depois, em 732 AC, seu sucessor, Piye, marchou para o norte tomando Tebas e o Delta do Nilo, derrotando a força combinada de vários governantes egípcios nativos: Peftjaubast, Osorkon IV de Tanis, Iuput II de Leontopolis e Tefnakht de Sais. Com isso, Piye armou o cenário para a subsequente Vigésima Quinta Dinastia de faraós, que reuniu as “Duas Terras”, tornando o império do Vale do Nilo tão grande como havia sido no Reino Novo.
Piye estabeleceu a 25ª Dinastia e nomeou os governantes derrotados como seus governadores provinciais. Foi sucedido por seu irmão Shabaka e então por seus dois filhos Shebitku e Taharga. O império do Vale do Nilo reunido, da 25ª Dinastia foi tão grande quanto tinha sido desde o Reino Novo. Os faraós construíram e restauraram templos e monumentos por todo o vale, incluindo Memphis, Karnak, Kawa etc., numa espécie de renascimento do antigo Egito, trazendo de volta à sua glória, a religião, as artes e a arquitetura dos reinos Velho, Médio e Novo. Tal dinastia terminou com seus soberanos se retirando para seu lar espiritual em Napata, onde todos os faraós da 25ª Dinastia estão enterrados sob as primeiras pirâmides construídas desde o Reino Médio no Vale do Nilo. A dinastia de Napata acabou por conduzir ao Reino de Kush, que floresceu lá e em Meroe, pelo menos até o século II DC.
Napata e Meroe, então na
Núbia, hoje Sudão
Piye fez várias tentativas, sem sucesso, para estender a influência egípcia no Oriente Próximo, então controlado pela Assíria. Em 720 AC ele enviou um exército para apoiar uma rebelião contra a Assíria, que acontecia na Filisteia. Contudo, Piye foi derrotado por Sargão II e as rebeliões terminaram. Em 711 AC Piye novamente apoiou uma revolta contra os assírios, pelos israelitas, e foi novamente derrotado.
O prestígio internacional do Egito havia declinado consideravelmente por essa época, com seus aliados internacionais firmemente sob a esfera de influência da Assíria e pelo ano 700 AC restava saber quando seria a guerra entre os dois estados. Os assírios começaram a sua invasão do Egito sob o rei Esarhadon, sucessor de Senaqueribe, assassinado por seus próprios filhos, por ter destruído a revoltosa cidade da Babilônia. Em 674 AC, Taharga derrotou Esarhadon e o exército assírio, totalmente, em solo egípcio. Em 671 AC, Esarhadon expulsou os kushitas do norte do Egito de volta para a Núbia. Contudo, os governantes egípcios nativos instalados por Esarhadon não conseguiram reter o pleno controle de todo o país por muito tempo. Dois anos mais tarde Taharga voltou da Núbia e conseguiu o controle do sul do Egito, até Memphis. Esarhadon preparava-se para retornar ao Egito quando adoeceu e morreu em Nínive. Seu sucessor, Assurbanipal, enviou um general com um pequeno mas bem treinado exército que derrotou Taharga em Memphis e o expulsou novamente do Egito. Dois anos mais tarde Taharga morreu na Núbia. Seu sucessor, Tanutamun, também fez uma tentativa fracassada para recuperar o Egito para a Núbia. Derrotou Necho, o governante fantoche instalado por Assurbanípal, tomando Tebas. Os assírios enviaram então um grande exército para o sul que pôs Tanutamun em debandada de volta para a Núbia. A despeito do tamanho e poder do Egito, a Assíria possuía um suprimento maior de madeira, que lhe proporcionava o carvão necessário para a fundição do ferro de armamentos. Essa disparidade tornou-se crítica durante a invasão assíria do Egito em 670 AC. Em 664 AC os assírios lançaram o golpe mortal, saqueando Tebas e Memphis. O exército assírio saqueou Tebas de forma que ela nunca se recuperou e um governante nativo, Psamtik I, foi posto no trono como um vassalo de Assurbanipal e os núbios nunca mais foram ameaça.

III.9 – ÚLTIMO PERÍODO (664 – 332 AC)

O Último Período do Antigo Egito refere-se à última safra de soberanos nativos egípcios após o Terceiro Período Intermediário, da 26ª Dinastia das conquistas persas até a conquista por Alexandre, o Grande, e o estabelecimento do Reino Ptolomaico, de 664 a 332 AC. Embora estrangeiros tenham governado o país neste período, a cultura foi mais prevalente que nunca. Líbios e persas alternaram o poder com egípcios nativos, mas a convenção tradicional continuou nas artes. O Período é muitas vezes visto como o último intervalo de uma vez grande cultura, durante o qual o poder do Egito permanentemente decresceu.
O Alto Egito permaneceu, por algum tempo, sob a administração de Tanutamun enquanto o Baixo Egito foi governado, a partir de 664 AC, pela 26ª Dinastia, reis clientes estabelecidos pelos Assírios que, entretanto, trabalharam para conseguir a independência política do Egito durante a época conturbada do Império Assírio. Em 656 AC, Psamtik I ocupou Tebas e tornou-se faraó, o rei do Alto e Baixo Egito, trazendo crescente estabilidade ao país, num reino de 54 anos, da cidade de Sais, no Delta do Nilo. Psamtik e seus sucessores foram cuidadosos em manter relações pacíficas com a Assíria e a influência grega expandiu-se muito desde que a cidade de Naukratis, no delta do Nilo, tornou-se lar dos gregos. Quatro sucessivos reis saitas continuaram governando o Egito em outro período de prosperidade de 610 a 525 AC.
Em 609 AC Necho II foi à guerra contra a Babilônia, os caldeus, os medos e os citas, numa tentativa infrutífera de salvar a Assíria que, após uma brutal guerra civil, estava sendo assolada por esta coalizão de potências. Os egípcios haviam protelado muito a intervenção e Nínive já havia caído e o rei Sin-shar-ishkun morto quando Necho II enviou seus exércitos para o norte. Contudo, Necho varreu o exército israelita sob o rei Josias, mas logo perdeu batalha importante, junto com os assírios, em Harran, contra os babilônios, medos e citas.
Foi durante esta época que muitos judeus chegaram ao Egito, fugindo da destruição do Primeiro Templo em Jerusalém, pelos babilônios (586 AC). Necho II e Ashur-uballit II da Assíria foram finalmente derrotados na Arameia (Síria moderna), em 605 AC. Os egípcios permaneceram na área por algumas décadas, lutando com os reis babilônios Nabopolassar e Nabucodonosor II pelo controle de porções do antigo Império Assírio no Levante. Contudo, eram eventualmente empurrados de volta para o Egito, sendo que Nabucodonosor II chegou a invadir o Egito em 567 AC.
Infelizmente para esta Dinastia, um novo poder estava crescendo na Pérsia. O faraó Psamtik III havia sucedido a seu pai, Ahmose II, apenas seis meses antes, quando teve que enfrentar o Império Persa em Pelusium, numa batalha magnificamente recontada pelo historiador grego Heródoto. Os persas já haviam tomado a Babilônia e o Egito não seria páreo. Psamtik III foi derrotado e escapou para Memphis onde foi preso e depois executado, em Susa, na Pérsia (moderno Irã), a capital do rei persa Cambises, que então assumiu o título de faraó, fundando a 27ª Dinastia e deixando o Egito sob o controle de uma satrapia. Algumas revoltas exitosas contra os persas marcaram o quinto século AC, mas o Egito nunca derrotou os persas permanentemente.
Após a sua anexação à Pérsia, o Egito foi unido a Chipre e Fenícia (moderno Líbano) na sexta satrapia do Império Persa Aquemênida. O primeiro período do governo persa sobre o Egito (27ª Dinastia), terminou em 404 AC. A 28ª Dinastia foi constituída por um só rei, Amyrtaeus, príncipe de Sais, que se rebelou contra os persas. Não deixou monumentos com o seu nome e sua dinastia durou seis anos, de 404 a 398 AC. A 29ª Dinastia governou de Mendes, pelo período de 398 a 380 AC.
A 30ª Dinastia tomou sua forma de 26ª Dinastia e governou como a última casa real nativa do Egito dinástico, que terminou com o reinado de Nectanebo II, reinando de 380 AC até a sua derrota final em 343 AC para os persas, por uma breve restauração, algumas vezes chamada de Trigésima Primeira Dinastia; mas em seguida, em 332 AC, o mandatário persa Mazaces entregou o Egito a Alexandre, o Grande, sem luta.


[1] Amun (ou Amon) era uma deidade local de Tebas, reconhecido desde o Reino Antigo, junto com sua esposa Amaunet. Com a Décima Primeira Dinastia ele foi galgado à posição de deidade patrona de Tebas, em substituição a Monthu. Após a rebelião de Tebas contra os hicsos e o governo de Ahmose I, Amun adquiriu importância nacional expressa em sua fusão com o o deus Sol, Ra, como Amun-Ra.
[2] O complexo de templos de Karnak ou apenas Karnak, compreende um conjunto de ruínas de templos, capelas e outras construções, iniciadas durante o reinado de Senusret I, no Reino Médio e prosseguido no período Ptolemaico, embora a maior parte das construções existentes seja do Reino Novo. A área em torno de Karnak era o principal centro de adoração da Décima Oitava Dinastia da Tríade Tebana, com Amun como o seu deus principal, sendo parte da monumental cidade de Tebas.
[3] A Filisteia era uma pentápolis (conjunto de cinco cidades) na região sudoeste do Levante (mesma latitude do mar Morto, no Mar Mediterrâneo), compreendendo as cidades de Asquelom, Asdode, Ecrom, Gate, e Gaza, estabelecida por tribos migrantes (possivelmente os “Povos do Mar”, chamados filisteus, cerca de 1175 AC, com a derrota desses povos pelo faraó Ramsés III. A Filisteia esteve em permanente conflito e interação com os vizinhos egípcios, israelitas e canaanitas, gradualmente absorvendo sua cultura. Os filisteus foram finalmente conquistados e subjugados pelos israelitas e a Filisteia deixou de existir após a conquista assíria do Levante em 722 AC. Admite-se que a Filisteia (com os filisteus) foi a precursora dos termos helênico e romano Palestina (Phalaestine), e palestinos.

Continuação na próxima postagem: PARTE 05

quinta-feira, 19 de março de 2015

AS TRÊS PRIMEIRAS GRANDES CIVILIZAÇÕES MUNDIAIS: EGITO (PARTE 02)

III.1.3 – NEOLÍTICO (OU PRÉ-DINÁSTICO)

Cerca de 5000 AC, quando o clima tornou-se mais árido, grupos nômades se deslocaram para o vale do Nilo, criando os primeiros assentamentos urbanos. Essas comunidades se concentraram ao norte e ao sul – Baixo Egito e Alto Egito. Como resultado, o Egito tornou-se conhecido como a “Dupla Terra” ou as “Duas Terras”.

III.1.3.1 – BAIXO EGITO
A desertificação continuada forçou os primeiros ancestrais dos Egípcios a se estabelecer em volta do Nilo mais permanentemente, adotando um estilo de vida mais sedentário.
O período entre 9000 e 6000 AC deixou muito pouco no caminho da evidência arqueológica. Cerca de 6000 AC, os assentamentos do Neolítico aparecem por todo o Egito. Estudos baseados em dados morfológicos, genéticos e arqueológicos, atribuíram esses assentamentos a migrantes do Fértil Crescente, durante o Neolítico Egípcio e Norte Africano, possivelmente trazendo a agricultura à região. Contudo, outras regiões na África desenvolveram, independentemente, a agricultura, na mesma época: as altas terras etíopes, o Sahel[1] e a África Ocidental. Além disso, alguns dados morfológicos e pós cranianos têm ligado as primeiras populações em Fayum, Merimde e El-Badari a populações do Nilo norte africano. Os dados arqueológicos sugerem que os civilizados do Oriente Próximo foram incorporados numa estratégia de pilhagem preexistente e só lentamente se desenvolveram num estilo de vida pleno, contrário ao que seria esperado de colonizadores do Oriente Próximo. Finalmente, os nomes dos civilizados do Oriente Próximo para o Egito, não eram palavras emprestadas sumérias nem proto-semitas, o que ainda mais diminui a semelhança de uma colonização imigrante em massa do Baixo Egito durante a transição para a agricultura.
A Tecelagem foi evidenciada pela primeira vez durante o Período Fayum A. Os povos deste período, diferentemente dos egípcios, enterravam seus mortos muito próximo e, algumas vezes, dentro dos seus assentamentos. Mais tarde, em cemitérios, com poucos bens.
O cobre era conhecido e alguns enxós deste material foram encontrados. A cerâmica, simples e sem decoração mostra, em algumas formas, fortes conexões com o sul de Israel. As pessoas viviam em pequenas cabanas parcialmente enterradas no solo.

III.1.3.2 - ALTO EGITO
Pote típico da cultura Naqada II
com tema de navios
Várias culturas ocuparam o Alto Egito em épocas diversas: Tasiana, Badariana (4400 a 4000 AC), Naqada, Amratiana ou Naqada I (4000 a 3500 AC), Gerzeana ou Naqada II (3500 a 3200 AC). Foi a partir da cultura Gerzeana que os egípcios habitantes da cidade pararam de construir com junco e iniciaram a produção em massa de tijolos de barro para construir suas cidades. Foi também durante esta cultura que uma grande influência da Mesopotâmia se fez sentir no Egito.

III.1.3.3 – PERÍODO PROTO-DINÁSTICO (NAQADA III)
O período Proto-Dinástico, de 3200 a 3000 AC, é geralmente considerado como idêntico ao período Naqada III, durante o qual o Egito foi unificado. Embora disputado por estudiosos, foi a primeira era com hieróglifos (ou hieroglifo), ideograma figurativo que constituiu a notação da escrita egípcia. Pela primeira vez passou a usar-se regularmente o serekh[2], a primeira irrigação e o primeiro cemitério real.
As datas do período Pré-Dinástico foram definidas pela primeira vez, antes que escavações arqueológicas disseminadas, no Egito, fossem iniciadas; e recentes achados, indicando um desenvolvimento Pré-Dinástico muito gradual, conduziram a controvérsias sobre a data correta do final deste período. Por isso, o termo Proto-Dinástico, muitas vezes chamado de “Dinastia Zero”, foi usado pelos estudiosos para indicar a parte do período que podia ser caracterizada como Pré-Dinástica, por alguns, e como Antiga Dinástica, por outros.
As duas terras (Alto e Baixo Egito) foram unidas em 3100 AC pelo legendário Rei Menes, que estabeleceu uma nova cidade administrativa onde o rio Nilo se ramifica no delta. Em tempos antigos ela foi chamada “Muralhas Brancas” ou Mennefer; os gregos a chamaram Memphis. Ela permaneceu como capital do Egito por mais de 3.500 anos. Embora não haja prova arqueológica de que o Rei Menes existiu, a famosa paleta Narmer que mostra duas imagens de um rei, um usando uma coroa do Alto Egito e o outro a coroa do Baixo Egito, parece indicar o Rei Menes. Talvez por isso, os reis Menes e Narmer podem ter sido a mesma pessoa, o primeiro Rei do Egito.

III.2 – ANTIGO PERÍODO DINÁSTICO (3100–2686 AC)

O Antigo Período Dinástico foi aproximadamente contemporâneo ao início da civilização Sumério-Akkadiana da Mesopotâmia e do antigo Elam. O sacerdote egípcio Manetho, do terceiro século AC, grupou a longa linha de faraós, de Menes até o seu próprio tempo, em 30 dinastias, um sistema ainda hoje em uso. Ele decidiu iniciar a sua história oficial com o rei chamado “Meni” (ou Menes, em grego), que se acreditava ter unido os dois reinos do Alto e Baixo Egito, cerca de 3100 AC.
A transição para um estado unificado aconteceu muito mais gradualmente do que os escritores egípcios antigos revelaram e não há registro contemporâneo de Menes. Alguns estudiosos agora acreditam, que o mítico Menes possa ter sido o faraó Narmer, conforme mencionamos acima. No Antigo Período Dinástico, cerca de 3150 AC, o primeiro faraó dinástico solidificou o controle sobre o baixo Egito, estabelecendo a capital em Memphis, de onde podia controlar a força de trabalho e a agricultura da fértil região do delta, bem como as lucrativas e críticas rotas de comércio para o Levante[3]. O crescente poder e riqueza dos faraós durante o antigo período dinástico refletiu-se nos seus elaborados túmulos mastaba[4] e estruturas mortuárias de culto, em Abydos, onde eram usados para celebrar o faraó deificado, após a sua morte. A forte instituição do reinado, desenvolvido pelos faraós, serviu para legitimar o controle do estado sobre a terra, trabalho e recursos essenciais à sobrevivência e crescimento da antiga civilização egípcia.

III.3 – O REINO ANTIGO (2686–2181 AC)

O Reino Antigo é principalmente visto como o período que vai da Terceira Dinastia à Sexta Dinastia, embora muitos egiptólogos incluam também a Sétima e Oitava Dinastias Memphita, como um prosseguimento da administração centralizada em Memphis. Durante o Reino Antigo, o rei do Egito (que só foi chamado de faraó a partir do Novo Reino) tornou-se um deus vivo, que governava de forma absoluta e podia demandar os serviços e a fortuna dos seus súditos.
As grandes pirâmides de Giza: Quéops, Quéfrem e Miquerinos
Importantes avanços na arquitetura, arte e tecnologia foram obtidos durante o Reino Antigo, estimulado pela melhoria da produtividade agrícola e a população resultante, apenas tornadas possíveis por uma bem desenvolvida administração central. Alguns dos empreendimentos reais do antigo Egito, as Pirâmides de Giza (ou Gizeh ou Gizé), - platô a sudoeste da moderna cidade do Cairo - e a Grande Esfinge, foram construídas durante o Reino Antigo, provavelmente mais conhecido pelo grande número de pirâmides construídas como locais de sepultamento dos reis do período, que por isso é frequentemente chamado de “Idade das Pirâmides”.
A Grande Esfinge
Sob a direção do vizir[5], funcionários do Estado coletavam impostos, coordenavam projetos de irrigação para melhorar a colheita, recrutavam camponeses para trabalhar nas construções e estabeleciam um sistema de justiça para manter a paz e a ordem.
Junto com a importância crescente de uma administração central, uma nova classe de educados escribas e funcionários surgiu, aos quais eram garantidos estados, pelo faraó, como paga pelos seus serviços. Terras eram também doadas pelo faraó, para seus cultos mortuários e templos locais, para garantir que essas instituições tivessem os recursos para adorar o faraó após a sua morte. Estudiosos acreditam que cinco séculos destas práticas, lentamente desgastaram o poder econômico do rei fazendo com que a economia não mais pudesse suportar uma administração centralizada tão grande. À medida que o poder do rei diminuía, governadores regionais, nomarcas[6], começaram a desafiar a supremacia do faraó. Junto com as severas secas entre 2200 e 2150 AC, possivelmente causaram o período de 140 anos de fome e discórdia, conhecido como Primeiro Período Intermediário.
Pirâmide de Djoser, projetada por Imhotep 

O primeiro rei da Terceira Dinastia foi Djoser, que transferiu a capital real do Egito para Memphis, onde estabeleceu sua corte, e ordenou a construção de uma pirâmide com pedras, em degraus, na necrópole de Memphis, Saqqara, cuja concepção é creditada a seu arquiteto, Imhotep.
O Reino Antigo e seu poder real alcançaram o zênite com a Quarta Dinastia, iniciada com Sneferu (2613–2589 AC), que usando mais pedras que qualquer outro rei, construiu três pirâmides: uma já ruída em Meidum, a Pirâmide Bent em Dahshur e a Pirâmide Vermelha em Dahshur Norte. Contudo, o pleno desenvolvimento das pirâmides não foi atingido em Saqqara, mas com a construção das “Grandes Pirâmides”, em Giza.
O Complexo do Templo de Djoser ao lado da sua Pirâmide
Sneferu foi sucedido por seu filho Khufu (2589–2566 AC) – ou Quéops, em grego -, que construiu a Grande Pirâmide de Queóps, em Giza. Com a morte de Khufu, seus filhos Djedefra (25828–2520 AC) e Khafra (2520–2494 AC) - ou Quéfrem - terão lutado. O último construiu a pirâmide de Quéfrem e, segundo consta, a Esfinge, em Giza, embora hajam outras versões.
Durante essa dinastia foram realizadas expedições militares a Canaã e Núbia, com a influência egípcia se alastrando a montante do Nilo até o Sudão. Os últimos reis da Quarta Dinastia foram o rei Menkaure (2494–2472 AC), que construiu a terceira grande pirâmide de Giza, Miquerinos, Shepseskaf (2472–2467 AC) e, talvez, Djedefptah (2486–2484).
A Quinta Dinastia (2494-2345 AC) iniciou com Userkaf (2494-2487 AC) e foi marcada pela crescente importância do culto ao deus sol Ra. Consequentemente, menos esforços foram devotados à construção de pirâmides e mais à construção de templos ao sol, em Abusir, outra necrópole do período do Reino Antigo, nas vizinhanças da moderna Cairo.
Userkaf foi sucedido por seu filho Sahure (2487-2475 AC), que comandou uma expedição a Punt, conhecido pela produção e exportação de ouro, de questionável localização. Sahure foi sucedido por Neferirkare Kakai (2475-2455 AC), seu filho ou irmão, podendo ter usurpado o trono, neste caso. Foi seguido por dois vagos reis de curta vida e pelo irmão de um deles. Os últimos reis da dinastia foram Menkauhor Kaiu (2421-2414 AC), Djedkare Isesi (2414-2375 AC) e Unas (2375-2345 AC), o primeiro governante a ter os textos piramidais (em egípcio antigo, possivelmente os mais velhos textos religiosos do mundo) inscritos em sua pirâmide.
Durante a Sexta Dinastia (2345-2181 AC), o poder do rei gradualmente enfraqueceu em favor de poderosos nomarcas (governadores regionais). Estes não mais pertenciam à família real, mas seu cargo tornou-se hereditário, com isso criando dinastias regionais independentes da autoridade central do rei. O reinado incrivelmente longo de Pepi II (2278-2187 AC), ao final da dinastia, criou lutas sucessórias entre os descontentes herdeiros, afundando o país em guerras civis. O golpe final ficou por conta de uma drástica redução na pluviometria do país, entre 2200 e 2150 AC, que impediu as cheias normais do rio Nilo, causando décadas de inanição e discórdia e o colapso do Reino Antigo.

III.4 – PRIMEIRO PERÍODO INTERMEDIÁRIO
(2181-2055 AC)

O Primeiro Período Intermediário, muitas vezes descrito como um “período negro” na história do antigo Egito, abarcou o período entre 2181-2055 AC, incluindo a Sétima e parte da Décima Primeira Dinastia. Muito pouca evidência sobreviveu deste período.
Após o governo central do Egito ter malogrado, ao final do Reino Antigo, a administração não pode mais estabilizar a economia do país. Os governadores regionais não podiam confiar na ajuda do rei em tempo de crise e a falta de comida e disputas políticas que se seguiram, transformaram-se em inanição e guerras civis de pequena escala. Contudo, a despeito dos problemas, os líderes locais, sem dever tributo ao faraó, usaram sua recente independência para estabelecer uma florescente cultura nas províncias. Com o controle de seus próprios recursos, as províncias tornaram-se mais ricas, demonstrado pelos maiores e melhores funerais entre todas as classes sociais. Em ímpetos de criatividade, os artesãos provinciais adotaram e adaptaram motivos culturais anteriormente restritos à realeza do Reino Antigo; escribas desenvolveram estilos literários que expressavam o otimismo e originalidade do período.
A Sétima e Oitava dinastias são muitas vezes negligenciadas porque pouco se sabe dos governantes desses dois períodos. A Sétima pode ter sido uma oligarquia de poderosos oficiais da Sexta, baseados em Memphis, que tentaram reter o controle do país. Os governantes da Oitava Dinastia reivindicavam uma descendência dos reis da Sexta e também governaram de Memphis. Uns poucos artefatos foram encontrados, que incluem escaravelhos (camafeus com suas imagens) atribuídos ao rei Neferkare II, da Sétima Dinastia, bem como um grande cilindro de jaspe verde, creditada à Oitava Dinastia; além disso, em Saqqara foi encontrada uma pequena pirâmide que se crê tenha sido construída pelo rei Ibi, da Oitava Dinastia.
Livres de suas lealdades ao faraó, os governantes locais começaram a competir entre si por controle territorial e poder político. Após o obscuro reinado dessas duas dinastias, por volta de 2160 AC, um grupo de mandatários surgiu de Heracleópolis (nome grego da capital da vigésima nomo), no Baixo Egito, que subjugou os fracos governantes de Memphis, criando a Nona Dinastia e reinando por aproximadamente 100 anos, compreendendo a Nona e Décima Dinastias, cada uma com 19 governantes listados. O fundador da Nona Dinastia, Wahkare Khety I (também conhecido por Akhthoes ou Akhtoy), é muitas vezes descrito como um governante mau e violento que causou muito dano aos habitantes do Egito. Khety I foi sucedido por Khety II, também conhecido por Meryibre, que teve um reinado pacífico, mas teve problemas no Delta. Seu sucessor Khety III conseguiu trazer a paz ao Delta, embora seu poder e influência fosse ainda insignificante quando comparados aos reis do Reino Antigo.
Uma distinta linha de nomarcas surgiu em Siut (ou Asyut), uma poderosa e rica província ao sul do reino Heracleopolitano, cujos príncipes guerreiros mantiveram um bom relacionamento com aqueles reis. Tal província atuaria como um estado abafador entre os governantes do norte e do sul, com os príncipes de Siut sofrendo o ímpeto dos ataques dos reis de Tebas (não confundir com a Tebas grega).
Sugere-se que uma invasão do Alto Egito ocorreu simultaneamente à fundação do reino de Heracleópolis, por descendentes de Intef (ou Inyotef), nomarca de Tebas, responsável pela linha tebana de reis, que constituiu a Décima Primeira e Décima Segunda Dinastias e que acabou tomando o controle do Alto Egito. Os Intef’s cresceram em poder e expandiram seu domínio para o norte, tornando inevitável um choque entre as duas dinastias rivais. Intef II começou o assalto ao norte, particularmente em Abydos. Intef III completou esse ataque ao norte e acabou capturando Abydos, pentrando o Médio Egito contra os reis heracleopolitanos. Os primeiros três reis da Décima Primeira Dinastia foram, portanto, os três últimos reis do Primeiro Período Intermediário e seriam sucedidos por uma linha de reis chamados Mentuhotep. Mentuhotep II, também conhecido por Nebhepetra, e entronado em 2055 AC, acabaria derrotando os reis heracleopolitanos cerca de 2033 AC, unificando o país para prosseguir a Décima Primeira Dinastia e trazendo o Egito a um período de renascimento cultural e econômico conhecido como Reino Médio.



[1] O Sahel é a zona de transição eco climática e biogeográfica na África, entre o deserto do Saara, ao norte, e a savana do Sudão, ao sul. Com um clima semiárido, ela se estende através da extensão mais ao sul da África do Norte, entre o Oceano Atlântico e o Mar Vermelho.
[2] Nos hieróglifos egípcios, um serekh é um cercado retangular representando a fachada, com portão, de um palácio, em geral coroado pelo falcão Horus (deus), indicando que o texto anexo era um nome real.
[3] Levante é um termo geográfico impreciso que se refere, historicamente, a uma grande área do Oriente Médio ao sul dos Montes Tauro, limitada, a oeste, pelo Mediterrâneo, e a leste, pelo deserto da Arábia setentrional e pela Mesopotâmia. Hoje, a região incluiria Síria, Jordânia, Israel, Palestina, Líbano e Chipre.
[4] Um mastaba era um tipo de túmulo egípcio antigo em forma de uma estrutura retangular com telhado plano e paredes externas inclinadas, construídos de tijolos de barro ou pedras. Mastabas marcaram os locais de enterros de muito egípcios eminentes durante o Antigo Período Dinástico e o Reino Antigo, quando os reis começaram a ser enterrados em pirâmides.
[5] O vizir era o funcionário mais alto, do Egito antigo, a serviço do rei ou faraó durante os reinos Antigo, Médio e Novo. Os vizires eram, muitas vezes, indicados pelo faraó, por sua lealdade ou talento, mas eram muitas vezes seus parentes.
[6] Nomarcas eram governadores semi-feudais das províncias (nomes) do antigo Egito. Mantinham autoridade sobre cada uma das 42 províncias (em grego, nomo) em que o país era dividido.

Continuação na próxima postagem: PARTE 03

sexta-feira, 13 de março de 2015

AS TRÊS PRIMEIRAS GRANDES CIVILIZAÇÕES MUNDIAIS: EGITO (PARTE 01)

I – VISÃO GERAL


Egito e Nilo: nordeste da África, ligado à Península do Sinai.

O Antigo Egito foi uma civilização da região nordeste da África, concentrada nos trechos inferiores do Rio Nilo, no que é hoje o atual Egito. A Civilização Egípcia formou-se cerca de 3150 AC (de acordo com a cronologia convencional egípcia), com a unificação política do Alto com o Baixo Egito, sob o primeiro faraó[1]. A história do Egito ocorreu numa série de reinos estáveis, separados por períodos de relativa instabilidade, conhecidos como Períodos Intermediários: o Antigo Reino, do início da Idade do Bronze, o Reino Médio, da Média Idade do Bronze, e o Novo Reino, do final da Idade do Bronze.

O Egito alcançou o pináculo do seu poder durante o Novo Reino, no período Ramsista[2], quando rivalizou com os impérios Hitita, Assírio e Mitani, após o que entrou num período de declínio. Foi então invadido por uma sucessão de potências estrangeiras: Canaã, Líbia, Núbia, Assíria, Babilônia, Pérsia e Macedônia/Grécia, no Terceiro Período Intermediário do Egito e no último Período. Após a morte de Alexandre, o Grande, um dos seus generais, Ptolomeu Soter, estabeleceu-se como o novo dirigente do Egito e sua dinastia reinou até 30 AC quando, sob Cleópatra, caiu para o Império Romano, tornando-se sua província.
O sucesso da antiga civilização egípcia veio, parcialmente, de sua habilidade em adaptar-se às condições do vale do rio Nilo para a agricultura. A inundação previsível e a irrigação controlada do fértil vale produziam colheitas superavitárias, que atendiam uma população maior, permitindo o desenvolvimento social e cultural. Com recursos de sobra, a administração patrocinava a exploração mineral do vale e das regiões desérticas circundantes, a criação precoce de um sistema de escrita independente, a organização da construção coletiva e projetos agrícolas, o comércio com as regiões vizinhas e um exército para defender contra os invasores e garantir a dominação egípcia. A motivação e organização dessas atividades era realizada por uma burocracia da elite dos escribas, líderes religiosos e administradores, sob o controle do faraó, que garantia a cooperação e unidade do povo egípcio, no contexto de um elaborado sistema de crenças religiosas.
Os feitos dos antigos egípcios incluem a mineração, levantamentos e técnicas de construção que apoiavam a construção de monumentais pirâmides, templos e obeliscos, um sistema matemático, uma prática e efetiva medicina, sistemas de irrigação e técnicas de produção agrícola, os primeiros navios conhecidos, a tecnologia da faiança e do vidro, novas formas de literatura e o primeiro tratado de paz conhecido, feito com os hititas. O seu legado duradouro na arte e arquitetura foram copiados amplamente e suas antiguidades transportadas a longínquas partes do mundo. Suas ruínas monumentais inspiraram as imaginações de viajantes e escritores por séculos.

II - GEOGRAFIA DO EGITO


O Egito na África. Mediterrâneo ao norte, Sudão ao sul,
Líbia a oeste e Mar Vermelho e Israel a leste.
O Egito, como dissemos, está situado no nordeste da África e, curiosamente, em dois continentes, separados pelo Canal de Suez (então inexistente) que liga o Mar Mediterrâneo ao Mar Vermelho. Sua maior parte fica na África restando, para o continente asiático, apenas a Península do Sinai, margeada pelo Golfo de Suez e o Golfo de Aqaba, ambos no Mar Vermelho, por Israel a leste e pelo Mar Mediterrâneo ao norte. Esta, a sua localização atual; mas, se lembrarmos que na antiguidade não havia fronteiras demarcadas, as principais regiões do Egito formavam oásis fluviais no deserto, a saber, o vale do rio Nilo, o Delta do Nilo e Fayum (cidade a 130 km a sudoeste do Cairo). As demais regiões sofreram mudanças de acordo com o período e os governos.
A geografia do antigo Egito foi dominada, como ainda é hoje, pela combinação da falta de chuva e o Rio Nilo. O historiador grego Heródoto chamava o Egito de “Presente do Nilo”, pois o reino devia sua sobrevivência à cheia anual do Nilo e ao resultante depósito do fértil silte sobre as suas margens baixas.
Egito moderno e seus vizinhos da Africa e Oriente Médio
Quatro divisões são úteis ao considerar a geografia do Egito. A primeira delas é entre o Alto e o Baixo Egito e a segunda entre a Terra Vermelha (Deserto) e a Terra Negra (leito maior fértil). Às vezes há confusão sobre este assunto, porque o Alto Egito é no sul e o Baixo Egito no norte. Na figura abaixo, podemos ver perfeitamente as divisões de que falamos, aparecendo em verde o leito maior fértil do rio Nilo e o famoso Delta do Nilo, no Mar mediterrâneo. Pela figura podemos ver que o Alto ou Baixo Egito é um vale fluvial estreito, raramente mais largo do que 19 km e, mais frequentemente, apenas 1,6 a 3,2 km. Altos penhascos o mantêm confinado em seu leito menor, nas duas margens. O Baixo Egito é constituído pelo amplo delta em torno da moderna Cairo. A terra é plana e fértil e o solo rico da inundação, em geral, é depositado no delta. A segunda maior divisão trata do negro e fértil solo do vale do Nilo e das rubras, arenosas e áridas terras agrestes do deserto. Embora existissem oásis no deserto ocidental, o deserto oriental era em sua maioria inabitado, com exceção de algumas poucas minas e jazidas de pedras especialmente valiosas. Os egípcios eram totalmente conscientes de quão estreita era a faixa de terra cultivável em que viviam, rodeada pelo total deserto a leste e oeste.
O Alto Egito, ao sul e o
Baixo Egito, ao norte. 
O limite sul do Egito, na borda sul do Alto Egito, era tradicionalmente encerrado na Primeira Catarata, uma área de rápidos ensurdecedores e quedas d’águas, cerca de 950 km da foz do rio Nilo no Mar Mediterrâneo. Durante o Antigo Reino, esta era a máxima extensão do Egito. Durante os períodos do Médio e Novo Reinos, contudo, os exércitos egípcios forçaram para o sul, até a Sexta Catarata, numa tentativa de invadir e conquistar a Núbia (região ao longo do rio Nilo, entre o sul do Egito e o norte do Sudão) e Kush (atual Sudão Central ou moderna Etiópia), os dois países mais ao sul. Descobertas relativamente recentes, de pequenas tumbas em estilo piramidal, no Sudão, sugerem que, embora o Egito não controlasse as terras ao sul da Primeira Catarata, eles mantiveram contato cultural bem ao sul e o comércio de bens e ideias foram muito comuns.
O alto Egito se estendia de Memphis, ao norte, até Abu (Elefantina), ao sul. O oásis ocidental de Fayum fica dentro deste distrito, como ficam as importantes cidades de Herakelopolis, Quis, Thinis, Abydos, Dendera, Nekhen/Hierakonpolis e Edfu. Numerosos wadis[3] alimentam o Nilo nesta região e o rio é raramente mais largo do que 1.600 m, o vale podendo ser, muitas vezes, tão estreito quanto 10 a 16 km.
O Baixo Egito é o delta. Com quase trezentas milhas (483 km) de largura, na foz do Nilo, a grande região em forma de leque foi “a cesta de pão” do antigo Egito e, mais tarde, do Império Romano; nela pode-se ver as importantes cidades de Alexandria, Port Said e Cairo, bem como o Oásis Fayud, mais a montante). A arqueologia no Baixo Egito é complicada dado que os meandros, que se movem regularmente, e a inundação anual, muitas vezes carregaram artefatos e construções.
Close do Delta do Nilo, a "cesta de pão" do Egito.
A “Terra Vermelha” é o deserto estéril que protegeu o antigo Egito dos dois lados, separando-o dos países vizinhos e exércitos invasores. Eles também foram a fonte de metais preciosos e pedras semipreciosas para os antigos egípcios. Eles referiam-se aos desertos em torno do seu país, com a palavra “deserto”, significando “Terra Vermelha”, quente e árida, onde nenhuma alimento crescia e era sempre vista como um lugar de solidão e perigo. Apesar de sua natureza bruta e selvagem, o deserto fornecia inúmeros produtos. Os leitos secos de lagos próximos ao delta forneciam o sal usado para preservar os corpos mumificados; o quartzito - para ferramentas de moagem e perfuração -, e o calcário – para a construção -, vinham de uma região desértica a nordeste de Memphis; o cobre vinha das minas da Península do Sinai, no deserto oriental; alabastro para escultura mais fina vinha do Cusae (nome grego da cidade do Alto Egito, margem ocidental do Nilo, hoje denominada el-Qusiya); as jazidas de granito, próximo do Mar Vermelho, forneciam pedra para escultura e construção; diorito para martelos e pederneira para facas de pedra, desciam pelo rio da região da Primeira Catarata. E então, havia o ouro que, segundo um governante hitita, o Egito possuía como areia.
A “Terra Negra” era a região fértil das margens do Nilo, o local que os egípcios usavam para plantar e colher. Era a única terra do antigo Egito capaz de ser cultivada pela rica camada de silte negro depositada em cada ano após a inundação do rio Nilo. A palavra egípcia “khemet”, que significa “silte negro”, pode ter sido o termo do qual se originou o nome Egito.
Curso completo do Nilo, com
suas prováveis nascentes.
O rio Nilo é a única razão pela qual a civilização surgiu no antigo Egito. Pelo quarto século AC, o Egito não recebia chuva alguma, de forma que toda a sua água para beber, lavar, irrigar as culturas etc... vinha apenas deste rio. Tido como o mais longo rio do mundo, com 6.853 km, o Nilo é um rio internacional, com suas águas sendo repartidas por onze países e fonte primária de água do Egito e do Sudão. A nascente do Nilo é considerada com o Lago Vitória, mas há rios que o alimentam, de tamanho considerável. O rio Kagera, que entra no Lago Vitória (repartido por Uganda, Quênia e Tanzânia), perto da cidade de Bukoba, na Tanzânia, é o seu mais longo contribuinte, embora as fontes não concordem quanto ao mais longo tributário do Kagera e, por consequência, a mais distante nascente do próprio Nilo. Poderia ser o Ruvyironza, que emerge na província de Bururi, no Burundi, ou o Nyabarongo, que escoa da floresta Nyungwe, em Ruanda. Tais rios se encontram próximo das Cachoeiras Rusumo, na fronteira entre Ruanda e Tanzânia. Exatamente por suas origens, durante o pico da civilização egípcia o rio Nilo inundava anualmente quando do degelo de primavera das altas terras da Etiópia, após um enchimento lento e gradual. Diferentemente da Mesopotâmia, que possuía cheias irregulares, imprevisíveis e altamente destrutíveis, o Nilo extravasava por seu leito maior ao nível de cheia, segundo um esquema previsível, normalmente dentro de dois ou três dias após a ascensão da estrela Sírius, ao final de julho. Por um período de quase três mil anos, com poucas interrupções, os antigos egípcios podiam contar com três meses de águas altas, de agosto a novembro. A inundação, como era chamada, carregava uma fértil camada de silte e solo aluvial nas terras agricultáveis do Egito, que eram anualmente renovadas e revigoradas, tornando o país o jardim do mundo antigo. Foi essa cheia anual que definiu os padrões de vida dos egípcios de forma que quando os campos estavam inundados, eles trabalhavam nas construções dos projetos para o Faraó e os sacerdotes; de novembro a março, os agricultores restabeleciam seus campos e plantavam suas culturas; de março a junho era a estação da colheita, quando os grãos eram processados para a confecção de pão, cerveja e vinho e então os coletores de impostos do Faraó fariam a sua ronda. Em julho o povo reunia as ferramentas e preparava-se para a próxima cheia. Tão constante era essa rotina que sua interrupção pode ter causado a queda de várias dinastias.

III - HISTÓRIA

O deserto e o rio Nilo emergiram há 45 milhões de anos atrás, quando o mar que cobria a maior parte da Europa e o norte da África deslocou-se, formando a bacia do Mar Mediterrâneo, por força do deslocamento das placas terrestres, que criaram os Alpes e o Himalaia. Por milhares de anos o rio Nilo evoluiu até a sua forma atual, circundado pelos desertos do oriente e ocidente. O Nilo tem sido a linha da vida desta região por muito da história humana, permitindo a criação de uma sociedade que tornou-se a pedra angular na história da civilização humana. Os humanos modernos, nômades, caçadores e coletores, começaram a viver no vale do Nilo pelo final do Médio Pleistoceno, há cerca de 120.000 anos atrás. Pelo final do período Paleolítico, o clima árido do norte da África tornou-se incrivelmente quente e seco, forçando as populações da área a concentrar-se ao longo do rio.

III.1 – EGITO PRÉ-HISTÓRICO

A Pré-história do Egito vai desde o período do primeiro assentamento humano até o início do Primeiro Período Dinástico do Egito, cerca de 3100 AC, que iniciou com o primeiro faraó Narmer (ou Menes). O período pré-dinástico é tradicionalmente equivalente ao período Neolítico, iniciando cerca de 6.000 AC e incluindo o período proto-dinástico (Naqada III), de que voltaremos a falar.

III.1.1 – FINAL DO PALEOLÍTICO
A confecção de ferramentas Ateriana atingiu o Egito cerca de 40.000 AC. Este foi o nome dado por arqueólogos a um tipo de ferramenta de pedra datando do meio da Idade da Pedra (ou Médio Paleolítico).
Esqueleto de Nazlet-Khater
O final do Paleolítico, no Egito, começou em torno de 30.000 AC. O esqueleto de Nazlet Khater (localidade do Alto Egito onde os arqueólogos trabalharam em oito sítios diferentes) foi encontrado em 1980 e datado em 1982 a partir de nove amostras que variaram de 35.100 a 30.360 anos. Este espécime é o único esqueleto humano moderno completo do final da Idade da Pedra na África.
Escavações no Nilo expuseram antigas ferramentas de pedra, as mais antigas das quais foram encontradas no terraço de 33m e eram Chelleano[4], primitivo Acheuleano[5] e uma forma egípcia do Clactoniano[6]. No terraço de 17m havia Acheuleano desenvolvido.
Alguns dos mais velhos edifícios conhecidos, foram descobertos no Egito; tratava-se de estruturas móveis, facilmente desmontáveis , transportadas e remontadas, propiciando a humanos caçadores e coletores, uma ótima habitação semipermanente.

III.1.2 – MESOLÍTICO
A “Cultura Halfan” floresceu no vale do Nilo, no Egito e Núbia, entre 18.000 e 15.000 AC, embora um sítio Halfan date de 24.000 AC. Eles sobreviveram numa dieta de animais de grande rebanho e da tradição da pesca. Uma maior concentração de artefatos indica que não eram dados a deslocamentos sazonais, mas se estabeleciam por períodos maiores. A cultura Halfan foi derivada da cultura Khormusan, que dependia de técnicas especializadas de caça, pesca e coleta para sua sobrevivência. Os restos materiais primários desta cultura são ferramentas de pedra, lascas e uma grande quantidade de pinturas em pedra.
Cerca de vinte sítios arqueológicos na Núbia Superior mostram evidência da existência de uma cultura mesolítica de moagem de grãos chamada Cultura Qadan, que praticava a cultura de grãos ao longo do Nilo quando o ressecamento do Saara causava a retirada dos residentes dos oásis da Líbia para o vale do Nilo. Os povos Qadan desenvolveram foices e pedras de moagem para ajudar na coleta e processamento desses alimentos antes do consumo. Contudo, não há indicações do uso dessas ferramentas após cerca de 10.000 AC, quando caçadores coletores os substituíram. 

[1] Faraó é o título comum dos reis das antigas dinastias egípcias, até a conquista greco-romana. Vamos ver o assunto com muito detalhe mais adiante.
[2] O período Ramsista foi assim chamado a partir dos onze reis com o nome de Ramsés, que governaram na Décima-nona e Vigésima Dinastias. Vamos voltar a falar deles no seu devido tempo.
[3] Um wadi é o termo árabe (norte da África e sudoeste da Ásia) que tradicionalmente se refere a um vale fluvial. Em alguns casos pode referir-se leito de rio seco (efêmero), que contém água apenas durante as estações de pesadas chuvas.
[4] Louis Laurent Gabriel de Mortillet (1821–1898), professor antropologia pré-histórica na Escola de Anropologia, em Paris, publicou em 1882 “A Pré-Histórica Antiguidade do Homem”, em que foi o primeiro a caracterizar períodos pelo nome de um local. Muitos desses nomes ainda se encontram em uso. Seus dois primeiros foram Chelleano e Acheuleano. O Chelleano inclui artefatos descobertos na cidade de Chelles, um subúrbio de Paris, muito similares aos encontrados em Abbeville, o que fez antropólogos que o sucederam, substituírem Abbevilliano por Chelleano.
[5] O Acheuleano designa os artefatos encontrados em Saint-Acheul, um subúrbio de Amiens, a capital do departamento de Somme, em Picardy, onde foram encontrados, em 1859. Trata-se de uma indústria arqueológica de ferramentas de pedra caracterizadas por uma forma singular de machados ovais e em forma de pera, associados aos primeiros humanos.
[6] O Clactoniano é o nome dado por arqueólogos a uma indústria de ferramentas de pederneira que data do início do período interglacial, cerca de 400.000 anos atrás, e que foram encontrados pela primeira vez em Clacton-on-Sea, no distrito industrial de Essex, em 1911.

Continuação na próxima postagem: PARTE 02