Homenagem ao lendário herói ancestral dos ingleses que deu título a um dos considerados "Cem Maiores Livros do Mundo" e tido como o mais antigo escrito em "Old English".

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quarta-feira, 13 de maio de 2015

AS TRÊS PRIMEIRAS GRANDES CIVILIZAÇÕES MUNDIAIS: EGITO (PARTE 07 - FINAL)

IV.2.3 – Arquitetura e Arte


A arquitetura inclui algumas das mais famosas estruturas do mundo: as Grandes Pirâmides de Giza e os templos em Tebas, local do famoso complexo de templos de Karnak, 2,5 km ao norte de Luxor. Os projetos eram organizados e custeados pelo Estado com finalidades religiosas e comemorativas, mas também como reforço do poder do faraó. Os antigos egípcios eram perito construtores: com ferramentas simples, mas efetivas, e instrumentos óticos, os arquitetos podiam construir grandes estruturas de pedra com precisão.
Os camponeses viviam em casas simples, mas os palácios da elite eram estruturas mais elaboradas. Alguns palácios sobreviventes do Novo Reino, como os de Malkata e Amarna, mostram paredes ricamente decoradas e pisos com cenas de pessoas, pássaros, lagos, deidades e desenhos geométricos. Estruturas mais importantes, com o templos e tumbas, eram feitas com a intenção de durar eternamente. Eram construídas com pedras ao invés de tijolos e incluíam apoios de pilares e vigas, com motivos de papiros e lótus.
Os mais antigos templos egípcios preservados, como os de Giza, consistem de halls fechados simples com lajes suportadas por colunas. No Novo Reino, arquitetos adicionavam pátios abertos e o hall fechado com teto sobre colunas, na frente do santuário do templo, num estilo que se tornou padrão até o período greco-romano. A mais antiga e popular arquitetura de tumba no Reino Antigo era a mastaba, já comentada acima. A pirâmide em degraus, de Djoser, é formada por uma série de mastabas de pedra, empilhadas umas sobre as outras. As pirâmides foram construídas durante os Reinos Velho e Médio, mas a maioria dos últimos governantes abandonou-as em favor de tumbas de pedra cortada, menos notáveis. A 25ª Dinastia foi uma notável exceção, já que todos os seus faraós construíram pirâmides.
Os antigos egípcios produziram arte para servir a objetivos funcionais. Por mais de 3500 anos, artistas aderiram a formas e iconografia artística desenvolvidas durante o Reino Antigo, seguindo um conjunto estrito de princípios que resistiram à influência estrangeira e à mudanças internas. Esses padrões artísticos – linhas simples, formas e áreas planas, de cor, combinadas com a característica projeção plana de figuras, sem indicação de profundidade espacial – criaram um senso de ordem e equilíbrio dentro de uma combinação. Imagens e textos eram intimamente entrelaçados em paredes de túmulos e templos, sarcófagos, marcos e estátuas. A “Paleta de Narmer” – descoberta arqueológica egípcia datando do século XXXI AC e mostrando o rei Narmer -, por exemplo, apresenta figuras que também podem ser lidas como hieróglifos. Regras rígidas governavam sua aparência altamente estilizada e simbólica e, por essa razão, a arte egípcia antiga serviu a seus fins políticos e religiosos com precisão e clareza.
Os artesãos egípcios usavam pedra para esculpir estátuas e relevos delicados, mas podiam usar madeira como um substituto barato e facilmente esculpido. As tintas eram obtidas de minerais como minério de ferro (ocre vermelho e amarelo), minério de cobre (azul e verde), fuligem ou carvão (negro) e calcário (branco). As tintas podiam ser misturadas com goma arábica, servindo como liga, e então moldadas em barras, que podiam ser umedecidas com água, quando necessário.
Os faraós usavam relevos para registro de vitórias em batalha, decretos reais e cenas religiosas. Cidadãos comuns tinham acesso a peças de arte funerária, em que acreditavam protege-los no após vida. Durante o Reino Médio, modelos de madeira ou argila, representando cenas da vida de cada dia, tornaram-se populares nas tumbas. Esses modelos mostram operários, casas, barcos e mesmo formações militares, em representações em escala, do ideal do antigo egípcio após a morte.
Casal real, estilo Amarna, Museu Egípcio, Berlim
A despeito da homogeneidade da arte egípcia antiga, os estilos de épocas e locais particulares refletiam a mudança de atitudes culturais ou políticas. Após a invasão dos hicsos, no Segundo Período Intermediário, afrescos no estilo do rei Minos (ilha de Creta) ainda eram encontrados em Avaris. O exemplo mais contundente de uma mudança conduzida pela política nas formas artísticas, vem do Período Amarna, onde figuras foram radicalmente alteradas para conformar-se às ideias religiosas revolucionárias de Akhenaten. Este estilo, conhecido como arte Amarna, foi rápida e radicalmente apagado após a morte de Akhenaten e substituído pelas formas tradicionais, conforme vimos.

IV.2.4 – Crenças Religiosas e Costumes Fúnebres

As crenças no divino e no pós vida eram enraizadas na antiga civilização egípcia, desde o seu início; o mando faraônico era baseado no divino direito dos reis. O panteão egípcio era povoado por deuses com poderes supernaturais que eram chamados por ajuda ou proteção. Contudo os deuses nem sempre eram vistos como benevolentes e os egípcios acreditavam que eles tinham que ser acalmados com ofertas e orações. A estrutura desse panteão mudava continuamente à medida que novas deidades eram promovidas na hierarquia, mas os sacerdotes não faziam esforços para organizar os vários e conflitantes mitos e histórias num sistema coerente. Essas várias concepções de divindade não eram consideradas contraditórias mas apenas camadas das múltiplas facetas da realidade.
Os deuses eram adorados em templos de culto administrados por sacerdotes atuando em nome do rei. No centro do templo ficava a estátua cultuada, em um relicário. Os templos não eram locais de adoração ou reunião pública; somente em dias de festa selecionados, um relicário com a estátua do deus era trazido para fora para adoração pública. Cidadãos comuns podiam adorar estátuas privadas em suas casas e amuletos ofereciam proteção contra as forças do caos. Após o Novo Reino, o papel do faraó como intermediário espiritual perdeu um pouco da força à medida que os costumes religiosos mudavam para a direta adoração dos deuses. Como resultado, os sacerdotes desenvolveram um sistema de oráculos para comunicar a vontade dos deuses diretamente ao povo.
Os egípcios criam que cada ser humano era composto de partes ou aspectos físico e espiritual. Além do corpo, cada pessoa tinha uma “ sombra”, uma personalidade ou alma, uma “força vital” e um nome. O coração, ao invés do cérebro, era considerado o assento dos pensamentos e emoções. Após a morte, os aspectos espirituais eram liberados do corpo e podiam mover-se livremente, mas requeriam os restos mortais (ou um substituto, como uma estátua) como um lar permanente. O objetivo final do morto era reencontrar seus aspectos espirituais e tornar-se um “morto abençoado”, vivendo como um “ser efetivo”.
Os antigos egípcios mantinham um elaborado conjunto de práticas funerárias que acreditavam necessárias para garantir a imortalidade após a morte. Esses costumes envolviam a preservação do corpo, por mumificação, a realização de cerimônias fúnebres e o sepultamento, junto com o corpo, de bens que o morto usaria no pós vida. Antes do Reino Antigo, os corpos enterrados em covas no deserto eram naturalmente preservadas por dessecamento. As condições áridas do deserto foram uma benção, por toda a história do antigo Egito, para o enterro dos pobres, que não dispunham de recursos para as elaboradas preparações fúnebres disponíveis às elites. Os egípcios mais ricos começaram a enterrar seus mortos em tumbas de pedra e a usar a mumificação artificial, que envolvia a remoção dos órgãos internos, o envolvimento do corpo em linho e o enterro num sarcófago retangular de pedra ou de madeira. A partir da Quarta Dinastia, algumas partes eram preservadas, separadamente, em canopos (jarros).
Pelo Novo Reino, os egípcios haviam aperfeiçoado a arte da mumificação. A melhor técnica levava 70 dias e envolvia a remoção de órgãos internos, do cérebro, pelo nariz, e o dessecamento do corpo numa mistura de sais. O corpo era então envolvido em linho, com amuletos protetores entre as camadas, e colocado num caixão decorado e com forma humana. As múmias do Último Período eram também colocadas em caixas de múmias decoradas. As práticas de preservação declinaram durante as eras Ptolomaica e Romana, quando a maior ênfase era colocada na aparência externa da múmia, que era decorada.
Egípcios ricos eram enterrados com grandes quantidades de bens luxuosos, embora todos os enterros, independente do seu status social, incluíssem bens para o morto. A partir do Novo Reino, textos funerários eram incluídos no túmulo, com estatuetas que se acreditava realizar trabalhos manuais para eles, no pós vida. Após o enterro, os parentes podiam, ocasionalmente, levar alimento ao túmulo e recitar orações em favor do morto.

IV.2.5 – Exército

O exército do Antigo Egito era responsável pela sua defesa contra a invasão estrangeira e pela manutenção dos seus domínios no antigo Oriente Próximo. Durante o Reino Antigo, ele protegeu expedições de mineração no Sinai e lutou guerras civis durante os Primeiro e Segundo Períodos Intermediários. O exército era também responsável pela manutenção de fortificações ao longo de importantes rotas de comércio e pela construção de fortes que servissem de bases militares. Durante o Novo Reino, vários faraós usaram seu respeitado exército para atacar e conquistar Kush e partes do Levante.
Seu equipamento militar típico incluía arcos e flechas, lanças e escudos arredondados, de peles de animais esticadas sobre armações de madeira. No novo reino, carros que haviam sido introduzidos, anteriormente, pelos invasores hicsos, começaram a ser usados. Armas e armaduras continuaram a ser melhoradas após a adoção do bronze: escudos em madeira maciça com revestimento de bronze, lanças com pontas de bronze e as espadas tipo foice adotadas dos soldados asiáticos. O faraó era normalmente representado, em arte e literatura, a frente de seu exército e alguns deles assim o fizeram, realmente, embora não fosse comum esse procedimento à época. Os soldados eram recrutados da população geral, mas durante, e especialmente após, o Novo Reino, mercenários da Núbia, Kush e Líbia foram contratados para lutar pelo Egito.

IV.2.6 – Tecnologia, Medicina e Matemática

O Egito alcançou um padrão relativamente alto de produtividade e sofisticação na tecnologia, medicina e matemática.
Mesmo antes do Antigo Reino, os egípcios antigos haviam desenvolvido um material vítreo conhecido como faiança, que eles tratavam como um tipo de pedra artificial semi-preciosa. Era uma cerâmica não argilosa, feita de sílica, pequenas quantidades de cal e soda e um corante, geralmente cobre. Esse material era usado para fazer contas, telhas, ladrilhos, estatuetas e louça.
Os antigos egípcios podiam fabricar uma ampla variedade de objetos de vidro com grande habilidade, mas não se sabe se eles desenvolveram o processo de forma independente. Também não é claro se eles fizeram seu próprio vidro bruto ou importaram barras pré-fabricadas, que fundiam e acabavam. Contudo, eles possuíam expertise técnico para a confecção de objetos, bem como na adição de micro elementos para controlar a cor dos vidros acabados. Uma boa variedade de cores podia ser produzida, incluindo amarelo, vermelho, verde, azul, púrpura e branco, e o vidro podia ser transparente ou opaco.
Os problemas médicos dos egípcios antigo, advinham diretamente do seu meio ambiente. Vivendo e trabalhando próximo do rio Nilo, corriam o risco da malária e parasitas da esquistossomose, que lhes causavam danos ao intestino e fígado. Animais selvagens como crocodilos e hipopótamos eram também uma ameaça comum. Os trabalhos na agricultura e construção por toda a sua vida, sacrificavam espinha e juntas e ferimentos traumáticos da construção e guerras eram um pesado tributo ao corpo. Arenito e areia da moagem desgastavam os dentes deixando-os sensíveis a abcessos (embora as cáries fossem raras).
As dietas dos ricos eram ricas em açúcar, o que causava doenças periodontais. A despeito das características agradáveis representadas nas paredes das tumbas, o sobre peso das múmias da maioria da classe alta reflete os efeitos de uma vida ociosa. A expectativa de vida do adulto era de 35 anos para os homens e 30 anos para as mulheres, mas cerca de 1/3 da população morria na infância.
Os médicos egípcios eram renomados no antigo Oriente Próximo, por sua perícia na cura e alguns, como Imhotep, permaneceram famosos por longo tempo após suas mortes. Registros de Heródoto mostram que já havia um alto grau de especialização à época, alguns médicos tratando apenas cabeça e estômago, enquanto outros apenas de olhos e dentes. O treinamento de médicos ocorria na “Casa da Vida”, principalmente os que tinham sede em Per Bast, cidade do Delta do Nilo, durante o Novo Reino, e em Abydos, no Último Período. Papiros médicos mostram um bom conhecimento empírico de anatomia, ferimentos e tratamentos práticos. Feridas eram tratadas por bandagens com carne crua, linho branco, suturas, curativos e algodões empapados com mel para evitar as infecções, enquanto ópio, tomilho e beladona eram usados para aliviar a dor. Os mais antigos registros de tratamento de queimaduras descrevem bandagens de queimadura que usavam o leite de mães de bebês machos. Orações eram feitas para a deusa Isis. Pão mofado, mel e sais de cobre eram usados para prevenir a infecção. Alho e cebola eram usados regularmente para promover a boa saúde, acreditando-se que aliavam os sintomas da asma. Cirurgiões egípcios costuravam ferimentos, arrumavam ossos quebrados e amputavam membros doentes, mas reconheciam que alguns ferimentos eram tão sérios que só podiam manter o paciente confortável até que ocorresse a morte.
Os primeiros egípcios sabiam como reunir pranchas de madeira para o casco de um navio e haviam dominado formas avançadas de construção naval já por 3000 AC. O Instituto Arqueológico da América atesta que 14 navios ainda não desenterrados, em Abydos, foram construídos de pranchas de madeira “costuradas” juntas, por meio de tiras entrelaçadas, com grama ou junco entre as pranchas para selar as costuras. O mais antigo desses navios data de 3000 AC (cerca de 5.000 anos de idade) e tem 23 m de comprimento e pode ter pertencido ao rei Aha. Sabe-se que grandes navios marítimos foram muito usados pelos egípcios no comércio com cidades-estados do Mediterrâneo Oriental, especialmente Biblos (na costa do Líbano moderno) e em várias expedições ao Mar Vermelho, a Punt. De fato, uma das palavras egípcias mais antigas para definir um navio marítimo, foi “Navio Biblos”, mas ao final do Reino Antigo, qualquer que fosse o seu destino, ele seria chamado por esse nome.
Mersa Gawasis, no Mar Vermelho
Em 2011 arqueólogos da Itália, EUA e Egito, escavando uma lagoa seca, Mersa Gawasis, descobriram traços desenterrados de um antigo porto que no passado lançou expedições famosas ao mar aberto. Uma das evidências mais evocativas inclui grandes navios de madeira e centenas de metros de cordas de papiro enrolados em imensos rolos. Em 2013 uma equipe de arqueólogos franco-egípcios descobriram o que pode ser o porto mais antigo do mundo, datando de 4500 AC, da época do Rei Queops, na costa do Mar Vermelho, cerca de 110 milhas ao sul de Suez.
Os mais antigos exemplos atestados de cálculos matemáticos datam do Período Naqada pré-dinástico e mostram um sistema numérico totalmente desenvolvido. A importância da matemática para um egípcio educado é sugerida por uma carta do Novo Reino em que o escritor propões uma competição escolar entre ele e outro escriba, sobre tarefas corriqueiras envolvendo cálculos, como avaliação de terras, trabalho e grãos. Textos como o Papiro Matemático de Rhind e o Papiro Matemático de Moscou, mostram que os egípcios antigos podiam realizar as quatro operações matemáticas básicas, usar frações, calcular volumes de caixas e pirâmides e calcular áreas de retângulos, triângulos círculos. Eles entendiam os conceitos básicos de álgebra e geometria e podiam resolver conjuntos simples de equações simultâneas.
A notação matemática era decimal e baseada em hieróglifos para cada potência de dez até um milhão. Cada um desses sinais era escrito o número de vezes necessário para se chegar até o número. Por exemplo, para se escrever o número oito, ou oitenta, ou oitocentos, escrevia-se o sinal para 1, 10 ou 100, respectivamente, repetindo-o oito vezes. Algumas das características de seu método, certamente seriam hoje bem mais complicadas do que o nosso sistema decimal como o conhecemos.
Os matemáticos egípcios antigos possuíam compreensão dos princípios básicos do Teorema de Pitágoras, sabendo, por exemplo, que o triângulo retângulo tinha um ângulo reto oposto à hipotenusa e que seus lados mantinham uma relação de 3, 4 e 5. Calculavam a área do círculo como 8/9 do seu diâmetro elevado ao quadrado, um valor muito próximo de [(πD**2)/4] ou (πr**2).

V - LEGADO

A cultura e os monumentos do antigo Egito, constituem um duradouro legado ao mundo moderno. O culto da deusa Isis, por exemplo, tornou-se popular no Império Romano, quando obeliscos e outras relíquias foram transportados para Roma. Os romanos também importaram materiais de construção do Egito para erigir estruturas no estilo egípcio. Historiadores antigos, como Heródoto, Strabo e Diodorus Siculus, estudaram e escreveram sobre a terra que os romanos conheceram, como um lugar de mistério.
Durante a Idade Média e o Renascimento, a cultura egípcia pagã estava em declínio após a ascensão do Cristianismo e, posteriormente, do Islamismo; mas o interesse na antiguidade egípcia prosseguiu nos escritos de estudiosos medievais. Nos séculos XVII e XVIII, viajantes e turistas europeus trouxeram de volta antiguidades e escreveram a histórias de suas jornadas, conduzindo a uma onda de Egiptomania por toda a Europa. Esse renovado interesse enviou colecionadores ao Egito, que tomaram, adquiriram ou ganharam antiguidades muito importantes.
Embora a colonização europeia do Egito tenha destruído uma parte significativa do legado histórico do país, alguns estrangeiros tiveram resultados mais positivos. Napoleão, por exemplo, arranjou os primeiros estudos em Egiptologia quando trouxe 150 cientistas e artistas para estudar e documentar a história natural do Egito, publicada na “Descrição do Egito”.
No século XX, o governo e arqueólogos egípcios reconheceram a importância do respeito e integridade cultural nas escavações. O “Supremo Conselho de Antiguidades” agora aprova e supervisiona todas as escavações, realizadas para a busca de informações ao invés de tesouros. O Conselho também supervisiona museus e programas de reconstrução de monumentos projetados para preservar o legado histórico do Egito, uma das grandes civilizações mundiais.

Na próxima postagem, INÍCIO DA CIVILIZAÇÃO DO INDO

sábado, 11 de abril de 2015

AS TRÊS PRIMEIRAS GRANDES CIVILIZAÇÕES MUNDIAIS: EGITO (PARTE 04)

III.7 – NOVO REINO (1550 – 1069 AC)


Novo Reino em sua máxima extensão século XV AC 
O Novo Reino do Egito, ao qual também se refere como o Império Egípcio, é o período da história do Egito Antigo entre os séculos XVI (entre 1570 e 1544 AC) e XI AC, que cobriu da 18ª à 20ª Dinastias do Egito. Foi o período mais próspero do Egito e marcou o pico do seu poder e sua máxima extensão territorial. Os faraós do Novo Reino estabeleceram um período de prosperidade sem precedentes, pela segurança de suas fronteiras e pelo estreitamento dos laços diplomáticos com seus vizinhos, incluindo o Império Mitani, Assíria e Canaã. Os faraós do Novo Reino Promoveram a construção em larga escala, em honra ao deus Amun[1] cujo culto crescente era baseado em Karnak[2]. Eles também construíram monumentos para glorificar seus próprios sucessos, reais e imaginários.A última parte deste período, durante a 19ª e 20ª Dinastias (1292-1069 AC), é também conhecida como período Ramessita, devido aos onze faraós que tomaram o nome de Ramsés.
Máscara mortuária de Tutankamon, o jovem
rei que restaurou a antiga religião

A 18ª Dinastia teve alguns dos mais famosos faraós do Egito, incluindo Ahmose I, Hatshepsut, Tutmose III, Amenotep III, Akenaten e Tutankamon. A rainha Hatshepsut, que reinou por quase vinte e dois anos, promoveu a paz e concentrou-se em expandir o comércio externo do Egito, perdido com a ocupação dos hicsos, enviando uma expedição comercial até a distante terra do Punt. Tutmose III (1479-1425 AC) - como seu avô Tutmose I - expandiu o exército egípcio e controlou-o com grande sucesso para consolidar o império de seus predecessores. Foi durante o seu reinado que o termo Faraó, originalmente se referindo ao palácio do rei, tornou-se uma espécie de título para o rei. Quando Tutmose III morreu, em 1425 AC, o Egito tinha um império que se estendia da Niya, no noroeste da Síria, até a quarta cachoeira do Nilo, na Núbia, concretando alianças e abrindo acesso a importações críticas, como bronze e madeira.
A despeito de suas realizações, Amenotep II (também conhecido como Amenófe II), herdeiro do sobrinho (e enteado) de Hatshepsut, Tutmose III, tentou apagar o seu legado durante e próximo ao final do reinado do seu pai, tornando suas muitas das realizações dela. Ele também tentou mudar muitas tradições estabelecidas durante séculos, numa fútil tentativa de evitar que outras mulheres se tornassem faraós e frear sua influência no reino.
Estátua da Rainha Hatshepsut
Cerca de 1350, a estabilidade do Reino Novo pareceu mais ameaçada quando Amenotep IV, um dos mais conhecidos faraós da 18ª Dinastia, subiu ao trono e instituiu uma série de reformas radicais e caóticas. Mudando seu nome para Akenaten (em honra de Aten, um aspecto do deus Ra), ele promoveu a obscura deidade Aten a suprema e praticamente exclusiva deidade, suprimindo a adoração das demais, no primeiro exemplo de monoteísmo da história. Atacou o poder do templo que era dominado pelos sacerdotes de Amun, em Tebas, e mudou a capital para Aketaten, tornando-se surdo aos eventos do Oriente Próximo, onde hititas, mitanis e assírios competiam pelo controle. Após a sua morte, o culto a Aten foi rapidamente abandonado, os sacerdotes de Amun recuperaram seu poder e o poder retornou a Tebas. Sob sua influência, os faraós subsequentes, Tutankamon, Ay e Horemhem, trabalharam para apagar toda a menção à heresia de Akenaten, agora conhecida como Período Amarna. Possivelmente, foi esse fervor religioso de Akenaten pelo deus único Ten, que posteriormente o tornou proscrito da história egípcia. Sob seu reinado a arte egípcia floresceu atingindo um nível inédito de realismo.
Possível localização da Terra de Punt
com rotas terrestres e marítimas
Cerca de 1279 AC, Ramsés II, também conhecido como Ramsés, o Grande, já da 19ª Dinastia, subiu ao trono e construiu mais templos, erigiu mais estátuas e obeliscos e procriou mais crianças que qualquer outro faraó na história. Procurou recuperar territórios no Levante que tinham sido ocupados pela 18ª Dinastia. Um forte líder militar, Ramsés II conduziu seu exército contra os hititas na Batalha de Kadesh e, após lutar um combate sem decisão, finalmente concordou com o primeiro tratado de paz registrado, em 1258 AC. Sem poder vencer os hititas e temeroso da expansão do Médio Império Assírio, o Egito retirou-se muito do Oriente Próximo. Com isso os hititas foram deixados competir, sem sucesso, com os poderosos assírios e os recém chegados frígios.
Seus sucessores imediatos continuaram as campanhas militares, embora uma corte crescentemente conturbada – que em algum ponto colocou no trono um usurpador, Amenmesse –, tornou difícil a um faraó a tarefa de reter o controle sem incidente.
Tutmose III, o faraó militar,
"o Napoleão do Egito"
O último grande faraó do Novo Reino é aceito pela maioria como Ramsés III, um faraó da 20ª Dinastia, que reinou por várias décadas após Ramsés II. No oitavo ano do seu reino, os Povos do Mar (Filisteus entre outros) invadiram o Egito por terra e por mar sendo batidos por Ramsés III em duas grandes batalhas de mar e terra. Ramsés pretendeu tê-los incorporado como súditos estabelecendo-os ao sul de Canaã, embora haja evidência de que eles forçaram seu caminho para Canaã. Sua presença lá pode ter contribuído para a formação de novos estados nessa região, como a Filisteia[3] (Palestina), após o colapso do Império Egípcio.
O alto custo dessas ações de guerra lentamente drenou a riqueza do Egito e contribuiu para o seu gradual declínio na Ásia. A grandeza de suas dificuldades foi tão grande que a primeira greve de trabalho registrada na história ocorreu durante o 19º ano do reinado de Ramsés III, quando não foi possível fornecer as rações para os artesãos e construtores dos túmulos reais na vila de Deir el Medina. Características climáticas incomuns impediram a adequada insolação, prejudicando o crescimento global das árvores por quase duas décadas completas, até 1140 AC, provavelmente pela erupção do vulcão Hekla, na Islândia, cuja data correta permanece em disputa.
Faraó Akenaten (Amenotep IV), fundador da
primeira religião monoteísta 
A morte de Ramsés III foi seguida por anos de disputa entre seus herdeiros, três filhos do qual ascenderam ao trono sucessivamente como Ramsés IV, Ramsés VI e Ramsés VIII. O Egito foi, cada vez mais, perturbado por secas (abaixo do nível normal das cheias do Nilo), fome, agitação civil e corrupção no governo. Além disso, a riqueza do Egito, entretanto, fê-lo um alvo tentador à invasão, particularmente pelos berberes líbios do oeste e os Povos dos Mares, uma poderosa confederação de piratas gregos, luvianos (povo da Anatólia relacionado aos hititas) e fenícios/canaanitas. Inicialmente o exército pode repelir tais invasões, mas o Egito acabou perdendo o controle dos seus territórios ao sul de Canaã, principalmente para os assírios. O poder do último faraó da dinastia, Ramsés XI tornou-se tão fraco, que os altos sacerdotes de Amun, em Tebas, tornaram-se os governantes de fato do Alto Egito; e Smendes, controlando o Baixo Egito, ainda antes da morte de Ramsés XI, acabou fundando a 21ª Dinastia em Tanis, região nordeste do Delta do Nilo, conduzindo o Egito ao Terceiro Período Intermediário.

III.8 – TERCEIRO PERÍODO INTERMEDIÁRIO (1069 – 664 AC)

O Terceiro Período Intermediário do Antigo Egito inicia com a morte do faraó Ramsés XI, em 1070 AC e termina com o início do Último Período, com a fundação da 26ª Dinastia, por Psamtik, em 664 AC. Foi um período de declínio e instabilidade política, marcado pela divisão do Estado e pelo governo de estrangeiros, embora muitos aspectos da vida dos egípcios comuns tenham mudado relativamente pouco.
Com a morte de Ramsés XI, em 1078 AC, Smendes assumiu o poder sobre a região norte do Egito, reinando da cidade de Tanis e constituindo a 21ª Dinastia. O sul e o médio vale estavam efetivamente controlados pelos sacerdotes de Amun, em Tebas, que reconheciam Smendes apenas no nome. Durante este período, tribos berberes, do que mais tarde se chamaria Líbia, se haviam estabelecido no delta ocidental e os chefetes desses colonizadores começaram a aumentar a sua autonomia. Príncipes líbios tomaram controle do delta sob Shoshenq I, em 945 AC, fundando a dinastia Berbere Líbia ou Bubastita – 22ª Dinastia -, que governou por cerca de 200 anos. Soshenq I também ganhou controle do sul do Egito, colocando membros da sua família em posições sacerdotais e reunificando o país. Com isso, o Egito teve estabilidade por mais de 100 anos quando, após o reinado de Osorkon II, o país rachou em dois estados, com Shoshenq III, da 22ª Dinastia, controlando o Baixo Egito por 818 AC, enquanto Takelot II e seu filho Osorkon (o futuro Osorkon III) governavam o Médio e Alto Egito. Em Tebas, uma guerra civil engolfou a cidade entre as forças de Pedubast I, que se havia proclamado Faraó e a linha existente de Takelot II/Osorkon. Essas duas facções disputaram o poder e o conflito só foi resolvido no 39º ano de Shoshenq III quando Osorkon derrotou completamente os seus inimigos, prosseguindo para fundar a Dinastia Egípcia Líbia Superior de Osorkon III – Takelot III – Rudamun; mas esse reino rapidamente fragmentou-se após a morte de Rudamun, com o surgimento de cidades estados locais sob reis como Peftjaubast de Herakleopolis, Nimblot de Hermopolis e Init em Tebas.
O reino núbio ao sul tirou vantagem dessa divisão e instabilidade política. O rei núbio Kashta, da dinastia Kushita (24ª Dinastia), já havia estendido a influência de seu reino sobre Tebas, quando obrigou Shepenupet, sacerdotisa de Amun e irmã de Takelot III, a adotar sua filha Amenirdis como sua sucessora. Então, 20 anos depois, em 732 AC, seu sucessor, Piye, marchou para o norte tomando Tebas e o Delta do Nilo, derrotando a força combinada de vários governantes egípcios nativos: Peftjaubast, Osorkon IV de Tanis, Iuput II de Leontopolis e Tefnakht de Sais. Com isso, Piye armou o cenário para a subsequente Vigésima Quinta Dinastia de faraós, que reuniu as “Duas Terras”, tornando o império do Vale do Nilo tão grande como havia sido no Reino Novo.
Piye estabeleceu a 25ª Dinastia e nomeou os governantes derrotados como seus governadores provinciais. Foi sucedido por seu irmão Shabaka e então por seus dois filhos Shebitku e Taharga. O império do Vale do Nilo reunido, da 25ª Dinastia foi tão grande quanto tinha sido desde o Reino Novo. Os faraós construíram e restauraram templos e monumentos por todo o vale, incluindo Memphis, Karnak, Kawa etc., numa espécie de renascimento do antigo Egito, trazendo de volta à sua glória, a religião, as artes e a arquitetura dos reinos Velho, Médio e Novo. Tal dinastia terminou com seus soberanos se retirando para seu lar espiritual em Napata, onde todos os faraós da 25ª Dinastia estão enterrados sob as primeiras pirâmides construídas desde o Reino Médio no Vale do Nilo. A dinastia de Napata acabou por conduzir ao Reino de Kush, que floresceu lá e em Meroe, pelo menos até o século II DC.
Napata e Meroe, então na
Núbia, hoje Sudão
Piye fez várias tentativas, sem sucesso, para estender a influência egípcia no Oriente Próximo, então controlado pela Assíria. Em 720 AC ele enviou um exército para apoiar uma rebelião contra a Assíria, que acontecia na Filisteia. Contudo, Piye foi derrotado por Sargão II e as rebeliões terminaram. Em 711 AC Piye novamente apoiou uma revolta contra os assírios, pelos israelitas, e foi novamente derrotado.
O prestígio internacional do Egito havia declinado consideravelmente por essa época, com seus aliados internacionais firmemente sob a esfera de influência da Assíria e pelo ano 700 AC restava saber quando seria a guerra entre os dois estados. Os assírios começaram a sua invasão do Egito sob o rei Esarhadon, sucessor de Senaqueribe, assassinado por seus próprios filhos, por ter destruído a revoltosa cidade da Babilônia. Em 674 AC, Taharga derrotou Esarhadon e o exército assírio, totalmente, em solo egípcio. Em 671 AC, Esarhadon expulsou os kushitas do norte do Egito de volta para a Núbia. Contudo, os governantes egípcios nativos instalados por Esarhadon não conseguiram reter o pleno controle de todo o país por muito tempo. Dois anos mais tarde Taharga voltou da Núbia e conseguiu o controle do sul do Egito, até Memphis. Esarhadon preparava-se para retornar ao Egito quando adoeceu e morreu em Nínive. Seu sucessor, Assurbanipal, enviou um general com um pequeno mas bem treinado exército que derrotou Taharga em Memphis e o expulsou novamente do Egito. Dois anos mais tarde Taharga morreu na Núbia. Seu sucessor, Tanutamun, também fez uma tentativa fracassada para recuperar o Egito para a Núbia. Derrotou Necho, o governante fantoche instalado por Assurbanípal, tomando Tebas. Os assírios enviaram então um grande exército para o sul que pôs Tanutamun em debandada de volta para a Núbia. A despeito do tamanho e poder do Egito, a Assíria possuía um suprimento maior de madeira, que lhe proporcionava o carvão necessário para a fundição do ferro de armamentos. Essa disparidade tornou-se crítica durante a invasão assíria do Egito em 670 AC. Em 664 AC os assírios lançaram o golpe mortal, saqueando Tebas e Memphis. O exército assírio saqueou Tebas de forma que ela nunca se recuperou e um governante nativo, Psamtik I, foi posto no trono como um vassalo de Assurbanipal e os núbios nunca mais foram ameaça.

III.9 – ÚLTIMO PERÍODO (664 – 332 AC)

O Último Período do Antigo Egito refere-se à última safra de soberanos nativos egípcios após o Terceiro Período Intermediário, da 26ª Dinastia das conquistas persas até a conquista por Alexandre, o Grande, e o estabelecimento do Reino Ptolomaico, de 664 a 332 AC. Embora estrangeiros tenham governado o país neste período, a cultura foi mais prevalente que nunca. Líbios e persas alternaram o poder com egípcios nativos, mas a convenção tradicional continuou nas artes. O Período é muitas vezes visto como o último intervalo de uma vez grande cultura, durante o qual o poder do Egito permanentemente decresceu.
O Alto Egito permaneceu, por algum tempo, sob a administração de Tanutamun enquanto o Baixo Egito foi governado, a partir de 664 AC, pela 26ª Dinastia, reis clientes estabelecidos pelos Assírios que, entretanto, trabalharam para conseguir a independência política do Egito durante a época conturbada do Império Assírio. Em 656 AC, Psamtik I ocupou Tebas e tornou-se faraó, o rei do Alto e Baixo Egito, trazendo crescente estabilidade ao país, num reino de 54 anos, da cidade de Sais, no Delta do Nilo. Psamtik e seus sucessores foram cuidadosos em manter relações pacíficas com a Assíria e a influência grega expandiu-se muito desde que a cidade de Naukratis, no delta do Nilo, tornou-se lar dos gregos. Quatro sucessivos reis saitas continuaram governando o Egito em outro período de prosperidade de 610 a 525 AC.
Em 609 AC Necho II foi à guerra contra a Babilônia, os caldeus, os medos e os citas, numa tentativa infrutífera de salvar a Assíria que, após uma brutal guerra civil, estava sendo assolada por esta coalizão de potências. Os egípcios haviam protelado muito a intervenção e Nínive já havia caído e o rei Sin-shar-ishkun morto quando Necho II enviou seus exércitos para o norte. Contudo, Necho varreu o exército israelita sob o rei Josias, mas logo perdeu batalha importante, junto com os assírios, em Harran, contra os babilônios, medos e citas.
Foi durante esta época que muitos judeus chegaram ao Egito, fugindo da destruição do Primeiro Templo em Jerusalém, pelos babilônios (586 AC). Necho II e Ashur-uballit II da Assíria foram finalmente derrotados na Arameia (Síria moderna), em 605 AC. Os egípcios permaneceram na área por algumas décadas, lutando com os reis babilônios Nabopolassar e Nabucodonosor II pelo controle de porções do antigo Império Assírio no Levante. Contudo, eram eventualmente empurrados de volta para o Egito, sendo que Nabucodonosor II chegou a invadir o Egito em 567 AC.
Infelizmente para esta Dinastia, um novo poder estava crescendo na Pérsia. O faraó Psamtik III havia sucedido a seu pai, Ahmose II, apenas seis meses antes, quando teve que enfrentar o Império Persa em Pelusium, numa batalha magnificamente recontada pelo historiador grego Heródoto. Os persas já haviam tomado a Babilônia e o Egito não seria páreo. Psamtik III foi derrotado e escapou para Memphis onde foi preso e depois executado, em Susa, na Pérsia (moderno Irã), a capital do rei persa Cambises, que então assumiu o título de faraó, fundando a 27ª Dinastia e deixando o Egito sob o controle de uma satrapia. Algumas revoltas exitosas contra os persas marcaram o quinto século AC, mas o Egito nunca derrotou os persas permanentemente.
Após a sua anexação à Pérsia, o Egito foi unido a Chipre e Fenícia (moderno Líbano) na sexta satrapia do Império Persa Aquemênida. O primeiro período do governo persa sobre o Egito (27ª Dinastia), terminou em 404 AC. A 28ª Dinastia foi constituída por um só rei, Amyrtaeus, príncipe de Sais, que se rebelou contra os persas. Não deixou monumentos com o seu nome e sua dinastia durou seis anos, de 404 a 398 AC. A 29ª Dinastia governou de Mendes, pelo período de 398 a 380 AC.
A 30ª Dinastia tomou sua forma de 26ª Dinastia e governou como a última casa real nativa do Egito dinástico, que terminou com o reinado de Nectanebo II, reinando de 380 AC até a sua derrota final em 343 AC para os persas, por uma breve restauração, algumas vezes chamada de Trigésima Primeira Dinastia; mas em seguida, em 332 AC, o mandatário persa Mazaces entregou o Egito a Alexandre, o Grande, sem luta.


[1] Amun (ou Amon) era uma deidade local de Tebas, reconhecido desde o Reino Antigo, junto com sua esposa Amaunet. Com a Décima Primeira Dinastia ele foi galgado à posição de deidade patrona de Tebas, em substituição a Monthu. Após a rebelião de Tebas contra os hicsos e o governo de Ahmose I, Amun adquiriu importância nacional expressa em sua fusão com o o deus Sol, Ra, como Amun-Ra.
[2] O complexo de templos de Karnak ou apenas Karnak, compreende um conjunto de ruínas de templos, capelas e outras construções, iniciadas durante o reinado de Senusret I, no Reino Médio e prosseguido no período Ptolemaico, embora a maior parte das construções existentes seja do Reino Novo. A área em torno de Karnak era o principal centro de adoração da Décima Oitava Dinastia da Tríade Tebana, com Amun como o seu deus principal, sendo parte da monumental cidade de Tebas.
[3] A Filisteia era uma pentápolis (conjunto de cinco cidades) na região sudoeste do Levante (mesma latitude do mar Morto, no Mar Mediterrâneo), compreendendo as cidades de Asquelom, Asdode, Ecrom, Gate, e Gaza, estabelecida por tribos migrantes (possivelmente os “Povos do Mar”, chamados filisteus, cerca de 1175 AC, com a derrota desses povos pelo faraó Ramsés III. A Filisteia esteve em permanente conflito e interação com os vizinhos egípcios, israelitas e canaanitas, gradualmente absorvendo sua cultura. Os filisteus foram finalmente conquistados e subjugados pelos israelitas e a Filisteia deixou de existir após a conquista assíria do Levante em 722 AC. Admite-se que a Filisteia (com os filisteus) foi a precursora dos termos helênico e romano Palestina (Phalaestine), e palestinos.

Continuação na próxima postagem: PARTE 05

quarta-feira, 25 de março de 2015

AS TRÊS PRIMEIRAS GRANDES CIVILIZAÇÕES MUNDIAIS: EGITO (PARTE 03)

III.5 - REINO MÉDIO (2055 – 1650 AC)


O Reino Médio do Egito, também conhecido como o Período da Reunificação, é o período da história do Antigo Egito entre 2000 e 1700 AC. Englobou parte da Décima Primeira Dinastia (primeira fase), que governou com sede em Tebas, e toda a Décima Segunda Dinastia (segundo fase), quando o governo esteve centrado em El-Lisht, período em que Osiris tornou-se a mais importante deidade da religião popular.
Mentuhotep II, unificador do Egito
Os faraós do Reino Médio recuperaram a prosperidade e estabilidade do país, estimulando uma ressurgência da arte, literatura e monumentais projetos de construção. Mentuhotep II e seus sucessores da Décima Primeira Dinastia governaram de Tebas, nome grego da cidade do Egito antigo (Waset), localizada a 800 km ao sul do Mediterrâneo, margem ocidental do Nilo, hoje na moderna cidade de Luxor. Com tais providências, a população, artes e religião da nação floresceram. Em contraste com as elitistas atitudes do Reino Antigo, em relação aos deuses, o Reino Médio experimentou um crescimento nas expressões de piedade pessoal e numa espécie de democratização da “vida após a morte”, em que todas as pessoas possuíam uma alma e eram bem vindas à companhia dos deuses, após a morte. A literatura do Reino Médio apresentou temas e caracteres sofisticados escritos em estilo confiante e eloquente. As esculturas em relevo e de retrato, do período, capturavam detalhes sutis e individuais que alcançavam novos níveis de perfeição técnica.
Localização de Tebas
Mentuhotep II comandou campanhas militares ao sul, até a Segunda Catarata, na Núbia, que havia ganho sua independência durante o Primeiro Período Intermediário. Também restaurou a hegemonia egípcia sobre a região do Sinai, que havia sido perdida pelo Egito desde o final do Reino Antigo. Para consolidar sua autoridade, ele restaurou o culto ao governante, se autodescrevendo como deus em vida, vestindo o ornato de cabeça dos deuses Amun e Min. Morreu após um reinado de 51 anos, passando o trono ao seu filho Mentuhotep III.
Mentuhotep III reinou por doze anos prosseguindo a consolidação do governo de Tebas sobre todo o Egito, construindo uma série de fortes no Delta oriental para proteger o Egito contra ameaças da Ásia. Enviou a primeira expedição a Punt utilizando navios especialmente construídos para esse fim, pelo Mar Vermelho. Mentuhotep III foi substituído por Mentuhotep IV cujo nome é omitido das listas antigas de reis egípcios, já que papiros antigos declaram que após Mentuhotep III “vieram sete anos sem reis”. A despeito dessa ausência, seu reino é atestado por algumas inscrições no wadi Hammamat[1], que registra expedições à costa do Mar Vermelho e a jazidas de pedras para os monumentos reais, cujo líder era o vizir Amenemhat, futuro faraó Amenemhet I, primeiro rei da 12th Dinastia.
A ausência de Mentuhotep IV da lista de reis criou a teoria de que Amenemhet I usurpou o seu trono. Embora não hajam relatos contemporâneos dessa desavença, alguma evidência circunstancial aponta para a existência de uma guerra civil ao final da 11th Dinastia, entre dois reivindicantes ao trono. O que é certo é que, tendo galgado o poder, Amenemhet I não era de nascimento real.
Ao assumir o reino no início da Décima Segunda Dinastia, cerca de 1985 AC, Amenemhet I mudou a capital para a cidade de Itjtawy (Dominador das Duas Terras), próxima de Memphis e el-Lisht, imediatamente ao sul do vértice do delta do Nilo. De Itjtawy, os faraós da Décima Segunda Dinastia empreenderam um previdente projeto de recuperação de terras e esquema de irrigação para aumentar os resultados agrícolas da região. A partir dessa dinastia, os reis mantiveram exércitos permanentes bem treinados que incluíam contingentes núbios, com os quais reconquistaram territórios na Núbia, ricos em jazidas e minas de ouro, enquanto operários construíam uma estrutura defensiva no delta oriental, chamada “Muralhas do Governante”, contra ataques estrangeiros. Contudo, o Reino Médio foi basicamente defensivo em sua estratégia militar, com fortificações construídas na Primeira Catarata do Nilo, na região do Delta e no istmo do Sinai.
Para reforçar sua posição, Amenemhet exigiu registro das terras, modificou os limites das nomes, indicou nomarcas diretamente, mas aquiesceu com o sistema, para aplacar os representantes que apoiavam o seu governo, imprimindo ao Reino Médio o caráter de uma organização mais feudal do que o Egito havia tido antes ou teria posteriormente.
Em seu 20º ano de reinado, Amenemhat estabeleceu seu filho Senusret I como corregente, estabelecendo uma prática que seria usada repetidamente pelo resto do Reino Médio e durante o Reino Novo.
Com o provável assassinato de Amenemhet, em conspiração palaciana, em seu 30º ano de reinado, Senusret I assumiu o poder. Durante o seu reinado, os exércitos egípcios avançaram para o sul até a Segunda Catarata, na Núbia, construindo um forte de fronteira em Buhen e incorporando toda a baixa Núbia como uma colônia egípcia. Estendeu contatos comerciais na Palestina síria, até Ugarit. Em seu 43º ano de reinado, Senusret I indicou Amenemhet II como corregente e morreu três anos após.
O reino de Amenemhet II foi caracterizado como muito pacífico, mas seus registros diários lançam dúvidas sobre esta informação, muitas vezes falando em tratados de paz com certas cidades sírio-palestinas e conflitos com outras. Não parece que Amenemhet II tenha perseguido a política de seus antecedentes na nomeação de nomarcas, preferindo retornar à hereditariedade. Em seu 33º ano de reinado, ele indicou seu filho, Senusret II, como corregente.
Não existe evidência de atividades militares durante o reinado de Senusret II, mas ele parece ter focado em questões domésticas, particularmente a irrigação de Faiyum. Esse projeto visava a conversão do oásis numa produtiva faixa de terra cultivada. Acabou por construir sua pirâmide na localidade de el-Lahun, próximo da junção do Nilo com o principal canal de irrigação de Faiyum. Reinou somente por 15 anos, evidenciados pela natureza incompleta de muitas de suas construções. Sucedeu-o no trono, seu filho, Senusret III.
Senusret III era um rei guerreiro que muitas veze foi ao campo de batalha. Em seu sexto ano de reinado ele redragou um canal do Reino Antigo, próximo da Primeira Catarata, para facilitar a viagem para a Núbia superior. Usou esse canal para lançar uma série de brutais campanhas na Núbia no sexto, oitavo, décimo e décimo sexto anos de seu reinado. Após essas vitórias, Senusret construiu uma série de fortes maciços pelo país, para estabelecer o limite formal entre as conquistas egípcias e a Núbia não conquistada, em Semna, entre a Segunda e Terceira Cataratas. O pessoal desses fortes era encarregado de enviar relatórios frequentes, para a capital, sobre os movimentos e atividades dos nativos núbios locais, que não podiam navegar para o norte da fronteira nem penetrar por terra com seus rebanhos; mas podiam viajar para fortes locais para comerciar. Após isso, Senusret fez mais uma campanha, em seu 19º ano, mas foi obrigado a retornar devido aos níveis anormalmente baixos do Nilo, que punham em risco os seus navios. Um de seus soldados registrou também uma campanha na Palestina, provavelmente contra Shechem, única referência a uma campanha militar contra um local da Palestina, em toda a literatura do Reino Médio.
O poder dos nomarcas caiu substancial e definitivamente durante o seu reinado, embora não haja registro de que Senusret tenha tomado qualquer ação direta contra eles. A duração do seu reino permanece uma questão aberta. Seu filho Amenemhet III começou a reinar após o 19º ano de seu pai, o que tem sido considerado como a data máxima atestada; contudo uma referência ao ano 39º, num fragmento encontrado nas ruínas da construção do templo mortuário de Senusret, tem sugerido a possibilidade de uma longa corregência com seu filho.
O reinado de Amenemhet III, o último grande governante deste período, marcou o pico da prosperidade econômica do Reino Médio. Ele permitiu a entrada de colonos canaanitas de língua semita, do Oriente Próximo, para fornecer força de trabalhos para sua mineração ativa e campanhas de construção. Reforçou as defesas de seu pai na Núbia e prosseguiu com as obras de recuperação de terra de Faiyum. Após um reinado de 45 anos, Amenemhet III foi sucedido por Amenemhet IV, cujo reino foi pobremente documentado.
Busto de Sobekneferu, museu do Louvre
Claramente, nessa época o poder dinástico começou a enfraquecer, por várias razões, entre as quais as ambiciosas atividades de mineração e construção. Por outro lado, registros da época indicam que o fim do reinado de Amenemhet III foi seco e os fracassos das colheitas podem ter ajudado a desestabilizar a dinastia. Além disso, o reinado extraordinariamente longo de Amenemhet III deve ter criado problemas de sucessão. Esse argumento talvez explique porque Amenemhet IV foi sucedido por Sobekneferu, a primeira rainha do Egito historicamente comprovada, que reinou apenas por quatro anos.
Após a morte de Sobekneferu, sem herdeiros, o trono pode ter passado para Sekhemre Khutawy Sobekhotep, embora em estudos anteriores, Wegaf, que tinha anteriormente sido o Grande Supervisor das Tropas, possa ter reinado em seguida. Começando com este reino, o Egito foi governado por uma série de reis efêmeros por cerca de dez ou quinze anos. Fontes egípcias antigas consideram estes como os primeiros reis da 13ª Dinastia, embora o termo dinastia seja enganoso já que a maioria dos reis da 13ª Dinastia não era aparentada.
Localização de Avaris, no Delta do Nilo, Baixo Egito
Após o caos dinástico inicial, uma série de reis de reinados maiores e melhor comprovados, reinaram entre 50 a 80 anos. O mais forte rei deste período, Neferhotep I, governou por onze anos e manteve efetivo controle do Alto Egito, Núbia e o Delta, com as pequenas possíveis exceções de Xois e Avaris (duas cidades antigas do Delta). Neferhotep I foi reconhecido até como o suserano do governador de Byblos (Delta Ocidental), indicando que a 13ª Dinastia conseguiu reter muito do poder da 12ª Dinastia, pelo menos até esse reinado. Em algum ponto da 13ª Dinastia, Xois e Avaris se tornaram independentes; os governantes de Xois constituíram a 14ª Dinastia e os governantes asiáticos de Avaris constituíram os Hicsos da 15ª Dinastia. Essa última revolta ocorreu durante o reinado do sucessor de Neferhotep I, Sobekhotep IV, embora sem evidência arqueológica. Sobekhotep IV foi seguido pelo curto reinado de Sobekhotep V, que foi sucedido por Wahibre Ibiau que reinou por dez anos e então por Merneferre Ai que teve um reino de vinte e três anos, o mais longo da 13ª Dinastia; ambos parecem ter dominado pelo menos partes do Baixo Egito. Após Merneferre Ai, contudo, nenhum rei deixou seu nome em qualquer objeto fora do Sul. Este foi o início da porção final da 13ª Dinastia, quando os reis do Sul continuaram a reinar sobre o Alto Egito, mas quando a unidade do Egito se desintegrou totalmente, o Reino Médio deu lugar ao Segundo Período Intermediário.

III.6 – SEGUNDO PERÍODO INTERMEDIÁRIO (1650-1550 AC) E OS HICSOS

O segundo Período Intermediário marca o período em que o Antigo Egito caiu em desordem pela segunda vez, entre o final do Reino Médio e o início do Novo Reino, mais conhecido como o período em que os Hicsos surgiram no Egito e cujo reino compreendeu a 15ª Dinastia.
Retendo o assento da 12ª Dinastia, a 13ª Dinastia reinou de Itjtawy e tornou-se notável pela ascensão do primeiro rei semita formalmente reconhecido, Khendjer. A 13ª Dinastia provou ser incapaz de manter a integridade do Egito e uma família provincial reinante, de descendência canaanita, em Xois, abandonou a autoridade central para formar a 14ª Dinastia, como vimos acima.
A 15ª Dinastia do Egito data de aproximadamente 1650 a 1550 AC, foi a primeira dinastia dos Hicsos (em egípcio, governadores estrangeiros), reinou de Avaris – como mencionado anteriormente – e não conseguiu controlar todo o país. Os Hicsos preferiram permanecer no norte do Egito, uma vez que haviam invadido do nordeste; mantiveram os modelos de governo e se identificaram com os faraós, assim integrando elementos egípcios em sua cultura. Junto com outros invasores semitas, introduziram novos artefatos de guerra no Egito, notadamente o arco composto (arco tradicional feito de chifre, madeira e tendão laminados juntos, o chifre para o lado do arqueiro) e o carro puxado por cavalos. Os nomes e a ordem dos reis dessa dinastia é incerta. A Lista dos Reis de Turim[2] indica que foram seis reis Hicsos, com um obscuro Khamudi listado como o último rei da 15ª Dinastia. Os governantes conhecidos da 15ª Dinastia são os seguintes:

· Salitis
· Sakir-Har
· Khyan
· Apophis, cerca de 1590 AC-1550 AC
· Khamudi, cerca de 1550-1540 AC

A 16ª Dinastia governou a região tebana no Alto Egito por 70 anos, mas os dados existentes sobre ela e sobre o período são muito precários. Uma guerra contínua contra a 15ª Dinastia dominou esta 16ª Dinastia, de curta vida. Os exércitos da 15ª Dinastia, vencendo cidade a cidade dos seus inimigos do sul, continuamente ocuparam o seu território acabando por conquistar a própria Tebas. A fome, que havia fustigado o Alto Egito durante a 13ª e 14ª Dinastias, também prejudicou a 16ª Dinastia.
A Dinastia de Abydos pode ter sido uma curta dinastia local, que governou parte do Alto Egito, durante o Segundo Período Intermediário do Antigo Egito, contemporânea com a 15ª e 16ª Dinastias, aproximadamente de 1650 a 1600 AC. A existência de tal dinastia parece ter sido recentemente comprovada, quando a tumba do faraó Seneb Kay, até então desconhecido, foi descoberta em Abydos, e incluiria quatro governantes: Wepwawetemsaf, Pantjeny, Snaaib, e Seneb Kay. A necrópole real da Dinastia de Abydos foi descoberta na parte sul de Abydos, onde seus governantes colocaram o seu cemitério adjacente aos túmulos dos governantes do Reino Médio.
Múmia de Ahmose I, que expulsou os hicsos do Egito
Pelo tempo em que Memphis e Itjtawy caíram para os Hicsos, a casa reinante nativa egípcia, em Tebas, declarou sua independência tornando-se a 17ª Dinastia que, após anos de vassalagem, reuniu suficiente força para desafiar os hicsos num conflito de libertação que durou mais de 30 anos, até expulsar os Hicsos de volta à Ásia em 1555 AC. Antes disso, haviam mantido relações de comércio com o reino Hicso, sendo que Senakhtenre Ahmose, o primeiro rei da linha dos reis Ahmoside, importou calcário branco da região controlada pelos hicsos para fazer parte do Templo de Karnak. Seus sucessores, os dois últimos reis da 17ª Dinastia, Segenenre Tao II e Kamose conseguiram derrotar os núbios ao sul do Egito e os hicsos ao norte, durante as guerras de libertação. Ahmose I (também chamado de Amosis I), filho de Segenenre Tao II e irmão de Kamose, permanentemente erradicou a presença dos hicsos do Egito, fundando a nova 18ª Dinastia. Com a criação da 18ª Dinastia, o período do Novo Reino da história egípcia começa com Ahmose I, seu primeiro faraó.
No Novo Reino que se seguiu, novamente com o controle administrativo centralizado, o exército tornou-se uma prioridade central para os faraós que procuraram expandir as fronteiras do Egito, tentando ganhar o domínio do Oriente Próximo.

[1] Wadi Hammamat (Vale dos Muitos Banhos) é um leito fluvial seco no deserto oriental egípcio, a meio caminho entre Quena, no rio Nilo, e QAuseer, no Mar Vermelho. Era uma antiga região de mineração e rota de comércio a leste do vale do rio Nilo em tempos antigos; três mil anos de escultura e pintura em rocha a tornaram um importante local científico e turístico atualmente. 
[2] A Lista dos Reis de Turim, também conhecida como o Canon Real de Turim, é um papiro egípcio que data do reino do faraó Ramsés II, agora no Museu Egípcio, em Turim. O papiro é a mais extensa lista disponível de reis compilada pelos egípcios, sendo a base para a maioria da cronologia antes do reino de Ramsés II.

Continuação na próxima postagem: PARTE 04