Homenagem ao lendário herói ancestral dos ingleses que deu título a um dos considerados "Cem Maiores Livros do Mundo" e tido como o mais antigo escrito em "Old English".

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sexta-feira, 17 de abril de 2015

AS TRÊS PRIMEIRAS GRANDES CIVILIZAÇÕES MUNDIAIS: EGITO (PARTE 05)

III.10 – DINASTIA PTOLOMAICA (332 – 30 AC)

Em 332 AC, Alexandre, o Grande, rei da Macedônia, invadiu a satrapia persa aquemênida do Egito, com pouquíssima resistência e foi aclamado pelos egípcios como libertador. Conciliou os egípcios pelo respeito que mostrou por sua religião, mas indicou macedônios para virtualmente todos os postos seniores do país e fundou a nova cidade grega de Alexandria, como a capital do reino. Em 331 AC Alexandre estava pronto para partir à conquista do resto do Império Persa e conduziu suas forças para a Fenícia. Deixou Cleomenes como monarca do Egito em sua ausência, mas morreu sem nunca ter retornado ao Egito.
A administração estabelecida pelos sucessores de Alexandre, a Dinastia Macedônica Ptolomaica, um reino helenístico sediado no Egito, foi baseada num modelo egípcio e situada na nova cidade capital Alexandria. Foi administrada por uma dinastia Ptolomaica que começou com a ascensão de Ptolomeu I Soter, após a morte de Alexandre, o Grande, em 323 AC, e encerrou com a morte de Cleópatra VII e a conquista romana. Os reis ptolomaicos adotaram o costume egípcio de casar com suas irmãs e por isso muitos dos reis governaram junto com suas esposas, que também pertenciam à casa real. As únicas rainhas ptolomaicas a, oficialmente, reinar por si, foram Berenice III e Berenice IV. Cleópatra VII, oficialmente, reinou com Ptolomeu XIII, XIV e XV, mas, efetivamente, governou o Egito sozinha.
A Alexandria serviu de mostruário de poder e prestígio do governo helenista e tornou-se um assento de aprendizado e cultura, centrado na famosa Biblioteca de Alexandria. O Farol de Alexandria iluminava o caminho para os muitos navios que mantinham comércio através da cidade, pois os Ptolomeus faziam comércio e empresas de geração de receita, como a manufatura do papiro, sua prioridade.
A cultura helenista não suplantou a cultura nativa egípcia, com o apoio dos Ptolomeus às tradições egípcias, num esforço para garantir a lealdade do povo. Construíram novos templos em estilo egípcio, apoiaram os cultos tradicionais e se retratavam como faraós. Algumas tradições se fundiram, como deuses gregos e egípcios, com o exemplo de Serápis, além das formas gregas clássicas de escultura que influenciaram os tradicionais motivos egípcios. Apesar dos seus esforços para acalmar os egípcios, os Ptolomeus foram desafiados por rebeliões nativas, rivalidades familiares e a poderosa plebe de Alexandria que se formou após a morte de Ptolomeu IV. Além disso, como Roma confiava mais pesadamente em importações de grãos do Egito, os romanos dedicaram grande interesse na situação política do país. As contínuas revoltas, ambições políticas e os poderosos oponentes do Oriente Próximo fizeram a situação tão instável que Roma teve que enviar forças para garantir o país como uma província do seu império.
Com a morte de Alexandre na Babilônia, em 323 AC, a crise sucessória eclodiu entre seus generais. Inicialmente, Perdiccas reinou como regente do meio irmão de Alexandre, Arrhidaeus, que tornou-se Filipe III da Macedônia e, então, como regente de ambos, Filipe III e Alexandre IV da Macedônia, filho de Alexandre ainda não nascido ao tempo de sua morte. Perdiccas indicou Ptolomeu, um dos mais próximos companheiros de Alexandre, como sátrapa do Egito, a partir de 323 AC, em nome dos príncipes Felipe III e Alexandre IV. Com a desintegração do império de Alexandre, Ptolomeu estabeleceu-se como governante em seu próprio direito, defendendo o Egito com sucesso contra uma invasão de Perdiccas em 321 AC, assim consolidando sua posição no Egito. Em 305 AC Ptolomeu tomou o título de faraó, fundando a Dinastia Ptolomaica, que reinaria no Egito por cerca de 300 anos, como Ptolomeu I Soter, dominando uma área que se espalhava do sul da Síria a Cirene, na Líbia e ao sul da Núbia.
Ptolomeu I Soter, fundador da dinastia
A primeira parte do reinado de Ptolomeu I foi dominada pelas Guerras do Diadochi, entre os vários estados sucessores do império de Alexandre, quando seu primeiro objetivo foi manter segura sua posição no Egito e o segundo, aumentar os seus domínios. Em poucos anos ele havia ganho o controle da Líbia, Síria (que incluía a Judeia) e Chipre. Quando Antígonus, governador da Síria, tentou reunir o Império de Alexandre, Ptolomeu reuniu uma coligação contra ele. Em 312 AC, unido com Seleucos, o governante da Babilônia, ele derrotou Demetrius, o filho de Antígonus, na batalha de Gaza.
Em 311 AC, uma paz foi firmada entre os combatentes, mas em 309 a guerra irrompeu novamente e Ptolomeu tomou Corinto e outras partes da Grécia, embora tenha perdido Chipre numa batalha naval em 306 AC. Antígonus tentou então invadir o Egito, mas Ptolomeu conseguiu manter suas fronteiras. Quando uma coalizão foi renovada contra Antígonus, em 302 AC, Ptolomeu juntou-se a ela, embora não estivesse presente, com seu exército, quando Antígonus foi derrotado e morto em Ipsus. Ele havia aproveitado a oportunidade para garantir a Síria e a Palestina, quebrando acordo que a cedia a Seleucos, com isso armando o cenário para as futuras Guerras Sírias. A partir daí Ptolomeu tentou manter-se afastado das guerras por território, mas ainda acabou retomando Chipre em 295 AC.
Divisão do Império de Alexandre, podendo-se ver o Egito
e seus domínios (em azul) sob Ptolomeu I Soter
Sentindo que seu reinado se achava seguro, Ptolomeu repartiu o mando com seu filho Ptolomeu II em 285 AC. Pode então devotar a sua aposentadoria à redação de uma história das campanhas de Alexandre, que infelizmente foi perdida, mas serviu de base para um trabalho posterior de Arrian, historiador grego do século II AC. Ptolomeu I morreu em 283 AC com a idade de 84 anos, deixando para seu filho um reino estável e bem governado.
Ptolomeu II Philadelphus sucedeu a seu pai em 283 AC, como rei do Egito e foi um rei pacífico e culto. Não necessitou mover muitas guerras porque seu pai lhe deixou um país próspero e forte. Três anos de campanha no início do seu reinado (Primeira Guerra Síria) lhe deixaram senhor do Mediterrâneo oriental, controlando as ilhas do mar Egeu e os distritos costeiros da Cilícia, Pamphylia e Caria. Contudo, alguns desses territórios foram perdidos ao final do seu reinado como resultado da Segunda Guerra Síria.
A primeira esposa de Ptolomeu, Arsinoe I, filha de Lysimachus, foi a mãe de seus filhos legítimos. Após sua separação, ele seguiu o costume egípcio e casou com sua irmã, Arsinoe II, iniciando uma prática que, embora agradando à população egípcia, trouxe sérias consequências aos reinados futuros. O esplendor material e literário da corte alexandrina atingiu seu ápice com Ptolomeu II. Callimachus, mantenedor da Biblioteca da Alexandria, Teócritus e muitos outros poetas, glorificaram a família ptolomaica. O próprio Ptolomeu ansiava por aumentar a biblioteca e apoiara pesquisa científica. Ele investiu pesadamente para tornar a Alexandria a capital econômica, artística e intelectual do mundo helenístico. É às academias e bibliotecas da Alexandria que devemos a preservação de tanta herança literária grega.
Moeda de ouro de Ptolomeu III
Ptolomeu III Euergetes sucedeu a seu pai em 246 AC. Abandonou a política de seu predecessor de afastar-se das guerras contra os demais reinos macedônicos e mergulhou na Terceira Guerra Síria com os selêucidas da Síria, quando sua irmã, rainha Berenice, e seu filho foram assassinados numa disputa dinástica. Ptolomeu marchou triunfante no coração do reino selêucida, até a Babilônia, enquanto suas frotas no mar Egeu faziam novas conquistas ao norte até a Trácia.
Essa vitória marcou o ápice do poder ptolomaico e após ele, Ptolomeu não persistiu ativamente nas guerras embora sempre tenha apoiado os inimigos da Macedônia na política grega. Sua política doméstica diferiu da do seu pai, apoiando a religião egípcia nativa: deixou traços maiores nos monumentos egípcios, marcando a gradual "egipciação dos ptolomeus".
Em 221 AC Ptolomeu III morreu e foi substituído por seu filho Ptolomeu IV Philopator, um rei fraco e corrupto que iniciou o declínio da dinastia ptolomaica. Assassinou sua mãe e esteve sempre sob a influência dos favoritos reais, masculinos e femininos, que controlavam o governo. Contudo, seus ministros ainda puderam fazer sérios preparativos contra os ataques de Antiocus III, o Grande, na Síria; e a grande vitória egípcia de Raphia, em 217 AC, garantiu o reino. Um sinal da fraqueza doméstica do seu reinado foram as rebeliões pelos egípcios nativos que retomaram quase a metade do país por mais de 20 anos. Philopator foi devotado às religiões orgíacas e à literatura. Desposou sua irmã Arsinoe, mas foi conduzido por sua concubina, Agathoclea.
Ptolomeu V Epifânio, filho de Philopator e Arsinoe, era uma criança quando galgou o trono e o reino foi conduzido por uma série de regentes. Antiocus III e Felipe V da Macedônia fizeram um pacto para tomar as possessões ptolomaicas. Felipe tomou várias ilhas e locais na Cária e Trácia, enquanto a batalha de Panium, em 198 AC transferiu a Síria ao controle selêucida. Após esta derrota, o Egito formou uma aliança com Roma, o poder crescente no Mediterrâneo. Atingindo a idade adulta, Epifânio tornou-se um tirano, antes de sua morte prematura em 180 AC. Foi sucedido por seu filho criança Ptolomeu VI Philometor.
Em 170 AC, Antiocus IV Epifânio invadiu o Egito depondo Philometor e instalando seu irmão mais jovem (mais tarde Ptolomeu VIII Euergetes II) como rei fantoche. Quando Antiocus retirou-se, os irmãos concordaram em reinar em conjunto com sua irmã Cleópatra II. Contudo, logo caíram e a briga entre eles permitiu a interferência de Roma e o aumento gradual de sua influência no Egito. Mais tarde Philometor recuperou o trono. Em 145 AC ele foi morto na Batalha de Antióquia.
Philometor foi sucedido por seu filho infante Ptolomeu VII Neos Philopator que foi foi logo assassinado por seu tio Euergetes que retomou o trono como Ptolomeu VIII tornando-se um tirano cruel. Com sua morte em 116 AC, deixou o trono para sua esposa Cleópatra III e seu filho Ptolomeu IX Philometor Soter II. O jovem rei foi deposto por sua mãe em 107 AC, que reinou com o filho mais jovem de Euergetes, Ptolomeu X Alexandre I. Em 88 AC Ptolomeu IX retornou ao trono e o reteve até a sua morte em 80 AC. Foi sucedido por Ptolomeu XI Alexandre II, filho de Ptolomeu X. Este foi linchado pela população alexandrina após ter assassinado sua madrasta, que era também sua prima, tia e esposa. Tais sórdidas disputas dinásticas deixaram o Egito tão enfraquecido que o país tornou-se, na prática, um protetorado de Roma que havia então absorvido a maioria do mundo grego.
Ptolomeu XI foi sucedido por um filho de Ptolomeu IX, Ptolomeu XII Neos Dionysos, apelidado Auletes, o flautista. Roma era então o árbitro dos negócios egípcios e anexara a Líbia e Chipre. Em 58 AC Auletes foi deposto pela população alexandrina, mas os romanos o recolocaram no poder três anos mais tarde. Ele morreu em 51 AC deixando o trono para o seu filho de dez anos, Ptolomeu XIII Theos Philopator, que reinou em conjunto com sua irmã e esposa Cleópatra VII, a mais famosa das Cleópatras.
Cleópatra VII, amante de imperadores.
Quando Cleópatra subiu ao trono egípcio tinha apenas 18 anos de idade. Reinou como Rainha “Philopator” e Faraó entre 51 e 30 AC e morreu com a idade de 39 anos. Nesse ponto torna-se necessária a inclusão de algo sobre o Império Romano para que o leitor bem possa entender o panorama geral que levou ao final do Egito como um grande império da antiguidade.
O declínio do poder dos Ptolomeus coincidiu com a ascensão do Império Romano. Com pouca escolha e vendo suas cidades caírem umas após as outras para os impérios macedônio e selêucida, os Ptolomeus decidiram aliar-se aos romanos, num pacto que durou por mais de 150 anos. Durante o governo dos últimos Ptolomeus, Roma ganhou cada vez mais poder sobre o Egito, sendo declarado guardião da Dinastia Ptolomaica. O pai de Cleópatra, Ptolomeu XII pagava tributo aos romanos para mantê-los afastados do seu reino. Com a sua morte, a queda da dinastia chegou ainda mais próxima.
Enquanto crianças, Cleópatra e seus irmãos testemunharam a derrota de seu guardião, Pompeu, por Júlio Cesar, através de guerra civil (este assunto foi visto com detalhe em nossa postagem “Breve História do Império Romano”), enquanto disputavam o controle do trono egípcio.
Em meio a esse tumulto, Júlio Cesar partiu para a Alexandria em 48 AC onde, durante sua estadia no Palácio, ele recebeu, segunda conta a história, Cleópatra, como um presente, enrolada em um tapete no auge dos seus 22 anos. Com isso, talvez, ela tenha convencido Cesar a apoiá-la na alienação de Ptolomeu XIII, pois com a chegada dos reforços romanos e algumas pequenas batalhas em Alexandria, Ptolomeu XIII foi derrotado na Batalha do Nilo, possivelmente afogado no rio, embora as circunstâncias de sua morte não sejam claras.
No verão de 47 AC, tendo casado com seu irmão mais novo, Ptlomeu XIV, Cleópatra tornou-se amante de Cesar e deu-lhe um filho, Cesarion. Em 45 AC Cleópatra e Cesarion viajaram a Roma onde ficaram em um palácio construído por Cesar em sua honra.
Em 44 AC Cesar foi assassinado em Roma por um complô de senadores e com sua morte o Império passou a ser comandado pelo Segundo Triunvirato: Marco Antônio, Otaviano e Lépido. Cleópatra observava e vendo a prevalência de Marco Antônio sobre os demais, a ele ofereceu o seu apoio, tornando-se também sua amante. A aliança de Marco Antônio (que ficara com o império oriental) e Cleópatra enfureceu Roma, que a considerava uma prostituta. Cessões de territórios romanos realizadas por Marco Antônio a Cleópatra e seus filhos, além de outros eventos menores, provocaram a declaração de guerra de Otaviano contra a “Rainha Estrangeira” e, no mar Adriático, encontram-se em Actium, onde as forças de Vespasiano derrotaram a marinha de Cleópatra e Marco Antônio.
Otaviano esperou um ano para declarar o Egito província romana, quando chegou à Alexandria e facilmente derrotou Marco Antônio, fora da cidade, que cometeu suicídio caindo sobre sua própria espada. Otaviano entrou em Alexandria no ano 30 AC e não demonstrou qualquer interesse em relação, reconciliação ou negociação com Cleópatra. Vendo próximo o seu fim, Cleópatra suicidou-se, segundo a crença atual, pela mordida de uma serpente venenosa. Com a morte de Cleópatra, a dinastia dos Ptolomeus chegou ao fim e a Alexandria permaneceu como capital do Egito, que tornou-se uma província romana.

III.11 – PERÍODO ROMANO

O Egito, portanto, tornou-se uma província do Império Romano no ano 30 AC, após a derrota de Marco Antônio e a rainha ptolomaica Cleópatra VII, para Otaviano (mais tarde o Imperador Augusto). Como vimos, os romanos dependiam muito dos embarques de grãos do Egito, e o exército romano, sob o controle de um prefeito indicado pelo imperador, dominava rebeliões, fazia cumprir a coleta de pesados impostos e impedia ataques por bandidos, que haviam se tornado problemas notórios durante o período. Alexandria tornou-se um centro cada vez mais importante na rota do comércio com o oriente, quando os supérfluos exóticos estavam em alta demanda em Roma.
Embora os romanos tivessem uma hostilidade maior do que os gregos com relação aos egípcios, algumas tradições, como a mumificação e a adoração dos deuses tradicionais, prosseguiram. A arte da mumificação floresceu e alguns imperadores romanos foram representados como faraós, embora não com a mesma intensidade dos Ptolomeus. A administração local tornou-se romana no estilo e fechada aos egípcios nativos.
A partir do meio do primeiro século DC, a cristandade fincou raízes no Egito, como um outro culto aceito, como uma religião sem compromisso que buscava conversões das religiões egípcia e greco-romana, ameaçando as tradições religiosas populares. Isso conduziu à perseguição de convertidos ao cristianismo, culminando nos grandes expurgos de Diocleciano, iniciados em 303 DC, mas que acabou saindo vencedor em 391 DC, com Teodosius. A Alexandria tornou-se palco de grandes revoltas ante pagãs, com a destruição de imagens religiosas públicas e privadas. Como consequência, a cultura religiosa nativa do Egito entrou em declínio. E embora a população nativa continuasse a falar sua língua, a habilidade em ler a escrita hieroglífica lentamente desapareceu na medida em que o papel dos sacerdotes e sacerdotisas dos templos egípcios diminuía.
E aqui, como no caso da Mesopotâmia, cessa o nosso interesse pelo Egito como uma das mais antigas civilizações do mundo.

Continuação na próxima postagem: PARTE 06

domingo, 23 de junho de 2013

BREVE HISTÓRIA DO IMPÉRIO ROMANO - PARTE 7

IV.4.4 – O Segundo Triunvirato

Otaviano do Segundo Triunvirato
O segundo triunvirato foi estabelecido em 43 AC, ainda durante a vigência da República Romana, entre Marco Antônio, Otaviano e Lépido, prolongando-se até 33 AC. Menos tácito do que o Primeiro, este Triunvirato, foi uma aliança política formal, pela qual dividiam, oficialmente, o território romano, cada uma ficando com uma parte sob a sua jurisdição. Com o nome oficial de “Triunviros para a Organização do Povo”, o triunvirato foi legislado pela Lex Titia e aprovado pela Assembleia do Povo, conferindo poderes universais aos três homens por um período de cinco anos.
Caio Júlio César Otaviano Augusto (em latim Gaius Iulius Caesar Octavianus Augustus) nasceu patrício, em 63 AC, e morreu em 14 DC, como o primeiro imperador romano. Atia, sua mãe, era sobrinha de Júlio César que, orgulhando-se do sobrinho-neto, adotou-o politicamente. Quando César foi assassinado, Otaviano encontrava-se na Ilíria, servindo ao exército. Ao retornar à Itália, foi informado de que era o herdeiro adotivo de César. O testamento de César prometia a distribuição de terras à plebe e aos veteranos de guerra. Além disso, continha o nome do seu sucessor, seu sobrinho-neto Otaviano, pois tendo o Senado permitido a Júlio César utilizar o título imperator antes de seu próprio nome e sendo este título hereditário, Otaviano foi a Roma reivindicar sua herança com o nome de Imperator Caesar Caius Otavianus. O jovem Otaviano organizou legiões e entrou para o senado como pretor.
Marco Antonio, Segundo Triunvirato
Marco Antônio (em latim: Marcus Antonius), nascido patrício em Roma, em 83 AC, e morto em Alexandria, no Egito, em 30 AC, foi um célebre militar e político romano da fase final da República. Sua mãe, Julia Cesaris (conhecida como Júlia Antônia), era prima de Júlio César. Importantíssima foi a sua participação no cerco de Alésia, o último capítulo da conquista romana da Gallia. Durante quatro dias, o exército de César lutou em duas frentes, com Marco Antônio comandando várias legiões. No segundo ataque gaulês, realizado durante a noite, os homens de Antônio quase cederam, sendo salvos pela chegada de reforços. No dia seguinte, o chefe gaulês, Vercingetórix, à frente de 60 mil guerreiros, lançou seu derradeiro e desesperado ataque. Durante a luta, César e Antônio podiam ser vistos cavalgando de um lado para o outro das linhas romanas, incentivando os legionários e providenciando reforços. Quando a batalha terminou, com a rendição de Vercingetórix, Marco Antônio recebia todas as honras militares por sua destacada conduta na luta. A essa altura, na invejável condição de principal general de César, ao final de 51 AC, Marco Antônio tornara-se famoso, rico (graças aos despojos da guerra gaulesa) e homem de confiança de César, pronto para enveredar pelas estradas da política, rumo ao poder. Com o retorno de Otaviano a Roma, Antônio alia-se ao general Marcus Aemilius Lepidus, governador da Gallia.
Lépido, membro do Segundo Triunvirato
Marcus Aemilius Lepidus (Lépido), político romano, viveu entre 90 e 12 AC. Exercia a função de pretor em 49 AC, quando Júlio César, com seu apoio, foi proclamado ditador. Em 46 AC, foi eleito cônsul. Após a morte de Júlio César, apoiou Marco Antônio, que o designou para o cargo de Sumo Sacerdote (pontifex maximus) e o indicou para governar a Gália Narbonense. Quando, derrotado durante a guerra com o Senado, Antônio retirou-se para a Gália, Lépido acolheu-o e juntou-se a ele, sendo declarado inimigo público pelos senadores. Ao lado de Antônio marchou com seu exército para a península Itálica, onde se encontrou com as forças de Otávio e selaram a paz entre os três. Por proposição de Lépido, definiram a partilha do poder entre os três, ao final de 43 AC, num acordo que ficaria conhecido como o Segundo Triunvirato, para governar as províncias romanas e vingar a morte do tio, caçando todos os conspiradores da morte de Júlio César.
A constituição do segundo triunvirato e a atribuição de poderes excepcionais a Antônio, Otaviano e Lépido justificou-se no período de crise sem precedentes que se seguiu ao assassinato de Júlio César. A primeira ação dos triúnviros foi a de eliminar todos os homens que conspiraram contra César - Cícero uma das vítimas – e perseguir Brutus e Cássio que se haviam refugiado na Grécia: trezentos senadores e dois mil cavaleiros, oponentes dos triúnviros, foram proscritos e caçados até a morte; além disso, numerosas propriedades foram confiscadas.
Cerca de 40 AC o território romano foi dividido entre os três senadores. Otaviano assumiu a maior parte das províncias ocidentais; Marco Antônio ficou com a parte oriental da república e as províncias do Oriente Médio; e Lépido, com a África. Marco Antônio e Otávio, que disputavam o controle da Itália, resolveram suas diferenças e, para selar o acordo, no ano 37 AC, o segundo entregou sua irmã Otávia em matrimônio ao primeiro. Inaugurou-se, então, uma era de paz com a renovação do triunvirato por mais cinco anos.
Restava a ameaça de Sexto Pompeu, filho de Pompeu e o último opositor importante do triunvirato. Quando Sexto Pompeu refugiou-se na Lacetânia (nordeste da Hispânia) e, a partir de lá, reuniu tropas e derrotou Caio Asínio Polião, em Cartagena, Lépido, então governador da Hispânia, fez com ele um acordo para que Sexto Pompeu recuperasse as terras de seu pai. Tal acordo fora aprovado por Marco Antônio, por amizade a Lépido e hostilidade a Otaviano. Com uma esquadra fornecida por Antônio, Otávio derrotou e executou Sexto Pompeu - então estabelecido na Sicília e na Sardenha - em Nauloque, na Sicília, em 36 AC. Lépido havia invadido a Sicília, para combater Sexto, e ao fim da luta pretendeu conservá-la sob seu controle. Porém, Otávio apresentou-se na ilha e, obtendo a deserção das tropas de Lépido, acusou-o de traição, afastando-o do triunvirato. Desprovido de poder, Lépido contentou-se com o cargo de Sumo Pontífice, que exerceu até sua morte.
Entrementes, Marco Antônio devolve Otávia a Roma e desposa Cleópatra, então rainha do Egito. Com o reconhecimento de Cesarion (Ptolomeu XV) - filho de Cleópatra e César -, como seu co-dirigente, Marco Antônio passa a ameaçar a posição de Otaviano como único sucessor de César e a guerra entre ambos torna-se inevitável.
Otaviano consolida sua situação, pacifica a Ilíria e contribui para a prosperidade romana, com o desenvolvimento da agricultura. Usa as campanhas orientais de Antônio como pretexto para proclamar a traição do adversário e sua intenção de formar um reino independente de Roma. Esta declara guerra ao Egito e Otaviano é nomeado cônsul para combater Antônio e Cleópatra, cujos exércitos são vencidos na batalha de Áccio em 31 AC. Com a derrota, o território egípcio foi incorporado a Roma e no ano seguinte Marco Antônio e Cleópatra suicidam-se e Cesarion é assassinado. Em 29 AC, Otaviano retorna triunfalmente a Roma, como Senhor único do poder e recebe, com o nome de Augusto (posteriormente, Caesar Augustus), em 27 AC, os poderes repartidos até então, entre os magistrados, dando início ao Império Romano.

V – O IMPÉRIO ROMANO

Para simplificar o entendimento da matéria, diremos que o regime denominado “Império Romano” foi constituído por quatro distintas fases que ficarão, ao longo da jornada, perfeitamente claras: o “Principado”, o “Dominato”, o “Império Ocidental” e o “Império Oriental”.

V.1 – O Principado Romano

O Principado é a fase convencionada pelos historiadores para designar a primeira fase do Império Romano, desde 27 AC, quando o senado investiu Otaviano - o futuro Augusto - no poder supremo com a denominação de príncipe ou princeps (“primeiro” em latim), até 285 DC, quando iniciou-se o dominato por Diocleciano, mais próximo de uma monarquia absoluta. Durante esse período, a verdadeira natureza do regime permaneceu oculta atrás de conceitos republicanos e os imperadores eram muitas vezes relutantes, por falsa modéstia, em assumir-se como tal. O governo autocrático do imperador era ainda escrupulosamente mascarado por formas e convenções herdadas do período político da República Romana sob o lema Senatus Populusque Romanus ou SPQR.
O principado apresentava facetas diversas em Roma e nas províncias. Em Roma, era uma monarquia atenuada, pois o príncipe era apenas o primeiro cidadão, que respeitava as instituições políticas da república. Nas províncias imperiais, era uma verdadeira monarquia absoluta, porque o princeps, lá, possuía poderes discricionários. Mas o principado, como regime de transição da república à monarquia absoluta, encaminhou-se, paulatinamente, para o absolutismo.
Já em 29 AC, Otaviano recebera o poder de imperium vitalício, com o controle sobre todas as legiões romanas. Além de receber o título de “Augusto” (que acabou confundindo-se com o seu próprio nome) e “Princeps” em 27 AC, Otaviano foi também elevado a pontifex maximus em 12 AC, embora tenha recusado outros títulos, como a ditadura, temendo ter a mesma sorte de Júlio César; daí ter proposto esta nova forma de governo, o principado, que lhe dava o poder, mas mantinha a forma tradicional da república romana, que manteve até a sua morte em 14 DC. Na prática, detinha um poder absoluto!
O título, por extenso, Princeps Senatus /Princeps Civitaris (primeiro dos senadores, primeiro dos cidadãos), foi primeiramente adotado por Otaviano que decidiu não introduzir uma monarquia legal. O principal objetivo era restabelecer a estabilidade política perdida, desesperadamente necessária depois de exaustivas guerras civis, por meio de um regime ditatorial, de fato, dentro da estrutura constitucional da República Romana, como uma alternativa ao odiado predecessor Reino de Roma.
Imperador Augustus
Em face das peculiaridades que apresentou o principado, há controvérsia entre os autores modernos sobre a real natureza desse regime, mas tal discussão extrapola o escopo desta publicação e a deixaremos de lado.)
A obra de Augusto foi imensa, na paz como na guerra. Os quarenta anos do principado de Augusto marcaram uma das épocas mais brilhantes da história romana e descrever com detalhe todas as suas realizações – e haveria muito a contar -, novamente me desviaria do principal assunto desta postagem. Gostaria apenas de citar alguns fatos de sua época, para bem localizar o leitor em sua época, sem dúvida uma das mais brilhantes da história de Roma.
Virgilio, autor da "Eneida"
Por exemplo, sua foi também a época das figuras mais proeminentes do mundo romano no domínio da poesia, literatura, arquitetura e história; lembremos alguns de seus protegidos: Vergilius (Virgílio), Titus Livius (Tito Livio), Marcus Vitruvius Pollio (Vitrúvio), Quintus Horatius Flaccus (Horácio) e Publius Ovidius Naso (Ovídio). Além disso, fundou bibliotecas públicas e a literatura latina, primitivamente influenciada pelos gregos, adquiriu independência e tornou-se uma das mais brilhantes do mundo ocidental. Realizou um governo de ordem e hierarquia, lutando contra a decadência dos costumes, reorganizou a administração e as forças armadas, tornando-as permanentes e fixando-as nas fronteiras e criou organismos governamentais que facilitaram o censo e a cobrança de impostos e o aumento da centralização. Construiu o fórum de Augusto, no campo de Marte ergueu as primeiras termas, o Panteão de Roma e outros templos. Realizou expedições militares vitoriosas em várias partes do mundo e foi em sua época que a Judeia foi anexada; entretanto, sua campanha na Germânia fracassou.
Ovidio, autor de "Metamorfoses"
Escritores antigos e modernos discordam quanto à importância de Augusto. Alguns condenaram sua cruel luta pelo poder. Outros, dentre os quais se inclui o fiel partidário da república, Tácito (Publius Gaius Cornelius Tacitus), reconhecem suas boas ações como dirigente. Às vezes, pesquisadores atuais criticam seus métodos pouco escrupulosos e seu estilo autoritário, mas normalmente reconhecem suas realizações no estabelecimento de uma administração eficiente e um governo estável, bem como na obtenção de segurança e prosperidade para o Império Romano.
Augusto casou-se três vezes. Sua terceira esposa foi Lívia Drusilla, que já tinha dois filhos, Tibério e Druso, de um matrimônio anterior. Augusto, por sua vez, tinha uma filha, Júlia, também de um matrimônio anterior. Sua tentativa de conseguir um grande sucessor fracassou, pois seu sobrinho Marcelo morreu jovem. Agripa, cujo casamento com sua filha Júlia ele tinha forçado, morreu em 12 AC. Os filhos menores de Agripa morreram em 2 e 4 da era cristã. Druso e Júlia também faleceram. Restava Tibério. Adotando-o, Augusto deu-lhe participação cada dia mais ativa nos negócios do Estado. A partir de 13 DC, Tibério tinha poderes quase iguais aos do imperador. Quando Augusto morreu, em Nola, na Campânia, no ano 14 DC, já era o enteado quem de fato governava Roma.
O Panteão Romano

V.1.1 – Imperadores do Principado

Alguns historiadores, como Tácito, sugeriram que teria sido possível o retorno ao sistema republicano após a morte de Augusto, não permitindo a Tibério a acumulação dos mesmos poderes anteriores, o que não aconteceu. Os primeiros sucessores de Augusto retomaram a ficção de um governo em nome do senado e do povo romano enquanto continuaram a concentrar mais poder pessoal: as palavras "Imperator" e "Augusto" tornaram-se títulos dos imperadores.
A República Romana continuou com os seus magistrados, mas nomeados pelo imperador em vez de eleitos. O senado, composto por membros também escolhidos pelos mesmos imperadores, confirmava os títulos dos novos imperadores, que amiúde vinham das suas fileiras, e concediam a apoteose (elevação de alguém ao estatuto de divindade) aos "bons" imperadores, que se tornavam objeto de culto oficial. Inversamente, o Senado condenava os imperadores odiados ao esquecimento, declarando a sua damnatio memoriae (“danação da memória”, com o sentido de remover da memória)
O principado atingiu o seu apogeu sob os impérios de Trajano e Adriano, que permaneceram como era dourada onde reinava a paz e a prosperidade, a famosa Pax Romana. O fim do principado aconteceu com a chamada “crise do terceiro século” e o advento do dominato, de Diocleciano.
Ao longo do principado, os seus vários imperadores foram distribuídos por dinastias. Pelo menos três fatos surpreendem, de imediato, qualquer leitor menos avisado. O primeiro deles é a enorme quantidade de imperadores que governou durante o principado – e de modo geral ao longo de todo o império -, indicando curtos períodos de mando. O segundo é a existência de um grande número de nomes completamente desconhecidos dos nossos cursos de história, o que poderia indicar absoluta falta de documentação sobre esses personagens, mas que não parece plausível, dado o conhecimento de amplo material em épocas bem anteriores ao principado; o que nos deixa com a alternativa de que tais desconhecidos, tão pouco realizaram por Roma que a própria história encarregou-se de coloca-los no ostracismo. Surpreende também o número de imperadores que morreu de morte não natural, em geral assassinado por “amigos” (mas também por esposa), parentes ou, pelo menos, por relações que lhes eram próximas; o que nos leva a pensar sobre as imensas vantagens oferecidas ao posto mais alto da hierarquia do poder romano, de modo a justificar os esforços dispendidos (a própria vida) que, na maioria das vezes, não puderam ser gozadas.
Eu pretendia, neste ponto, introduzir uma relação dos Imperadores Romanos, que mostrou-se, entretanto, muito mais longa do que eu supunha, se formos incluir todos os que foram, historicamente, aceitos como tal. Em vista disto, desisti da minha ideia original, para não tornar o artigo por demais cansativo à maioria dos meus leitores. Entretanto, para não privar, aos que possuem um interesse maior no assunto, do conhecimento dessa grande relação, publicarei esta “Lista dos Imperadores Romanos” como Anexo ao artigo, através de “links” que os conduzirão diretamente a ela. A lista será subdividida em duas partes: Imperadores do Principado, inicialmente e, posteriormente, Imperadores do Dominato. É importante mencionar que esta lista inclui os imperadores romanos de todos os períodos do Império, até o seu final, com o Império do Oriente, apresentando sempre uma curta nota sobre cada um deles.
Imperador Nero
Até para manter a tradição, Nero é o primeiro dos imperadores do Principado que merece um registro especial, não pelas suas loucas mazelas, brevemente relatadas na lista dos imperadores, mas porque foi durante o seu tempo de governo que aconteceu o grande incêndio de Roma. Tal evento teve início na noite de 18 de julho do ano 64 DC e prolongou-se por nove dias até ser totalmente controlado, afetando 10 das 14 zonas da antiga cidade de Roma, três das quais foram completamente destruídas.
Existem várias versões sobre a causa do incêndio, a mais contada sendo a de que o povo que habitava construções de madeira, usando o fogo para aquecer-se e alimentar-se, por descuido teria permitido que o fogo perdesse o controle; os fortes ventos reinantes encarregaram-se de alastrar o fogo por toda a cidade. Outra versão famosa, desmentida pelos historiadores, é de que o imperador Nero teria ordenado o incêndio com o propósito de reconstruir a cidade de acordo com um novo e majestoso projeto arquitetônico. Há ainda a versão, também insustentável, concebida por romancistas pósteros que, atribuindo ao imperador a condição de demente, pretenderia que ele provocara o incêndio para inspirar-se, poeticamente, e poder produzir um poema, como Homero, ao descrever o incêndio de Troia. O fato de que, posteriormente, Nero teria usado seus agentes para adquirir, a preço vil, terrenos nas imediações de seu palácio, tornou-o suspeito, junto ao povo, como responsável pelo sinistro. Não se sabe exatamente o momento em que os cristãos passaram a ser acusados pelo incêndio, mas uma vez que a tese de "incêndio criminoso" se disseminara, poderia ter sido uma manobra de Nero transformar os cristãos em "bodes expiatórios", pelo fato de serem mal vistos em Roma, assim desviando as suspeitas de sua própria pessoa. Consequentemente, os cristãos foram ferozmente perseguidos por Nero e hoje a Igreja Católica celebra a memória desses "Santos Protomártires" no dia 30 de Junho. Entre os mais ilustres deles, encontram-se São Pedro, que foi crucificado de cabeça para baixo no circo de Nero, atual Basílica de São Pedro, e São Paulo que foi decapitado junto da estrada de Roma para Óstia.
O último ano do reinado de Nero foi caracterizado por um clima de terror e medo em que Roma e o senado foram submetidos ao poder do imperador e sofriam com sua paranoia. Em abril de 68, o senador Caio Júlio Víndice, governador da Gália Lugdunense, iniciou uma rebelião, com o objetivo de substituir Nero por Servius Sulpicius Galba, governador da Hispânia Tarraconense. Galba aceitou a proposta e imediatamente marchou para Roma. Em junho do mesmo ano, o senado declarou Nero persona non grata, reconheceu Galba como o novo imperador, aclamando-o na cidade, com suas legiões, e Nero suicidou-se.
Na história romana, o “Ano dos Quatro Imperadores” refere-se ao período aproximado de um ano, entre 68 e 69 D.C., no qual quatro homens sucederam-se como imperadores romanos. Entre junho de 68 D.C. e dezembro de 69 D.C., Roma testemunhou a ascensão e queda de Galba, Otão e Vitélio, e a ascensão final de Vespasiano, fundador da dinastia flaviana. Este período de guerra civil tornou-se emblemático dos distúrbios políticos cíclicos com várias implicações na história do Império Romano.
Com a queda da dinastia Júlio-Claudiana ("Imperadores do Principado"), o principado foi redefinido nos termos formais pelo imperador Vespasiano. A posição de princeps tornou-se uma entidade dentro da mais ampla — formalmente ainda republicana — constituição romana. Enquanto muitas das expectativas políticas e culturais permaneceram, o princeps não mais detinha uma posição ganha com base no mérito, mas permitindo a Vespasiano, e aos futuros imperadores, designar seus sucessores tendo que garantir sua posição mediante anos de sucessos e favores públicos. Sob a dinastia Antonina, foi normal o imperador apontar um general de sucesso e politicamente promissor como sucessor. Nas análises históricas modernas, isto é tratado por muitos autores como uma situação "ideal": o indivíduo mais capaz era promovido à posição de princeps. Segundo o historiador inglês Edward Gibbon, a dinastia Antonina teria sido o mais feliz e produtivo período da história humana, atribuindo o crédito, como fator chave, ao sistema de sucessão. Entretanto, a promoção de indivíduos à posição de princeps, baseada em sua bravura militar, é vista por muitos como tendo contribuído diretamente para a queda do principado, o caos da crise do terceiro século e a ascensão do dominato.
Imperador Nerva
Antes de entrar na “Crise do Terceiro Século”, uma breve referência ao chamado “Período dos Cinco Bons Imperadores” da história de Roma, compreendido entre os anos 96 e 180 DC Durante as administrações imperiais de Nerva (96 a 98), Trajano (98 a 117), Adriano (117 a 138), Antonino Pio (138 a 161) e Marco Aurélio (161 a 180), Roma desfrutou de relativa paz e prosperidade política, militar e econômica, atingindo o seu auge neste período. A prioridade do Império passou a ser, a partir de Adriano, a sua própria manutenção, em detrimento do expansionismo que o havia guiado anteriormente. Estabelecia-se, assim, a famosa Pax Romana.
Um dos fatores apontados como responsáveis por essa boa fase foi o método de sucessão escolhido por tais imperadores: em vez de simplesmente transferirem o poder aos seus descendentes, que não necessariamente possuíam capacidade administrativa para conduzir o Império, este era transmitido a um sucessor notadamente capaz. Foi assim em primeiro lugar com Trajano, que foi adotado e escolhido por Nerva a fim de sucedê-lo (Nerva não tinha filhos).
Imperador Trajano
Essa feliz política de sucessões só foi interrompida quando Marco Aurélio indicou, não o homem mais apto para substituí-lo no cargo após a sua morte (ocorrida em 180), e sim o seu filho, Cómodo, encarado como um dos piores imperadores que Roma teve e responsável pelo início das instabilidades políticas que abalariam o Império Romano.

domingo, 2 de junho de 2013

BREVE HISTÓRIA DO IMPÉRIO ROMANO - PARTE 6

IV.3.2 - A expansão para o Oriente

O rei da Bitínia[1]  submeteu-se a Roma. O monarca selêucida  da Síria[2], Antíoco III, foi vencido em 189 AC na Magnésia, ao sudoeste da Ásia Menor (ou Anatólia, já comentada anteriormente).
Os romanos conquistaram a Grécia em 146 AC. Os gregos revoltaram-se contra Roma e o cônsul romano Lucius Mummius derrotou-os, incendiando Corinto. A Grécia tornou-se província romana em 129 AC com o nome de Aqueia (ou Acaia). Em seguida, Roma estabeleceu um protetorado romano no Egito. Logo, no ano de 133 AC, Roma obteve como herança, após a morte do rei Attalos III, de Pérgamo[3],  a cobiçada província da Ásia[4]. No mesmo ano, Numância, cidade do curso superior do Douro, já na Península Ibérica, foi conquistada por Cipião Emiliano, neto de Cipião, o Africano, que sitiando seus habitantes pela fome os induziu ao suicídio coletivo.
A partir do final do século II AC, Roma já era o império mais poderoso do mundo, estendendo-se por quatro mil quilômetros, da Hispânia (Península Ibérica) até a Ásia Menor, e dominando uma população estimada em 30 milhões de pessoas.
Com a conquista da Gallia Transalpina[5] , efetivada por Júlio César (52 AC), a Roma republicana transformou-se no maior império que já tinha existido até então, com população estimada em 55 milhões, quase 25% da população mundial.
Durante longos anos estas conquistas foram tratadas apenas como fonte de valiosas pilhagens. Os governos provinciais romanos não eram exatores (fiscalistas), pois a riqueza vinda das províncias conquistadas (junto com os lucros da exploração estatal das minas) permitia suprimir totalmente os impostos diretos aos habitantes da Itália.
Segundo o historiador Keith Hopkins, a população dominada por Roma aumentou de quatro milhões em 225 AC para 60 (sessenta) milhões após a queda da república.

IV.4 - A crise da República Romana

A crise da República Romana refere-se a um longo período, entre 134 e 27 AC, de instabilidade política e social, que culminou com a transformação da República Romana no Império Romano, e teve início quando o senado romano passou a ter seu poder desafiado pelo poderio militar de alguns generais.
A partir de 238 AC, Roma passou a ter províncias, sendo a primeira delas Córsega e Sardenha, seguida pela Sicília, em 241 AC. Além disso, o aumento do território e da duração temporal das guerras de conquista obrigou o senado romano a criar o pro-rogatio, que era a prorrogação do tempo do mandato do proconsul ou do pró-pretor provincial, que era o funcionário da administração central incumbido de governar a nova província. Com isso, a influência e o poder se concentraram nas mãos de alguns generais, o que lhes permitiu desafiar a tradicional classe senatorial.
Um dos melhores exemplos deste tipo de processo foi o general Caius Marius, que mesmo sendo rejeitado pelo senado para comandar a expedição ao norte da África com o intuito de solucionar a guerra contra Jugurta, foi enviado com o aval que a decisão popular lhe deu. Isso ilustra um exemplo de como os generais podiam aliciar militantes a seu favor, mesmo quando o senado decidia contra eles.
Pode-se afirmar que um dos momentos mais críticos da República Romana, até o “primeiro triunvirato”, teria sido a ditadura de Lucius Cornelius Sulla, que chegou a marchar com seu exército sobre Roma. Desde o fim das Guerras Púnicas, o cargo de ditador romano havia sido abolido, por ser considerado perigoso conceder a um único homem tanto poder. Porém, o cargo foi reintroduzido em 81 AC, por Sulla, ao fim da guerra civil com a facção de Caius Marius.
O filósofo e orador Cícero
Foi nessa época turbulenta que floresceu um dos mais importantes filósofos e políticos de toda a história de Roma, Marcus Tullius Cicero, um dos grandes defensores da República, tendo escrito vários tratados políticos e filosóficos. Na verdade, Cicero é figura merecedora de vários livros que, lamentavelmente, não poderão ser sequer relacionados aqui, para que possamos manter o foco em nosso assunto principal.
Além da reimplantação da ditadura em Roma, houve outros motivos para o colapso da República Romana, entre eles, o fracasso dos irmãos Tiberius e Gaius Sempronius Gracchus ao tentar realizar uma reforma agrária, guerras civis e revoltas populares, movimentos separatistas e insurreições de escravos. Devemos também salientar que a estrutura política da República era inadequada ao Império, no sentido de Estado conquistador.

IV.4.1 – O Primeiro Triunvirato
O General Júlio César

O Primeiro Triunvirato (governo de três pessoas) foi uma aliança política informal estabelecida em 59 AC, durante a República Romana, entre os três mais poderosos generais de Roma, Caius (ou Gaius) Iulius Caesar (Júlio César, o favorito da plebe), Cnaeus Pompeius Magnus (Pompeu, que triunfara na Hispânia) e Marcus Licinius Crassus Dives (Crasso, o homem mais rico de Roma), para dividir o governo. A palavra triunvirato origina-se de dois radicais latinos: trium (três) e vir (homem). O Primeiro Triunvirato prolongou-se até 53 AC e, ao contrário do Segundo Triunvirato, este acordo era informal e não continha nenhum valor jurídico. A única transação efetuada foi a de Júlia Cesaris, filha de César, que se tornou mulher de Pompeu num casamento que haveria de se revelar feliz. Como a cada um dos três faltava algo, juntaram esforços para se completarem.
O senador Pompeu
Recém eleito cônsul sênior em 59 AC com a ajuda de Crasso e Pompeu, embora sem histórico político, César foi encarregado da execução das medidas propostas pelos três. Distribuiu terras da Campânia para os soldados de Pompeu; apoiou os partidários de Crasso na expulsão de Cícero, senador inimigo de Crasso e contrário às reformas político-sociais em Roma. Também fez com que as soluções administrativas adotadas por Pompeu em suas conquistas no Oriente fossem confirmadas pela Assembleia Popular. Depois de um ano difícil como cônsul, César recebeu poderes proconsulares para governar as províncias da Gália e Ilíria[6] por cinco anos. Um governo pacífico não se adequava, no entanto, à sua personalidade e César iniciou as Guerras da Gália, conquistando a Gália, partes da Germânia e incursionando às ilhas Britânicas. Para si, garantiu o domínio das Gallias Cisalpina e Transalpina, onde iria buscar glória militar na luta contra as tribos rebeladas e riquezas para pagar seus credores em Roma e sustentar suas ambições políticas. 
Senador Crasso
As Guerras da Gallia duraram quase oito anos, durante os quais Vercingetórix[7], herói gaulês, bravamente resistiu a César, até que preso foi enviado a Roma e posto a definhar no Carcere Mamertino, onde foi finalmente degolado. Toda a Gallia foi então subjugada. Graças às vitórias e pilhagens, Júlio César conquistou a reputação militar, fortuna e glória que lhe faltavam para igualar-se a Crasso e Pompeu.
Pompeu era extremamente popular junto aos cidadãos, devido às suas conquistas militares, mas desprezado pela classe senatorial pela falta de sangue azul da sua família.
Em 55 AC, Pompeu e Crasso foram eleitos cônsules e honraram o acordo estabelecido com César ao prolongarem o pro consulado por mais cinco anos.
Crasso, mau militar, célebre pela luta na Terceira Guerra Servil contra Spartacus[8]  - em realidade aniquilado por Pompeu - e pela fabulosa fortuna que acumulou, mas sem influência política, foi nomeado governador da Síria. Logo após a vitória contra Spartacus, numa entrevista com o general do Império Parta[9], Surena, que o havia vencido em desastrosa campanha na Pérsia, condenada desde o início pela péssima planificação, e com o qual negociaria a sua rendição, foi assassinado em 53 AC.
A Ilíria (amarelo) no Império Romano
No ano 54 AC, Júlia Caesaris morreu em trabalho de parto, deixando pai e marido cobertos de desgosto. Sem Crasso e Júlia, Pompeu aproximou-se da facção conservadora. Ainda durante as guerras Gallicas, César procurou manter o Triunvirato e assegurar a aliança com Pompeu propondo-lhe casamento com uma das sobrinhas, mas este preferiu voltar a casar-se com Cornélia Metela, filha de Cipião Metelo, um dos maiores inimigos de César. Finalmente, após a morte de Crasso, César e Pompeu passaram a disputar o poder.
O Senado, temendo as ambições de César e seu controle absoluto sobre o experiente exército da Gallia, procurou se aproximar de Pompeu, julgado mais cordato aos interesses dos senadores. Pompeu, então considerado o mais ilustre cidadão de Roma desde a morte de Sulla, em 54 AC, exigiu de César o licenciamento do exército e a demissão do governo das Gallias. Em 50 AC, o senado, liderado por Catão[10], ordenou o regresso de César e a desmobilização de todas as suas legiões, ao mesmo tempo em que o proibia de candidatar-se ao segundo cargo de cônsul in absentia (ausente). César sabia que, sem o seu imperium de proconsul e o poder das suas legiões, perderia o seu poder de barganha e seria processado e eliminado da vida política assim que regressasse a Roma. A tradição romana não permitia que um general vitorioso entrasse na cidade acompanhado de seu exército, o que era uma forma de impedir que os militares pudessem sobrepor-se ao poder senatorial, devendo dispersar suas tropas quando se dirigiam para a capital. César recusou-se a obedecer e, em 49 AC, atravessou o rio Rubicão, ao norte da península Itálica, limite de sua jurisdição, dizendo, segundo a lenda, a famosa frase:

“Alea jacta est” (a sorte está lançada)

Quando soube que César havia atravessado o Rubicão com as tropas, Pompeu abandonou Roma. César invadiu a Itália e marchou sobre Roma.
Tempos depois, as tropas de César venceram Pompeu na Batalha de Farsalos; vencido, Pompeu fugiu para o Egito, onde foi assassinado pelos ministros do faraó Ptolomeu XII. César desembarcou no Egito, onde havia uma disputa pelo poder, e recebeu a cabeça de Pompeu, como ato boa de vizinhança, que não aceitou. Conquistou o país e depôs Ptolomeu, colocando em seu lugar Cleópatra[11] (que era irmã do faraó), ao lado de quem permaneceu, por nove meses, antes de deixar o Egito, em 47 AC.
Cleópatra, rainha do Egito.
Em 47 AC, César dominou regiões da Ásia que se mantinham fiéis aos seguidores de Pompeu. Ao vencer a Farnaces II, na Batalha de Zela, anunciou sua fácil vitória com a célebre frase:

“Veni, vidi, vici” (vim, vi e venci)

Na Batalha de Tapso, na África, César derrotou os partidários de Pompeu e foi, por isto, nomeado ditador por dez anos. Na Batalha de Munda, na Hispânia, César derrotou os filhos de Pompeu e foi então nomeado ditador vitalício, pontífice máximo, áugure e Pater Patriae (Pai da Pátria).

IV.4.3 – A Ditadura de Júlio César

Finalmente instaurado no poder, isoladamente, Júlio César reformou o Senado Romano, aumentando o número de senadores de sua orientação política. Além disso, aumentou o número de magistraturas, assentou seus veteranos de guerra em colônias fundadas por ele próprio. Além disso, para obter o apoio popular, César deu parte do espólio das novas conquistas para serem divididas entre os plebeus.
Entretanto, não durou muito a ditadura de Júlio César, pois o grupo que se lhe opunha, acreditando agir em defesa da República, tramou e executou o seu assassinato durante sessão do senado, nas próprias escadarias do edifício, em 44 AC. Entre os seus assassinos encontravam-se dois antigos protegidos: Marco Júnio Bruto (Brutus)[12] e Caio Longino Cássio. César teria caído aos pés de uma estátua de Pompeu e suas últimas palavras seriam descritas em várias versões, das quais a mais célebre teria sido a imortalizada por Shakespeare:

“Et tu Brutus?” ( Até tu, Brutus?)

Logo após o assassinato, o senado extinguiu a ditadura do grupo de magistraturas romanas. Entretanto, Marco Antônio, um dos aliados de César e seu principal general, provocou manifestações populares durante seu funeral, que assustaram os opositores de César. Com isso, mesmo com a morte de César, o senado foi obrigado a ratificar as medidas implementadas pelo ditador e Marco Antônio se tornou um dos mais influentes senadores, dado o seu poder junto ao povo, tendo o senado que aprovar todas as medidas por ele propostas.
Depois da morte de César, uma luta pelo poder rebentou entre o seu sobrinho-neto Otaviano (posteriormente conhecido como Augusto), adotado por seu testamento, e Marco António, que haveria de resultar na queda da República e na fundação do Império Romano.

[1] A Bitínia era um antigo reino situado no que agora é o noroeste da Turquia, estendendo-se para leste de Istambul, ao longo do litoral meridional do Mar Negro.
[2] O Império Selêucida foi um antigo estado grego que existiu após a morte de Alexandre, o Grande da Macedónia, quando seus generais entraram em conflito pela divisão de seu império.
[3] Pérgamo, atual Bergama, é uma antiga cidade grega que situava-se a noroeste da Anatólia, a mais de 20 km do Mar Egeu, numa colina isolada do vale do Rio Caicos.
[4] A província romana da Asia (sem confusões com o continente) foi organizada em 129 AC, governada por um procônsul e posteriormente ampliada, sem chegar a abranger a totalidade da Ásia Menor (ou Anatólia).
[5] Gallia Transalpina era o nome dado pelos romanos ao território que se estendia além dos Alpes, delimitado por estes, pelo Mediterrâneo, pelos Pirineus, pelo Reno e pelo Oceano Atlântico, correspondendo, grosso modo, ao território hoje ocupado pela França. Transalpina para diferenciar aquela região da Gallia Cisalpina, situada antes dos Alpes (da perspectiva romana), entre os Apeninos e a cordilheira alpina, na planície do rio Pó.
[6] A Ilíria (“terra dos livres”, em albanês) é a região mais a noroeste dos Bálcãs. Sua fronteira norte é a Ístria e a sul ela se estende até, aproximadamente, o Lago Scutari. Ao tempo, abrigaria os seguintes atuais países: Sérvia, Montenegro, norte daAlbânia, Bósnia e Herzegovina e Croácia.
[7] Vercingetórix foi o inspirador de Asterix, o herói gaulês das histórias em quadrinhos e do cinema.
[8] Spartacus (em português Espártaco), que viveu cerca de 120 a 70 AC, foi um gladiador de origem trácia, líder da mais célebre revolta de escravos na Roma Antiga, conhecida como "Terceira Guerra Servil", "Guerra dos Escravos" ou "Guerra dos Gladiadores". Espártaco liderou, durante a revolta, um exército rebelde que chegou a somar quase 100 mil ex-escravos.
[9] O Império Parta ou Parto, também conhecido como Império Arsácida, foi uma das principais potências político-culturais iranianas da antiga Pérsia.
[10] Catão (em latim Marcus Porcius Cato Uticensis), que viveu entre 95 e 46 AC, foi um político romano célebre pela sua inflexibilidade e integridade moral, avesso a qualquer tipo de suborno. Opunha-se, particularmente, a César e suicidou-se após a sua vitória na Batalha de Tapso.
[11] Cleópatra Thea Filopator, que teria vivido entre 69 e 30 AC, foi a última rainha egípcia da dinastia de Ptolomeu, general que governou o Egito após a conquista daquele país por Alexandre III da Macedônia. Cleópatra originalmente governou conjuntamente com seu pai, Ptolomeu XII Neos Dionisos, e mais tarde com seus irmãos, Ptolomeu XIII e Ptolomeu XIV, com quem casou-se, por costume egípcio; finalmente quedou-se como governante único. Como faraó, ela consumou uma ligação com Júlio César, com quem teve um filho, Cesário. Posteriormente, envolveu-se também com Marco Antônio, durante o Segundo Triunvirato. Cleópatra foi uma grande negociante, estrategista militar, falava seis idiomas e conhecia filosofia, literatura e arte gregas.
[12] Marcus Junius Brutus, também chamado Quintus Caepio Brutus, que teria vivido entre 85 e 42 AC, foi um político romano e um dos líderes da conspiração que assassinou Julius Caesar. Brutus era filho de Marcus Junius Brutus, o Velho, que fora assassinado por Pompeu e Servília, mais tarde amante de César.


Continua com a PARTE 7