Homenagem ao lendário herói ancestral dos ingleses que deu título a um dos considerados "Cem Maiores Livros do Mundo" e tido como o mais antigo escrito em "Old English".

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

A REFORMA E OS REFORMADORES - PARTE 1

I - INTRODUÇÃO

Inicio este trabalho, que considero, talvez, o mais importante de tantos quantos publiquei até hoje, com um parágrafo do prefácio da obra “História da Reforma do Século XVI”, de autoria de J. H. Merle d’Aubigné. E faço isto, porque considero este parágrafo extremamente importante para a questão que me proponho apresentar, qual seja, a Reforma:

“A história de uma das maiores revoluções jamais consumadas nas relações humanas – de um poderoso impulso comunicado ao mundo três séculos atrás, e cuja influência é ainda hoje visível em todo o mundo – e não a história de uma mera facção, é o objeto da minha presente empresa. A história da Reforma é distinta da história do Protestantismo. Na primeira, cada coisa traz a marca do renascimento da raça humana – de uma mudança religiosa e social emanando do próprio Deus. Na segunda, muitas vezes testemunhamos uma evidente degeneração dos princípios originais, lutas entre facções, um espírito sectário e os traços de mesquinhas individualidades. A história do Protestantismo pode ter interesse apenas para os Protestantes; a história da Reforma se dirige a toda a Cristandade, ou ainda, a toda a Humanidade.”

A Reforma Protestante, muitas vezes conhecida simplesmente por “Reforma”, foi um cisma (ou uma dissidência) da Igreja Católica Romana iniciado por Martin Luther e continuado por Jean Calvin e outros reformadores protestantes da Europa do século XVI.
Embora tenham havido tentativas significativas anteriores para reformar a Igreja Católica Romana, como as de Jan Hus, Peter Waldo e John Wycliffe, Martin Luther[1] é amplamente reconhecido por ter iniciado a Reforma com suas “Noventa e Cinco Teses”[2], de 1517.
O movimento religioso que iniciou na Europa Ocidental e que, ostensivamente, visava uma renovação interna da Igreja, realmente conduziu a uma grande revolta contra si e a um abandono das principais crenças cristãs.
Luther começou por criticar a venda de indulgências, insistindo que o Papa não tinha autoridade sobre o Purgatório e que a doutrina católica dos “méritos dos Santos”[3] não possuía respaldo nos Evangelhos. A posição protestante, entretanto, incorporaria mudanças doutrinais como os "Cinco Somente” (de que ainda falaremos). A motivação central atrás dessas mudanças era teológica, embora muitos outros fatores tenham agido, incluindo a ascensão do nacionalismo, o “Cisma Ocidental”, que erodiu a fé do povo no Papado, a corrupção observada na Cúria Romana, o impacto do humanismo e o novo “Renascimento” que questionou muito do pensamento tradicional.
O movimento iniciado na Alemanha proliferou em vários lugares e outros impulsos à reforma surgiram independentes de Lutero. A difusão criada pela prensa de Gutenberg forneceu os meios necessários para a rápida disseminação de materiais religiosos no vernáculo. Os maiores grupos foram os Luteranos e os Calvinistas. As igrejas luteranas foram fundadas, principalmente, na Alemanha, nos Bálticos e na Escandinávia, ao passo que as calvinistas na Suíça, Hungria, França, Holanda e Escócia. O novo movimento influenciou a Igreja da Inglaterra[4] decisivamente após 1547, embora tenha se tornado independente sob Henry VIII, mais por razões políticas do que religiosas.
Outros movimentos reformadores também aconteceram por toda a Europa, conhecidos por Reforma Radical, que deu origem aos movimentos Anabatista[5], Moraviano e outros. Os reformadores radicais, além de formar comunidades fora da sanção do Estado, muitas vezes empregaram mudanças doutrinárias extremadas, tais como a rejeição das doutrinas dos Concílios de Niceia e Calcedônia.
A Igreja Católica Romana respondeu com uma Contrarreforma iniciada pelo “Concílio de Trento”. Desenvolvido em três períodos, entre 1545 e 1563, nas cidades de Trento e Bolonha, norte da Itália, o “Concílio de Trento” foi dos mais importantes concílios ecumênicos da Igreja Católica Romana. Motivado pela Reforma, ele tem sido descrito como a personificação da Contrarreforma. Quatrocentos anos mais tarde, quando o Papa João XXIII preparava o “Concílio Vaticano Segundo”, ele confirmou os éditos então emitidos: “O que era ainda é”. Como os éditos, o Concílio emitiu condenações do que ele definiu como heresias cometidas pela Reforma e, em resposta a eles, declarações-chave e esclarecimentos sobre as doutrinas e ensinamentos da Igreja. Tais incluíram uma ampla gama de assuntos, incluindo as Escrituras, o Cânon Bíblico, a tradição sagrada, o pecado original, reabilitação, salvação, os sacramentos, a Missa e a veneração dos Santos. O Papa Paulo III, que convocou o Concílio, presidiu a abertura e as onze primeiras sessões (1545-1547); as sessões de números 12 a 16 (1551-1552) foram presididas pelo Papa Júlio III e as sessões 17 a 25 (1562-1563), pelo Papa Pio IV.
Em geral, o norte da Europa, com exceção da maior parte da Irlanda ficou sob a influência do Protestantismo (como sinônimo de Reformador), enquanto o sul da Europa permaneceu Católico Romano, embora a Grécia permanecesse, predominantemente, Ortodoxa Oriental, ao passo que a Europa Central foi um local de conflito feroz, que culminou com a Guerra dos Trinta Anos, que a deixou devastada.
Todos os assuntos apenas anunciados nesta Introdução, serão vistos com detalhes na exposição que segue.

II – IDEIAS GERAIS DAS CAUSAS DA REFORMA

As causas da grande revolução religiosa do século XVI retroagem até o século XIV.
A doutrina da Igreja, é verdade, havia até então permanecido pura; vidas santas eram ainda frequentes em todas as partes da Europa e as numerosas instituições medievais beneficentes da Igreja continuavam o seu curso sem interrupção. Fossem quais fossem as condições infelizes que existiam, eram devidas às influências civis e profanas ou pelo exercício de autoridade por eclesiásticos nas esferas civis; as coisas não eram obtidas em todos os lugares com a mesma intensidade, nem ocorriam simultaneamente no mesmo país. A vida eclesiástica e religiosa exibia, em muitos lugares, vigor e variedade; trabalhos de educação e caridade abundavam; a arte religiosa, em todas as suas formas, tinha uma força viva; os missionários domésticos eram muitos e influentes; uma literatura pia e edificante era comum e apreciada. Gradualmente, contudo, e muito devido ao espírito hostil, de forma variada, dos poderes civis, nutrido e aumentado por vários elementos da nova ordem, surgiram, em várias partes da Europa, condições políticas e sociais que obstruíram as livres atividades reformadoras da Igreja, favorecendo o audacioso e o inescrupuloso, que usou uma oportunidade única de liberar todas as forças de heresia e cisma por tanto tempo mantidas em cheque pela ação harmoniosa das autoridades eclesiásticas e civis.
Desde as invasões bárbaras, a Igreja havia observado uma transformação e renascimento completos das raças da Europa Oriental, além de um desenvolvimento glorioso da vida intelectual e religiosa. O Papado havia se tornado o centro de poder da família das nações cristãs e como tal teve, por séculos, em união com o episcopado e o clero, disponibilizado uma atividade muito benéfica. Com a organização eclesiástica plenamente desenvolvida, ocorreu que as atividades dos corpos governantes eclesiásticos não ficaram mais confinados ao domínio eclesiástico, mas afetavam quase toda a esfera da vida popular. Gradualmente, um mundanismo lamentável manifestou-se em muitos altos eclesiásticos. Seu objetivo principal – guiar o homem para o seu objetivo eterno – raramente chamava a sua atenção e as atividades mundanas tornaram-se, em muitos casos, seu principal interesse. O poder político, posses materiais, posição privilegiada na vida pública, a defesa de direitos históricos antigos, interesses terrenos de várias espécies, foram muitas vezes o objetivo principal de grande parte do clero superior. A solicitude pastoral, o objetivo especificamente religioso e eclesiástico, ficou totalmente para trás, não obstante as várias tentativas para acertar os males existentes.
Conectados com o que foi dito acima, estavam vários abusos nas vidas do clero e do povo. Na Cúria Papal os interesses políticos e uma vida mundana eram muitas vezes proeminentes. Muitos bispos e abades (especialmente em países onde eram príncipes territoriais) mantinham-se como governantes temporais ao invés de servos da Igreja. Muitos membros dos corpos eclesiásticos preocupavam-se apenas com suas rendas e em como aumenta-las, especialmente pela união de vários rendimentos nas mãos de uma pessoa que assim gozava de maior renda e poder. A luxúria prevalecia amplamente entre o clero superior, ao passo que o baixo clero se achava oprimido. O treinamento científico e ascético do clero deixava muito a desejar; muitos detinham um padrão moral muito baixo e a prática do celibato não era observada em todos os lugares. Não menos séria era a condição de muitos monastérios de homens e mesmo de mulheres (muitas vezes lares das filhas solteiras da nobreza). O antigo prestígio do clero havia sofrido demais e seus membros eram, em muitos lugares, vistos com escárnio. Com relação aos cristãos, em numerosos distritos a ignorância, superstição, indiferença religiosa e imoralidade grassavam. Contudo, vigorosos esforços para a revivicação eram feitos em muitas terras e, lado a lado com a decadência moral, numerosos exemplos de sincera e correta vida cristã surgiam. Tais esforços, contudo, eram muitas vezes confinados a círculos limitados. A partir do século XIV a demanda pela “reforma de cabeça e membros” era exigida com energia crescente por homens sérios e de bom discernimento, mas o mesmo grito também era dado por muitos que não possuíam um desejo real por uma renovação religiosa, querendo reformar os demais, mas não a si mesmos e buscando apenas seus próprios interesses. Esse chamado por uma reforma, discutido em vários escritos e discussões com insistência sobre abusos existentes e muitas vezes exagerados, tendiam necessariamente a rebaixar ainda mais o clero aos olhos do povo, especialmente à medida que os concílios do século XV, embora muito ocupados com as tentativas de reforma, não tinham sucesso em seu cumprimento extensivo ou permanente. 
Felipe IV da França, que transferiu
a sede do Papado para Avignon
A autoridade da Santa Sé também tinha sido seriamente debilitada, parcialmente por culpa de alguns de seus ocupantes e parcialmente através de seus príncipes leigos. A mudança do Papa para Avignon[6], no século XIV, foi um erro atroz, dado que o caráter universal do papado foi assim obscurecido nas mentes dos cristãos. Certas fases da rixa com Luís, o Bávaro, e com os Seguidores Franciscanos, claramente indicava um declínio do poder Papal. O mais severo golpe ocorreu pelo desastroso “Cisma Ocidental”[7] (1378-1418), que passou aos cristãos ocidentais a ideia de que a guerra poderia ser feita, com todas as armas espirituais e materiais, contra alguém a quem outros cristãos viam como o único Papa legal. Após a restauração da unidade, as tentativas de reforma da Cúria Papal não foram completas. O Humanismo e os ideais do Renascimento foram zelosamente cultivados em Roma e, infelizmente, as tendências pagãs deste movimento, tão opostas à lei de moral cristã, afetaram tão profundamente a vida de muitos eclesiásticos superiores, que ideias mundanas, luxúria e imoralidade rapidamente se enraizaram no centro da vida eclesiástica. Quando a autoridade eclesiástica se enfraqueceu na nascente, decaiu em todos os lugares necessariamente. Havia também sérios abusos administrativos na Cúria Papal[8]. A sempre crescente centralização da administração eclesiástica havia exposto que os exagerados benefícios eclesiásticos em todas as partes da Cristandade eram conferidos em Roma onde, para a sua concessão, os interesses pessoais do peticionário eram muito mais considerados do que as necessidades espirituais do fiel. As várias espécies de restrições tinham também se tornado um grave abuso. A insatisfação era amplamente sentida entre o clero pelas excessivas taxas impostas pela Cúria sobre os beneficiados pelos benefícios eclesiásticos. A partir do século XIV essas taxas causaram graves queixas. Proporcionalmente, como a autoridade papal perdeu o respeito de muitos, o ressentimento cresceu contra a Cúria e o Papado. Os concílios de reforma do século XV, ao invés de melhorar a situação, ainda mais enfraqueceram a mais alta autoridade eclesiástica em razão de suas tendências e medidas antipapas. 
Papa Bonifácio VIII, último
Papa de Roma antes do Cisma
Nos príncipes e governos se havia desenvolvido, a este tempo, uma consciência nacional puramente temporal e, em grande extensão, hostil à Igreja; os poderes civis interferiam mais frequentemente nos assuntos eclesiásticos e a influência direta exercida pelos leigos sobre a administração doméstica da Igreja, aumentava rapidamente. No correr dos séculos XIV e XV, o conceito moderno de Estado surgiu. Durante o período precedente, muitos assuntos de natureza secular ou mista haviam sido regulados ou gerenciados pela Igreja de acordo com o desenvolvimento histórico da sociedade europeia. Com a crescente autoconsciência do Estado, os governos temporais procuraram controlar todos os assuntos dentro de sua competência, o que, embora em grande medida justificável, era novo e ofensivo assim conduzindo a frequentes colisões entre a Igreja e o Estado. Além disso, o Estado, devido à histórica ligação entre as ordens eclesiástica e secular, transgrediu o domínio eclesiástico. Durante o curso do “Cisma Ocidental”, Papas que se opunham buscaram o suporte dos poderes civis assim dando aos últimos abundantes ocasiões de interferir em questões puramente eclesiásticas. Novamente, para reforçar sua autoridade em face às tendências antipapas, os Papas do século XV fizeram, com frequência, certas concessões às autoridades civis que as fizeram crer que as questões eclesiásticas eram do seu domínio. Para o futuro, a Igreja deveria ser subordinada ao poder civil e encontrava-se crescentemente ameaçada de completa sujeição. De acordo com a autoconsciência nacional desenvolvida em vários países da Europa, o sentido da unidade e interdependência desenvolvido na família de nações cristãs enfraqueceu. O ciúme entre nações cresceu, o egoísmo proliferou, a fenda entre política, moralidade cristã e religião se ampliou, e tendências revolucionárias perigosas se espalharam rapidamente entre as pessoas. O amor à riqueza recebeu um grande incentivo com a descoberta do Novo Mundo, o rápido desenvolvimento do comércio e a nova prosperidade das cidades. 
Clemente V, o primeiro
Papa de Avignon
O Renascimento e o Humanismo[9], parcialmente, introduziram e grandemente favoreceram essas condições. O amor à luxúria logo foi associado ao renascimento da arte e da literatura do paganismo greco-romano. O ideal do religioso cristão foi muito abandonado; uma cultura intelectual mais elevada, anteriormente prerrogativa, em geral, do clero, mas agora comum aos leigos, assumiu um caráter secular e, em muitos casos, promoveu ativa e praticamente um espírito, moralidade e visão pagãs. Um materialismo grosseiro obtido entre as classes superiores da sociedade e no mundo educado, caracterizado por um vulgar amor pelo prazer, um desejo do ganho e uma voluptuosidade de vida, surgiu diametralmente oposta à moralidade cristã. Apenas um fraco interesse na vida sobrenatural sobreviveu. A nova arte da impressão tornou possível a disseminação ampla dos trabalhos de autores pagãos e dos seus imitadores humanísticos. Poemas e romances imorais, sátiras mordazes sobre pessoas e instituições eclesiásticas, trabalhos e canções revolucionários, circulavam em todas as direções e causaram enorme prejuízo. 
O Grande Cisma Ocidental: áreas rosa seguindo Avignon;
roxas seguindo Roma; passando de uma a outra, sublinhadas
com rosa e roxo.
À medida que o Humanismo se desenvolveu, promoveu intensa guerra contra o Escolasticismo[10] do tempo. O método teológico tradicional degenerou devido à maneira fastidiosa e minuciosa de tratar as questões teológicas e porque um sólido e completo tratamento da teologia havia infelizmente desaparecido de muitas escolas e escritos. Os humanistas cultivaram novos métodos baseando a teologia na Bíblia e nos estudos dos antepassados, em essência, um bom movimento que poderia ter renovado o estudo da Teologia, se adequadamente desenvolvido. Mas a violência dos humanistas, seus ataques exagerados ao Escolasticismo e a frequente obscuridade do seu ensino, criou forte oposição dos escolásticos representativos. O novo movimento, contudo, tinha ganho a simpatia do mundo leigo e de parte do clero devotado ao Humanismo. A perigo era muito grande de que a reforma não se confinasse aos métodos teológicos, mas que alcançasse o conteúdo do dogma eclesiástico, encontrando amplo suporte nos círculos humanistas.
O solo estava assim pronto para o crescimento dos movimentos revolucionários na esfera religiosa. Muitos avisos graves foram dados, indicando o perigo iminente e invocando uma reforma fundamental das reais condições. Muito havia sido feito nessa direção pelo movimento da reforma em várias ordens religiosas e pelos esforços apostólicos de indivíduos zelosos. Mas uma renovação geral da vida eclesiástica e um melhoramento uniforme das condições, iniciando por Roma, o centro da Igreja, não foi adequadamente tomada e logo foi apenas necessário um impulso externo para precipitar a revolução, que fez separar da unidade da Igreja grandes territórios do centro e quase todo o norte da Europa.


[1] Martin Luther (Martinho Lutero, como é conhecido em português) (10/11/1483-18/02/1546) foi um monge agostiniano alemão e professor de teologia na recém fundada Universidade de Wittenberg. Sua recusa em retratar-se de todos os seus escritos, sob demanda do Papa Leão X e de Charles V, Imperador do Sacro Império Romano, resultou em sua excomunhão pelo Papa e sua condenação como fora da lei pelo Imperador.
[2] As “Noventa e Cinco Teses” ou “Disputa pelo Poder das Indulgências”, são uma lista de proposições escritas por Lutero em 1517, que avançam as suas posições contra o que ele viu de errado na venda de indulgências. Lutero enviou as Teses a Albert de Brandenburg, arcebispo de Mainz, em 31 de outubro de 1517, data hoje considerada o início da Reforma.
[3] O “crédito de mérito” ou “crédito da Igreja”, de acordo com a crença católica, consiste dos méritos de Jesus Cristo e seus crentes, um crédito que, por causa da comunhão dos santos, beneficiaria outras pessoas como uma metáfora que indicaria os caminhos em que a fé de Cristo e dos Santos poderia ajudar outros.
[4] A Igreja da Inglaterra é a igreja cristã estabelecida na Inglaterra e a igreja mãe da Comunhão Anglicana internacional. Seu estabelecimento data da missão Gregoriana do século VI em Kent, conduzida por Agostinho de Canterbury. A Igreja da Inglaterra renunciou à autoridade papal quando Henry VIII pediu ao Papa, e não obteve, a anulação do seu casamento com Catarina de Aragão na década de 1530, tornando-se chefe da Igreja. A Reforma Inglesa acelerou sob Edward VI, antes de uma breve restauração do Catolicismo sob a rainha Mary I e o rei Philip. O Ato da Supremacia de 1558 renovou o rompimento e o reinado de Elizabeth traçou um rumo pelo qual a Igreja da Inglaterra seria ao mesmo tempo Católica e Reformada.
[5] Anabatistas eram os membros de um corpo violento e extremamente radical de reformadores civis-eclesiásticos, que surgiram em 1521, em Zwickau, atual reino da Saxônia, e que ainda existe em formas mais brandas.
[6] O Papado de Avignon foi o período de 1309 a 1377, durante o qual sete Papas sucessivos residiram em Avignon (então no reino de Arles, parte do Sacro Império Romano), ao invés de Roma, a partir de conflito entre o Papa Bonifácio VIII e o rei francês Felipe IV. Com a morte do papa seu sucessor, Benedito XI, após somente oito meses de papado, um conclave paralisado finalmente elegeu Clemente V, um francês, como Papa em 1305, que declinou de sua mudança para Roma, permanecendo na França e movendo sua corte para o enclave papal em Avignon, onde permaneceu pelos 67 anos seguintes. Os sete Papas que reinaram em Avignon eram todos franceses que caíram cada vez mais sob a influência da coroa francesa.
[7] Tal Cisma, dos séculos XIV e XV, difere em todos os pontos do Cisma Oriental – uma revolta real contra a autoridade suprema da Igreja, fomentada pela ambição dos patriarcas de Constantinopla, favorecida pelos imperadores gregos, apoiada pelo clero e povo bizantinos e que durou nove séculos. O Cisma Ocidental foi um mal-entendido temporário, embora tenha compelido a Igreja, por quarenta anos, a buscar a sua verdadeira liderança; foi alimentada por políticos e paixões e se encerrou com a reunião dos Concílios de Pisa e Constança. Essa divisão religiosa, infinitamente menos séria que a outra, foi encerrada em 1417 pela eleição de um Papa indisputado.
[8] Estritamente falando, a Cúria Papal é o conjunto de departamentos ou ministérios que assistem o Pontífice no governo da Igreja Universal. Incluem as Congregações Romanas, os tribunais e os escritórios da Cúria.
[9] Humanismo é o nome dado ao movimento intelectual, filosófico, ético e científico dos séculos XIV a XVI, que enfatiza o valor e a atuação do ser humano, individual e coletivo e, geralmente, prefere o raciocínio crítico e a evidência sobre a aceitação de dogma ou superstição. Por ser mais material que espiritual, a Igreja acrescenta à definição dada, que se trata de um movimento que visou a degradação de qualquer ramo do aprendizado da literatura e cultura da antiguidade clássica.
[10] O Escolasticismo é um método de pensamento crítico que dominou o ensino pelos acadêmicos (“escolásticos” ou “homens de escola”) das universidades medievais na Europa, de cerca de 1100 a 1700, e um programa de emprego do método ao articular e defender dogmas num contexto cada vez mais pluralístico. Originou-se das escolas monásticas cristãs, nas primeiras universidades europeias.

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