Beowulf

Homenagem ao lendário herói ancestral dos ingleses que deu título a um dos considerados "Cem Maiores Livros do Mundo" e tido como o mais antigo escrito em "Old English".

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

A HISTÓRIA DO IMPÉRIO PERSA (IRÃ) - Parte 1

I -INTRODUÇÃO

A história do Irã que nos propomos apresentar, registra os acontecimentos históricos no território correspondente aos atuais Irã, Afeganistão, Tadjiquistão, Uzbequistão, Azerbaijão e outras áreas vizinhas, ao longo de um período de tempo que começa com as primeiras civilizações pré-arianas, passa pelo Império Persa em todas as suas fases, prossegue com o período helenístico, domínio pelos muçulmanos, até o início da idade moderna. Em suas várias formas, trata-se de uma das mais antigas grandes civilizações de existência contínua. 
Localização de Anshan dentro do Império Elamita
A Pérsia é, oficialmente, admitida como um sinônimo para Irã, embora este último tenha se tornado mais usual, no Ocidente, após 1935. O país sempre foi chamado "Irã" (Terra dos Arianos, derivado de Aryanam, forma encontrada em textos persas antigos.) pelo seu povo, para se referir ao seu próprio país, pelo menos desde 600 AC, embora durante séculos tenha sido referido pelos europeus como Pérsia (Persis pelos gregos). Este termo provém do persa Pars ou Parsa ou ainda Fars, o nome do clã principal de Ciro (a ser visto com detalhe) e que também deu o nome à região onde habitavam os persas (hoje, a moderna província de Fars ao sul do Irã) principalmente devido aos escritos dos historiadores gregos. Em 1935 o governo especificou que o país deveria ser chamado Irã; entretanto, em 1959 ambos os nomes passaram a ser admitidos. No uso corrente, o termo Pérsia costuma ser reservado para referir-se ao Império Persa durante suas diversas fases históricas, uma sucessão de Estados que controlaram o Planalto Iraniano e os territórios adjacentes ao longo do tempo, a começar pela dinastia aquemênida, fundada por Ciro, o Grande, no século VI AC, fundado originalmente por um grupo étnico (os persas) a partir da cidade de Anshan (veremos adiante), no que é hoje a província iraniana de Fars, e governado por dinastias sucessivas (persas ou estrangeiras). 
Mapa topográfico do "Platô Iraniano"
O latim apanhou o termo do grego, transformando-o em Persia, forma adotada pelas diversas línguas européias. Em 1935, o Xá Reza Pahlavi solicitou, formalmente, que a comunidade internacional passasse a empregar o nome nativo do país, Iran (Irã ou Irão, em português). Em 1959, o mesmo governante anunciou que tanto Pérsia como Irã eram formas corretas de referir-se ao seu país.
O Planalto Iraniano ou Persa é uma grande formação geológica no Oriente Médio e na Ásia Ocidental e Central, parte da Placa Euroasiática meridional. Cobre a maior parte do Irã (aproximadamente 2/3 do país, da Cordilheira de Zagros para o leste), o Afeganistão (principalmente as porções meridional e oriental do país), o oeste do Paquistão (o Baluchistão e a Província da Fronteira Noroeste) e a parte sul do Turcomenistão, bem como uma pequena área do sul do Azerbaijão. Estende-se desde a Cordilheira Elburz (ou Alborz) na direção sul, até o mar. Seus extremos são marcados pela Cordilheira de Zagros, a oeste, pela Cordilheira de Hindu Kush, a leste, Mar Cáspio e a cadeia montanhosa Kopet Dag, ao norte, o Estreito de Ormuz e o Golfo Pérsico, ao sul. 
Localização geral do Irã moderno
A figura ao mostra o mapa do Irã, oficialmente República Islâmica do Irã, um estado soberano da Ásia Ocidental, nos dias de hoje. Palco de inúmeras guerras, personagens controvertidos e uma das culturas mais antigas do mundo, uma área cheia de conflitos históricos que ainda permanecem, desde milhares de anos antes da Era Cristã. Uma das razões de sua conturbada história, reside exatamente em sua posição geográfica: o país em foco faz fronteiras com, nada mais, nada menos, Turquemenistão, Azerbaijão, Armênia e Mar Cáspio, ao norte, Turquia e Iraque a oeste, Afeganistão e Paquistão a leste, e Golfo Pérsico e Golfo de Omã ao sul. É a história deste país que nos propomos contar nesta postagem.
A história da Pérsia no mundo ocidental, está entrelaçada com a história de uma região mais ampla, até certo ponto conhecido como “Irã Maior” ou “Grande Irã”, compreendendo a área que vai da Anatólia[1], Estreito de Bósforo e Egito, no oeste, às fronteiras da antiga Índia e o Syr Darya (rio da Ásia Central[2]), no leste, e do Cáucaso (região na fronteira entre a Europa e Ásia, situada entre os mares Negro e Cáspio) e a Estepe Eurasiática (a Grande Estepe da Eurásia), no norte, ao Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, no sul.
O Irã é o lar de uma das mais velhas civilizações contínuas do mundo, com povoações históricas e urbanas que datam de 7.000 AC. As áreas sudoeste e oeste do Platô Iraniano, participaram do tradicional Antigo Oriente Próximo com o Elam (sudoeste do Irã moderno), do início da Idade do Bronze e, mais tarde, com vários outros povos, como os Cassitas, Manneanos (noroeste do atual Irã) e Gutianos. 
Localização das ruínas de Persépolis
Georg Wilhelm Friedrich Hegel diz que os persas foram o primeiro Povo Histórico. Os Medas (ou Medos) unificaram o Irã como nação e império em 625 AC. O Império Aquemênida (550-330 AC), fundado por Ciro II, o Grande, foi o primeiro dos impérios persas a reinar dos Balcãs à África Norte e também na Ásia Central, cobrindo três continentes a partir do seu trono de poder em Persis (Persépolis, cidade dos persas), capital cerimonial do Império Aquemênida, situada a 60 km da cidade de Shiraz, na província de Fars, Irã. Os mais antigos vestígios de Persépolis datam de 515 AC, exemplificando o estilo de arquitetura Aquemênida, tendo sido declarado pela UNESCO, em 1979, Sítio de Herança Mundial. A palavra portuguesa Persépolis é a própria palavra grega, composta de Perses e Polis e significando a “Cidade dos Persas”. Para os persas antigos, a cidade era conhecida como Parsa, palavra usada para “Persia” ou, mais precisamente, a região de Persis. Foi o maior império jamais visto e o primeiro império mundial. O Primeiro Império Persa foi a única civilização em toda a história a conectar mais de 40% da população global, avaliada em 49,4 milhões da população mundial de 112,4 milhões de pessoas, cerca de 480 AC. Eles foram sucedidos pelos Impérios Selêucida, Parta e Sassânida, que sucessivamente governaram o Irã por quase 1.000 anos e o fizeram novamente uma importante potência mundial. Seu arquirrival foi o Império Romano e seu sucessor, o Império Bizantino. O Império Persa, propriamente dito, iniciou na Idade do Ferro, seguindo o influxo dos povos iranianos, que deram origem aos impérios que o sucederam na antiguidade clássica.
Como um império de tais proporções, o Irã também resistiu a várias invasões, pelos gregos, árabes, turcos e mongóis. Ao longo dos séculos, o Irã continuamente reafirmou sua identidade nacional, desenvolvendo uma entidade política e cultural distintas.
A conquista muçulmana da Pérsia (633-656) encerrou o Império Sassânida, definindo um ponto de inflexão na história iraniana. A “islamização” do Irã teve lugar entre os séculos VIII e X, conduzindo ao declínio do Zoroastrismo[3] bem como de várias de suas crenças. Contudo, as conquistas das civilizações persas anteriores não foram perdidas, mas foram, numa grande extensão, absorvidas pelo novo sistema político e civilização.
O Irã, com sua longa história de culturas e impérios originais, havia sofrido muito, particularmente com o final da Idade Média e início do Período Moderno. Muitas invasões de tribos nômades, cujos líderes tornaram-se governantes deste país, afetaram-no negativamente.
O Irã foi mais uma vez reunido, como estado independente, em 1501, pela Dinastia Safávida (falaremos dela adiante), que converteu o Irã ao Islamismo Xiita (que também veremos em detalhe, oportunamente), como religião oficial do seu império, no ponto crítico da história do Islamismo. Novamente atuando como uma potência líder, desta feita na vizinhança do Império Otomano, seu arquirrival por séculos, o Irã havia sido uma monarquia comandada por um imperador, quase sem interrupção, de 1501 até a revolução iraniana de 1979, quando oficialmente tornou-se uma república islâmica em abril de 1979.
Ao longo da primeira metade do século XIX o Irã perdeu muitos dos seus territórios no Cáucaso (que ele havia governado intermitentemente por milênios), compreendendo hoje a Geórgia Oriental, Dagestão, Azerbaijão e Armênia (todos ao noroeste do Irã), para o seu rival vizinho, rapidamente emergente e em expansão, o Império Russo, após as guerras Russo-Persa, entre 1804-1813 e 1826-1828.

II – PRÉ-HISTÓRIA

II.1 – PALEOLÍTICO (2,5 milhões de anos a 10.000 AC)
Divisão da História
em Eras

Apenas para simplificar a vida dos nossos leitores que não estejam muito acostumados com o assunto, apresentamos ao lado uma tabela simplificada com as divisões da História em eras.
Os mais antigos artefatos arqueológicos no Irã foram encontrados nos sítios de Kashafrud e Ganj Par, que datam do ano 100.000, no Paleolítico Médio. As ferramentas de pedra Musteriana (ou Musteriense, nome dado por arqueólogos a um estilo de ferramentas ou indústria predominantemente de pederneira) feitas por homens de Neandertal[4], também foram encontradas. Há mais resíduos culturais dos homens de Neandertal datando do período do Médio Paleolítico que foram principalmente encontrados na região das montanhas Zagros e alguns poucos no Irã Central, em vários sítios arqueológicos. Em 1949 um rádio (osso do braço) Neanderthal foi descoberto por Carleton S. Coon, na caverna de Bisitun. Há também evidências dos períodos Paleolítico Superior e Epipaleolítico (final do Paleolítico Superior, já mergulhando no Mesolítico), principalmente nas Montanhas Zagros, nas cavernas de Kermanshah e Khorramabad e alguns sítios no Alborz e Irã Central.

II.2 – NEOLÍTICO AO CALCOLÍTICO

O Calcolítico é a transição entre o Neolítico e a Idade do Bronze, também chamada de Idade do Cobre, porque aí surgiram o cobre e os monumentos megalíticos.
As mais antigas comunidades agrícolas começaram a florescer cerca de 10.000 AC na região das montanhas Zagros e entorno, no Irã ocidental. Pela mesma época, os mais antigos vasos de argila e figuras humanas e de animais, de terracota começaram a ser produzidas, também no oeste do Irã. O sudoeste do Irã era parte do “Fértil Crescente”[5], onde a maioria das primeiras culturas importantes foram realizadas, em vilas como Susa, um dos mais velhos povoamentos do Irã e do mundo, fundado, possivelmente cerca de 4.400 AC (próximo de Anshan) e povoamentos como Chogha Mish, datando de 6.800 AC; há jarras de vinho escavadas nas montanhas Zagros, com cerca de 7.000 anos de idade e ruínas de povoamentos da mesma idade. As duas povoações principais do Iraniano neolítico são a Cultura do rio Zayandeh e Ganj Dareh.

II.3 – IDADE DO BRONZE

O Elam foi uma das primeiras civilizações de que se tem registro no extremo oeste e sudoeste do que é hoje o Irã, sendo tradicionalmente considerada o ponto inicial da história do Império Persa (e, em decorrência, do Irã). Existiu cerca de 2700 AC até cerca de 539 AC, em seguida ao chamado Período Proto-Elamita, que teve início em cerca de 3200 AC (a cidade capital era Anshan), quando Susa, que viria a ser a capital dos elamitas, começou a ser influenciada por culturas do Planalto Iraniano. Baseado na busca de idade com o C14 (Carbono 14 ou radio carbono, é um isótopo radioativo do carbono, cuja presença em materiais orgânicos é a base do método para determinação de idades de amostras arqueológicas, geológicas e hidrogeológicas), a época de fundação de Susa é cerca de 4.400 AC, além da época de civilização da Mesopotâmia. A percepção geral entre os arqueólogos é que Susa foi uma extensão da cidade sumeriana de Uruk. Há também dúzias de sítios pré-históricos no platô iraniano indicando a existência de culturas antigas e povoações urbanas no quarto milênio. 
Área do Império Elamita, em vermelho, e áreas vizinhas
O Elam situava-se a leste da Suméria e da Acádia (atualmente, o Iraque). No período Elamita Antigo, constituía-se de reinos no Planalto Iraniano, cujo centro era Anshan, e, a partir do II milênio AC, Susa. Sua cultura desempenhou um papel fundamental no Império Persa, em especial durante a dinastia Aquemênida (que veio a suceder a civilização elamita na região), quando a língua elamita continuou a ser empregada oficialmente. O período elamita costuma ser considerado o ponto inicial da história do Irã (embora tenha havido culturas mais antigas no Planalto Iraniano). Os elamitas foram rivais dos sumérios e acádios e, posteriormente, dos babilônios, na disputa pela hegemonia no Oriente Próximo, até que finalmente foram dominados definitivamente por Nabucodonosor II da Babilônia, no século VII AC. Posteriormente, quando a Babilônia caiu ante os persas de Ciro, o Grande, os elamitas passaram a ser gradativamente absorvidos por outras populações iranianas e semitas.
A língua elamita não tem parentesco com as línguas iranianas (nem com as línguas indo-europeias ou as semíticas), embora alguns estudiosos enxerguem uma relação com as línguas dravídicas. O Elam conviveu com o Reino Jiroft, uma das mais antigas civilizações do platô iraniano, estabelecido no que são hoje as províncias orientais do Irã, enquanto que os elamitas controlavam a porção ocidental, na região da Cordilheira de Zagros; posteriormente sucedeu-o, estendendo-se por todo o platô iraniano. 
Taça de prata de Marvdasht
do terceiro milênio AC
Suas escavações arqueológicas conduziram à descoberta de vários objetos pertencentes ao quarto milênio AC. Há uma grande quantidade de objetos decorados com inconfundíveis gravações de animais, figuras mitológicas e motivos arquitetônicos. Os objetos e sua iconografia diferem de qualquer outra coisa já vista por arqueólogos. Muitos são feitos de clorita, pedra macia verde-cinza; outros são de cobre, bronze, terracota e até lápis-lazúli. Escavações recentes no local produziram a inscrição mais antiga do mundo, que antecede as inscrições da Mesopotâmia.
Há registros de numerosas outras civilizações antigas no platô iraniano antes da emergência dos povos iranianos durante a primitiva Idade do Ferro. O início da Idade do Bronze viu a ascensão da urbanização em cidades-estados organizadas e na invenção da escrita (Período Uruk) no Oriente Próximo. Enquanto o Elam da Idade do Bronze usou a escrita em tempos antigos, a escrita Proto-Elamita permanece indecifrada e registros da Suméria pertencentes ao Elam são escassos.
Há uma corrente teológica que afirma terem sido os elamitas descendentes de Elam, um dos filhos de Sem e neto de Noé nascido após o dilúvio bíblico.

II.4 – INÍCIO DA IDADE DO FERRO

O princípio do primeiro milênio AC testemunhou a segunda grande invasão do Planalto Iraniano por tribos indo-arianas provenientes da Transoxiana[6] e do Cáucaso, entre as quais os medos e os persas. O primeiro registro a respeito dos persas vem de uma inscrição assíria de cerca de 844 AC, que se refere aos parsu (Parsuash, Parsumash), localizando-os na área do Lago Urmia (noroeste do Irã), juntamente com outro grupo, os madai (medos).
Os registros tornam-se mais tangíveis com a ascensão do Império Neo-Assírio (911-612 AC), na Mesopotâmia, e seus registros de incursões do Platô Iraniano. A partir do século XX AC, tribos emigraram da estepe Ponto-Caspiana (hoje territórios da Ucrânia, Rússia e Cazaquistão) para o Platô Iraniano. A chegada no Platô Iraniano forçou os elamitas a renunciarem às suas áreas, buscando refúgio no Elam, Khuzistão ou Khuzestão (uma das províncias do Irã) e áreas vizinhas que só então se tornaram limítrofes com o Elam. Pelo meio do primeiro milênio AC, medas, persas e partas povoavam o Platô Iraniano. Até a ascensão dos medas, todos permaneceram sob dominação assíria, como o resto do Oriente Próximo.

[1] Anatólia, também conhecida como Ásia Menor, denota a protrusão ocidental da Ásia, que compõe a maior parte da Turquia. A região é banhada pelo mar Negro ao norte, o mar Mediterrâneo ao sul e o mar Egeu, a oeste. O mar de Mármara forma uma ligação entre os mares Negro e Egeu através dos estreitos de Bósforo e Dardanelos e separa a Anatólia da Trácia, no continente europeu. Aproximadamente corresponde a dois terços ocidentais da parte asiática da Turquia.
[2] A Ásia Central espalha-se do Mar Cáspio, no oeste, à China, no leste e do Afeganistão, no sul, à Rússia, no norte, mas nunca houve uma demarcação oficial da área. Coloquialmente, ela se refere também aos “stãos”, já que os países geralmente considerados dentro da região, possuem todos o sufixo persa “stão”, que significa “terra de”.
[3] O zoroastrismo, masdaísmo, masdeísmo ou parsismo é uma religião fundada na antiga Pérsia pelo profeta Zaratustra, a quem os gregos chamavam de Zoroastro. É considerada como a primeira manifestação de um monoteísmo ético. De acordo com historiadores da religião, algumas das suas concepções religiosas, como a crença no paraíso, na ressurreição, no juízo final e na vinda de um messias, viriam a influenciar o judaísmo, o cristianismo e o islamismo. Tem seus fundamentos fixados no Avesta (parte das escrituras sagradas do Zoroastrismo) e admite a existência de duas divindades (dualismo), as quais representam o Bem (Aúra-Masda) e o Mal (Arimã). Da luta entre essas divindades, sairia vencedora a divindade do Bem.
[4] O Neandertal (algumas vezes chamado de "Vale do Neander") é um pequeno vale do rio Düssel, no estado alemão do North Rhine-Westphalia, localizado cerca de 12 km a leste de Düsseldorf, a capital do estado. Em agosto de 1856 a área tornou-se famosa com a descoberta do Neanderthal 1, o primeiro espécime do Homo neanderthalensis a ser encontrado.
[5] Também conhecido como “Berço da Civilização”, o “Fértil Crescente” é uma região em forma de quarto crescente que contém a terra comparativamente úmida e fértil das terras áridas e semiáridas da Ásia Ocidental, o vale do Nilo e o Delta do Nilo. O conceito originou-se no estudo da história antiga e logo desenvolveu-se, retendo hoje significados nas relações geopolíticas e diplomáticas internacionais. No uso corrente, todas as definições do Fértil Crescente incluem a Mesopotâmia, as áreas dos vales dos rios Tigre e Eufrates e o Levante, a costa oriental do Mar Mediterrâneo. Os países atuais, com território significativo no Fértil Crescente, são Iraque, Síria, Líbano, Chipre, Jordânia, Israel, Estado da Palestina, Egito, bem como a borda sudeste da Turquia e as bordas do Irã ocidental. A região viu o desenvolvimento de algumas das mais antigas civilizações que floresceram graças às fontes hídricas e recursos agrícolas existentes no Fértil Crescente. Avanços tecnológicos da região incluem o desenvolvimento da escrita, o vidro, a roda, a agricultura e a irrigação.
[6] A Transoxiana é uma denominação obsoleta para uma região da Ásia Central correspondente aos atuais Uzbequistão, Tadjiquistão e sudoeste do Cazaquistão. Geograficamente, localiza-se entre os rios Amu Dária e Sir Dária. No período Aquemênida, a região chamava-se Sogdiana.

sábado, 1 de julho de 2017

UMA PEQUENA HISTÓRIA DOS ÁRABES MUÇULMANOS (Parte 7 - Final)

VII.2 – DECLÍNIO E DERROTA DOS MUÇULMANOS

Durante o século IX, os berberes retornaram à África, como consequência das revoltas no mundo muçulmano. Muitos governadores de grandes cidades distantes da capital, Córdoba, tinham planejado estabelecer suas independências. Então, em 929, o Emir de Córdoba, Abd-ar-Rahman III, o líder da dinastia Omíada, declarou-se Califa, independente dos Abássidas de Bagdá. Tomou os poderes militar, religioso e político, reorganizando o exército e a burocracia. Após ganhar o controle sobre os governadores dissidentes, Abd-ar-Rahman III tentou conquistar os reinos cristãos remanescentes na Ibéria, atacando-os várias vezes e empurrando-os para além das Montanhas Cantábricas (cordilheira ao norte da Espanha, com 480 km de extensão). Seu neto tornou-se um fantoche nas mãos do grande Vizir Almanzor (al-Mansur), que empreendeu várias campanhas atacando e saqueando Burgos, Leão, Pamplona, Barcelona e Santiago de Compostela, antes de sua morte, em 1002. Entre sua morte e 1031, o Al-Andalus sofreu muitas guerras civis, que terminaram com a divisão nos Reinos Taifas, já mencionados, 34 (trinta e quatro) pequenos reinos centrados em suas capitais. Seus governadores não possuíam visão de escala sobre a presença moura na península e não tinham receio de atacar os reinos vizinhos sempre que pudessem tirar vantagem disso. Essa divisão em reinos menores enfraqueceu a presença islâmica e os reinos cristãos avançaram quando Alfonso VI conquistou Toledo em 1085. Cercados por seus inimigos, os governantes taifa enviaram um apelo desesperado ao chefe berbere Yusuf ibn Tashfin, líder dos Almorávidas. 
Cronograma geral da Reconquista, já com o Reino de
Astúrias ampliado para Reino de Leão e Navarra
Os Almorávidas eram uma milícia muçulmana, primariamente composta por berberes e mouros africanos e, diferentemente dos governadores muçulmanos anteriores, não tão tolerantes com os cristãos e judeus. Seus exércitos entraram na Ibéria em várias ocasiões e derrotaram o rei Alfonso em 1086, na Batalha de Sagrajas, mas seu objetivo inicial era unir as taifas num só califado Almorávida. Suas ações retardaram a expansão dos reinos cristãos e sua única derrota ocorreu em Valência, 1094, pelas ações de El Cid.
Enquanto isso, Navarra perdia toda sua importância sob o rei Sancho IV, que perdeu Rioja para Sancho II de Castela e quase tornou-se vassalo de Aragão. Com sua morte os navarrenses escolheram para seu rei Sancho Ramirez, rei de Aragão, que se tornou Sancho V de Navarra e I de Aragão (1063). Sancho Ramirez ganhou reconhecimento internacional para Aragão, unindo-o a Navarra e expandindo as fronteiras para o sul, conquistando Huesca (nordeste da Espanha) em 1096 e construindo o forte El Castelar, a 25 km de Zaragoza.
A Catalunha esteve sob intensa pressão das taifas de Zaragoza e Lérida, bem como de disputas internas, pois Barcelona sofreu uma crise dinástica que conduziu à guerra entre os condados menores. Mas pela década de 1080, a situação havia se acalmado e o domínio de Barcelona foi restaurado.
Após um breve período de desintegração, os Almóadas, poder em ascensão no norte da África, descontentes com o insucesso dos Almorávidas, tomaram a maioria do Al-Andalus. Os papas chamaram os cavalheiros da Europa às Cruzadas na Península, fazendo com que exércitos da França, Navarra, Castela, Portugal e Aragão se unissem contra as forças muçulmanas, decisivamente derrotando os Almóadas na Batalha das Navas de Tolosa, em 1212, que assim perderam quase todas as terras remanescentes do Al-Andalus nas décadas que se seguiram. Por 1252, somente o reino de Granada permanecia como um estado muçulmano soberano na Península Ibérica. 
A capitulação de Granada em 1492: Fernando e Isabel
e Muhammad XII
O reino mouro de Granada ainda continuaria por quase três séculos, ao sul da Ibéria. Fernando e Isabel, que herdaram os reinos de Aragão e Castela, respectivamente, eram primos, casaram-se em 1469 e completaram a Reconquista com a guerra contra o Emirado de Granada, iniciada em 1482 e encerrada com a rendição de Granada em 2 de janeiro de 1492. Os habitantes mouros não receberam qualquer ajuda militar ou resgate de outras nações muçulmanas. Os mouros, em Castela, chegaram a atingir meio milhão de pessoas dentro do reino. Por 1492, 100.000 (cem mil) haviam morrido ou sido escravizados, 200.000 (duzentos mil) haviam emigrado e 200.000 (duzentos mil) permaneceram em Castela. Muito da elite muçulmana, considerando o domínio cristão intolerável, emigrou para Tlemcen, noroeste de Argélia, norte da África. Os judeus restantes também foram forçados a deixar a Espanha, converterem-se à cristandade católica romana ou serem mortos por se recusarem. 
O Palácio Real de Alhambra, Granada, Espanha
Diz-se que os muçulmanos lamentam, anualmente, a perda de Granada, com seu maravilhoso palácio e jardins de Alhambra, seu palácio real na cidade. Na Espanha, festas anuais comemoram a vitória. O ano de 1492 foi um ano significativo não apenas para a Espanha, mas globalmente. Ele marcou o fim do domínio muçulmano no Al-Andaluz, a expulsão de judeus e muçulmanos e a viagem de Cristóvão Colombo às Américas. Em seu diário, Colombo colocou sua aventura no contexto da conquista de Granada por seus benfeitores. Argumenta-se que o sucesso dos espanhóis no que eles viram como uma cruzada contra o Islamismo, forneceu o estímulo e o ímpeto para as suas conquistas do Novo Mundo, o que eles fizeram “com a espada numa mão e a Bíblia na outra, a partir do seu recente triunfo sobre os muçulmanos”.

VIII – O REPOVOAMENTO CRISTÃO DA PENÍNSULA IBÉRICA

A Reconquista foi um processo não somente de guerra e conquista, mas também de repovoamento. Os reis cristãos moveram seus próprios povos para localidades abandonadas pelos muçulmanos, para ter uma população capaz de defender as fronteiras. As principais áreas de repovoamento foram a bacia do Douro (planalto norte), o alto vale do Ebro (La Rioja) e a Catalunha central. O repovoamento da bacia do Douro teve lugar em duas fases distintas: na área norte da bacia, entre os séculos IX e X, o sistema de presura foi empregado; no sul do Douro, nos séculos X e XI, a presura conduziu aos fueros ou forais, que também foram usados ao sul da Cordilheira Central. 
Os reis católicos Fernando e Isabel,
de Aragão e Castela
A presura se referia a um grupo de camponeses que atravessavam as montanhas e se estabeleciam nas terras abandonadas da bacia do Douro. As leis Asturianas promoveram esse sistema, por exemplo, outorgando a um camponês toda a terra que ele poderia cultivar e defender como sua propriedade. Claro que os nobres menores, da Galícia e Astúrias enviaram suas próprias expedições com os camponeses que eles mantinham, conduzindo a muitas áreas feudalizadas, como Leão e Portugal, enquanto Castela, uma área árida com vastas planícies e clima severo, somente atraiu camponeses sem esperanças de irem para Biscaia (província da Espanha ao norte da comunidade autônoma do País Basco). Por consequência, Castela era governada por um só conde, mas com território predominantemente não feudal, com muitos camponeses livres. A presura também surgiu na Catalunha, quando o conde de Barcelona ordenou ao bispo de Urgell e ao conde de Gerona que repovoassem as planícies de Vic (capital da comarca de Osona, província de Barcelona, Catalunha).
Do século X em diante, as cidades grandes e pequenas ganharam mais importância e poder, à medida que o comércio ressurgia e a população continuava crescendo. Os fueros, conforme já comentado anteriormente, eram documentos que relacionavam os privilégios e usos concedidos a todo o povo que repovoava uma cidade, e forneciam uma forma de escapar do sistema feudal, pois eram concedidos somente pelo rei. Como resultado, o conselho da cidade era dependente somente do monarca e, em troca, deviam fornecer ajuda ou tropas ao seu rei. A força militar das cidades transformou-se nos caballeros villanos (cavalheiros das vilas). O primeiro fuero foi dado ao conde Fernán Gonzales para os habitantes de Castrojeriz, na década de 940. As mais importantes cidades da Ibéria medieval tinham fueros ou forais. Em Navarra os fueros foram o sistema mais importante de repovoamento. Mais tarde, no século XII, Aragão também empregou o sistema, por exemplo, o fuero de Teruel, um dos últimos, no início do século XIII. Do meio deste século para diante, não foram concedidas mais cartas, pois a pressão demográfica havia desaparecido e outros meios de repovoamento foram criados.
A língua falada nas partes da Península sob o domínio muçulmano, era o árabe andaluso, extinto com a expulsão dos mouriscos (descendentes da população muçulmana espanhola convertida ao cristianismo), mas cuja influência na língua espanhola, até hoje é encontrada.
Embora o número de muçulmanos colonizadores (em sua maioria mouros) fosse pequeno, muitos habitantes ibérios nativos se converteram ao islamismo. Pelo ano 1000, cerca de 5 milhões dos 7 milhões de habitantes, a maioria deles descendentes de ibérios nativos convertidos, eram muçulmanos. Havia também africanos do sub Saara, que haviam sido absorvidos no Al-Andalus para serem usados como soldados e escravos. O Califado de Córdoba entrou em colapso em 1031 e o território muçulmano na Ibéria caiu sob o domínio do Califado Almóada em 1153. Este segundo estágio foi guiado por uma versão do islamismo que deixou para trás as práticas mais tolerantes. Em 1480, para exercer o controle social e religioso, Fernando e Isabel concordaram com a entrada da Inquisição na Espanha. A população muçulmana de Granada rebelou-se em 1499 e assim permaneceu até 1501, dando às autoridades de Castela uma desculpa para anular o Tratado de Granada, (final de 1491) que garantia vários direitos aos muçulmanos que se rendiam. Em 1501, as autoridades de Castela emitiram um ultimato aos muçulmanos de Granada: converterem-se ao cristianismo ou serem expulsos. Alguns converteram-se e permaneceram na Ibéria.

terça-feira, 13 de junho de 2017

UMA PEQUENA HISTÓRIA DOS ÁRABES MUÇULMANOS (Parte 6)

VII – A RECONQUISTA



VII.1 – A RESISTÊNCIA DOS REINOS DO NORTE

O declínio do domínio muçulmano, na Península Ibérica, começou praticamente após concluída a sua conquista, em 713.
A “Reconquista” é o período da história da Península Ibérica que abrange, aproximadamente, 770 anos, entre a conquista islâmica da Hispania, em 711, e a perda do último reduto do Estado Muçulmano, em Granada, em 1492, para os reinos cristãos em expansão. O fim da Reconquista coincidiu com a descoberta das Américas pela Espanha – o “Novo Mundo” -, prenunciando os impérios coloniais português e espanhol. A historiografia tradicional, especialmente os estudiosos espanhóis, têm enfatizado a existência da “Reconquista”, o fenômeno contínuo pelo qual os reinos cristãos ibéricos se opuseram e conquistaram os reinos muçulmanos, entendido como um inimigo comum que havia militarmente tomado territórios cristãos.
O Império Muçulmano cerca de 750
A figura ao lado mostra o Império Muçulmano pelo ano 750, logo após o início da Reconquista, de acordo com as épocas em que as conquistas islâmicas foram realizadas. Esse mapa serve para dar uma ideia da grandeza do conjunto de terras que haviam sido conquistadas pelos árabes muçulmanos até essa época.
Como em todos os impérios, também entre os muçulmanos conquistadores, atritos começaram a surgir, principalmente pela tensão étnica entre árabes e berberes, recém convertidos ao islamismo, mas que haviam fornecido muitos homens para os combates e sentiam a discriminação contra eles. Este conflito interno deteriorou a unidade muçulmana.
Península Ibérica cerca de 750 com o Reino das Astúrias
quebrando a hegemonia muçulmana
Após a conquista islâmica moura de quase toda a península ibérica, entre 711 e 718, e o estabelecimento do emirado de Al-Andalus, estados cristãos baseados no norte e oeste, lentamente começaram a estender o seu poder sobre o resto da Ibéria. Os Reinos de Navarra, da Galícia, de Leão, de Portugal, de Aragão, da Marca Hispânica e da Coroa de Castela, iniciaram o processo de expansão e consolidação interna durante os vários séculos que se seguiram, sob a bandeira da Reconquista. Seu início é, tradicionalmente, definido pela batalha de Covadonga (718 ou 722), primeira vitória das forças militares cristãs desde a invasão muçulmana em 710. Nesta batalha, um pequeno exército cristão, liderado pelo nobre visigodo Pelagius, derrotou o exército do califado nas montanhas do norte da Ibéria, estabelecendo o independente Reino Cristão das Astúrias em oposição à hegemonia muçulmana. A dinastia de Pelagius, nas Astúrias, sobreviveu e, gradualmente, expandiu os limites do reino até que o noroeste da Ibéria foi incluído, cerca de 775. Contudo, o crédito todo não foi devido apenas a ele, mas também aos seus sucessores. Alfonso I (rei de 739 a 757) convocou o apoio da Galícia quando de lá expulsou o exército mouro, bem como de uma área do que posteriormente tornou-se o Reino de Leão ou Galícia Leão.
Don Pelagius, primeiro rei das Astúrias
Uma expansão adicional do reino, do noroeste em direção ao sul, ocorreu durante o reino de Alfonso II (791 a 842) e, por um curto período, quase alcançou Lisboa. O reino tornou-se firmemente estabelecido com o reconhecimento de Alfonso II como rei de Astúrias, por Carlos Magno e pelo Papa. Durante o seu reinado, foi declarada a descoberta dos ossos de Tiago, um dos apóstolos de Jesus, na Galícia, em Santiago de Compostela; peregrinos de toda a Europa abriram um canal de comunicação entre as isoladas Astúrias e as terras Carolíngias (veremos a seguir) e ainda além. Embora numerosas batalhas, nem os omíadas nem os asturianos tinham poder suficiente para assegurar o controle desses territórios do norte. Alfonso III repovoou a estrategicamente importante cidade de Leão, estabelecendo-a como capital das Astúrias. Iniciou uma série de campanhas para estabelecer o controle das terras ao norte do rio Douro; reorganizou seus territórios em ducados principais (Galícia e Portugal) e condados importantes (Saldaña e Castela), fortificando as fronteiras com muitos castelos. Com a sua morte, em 910, a mudança no poder regional foi completada quando o reino tornou-se o Reino de Leão. Dessa base de poder, seu herdeiro Ordoño II pode organizar ataques contra Toledo e mesmo Sevilha.
Espanha ao tempo de Alfonso II com Astúrias e Galícia unidas
O Califado de Córdoba ganhava força e começou a atacar Leão. O rei Ordoño aliou-se com Navarra contra Abd-al-Rahman, mas foram derrotados em Valdejunquera em 920. Pelos próximos 80 anos o Reino de Leão sofreu com guerras civis, ataques dos mouros, intrigas e assassinatos internos e a independência parcial da Galícia e Castela, assim retardando a reconquista e enfraquecendo as forças cristãs. Só no século seguinte os cristãos começaram a ver suas conquistas como parte de um esforço de longo termo para restaurar a unidade do reino visigodo.
O único ponto deste período em que a situação tornou-se esperançosa para Leão, foi o reinado de Ramiro II, famoso pela legendária batalha de Clavijo. Em aliança com Fernán González de Castela, Ramiro derrotou o califa em Simanca, em 939. Após essa batalha, em que o califa mal escapou com vida, mas com seu exército destruído, o rei Ramiro teve 12 anos de paz, mas teve de conceder a González a independência de Castela. Sob o reinado de Ramiro, a fronteira deslocou-se lentamente em direção ao sul e as possessões asturianas em Castela, Galícia e Leão foram fortificadas, com um intenso programa de repovoamento no interior daqueles territórios. Os ataques dos mouros se atenuaram até que Almanzor iniciou suas campanhas. Alfonso V finalmente recuperou o controle de seus domínios em 1002. Navarra, embora atacada por Almanzor, permaneceu intacta.
Este reino do norte e outro de que vamos ainda falar, a Navarra Basca, embora seu pequeno tamanho, demonstraram habilidade para manter suas independências. Sem poder estender seu domínio além dos Pirineus, os governantes omíadas baseados em Córdoba resolveram consolidar seu poder na Península Ibérica. Forças árabes – berberes faziam incursões periódicas nas Astúrias mas falharam sempre em obter qualquer ganho duradouro contra os reforçados reinos cristãos.
Louis I, rei da Aquitânia e Imperador
do Sacro Império Romano Germânico
Da França, em 737 Charles Martel conduzira uma expedição para o sul ao longo do vale do Rhone para afirmar sua autoridade sobre as terras mantidas pelos omíadas do Al-Andalus. Atacou os omíadas na Septimânia até Narbone, mas teve de retirar o cerco e retornar para Lion e Francia (Reino dos Francos), após subjugar vários baluartes árabes, deixando atrás de si várias cidades e fortalezas em ruínas. Em 759, Pepino o Breve expulsou os muçulmanos, definitivamente, de Narbone, após 40 anos de ocupação e, empurrando-os de volta sobre os Pirineus, conquistou a Aquitânia (sudoeste da França, fronteira com a Espanha), numa implacável guerra de oito anos. Carlos Magno prosseguiu com o trabalho de seu pai, subjugando a Aquitânia pela criação de condados, tomando a Igreja como seu aliado, indicando condes do estoque franco ou burgundiano, como seu leal William de Gellone e tornando Toulouse a base de suas expedições contra Al-Andalus. Decidiu criar um sub-reino regional a fim de manter os habitantes da Aquitânia sob controle e garantir a fronteira sul do Império Carolíngio[1] contra incursões muçulmanas. Em 781 seu filho de três anos, Louis, foi coroado rei da Aquitânia, sob a supervisão de seu confiável William de Gellone, nominalmente encarregado da incipiente Marca Hispânica[2].
Entrementes, à tomada das franjas do sul do Al-Andalus, por Abd ar-Rahman I, em 756 opôs-se o seu governante autônomo ou rei, Yusuf ibn Abd al-Rahman. Este foi expulso de Córdoba por Abd, que ainda levou décadas para expandir aos distritos andaluzes do norte e oeste. Abd ainda sofreu a oposição externa dos abássidas de Damasco, que falharam em suas tentativas de detê-lo.
Em 778, Yusuf encerrou-se no vale do Ebro e os lordes governantes de Zaragoza, Girona, Barcelona e Huesca, inimigos de Abd ar-Rahman I, decidiram atrair os francos cristãos das proximidades, buscando o apoio de Carlos Magno em troca de sua reverência e fidelidade. Vendo uma boa oportunidade, Carlos Magno atravessou os Pirineus em 778 com uma expedição. Próximo de Zaragoza, Carlos Magno recebeu as homenagens de Salayman al-Arabi, mas a cidade, sob a liderança de Husayn, recusou submeter-se fechando os portões. Incapaz de conquistar a cidade pela força, Carlos Magno decidiu retirar-se, mas a caminho de casa a retaguarda de seu exército foi emboscada e destruída por forças locais, na Batalha do Passo de Roncevaux. “A Canção de Rolando[3]”, uma narrativa romantizada dessa batalha, tornar-se-ia mais tarde, uma das mais famosas canções de gesta (do latim, para feitos, façanhas) da Idade Média.
Cerca de 788, Abd ar-Rahman I morreu e foi sucedido por Hisham I que, em 792 proclamou uma jihad[4], avançando em 793 contra o Reino de Astúrias e os francos, e sendo derrotado por William de Gellone, Conde de Toulouse. Em 797, Barcelona, uma cidade importante, tornou-se um alvo potencial para os francos, quando seu governador Zeid rebelou-se contra o emir omíada de Córdoba. Um exército do emir recapturou-a em 799, mas Louis, no comando de um exército, atravessou os Pirineus e sitiou a cidade por dois anos, até que ela finalmente capitulou em dezembro de 801.
Os principais passos nos Pirineus eram Roncesvalles (Roncevaux), Somport e La Jonquera e através deles Carlos Magno estabeleceu as regiões vassalas de Pamplona, Aragão e Catalunha (região nordeste da Espanha), respectivamente; esta última formada de alguns pequenos condados. Elas protegiam os passos dos Pirineus orientais, sob o controle direto de reis francos, formando os remanescentes da Marca Hispânica. Quatro pequenos reinos logo hipotecaram sujeição a Carlos Magno, ao início do século IX (não por muito tempo): Pamplona (a tornar-se Navarra), e os condados de Aragão, Sobrarbe e Ribagorza (os dois últimos tornaram-se partes do condado de Aragão), todos ao norte da atual Espanha, fronteira com a França, nos Pirineus.
Ao final do século IX, sob o Conde Wilfred, Barcelona tornou-se de fato a capital da região, com controle sobre as políticas de outros condados em uma união que, em 948, conduziu à independência da Barcelona sob o Conde Borre II que declarou que a nova dinastia na França, os Capetos, não eram os legítimos governantes da França e, por consequência, deste condado.
Esses estados eram pequenos e, com exceção de Navarra, não possuíam capacidade para atacar os muçulmanos como fizera as Astúrias, mas sua geografia montanhosa provia-lhes relativa segurança para não serem conquistados e suas fronteiras permaneceram estáveis por dois séculos.
Espanha cerca do ano 1000, já com os reinos de Leão e Navarra
O reino de Pamplona estendia-se, originalmente, de ambos os lados dos Pirineus, para o Atlântico e foi formado quando o líder local Iñigo Arista conduziu uma revolta contra a autoridade franca regional e foi declarado rei em Pamplona (824), estabelecendo um reino intrincado, neste estágio ligado a seus parentes da dinastia Muwallad (muçulmanos descendentes de árabes, berberes e ibérios) Banu Qasi. Embora relativamente fraca até o início do século XI, Pamplona passou a ter um papel mais ativo após a ascensão de Sancho, o Grande (1004-1035), quando o reino se expandiu grandemente à medida que absorveu Castela, parte de Leão, Aragão, além de outros condados pequenos que se uniriam para formar o principado da Catalunha; essa expansão também conduziu à independência da Galícia bem como à regência sobre a Gasconha (então território francês). Contudo, no século XII, o reino se contraiu ao seu núcleo e, em 1162, o rei Sancho VI declarou-se rei de Navarra. Por toda sua história inicial, o Reino de Navarra envolveu-se em frequentes escaramuças com o Império Carolíngio, do qual sempre manteve sua independência, uma característica chave de sua história até 1513, já após a conclusão da Reconquista.
Ferdinando I de Leão (Reino de Leão após derrotar seu cunhado, em 1037) era o rei líder em meados do século XI. Ele conquistou Coimbra e atacou os reinos taifa[5], muitas vezes exigindo tributos com os quais ele as enfraquecia militar e financeiramente. Ele também repovoou as fronteiras com numerosos fueros[6]. De acordo com a tradição navarra, com a sua morte, em 1064, dividiu seu reino entre seus filhos. Seu filho Sancho II, de Castela, pretendeu reunir o reino de seu pai, atacando seus irmãos, em companhia de um nobre notável: Rodrigo Díaz, mais tarde cantado em verso e prosa, como Cid, o Campeador. Sancho foi morto no cerco de Zamora pelo traidor Bellido Dolfos (Vellido Adolfo), em 1072.
El Cid e Alfonso VI jurando não ter participado
do assassinato de seu irmão.
 Seu irmão Alfonso VI tomou conta de Leão, Castela e Galícia, deu mais poder aos fueros e repovoou Segovia, Ávila e Salamanca. Após ter reforçado as fronteiras, o rei Alfonso conquistou o poderoso reino taifa de Toledo, em 1085, primeira capital dos visigodos e importante marco, que lhe deu renome por todo o reino cristão. A conquista foi realizada de forma pacífica, durante várias décadas. Antes de tudo um monarca diplomata, Alfonso VI buscou entender os reis das taifas, empregando sempre medidas diplomáticas antes de considerar a força. Adotou o título “Imperador de Toda a Hispania”, referindo-se a todos os reinos cristãos da Península Ibérica e não apenas ao atual país da Espanha. A sua política mais agressiva, em relação às taifas, preocupou os governantes desses reinos, que buscaram ajuda dos Almorávidas
[7]
Espanha cerca de 1150, já com os reinos de Leão e Castela,
Navarra, Aragão e Portugal
O Reino de Aragão foi um desmembramento do Reino de Navarra, formado quando Sancho III de Navarra decidiu dividi-lo entre seus filhos. Aragão foi a parte do reino que passou a Ramiro I de Aragão, filho ilegítimo de Sancho III. Os reinos de Aragão e Navarra foram muitas vezes unidos em união pessoal, até a morte de Alfonso, o Batalhador, em 1135. O Reino de Aragão reuniu um grande número de territórios no Mediterrâneo, conhecidos como a Coroa de Aragão. James I de Aragão, também conhecido como James, o Conquistador, expandiu Aragão para o norte, sul e leste, assinando o Tratado de Corbeil (1258) que o liberava da suserania ao Rei da França. Antes disso, James tentara reunir as coroas Aragonesa e Navarra por um tratado com Sancho VII de Navarra, que não possuía filhos, mas os nobres do reino rejeitaram a proposta, escolhendo Teobaldo IV de Champagne para o seu lugar. Foi o seu descendente distante, Ferdinando II de Aragão, que trouxe o Reino ao pico do seu poder, com a conquista da Navarra Superior (ao sul dos Pirineus) e Granada.
Afonso I na Batalha de Ouriques
Em 1139, após uma esmagadora vitória na Batalha de Ourique, contra os Almorávidas, Afonso Henriques foi proclamado primeiro Rei de Portugal, por suas tropas e coroado pelo arcebispo de Braga. Pelo Tratado de Zamora, de 1143, Alfonso VII de Leão e Castela reconhecia a independência portuguesa do Reino de Leão. Em 1147, Portugal capturava Santarém aos mouros e sete meses depois, a cidade de Lisboa foi trazida dos mouros ao controle dos portugueses. Em 1179, pela bula papal “Manifestis Probatum”, o Papa Alexandre III reconhecia Afonso Henriques como Afonso I, do Reino de Portugal. Com Portugal finalmente reconhecido como reino independente por seus vizinhos, Afonso Henriques e seus sucessores, ajudados pelos Cruzados e as ordens monásticas militares dos Cavalheiros Templários e da Ordem de São Tiago, empurraram os Mouros até o Algarve, na costa sul de Portugal.
Espanha após 1250, com Portugal
independente e fronteiras consolidadas
Após várias campanhas, a parte portuguesa da Reconquista chegou ao seu final com a captura definitiva do Algarve, em 1249. Com Portugal sob o total controle de Afonso III, os grupos religiosos, culturais e étnicos se tornaram gradualmente homogeneizados.


[1] O Império Carolíngio (800–888) foi um imenso império da Europa Central e Oeste, da Idade Média, governado pela Dinastia Carolíngia que havia governado como reis dos francos desde 751 e como reis dos lombardos da Itália desde 774. Em 800, o rei franco Carlos Magno foi coroado imperador em Roma, pelo Papa Leão III, num esforço para reviver o Império Romano do ocidente durante a vacância do Império Romano do Oriente. Após uma guerra civil (840-843) com a morte do Imperador Louis, o Piedoso, o Império foi dividido em reinos autônomos, com um rei ainda reconhecido como imperador, mas com sua autoridade diminuída além do seu próprio reino. A unidade do império e o direito hereditário dos Carolíngios continuou a ser reconhecido.
[2] A Marca Hispânica foi uma zona de amortecimento além da Septimânia, criada por Carlos Magno em 795 como uma barreira entre os mouros omíadas de Al-Andalus e o Império Carolíngio franco. Com o passar do tempo ganhou independência do domínio imperial franco.
[3] “A Canção de Rolando” é um poema épico baseado na Batalha de Roncevaux, durante o reinado de Carlos Magno. É o mais antigo trabalho importante que sobrevive da literatura francesa, em várias versões manuscritas. A data da composição é tida como entre 1040 e 1115, com uma versão inicial de 1040 e adições e alterações feitas até 1115. Seu texto final tem ceca de 4.000 linhas de poesia. O poema épico é o primeiro e, junto com “O Poema do Cid”, um dos mais relevantes exemplos da canção de gesta, uma forma literária que floresceu entre os séculos XI e XV, celebrando feitos lendários.
[4] Jihad é uma palavra árabe que, literalmente, significa empenho, luta, especialmente com um objetivo louvável. Pode ter muitas nuanças de significado num contexto muçulmano, tais como luta contra as inclinações maldosas de alguém ou esforços para o aperfeiçoamento da sociedade. Na lei muçulmana clássica, o termo se refere à luta armada contra os infiéis (que não creem em Alá).
[5] Na história da Península Ibérica, uma taifa era um principado muçulmano independente, normalmente um emirado, embora houvesse uma oligarquia, dos quais um grande número foi formado no Al-Andalus, após o colapso final do Califado Omíada de Córdoba, em 1031.
[6] Originalmente, os fueros eram os estatutos jurídicos aplicáveis em uma determinada localidade, cuja finalidade era, em geral, regular a vida local, estabelecendo um conjunto de normas, direitos e privilégios outorgados pelo rei, o senhor da terra ou o próprio Conselho, isto é, as leis próprias de um lugar. Posteriormente passou a confundir-se com a própria localidade, vila ou cidade.
[7] Os almorávidas foram, originariamente, monges soldados saídos de grupos nômades provenientes do Saara. A dinastia almorávida abraçou uma interpretação rigorista do islamismo, unificando, sob o seu domínio, grandes extensões do mundo ocidental muçulmano, com as quais formaram um império, entre os séculos XI e XII, que chegou a estender-se pelas atuais Mauritânia, Saara Ocidental (sua origem), Marrocos e a metade sul da Península Ibérica.

A seguir, conclusão do artigo com a publicação da PARTE 7.

terça-feira, 30 de maio de 2017

UMA PEQUENA HISTÓRIA DOS ÁRABES MUÇULMANOS (Parte 5)

Honório III, sucessor de Inocêncio III
e corresponsável pela 5a. Cruzada

A Quinta Cruzada (1213-1221) foi mais uma tentativa dos europeus ocidentais para retomar Jerusalém e o resto da Terra Santa, a começar pela conquista do poderoso estado Aiúbida que ainda dominava o Egito. O Papa Inocêncio III e seu sucessor, Papa Honório III, organizaram exércitos cruzados conduzidos pelo rei Andrew II da Hungria e Leopoldo VI, duque da Áustria, que resultaram em fracasso pois Jerusalém permaneceu nas mãos dos muçulmanos. Em 1218, um exército germânico, conduzido por Oliver de Cologne, e um exército composto por holandeses, belgas e frísios, comandados por William I, conde da Holanda, juntaram-se à Cruzada. A fim de atacar Damietta, no delta do Nilo, Egito, eles aliaram-se, na Anatólia, ao Sultanato Seljúcida de Rum[1], que atacou os aiúbidas na Síria, numa tentativa de livrar os cruzados de lutar em duas frentes. Após ocupar o porto de Damietta, os cruzados marcharam em direção ao Cairo, no sul, em julho de 1221, mas foram forçados a uma retirada por falta de abastecimentos. Um ataque noturno pelo sultão al-Kamil resultou em grandes perdas entre os cruzados e, finalmente, na rendição de seu exército. Al-Kamil concordou com um acordo de paz de oito anos com a Europa. O fracasso da Quinta Cruzada provocou novos ressentimentos contra o Papa e foi a última organizada pela Igreja onde diferentes nações lutaram juntas para recuperar a Terra Santa. 
A corte do Rei Friedrich II em Palermo
Sob Friedrich II de Hohenstaufen, imperador do Sacro Império Romano, uma Sexta Cruzada (1227) foi lançada como mais uma tentativa de reconquistar Jerusalém, capitalizando a discórdia interna existente entre al-Kamil, do Egito e al-Mu’azzam, da Síria. A Sexta Cruzada foi de enorme importância para a Europa, por ter conseguido o que todas as cruzadas anteriores não haviam conseguido: recuperar a Terra Santa. Ela teve o mérito de envolver pouco luta e muita diplomacia. Para evitar uma invasão Síria do Egito, al-Kamil ofereceu Jerusalém a Friedrich, que recusou. A posição de al-Kamil foi reforçada quando al-Mu’azzam morreu, em 1227, sendo sucedido por seu filho an-Nasir Dawud. As negociações com Friedrich (embora excomungado pelo Papa) prosseguiram no Acre e, em 1228, levaram a um acordo assinado em 1229, pelo qual os cruzados recuperaram uma Jerusalém sem fortificação, além de outras áreas da Terra Santa, para o Reino de Jerusalém, por mais dez anos, garantindo aos árabes o controle sobre locais sagrados muçulmanos na cidade. Friedrich entrou em Jerusalém em 17 de março de 1229, participando de uma cerimônia de coroamento no dia seguinte. Não se sabe ao certo se ele pretendeu com isso sua coroação oficial como rei de Jerusalém, principalmente pela ausência do Patriarca Gerald. Na verdade, Friedrich era somente o regente de seu filho, Conrado II de Jerusalém, único filho de sua esposa Isabella II (Yolanda), rainha regente de Jerusalém (morta com o nascimento do filho), e neto de Maria de Montferrat e John de Brienne (governante nominal do Reino de Jerusalém), nascido imediatamente antes de Friedrich ter partido em Cruzada, em 1228. Apenas poucos meses depois, Friedrich teve que voltar para a Alemanha e deixou Jerusalém sem proteção, não correndo riscos, inicialmente, porque os aiúbidas se tornavam cada vez mais fracos.
Friedrich estabelecera um importante precedente ao alcançar sucesso com uma cruzada sem o envolvimento papal. Cruzadas adicionais seriam lançadas por reis individuais, tais como Theobald I de Navarra (a Cruzada dos Barões), Luís IX da França (Sétima e Oitava Cruzadas) e Edward I da Inglaterra (Nona Cruzada), efetivamente demonstrando uma erosão da autoridade papal. 
Gregório IX, o Papa da
Cruzada dos Barões
O término do prazo do tratado obtido pela Sexta Cruzada (1229), que ocorreria em 1239, fez com que o Papa Gregório IX convocasse uma nova cruzada para garantir as Terras Santas para a cristandade, além daquele ano. O resultado dessa ideia foi a Cruzada dos Barões, um movimento desorganizado que obteve apoio limitado, tanto de Friedrich quanto do Papa, mas que recuperou mais terras do que a Sexta Cruzada. Também chamada de Cruzada de 1239, em termos territoriais, ela obteve mais sucesso desde a Primeira e teve do Papa Gregório IX o maior empenho para fazer das cruzadas uma empresa cristã universal. Consistiu, na verdade, de duas cruzadas separadas: uma que teve lugar em Constantinopla e outra na Terra Santa.
No início de julho de 1239, o herdeiro do Império Latino e marquês de Namur, Baldwin de Courtney, com um pequeno exército, incluindo vários magnatas seculares, viajou para Constantinopla. No inverno do mesmo ano ele chegou lá, onde foi coroado dois anos após a morte do Imperador Regente John de Brienne. Após isso, na Páscoa de 1240, ele lançou a sua cruzada. A cento e vinte quilômetros de Constantinopla, ele sitiou e conquistou a fortaleza de Tzurulum, local de enorme importância estratégica que forneceria maior segurança para Constantinopla. Embora essa conquista, o Império continuaria a depender de ajuda do Oeste.
A Cruzada da Terra Santa é muitas vezes estudada como duas cruzadas separadas: a do Rei Theobaldo I de Navarra, que começou em 1239, e a de Richard da Cornualha, que chegou após Theobald partir, em 1240. 
Estados Cruzados em 1135 e Cidade do Acre
Theobald de Champagne, o rei de Navarra, reuniu uma lista impressionante de nobres europeus e condes de nível secundário, com uma força de 1.500 cavalheiros e partiu da França em agosto de 1239. Theobaldo alcançou o Acre em 01 de setembro e rapidamente recebeu o apoio dos cruzados que haviam sido espalhados por uma tempestade no Mediterrâneo. A ele se juntou logo um conselho de potentados cristãos locais e alguns cruzados de Chipre. Em novembro o grupo de 4.000 cavalheiros marchou para Ascalon onde construiriam um castelo que havia sido demolido por Saladino anos antes. Exércitos da Cruzada participaram de várias escaramuças, com algumas vitórias e outras derrotas até que An Nasir Dawud, da Transjordânia, cuja caravana havia sido capturada por um exército cruzado, marchou para Jerusalém, então praticamente sem defesas. Após um mês entrincheirada na Torre de David, a guarnição da cidadela rendeu-se em 7 de dezembro, aceitando a oferta de passagem segura para o Acre. E Jerusalém caía novamente em mãos muçulmanas pela primeira vez desde 1229 (Sexta Cruzada). Em seguida, uma guerra civil foi iniciada dentro da dinastia muçulmana Aiúbida, criando um ambiente favorável aos cristãos. Theobaldo negociou com os emires guerreiros de Damasco e do Egito e conseguiu um tratado com As-Salih Ismail, emir de Damasco, ao norte, contra Ayyub, do Egito e Dawud, da Transjordânia, ao sul, pelo qual o Reino de Jerusalém recuperava Jerusalém, além de Belém, Nazaré e a maior parte da região da Galileia, com muitos castelos templários, como Beaufort e Saphet. Essa nova ofensiva dos cruzados forçou Dawud a fazer a sua própria negociação com Theobald ao final do verão de 1240, completando, de fato, muitas das concessões que haviam sido garantidas somente em teoria por Ismail. Theobald não permaneceu para ver concretizados seus acordos com os muçulmanos, partindo da Palestina para a Europa em setembro de 1240, antes da chegada de Richard da Cornualha, para não estar presente a qualquer querela interna, sobre a liderança e rumo da empresa.
Em 10 de junho de 1240, Richard, Primeiro Conde da Cornualha deixou a Inglaterra com um pequeno grupo de cruzados, composta por uma dúzia de barões ingleses e várias centenas de cavalheiros, inclusiva William II Longespee. Chegaram em Acre em 8 de outubro, mas a resposta dos barões ingleses ao Papa Gregório revelou total falta de uma identidade cristã comum. Richard e seus cruzados não viram combate, mas completaram as negociações por uma trégua com os líderes muçulmanos, feita por Theobald poucos meses antes. Prosseguiram na reconstrução do castelo de Ascalon, que foi entregue a Walter Pennenpié, agente imperial de Friedrich II em Jerusalém, ao invés de aos homens do Reino de Jerusalém que se opunham fortemente ao governo de Friedrich. Em abril de 1241 eles trocaram prisioneiros muçulmanos com cativos cristãos, bem como transportaram os restos mortais de mortos em batalha, para o cemitério em Ascalon. Com esse trabalho completo, Richard partiu do Acre para a Inglaterra em 3 de maio de 1241. Embora a Cruzada dos Barões tenha devolvido ao Reino de Jerusalém a sua maior extensão desde 1187, os ganhos seriam dramaticamente revertidos poucos anos depois. Em julho de 1244 Jerusalém foi, não somente capturada, mas reduzida a ruinas e sua população cristão massacrada pelos Khwarazmians (dinastia muçulmana Suni pérsica de origem mameluca turca), do norte da Síria, os novos aliados do Sultão do Egito, As-Salih Ayyub. Poucos meses depois, Ayyub e os Khwarazmians alcançaram uma grande vitória militar na Batalha de La Forbie, que permanentemente aleijou o poder militar cristão na Terra Santa. Contudo, os cristãos haviam então assimilado muito da cultura do Oriente Médio, influenciando enormemente a vida medieval. 
Louis IX da França, morto
na Oitava Cruzada 
A Sétima Cruzada (1248-1254) foi conduzida por Louis IX, da França. Em 1248, ele e, aproximadamente, 15.000 homens fortemente armados, que incluíam 3.000 cavalheiros e 5.000 besteiros embarcaram em 36 navios, nos portos franceses de Aigues-Mortes e Marseille. Navegaram primeiro para Chipre, onde ficaram durante o inverno, negociando com várias outras potências do Oriente: o Império Latino pedira sua ajuda contra o Império Bizantino de Niceia; o Principado de Antioquia e os Cavalheiros Templários precisavam de sua ajuda na Síria, onde os muçulmanos haviam recentemente capturado Sidon. Entretanto, o objetivo da Cruzada era o Egito e Louis IX chegou em Damietta, Nilo, em 1249. Ele cria que o Egito serviria de base para atacar Jerusalém, fornecendo recursos financeiros e grãos que manteriam os cruzados alimentados e equipados. Tomaram Damietta com facilidade, mas a cheia do Nilo não fora levada em consideração; logo seu exército ficou preso por seis meses. Ignorando o acordo da Quinta Cruzada pelo qual Damietta seria incorporada ao Reino de Jerusalém, agora um estado anexo no Acre, Louis IX estabeleceu lá um Arcebispado sob a autoridade do Patriarcado Latino de Jerusalém, usando a cidade como base para operações militares diretas contra os muçulmanos da Síria. Louis falhou em sua conquista do Cairo e tentou o sítio de Al Mansurah, para manter Damietta. Tal tentativa findou com fome e morte para os cruzados que resolveram, em março de 1250 retornar a Damietta, quando Louis foi feito cativo na batalha de Fariskur - pelo exército egípcio conduzido pelo sultão Aiúbida, Turanshah, apoiado por mamelucos Bahariyya - e seu exército aniquilado. Em maio, 800.000 bezants (moedas de ouro produzidas pelo governo do Império Bizantino) foram pagos em resgate pelo rei Louis, metade dos quais antes que ele deixasse o Egito. Como parte do acordo, Damietta também foi entregue aos árabes e Louis abandonou o Egito para o Acre, uma das poucas possessões remanescentes dos cruzados na Síria. 
Representação alegórica da Sétima Cruzada
Louis IX fez uma aliança com os Mamelucos que, à época, eram rivais do sultão de Damasco e, de sua nova base no Acre, então capital do Reino de Jerusalém, começou a reconstrução de outras cidades cruzadas, particularmente Jaffa e Saida. Em 1254 seus recursos financeiros escassearam e sua presença estava sendo exigida na França, com a morte de sua mãe; antes de voltar ele estabeleceu uma forte guarnição francesa no Acre, às expensas da coroa francesa, que lá permaneceu até a queda da capital, em 1291. Sua cruzada foi um fracasso, mas sua fama deu-lhe ainda maior autoridade na Europa do que o Imperador do Sacro Império Romano. Em 1270 ele tentaria uma nova cruzada que também terminaria em fracasso.
A Oitava Cruzada foi lançada por Louis IX contra a cidade de Tunis, em 1270. O avanço de Baibars, quarto sultão do Egito da dinastia mameluca Bahri, na Síria, durante o início dos anos 1260, alarmava a cristandade. A guerra de São Sabas, entre as repúblicas marítimas de Gênova e Veneza, que lutavam pelo controle do Acre, no Reino de Jerusalém, havia arrastado os Estados Cruzados e exaurido suas finanças e contingentes. Os povoamentos exauridos eram sistematicamente batidos pelas campanhas metódicas de Baibars que, em 1265, havia atacado a Galileia e destruído a catedral de Nazaré, capturado Cesareia e Arsuf e, temporariamente, tomado Haifa. Em 1266, Louis IX informou ao Papa Clemente IV sua intenção de formar nova cruzada.
A Cruzada foi oficialmente formada em 24 de março de 1267, numa assembleia de seus nobres, embora com menos entusiasmo do que na Sétima, e partiu do porto de Aigues-Mortes no início do verão de 1270, em navios genoveses e marselheses. Um contingente aragonês, sob James I de Aragão, partiu de Barcelona em setembro de 1269, mas apanhado por uma tempestade foi seriamente danificado e muitos dos sobreviventes retornaram à pátria. Uma esquadra, sob o comando dos filhos do rei, Pedro Fernandez e Fernan Sanchez, alcançou o Acre, mas muito enfraquecida para enfrentar Baibars, também logo retornou para Aragão.
O plano inicial de Louis era descer por Chipre, mas foi trocado pelo desembarque em Túnis, capital da Tunísia, às margens do Mediterrâneo, por ser importante base de suprimentos para o Egito. Os cruzados construíram um campo fortificado nas ruínas de Cartago e esperaram pela chegada do contingente siciliano sob o comando de Charles de Anjou, irmão do rei. Uma epidemia de disenteria do verão norte-africano espalhou-se pelas fileiras cruzadas, matando, entre outros, o filho de Louis IX, John Tristan (03/08), e o próprio, em 25 de agosto de 1270. Seu irmão, Charles, chegou logo após a sua morte. Pelo prosseguimento das doenças, o sítio a Túnis foi abandonado em 30 de outubro por um acordo com o sultão, que garantia aos cristãos o livre comércio com Túnis e, aos monges e padres, residência na cidade. Ao saber da morte de Louis e da retirada dos cruzados de Túnis, Baibars do Egito cancelou seus planos de enviar tropas para a luta. O Príncipe Edward da Inglaterra chegou com a sua armada um dia antes dos cruzados deixarem Túnis. Ele retornou para a Sicília com o resto dos cruzados e o exército combinado ainda foi seriamente danificado por uma tempestade. Ao final de abril de 1271, os ingleses prosseguiram para o Acre, concretizando a Nona Cruzada. 
Edward da Inglaterra, o comandante
da última Cruzada
A Nona Cruzada, algumas vezes grupada à Oitava Cruzada, é considerada a última cruzada medieval importante à Terra Santa e aconteceu em 1271-1272, comandada por Edward da Inglaterra, que velejou diretamente ao Acre. Esta cruzada viu várias vitórias importantes sobre Baibars; infelizmente Edward foi ao final muito pressionado por problemas na Inglaterra e sentiu-se impossibilitado para resolver os seus conflitos internos em territórios ultramar, tendo que retirar-se.
Em 9 de maio de 1271, Edward chegou ao Acre com um contingente pequeno, mas não insignificante, de mil homens que incluíam 250 cavalheiros, exatamente quando Baibars sitiava Trípoli que, como local remanescente do Condado de Trípoli, abrigava dezenas de milhares de cristãos refugiados. Sua chegada fez Baibars alterar seus planos, afastando-se do Acre. Com forças insuficientes para enfrentar uma batalha direta contra os mamelucos, Edward optou por lançar uma série de ataques rápidos. Após capturar Nazaré, Edward atacou Saint Georges-de-Lebeyne. Com a chegada de reforços da Inglaterra e de Hugh III de Chipre, sob o comando de seu irmão mais novo, Edmund, Edward lançou um ataque maior, com o apoio dos cavalheiros Templários, Hospitalários e Teutônicos, sobre a cidade de Qaqun. Os cruzados surpreenderam uma grande força de turcomanos (adicionados ao exército de Baibars em troca de terras, cavalos e títulos), matando 1.500 deles e tomando 5.000 cavalos como saque de guerra. O comandante muçulmano do castelo foi obrigado a abandoná-lo, mas Edward retirou-se sem ocupar, antes que Baibar pudesse responder, pois sua força principal estava em Aleppo, aguardando um ataque mongol. Em dezembro de 1271 Edward e suas tropas repeliram um ataque à cidade do Acre por Baibars que, finalmente, também abandonou seu sítio à cidade de Trípoli. Em setembro de 1271 Edward obteve uma aliança com o mongol governante da Pérsia, Abagha, inimigo dos muçulmanos. A chegada dos mongóis na Síria provocou um formidável êxodo da população muçulmana para o Cairo. Além disso, os mongóis derrotaram as tropas turcomanas que protegiam Aleppo, atacando outras regiões ao sul. Mas não permaneceram na região e, quando Baibars montou uma contraofensiva do Egito, em novembro, os mongóis já haviam feito sua retirada para além do Eufrates, com farto saque de guerra. Baibars tentou uma manobra ousada para tentar a conquista de Chipre das mãos de Hugh III de Chipre (o nominal rei de Jerusalém), tirando sua frota do Acre e assim deixando o exército cruzado isolado na Terra Santa. Mas ao final os exércitos de Baibars foram forçados a retirar-se.
Após essa vitória, Edward sentiu que para criar uma força capaz de retomar Jerusalém seria necessário terminar com os atritos internos do Estado Cristão, agindo como mediador entre Hugh e seus cavalheiros sem entusiasmo da família Ibelin, de Chipre. Em paralelo com a mediação, Edward e Hugh começaram a negociar uma trégua com Baibars, o que foi conseguido (dez anos, dez meses e dez dias) em maio de 1272, em Cesareia. Em seguida, o príncipe Edmund partiu para a Inglaterra, enquanto Edward permanecia para assistir à concretização da trégua. No mês seguinte, uma tentativa frustrada de assassinato foi feita contra Edward, que acabou matando o assassino, mas teve um ferimento de uma adaga envenenada que acabou atrasando sua partida. Em setembro de 1272 ele partiu do Acre para a Sicília e durante sua recuperação teve notícias da morte de seu irmão John e de seu pai, alguns meses mais tarde. Em 1273 iniciou sua volta para casa via Itália, alcançando a Inglaterra em meados de 1274 e sendo coroado rei da Inglaterra em 19 de agosto de 1274.
Novas fissuras surgiram nos Estados Cristãos quando Charles de Anjou tirou vantagem de uma disputa entre Hugh III, os Cavalheiros Templários e os venezianos, para trazer ao seu controle o que deles restara. Endossando as reivindicações de Mary da Antioquia, de pretendente ao trono do Reino de Jerusalém, ele atacou Hugh III causando uma guerra civil. Em 1277, Roger de San Severino capturou o Acre para Charles. Embora a guerra fosse debilitante, ela forneceu a oportunidade de um só comandante ter o controle cruzado na pessoa de Charles. Contudo, tal esperança foi descartada quando Veneza sugeriu uma nova cruzada, não contra os mamelucos, mas contra Constantinopla, onde Michael VIII tinha recentemente restabelecido o Império Bizantino, expulsando os venezianos. O Papa Gregório não teria apoiado tal ataque, mas em 1281 o Papa Martinho IV consentiu e o fiasco que se seguiu ajudou a desencadear as “Vésperas Sicilianas”[2], em 31 de março de 1282, instigadas por Michael VIII, e obrigando Charles a voltar para casa. Esta foi a última expedição lançada contra os bizantinos na Europa ou os muçulmanos na Terra Santa. 
Nostálgica pintura do
"Último Cruzado"
Os restantes nove anos viram um aumento nas demandas dos mamelucos, incluindo tributos e perseguições aos peregrinos, em desconformidade com a trégua. Em 1289 o sultão Qalawun reuniu um enorme exército e investiu contra os habitantes remanescentes do Condado de Trípoli, tomando-o após um assalto sangrento. O assalto, entretanto, foi particularmente devastador para os mamelucos, pois a resistência cristã foi enorme e Qalawun perdeu seu filho mais velho e mais capaz no combate.
Em 1291, um grupo de peregrinos do Acre foi posto sob ataque e, em retaliação, matou 19 mercadores muçulmanos numa caravana síria, pelo que Qalawun pediu um pagamento extra, em compensação. Sem resposta o sultão sitiou o Acre para acabar com o último estado cruzado na Terra Santa. Qalawun morreu durante o cerco, deixando seu membro sobrevivente como Sultão Mameluco. Com o Acre sitiado, os Estados Cruzados, fora Chipre, deixaram de existir. O centro do poder foi movido para Tortosa e, finalmente, para as praias de Chipre. O último baluarte cruzado na Terra Santa, Ilha Ruad (ao lado de Tortosa), Síria, foi perdido em 1302/1303. O período das Cruzadas para a Terra Santa havia terminado, 208 anos após o início da Primeira Cruzada.
Com relação à Síria, em 1230, seus Emires[3] tentaram sua independência do Egito, permanecendo divididos até que o sultão as-Salih Ayyub restaurou a unidade Aiúbida tomando a maior parte da Síria, com exceção de Alepo, em 1247. À época, as dinastias muçulmanas locais haviam expulso os aiúbidas do Iêmen, Hejaz e partes da Mesopotâmia. Ao morrer em 1249, as-Salih Ayyub foi sucedido, no Egito, por al-Mu’azzam Turanshah, que logo foi derrubado pelos generais mamelucos que havia repelido com sucesso o ataque dos Cruzados no delta do Nilo. Embora algumas tentativas de emires da Síria, comandados por an-Nasir Yusuf, para retomar o poder, este episódio encerrou o controle Aiúbida no Egito. Em 1260, os mongóis saquearam Alepo logo conquistando os territórios restantes dos aiúbidas (Bagdá em 1261). Em 1299, um exército mongol conduzido por Ghazan Khan, realizou uma série de ataques contra os mamelucos, numa área a nordeste de Homs (Síria), para o sul, até Gaza (oeste da Palestina, Península do Sinai); finalmente, em 1300, retirou-se para a Síria.
O último governante aiúbida de Hama morreu em 1299, quando o principado passou breve e diretamente para a soberania mameluca; contudo, em 1310, sob o patrocínio do sultão mameluco al-Nasir Muhammad, Hama foi restituída ao aiúbida Abu al-Fida, que morreu em 1331 e foi sucedido por seu filho al-Afdal Muhammad, que acabou perdendo o favor dos lordes mamelucos, sendo afastado do seu posto em 1341; a partir daí, Hama passou formalmente para o domínio mameluco.
Finalmente, pelo ano 1570, como já havíamos dito, o Império Turco Otomano controlava a maioria do mundo Árabe.
Durante seu domínio, relativamente curto, os aiúbidas anteciparam uma era de prosperidade econômica nas terras que governaram e as facilidades e apoio que patrocinaram, conduziram ao renascimento da atividade intelectual no mundo islâmico. E com isso chegamos ao ponto em que havíamos interrompido, para um parênteses à dinastia Aiúbida.

[1] O Sultanato Seljúcida de Rum foi um estado Turco-Persa muçulmano Sunni, que se estabeleceu em partes da Anatólia conquistadas do Império Bizantino pelo Império Seljúcida, estabelecido pelos turcos seljúcidas. O nome Rum vem do nome árabe de Anatólia, ar-Rum, tomado emprestado do grego para “romanos”. O Sultanato de Rum foi o sucessor do Grande Império Seljúcida sob Suleiman ibn Qutulmish, em 1077.
[2] As “Vésperas Sicilianas” é o nome dado a uma revolução de sucesso na Ilha da Sicília, deflagrada na Páscoa de 1282, contra o governo do Rei Charles I (de Anjou), nascido francês, que exercia o poder do Reino da Sicília desde 1266. Em seis semanas, três mil homens e mulheres franceses foram assassinados pelos rebeldes e o governo de Charles perdeu o controle da Ilha. Era o início da Guerra das Vésperas Sicilianas.
[3] Emir, algumas vezes transliterado como Amir, é um título de alto posto usado em muitos lugares nos países árabes e Afeganistão. Significa comandante, general ou príncipe. Quando usado como “príncipe”, a palavra “emirado” é análoga a uma principalidade soberana. Originalmente significava simplesmente um comandante-em-chefe ou líder, em geral com referência a um grupo de pessoas.

Continua na próxima postagem com a PARTE 6