Homenagem ao lendário herói ancestral dos ingleses que deu título a um dos considerados "Cem Maiores Livros do Mundo" e tido como o mais antigo escrito em "Old English".

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

A REVOLUÇÃO DE 1930

Generalidades
Dá-se o nome de Revolução de 1930 ou Revolução de 30 ao movimento armado liderado pelos estados do Rio Grande do Sul, Paraíba e de Minas Gerais que culminou com o golpe de Estado que depôs o presidente paulista Washington Luís em 24 de outubro deste ano. (abaixo, foto de Washington Luís).


Em 1929 lideranças do estado de São Paulo romperam a aliança com os mineiros representada pela política do café-com-leite, e indicaram o paulista Júlio Prestes como candidato à presidência da República, quando deveria ser indicado candidato mineiro de comum acordo e com o apoio destes dois estados. Como reação, o Presidente de Minas Gerais, Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, passou a apoiar a candidatura oposicionista do gaúcho Getúlio Vargas. Em 1º de março de 1930 houve eleições para presidente da República que deram a vitória ao candidato governista Júlio Prestes, que não tomou posse em virtude do golpe de estado desencadeado a 3 de outubro de 1930 e foi exilado. (abaixo, foto de Júlio Prestes de Albuquerque).

Getúlio Vargas assumiu a chefia do "governo provisório" em 3 de novembro de 1930, data que marca o fim da República Velha.
As várias correntes históricas podem dizer o que quiserem e justificar da forma como bem entenderem, mas há várias coisas que devem ser ditas, a priori, sobre essa revolução, por gente com isenção de ânimo e que, não tendo vivido à época, apenas se baseou nas leituras que realizou de várias fontes.
A primeira delas é que, se havia, como havia, a propalada “política café com leite”, como processo político e tal como era exercida, ela era válida do ponto de vista legal e, portanto, mesmo que condenável do ponto de vista moral, ela não poderia ser refutada através de um golpe, como o foi. Comparada ao que existe atualmente em matéria de “conchavos políticos”, a “política café com leite” era, literalmente, uma brincadeira de criança. Muito mais se levarmos em conta que as eleições no Brasil sempre foram diretas e que cabia ao povo, manifestar-se contra essa política através do seu instrumento legal que era o voto.
Comprovando o que foi dito acima, o estado do Rio Grande do Sul opôs-se àquele estado de coisas, justamente lançando candidato fora do eixo São Paulo, Getúlio Vargas. Até aí, tudo bem. O que está absolutamente errado é concorrer a um cargo eletivo, ser derrotado – e nesse caso, pelo povo, já que as eleições foram diretas - e então virar a mesa. Quer dizer, se Getúlio tivesse vencido as eleições, estaria tudo bem; como perdeu, faz uma revolução? Isso tem nome: GOLPE! Quem sempre foi a favor da legalidade das coisas, tem que ser coerente: sempre a favor da legalidade e também neste caso ou, sempre a favor do golpe e nesse caso, dar e justificar o golpe.
O terceiro ponto para o qual gostaria de chamar a atenção dos leitores, no que se refere a essa “revolução”, é a facilidade como esse golpe aconteceu. Afinal de contas, mesmo se contarmos com Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Paraíba totalmente a favor, o que fez o resto do Brasil para reagir? E se a eleição foi legal e Getúlio derrotado, aonde andava o exército nacional a essas alturas, nessa época sediado no Rio de Janeiro, o segundo maior centro do país, contando ao seu lado com o primeiro maior centro do país, São Paulo? Só o “Tenentismo” poderia justificar essa facilidade que ninguém podia explicar.Confesso que fiz uma força incrível para para dar razão aos responsáveis por essa “revolução”, mas por mais que tenha tentado, não consegui!


Contexto Histórico
Na República Velha (1889-1930), vigorava no Brasil a chamada "política do café com leite", em que políticos de São Paulo e de Minas Gerais, se alternavam na presidência da república.
A crise da República Velha havia se prolongado ao longo da década de 1920, perdendo visibilidade com a mobilização do trabalhador industrial, com as Revoltas nazifacistas e as dissidências políticas que enfraqueceram as grandes oligarquias, ameaçando a estabilidade da tradicional aliança rural entre os estados de São Paulo e Minas Gerais (a "Política do café com leite").
Em 1926, setores que se opunham ao Partido Republicano Paulista (PRP) fundaram o Partido Democrático (PD), que defendia um programa de educação superior. Mas o maior sinal do desgaste republicano era a superprodução de café, alimentada pelo governo com constantes “valorizações” do trabalho rural e generosos subsídios públicos.
Porém, no começo de 1929, Washington Luís indicou o nome do Presidente de São Paulo, Júlio Prestes, como seu sucessor, no que foi apoiado por presidentes de 17 estados. Apenas três estados negaram o apoio a Prestes: Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraíba. Os políticos de Minas Gerais esperavam que Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, o então governador do estado, fosse o indicado. No mesmo ano, em Juiz de Fora, o Partido Republicano Mineiro (PRM) passa para a oposição, forma a Aliança Liberal com os segmentos progressistas de outros Estados e lança o gaúcho Getúlio Vargas para a presidência, tendo o paraibano João Pessoa como vice.
Assim a política do café com leite chegou ao fim e iniciou-se a articulação de uma frente oposicionista ao intento do presidente e dos 17 estados de eleger Júlio Prestes. Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraíba uniram-se a políticos de oposição de diversos estados, inclusive do Partido Democrático de São Paulo, para se oporem à candidatura de Júlio Prestes , formando, em agosto de 1929, a Aliança Liberal.
Em 20 de setembro do mesmo ano, foram lançados os candidatos da Aliança Liberal às eleições presidenciais: Getúlio Vargas como candidato a presidente e João Pessoa (presidente da Paraíba e sobrinho de Epitácio Pessoa) como candidato a vice-presidente. Apoiaram a Aliança Liberal intelectuais como José Américo de Almeida e Lindolfo Collor, membros das camadas médias urbanas e a corrente político-militar chamada "Tenentismo" (que organizou, entre outras, a Revolta Paulista de 1924), na qual se destacavam Cordeiro de Farias, Eduardo Gomes, Siqueira Campos, João Alberto Lins de Barros, Juarez Távora e Miguel Costa e Juraci Magalhães e três futuros presidentes da república.O presidente de Minas Gerais, Antônio Carlos, diz em discurso, ainda em 1929: " Façamos a revolução pelo voto antes que o povo a faça pelas armas". Esta frase foi vista como a expressão do instinto de sobrevivência de um político experiente e um presságio.


A Revolução
As eleições foram realizadas no dia 1º de março de 1930 e deram a vitória a Júlio Prestes que obteve 1.091.709 votos contra apenas 742.794 dados a Getúlio. Ressaltando que Getúlio teve quase 100% dos votos no Rio Grande do Sul.
A Aliança Liberal recusou-se a aceitar a validade das eleições, alegando que a vitória de Júlio Prestes era decorrente de fraude. Além disso, deputados eleitos em estados onde a Aliança Liberal conseguiu a vitória, não obtiveram o reconhecimento dos seus mandatos. A partir daí, iniciou-se uma conspiração, com base no Rio Grande do Sul e em Minas Gerais.
A conspiração sofreu um revés em junho com o brado comunista de Luís Carlos Prestes que seria um ex-membro do movimento tenentista, mas ele tornou-se adepto das idéias de Karl Marx assim começou a apoiar o comunismo. Isso o levou, depois de um tempo, à tentativa frustada da intentona comunista pela ANL. Logo em seguida outro contratempo: morre em acidente aéreo o tenente Siqueira Campos.
No dia 26 de julho de 1930, João Pessoa foi assassinado por João Dantas em Recife, por questões políticas e de ordem pessoal, servindo como estopim para a mobilização armada. João Dantas seria, logo a seguir, barbaramente assassinado.
As acusações de fraude e a degola arbitrária de deputados mineiros e de toda a bancada da Paraíba da Aliança Liberal; o descontentamento popular devido à crise econômica causada pela grande depressão de 1929; o assassinato de João Pessoa e o rompimento da política do café com leite, foram os principais fatores, (ou pretextos na versão dos partidários de Júlio Prestes), que criaram um clima favorável a uma revolução.
Getúlio tentou várias vezes a conciliação com o governo de Washington Luís e só se decidiu pela revolução quando já se aproximava a posse de Júlio Prestes que se daria em 15 de novembro.
A revolução de 1930 iniciou-se, finalmente, no Rio Grande do Sul em 3 de outubro, às 17 horas e 25 minutos. Osvaldo Aranha telegrafou a Juarez Távora comunicando início da Revolução. Ela rapidamente se alastrou por todo o país. Oito governos estaduais no nordeste foram depostos pelos tenentes.No dia 10, Getúlio Vargas lançou o manifesto "O Rio Grande de pé pelo Brasil" e partiu, por ferrovia, rumo à capital federal (então, o Rio de Janeiro). (abaixo, foto de Getúlio Vargas e partidários)



Esperava-se que ocorresse uma grande batalha em Itararé (na divisa com o Paraná), onde as tropas do governo federal estavam acampadas para deter o avanço das forças revolucionárias, lideradas militarmente pelo coronel Góis Monteiro.
Porém em 12 e 13 de outubro ocorreu o Combate de Quatiguá, que pode ter sido o maior combate desta Revolução, mesmo tendo sido muito pouco estudado. Quatiguá localiza-se à direita de Jaguariaiva, próxima a divisa entre São Paulo e Paraná.
A batalha não ocorreu em Itararé,já que os generais Tasso Fragoso e Mena Barreto e o Almirante Isaías de Noronha depuseram Washington Luís, em 24 de outubro e formaram uma junta de governo.
Jornais que apoiavam o governo deposto foram empastelados; Júlio Prestes, Washington Luís e vários outros próceres da “república velha” foram exilados.
Às 3 horas da tarde de 3 de novembro de 1930, a junta militar passou o poder, no Palácio do Catete, a Getúlio Vargas, (que vestiu farda militar pela primeira vez na vida, por sugestão de seus assessores, para incutir no povo a "aura revolucionária"), encerrando a chamada república velha.
Na mesma hora, no centro do Rio de Janeiro, os soldados gaúchos cumpriam a promessa de amarrar os cavalos no obelisco da avenida Rio Branco, marcando simbolicamente o triunfo da Revolução de 1930.Getúlio tornou-se chefe do Governo Provisório com amplos poderes. A constituição de 1891 foi revogada e Getúlio passou a governar por decretos. Getúlio nomeou interventores para todos os Governos Estaduais, com exceção de Minas Gerais. Esses interventores eram na maioria tenentes participantes da Revolução de 1930.

domingo, 23 de novembro de 2008

HOMENAGEM A PORTO ALEGRE

Fugindo à rotina, aproveito esse tempo, há tanto e por todo o canto, chuvoso, para prestar uma singela homenagem à cidade de Porto Alegre, minha terra natal.
A idéia não é descrever, geográfica ou historicamente, a capital mais meridional do país. Sem desprezar qualquer dessas características, Porto Alegre representa, para mim, antes de qualquer coisa, a cidade onde nasci e me criei, onde conheci a minha namoradinha, ainda menina, que viria a ser a minha esposa, até hoje; a cidade onde tive a minha adolescência, os meus colégios de primário, ginásio e científico, daqueles tempos; da minha Faculdade de Engenharia da UFRGS e dos meus primeiros trabalhos como profissional. E a cidade que, por força desses mesmos trabalhos, eu deixaria com 32 anos de idade, para morar em Florianópolis.
Para realizar essa homenagem, apenas fiz juntar três ingredientes: uma linda canção gaúcha, cujo compositores, também gaúchos são Sérgio Napp e César Dorfman; umas fotos maravilhosas da cidade, antigas e recentes, com muito poder evocativo, para mim; e uma linda poesia do grande poeta gaúcho, da cidade do Alegrete, Mário Quintana. Depois, foi só misturar bem e cozinhar em fogo brando ... Ah, devo dizer que a ideia da produção dessa apresentação veio da minha querida prima Ieda Maria, muito carinhosamente chamada, por todos os seus primos, de Iedinha. Gaúcha que ama o seu torrão, sugeriu-me a ideia de prestar essa homenagem à cidade onde crescemos e a alguns lugares onde brincamos juntos, nos nossos irresponsáveis e maravilhosos tempos de criança.
Para apreciar o resultado, o que vocês têm a fazer é clicar no link Porto Alegre. Lá chegando, encontrarão outras instruções simples. Levará um par de minutos para abrir, já que o arquivo é meio pesado.
Quem conhece Porto Alegre, reconhecerá, dos tempos dos bondes, o viaduto sobre a Avenida Borges de Medeiros, a Praça da Matriz dos velhos tempos, ainda com o antigo Auditório Araújo Viana ao seu lado, a Avenida João Pessoa vista da "Lomba do Sétimo", podendo-se enxergar o antigo Colégio Júlio de Castilhos, incendiado ao final da década de 1950 e que deu lugar à Faculdade de Ciências Econômicas, além de outros monumentos das nossas lembranças.


O tão conhecido, e não menos lindo, "por do sol no Guaíba"

Evidentemente, a apresentação tocará mais a quem é de Porto Alegre; entretanto, sabemos que, de alguma forma, muitos dos nossos amigos já têm um pezinho por lá, de tanto ouvirem falar. Além do mais, sensibilidade independe do lugar de origem das pessoas; e se há coisa que os nossos amigos têm de sobra é essa qualidade.

domingo, 16 de novembro de 2008

A REVOLUÇÃO DE 1923

Generalidades


A Revolução de 1923 foi o movimento armado ocorrido durante onze meses daquele ano, no estado do Rio Grande do Sul, Brasil, em que lutaram, de um lado, os partidários de Borges de Medeiros (borgistas ou chimangos) e, de outro, os aliados de Joaquim Francisco de Assis Brasil (assisistas ou maragatos). (Na foto abaixo, Borges de medeiros)


A Revolução surgiu numa conjuntura em que as oposições se uniram contra Borges de Medeiros, que se perpetuava no comando do Rio Grande do Sul, amparado na autoritária Constituição castilhista de 1891. A política econômica de Borges precipitara o Estado numa crise financeira que contribuíra para descontentar a elite estancieira. Também boa parte do movimento operário e estudantil opunha-se a Borges por conta de divergências anteriores. No plano nacional, se isolara com o malogro da chamada reação republicana, por meio da qual tentara opor-se ao presidente da República, Arthur Bernardes, recém eleito. O Exército ficou mais próximo dos revolucionários, ao contrário de 1893. O pretexto para a eclosão da revolução foi a suposta apuração fraudulenta das eleições estaduais de 1922. Presidira a comissão apuradora na Assembléia do Estado o então deputado Getúlio Vargas. Joaquim Francisco de Assis Brasil era o candidato da oposição contra Borges.


Antecedentes e Causas




Júlio de Castilhos foi substituído na presidência do Estado por Borges de Medeiros, que seguiu adotando os mesmos métodos e que também tinha como objetivo perpetuar-se no poder. Em 1922, Borges resolve candidatar-se a outro mandato na presidência do Estado e contava, como sempre, com a força do PRR, que não hesitava em apelar para a fraude e a violência, para garantir a reeleição.
Todavia, dessa feita, há um fato novo: forma-se uma aliança entre vários segmentos da sociedade gaúcha para estimular uma oposição organizada. O veterano político Assis Brasil desafia Borges na disputa nas urnas. Divide-se, assim, o Rio Grande, entre borgistas e assisistas, chimangos (numa alusão ao pseudônimo dado a Borges por Ramiro Barcelos, Antônio Chimango) e maragatos (como eram chamados os adeptos do Partido Federalista, identificados pelo uso do lenço vermelho).
A campanha eleitoral ocorre sob um clima de repressão e violência. Opositores do governo são presos, espancados e até mortos. Locais de reunião dos assisistas são fechados e depredados pela polícia borgista.Quando se anuncia o resultado das urnas, com a previsível vitória de Borges de Medeiros, a revolta é geral. A comissão apuradora de votos, formada por pessoas fiéis ao governo, é acusada de fraude eleitoral pela oposição. A disputa nas urnas transforma-se em disputa pelas armas. A oposição, liderada por Assis Brasil, adere à revolta armada para derrubar Borges de Medeiros, que toma posse para um novo mandato em 25 de janeiro de 1923 (abaixo, foto de Assis Brasil).


Setores importantes da sociedade gaúcha já andavam descontentes com o governo. A política econômica de Borges precipitara o Estado numa crise financeira que contribuíra para descontentar tanto a elite estancieira como boa parte do movimento operário e estudantil. No plano nacional, Borges se isolara ao fazer oposição à candidatura de Artur Bernardes, afinal eleito Presidente da República.Em verdade, o ódio entre as facções era mais antigo. Vinha desde a Revolução Federalista de 1893, que teve como marca “a degola”, dilacerando vidas e trazendo desgraça e tristeza para muitas famílias de ambos os lados. Essa Revolução deixou sentimentos de vingança e violência em muitos corações, que teve quase uma continuidade com a Revolução de 1923.


Desdobramentos


Os combates iniciaram ao final de janeiro. As cidades de Passo Fundo e Palmeira das Missões foram atacadas pelos caudilhos maragatos Mena Barreto e Leonel da Rocha, que encontraram forte resistência.
A expectativa de Assis Brasil e seus aliados, ao partir para a luta armada, era a de que o Presidente da República Arthur Bernardes, que não nutria simpatias por Borges, decretasse intervenção federal no Rio Grande do Sul. Mas Borges, um político hábil, se aproximou de Bernardes e frustrou as expectativas de seus opositores.
Os maragatos, que não estavam devidamente organizados para enfrentar as forças governistas, nem tinham objetivos militares definidos, ficaram confusos ao verem que a pretendida intervenção federal não viria. A continuidade da luta dependia das ações isoladas empreendidas por caudilhos como Honório Lemes e José Antônio Matos Neto, o “Zeca Netto”. Mas as operações militares ficavam restritas a regiões distantes de Porto Alegre e não conseguiram causar dano à superioridade dos borgistas. Logo os maragatos começaram a ressentir-se da falta de homens e de armas.Para Assis Brasil e seus aliados mais lúcidos ficou claro, desde logo, que não havia possibilidade de vitória militar e por isso manifestaram disposição de negociar com o lado contrário (abaixo, foto de Zeca Netto - sentado, à esquerda - e líderes revolucionários).



Zeca Netto, que se opunha a qualquer acordo com Borges, tentou uma última cartada. Imaginou que, se atacasse e tomasse uma cidade importante, poderia intimidar os borgistas. Assim, em 29 de outubro, atacou Pelotas, então a maior cidade do interior gaúcho, de surpresa, ao alvorecer, mas a manteve sob seu controle por apenas seis horas, porque as hostes governistas conseguiram se rearticular e receber reforços. Na iminência de ser atacado por forças superiores, o velho caudilho, de 72 anos de idade, retirou suas tropas.
A partir deste episódio, já não tinham os maragatos condições de seguir lutando. Por iniciativa do governo federal, realizaram-se negociações comandadas pelo ministro da Guerra, general Fernando Setembrino de Carvalho, com a participação do senador João de Lira Tavares, representante do Congresso.
Em dezembro de 1923, pacificou-se a revolução no Pacto de Pedras Altas, residência de Assis Brasil. Borges de Medeiros pôde permanecer até o final do mandato em 1928, mas a Constituição de 1891 foi reformada. Impediu-se o instituto das reeleições, a indicação de intendentes e do vice-presidente do Estado (abaixo foto histórica da entrada de Zeca Netto em Pelotas).





O acordo foi importante para o Rio Grande do Sul. O sucessor de Borges no governo gaúcho foi Getúlio Vargas. Em 1930, a frente única rio-grandense, sob sua liderança, assume o governo do país. Segundo o historiador gaúcho Antônio Augusto Fagundes,a Revolução de 1923 “foi a última guerra gaúcha, fechando a trindade que se iniciara em 1835 e continuara em 1893”.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

A REVOLUÇÃO FEDERALISTA DE 1893

Generalidades

Antes de penetrar na Revolução propriamente dita e para que bem se possa entendê-la, bem como o que a segue, é muito importante que o leitor tenha em mente que o epísódio em pauta teve o seu início apenas quatro anos após a Proclamação da República do Brasil, uma transformação radical para um país que viveu apenas 67 (sessenta e sete) anos sob o regime imperial, imediatamente após a sua independência.
A Revolução Federalista de 1893 ocorreu no sul do Brasil, logo após a Proclamação da República (1889), e teve como causa principal a instabilidade política gerada pelos federalistas, que pretendiam "libertar o Rio Grande do Sul da tirania de Júlio Prates de Castilhos", então presidente do Estado.
Empenharam-se em disputas sangrentas que acabaram por desencadear uma guerra civil, que durou de fevereiro de 1893 a agosto de 1895, e que foi vencida pelos seguidores de Júlio de Castilhos.
A divergência teve inicio com atritos ocorridos entre aqueles que procuravam a autonomia estadual, frente ao poder federal e seus opositores. A luta armada atingiu as regiões compreendidas entre o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.
O Partido Federalista do Rio Grande do Sul havia sido fundado em 1892 por Gaspar Silveira Martins. Em tese, o Partido defendia o sistema parlamentar de governo e a revisão da Constituição, pretendendo o fortalecimento do Brasil como União Federativa.
Desta forma, esta filosofia chocava-se frontalmente contra a constituição do Rio Grande do Sul de 1891. Esta era inspirada no positivismo e no presidencialismo, resguardando a autonomia estadual, filosofia adotada por Júlio de Castilhos, chefe do Partido Republicano Rio-grandense (PRR), e que seguia o princípio comtiano-positivista das "pequenas pátrias".
Júlio de Castilhos exerceu influência singular sobre a política gaúcha. Redigiu praticamente sozinho a Constituição do Estado do Rio Grande do Sul de 1891 e usou todos os meios possíveis para sua aprovação. Tal constituição inspirava-se muito fortemente no Positivismo do filósofo francês Auguste Comte, e garantia ao governante os meios legais de implementar a política de inspiração positivista. Embora tida por autoritária, tal constituição pretendia implementar, no caráter do regime republicano, aspectos racionais, baseados na História e na Ciência a fim de superar aspectos populares ou metafísicos (abaixo as fotos de Júlio de Castilhos, a esquerda e Gaspar Silveira Martins, à direita).


Durante a Revolução Federalista de 1893, no Rio Grande do Sul, eram chamados de gasparistas ou maragatos, os seguidores de Gaspar da Silveira Martins, frontalmente opostos aos castilhistas, pica-paus ou chimangos, seguidores de Júlio de Castilhos.
Os chimangos estavam no poder com Júlio de Castilhos e tinham forte vínculo com o Governo Federal. O motivo da alcunha veio do chapéu usado pelos militares que apoiavam essa facção, que possuía listras brancas e que, segundo os revolucionários, seriam semelhantes a um tipo de pica-pau do Sul do Brasil. Esta denominação se estendeu a toda facção que passou, posteriormente a usar o lenço branco ao pescoço.
O termo maragato, no Brasil, foi usado pela primeira vez para se referir uma das duas grandes correntes políticas gaúchas, surgida no Rio Grande do Sul em 1891, no esteio da Revolução Federalista e identificada pelo uso do lenço vermelho. Os maragatos foram os que iniciaram a revolução, justificada como resistência ao excessivo controle exercido pelo governo central sobre os estados. O objetivo da revolução seria, portanto, garantir um sistema federativo, e a adoção da forma parlamentarista de governo. A origem do termo tem uma explicação complexa. No Uruguai eram chamados de maragatos os habitantes da cidade de San José de Mayo, Departamento de San José, talvez porque os seus primeiros habitantes fossem descendentes de maragatos espanhóis. Na província de León, Espanha, existe uma comarca denominada Maragateria, cujos habitantes têm o nome de maragatos, e que, segundo alguns, é um povo de costumes condenáveis, vivendo a vagabundear de um ponto a outro, com cargueiros, vendendo e comprando roubos e por sua vez roubando, principalmente animais; são uma espécie de ciganos. Na época da revolução, os republicanos legalistas usavam esta apelação como pejorativa, atribuindo-lhes propósitos mercenários. A realidade oferecia alguma base para essa assertiva: o caudilho estrategista brasileiro Gumercindo Saraiva, um dos líderes da revolução, havia entrado no Rio Grande do Sul vindo do Uruguai pela fronteira de Aceguá (Uruguai), no Departamento de Cerro Largo, comandando uma tropa de 400 homens entre os quais estavam uruguaios, supostamente descendentes de maragatos. A família de Gumercindo, embora de origem portuguesa, possuia campos em Cerro Largo. A atribuição desse apelido aos revolucionários, entretanto, foi um tiro que saiu pela culatra. A denominação granjeou simpatia. Os próprios rebeldes passaram a se denominar "maragatos", e chegaram a criar um jornal que levava esse nome, em 1896.

O Início do Conflito

As desavenças iniciaram-se com a concentração de tropas sob o comando do maragato João Nunes da Silva Tavares, o Joca Tavares, barão de Itaqui, em campos da Carpintaria, no Uruguai, localidade próxima a Bagé . Logo após o potreiro de Ana Correia, vindo do Uruguai em direção ao Rio Grande do Sul, encontrava-se o coronel caudilho federalista Gumercindo Saraiva (abaixo, foto histórica de Gumercindo Saraiva - terceiro sentado, da esquerda para a direita - e alguns líderes do movimento).


Eficientemente, os maragatos dominaram a fronteira, exigindo a deposição de Júlio de Castilhos, que havia sido eleito presidente do estado pelo voto direto. Havia também o desejo de um plebiscito onde o povo deveria escolher a forma de governo.
Devido à gravidade do movimento, a rebelião adquiriu âmbito nacional rapidamente, ameaçando a estabilidade do governo rio-grandense e o regime republicano em todo o país. Floriano Peixoto, então na presidência da República, enviou tropas federais sob o comando do general Hipólito Ribeiro para socorrer Júlio de Castilhos.
Foram estrategicamente organizadas três divisões, chamadas de legalistas: a do norte, a da capital e a do centro. Além destas, foi convocada a polícia estadual e todo o seu contingente para enfrentar o inimigo.

O Final do Conflito
A revolução federalista foi vencida pelo governo central em junho de 1895 no combate de Campo Osório. Saldanha da Gama, possuidor de um contingente de 400 homens, lutou até a morte contra os Pica-paus comandados pelo general Hipólito Ribeiro.
A paz finalmente foi assinada em Pelotas no dia 23 de agosto de 1895. O presidente da República era então Prudente de Morais, e o emissário do governo federal era o general Galvão de Queirós.

domingo, 9 de novembro de 2008

A REVOLUÇÃO FARROUPILHA

Generalidades
“Guerra dos Farrapos” ou “Revolução Farroupilha” são os nomes pelos quais ficou conhecida uma revolução ou guerra regional, de caráter republicano, mantida contra o governo imperial do Brasil, pela então província de São Pedro do Rio Grande do Sul (hoje estado do Rio Grande do Sul). O movimento resultou na declaração de independência daquela província, como estado republicano, dando origem à República Rio-Grandense, que perdurou por dez anos. Desenvolveu-se de 1835 a 1845, tornando-se o conflito armado mais duradouro que ocorreu no continente americano.
É muito importante que se destaque que a revolução, originalmente, não possuía caráter separatista, mas era dirigida contra o presidente da Província e Comandante das Armas; ela influencioua vivamente movimentos que ocorreram em outras províncias brasileiras (1842 em São Paulo e Sabinada na Bahia) e consagrou-se como a semente que consuziria à proclamação da república do Brasil. Mesmo considerando os reais motivos do movimento, o Império não poderia aceitar a destituição de seua delegados, fosse por golpe ou não. Assim se iniciava a luta que se estenderia por dez sofridos anos (abaixo, carga da Cavalaria Farroupilha).





A Revolução Farroupilha teve como líderes principais, o Coronel Bento Gonçalves da Silva, General Antônio de Souza Neto, Onofre Pires da Silveira Canto, Manuel Lucas de Oliveira, Antônio Vicente da Fontoura, Pedro José de Almeida (o Pedro Boticário), Davi José Martins (Davi Canabarro); além desses, recebeu inspiração ideológica de italianos carbonários refugiados, como o cientista Tito Lívio Zambeccari e o jornalista Luigi Rossetti, além de Giuseppe Garibaldi, que embora não pertencesse à carbonária, esteve envolvido em movimentos republicanos na Itália. A questão da abolição da escravatura também esteve envolvida, organizando-se exércitos que contavam com homens negros que aspiravam à liberdade (abaixo, Bento Gonçalves).





Antecedentes e Causas
A justificativa original do movimento se centrava no conflito político entre os liberais que propugnavam um modelo de estado com maior autonomia às províncias e o modelo imposto pela constituição de D. Pedro I, de caráter unitário. Além disso, havia uma disseminação de ideais separatista, tidos por muitos gaúchos como o melhor caminho para a paz e a prosperidade, seguindo o exemplo da Província Cisplatina (abaixo, General Neto).





Entretanto, o movimento também encontrou forças na posição secundária, tanto econômica como política, que a Província de São Pedro do Rio Grande ocupava nos anos que se sucederam à Independência. Diferentemente de outras províncias, cuja produção de gêneros primários se voltava para o mercado externo, como o açúcar e o café, a do Rio Grande do Sul produzia principalmente para o mercado interno. Seus principais produtos eram o charque e o couro. As charqueadas produziam para a alimentação dos escravos africanos, indo em grande quantidade para abastecer a atividade mineradora nas Minas Gerais, para as plantações de cana de açucar e para a região sudeste, onde inciava-se a cafeicultura. A região, desse modo, encontrava-se muito dependente do mercado brasileiro de charque, que com o câmbio supervalorizado e benefíciios tarifários, podia importar o produto por custo mais baixo. Além disso, instalava-se nas Províncias Unidas do Rio da Prata, uma forte indústria saladeiril, da qual participava Rosas, e que, junto com os saladeros do Uruguai (que deixara de ser brasileiro) competiria pela compra do gado da região, pondo em risco a viabilidade econômica das charqueadas sul-riograndenses (abaixo, Garibaldi).



Conseqüentemente, o charque rio-grandense tinha preço maior do que o similar oriundo da Argentina e do Uruguai, perdendo assim competitividade no mercado interno. A tributação da concorrência externa era uma exigência dos estancieiros e charqueadores . Esta tributação não era do interesse dos principais compradores brasileiros que eram os que detinham as concessões das lavras de mineração, os produtores de cana-de-açucar e os cafeicultores, pois veriam reduzida a lucratividade das mesmas, por maior dispêndio na manutenção dos escravos.
Há que considerar, ainda, que o Rio Grande do Sul, era região fronteiriça aos domínios hispânicos situados na região platina. Devido às disputas territoriais nesta área, nunca fora uma Capitania Hereditária no período colonial e, sim, parte de seu território , desde o século XVII ocupado por um sistema de concessão de terras a chefes militares. Estes dispunham de capacidade de opor-se militarmente ao fraco exército imperial na região. Ainda mais, na então ainda recente e desastrosa Guerra da Cisplatina, que culminou com a perda da área territorial do Uruguai, anteriormente anexada ao Brasil, as posições dos militares e caudilhos locais foram sobrepujadas por comandos oriundos da corte imperial (como o Marquês de Barbacena). Além disso a imposição de presidentes provinciais por parte do Governo imperial que ia contra o direcionamento político da Assembléia Legislativa Provincial do Rio Grande do Sul, era mais um motivo de desagrado da elite regional.
Também é preciso citar o conflito ideológico presente no Rio Grande do Sul, a partir da criação da Sociedade Militar, no Rio de Janeiro, um clube com simpatia pelo Império, e até mesmo suspeito de simpatizar com a restauração de D. Pedro I. Um dos seus líderes foi o Conde de Rio Pardo, que ao chegar a Porto Alegre em outubro de 1833, fundou ali uma filial. Os estancieiros rio-grandenses não viam com bons olhos a Sociedade Militar e pediam que o governo provincial a colocasse na ilegalidade. Entre os protestos eclodiu uma rebelião popular, liderada pelos majores José Mariano de Matos e João Manuel de Lima e Silva que foi logo abafada e seus líderes punidos.
Não se pode deixar de mencionar, neste episódio, o importante papel representado pela Maçonaria brasileira, também evidentemente interessada na instauração da República. O próprio líder do movimento, Bento Gonçalves, rapidamente galgou todos os seus níveis e o grande pacificador do movimento, o Duque de Caxias, não por acaso, era também Maçon.


O Desenvolvimento da Revolução
Em 9 de setembro de 1836 os farrapos, comandados pelo General Netto, impõem violenta derrota ao coronel João da Silva Tavares, no Arroio Seival, próximo a Bagé. Empolgados pela grande vitória, os chefes farrapos decidem, em virtude do impasse político em que o conflito havia chegado, pela proclamação da República Rio-Grandense. O movimento deixava de ter um caráter corretivo e passava ao nível separatista.
Bento Gonçalves, então em cerco a Porto Alegre, recebe a notícia da proclamação da República e da indicação de seu nome como candidato único a presidente. Decide então contornar a capital da província para se juntar aos vitoriosos comandados de Netto. Quando vai atravessar o rio Jacuí na altura da ilha de Fanfa, é emboscado por Bento Manuel e pela esquadra do inglês John Grenfell. Bento Gonçalves e os principais chefes no local são presos, e a tropa é desbaratada. O governo imperial, após esta vitória, oferece anistia aos rebeldes para acabar de vez com o conflito. Netto, contudo, tendo concentrado tropas ao redor de Piratini, a capital da República, decide continuar a luta. Bento Gonçalves, escolhido presidente da República, só assume o seu posto em dezembro de 1837, após fugir da prisão em outubro.
A partir 1840 começa a decadência da revolução e com a tomada de Caçapava, atual capital e considerada inexpugnável por sua posição geográfica, inicia-se a fase da "República andarilha", até que Alegrete é escolhida como nova capital. Em Taquari, farroupilhas e imperiais travaram a maior batalha da guerra, com mais de dez mil homens envolvidos, entretanto sem resultados decisivos. São Gabriel foi perdida em junho, e alguns dias depois o General Netto só escapa do imperial Chico Pedro graças à sua destreza como cavaleiro. Em julho, novo fracasso farroupilha, desta vez em São José do Norte. Bento Gonçalves começa a pensar na pacificação. Em novembro é a vez de Viamão cair, morrendo no combate o italiano Luigi Rossetti, o criador do jornal "O Povo" órgão de imprensa oficial da república.


O Final do Conflito
Por fim, a 1 de Março de 1845, assinou-se a paz: o “Tratado de Poncho Verde” ou “Paz do Poncho Verde”. Entre as principais condições impostas pelos revolucionários estavam a anistia plena aos revoltosos, a libertação dos escravos que combateram no Exército piratinense e a escolha de um novo presidente provincial pelos farroupilhas. O cumprimento parcial ou integral do tratado até hoje suscita discussões. A impossibilidade de uma abolição da escravatura regionalmente restrita, a persistência de animosidade entre lideranças locais e outros fatores administrativos e operacionais podem ter ao menos dificultado, senão impedido o cumprimento integral do mesmo.
Dos escravos sobreviventes, alguns acompanharam o exército do General António Neto em seu exílio no Uruguai, outros foram incorporados ao Exército Imperial e muitos foram vendidos novamente como escravos no Rio de Janeiro.
É interessante observar que a atuação de Luís Alves de Lima e Silva (o Duque de Caxias) foi tão nobre e correta, para com os oponentes, que a Província, novamente unificada, o indicou como senador. O Império, reconhecido, outorgou ao General o título nobiliárquico de Conde de Caxias (1845). Mais tarde, em 1850, com a iminência da Guerra contra Rosas seria indicado Presidente da Província de São Pedro do Rio Grande.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

TRIBUTO A PATSY CLINE

Patsy Cline, nascida Virginia Patterson Hensley, no dia 8 de setembro de 1932 e tragicamente falecida em um acidente aviatório em 5 de março de 1963, foi uma cantora norte-americana “country” que deleitou-se com a música popular através do sucesso durante a era do “Nashville Sound”, no início dos anos sessenta. Desde a sua morte, com a tenra idade de trinta anos, no pico da sua carreira, ela tem sido considerada uma das mulheres vocalistas de maior sucesso, influentes, reverenciadas e aclamadas do século XX. A história de sua vida e carreira foi objeto de vários livros, filmes, documentários, artigos e peças de teatro.
Patsy Cline foi mais conhecida por seu maravilhoso timbre e a emocionalmente expressiva e vigorosa voz de contralto que, junto com seu papel como movedora e agitadora da indústria da música “country”, tem sido citada e louvada como inspiração por vários vocalistas de vários gêneros musicais.
Postumamente, milhões de seus álbuns foram vendidos nos últimos 45 anos e ela recebeu numerosos prêmios que lhe proporcionaram um status de ícone semelhante ao das lendas da música Johnny Cash e Elvis Presley. Apenas dez anos após a sua morte, ela tornou-se o primeiro artista solo feminino introduzido ao “Country Music Hall of Fame” (Hall da Fama da Música Country). Em 2001 ela foi votada pelos artistas e membros da indústria da música country como Número 1 no especial para televisão da Country Music Television das “40 Maiores Mulheres da Country Music” de todos os tempos e, em 1999, ela foi votada como a Número 11 no especial da VH1 “As 100 Maiores Mulheres do Rock and Roll” de todos os tempos, por membros e artistas da indústria do Rock. De acordo com a sua placa de 1973 do Hall of Fame da Country Music, “Sua herança de gravações eternas é o testemunho à sua capacidade artística".
Patsy Cline nasceu na cidade de Winchester, estado da Virginia, filha de Sam e Hilda Patterson Hensley, um ferreiro e uma costureira, e era a mais velha de três crianças. Teve uma infância infeliz e cresceu uma garota pobre “no lado errado dos trilhos”, seu pai tendo abandonado o lar quando ela tinha quinze anos de idade. Uma grave doença, enquanto criança, causou-lhe uma infecção na garganta que, de acordo com Patsy, resultou no grande presente que foi a sua voz.
Para ajudar a sustentar a sua família após seu pai tê-la abandonado, ela desistiu do secundário e teve vários empregos: engarrafadora de refrigerantes e garçonete durante o dia e cantora de boates locais à noite, vestindo o seu famoso vestido com franjas à moda do oeste, desenhado por ela própria e feito por sua mãe Hilda.




Após ter sido descoberta e brilhar por oito anos como cantora, o avião em que viajava de volta para casa, em Nashville, pilotado por seu segundo marido, sob mau tempo, após um show beneficente em Kansas City, Kansas, bateu às 18:20 hs, de acordo com o relógio de Patsy, em uma floresta nas vizinhanças de Camden, Tennessee , a somente 150 km do seu destino. O avião havia caído com o nariz para baixo e não houve sobreviventes.
Muitos dos itens recolhidos pelos fãs, após o acidente, foram mais tarde doados ao “The Country Music Hall of Fame”, mas o vestido branco de chifon que Patsy usara no seu último concerto, nunca foi encontrado.
Ela foi enterrada em sua cidade natal, Winchester, Virginia, no Shenandoah Memorial Park e seu túmulo é marcado com uma simples placa de bronze onde se lê: Virginia H (Patsy Cline) “A morte não pode matar o que nunca morre: Amor.”
Entre os seus grandes sucessos, podemos encontrar: "Walkin' After Midnight", "I Fall to Pieces", "She's Got You", "
Crazy", e "Sweet Dreams".



Após essa curta biografia, do alto da minha ignorância, eu pergunto aos meus amigos: sabem de quem eu estou falando? Possivelmente, a grande maioria dirá um sonoro não; não irá reconhecê-la ou se lembrar, tal como aconteceu comigo. Esta foi exatamente a razão porque tanto desejei escrever esse tributo a Patsy Cline. Entretanto, escutem a melodia “Crazy”, do famoso Willie Nelson, aqui colocada como anexo e, tal como eu fiz, deliciem-se, recordem, comovam-se e prestem também tributo, se assim o desejarem, à garota que a interpreta, Patsy Cline.

domingo, 2 de novembro de 2008

AS REVOLUÇÕES DO RIO GRANDE DO SUL

Como algo absolutamente natural, pelo fato de ser gaúcho, embora da capital, Porto Alegre, sempre tive muita curiosidade acerca das revoluções que se desenvolveram no Rio Grande do Sul, bem como daquelas em que o estado tenha sido, de uma forma ou outra, parte ativa envolvida. Essa curiosidade nunca me foi satisfeita, de forma espontânea, por meu pai que, embora sendo natural de Santiago do Boqueirão e criado em Bom Jesus, portanto digno representante do gaúcho da campanha e dos campos de cima da serra, além de oficial da Brigada Militar do Estado, sempre foi muito calmo e de índole pacífica; posso até mesmo presumir que nunca tenha gostado muito do assunto “revoluções”, pois, de uma forma geral, elas sempre se revelaram, e tiveram origem, como uma forma de subversão da ordem constituída, algo com que meu pai nunca concordou. Como iniciativa minha, nunca lhe coloquei a questão, pois, à época em que o tinha à disposição, tais assuntos ainda não me interessavam; quando me tornei adulto e eles passaram a me interessar, já era tarde demais, pois as oportunidades em que pudéssemos dispor de tempo comum livre para ouvir os relatos das “histórias do Rio Grande”, passaram a rarear cada vez mais.



Recentemente, após ler “Narrativas de Terra e Sangue”, de Arthur Ferreira Filho, um tio de meu pai, minha curiosidade sobre o assunto voltou a aguçar-se e me propus a pesquisar sobre “As Revoluções do Rio Grande do Sul”.
Minha principal fonte de informações foi a “internet” embora tenha lido livros importantes no que se refere ao episódio da “Revolução Farroupilha”. E, claro, não é meu objetivo escrever um tratado sobre cada uma dessas revoluções, mas somente apresentá-las reunidas, resumidamente, em ordem cronológica, de forma a bem poder situar o leitor que se aventurar a travar conhecimento com essas histórias. Pretendo, com isso, colocar o leitor na seqüência dos movimentos, podendo, mais facilmente, entender as causas que os provocaram e as conseqüências da sua ocorrência, o que sempre tive dificuldade em entender. Quero também deixar bem claro, que não é minha intenção, de forma alguma, justificar, condenar, exaltar, colocar-me a favor ou contra qualquer dos movimentos apresentados; até mesmo meus poucos comentários colocados, visam apenas chamar a atenção do leitor menos avisado para referências que a própria fonte destaca e que demonstram coerência, ou o seu oposto, dentro das ações das pessoas envolvidas. A propósito, costumo muito ouvir dizer que o tempo se encarregará de demonstrar a razão ou a sua falta, o acerto ou erro de determinadas atitudes tomadas por este ou aquele personagem. Não creio mais nisso; hoje, estou convencido que na história, só e apenas triunfa, pelo menos frente ao grande público, o lado vencedor. Basta conferir.

Abaixo, as ruínas jesuítas de São Miguel das Missões, Patrimônio da Humanidade desde 1983 no estado do Rio Grande do Sul.


Cumpre também observar, que essa pequena relação de cinco revoluções não esgota, de forma alguma, todos os movimentos em que se envolveram os gaúchos, mas apenas os mais importantes e conhecidos, segundo o que me consta, durante o período pós-independência, pré-república e sua consolidação. Por questão de justiça para com os gaúchos, seria necessário analisar as razões pelas quais o povo do Rio Grande do Sul muito esteve envolvido em ações belicistas, entre outras a sua posição geográfica com relação aos problemas fronteiriços e ao governo central e a sua economia primordialmente dirigida à pecuária, pelo menos inicialmente. Mas tal não é o objetivo da pesquisa.
Abaixo, episódio da Batalha dos Farrapos, apresentada em óleo sobre tela de José Wasth Rodrigues.



Entretanto, é preciso que se diga, que por força mesmo desses movimentos, o estado possui papel marcante na história do Brasil, tendo sido palco da maior guerra civil do país e do mais longo conflito armado das Américas: a Revolução Farroupilha.
Posto que, mesmo resumido, o espaço dedicado a cada movimento ficou bastante grande para reuni-los todos em um mesmo artigo, publicaremos cada um deles individualmente, na ordem cronológica dos acontecimentos. Iniciaremos com a "Revolução Farroupilha".