Homenagem ao lendário herói ancestral dos ingleses que deu título a um dos considerados "Cem Maiores Livros do Mundo" e tido como o mais antigo escrito em "Old English".

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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

UMA PEQUENA HISTÓRIA DA INGLATERRA CONTADA POR UM GAÚCHO DE PORTO ALEGRE, DESCENDENTE DE PORTUGUESES E RESIDENTE EM GRAMADO - A HISTÓRIA PROPRIAMENTE DITA (17) (Vigésima Quinta Parte)

O AMBIENTE ARTHURIANO (PARTE 3)
Um personagem que pode ter sido um contemporâneo de Arthur é Mordred que, de acordo com os Annales Cambriae (Medraut), teria morrido junto com Arthur na Batalha de Camlann e com o desenvolvimento dos romances tornou-se a plenitude do traidor miserável na tradição Arthuriana.
Sir Mordred personificando a irreverência
Na versão dos eventos de Geoffrey, Mordred seria sobrinho de Arthur, filho de sua meia irmã Anna. O Vulgate Cycle prosseguiu e tornou-o o filho incestuoso de Arthur com sua meia irmã, agora chamada Morgause - nos romances posteriores a mãe de Mordred chama-se Morgan Le Fay (a Fada Morgana) -, o que explicaria, em parte, o caráter e o senso de lealdade distorcido deste personagem. Contudo, todos os romances coincidem em ratificar a afirmação de Geoffrey de que Mordred rebelou-se contra Arthur, provocando a sua e a própria morte na batalha citada. Como já vimos, os Annales Cambriae apoiam a noção de Geoffrey de que ambos tombaram em batalha, sem estabelecer o parentesco recíproco e sem especificar se lutavam do mesmo lado ou em lados opostos. 
A mais conhecida e influente versão da história de Mordred é o parecer de Thomas Malory, que popularizou um episódio da Post Vulgate Cycle, denominado Suite du Merlin, comumente chamado de “May Day Massacre” (O Massacre de 1º de Maio). Neste episódio, Arthur crê numa profecia de Merlin de que a criança que causará a queda do seu reino nascerá no dia 1º de maio; para evitá-la, reúne num navio todas as crianças do reino nascidas nesta data, algumas delas com apenas 4 semanas de idade, e o lança ao mar, à deriva, na expectativa de que a criança fatal perecerá. O seu plano falha, porque o navio é destroçado contra as rochas, matando todos os seus ocupantes, com exceção de Mordred, que é resgatado e adotado até a idade de 14 anos. Em todo o texto posterior ele aparece em torneios mas não é figura essencial até o fim, quando ele se une a Agravain na trama contra Lancelot e Guinevere. Posteriormente, quando Lancelot salva Ginevere da morte na fogueira, Mordred tenta tomar o trono quando Arthur e Gawain estão fora, no cerco de Benwick.
Mordred mortalmente ferido lança-se sobre Arthur
Estaria Geoffrey certo sobre a rivalidade familiar entre eles? Sob a grafia Welsh do nome, Medraut aparece num certo número de poemas Welsh como opositor de Arthur, embora raramente relacionados; eram considerados líderes legais de diferentes reinos. Infelizmente não há maneira de saber quem está com a razão, pois a Historia Brittonum de Nennius não menciona Mordred e nenhum outro manuscrito da época o registra.
Talvez as mais intrigantes características da história Arthuriana sejam os três elementos místicos que permeiam quase todos os romances: a espada Excalibur, o Santo Graal e a Ilha de Avalon.
Com relação à espada, é preciso que se esclareça, antes de tudo, que as lendas falam de duas espadas: a Espada na Pedra, muitas vezes numa bigorna, é retirada por Arthur, quando ainda jovem, como um teste e um sinal milagroso que prova o seu direito de nascença e sua realeza; a Espada Excalibur é a que lhe foi dada pela Dama do Lago, com poderes mágicos.
A palavra Excalibur foi uma adaptação feita por Wace, do nome que deu Geoffrey à espada de Arthur, Caliburn, fonte de todo o seu poder, depois seguido por todos os romancistas. Em alguns contos Welsh, tais como Culhwch and Olwen, a espada de Arthur é chamada de Caledfwlch, do Irish antigo Caladbolg, que significa “espada flamejante”. Se Caliburn veio portanto de Caledfwlch, isso significaria que o tema Excalibur teria sido tomado de uma antiga lenda Celta.
O Rei Arthur, com Merlin, recebe a Excalibur da Dama do Lago
A conhecida história da espada mágica de Arthur não é contada por Geoffrey que apenas nos diz ter sido forjada em Avalon e que manejada por Arthur, “esculpiria as almas para fora de seus inimigos com o seu sangue”. Foi a Vulgate Cycle, um século depois, que introduziu a história da Excalibur como a conhecemos hoje. Segundo essa versão, Arthur teria, originalmente, sido levado por Merlin e recebido a Excalibur de uma ninfa misteriosa, The Lady of the Lake (a Dama do Lago) e teria, após ter sido mortalmente ferido no campo de batalha, ordenado ao seu cavaleiro Girflet que a lançasse de volta ao lago encantado. Após desobedecer ao seu rei duas vezes, Girflet relutantemente a lança ao lago e um braço emerge de suas águas, apanha a espada e a conduz às suas águas profundas. Esta é a encarnação do conto como elaborado posteriormente por Sir Thomas Malory, embora em sua versão o cavaleiro que devolve a espada ao lago é Sir Bedivere e não Girflet. Segundo Graham Phillips, há claras idéias Celtic esboçadas no tema Excalibur, sugerindo que os escritores da Vulgate Cycle possam ter empregado material muito mais antigo. Escavações arqueológicas modernas têm desenterrado muitos artefatos preciosos, incluindo espadas lançadas em lagos sagrados pelos povos celtas do norte europeu, como oferendas a deidades da água. Será que o tema Excalibur poderia ser derivado dessas práticas Celtic de oferendas a deusas das águas , talvez com a esperança de restaurar a saúde do rei?
O jovem Arthur retira a espada da bigorna
O conto de Arthur retirando a espada da pedra parece ser um tema totalmente diferente. Não foi a Excalibur que foi puxada da pedra nos romances originais, mas uma outra espada. Malory simplesmente diz que a espada apareceu no pátio da “maior igreja de London”, nas seguintes palavras: ‘Foi visto no pátio da igreja uma grande pedra como de mármore e no meio dela havia como que uma bigorna de aço e nela cravada uma bela espada nua e letras escritas em ouro próximo da espada, que diziam assim: ‘Aquele que arrancar a espada desta pedra e bigorna será, por direito de nascimento, o rei de toda a England”.’ Roberto de Boron foi, na verdade, o primeiro a introduzir este tema que Malory parafraseou posteriormente. Segundo Graham Philips, de Boron pode ter baseado sua concepção em tradições da elite guerreira Celtic que resolvia o assunto em combate toda a vez que uma disputa surgia sobre a eleição de um novo líder da tribo. Tal combate entre os rivais nem sempre seria mortal e como sinal de que o perdedor e os seus aliados se conformariam com a decisão, um símbolo de autoridade era entregue ao vencedor, em geral uma espada consagrada por um sacerdote pagão e colocada sobre um altar durante o duelo. Os guerreiros criam que uma vez que a vitória fosse materializada pelo artefato simbólico, uma maldição cairia sobre quem quer que quebrasse o tratado. Talvez essa pudesse ser a origem da história. De qualquer maneira, sempre poderia haver associações genuínas entre as histórias da espada de Arthur e a história Arthuriana que se originou no início da Idade Média.
Com relação ao Santo Graal – ou o Cálice Sagrado, como é mais conhecido entre nós -, tudo leva a crer que foi uma adição posterior à lenda Arthuriana, pois não guarda qualquer relação com o próprio Arthur. Mais do que isso, parece ter origem muito mais longínqua e ter nascido de um manuscrito árabe descoberto em Toledo, Espanha, muito mais ao gosto das suas origens e das Cruzadas, então em pleno desenvolvimento. Muitos contos árabes foram assim adaptados com heróis medievais substituindo os personagens originais. No caso do Santo Graal, casos há em que os cavaleiros eram Templários, ordem militar em tempo integral, criada na França, no início do século XII, com o objetivo específico de combater pela Cristandade na Terra Santa. Os Templários não eram cavaleiros comuns, mas monges Cistercianos – ordem religiosa católica que seguia estritamente as regras dos Beneditinos - especialmente treinados para combater como Cruzados.
A Távola Redonda do Rei Arthur acolhia os seus cavaleiros agregados e, como seu nome sugere, não possuía cabeceira, propositalmente, para demonstrar a igualdade de status entre eles, assim evitando disputas entre seus nobres, nenhum dos quais aceitaria um lugar inferior aos demais. Seu simbolismo desenvolveu-se com o tempo até que ao final do século XII representava a ordem cavalheiresca associada à corte de Arthur, os “Cavaleiros da Távola Redonda”.
A Távola Redonda apareceu pela primeira vez no Roman de Brut, de Wace, uma adaptação em língua Norman da Historia Regum Britanniae, de Geoffrey of Monmouth, concluída em 1155 e baseada em representações prévias do fabuloso séquito de Arthur. Layamon, quando adaptando o trabalho de Wace em sua obra Middle English Brut (Brut da Idade Média English), do início do século XIII, adicionou à história o fato de que uma disputa entre os vassalos de Arthur havia conduzido à violência numa festa em Yuletide. Como solução para evitar futuras disputas, um carpinteiro Cornish (da Cornwall) construiu uma enorme, embora facilmente transportável, mesa redonda. Wace afirma não ser a fonte da Távola Redonda, creditando-a aos Bretons, do que alguns estudiosos discordam enquanto outros aceitam. Há alguma semelhança entre a descrição dos cronistas da Távola Redonda e um costume registrado em histórias Celtic, em que guerreiros sentavam-se ao redor do rei ou guerreiro líder, algumas vezes brigando pela ordem de precedência.
A Távola Redonda pendurada no Great Hall de Winchester Castle, com o Rei Arthur e os nomes dos Cavaleiros
Embora a Távola Redonda não seja mencionada antes de Wace, o conceito de que Arthur teria uma corte maravilhosa constituída por muitos guerreiros proeminentes é muito mais velha. Geoffrey diz que, após o estabelecimento da paz pela Britain, Arthur teria “aumentado o seu séquito pessoal convidando homens muito distinguidos de reinos distantes para juntar-se a ele”. O código de nobreza, tão importante em romances posteriores, também surge, como salienta Geoffrey ao dizer que Arthur estabeleceu “tal código de cortesia em sua família, que acabou por inspirar as pessoas que viviam longe, a imitá-lo. Muito antes de Geoffrey, a corte de Arthur era bem conhecida dos contadores de histórias Welsh; no romance Culhwch and Olwen, escrito cerca de 1100, o protagonista Culhwch invoca os nomes de 225 indivíduos afiliados a Arthur. De fato, a fama do séquito de Arthur tornou-se tão proeminente na tradição Welsh que em adições posteriores às Welsh Triads, a fórmula “Corte de Arthur” nos títulos das tríades ultrapassou a fórmula mais antiga “Island of Britain”. Embora o código de nobreza, crucial aos romances continentais posteriores que trataram da Távola Redonda, estivessem ausente do material Welsh, algumas passagens de Culhwch and Olwen parecem prenunciá-lo, por exemplo, quando Arthur explica o caráter de sua corte, dizendo: “somos nobres enquanto somos buscados como tal: quanto maior a generosidade que entregamos, maior a nossa nobreza, fama e honra”.
Embora nenhuma Távola Redonda apareça nos textos Welsh antigos, Arthur é associado com vários itens de mobília doméstica por toda a Britain a partir do século XII, com vários marcos sendo nomeados: “Cadeira de Arthur”, “Forno de Arthur” e “Quarto de Dormir de Arthur”. O anfiteatro romano, ainda visível, em Caerleon, tem sido associado com a Távola Redonda e sugerido como possível fonte para a lenda. Em 2010, após descobertas arqueológicas em ruínas romanas em Chester, alguns escritores sugeriram que o Anfiteatro Romano de Chester era o modelo original da Távola Redonda, mas a “English Heritage”, atuando como consultora ao documentário da “History Channel” em que a afirmação foi feita, declarou não haver base arqueológica para a história.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

UMA PEQUENA HISTÓRIA DA INGLATERRA CONTADA POR UM GAÚCHO DE PORTO ALEGRE, DESCENDENTE DE PORTUGUESES E RESIDENTE EM GRAMADO - LINHA TEMPORAL BRITÂNICA (2) (Quinta Parte)

2500 AC
Começa a surgir o trabalho em metal com melhoria na tecnologia de fornos
Seguindo a introdução da cerâmica dois milênios antes, o aparecimento do trabalho em metal foi outro importante passo tecnológico no controle do calor e na produção de temperaturas cada vez maiores, através do uso de pequenas fornalhas e foles de couro. O mais primitivo trabalho de metal britânico foi feito de puro cobre, bronze ( liga com percentagem muito maior de cobre e pouco estanho) ou ouro. O ouro era usado para ornamentos e jóias; bronze e cobre eram usados para pontas de lanças, machados, facas e adagas.

2500 AC – 1500 AC
O desenvolvimento dos machados de bronze conduz aos avanços nas técnicas de trabalho em madeira.
O conhecimento do trabalho em madeira, na Idade do Bronze, cresceu muito, recentemente, graças ao descobrimento de importantes locais alagados por toda a Britain e Ireland, já que os locais inundados preservam a madeira por séculos. A madeira foi o principal material de construção da Idade do Bronze e a introdução dos machados de metal foi o maior avanço tecnológico. Originalmente acreditava-se que os machados de bronze substituíram a pedra de forma gradual e num período de vários séculos; evidência recente sugere que este processo foi bastante rápido.

2500 AC – 800 AC
Os trabalhos de metal tornam-se crescentemente sofisticados
O início da Idade do Bronze (2500-1500 AC) viu a produção regular de trabalhos de metal mais sofisticados, consistindo, principalmente, de machados, adagas e pontas de flecha endentadas, conectadas à haste por um dente.
O trabalho com pederneira continua a despeito do desenvolvimento das ferramentas de metais
A introdução das ferramentas de metal, em torno de 2500 AC, não conduziu ao súbito abandono da pederneira como material para confecção das ferramentas leves do quotidiano. Ao final do Neolítico (final da Idade da Pedra), a britagem da pederneira mudou de longas lâminas para flocos mais curtos que eram afiados e fortes. Em torno de 1500 AC houve outra mudança, dessa vez em direção aos implementos para furação e perfuração no trabalho com osso e couro. Essa tradição pode muito bem ter continuado pelo início da Idade do Ferro.

2400 AC – 2200 AC
“Especialistas” criam a cerâmica “beaker” altamente decorada
A cerâmica era provavelmente produzida domesticamente; o aparecimento do trabalho com metais e novas formas altamente decoradas de recipientes para beber, chamados pelos arqueologistas de “beakers”, indicam a presença de especialistas na Britain. Provavelmente, os primeiros fabricantes dessa cerâmica vieram do continente, mas após um curto intervalo, eles tornaram-se locais.

2300 AC
“Amesbury Archer” morre perto de Stonehenge
Uma escavação de 2003 em Amesbury, Wiltshire, descobriu o corpo de um homem e cerca de 100 artefatos, incluindo facas de cobre, ornamentos de cabelo de ouro, vasos de cerâmica altamente decorados e muitas pontas de flecha de pederneira. Análises dos seus dentes mostraram que ele se criou na Europa Central. Indivíduos encontrados em dois outros túmulos próximos, do mesmo período, provavelmente teriam vindo do Wales Ocidental. Estas descobertas mostram que as viagens longas formaram uma importante parte da vida e crença do início da Idade do Bronze.

2049 AC
'Seahenge' é construída na costa de Norfolk.
Em 1998 uma pequena elipse com 55 postes de carvalho, circundando um grande carvalho invertido, foi descoberta em Holme-Next-The-Sea. Cerca de 50 diferentes machados de bronze foram usados e lascas de madeira encontradas dentro dos buracos dos postes, mostraram que as madeiras haviam sido trabalhadas no local, provavelmente como parte de um esforço comunal.

2000 AC – 1400 AC
Líderes da elite são enterrados com elaborados pertences mortuários.
Uma série de enterros de indivíduos sob aterros circulares e com pertences funerários elaborados, incluindo cerâmica funerária especial, adagas de bronze e cobre e objetos de ouro e âmbar, foram descobertos no Século XIX na área de Wessex e então no Século XX, próximo de Norfolk. Há fortes paralelos com a Bretanha, na França, sugerindo contato regular entre as duas áreas.

2000 AC
O “Lockington Gold Hoard” é enterrrado em Lockington, Leicestershire, UK.
Uma escavação de 1993 em Leicestershire revelou um pequeno cemitério contendo uma vala com vários objetos pertencentes ao início da Era do Bronze – Lockington Gold Hoard. Essa descoberta foi importante por mostrar que objetos ricos dessa espécie não ficaram confinados a Wessex e entornos de Stonehenge como se acreditava então.

1800 AC
São escavadas as primeiras minas de cobre em escala industrial.
Estima-se que o Mount Gabriel (County Cork, Ireland) produziu em torno de 370 toneladas de cobre e Great Orme (ao norte de Wales) de 175 a 235 toneladas.

1500 AC – 1200 AC
Surgem armas e ornamentos mais sofisticados de metal.
Na média Idade do Bronze, formas menores de machados começaram a surgir junto com as lanças de pontas encaixadas às hastes. Armas mais confiáveis, como punhais e pequenas espadas, começaram a surgir, bem como elaborados broches e braceletes de bronze.

1500 AC – 800 AC
As práticas cerimoniais mudam à medida que as novas idéias religiosas se desenvolvem.
Após 1500 AC, os túmulos em cemitérios circulares foram sendo substituídos por cremação em cemitérios.
Machados mais leves, com soquetes, provam ser ferramentas mais efetivas para trabalhos em madeira.
Antes de 1970 os machados mais leves, encaixados à haste através de um buraco, eram vistos como funcionalmente ineficientes; entretanto, evidência recente de madeiras preservadas e hastes completas, têm mostrado que eram ferramentas efetivas e adaptáveis, com as hastes pesadas e bem balanceadas compensando a leveza relativa da cabeça dos machados.
As planícies dos vales principais são extensivamente povoadas.
Este foi o período em que começou a diferenciar-se a cerâmica do final da Idade do Bronze daquela da Idade do Ferro.

1200 AC – 800 AC
A produção de objetos de metal aumenta e se diversifica rapidamente.
As inovações principais foram os machados menores encaixados e as espadas com lâminas afiadas para cortar.
A cultura céltica e os reinos tribais começam a emergir.
A nova estrutura social, surgida com as alterações na religião e nos cerimoniais de enterros, e que persistiu através da Idade do Ferro, foi rotulada como “Céltica”. É provável que as elites controladoras do final da Idade do Bronze compreendessem uma proporção maior da sociedade e pode ter sido centrada sobre uma “aristocracia guerreira”. Esse foi o período em que numerosas tribos da Britain começaram a combinar-se em grupos maiores que se tornaram os chamados reinos tribais da Idade do Ferro.
A casa redonda torna-se a estrutura doméstica típica.
As casas da Idade do Ferro, diferentemente das do final da Idade do Bronze, não possuíam os postes internos para suporte do telhado, cujo peso era suportado pelas paredes.

IDADE DO FERRO
800 AC – 43 DC

800 AC – 700 AC
Os primeiros fortes de Colinas são construídos.
Originados ao final da Idade do Bronze (1000 AC – 800 AC), os fortes de colinas do início da Idade do Ferro são encontrados por uma enorme área das Ilhas Britânicas. Muitos foram usados de forma pouco freqüente e podem ter sido locais de encontros e armazenamento de alimentos sazonais ao invés de povoações habitadas permanentemente.

700 AC – 500 AC
A tecnologia do trabalho com ferro se difunde.
Objetos de ferro datando do sexto ou até sétimo século AC são conhecidos na England, Scotland e Wales, mas a ampla adoção do ferro somente se tornou comum durante o quarto século AC.

700 AC – 43 AC
Pequenos assentamentos para cultivo, com malhas de campos começam a se desenvolver.
Uma economia mista de exploração agrícola é sugerida por vestígios de gado, ovelhas e porcos e o processamento de cereais incluindo trigo, cevada e aveia. Colheitas de cereais e criação de animais domésticos, melhoradas, foram desenvolvidas e introduzidas durante a Idade do Ferro.

500 AC – 100 AC
O panorama britânico torna-se dominado por fortes de colinas.
Pelo quarto século AC, muitas partes da Britain foram dominadas pelos fortes de colinas. Em algumas delas, como no centro-sul da England e as fronteiras Welsh, eles eram muito grandes com fortificações e entradas complexas. Muitos desses locais tiveram populações consideráveis e atuaram como centros de serviços para uma população rural crescente.

500 AC – 0
Os primeiros “brochs” ou torres de pedras são construídas na Scotland.
Os primeiros “brochs” datam de 500 – 200 AC e eram ainda ocupados no primeiro milênio DC. Eram construídos com duas paredes concêntricas de pedra seca de modo a criar uma torre oca. Entre as paredes ficavam as galerias e escadarias que conduziam aos níveis superiores. Os pisos superiores de madeira provavelmente constituíam o principal espaço para moradia e o piso térreo era usado como um seguro armazém para os rebanhos.

330 AC
Pytheas de Massalia circunavega a Britain.
Pytheas de Massalia (hoje Marseille, a mais velha cidade da França, fundada por gregos), um mercador e explorador grego, circunavegou as Ilhas Britânicas entre 330 e 320 AC e produziu o seu primeiro registro escrito. Ele descreveu os habitantes como habilidosos plantadores de trigo, usualmente pacíficos, mas formidáveis na guerra quando usavam os carros puxados por cavalos.

300 AC – 0
As vilas do lago Sommerset Levels, de Glastonbury e Meare, são construídas.
Esses povoamentos, sobre grandes plataformas de madeira, foram construídos sobre a borda de uma área de charco e água hoje extinta. Escavações recuperaram milhares de artefatos de madeira e outros materiais orgânicos que raramente sobrevivem em povoamentos de área seca. Na Northern Ireland, , Scotland e Wales, povoamentos menores a beira de lagos, chamados “crannogs” são conhecidos e sobreviveram até o período Romana e ainda após.

200 AC – 000 DC
Ferreiros de ouro e bronze altamente especializados criam objetos decorativos.
Muitos desses itens foram deliberadamente enterrados ou colocados em rios e lagos, provavelmente como oferendas religiosas.

100 AC
Pela primeira vez as moedas são produzidas e usadas.
As primeiras moedas encontradas na Britain eram de ouro e foram cunhadas na França. Cerca de 80-60 AC começaram a ser produzidas na Britain e em torno de 20 AC eram usadas no sudeste da England. As moedas começaram a portar nomes de governantes, algumas tinham a palavra Rex (rei em latim) e algumas o nome onde eram cunhadas, sugerindo um crescente nível de capacidade para ler e escrever o latim. Na idade do Ferro as moedas foram produzidas ao norte da England, Wales, Scotland e Ireland.

FINAL DO VERÃO DE 55 AC
O general romano Julius Caesar invade o sudeste da England.
Após a conquista da Gália (moderna França e Bélgica), Julius Caesar atravessou o English Channel com duas legiões – em torno de 10.000 homens – provavelmente para desenvolver o reconhecimento e enviar aviso aos British aliados de tribos gaulesas. As tribos locais reagiram à sua chegada na praia de Deal, próximo de Dover, mas seus carros de guerra foram repelidos e eles buscaram por uma trégua. Caesar retornou ao continente para o inverno após o mau tempo ter danificado sua frota e impedido de chegar os reforços de cavalaria.

VERÃO DE 54 AC
Julius Caesar lança uma invasão em grande escala à England.
Julius Caesar invade a Britain pela segunda vez com 5 legiões e vence uma série de batalhas antes que sua frota, em Deal, uma vez mais, fosse destruída pelas tempestades. Esse atraso permitiu aos British se reagruparem sob o comando de Cassivellaunus, líder da tribo Catuvellauni. Ele promoveu uma efetiva guerra de guerrilha antes que a traição promovida por tribos rivais permitisse a vitória de Caesar. Uma rebelião iminente na Gália o forçou a retirar-se para nunca mais voltar. As primeiras duas invasões de Cesar à Inglaterra foram de natureza exploratória apenas e nunca pretenderam absorver a Britain à esfera romana.

VERÃO DE 52 AC
O renegado líder gaulês Commius, que fugiu para a Britain, funda um novo reino.
Commius, líder da tribo gaulesa Atrebates, abandona a Gália e torna-se rei da tribo Atrebates da England central-sul, com capital em Silchester (próximo de Reading). Lá ele cria sua própria cunhagem, cujos primeiros exemplos datam de 30 AC. Commius havia sido um aliado de Roma e havia acompanhado Julius Caesar em suas duas expedições à Britain. Ele juntara-se à revolta gaulesa sob o commando de Vercingetorix em 52 AC e abandonou a Gália após uma segunda revolta perdida no ano seguinte.

50 AC – 43 DC
Surgem povoamentos muito grandes, conhecidos como “oppida”.
As povoações conhecidas como 'oppida’ (do latim, significando um centro administrativo) eram em geral locais muito amplos, algumas vezes definidos por rios ou longas valas e diques. Muitas são associadas com centros de poder tribal, comércio com o mundo romano e ricos enterros. Os exemplos incluem Colchester, St Albans e Silchester, ao sul da England. Ao tempo da invasão romana, elas podiam ser encontradas tão longe ao norte quanto Stanwick, em Yorkshire. Nenhuma ‘oppida’ foi encontrada na Scotland, em Wales e na Northern Ireland.

VERÃO DE 27 AC
O imperador romano Augustus planeja a invasão da Britain.
Buscando fronteiras seguras para o seu império, Augustus desenha os planos para uma invasão à Britain mas não os concretiza atendendo às súplicas dos reis British Dumnobellaunus e Tincommius. Com isso as relações entre Roma e Britain permanecem boas pelas duas gerações seguintes, com evidência de que Roma mantinha um saudável comércio com os Britons.

20 AC – 43 DC
A influência romana cresce ao sul da Britain.
A partir de 20 AC o comércio se intensifica em locais como Colchester, St. Albans e Sichester, que exportam cerâmica, vinho e trabalhos com metais aos romanos, deles importando escravos, grãos, cães de caça e metais preciosos. É possível que algumas tribos do sudeste tenham desenvolvido relações diplomáticas com o início do império romano de Augustus e seus sucessores imediatos.

5 DC
Roma reconhece Cymbeline, rei dos Catuvellauni, como rei da Britain

INVERNO DE 9/10 DC
Cunobelinus torna-se rei da tribo Catuvellauni.
Liderando essa tribo por 30 anos, conquistou um imenso território. Seu nome aparece em moedas cunhadas em Colchester e St. Albans e é descrito pelo historiador romano Suetonius como “Rei dos Britons”. Seu território central era Hertfordshire, mas veio a controlar grande parte da East Anglia e o sudeste da England.

INVERNO DE 39/40 DC
Desenvolve-se uma crise na corte de Cunobelinus.
Um conflito de sucessão eclodiu no trono do enfermo Cunobelinus. Adminius, o filho mais jovem do rei, foi exilado e fugiu para a corte do imperador romano Calígula. Seus irmãos mais velhos, Caratacus e Togodumnus, ficaram com o controle dos extensos territórios tribais que se espalhavam pela maior parte da East Anglia e o sudeste da England.

VERÃO DE 40 DC
O imperador romano Calígula planeja uma invasão à Britain.
Tendo liderado o Império Romano de 37 a 41 DC, Calígula, por sua megalomania, tornou difícil ver com clareza fatos objetivos da campanha. Possivelmente ele pretendia o prestígio da conquista da Britain, algo que Julius Caesar não obteve, mas o exército recusou-se a prosseguir e a invasão foi abandonada.

VERÃO DE 42 DC
Verica, rei dos Atrebates, apela a Claudius para ajudá-lo a reconquistar seu trono.
Na expansão do território herdado, Caratacus e Togodumnus penetraram terras de seus vizinhos tribais, empurrando Verica, o rei dos Atrebates, para fora da Britain sul-central que acabou procurando refúgio em Roma. Como um “rei cliente” de Roma, procurou o apoio do Imperador Claudius numa proposta de reivindicação do seu trono. Foi o pretexto para a invasão romana da Britain no ano seguinte.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

UMA PEQUENA HISTÓRIA DA INGLATERRA CONTADA POR UM GAÚCHO DE PORTO ALEGRE, DESCENDENTE DE PORTUGUESES E RESIDENTE EM GRAMADO (Primeira Parte)

INTRODUÇÃO

O título da postagem foi proposital e jocosamente escolhido, com o objetivo antecipado de, claramente, demonstrar que não possuo qualquer pretensão de escrever um tratado sobre a Inglaterra, por razões óbvias, que nem sequer necessitam ser arroladas. A origem dessa postagem, como da maioria de todas as anteriores e, possivelmente, de muitas das que se seguirão, é a ignorância do próprio autor. Eu possuo o hábito de pesquisar sobre o assunto tratado em qualquer livro, ou publicação em geral, que leio, visando aprofundar o meu conhecimento sobre a matéria ou suas partes; isso inclui a região onde se desenvolve a história, o autor da matéria, um personagem abordado etc.
Nesse caso específico, a explicação do motivo que me levou a escrever essa matéria é muito mais necessária, porque preciso justificar a amplitude da pesquisa e a superficialidade com que será tratado o assunto; com isso trato também de justificar, antecipando-me às críticas que certamente ocorrerão, as lacunas e imprecisões que certamente existirão. Portanto, os leitores já devem estar prevenidos de que esta matéria não deverá ser encarada como um manual de pesquisa sobre a história da Inglaterra, mas visou, fundamentalmente, a satisfação das minhas necessidades pessoais.
Tudo teve início quando comecei a interessar-me pela saga Arthuriana e seus cavaleiros da "távola redonda". Especificamente, ao concluir a leitura do volume "Idylls of the King", de Alfred, Lord Tennyson, considerado um dos cem maiores livros do mundo, assunto já abordado em uma das minhas postagens. Alfred, Lord Tennyson, foi um autor inglês, nascido em 1809 e falecido em 1892, considerado o principal representante da época vitoriana, na poesia. A obra contém doze poemas narrativos em versos brancos, que contam os feitos de vários cavaleiros, incluindo Lancelot, Geraint, Galahad, Balin e Balan, Merlin e a Dama do Lago. Há uma pequena transição entre os idílios, mas a figura central de Arthur liga todas as histórias.
Tendo já lido outras obras sobre o mesmo assunto, visto filmes, acompanhado discussões sobre lenda ou história, comecei a interessar-me pela figura do Rei Arthur e parti para a pesquisa. E a primeira constatação foi a de que há uma séria dúvida sobre esse personagem, mesmo entre os ingleses pesquisadores e muita relação, documentada, entre a lenda arthuriana e a história da Inglaterra. Como é natural, à medida que a pesquisa prosseguia, tanto mais ampla e profunda ela se tornava e decidi então a escrever, não mais sobre o Rei Arthur, mas sobre a própria Inglaterra. Tarefa árdua, a começar pelo fato de que o país tem uma história que se confunde com o tempo, ao contrário do nosso, descoberto em 1500 DC.
Em vista disso, adotamos a estratégia de apresentar a postagem em capítulos e, além disso, dividir a narrativa em quatro grandes grupos que serão descritos e mencionados, durante as várias postagens. Esta primeira postagem corresponde apenas a uma introdução ao assunto, mas uma introdução muito necessária para que todos entendam o que seguirá.
Numa primeira grande seção, apresentarei uma espécie de terminologia da área geográfica envolvida e dos povos que tomaram parte nas origens da formação do atual povo inglês. Há muita confusão sobre a terminologia da geografia da Ilha e ainda muita controvérsia sobre as diferentes raças que contribuíram para o caldeirão da raça inglesa.
A seguir, apresentarei uma linha temporal macroscópica da história da Inglaterra, para que se tenha, de imediato, um grande conjunto das várias épocas pelas quais este país transitou, antes de nos determos na sua história detalhada, propriamente dita.
Iniciaremos então a história da Inglaterra, propriamente dita e, na hora oportuna, introduziremos um capítulo especial que é a razão primeira da nossa pesquisa, inteiro e detalhadamente dedicado ao Rei Arthur.
Preparem-se, pois se o trabalho de pesquisar e escrever será árduo, a minha "vingança" será o trabalho a ser dedicado em sua leitura ... pelos leitores.
Eu quero dedicar este trabalho - sem o seu conhecimento, será uma surpresa -, a uma pessoa que conheci através das minhas publicações e que acabou por tornar-se uma assídua seguidora deste blog. Mais do que isso, uma ferrenha incentivadora das minhas publicações, não permitindo, de forma alguma, a minha ociosidade. Foi por ela que tomei a decisão de iniciar a publicação deste artigo num momento de longa inatividade literária, motivada por outros afazeres que me absorveram totalmente. À minha querida amiga Gilda Silveira Souto, das bandas do Alegrete. 

terça-feira, 23 de março de 2010

UM POUCO DA HISTÓRIA DOS HEBREUS - PARTE IV (ÚLTIMA)

A partir daí, o cronista bíblico concentra-se no relato da história de um dos filhos de Jacó, especificamente José ou José do Egito, como ficou conhecido. Ele foi o décimo primeiro filho de Jacó, nascido de Raquel, citado no livro do Gênesis, do Antigo Testamento, considerado o fundador da Tribo de José, constituída, por sua vez, pelas semi-tribos de Efraim e de Manassés (seus filhos). José teria sido o filho preferido de Jacó, apesar de não ser o seu primogênito (mas o primeiro filho de Raquel, a mulher que mais amava) e nunca escondeu a sua posição de superioridade, em relação aos outros irmãos, que se ia manifestando através de sonhos em que a sua figura tomava sempre um lugar de destaque e liderança. O favoritismo de que era alvo, por parte do pai, valeu-lhe a malquerença dos irmãos, que o venderam como escravo, por 20 moedas de prata, a mercadores ismaelitas, que o levaram ao Egito do período da XVII dinastia (faraós hicsos).
No Egito, José foi comprado por Potifar, oficial e capitão da guarda do rei, de quem conquistou a confiança e tornou-se o mais diligente dos criados e adimistrador da casa, após estudar com um escriba e aprender o egípcio antigo. Sofreu acusação injusta de tentativa de abuso da mulher do seu amo, após tentativa frustada de sedução por parte desta e por isso foi preso. Na prisão, tornou-se conhecido como intérprete de significado dos sonhos e decifrou o sonho dos copeiro-chefe e padeiro-chefe do palácio do Faraó Apopi I, presos e acusados de conspiração. Segundo a interpretação de José, o sonho do padeiro-chefe indicava que ele seria enforcado e o do copeiro-chefe que seria salvo, o que de fato ocorreu. Um dia, o Faraó teve um sonho em que sete vacas magras comiam sete vacas gordas e mesmo assim continuavam magras. Ele convocou todos os sacerdotes do Egito para decifrá-lo, mas nenhum deles conseguiu. José foi então chamado e interpretou o sonho do Faraó como se o Egito fosse passar por sete anos de fartura e sete anos de seca. Satisfeito com a interpretação dada por José, o Faraó o nomeia Adon do Egito, um cargo semelhante a chanceler, embora algumas versões da bíblia mencionem a palavra Governador. José, então, ordena a construção de celeiros para armazenar a produção do Egito durante os anos de fartura. Com isso ele conseguiu, não apenas evitar a fome em sua região, como vender, na época da seca, alimento a preço de ouro à região do Alto Egito, assim desastabilizando a situação política do grande adversário (Taá II, apoiado pela casta religiosa do Baixo Egito) do seu Faraó. O Faraó deu a José, por esposa, a filha de um sacerdote egípcio, da qual lhe nasceram dois filhos: Manassés e Efraim, que não prestavam culto ao Senhor, especialmente Efraim que rapidamente prosperou.
Por causa da fome nos países vizinhos, os irmãos de José, com exceção de Benjamim, seu único irmão por parte de pai e mãe, acabaram por ir ao Egito em busca de suprimentos. Seus irmãos não reconheceram José, que forneceu-lhes os cereais mas fingiu suspeitar de que fossem espiões. Finalmente liberou-os para a partida, mantendo apenas Simão cativo, dizendo-lhes que trouxessem Benjamim como prova de que eram honestos. Jacó, inicialmente, não permite, mas depois concorda que Benjamim acompanhe os irmãos de volta ao Egito. São bem recebidos por José que esconde sua taça de prata na bagagem de Benjamim, simulando um furto. O irmão mais novo é ameaçado de prisão mas os irmãos mostram-se solidários e Judá se oferece para ficar no Egito em lugar de Benjamim. Certo do arrependimento de seus irmãos, José se revela, perdoa a todos e os convida para irem com seus rebanhos ao Egito, onde são assentados e se multiplicam na região mais propícia à criação de ovelhas e cabras. Antes de morrer, Jacó chamou a José e seus filhos e os abençoou. José, o filho predileto de Jacó, praticamente ressuscitado e elevado a um glorioso posto, ainda havia salvo toda a sua família de uma fome calamitosa. Jacó refletiu sobre a maneira como Deus encaminhara as circunstâncias da sua vida e lembrou-se da ocasião em que Deus lhe apareceu novamente, prometendo que faria dele uma multidão de povos e daria a terra de Canaã à sua descendência em possessão perpétua. O plano de Deus permitiu a Jacó não só ver seu filho outra vez, mas também seus netos. Nesta ocasião Jacó adotou como seus filhos diretos os dois filhos de José, que passaram a ter os mesmos direitos que seus próprios filhos. Trazendo seus filhos a Jacó, aquele sobre quem ele colocasse sua mão direita receberia a benção principal. Como profeta de Deus, Jacó sabia que o mais novo, Efraim, teria preeminência sobre seu irmão mais velho: outra vez não seria exercido o direito à primogenitura. Sem saber disso, José colocara Manassés do lado direito de Jacó. Mesmo sem poder ver, pois já havia perdido a visão em sua velhice, Jacó percebeu quem era quem e simplesmente cruzou seus braços para que sua mão direita repousasse sobre Efraim. Jacó faleceu no Egito onde foi mumificado e transportado por José e seus outros filhos para sepultamento em Hebron, com os dois outros patriarcas. Depois de haver sepultado seu pai, José retornou ao Egito com os seus irmãos e todos os que o haviam acompanhado a Canaã e habitou no Egito, junto com a casa de seu pai, tendo conhecido os filhos de seus filhos até a terceira geração. Ao morrer garantiu a seus irmãos a vinda de Deus para conduzi-los à terra que prometeu a Abrahão, Isaque e Jacó; e os fez prometer que o transportariam ao túmulo de seu pai.
Nessa época, vários conflitos civis ocorreram no Egito, terminando com a vitória de Taá II e é muito provável que José tenha morrido em um desses movimentos. No Egito foi embalsamado e colocado em um caixão para ser transportado a Canaã com sua família.
Nesse ponto encerra-se o livro da Gênesis do Antigo Testamento da Bíblia, e inicia-se o Êxodo. A Bíblia omite, em sua narrativa, um longo período após a morte de José e inicia, novamente, num período em que o Faraó reinando no Egito era já outro que não conhecera José. Naquela época a nação israelita havia proliferado enormemente e os mandatários egípcios, temerosos do grande aumento de sua população e do seu poder, haviam-na subjugado à escravidão completa. Malgrado todas as medidas tomadas, a população do povo de Israel crescia em enormes proporções e o Faraó teria então ordenado que todo o menino nascido dos judeus, fosse lançado ao rio para morrer afogado. E surge então a figura de Moisés, filho de um membro da tribo de Levi e sua esposa, que o tendo concebido, para salvar-lhe a vida colocou-o em um cesto nas margens do Nilo. O menino teria sido encontrado pela filha do Faraó que compadeceu-se do menino ao saber que era filho de hebreu e adotou-o, dando-lhe o nome de Moisés. Este cresceu entre os egípcios mas tornando-se adulto e entrando em contato com o povo Hebreu soube de sua origem e iniciou a defesa do seu povo, passando a ser perseguido pelo Faraó; juntou-se novamente a seu povo pelo casamento com uma israelita, filha de pastores.

Em Êxodo, a Bíblia narra como Moisés e seu irmão mais velho Arão (posteriormente sumo sacerdote dos hebreus), lideraram os hebreus das 12 tribos em sua fuga do Egito. Durante a narrativa, as tribos são contadas, e seus líderes e representantes são nomeados, demonstrando um forte senso de individualidade entre as tribos e as meio-tribos de José. À tribo de Levi são designadas as tarefas sacerdotais e os direitos e deveres diferenciados que estas tarefas implicavam. As demais mantiveram-se com os mesmos direitos e obrigações, embora, através do número de membros, algumas tribos já pudessem gozar de alguma superioridade política.
Moisés liderou as 12 tribos pelo deserto da Península do Sinai sem penetrar em Canaã; seu sucessor Josué recebeu a tarefa de coordenar a tomada de Canaã. Para que ocorresse de forma ordenada, a terra de Canaã foi dividida entre cada uma das tribos e meias-tribos, que se encarregaram de conquistá-las, na maior parte dos casos sem o auxílio das demais. Uma das tribos, a de Levi, não recebeu uma porção territorial fixa, mas sim algumas cidades distribuídas por toda a Palestina.

OS HEBREUS
Hebreus significa, etimologicamente, "descendentes do patriarca bíblico Éber", sendo o nome dado ao povo que viveu na região do Oriente Médio a partir do segundo milênio AC, e que daria origem aos povos semitas, como os árabes e os israelitas, antepassados históricos e espirituais dos atuais judeus. Éber, ou Heber, é um dos descendentes de Noé, da linhagem de Sem, e ancestral de Abrahão. Eber, também pode ser interpretado como “do Outro Lado ou do Oriente - além do Rio Jordão -, importante rio da Terra Santa. Entretanto, também etimologicamente, e aí o termo pode vir do de Éber ou da raíz “a-vár”, o termo hebreu significa “passar, transitar, atravessar ou cruzar” e, nesse caso, denotaria “viandantes”, ou seja, aqueles que viajam, tendo em vista que eram descendentes de povos nômades.
Podemos dizer que a história dos hebreus foi dividida em três grandes etapas: governo dos patriarcas, governo dos juízes e governo dos reis.
Na era dos patriarcas os hebreus foram dirigidos pelos patriarcas, líderes políticos encarados como “pais” da comunidade. Como vimos, o primeiro grande patriarca foi Abrahão, segundo o antigo testamento, mesopotâmico, originário de Ur, na Caldéia. Após a saída de Ur, na Mesopotâmia, conduzidos por Abrahão, em direção à Palestina (estreita faixa de terra entre a Fenícia, atual Líbano, e o Egito), os hebreus dividiram-se em tribos, formadas por clãs patriarcais que cultuavam a um único Deus (monoteismo), acreditando ser o povo eleito, de onde Deus escolheria determinados membros do grupo para que estes fizessem com que os planos divinos fossem cumpridos. Os clãs eram construídos por um patriarca e pelos filhos e servos; praticavam uma economia baseada no pastoreio, que evoluiu para a agricultura graças à fertilidade das terras do norte e das zonas montanhosas do sul da Palestina. Os hebreus permaneceram por três séculos na Palestina, até a ocorrência de uma violenta seca que abalou a região.
De Abrahão a liderança foi passada a seu filho Isaque e depois para Jacó, filho de Isaque. Seu nome foi posteriormente alterado para Israel, de onde tiveram origem as doze tribos de Israel.
Quando os hebreus chegaram à Palestina, vindos do Egito, por volta de 1550 AC, conduzidos por Moisés, a região encontrava-se já ocupada. De início, fixaram-se nas regiões localizadas a oeste do mar Morto, mas pouco a pouco ocuparam as margens do Mediterrâneo e as terras do norte da Palestina. Nessa época, todos os hebreus eram julgados pelo Patriarca.
Posteriormente, com o envolvimento do povo judeu em suas guerras pela conquista de Canaã, surgiram os líderes militares, indicados pelas doze tribos de Israel. Que julgavam tudo e todos. Foi o governo ou era dos Juízes, período que se estendeu por cerca de 300 anos, entre a conquista de Canaã (Palestina) e o início da Monarquia. Entre esses chefes, tornaram-se famosos Gideão, Jefté, Samuel e Sansão, conhecido por sua força descomunal.
No século XII AC, os chamados povos do mar, entre eles os filisteus, ocuparam as planícies litorâneas. As constantes lutas entre os dois povos terminaram com a vitória dos hebreus. Os filisteus sempre representaram e nessa época ainda representavam grande ameaça aos hebreus, visto que lutavam pelo completo controle do território da Palestina. No século X AC, a Palestina aproveitou o enfraquecimento dos grandes impérios vizinhos para expandir o seu território. Isso fez com que os hebreus instituíssem a monarquia, como forma de centralização de poder e proporcionar mais força para enfrentar os adversários. O primeiro rei hebreu foi Saul, da tribo de Benjamim, que não teve sucesso ao enfrentar os filisteus e suicidou-se em batalha, com seu escudeiro, ao perceber que não conseguiria derrotar os seus adversários. Seu sucessor Davi, de história bem conhecida, no século XI AC, mostrou grande eficiência nos combates militares, conseguindo vencer os seus inimigos, tornando a nação hebraica forte e estabilizada e expandindo os domínios do seu reino que tinha Jerusalém como capital. Seu filho Salomão o sucedeu em 966 AC, quando ainda muito jovem, ficando conhecido na história pela imensa fortuna e sabedoria que acumulou. Ampliou a participação de Israel no comércio e construiu inúmeras obras públicas – como o famoso Templo de Jerusalém, dedicado a Jeová (Javé).
Com a morte de Salomão, o reino dividiu-se em dois: o Reino de Israel e o Reino de Judá, com as capitais, respectivemente em Samaria e Jerusalém. Com isso o reino original tornou-se vulnerável, sendo invadido pela Babilônia, com Nabucodonosor, em 587 AC e levado a cativeiro que durou até 539 AC, quando foram libertados pelo imperador persa Ciro, o Grande, que apoderou-se da Babilônia, e retornaram à Palestina para a reconstrução do Templo, da cidade e de suas muralhas.
Depois da conquista do Império Persa pelo macedônio Alexandre o Grande, a Palestina foi conquistada pelos greco-macedônios, ficando submetida à influência helenística. Finalmente foram conquistados pelos romanos. Em 70 DC Tito, general romano, destruiu Jerusalém e os hebreus abandonaram a Palestina, constituindo a chamada Diáspora.
Somente em 1948 foi fundado novamente o Estado de Israel, que permanece até hoje em meio a incessantes conflitos com as nações árabes vizinhas.

quinta-feira, 18 de março de 2010

UM POUCO DA HISTÓRIA DOS HEBREUS - PARTE III

A Bíblia relata que teria havido, então, fome na terra prometida de Canaã e que, por causa disso, o Patriarca - e todo o seu acampamento - teria se retirado para o Egito. Ao chegar no país, temendo Abrahão que viesse a ser morto pela beleza de sua mulher, com ela combinou de dizerem aos egípcios que eram irmãos e não casados. O faraó de fato apaixonou-se por Sara, levando-a para o seu palácio e passando a favorecer Abraão. Ainda segundo a Bíblia, Deus teria castigado o rei egípcio, que chamou Abraão e devolveu-lhe Sara, ordenando-lhe que deixassem o país com os seus bens.
A Bíblia narra que Abrahão, juntamente com Sara e seu sobrinho Lot, retornou do Egito para a terra de Canaã, para o mesmo local onde se fixara anteriormente, ao Sul de Betel (provavelmente Salém) e lá tornou-se muito rico. Entretanto, Abraão e Lot resolveram separar-se devido às contendas ocorridas entre os seus pastores por causa do numeroso rebanho que possuíam. Estudos não bíblicos explicam que Abrahão, muito provavelmente, teria interesse em tornar-se um grande líder carismático entre o povo da Palestina.
Ao separar-se do sobrinho, Abrahão deu-lhe a opção da escolha da planície onde estabelecer-se e Lot teria preferido fixar-se na planície do rio Jordão, na região de Sodoma e Gomorra (especificamente no reino de Sodoma) que, antes de destruídas, seria comparada ao Jardim do Éden e ao Egito. Após a separação de Lot, Deus apareceu novamente a Abrahão, confirmando a doação daquelas terras à sua descendência e ordenando-lhe que percorresse a região, em vista do que Abrahão levantou novamente as suas tendas e fixou-se em Hebron, onde edificou um novo altar a Deus. A figura abaixo mostra Israel, a Cisjordânia e a Faixa de Gaza atuais; o acidente geográfico que aparece em preto e branco, praticamente ao centro da foto, é o Mar Morto; o rio Jordão corre praticamente sobre a linha amarela que atravessa o Mar Morto, de cima para baixo (coincidindo com a direção Norte – Sul). Exatamente ao sul do Mar Morto, onde aparecem algumas culturas irrigadas em cor azulada, encontravam-se Sodoma e Gomorra, no então chamado Vale do Sidim; neste vale encontravam-se, na verdade, as cinco cidades ou reinos mencionados baixo.
A Bíblia relata então uma guerra entre nove reinos locais, envolvendo, de um lado, os reinos de Sodoma, Gomorra, Admá, Zeboim e Zoar e, do outro, Elão (governado por Quedorlaomer e a quem os primeiros pagavam tributos e se haviam rebelado) e mais três reinos aliados. Nessa guerra, Sodoma e Gomorra foram finalmente vencidos e Lot levado cativo com todas as suas riquezas. Sabedor disso, Abraão, com apenas trezentos e dezoito homens, lutou contra os inimigos e perseguiu-os até as proximidades de Damasco, libertando Lot, sua família e o povo de Sodoma.
Informações não bíblicas relatam que, após a batalha final, Abrahão manteve-se fiel ao seu monarca Melquisedec e tornou-se o dirigente militar de mais onze tribos vizinhas que pagavam tributos – o chamado dízimo. Abrahão teria fracassado em algumas tentativas de estabelecer alianças diplomáticas com o soberano de Sodoma. Porém, ao conseguir o resultado, formou uma aliança militar estratégica entre o Rei de Sodoma e outros povos de Hebrom. Abrahão tinha mesmo intenção de formar um estado poderoso em toda a Canaã, mas Melquisedc, o sábio rei de Salém, convenceu-o a abandonar a tentativa de formar um reino material e tornar-se aquilo que hoje o seu nome significa – o Pai da Fé. Para persuadi-lo, utilizou a sua aliança, a promessa do seu reino, e tornou-o como sua própria descendência.
Localização de Hebron

Sendo Sara estéril e pretendendendo dar um filho a seu marido, ofereceu sua serva egípcia Hagar para que gerasse o primeiro filho de Abrahão. Hagar então gerou a Ismael, considerado pelos muçulmanos como o ancestral dos povos árabes. O texto bíblico informa que Abraão teria sido pai pela primeira vez aos oitenta e seis anos. E, antes mesmo do nascimento de Ismael, surgiram conflitos entre Hagar e Sara, culminando na sua fuga do acampamento de Abraão. Tendo Hagar fugido da presença de Sara, o Anjo do Senhor apareceu-lhe quando se encontrava junto a uma fonte de água, convencendo-a a retornar, sujeitar-se à sua senhora, prometendo-lhe um futuro grandioso para seu filho.
Aos noventa e nove anos, novamente Deus aparece a Abraão e confirma a sua promessa. Deus ordena que Abrahão e todos os homens de sua casa fossem circuncidados e que toda criança do sexo masculino que nascesse receberia esse sinal ao oitavo dia. É também nesta ocasião que Deus muda os nomes de Abrahão (pai de muitas nações) e de Sara, que até então chamavam-se Abrão e Sarai, com a promessa do nascimento de um filho, Isaque, pondo fim à sua esterelidade. Isaque, herdeiro da Promessa, nasceu no ano seguinte e informações não bíblicas dizem que foi numa cerimônia pública e solene que Abrahão teria apresentado Isaque como o seu primogênito, em Salém. Mesmo com o nascimento de Isaque, os conflitos entre Hagar e Sara continuaram, ameaçando a paz de sua família. Abraão então resolve despedir sua serva junto com o seu filho Ismael. Após o nascimento de Isaque, a história do povo judeu segue então a linhagem do filho legítimo de Abrahão.
Novamente Deus falou com Abrahão e pediu-lhe uma verdadeira prova de fé, determinando que oferecesse seu único filho em holocausto no Monte Moriá, próximo a Salém. Abrahão subiu ao monte em companhia de Isaque. Porém, ao levantar a mão para sacrificar seu filho, foi impedido pelo Anjo do Senhor e encontrou no mato um carneiro que ofereceu em seu lugar.
Segundo a Bíblia, Sara morreu em Hebron, com cento e vinte e sete anos. Abrahão então adquire, de Efrom, a Cova de Macpela, por quatrocentos siclos de prata, considerada a primeira aquisição de uma propriedade do patriarca em Canaã, onde sempre viveu como um peregrino em busca de melhores pastagens para o seu rebanho. A sepultura adquirida é, posteriormente, utilizada pelo patriarca e por seus descendentes.
A Gênesis narra então que Abrahão enviou o seu servo Eliezer à Mesopotâmia para trazer uma esposa para seu filho Isaque, entre os seus parentes. Eliezer, ao chegar à cidade de Naor, encontra Rebeca, filha de Betuel e irmã de Labão, que consente em ir com Eliezer ao encontro de Isaque, seu primo.
Abrahão morre com cento e setenta e cinco anos e é sepultado na Cova de Macpela por Isaque e Ismael, ao lado de Sara. Tudo o que possuía deixou de herança para Isaque, filho de Sara, que possuía o status de esposa.
Isaque teve por única esposa, sua prima Rebeca e orou insistentemente ao Senhor por sua mulher, que era estéril. O Senhor ouviu as suas orações e disse a Rebeca que ela trazia em seu ventre duas nações. Rebeca teve dois filhos, Esaú e Jacó (gêmeos, tendo Esaú nascido antes). O filho mais velho, Esaú, era o favorito do pai e teria o direito às bênçãos de Deus por ser o primogênio. Mas Jacó, com a ajuda da mãe, de quem era favorito, enganou seu pai, muito velho e quase cego, e apresentou-se a Isaque como seu filho mais velho, recebendo assim a bênção paterna no lugar de seu irmão Esaú. Após isso os dois brigaram e separaram-se, permanecendo Jacó como herdeiro da tradição hebraica. Esaú, por sua vez, daria início à história dos povos árabes.
Jacó ou Jacob, traduzido como "aquele que segura pelo calcanhar", também conhecido como Israel, "aquele que luta com Deus", foi o terceiro patriarca da bíblia. Sua história ocupa vinte e cinco capítulos de Gênesis. Jacó teve doze filhos e uma filha de suas duas mulheres, Léia e Raquel, e de suas duas concubinas, Bila e Zilpa: Rúben, Simeão, Levi, Judá, Dã, Naftali, Gade, Aser, Issacar, Zebulom, José e Benjamim e Diná. Seus filhos homens deram origem às Doze Tribos de Israel.
Tribos de Israel é o nome dado às unidades tribais patriarcais do Antigo Povo de Israel que, de acordo com a tradição judaico-cristã, teriam se originado dos doze filhos homens de Jacó, filho de Isaque e neto Abrahão. As doze tribos teriam o nome de onze dos filhos de Jacó. José não teve uma tribo. A tribo restante recebeu o nome dos filhos de José, abençoados por Jacó como seus próprios filhos, Manassés e Efraim. Em consequência, os nomes das tribos são: Rúben, Simeão, Levi, Judá, Zebulom, Issacar, Dã, Gade, Aser, Naftali, Benjamim, Manassés e Efraim. Apesar desta suposta irmandade as tribos não teriam sido sempre aliadas, o que ficaria manifesto na cisão do reino após a morte do rei Salomão. Com a extinção do Reino de Israel ao norte, nove das doze tribos desapareceriam e a determinação do seu destino é até hoje objeto de debate. As tribos restantes (Judá, Benjamin e Levi constituiriam o povo hoje chamado de judeu.

terça-feira, 16 de março de 2010

UM POUCO DA HISTÓRIA DOS HEBREUS - PARTE II


REGISTROS DA HISTÓRIA DE ABRAHÃO
Abrahão é citado no livro de Gênesis como a nona geração de Sem, um dos filhos do patriarca Noé, sobrevivente das águas do Dilúvio. Segundo a Bíblia, a mais provável procedência de Abraão seria a cidade de Ur dos Caldeus, onde seus irmãos também teriam nascido.
Ur era uma cidade da região da Mesopotâmia, localizada a cerca de 160 km da grande Babilônia, junto ao rio Eufrates, habitada na Antiguidade pelos caldeus e que, de acordo com o livro de Gênesis (Bíblia, Antigo Testamento), teria sido a terra natal do patriarca dos hebreus, Abrahão; era considerada também a maior cidade de sua época. O maior representante de lideranças em Ur tinha o nome de Ur-Nammu, e ficou conhecido por ter criado o primeiro código de leis de que se tem notícias; seu código vigorou por 300 anos, quando então foi substituído por aquele que é considerado como o pai de todos os códigos: o código de Hamurabi.
A Mesopotâmia, nome de origem grega que significa "entre rios", é uma região de interesse histórico e geográfico mundial. Trata-se de um planalto de origem vulcânica localizado no Oriente Médio, delimitado entre os vales dos rios Tigre e Eufrates, ocupado pelo atual território do Iraque e terras vizinhas. Os dois rios desembocam no Golfo Pérsico e a região é toda cercada por desertos. Inserida na área do chamado Fértil Crescente - de Fértil Lua Crescente, exatamente pelo fato de ela ter o formato de um Quarto Crescente e de ter um solo fértil -, uma região do Oriente Médio excelente para a agricultura, exatamente num local onde a maior parte das terras vizinhas era muito árida para qualquer cultivo. A Mesopotâmia tem duas regiões geográficas distintas: ao norte, a Alta Mesopotâmia ou Assíria, uma região bastante montanhosa, desértica, desolada, com escassas pastagens; ao Sul, a Baixa Mesopotâmia ou Caldéia, muito fértil em função do regime dos rios, que nascem nas montanhas da Armênia e desaguam separadamente no Golfo Pérsico.
A Caldeia era uma subregião ao sul da Mesopotâmia, principalmente na margem oriental do rio Eufrates; muitas vezes o termo é usado para se referir a toda a planície mesopotâmica. A Caldéia é uma vasta planície formada por depósitos do Eufrates e do Tigre, estendendo-se a cerca de 250 quilômetros ao longo do curso de ambos os rios, e cerca de 60 quilômetros em largura. Seus habitantes, os Caldeus, foram uma tribo (acredita-se que tenham emigrado da Arábia) que viveu no litoral do Golfo Pérsico e se tornou parte do Império da Babilônia.
A Babilônia foi a capital da antiga Suméria e Acádia, duas outras subregiões da Baixa Mesopotâmia, hoje no moderno Iraque, aproximadamente a 80 km ao sul de Bagdá. O nome (Babil ou Babilu em babilônico) significa "Porta de Deus", mas os judeus afirmam que vem do Hebraico Antigo, Babel, que significa "confusão", numa referência à bíblica “Torre de Babel”.

Na figura pode-se ver, no iluminado maior, o Império da Babilônia em torno de 1750 AC; a região da Mesopotâmia segue esse contorno, mas é bem mais ampla, circundando totalmente os vales dos Rios Tigre e Eufrates; no iluminado menor e mais forte, o Império da Babilônia em 1792 AC, com a capital ao centro; a cidade-estado de Ur encontra-se um pouco mais a sudeste, próximo ao Golfo Pérsico.

Abrahão, já aos catorze anos de idade, ainda residindo em Ur com sua família, teria começado a compreender que os homens da terra haviam se corrompido com a idolatria, adorando as imagens de escultura. Então Abrahão não aceitou mais adorar ídolos com o seu pai Terah e orava a Deus, pedindo-lhe que conservasse a sua alma pura do erro dos filhos dos homens e também a de seus descendentes. Abrahão casou-se com Sara, aos 49 anos de idade e contava com 60 anos quando ocorreu a morte trágica de seu irmão Harã, o pai de Lot. Após a morte de Harã, Terah teria tomado sua família e organizado uma expedição para fixar-se em Canaã. Contudo, ao chegar numa localidade que veio a receber o mesmo nome do filho falecido, Terah ali permaneceu, até a idade de duzentos e cinco anos, quando morreu.
Canaã é a antiga denominação da região correspondente às áreas ocupadas pelo atual Estado de Israel, da Cisjordânia, da Jordânia ocidental, sul da Síria e sul do Líbano. Comparada aos desertos circundantes, a terra de Canaã era uma terra de fartura, onde havia uvas e outras frutas, azeitonas e mel, daí ter sido vista por Abrahão como a "terra prometida onde corre leite e mel" (ao lado, a Canaã Patriarcal).
O longo êxodo dos hebreus teria durado muitas décadas, até que os descendentes de Abraão alcançaram Canaã, que passou então a ser por eles denominada Terra de Israel. De acordo com a Bíblia, o nome Canaã é alusivo ao filho de Cam e neto de Noé, ao qual se atribui a origem dos cananeus, conforme relato de Gênesis, Capítulo 10. Após o Dilúvio, Cam teria se deparado com Noé embriagado e visto a sua nudez em sua tenda e contado o fato a seus irmãos, em vez de cobrir o pai (Gênesis 9). Quando recobrou a consciência, Noé amaldiçoou o filho de Cam, Canaã, referindo-se a ele como o "servo dos servos" (Gênesis 9:25) e disse: “Maldito seja Canaã; seja servo dos servos de seus irmãos". Segundo uma certa linha de interpretação, ao proferir tais palavras, Noé estaria profetizando que um dos descendentes de Sem, um de seus outros filhos, Abraão, iria herdar a terra dos cananeus.
Harã é, atualmente, um sítio arqueológico localizado ao sul da Turquia. Na Bíblia é citado como a vila ou região onde Abraão habitou quando saiu de Ur, antes de ir para Canaã, e onde teria morrido seu pai Terah. É fácil de ver pelo mapa, que Harã estaria no caminho para Canãa, com um pequeno desvio, possivelmente motivado por razões geográficas.

Caminho percorrido por Abrahão, de Ur a Harã e Canaã

Harã, como mencionado acima, foi também um dos irmãos de Abrahão, falecido jovem quando o seu pai, Terah, ainda se encontrava em Ur dos caldeus. Ao falecer, Harã teria deixado como descendente o seu filho Lot que, corajosamente, acompanhou Abrahão em sua jornada à terra de Canaã. Tal fato explica o motivo do nome do lugar onde provisoriamnte se fixaram, antes de prosseguirem sua viagem para Canaã.

Ruínas de Harã


Sabe-se que Harã, na Antigüidade, foi um importante ponto de passagem para as caravanas do Oriente Próximo e talvez a prosperidade do local tenha motivado a fixação aí, da família de Abrahão. Foi em Harã que Abrahão teria recebido um segundo chamado divino para prosseguir em sua viagem `Terra Prometida.
Obedecendo às ordens de Deus, Abrahão saiu com Lot de Harã, juntamente com sua esposa e seus bens, em direção a Canaã, já com a idade de setenta e cinco anos de idade, com pessoas a seu serviço, ,as sem qualquer filho. A caminho de Canaã, Abrahão teria passado por Siquém, onde habitavam os cananeus e ali Deus lhe teria aparecido e confirmado a promessa de dar aquela terra à sua descendência. Aí edificou um altar para Deus e partiu para o Sul, fixando-se num lugar entre as cidades de Ai e Betel, onde se estabeleceu com as suas tendas e construiu um novo altar. Depois, prosseguiu para o sul, tendo chegado a Salém, lugar que corresponderia hoje à Jerusalém. Informações não bíblicas relatam que o rei de Salém, Melquisedec, teria enviado um mensageiro a Abrahão convidando-o a fazer parte do núcleo de estudantes/sacerdotes do seu reino. Abrahão partiu com o seu sobrinho Lot e estabeleceram o seu acampamento próximo de Salém, onde edificaram guarnições nas colinas adjacentes, como proteção contra os furtivos ataques dos hititas, filisteus e assírios que privilegiavam estas zonas da Palestina nos seus ataques e saques. As visitas a Salém passaram a ser uma rotina para estes dois personagens e o reflexo dos ensinamentos do sábio Melquisedec foi notório nos ensinamentos de Abrahão.

segunda-feira, 15 de março de 2010

UM POUCO DA HISTÓRIA DOS HEBREUS - PARTE I

INTRODUÇÃO
Como tenho sempre enfatizado em todos os artigos históricos que tenho publicado, também este - com maior razão pela importância mundial de que se reveste o assunto – não tem a pretensão de ser rigorosamente científico (e tal matéria poderia ter rigorismo científico?), nem tampouco de exaurir o assunto e as dúvidas que possa levantar.
É também importante ter em mente que a principal fonte de informações desta pesquisa é, sem dúvida alguma, o Antigo Testamento da Bíblia. Mesmo os pesquisadores mais importantes nessa matéria, sempre consideraram a Bíblia como fonte primeira de informações, embora a sua tendenciosidade natural em se tratando de assuntos religiosos. Mas é sempre preciso levar em conta que, ao tempo em que foi escrita, ela era o documento testemunhal da única religião monoteísta então existente.
A idéia inicial perseguida com a elaboração deste artigo, foi tentar bem localizar, no tempo e no espaço, acontecimentos ligados à figura do personagem bíblico Abrahão e o ramo mais importante da sua descendência, com enfoque principal nos personagens históricos mais conhecidos como Isaac (ou Isaque), Jacó (ou Israel), José do Egito e Moisés, até a Diáspora, quando os Judeus abandonam voluntariamente, pela primeira vez, a Palestina para se espalharem pelo mundo.
E, novamente, a pesquisa foi movida pela curiosidade do autor sobre o assunto, pela necessidade que sentiu em possuir, de forma resumida, ordenada e clara a seqüência de eventos de épocas e atores de contribuição tão importantes para a história da civilização.
Sempre que locais forem mencionados, faremos, na medida do possível, uma interrupção na seqüencia da narrativa, para apresentar uma descrição da posição dessas cidades ou regiões, de forma que o leitor possa ter, através de mapas, a idéia exata de onde as ações descritas se passaram.
Como os leitores podem imaginar, o assunto abordado desta feita é bastante amplo, bem no espaço como no tempo e a pesquisa acabou resultando muito longa. Por essa razão, não pretendendo cansar o leitor demasiadamente com uma só postagem, optamos por publicar o artigo em capítulos. Essa se constitui na primeira parte do trabalho.

ANTECEDENTES
Abrahão é um personagem bíblico citado no Livro Gênesis, a partir do qual se desenvolveram três das maiores vertentes religiosas da humanidade: o judaísmo, o cristianismo e o islamismo.
No que se refere à sua localização temporal, sabemos hoje que foi encontrado um contrato Babilônico em nome de Abrahão, como pertencendo ao período entre 1800 e 2.000 AC. Há indícios de que este personagem seja o próprio patriarca.
Judaísmo é o nome dado à religião do povo judeu, a mais antiga das três principais religiões monoteístas (as outras duas são o cristianismo e o islamismo).
O Judeu é um membro do grupo étnico e religioso originado nas Tribos de Israel ou hebreus do Antigo Oriente. O grupo étnico e a religião judaica, a fé tradicional da nação judia, são fortemente inter-relacionados, e pessoas convertidas para o judaísmo foram incluídas no povo judeu e judeus convertidos para outras religiões foram excluídos do povo judeu durante milênios.
Os judeus foram palco de uma longa história de perseguições em várias terras, resultando numa população que teve, frequentemente, seus números e suas distribuições alteradas ao longo dos séculos. A maioria das autoridades coloca o número de judeus entre 12 e 14 milhões, representando 0,2% da atual estimada população mundial. De acordo com a Agência Judia para Israel, no ano de 2007 havia 13,2 milhões de judeus mundialmente; 5,4 milhões (40,9%) em Israel, 5,3 milhões (40,2%) nos EUA, e o resto distribuído em comunidades de vários tamanhos no mundo inteiro.
A palavra "judeu" originalmente era usada para designar os nascidos na Judéia. A Judeia é a região localizada a oeste do mar Morto, entre o mar Morto e o mar Mediterrâneo, estendendo-se ao norte até as colinas de Golan e ao sul à faixa de Gaza, sendo estas, atualmente, regiões em contínuo conflito entre Israel e Palestina.
A tradição judaica defende que a origem dos judeus dá-se com a libertação dos filhos de Israel da terra do Egito pelas mãos de Moisés. Com a fundamentação e solidificação da doutrina mosaica (de Moisés), um grupo de hebreus passou a ser conhecida como "Filhos de Israel" (Bnei Israel). É deste evento que surge o conceito de nação, fundamentada nos preceitos tribais e na crença monoteísta.
Quando as doze tribos de Israel são divididas em dois reinos distintos, a maioria formando o reino de Israel, enquanto as tribos de Judá, Benjamim e Levi constituindo o reino de Judá, que continua a ser governada pelos descendentes de Davi, pela primeira vez, os israelitas do sul são chamados de judeus devido à sua conexão com o reino de Judá e posteriormente por todos aqueles que aderissem à doutrina religiosa deste reino, que passou a ser conhecida como judaísmo.
A ênfase do judaísmo na separação entre judeus e não judeus, deu à comunidade judaica um sentido de povo separado e religioso, embora, segundo pesquisadores judeus anti-sionistas, este sentido de separação tenha sido impulsionado e exarcebado pelo movimento sionista, com objetivos políticos, durante o século XX.
Obtendo o seu nome de Sião (Sion, Zion) que é o nome de um monte nos arredores de Jerusalém, o Sionismo é um movimento político que defende o direito à autodeterminação do povo judeu e à existência de um Estado Judaico, por isso sendo também chamado de nacionalismo judaico. Ele se desenvolveu a partir da segunda metade do século XIX, em especial entre os Judeus da Europa central e do leste europeu.
Surgido da religião mosaica, o judaísmo, apesar de suas ramificações, defende um conjunto de doutrinas que o distingue de outras religiões: a crença monoteísta em YHWH (Javé), às vezes chamado Adonai ("Meu Senhor"), ou ainda HaShem ("O Nome") como criador e Deus e a eleição de Israel como povo escolhido para receber a revelação da Torá que seriam os mandamentos deste Deus. Dentro da visão judaica do mundo, Deus é um criador ativo no universo e que influencia a sociedade humana, na qual o judeu é aquele que pertence a uma linhagem com um pacto eterno com este Deus. De acordo com a visão religiosa o judaísmo é uma religião ordenada pelo Criador através de um pacto eterno com o patriarca Abraão e sua descendência. Ainda que seja intimamente relacionada à história do povo judeu, a história do judaísmo se distingue por enfatizar somente a evolução da religião e como esta influenciou o povo judeu e o mundo.
O Cristianismo é uma religião monoteísta centrada na vida e nos ensinamentos de Jesus de Nazaré, tais como são apresentados no Novo Testamento. A fé cristã acredita essencialmente em Jesus como o Cristo, Filho de Deus, Salvador e Senhor.
Os seguidores do cristianismo, conhecidos como cristãos, acreditam que Jesus seja o Messias profetizado na Bíblia Hebraica (a parte das escrituras comum tanto ao cristianismo quanto ao judaísmo). A teologia cristã ortodoxa alega que Jesus teria sofrido, morrido e ressuscitado para abrir o caminho para o céu aos humanos; os cristãos acreditam que Jesus teria ascendido aos céus, e a maior parte das denominações ensina que Jesus irá retornar para julgar todos os seres humanos, vivos e mortos, e conceder a imortalidade aos seus seguidores. Jesus também é considerado para os cristãos como modelo de uma vida virtuosa, tanto como o revelador quanto como a encarnação de Deus. Os cristãos chamam a mensagem de Jesus Cristo de Evangelho ("Boas Novas"), e por isto referem-se aos primeiros relatos de seu ministério como evangelhos.
O Islão ou Islã é uma religião monoteísta que surgiu na Península Arábica no século VII, baseada nos ensinamentos religiosos do profeta Maomé (Muhammad) e numa escritura sagrada, o Alcorão. A religião é conhecida ainda por Islamismo. Na visão muçulmana, o Islão surgiu desde a criação do homem, ou seja, desde Adão, sendo este o primeiro profeta dentre inúmeros outros, para diversos povos, sendo o último deles Maomé.