Homenagem ao lendário herói ancestral dos ingleses que deu título a um dos considerados "Cem Maiores Livros do Mundo" e tido como o mais antigo escrito em "Old English".

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segunda-feira, 10 de novembro de 2014

AS TRÊS PRIMEIRAS GRANDES CIVILIZAÇÕES MUNDIAIS: MESOPOTÂMIA (PARTE 01)

I - INTRODUÇÃO

Custei, mas aprendi, por conta mesmo de muitas das postagens aqui colocadas, sobre a necessidade do conhecimento das civilizações que, segundo os grandes mestres da História, são consideradas como as primeiras da humanidade, aquelas a partir das quais todas as demais se desenvolveram ou profundamente sofreram a sua influência. Tais civilizações foram responsáveis por toda a sequência de acontecimentos mundiais que as sucederam e, por isso mesmo, são frequentemente citadas em todas as informações disponíveis. Por essa razão, frequentemente somos obrigados a realizar alguma incursão sobre uma ou mais delas, para que os nossos leitores – os que ainda não conhecem o assunto – fiquem também a par dessas informações.
Lembro aos leitores que, neste artigo, estaremos falando sobre as primeiras civilizações e não sobre os primeiros homens ou humanoides sobre a terra - questão ainda bem mais complexa de resolver, dados os vários aspectos religiosos e científicos envolvidos -, provavelmente surgidos na África, cerca de 250.000 AC. Todos possuímos alguma ideia sobre o significado da palavra “civilização”, um conceito relacionado a uma sociedade complexa e avançada, como a atual sobre a Terra, mas também a culturas antigas que floresceram há milênios atrás, nos deixando um fantástico legado. Will Durant, em sua “História da Civilização”, define tal conceito como: “Ordem Social na promoção da criação de cultura”; e junta os quatro elementos que constituem uma civilização: “disposição econômica, organização política, tradições morais e a busca do conhecimento e das artes”. Acrescenta um ponto importantíssimo ao dizer que “a civilização começa aonde o caos e a insegurança começam, pois quando o medo é dominado, a curiosidade e a construção são livres e o homem passa, pelo impulso natural em direção ao entendimento e ao embelezamento da vida”. Numa definição mais palpável, Xavier Bartlett, licenciado em História e Arqueologia pela Universidade de Barcelona, diz que “civilização, num amplo sentido, denota um conjunto de ideias, conhecimentos, valores, instituições e empreendimentos de uma sociedade em um dado instante”.
É nesse contexto que, tentando resolver a nossa situação, de uma vez por todas, decidimos tomar coragem, realizando a pesquisa e publicando a presente matéria, que tem como objetivo a descrição das três primeiras grandes civilizações da Terra: Mesopotâmia, Egito e Vale do Indo.
Lembro aos leitores, como reforço à importância do tema, a frequência com que certas cidades, personagens e fatos ocorridos nessas civilizações, são mencionados no livro mais importante do mundo, o Antigo Testamento da Bíblia. Certamente, de posse desses conhecimentos, poderemos entender bem melhor a leitura do Livro Sagrado.
Entretanto, antes de iniciar o desenvolvimento dos objetivos específicos a que nos propomos, vejo importante que façamos, pelo menos, uma introdução ao sistema arqueológica de idades, muito necessário ao perfeito entendimento do estudo das grandes civilizações primitivas, como segue.

II - SISTEMA ARQUEOLÓGICO DAS TRÊS IDADES

O sistema das três idades, em arqueologia e antropologia física, é a classificação da pré-história[1] humana em três períodos de tempo consecutivos, designados por suas respectivas tecnologias de confecções de ferramentas:

• Idade da Pedra (grosseiramente 3,4 milhões de anos atrás, até 6.000 a 2.000 AC)
• Idade do Bronze (3.300 A.C – 1.200 A.C)
• Idade do Ferro (1.200 AC – 200 D.C)

É temerário - e de pouco valor cronológico - querer definir com precisão inícios e finais das várias eras, pois está mais do que provado que elas não iniciaram ou acabaram simultaneamente em todo o mundo As datas e contextos variam muito, dependendo da região e tal sequência de eras não é necessariamente verdadeira para cada parte da superfície terrestre. Há áreas, como ilhas do Pacífico Sul, interior da África e partes da América do Norte e do Sul, onde os povos passaram diretamente do uso da pedra para o uso do ferro sem uma era intermediária do bronze. Muito próximo de nós, temos o caso do Brasil, que se encontrava, certamente, na Idade da Pedra quando os navegadores portugueses aqui chegaram, com todo o conhecimento da passagem da Idade Média para o Renascimento europeu, que incluía o uso das armas de fogo; nossos índios ficaram, portanto, muito longe de conhecerem toda a transição pelas várias eras.
O conceito da divisão das eras pré-históricas, em um sistema baseado nos metais, estende-se até a antiga história europeia, mas o presente sistema arqueológico das três eras principais – pedra, bronze e ferro – origina-se do arqueólogo dinamarquês Christian Jurgensen Thomsen (1788–1865), que colocou o sistema em bases mais científicas, por estudos tipológicos[2]  e cronológicos, inicialmente de ferramentas e outros artefatos presentes no Museu das Antiguidades do Norte, em Copenhague (mais tarde Museu Nacional da Dinamarca). Posteriormente ele utilizou artefatos e relatórios de escavação publicados ou a ele enviados por arqueólogos que faziam escavações controladas. Sua posição como curador do museu deu-lhe visibilidade suficiente para tornar-se altamente influente na arqueologia dinamarquesa.
A partir do exame dos artefatos do Museu e relatórios das modernas escavações, Thomsen mostrou que o material poderia ser classificado em tipos e que esses tipos variavam no tempo de forma a correlaciona-los com a predominância de implementos e armas de pedra, bronze e ferro. Desta forma, ele transformou o Sistema de Três Eras, de um esquema evolucionário, baseado na intuição e no conhecimento geral, em um sistema de cronologia relativa apoiado por evidência arqueológica. Tal como desenvolvido por Thomsen e seus contemporâneos na Escandinávia, esse sistema foi inicialmente enxertado na cronologia bíblica. Mas, durante os anos de 1830 eles alcançaram independência das cronologias textuais e confiaram principalmente na tipologia e estratigrafia[3].
Arranjando o material da coleção cronologicamente, Thomsen mapeou as espécies de materiais que ocorriam simultaneamente nos depósitos e quais não, pois que tais arranjos lhe permitiriam discernir tendências exclusivas a certos períodos. Desta forma ele descobriu que ferramentas de pedra não apareciam junto com ferramentas de bronze e ferro nos depósitos mais antigos e que ferramentas de bronze não foram encontradas com ferramentas de ferro, de forma que três períodos podiam ser definidos pelos três materiais disponíveis, pedra, bronze e ferro.
Essa análise, que enfatizava a ocorrência simultânea e a atenção sistemática ao contexto arqueológico, permitiu a Thomsen construir uma estrutura cronológica dos materiais da coleção e classificar novos achados em relação à cronologia estabelecida, mesmo sem muito conhecimento da sua origem. Desta forma, o sistema de Thomsen era realmente um sistema cronológico e não um sistema evolucionário ou tecnológico.
Por 1831 Thomsen estava tão certo da utilidade do seu método que fez circular um panfleto “Artefatos Escandinavos e sua Preservação”, aconselhando arqueólogos a observar o maior cuidado em anotar o contexto de cada artefato; tal panfleto teve efeito imediato. Resultados reportados a ele confirmaram a universalidade do Sistema das Três Eras. Thomsen já tinha uma reputação internacional quando, em 1836, a Real Sociedade de Antiquários do Norte publicou a sua contribuição ilustrada no “Guia da Arqueologia Escandinava” em que ele expunha a sua cronologia com comentários sobre tipologia e estratigrafia.
Thomsen foi o primeiro a perceber tipologias de objetos de túmulos, tipos de túmulos, métodos de enterro, motivos cerâmicos e decorativos, bem como designar esses tipos a camadas encontradas em escavações. Seus aconselhamentos pessoais e publicados, relativos a métodos de escavação, a arqueólogos dinamarqueses, produziram resultados que comprovaram, empiricamente, o seu sistema, colocando a Dinamarca na vanguarda da arqueologia europeia por uma geração, pelo menos.
Desde 1836 o seu sistema tem sido expandido por subdivisões de cada era e refinado por achados arqueológicos e antropológicos adicionais, além do concurso de outros arqueólogos e antropólogos que vieram após ele. As alterações mais importantes referem-se à subdivisão da Idade da Pedra em três períodos – Paleolítico, Mesolítico e Neolítico – e à subdivisão da Idade do Bronze em dois períodos – Idades do Cobre e do Bronze propriamente dita.


TABELA RESUMIDA DO SISTEMA DAS TRÊS ERAS 

Era
Período
Ferramentas
Economia
Locais de Moradia
Sociedade
Religião
Idade da Pedra
Paleolítico
Ferramentas e objetos manufaturados encontrados na natureza – porrete, clava, pedra afiada, cutelo, machado, lança, arpão, agulha.
Caça e coleta
Estilo de vida móvel - cavernas, cabanas, em geral a beira de rios ou lagos
Um grupo de coletores de plantas comestíveis e caçadores (25 a 100 pessoas)
Evidência de crença no após vida apenas no Paleolítico Superior, marcado pela aparência de rituais de enterro e adoração de ancestrais. Sacerdotes e servos de santuários aparecem na pré-história.
Mesolítico
Ferramentas empregadas em dispositivos compostos – arpões, arco e flecha. Outros dispositivos tais como cestas de pesca e barcos
Caça e coleta intensa, presa de animais selvagens e sementes de plantas selvagens para uso doméstico e cultivo
Vilas temporárias em locais oportunos para atividades econômicas
Tribos e bandos
Neolítico
Ferramentas de pedra polida, dispositivos úteis no cultivo de subsistência e defesa – formão, enxada, arado, canga, gancho de ceifa, tear, cerâmica e armas
Revolução Neolítica – domesticação de animais usados na agricultura e pastoreio, caça e pesca. Ferramentas de guerra.
Instalações permanentes variáveis em tamanho, de vilas a cidades muradas, obras públicas.
Tribos e formação de supremacias em algumas sociedades Neolíticas do final do período
Politeísmo presidido pela deusa mãe.
Idade do Bronze
Idade do Cobre
Ferramentas de cobre, roda de oleiro
Civilização incluindo ofício e comércio
Centros urbanos circundados por comunidades politicamente ligadas
Cidades-estados*
Deuses étnicos, religião do estado
Idade do Bronze
Ferramentas de bronze
Idade do Ferro
Ferramentas de ferro
Economia nacional presidida pelo governo
Cidades ligadas por estradas, capital de cidade
Países, impérios
Uma ou mais religiões sancionadas pelo estado
* A formação de estados se inicia durante o início da Idade do Bronze no Egito e Mesopotâmia; durante o final da Idade do Bronze são fundados os primeiros impérios.



[1] Pré-história (antes da história, ou antes do conhecimento adquirido pela investigação) é o período de tempo antes da que a história fosse registrada ou antes da invenção dos sistemas de escrita. Ela se refere ao período da existência humana antes da disponibilidade daqueles registros escritos com os quais começa a história registrada. Mais amplamente, pode se referir a todo o tempo entre o início da existência humana e a invenção da escrita.
[2] Na arqueologia, a tipologia é um método científico que estuda os diversos utensílios e outros objetos (cerâmicas, peças de metal, indústrias lítica e óssea, etc.) encontrados nas escavações, e que os agrupa e classifica segundo as suas características quantitativas (medidas) e qualitativas (morfologia, matéria-prima, técnicas de fabrico, etc.), com vista à sua repartição em classes definidas por tipos modelo.
[3] Estratigrafia é um ramo da geologia que estuda as camadas de rochas e a formação em camadas (estratificação). Ela é primariamente utilizada no estudo de rochas sedimentares e rochas vulcânicas em camadas. A estratigrafia inclui dois campos relacionados: estratigrafia litológica (lito estratigrafia) e estratigrafia biológica (bio estratigrafia).

Na próxima postagem, PARTE 2

sábado, 19 de março de 2011

UMA PEQUENA HISTÓRIA DA INGLATERRA CONTADA POR UM GAÚCHO DE PORTO ALEGRE, DESCENDENTE DE PORTUGUESES E RESIDENTE EM GRAMADO - A HISTÓRIA PROPRIAMENTE DITA (3) (Undécima Parte)

A Idade do Bronze
O início da Idade do Bronze (2.500 – 1.500 AC) viu a produção regular de um trabalho de metal mais sofisticado, consistindo principalmente de machados, adagas e pontas de lança conectadas à haste por um pino. Os primeiros bronzes aparecem na Britain nos séculos imediatamente antes de 2.500 AC, que é, usualmente, aceito como o início da Idade do Bronze. Embora a aparência do metal marque um importante desenvolvimento tecnológico, especialmente no controle do fogo, ela não traz uma grande mudança na forma como as pessoas viviam no início da Idade do Bronze. “Henges”, por exemplo, continuam em uso, mas os túmulos comunitários maiores, tais como os túmulos longos e os de passagem são substituídos por túmulos redondos menores. Muitos desses continham um sepulcro inicial ou primário, muitas vezes de um importante homem ou mulher, que poderia ser enterrado com uma cerâmica distintiva e altamente decorada, junto com trabalhos de bronze ou estanho, como adagas ou machados. Algumas vezes os corpos eram adornados com anéis, braceletes e brincos de ouro. Esses locais eram, claramente, importantes locais de reunião de pessoas e eram cuidadosamente situados na paisagem, ou para serem vistos por uma vasta área ou para marcar o início ou fim do território de uma comunidade. As casas no início da Idade do Bronze eram normalmente redondas com um telhado cônico e uma entrada simples.

Mudança acelerada
A Média Idade do Bronze (1.500 – 1.250 AC) marca um importante período de alteração, crescimento e, provavelmente, também de expansão da população. Houve uma alteração importante na prática de sepultamento, do enterro em túmulos para a cremação em grandes cemitérios abertos, onde as cinzas eram colocadas em urnas de cerâmica, especialmente preparadas. Os assentamentos consistiam em casas redondas, muitas vezes agrupadas, possivelmente para defesa, mas também porque as pessoas preferiam viver próximas umas das outras. Durante este período são encontrados números crescentes de amontoados de trabalhos em metal, com centenas de pontas de lanças, machados e adagas colocados no solo, muitas vezes em um local úmido ou alagado, prática que prosseguiria através de toda a Idade do Ferro. A média Idade do Bronze também vê os primeiros sistemas campesinos, indicando uma crescente pressão sobre a terra á medida que o número de pessoas e animais crescia.
O final da Idade do Bronze é marcado pela chegada de novos estilos de trabalhos em metal e cerâmica, permanecendo invariável nos outros aspectos. A cavalgada tornou-se mais popular e as espadas eram projetadas como armas de corte. As casas eram ainda redondas, padrão que penetraria a Idade do Ferro, mas as primeiras casas retangulares começam a surgir. Os sistemas campesinos da média Idade do Bronze continuaram em uso e foram aumentados. Nas terras altas da Britain, o final da Idade do Bronze assistiu à construção dos primeiros fortes de colina e o início do chamado modo de vida ‘Celtic’.

Idade do Ferro, 800 AC – 43 DC
Crescimento e Desenvolvimento
A idade do ferro assistiu à gradual introdução da tecnologia do trabalho com ferro, embora a adoção generalizada de artefatos de ferro não tenha ocorrido até o período de 500 a 400 AC. À medida que a Idade do Ferro progredia pelo primeiro milênio AC, fortes grupos regionais emergiam, refletidos no estilo da cerâmica, objetos de metal e tipos de assentamentos. Em algumas áreas, estados tribais e reinos surgiram ao final do primeiro século AC.
Estudos antigos da Idade do Ferro British, tendiam a ver as invasões estrangeiras como sendo responsáveis pelas alterações em larga escala que tiveram lugar durante este período. Pesquisa moderna tem encontrado pouca evidência que apoie essas teorias e a ênfase mudou, principalmente, em direção a alterações econômicas e sociais nativas. Contudo, a arqueologia demonstra que os contatos de comércio e permuta, entre a Britain e o continente europeu, prosseguiram através de toda a Idade do Ferro.
A inovação tecnológica cresceu durante a Idade do Ferro, especialmente em direção ao final do período. Alguns dos maiores avanços incluíram a introdução do torno de oleiro (principalmente no sudeste da England), do torno mecânico (usado para trabalho com madeira e manufatura de objetos de xisto) e o moinho para moer grãos.
A população da Britain cresceu substancialmente durante a Idade do Ferro e provavelmente excedeu o milhão, parcialmente causado, esse crescimento, pela introdução de novas culturas, incluindo variedades melhoradas de cevada e trigo e plantações crescentes de ervilhas, feijão, linho e outras culturas. Técnicas de cultivo melhoradas e a introdução do arado de ferro forjado tornaram possível o cultivo de pesados solos argilosos.

Os Fortes de Colina

Os mais conhecidos e visíveis vestígios da Idade do Ferro são os fortes de colina. Cerca de 3.000 exemplos são conhecidos por todas as ilhas britânicas, variando em tamanho, desde pequenos muros fechados com menos de um hectare, a locais enormes, com múltiplos fossos, como o Castelo Maiden, em Dorset e o Old Oswestry em Shropshire. A função e forma desses monumentos variou, enormemente, com o tempo. Os primeiros exemplos datam do final da Idade do Bronze e início da Idade do Ferro (900 a 600 AC) e mostram pequena evidência de assentamento permanente, mas sim para reuniões sazonais, talvez para atividades comerciais ou religiosas, com a função adicional de centro de abastecimento para a comunidade mais ampla. Pelo ano 450 AC, muitos desses fortes ficaram fora de uso; os que sobreviveram ficaram sujeitos a fases importantes de reconstrução, muitas vezes com múltiplas barreiras e valas, entradas muito complexas e uma clara evidência de uma grande e permanente população.
A escavação de Danebury, em Hampshire, revelou, em considerável detalhe, o desenvolvimento de um forte do oitavo século AC, até o seu abandono, no primeiro século AC. Em torno de 450 AC, Danebury começa a se transformar em um assentamento maior e planejado, com zonas para armazenamento de alimentos, processamento das colheitas, habitações domésticas e mesmo prédios religiosos. Os artefatos recuperados mostram a perícia e diversidade dos ferreiros, ceramistas e outros “especialistas” da Idade do Ferro.
Em algumas partes do sul da Britain, os fortes de colina foram abandonados em torno de 100 AC, sem razões totalmente entendidas, mas talvez devido à emergência de estados tribais mais centralizados. Na Britain oeste e norte e Ireland, os fortes de colina continuaram a ser ocupados e ainda possuíam um importante papel na vida diária ao tempo da conquista romana no ano de 43 DC.
Afora os fortes de colina, a maioria dos assentamentos da Idade do Ferro era pequena e, possivelmente, abrigava simples famílias estendidas. Esses sítios individuais eram colocados dentro de paisagens de campos e trilhas muito extensas e ordenadas. Muitos eram cercados por barreiras e valas, embora fossem raramente largas o suficiente para serem consideradas como defensivas. Dois bons exemplos foram escavados ao sul da England, em Little Woodbury, Wiltshire e Gussage All Saints, em Dorset. A construção padrão da Idade do Ferro era a casa redonda, feita de madeira ou pedra, com um telhado de turfa, dependendo localmente do material disponível. Exemplos bem preservados em pedra ainda sobrevivem como baixas paredes circulares com entradas amplas, em muitas áreas altas das Ilhas British. As plataformas em nível para casas de madeira ainda sobrevivem dentro de fortes de colina não arados, tais como Hod Hill, em Dorset, British Camp, em Herefordshire e Braidwood, em Lothian. Em bordas de charcos e lagos, assentamentos conhecidos como ‘crannogs’ também foram encontrados. Eram ilhas artificiais construídas de pedra e madeira e podem ter sido localizadas por suas qualidades defensivas. Assentamentos abertos também são conhecidos, variando de uma só ou pequenos grupos de cabanas circulares a grandes assentamentos tipo vilas. As últimas são especialmente comuns a leste da England, por exemplo em Little Waltham, Essex.
As práticas de sepultamento na Britain da Idade do Ferro variavam grandemente, sendo raras em algumas regiões, como no sul da England, com apenas um pequeno número de enterros adultos, descobertos em poços em fortes de colina e outros assentamentos. Descobertas de ossos humanos fragmentários em muitos locais conduziram à sugestão de que a maioria da população nessa região era descartada pela exposição deliberada do cadáver. No sudoeste e oeste, os corpos eram muitas vezes enterrados em pequenos caixões de pedra, conhecidos como ‘cistas’. Os mais notáveis de todos eram os ‘bog bodies’ (corpos de brejos), exemplos dos quais são conhecidos por todas as Ilhas British e norte da Europa. A colocação desses indivíduos em locais úmidos pode também indicar uma relação com práticas rituais pré-históricas de depositar trabalhos de metal em rios, lagos e brejos. Tais locais têm produzido alguns dos mais perfeitos trabalhos de metal da Idade do Ferro nas Ilhas British, incluindo: o Elmo de Waterloo e o Escudo de Battersea, ambos do Rio Thames; o amontoado de Llyn Cerig Bach, de um brejo em Anglesey, North Wales; e a tocha de ouro de um brejo em Clonmacnoise, Ireland. Os ferreiros de bronze e ouro nativos produziram itens de alta qualidade, indicando contato próximo com seus contrapartidas do continente. A primeira cunhagem na Britain apareceu ao final do segundo século AC e pelo ano 20 AC moedas foram encontradas por todo o sudeste da England. O uso de moedas nunca se estendeu para o norte e oeste da Britain ou Ireland durante este período.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

UMA PEQUENA HISTÓRIA DA INGLATERRA CONTADA POR UM GAÚCHO DE PORTO ALEGRE, DESCENDENTE DE PORTUGUESES E RESIDENTE EM GRAMADO - LINHA TEMPORAL BRITÂNICA (2) (Quinta Parte)

2500 AC
Começa a surgir o trabalho em metal com melhoria na tecnologia de fornos
Seguindo a introdução da cerâmica dois milênios antes, o aparecimento do trabalho em metal foi outro importante passo tecnológico no controle do calor e na produção de temperaturas cada vez maiores, através do uso de pequenas fornalhas e foles de couro. O mais primitivo trabalho de metal britânico foi feito de puro cobre, bronze ( liga com percentagem muito maior de cobre e pouco estanho) ou ouro. O ouro era usado para ornamentos e jóias; bronze e cobre eram usados para pontas de lanças, machados, facas e adagas.

2500 AC – 1500 AC
O desenvolvimento dos machados de bronze conduz aos avanços nas técnicas de trabalho em madeira.
O conhecimento do trabalho em madeira, na Idade do Bronze, cresceu muito, recentemente, graças ao descobrimento de importantes locais alagados por toda a Britain e Ireland, já que os locais inundados preservam a madeira por séculos. A madeira foi o principal material de construção da Idade do Bronze e a introdução dos machados de metal foi o maior avanço tecnológico. Originalmente acreditava-se que os machados de bronze substituíram a pedra de forma gradual e num período de vários séculos; evidência recente sugere que este processo foi bastante rápido.

2500 AC – 800 AC
Os trabalhos de metal tornam-se crescentemente sofisticados
O início da Idade do Bronze (2500-1500 AC) viu a produção regular de trabalhos de metal mais sofisticados, consistindo, principalmente, de machados, adagas e pontas de flecha endentadas, conectadas à haste por um dente.
O trabalho com pederneira continua a despeito do desenvolvimento das ferramentas de metais
A introdução das ferramentas de metal, em torno de 2500 AC, não conduziu ao súbito abandono da pederneira como material para confecção das ferramentas leves do quotidiano. Ao final do Neolítico (final da Idade da Pedra), a britagem da pederneira mudou de longas lâminas para flocos mais curtos que eram afiados e fortes. Em torno de 1500 AC houve outra mudança, dessa vez em direção aos implementos para furação e perfuração no trabalho com osso e couro. Essa tradição pode muito bem ter continuado pelo início da Idade do Ferro.

2400 AC – 2200 AC
“Especialistas” criam a cerâmica “beaker” altamente decorada
A cerâmica era provavelmente produzida domesticamente; o aparecimento do trabalho com metais e novas formas altamente decoradas de recipientes para beber, chamados pelos arqueologistas de “beakers”, indicam a presença de especialistas na Britain. Provavelmente, os primeiros fabricantes dessa cerâmica vieram do continente, mas após um curto intervalo, eles tornaram-se locais.

2300 AC
“Amesbury Archer” morre perto de Stonehenge
Uma escavação de 2003 em Amesbury, Wiltshire, descobriu o corpo de um homem e cerca de 100 artefatos, incluindo facas de cobre, ornamentos de cabelo de ouro, vasos de cerâmica altamente decorados e muitas pontas de flecha de pederneira. Análises dos seus dentes mostraram que ele se criou na Europa Central. Indivíduos encontrados em dois outros túmulos próximos, do mesmo período, provavelmente teriam vindo do Wales Ocidental. Estas descobertas mostram que as viagens longas formaram uma importante parte da vida e crença do início da Idade do Bronze.

2049 AC
'Seahenge' é construída na costa de Norfolk.
Em 1998 uma pequena elipse com 55 postes de carvalho, circundando um grande carvalho invertido, foi descoberta em Holme-Next-The-Sea. Cerca de 50 diferentes machados de bronze foram usados e lascas de madeira encontradas dentro dos buracos dos postes, mostraram que as madeiras haviam sido trabalhadas no local, provavelmente como parte de um esforço comunal.

2000 AC – 1400 AC
Líderes da elite são enterrados com elaborados pertences mortuários.
Uma série de enterros de indivíduos sob aterros circulares e com pertences funerários elaborados, incluindo cerâmica funerária especial, adagas de bronze e cobre e objetos de ouro e âmbar, foram descobertos no Século XIX na área de Wessex e então no Século XX, próximo de Norfolk. Há fortes paralelos com a Bretanha, na França, sugerindo contato regular entre as duas áreas.

2000 AC
O “Lockington Gold Hoard” é enterrrado em Lockington, Leicestershire, UK.
Uma escavação de 1993 em Leicestershire revelou um pequeno cemitério contendo uma vala com vários objetos pertencentes ao início da Era do Bronze – Lockington Gold Hoard. Essa descoberta foi importante por mostrar que objetos ricos dessa espécie não ficaram confinados a Wessex e entornos de Stonehenge como se acreditava então.

1800 AC
São escavadas as primeiras minas de cobre em escala industrial.
Estima-se que o Mount Gabriel (County Cork, Ireland) produziu em torno de 370 toneladas de cobre e Great Orme (ao norte de Wales) de 175 a 235 toneladas.

1500 AC – 1200 AC
Surgem armas e ornamentos mais sofisticados de metal.
Na média Idade do Bronze, formas menores de machados começaram a surgir junto com as lanças de pontas encaixadas às hastes. Armas mais confiáveis, como punhais e pequenas espadas, começaram a surgir, bem como elaborados broches e braceletes de bronze.

1500 AC – 800 AC
As práticas cerimoniais mudam à medida que as novas idéias religiosas se desenvolvem.
Após 1500 AC, os túmulos em cemitérios circulares foram sendo substituídos por cremação em cemitérios.
Machados mais leves, com soquetes, provam ser ferramentas mais efetivas para trabalhos em madeira.
Antes de 1970 os machados mais leves, encaixados à haste através de um buraco, eram vistos como funcionalmente ineficientes; entretanto, evidência recente de madeiras preservadas e hastes completas, têm mostrado que eram ferramentas efetivas e adaptáveis, com as hastes pesadas e bem balanceadas compensando a leveza relativa da cabeça dos machados.
As planícies dos vales principais são extensivamente povoadas.
Este foi o período em que começou a diferenciar-se a cerâmica do final da Idade do Bronze daquela da Idade do Ferro.

1200 AC – 800 AC
A produção de objetos de metal aumenta e se diversifica rapidamente.
As inovações principais foram os machados menores encaixados e as espadas com lâminas afiadas para cortar.
A cultura céltica e os reinos tribais começam a emergir.
A nova estrutura social, surgida com as alterações na religião e nos cerimoniais de enterros, e que persistiu através da Idade do Ferro, foi rotulada como “Céltica”. É provável que as elites controladoras do final da Idade do Bronze compreendessem uma proporção maior da sociedade e pode ter sido centrada sobre uma “aristocracia guerreira”. Esse foi o período em que numerosas tribos da Britain começaram a combinar-se em grupos maiores que se tornaram os chamados reinos tribais da Idade do Ferro.
A casa redonda torna-se a estrutura doméstica típica.
As casas da Idade do Ferro, diferentemente das do final da Idade do Bronze, não possuíam os postes internos para suporte do telhado, cujo peso era suportado pelas paredes.

IDADE DO FERRO
800 AC – 43 DC

800 AC – 700 AC
Os primeiros fortes de Colinas são construídos.
Originados ao final da Idade do Bronze (1000 AC – 800 AC), os fortes de colinas do início da Idade do Ferro são encontrados por uma enorme área das Ilhas Britânicas. Muitos foram usados de forma pouco freqüente e podem ter sido locais de encontros e armazenamento de alimentos sazonais ao invés de povoações habitadas permanentemente.

700 AC – 500 AC
A tecnologia do trabalho com ferro se difunde.
Objetos de ferro datando do sexto ou até sétimo século AC são conhecidos na England, Scotland e Wales, mas a ampla adoção do ferro somente se tornou comum durante o quarto século AC.

700 AC – 43 AC
Pequenos assentamentos para cultivo, com malhas de campos começam a se desenvolver.
Uma economia mista de exploração agrícola é sugerida por vestígios de gado, ovelhas e porcos e o processamento de cereais incluindo trigo, cevada e aveia. Colheitas de cereais e criação de animais domésticos, melhoradas, foram desenvolvidas e introduzidas durante a Idade do Ferro.

500 AC – 100 AC
O panorama britânico torna-se dominado por fortes de colinas.
Pelo quarto século AC, muitas partes da Britain foram dominadas pelos fortes de colinas. Em algumas delas, como no centro-sul da England e as fronteiras Welsh, eles eram muito grandes com fortificações e entradas complexas. Muitos desses locais tiveram populações consideráveis e atuaram como centros de serviços para uma população rural crescente.

500 AC – 0
Os primeiros “brochs” ou torres de pedras são construídas na Scotland.
Os primeiros “brochs” datam de 500 – 200 AC e eram ainda ocupados no primeiro milênio DC. Eram construídos com duas paredes concêntricas de pedra seca de modo a criar uma torre oca. Entre as paredes ficavam as galerias e escadarias que conduziam aos níveis superiores. Os pisos superiores de madeira provavelmente constituíam o principal espaço para moradia e o piso térreo era usado como um seguro armazém para os rebanhos.

330 AC
Pytheas de Massalia circunavega a Britain.
Pytheas de Massalia (hoje Marseille, a mais velha cidade da França, fundada por gregos), um mercador e explorador grego, circunavegou as Ilhas Britânicas entre 330 e 320 AC e produziu o seu primeiro registro escrito. Ele descreveu os habitantes como habilidosos plantadores de trigo, usualmente pacíficos, mas formidáveis na guerra quando usavam os carros puxados por cavalos.

300 AC – 0
As vilas do lago Sommerset Levels, de Glastonbury e Meare, são construídas.
Esses povoamentos, sobre grandes plataformas de madeira, foram construídos sobre a borda de uma área de charco e água hoje extinta. Escavações recuperaram milhares de artefatos de madeira e outros materiais orgânicos que raramente sobrevivem em povoamentos de área seca. Na Northern Ireland, , Scotland e Wales, povoamentos menores a beira de lagos, chamados “crannogs” são conhecidos e sobreviveram até o período Romana e ainda após.

200 AC – 000 DC
Ferreiros de ouro e bronze altamente especializados criam objetos decorativos.
Muitos desses itens foram deliberadamente enterrados ou colocados em rios e lagos, provavelmente como oferendas religiosas.

100 AC
Pela primeira vez as moedas são produzidas e usadas.
As primeiras moedas encontradas na Britain eram de ouro e foram cunhadas na França. Cerca de 80-60 AC começaram a ser produzidas na Britain e em torno de 20 AC eram usadas no sudeste da England. As moedas começaram a portar nomes de governantes, algumas tinham a palavra Rex (rei em latim) e algumas o nome onde eram cunhadas, sugerindo um crescente nível de capacidade para ler e escrever o latim. Na idade do Ferro as moedas foram produzidas ao norte da England, Wales, Scotland e Ireland.

FINAL DO VERÃO DE 55 AC
O general romano Julius Caesar invade o sudeste da England.
Após a conquista da Gália (moderna França e Bélgica), Julius Caesar atravessou o English Channel com duas legiões – em torno de 10.000 homens – provavelmente para desenvolver o reconhecimento e enviar aviso aos British aliados de tribos gaulesas. As tribos locais reagiram à sua chegada na praia de Deal, próximo de Dover, mas seus carros de guerra foram repelidos e eles buscaram por uma trégua. Caesar retornou ao continente para o inverno após o mau tempo ter danificado sua frota e impedido de chegar os reforços de cavalaria.

VERÃO DE 54 AC
Julius Caesar lança uma invasão em grande escala à England.
Julius Caesar invade a Britain pela segunda vez com 5 legiões e vence uma série de batalhas antes que sua frota, em Deal, uma vez mais, fosse destruída pelas tempestades. Esse atraso permitiu aos British se reagruparem sob o comando de Cassivellaunus, líder da tribo Catuvellauni. Ele promoveu uma efetiva guerra de guerrilha antes que a traição promovida por tribos rivais permitisse a vitória de Caesar. Uma rebelião iminente na Gália o forçou a retirar-se para nunca mais voltar. As primeiras duas invasões de Cesar à Inglaterra foram de natureza exploratória apenas e nunca pretenderam absorver a Britain à esfera romana.

VERÃO DE 52 AC
O renegado líder gaulês Commius, que fugiu para a Britain, funda um novo reino.
Commius, líder da tribo gaulesa Atrebates, abandona a Gália e torna-se rei da tribo Atrebates da England central-sul, com capital em Silchester (próximo de Reading). Lá ele cria sua própria cunhagem, cujos primeiros exemplos datam de 30 AC. Commius havia sido um aliado de Roma e havia acompanhado Julius Caesar em suas duas expedições à Britain. Ele juntara-se à revolta gaulesa sob o commando de Vercingetorix em 52 AC e abandonou a Gália após uma segunda revolta perdida no ano seguinte.

50 AC – 43 DC
Surgem povoamentos muito grandes, conhecidos como “oppida”.
As povoações conhecidas como 'oppida’ (do latim, significando um centro administrativo) eram em geral locais muito amplos, algumas vezes definidos por rios ou longas valas e diques. Muitas são associadas com centros de poder tribal, comércio com o mundo romano e ricos enterros. Os exemplos incluem Colchester, St Albans e Silchester, ao sul da England. Ao tempo da invasão romana, elas podiam ser encontradas tão longe ao norte quanto Stanwick, em Yorkshire. Nenhuma ‘oppida’ foi encontrada na Scotland, em Wales e na Northern Ireland.

VERÃO DE 27 AC
O imperador romano Augustus planeja a invasão da Britain.
Buscando fronteiras seguras para o seu império, Augustus desenha os planos para uma invasão à Britain mas não os concretiza atendendo às súplicas dos reis British Dumnobellaunus e Tincommius. Com isso as relações entre Roma e Britain permanecem boas pelas duas gerações seguintes, com evidência de que Roma mantinha um saudável comércio com os Britons.

20 AC – 43 DC
A influência romana cresce ao sul da Britain.
A partir de 20 AC o comércio se intensifica em locais como Colchester, St. Albans e Sichester, que exportam cerâmica, vinho e trabalhos com metais aos romanos, deles importando escravos, grãos, cães de caça e metais preciosos. É possível que algumas tribos do sudeste tenham desenvolvido relações diplomáticas com o início do império romano de Augustus e seus sucessores imediatos.

5 DC
Roma reconhece Cymbeline, rei dos Catuvellauni, como rei da Britain

INVERNO DE 9/10 DC
Cunobelinus torna-se rei da tribo Catuvellauni.
Liderando essa tribo por 30 anos, conquistou um imenso território. Seu nome aparece em moedas cunhadas em Colchester e St. Albans e é descrito pelo historiador romano Suetonius como “Rei dos Britons”. Seu território central era Hertfordshire, mas veio a controlar grande parte da East Anglia e o sudeste da England.

INVERNO DE 39/40 DC
Desenvolve-se uma crise na corte de Cunobelinus.
Um conflito de sucessão eclodiu no trono do enfermo Cunobelinus. Adminius, o filho mais jovem do rei, foi exilado e fugiu para a corte do imperador romano Calígula. Seus irmãos mais velhos, Caratacus e Togodumnus, ficaram com o controle dos extensos territórios tribais que se espalhavam pela maior parte da East Anglia e o sudeste da England.

VERÃO DE 40 DC
O imperador romano Calígula planeja uma invasão à Britain.
Tendo liderado o Império Romano de 37 a 41 DC, Calígula, por sua megalomania, tornou difícil ver com clareza fatos objetivos da campanha. Possivelmente ele pretendia o prestígio da conquista da Britain, algo que Julius Caesar não obteve, mas o exército recusou-se a prosseguir e a invasão foi abandonada.

VERÃO DE 42 DC
Verica, rei dos Atrebates, apela a Claudius para ajudá-lo a reconquistar seu trono.
Na expansão do território herdado, Caratacus e Togodumnus penetraram terras de seus vizinhos tribais, empurrando Verica, o rei dos Atrebates, para fora da Britain sul-central que acabou procurando refúgio em Roma. Como um “rei cliente” de Roma, procurou o apoio do Imperador Claudius numa proposta de reivindicação do seu trono. Foi o pretexto para a invasão romana da Britain no ano seguinte.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

UMA PEQUENA HISTÓRIA DA INGLATERRA CONTADA POR UM GAÚCHO DE PORTO ALEGRE, DESCENDENTE DE PORTUGUESES E RESIDENTE EM GRAMADO - LINHA TEMPORAL BRITÂNICA (1) (Quarta Parte)

Na primeira parte da nossa história da Inglaterra, expusemos a terminologia geográfica envolvida na área em foco e apresentamos um rápido esboço dos povos que formaram e habitaram as ilhas britânicas. A existência dessa primeira parte era vital para o bom entendimento do que segue.
Nessa segunda parte, que ora iniciamos, apresentaremos uma linha temporal da história britânica, para que o leitor possa ter, inicialmente, uma idéia rápida e compacta do todo, para, posteriormente, passarmos à história detalhada das ilhas britânicas. Com isso, o leitor menos curioso do assunto poderia deter-se já ao final da apresentação desta segunda parte, ficando com uma boa idéia, resumida, do assunto que nos propusemos apresentar.
Retorno mais uma vez à origem da minha idéia, para recordar que o objetivo principal desse amplo artigo é a figura lendária do Rei Arthur e seus Cavaleiros da Távola Redonda. Há sim, muito sentido em estudar as épocas anteriores à figura central do relato, mas quase nenhum no estudo das épocas posteriores ao acontecimento que mais interessa. Por essa razão, viemos às origens do mundo britânico, mas muito pouco avançaremos na história da Inglaterra, além da época em que se desenrolaram os assuntos relativos à figura histórico-lendária do Rei Arthur.

NEOLÍTICO E IDADE DO BRONZE
6000 AC – 800 AC
O Neolítico, também chamado de Idade da Pedra Polida, começou em 8000 AC e foi o último período da Pré-História, terminando com o surgimento da escrita. A transição do Neolítico para a Idade dos Metais (Idade do Bronze e Idade do Ferro) caracterizou a transição da Pré-História para a História.

6000 AC
A Britain separa-se do Continente Europeu
Acompanhando o final da última Era do Gelo, em torno de 10.000 anos atrás, os níveis do Mar do Norte começaram a elevar-se pelo degelo de grandes lençóis gelados. Em algum tempo após 8200 AC, a última “ponte terrestre” seca, de Libcolnshire e East England para a Holanda, foi tomada pelo pântano salgado. Em torno de 6000 AC até mesmo os pântanos já tinham sido, em sua maior parte, afogados pelo mar.

4500 AC – 3500 AC
São introduzidas as técnicas agrícolas do Continente
Ainda antes de 4500 AC, os povos do Paleolítico e Mesolítico (Antiga e Média Idade da Pedra) eram nômades, caçadores e apanhadores de plantas selvagens. Pelo meio do quinto milênio AC, um novo modo de vida, baseado na agricultura e criação de animais, foi introduzido do Continente. A substituição da caça e da coleta foi gradual e não foi completada até a última parte do terceiro milênio AC na Britain. Assim que a agropecuária foi estabelecida, as comunidades começaram a se fixar.

Inicia-se a produção da cerâmica simples
A manufatura da cerâmica requer o controle de altas temperaturas e é um importante desenvolvimento tecnológico antigo. A cerâmica chegou à Britain com os primeiros agricultores. Os primeiros vasos de cerâmica não eram, em geral, decorados, com bordas pesadas e bases arredondadas. A partir de 3500 AC as partes superiores de alguns vasos de cerâmica eram decoradas com padrões feitos enquanto a argila estava ainda mole. A cerâmica é muito importante para os arqueólogos porque muito durável, sobrevivendo no solo por milhares de anos.

4500 BC – 2500 BC
Ferramentas de pedra cada vez mais sofisticadas são construídas através de novas técnicas de polimento
Por toda a Idade da Pedra (do Paleolítico ao Neolítico), as ferramentas de pedra eram confeccionadas lascando-as ou britando-as. Isso envolvia a remoção de lascas com uso de uma pedra como martelo ou um “martelo macio” de osso ou corno. No Neolítico, machados e facas eram, primeiramente, esboçadas pela britagem e depois eram polidas com o uso de areia abrasiva e água ou uma pedra abrasiva de forma adequada. Esse processo demorado produzia uma borda cortante mais durável, que podia ser facilmente afiada.

As casas tornam-se cada vez mais sólidas e permanentes
As casas da era Mesolítica (meio da Idade da Pedra) eram principalmente estruturas leves adequadas ao estilo de vida nômade. Já as casas do Neolítico (último período da Idade da Pedra) eram mais permanentes, com telhados de colmo e paredes de aveleira entrelaçada ou hastes de salgueiro, tornados a prova do vento com uma mistura de argila, palha e estrume. As primeiras casas do Neolítico eram muitas vezes de forma retangular, mas em torno de 3000 AC, casas redondas começaram a tornar-se mais populares. Esse fato coincide com o aparecimento dos monumentos rituais circulares, como os “henges” e túmulos de passagem. A palavra "henge" é uma palavra nova, criada pela remoção do prefixo real ou suposto, da palavra Stonehenge, o famoso monumento em Wiltshire, sudoeste da Inglaterra.


Desenvolvimento da poda e da carpintaria
A escavação das árvores para a confecção de botes de troncos iniciou no Mesolítico, mas a carpintaria do uso de grandes madeiras estruturais para construção foi uma inovação do Neolítico. A poda é o corte regular e sistemático de uma árvore ou arbusto para estimular o rápido crescimento dos brotos. O machado polido de pederneira era a principal ferramenta usada. As grandes árvores eram derrubadas com machados e desmembradas em pranchas. Hastes e estacas menores, cortadas de aveleiras podadas eram entrelaçadas para fazer cercas e barreiras.

4500 BC – 2000 BC
Pederneira e pedra começam a ser extraídas do subsolo
Os machados feitos de pederneira polida foram importantes ao longo do Neolítico e do início da Idade do Bronze. Pedra de fina granulometria era extraída da encostas da Cumbria, Wales, Cornwall e Northern Ireland. A pederneira minerada é de melhor qualidade que a de superfície.

4500 BC – 3000 BC
Pequenos assentamentos permanentes são desenvolvidos
Há menos assentamentos primitivos do Neolítico na England e Wales – que podem refletir um estilo de vida mais móvel entre os primeiros fazendeiros dessas áreas – do que na Scotland e Ireland. Os mais primitivos assentamentos do Neolítico eram constituídos por uma a três casas, possivelmente com uns poucos anexos. Raramente eram defendidos, exceto na Cornwall. A maioria dos assentamentos era colocada a alguma distância das áreas de túmulos.

4000 AC – 3000 AC
Os enterros comunitários começam a ser praticados
As comunidades primitivas do Neolítico enterravam seus mortos em túmulos compartimentados. A tradição mais primitiva, em torno de 4000 AC, de longos túmulos, possuíam câmaras feitas de grandes pedras (megalitos), ou madeiras, dentro de um longo montículo trapezoidal com um átrio onde os ritos funerários aconteciam. Posteriormente (a partir de cerca de 3000 AC), os túmulos “de passagem” desenvolveram os enterros comunitários, provavelmente para ajudar a unir as comunidades em cenários escassamente povoados.

INVERNO DE 3807 AC – PRIMAVERA DE 3806 AC
A primeira trilha de madeira da Europa é construída
A “Sweet Track”, no Somerset Levels, consiste em uma trilha de madeira elevada, acima do terreno pantanoso, sobre apoios de traves cruzadas. Ela se estendia através de um charco entre o que era então uma ilha e uma área alta. Foi escavada entre 1970 e 1982 e sua idade precisa revelada por estimativa de anéis de árvore (dendocronologia). O Somerset Levels é uma planície costeira alagada, escassamente povoada, do Somerset central, England.

3500 AC
Surge o primeiro local para cerimoniais
Os primeiros encontros cerimoniais, onde diferentes comunidades se reuniam, tiveram lugar dentro de recintos fechados com passadiços, denominados a partir das valas grosseiramente circulares que definiam seus limites, cavadas em segmentos separados por passadiços. A maioria das valas era preenchida e reaberta de tempos em tempos, e os enchimentos das valas incluíam oferendas como crânios de animais e humanos, ossos com carnes, cerâmica e machados de pedra sem uso. Em muitos casos as áreas em torno dos recintos fechados eram, subseqüentemente, transformadas em cenários de rituais.

3300 AC – 1200 AC
São construídos os primeiros círculos de pedra e 'henges'
Embora círculos de pedra ocorram na Europa continental, “henges” são um fenômeno tipicamente “British” e “Irish”. Eles consistem de uma vala circular e uma barreira externa, normalmente circundando conjuntos de estacas ou pedras verticais. Esses locais podem ser adentrados por meio de uma, duas ou mais vias de acesso. A maioria dos “henges” se situa dentro de “cenários rituais” especializados e podem ser ligados a avenidas estaqueadas por pedras verticais ou barreiras e valas. Os mais conhecidos são Stonehenge e Avebury em Wiltshire.


3300
Desenvolvimento dos túmulos de ‘galeria’
A tradição original (cerca de 4000 AC) era de longos túmulos, mas em torno de 3000 AC começaram a se desenvolver os túmulos de “galeria”. Eles consistiam de um “hall” central feito de pedra com três ou mais câmaras laterais, alcançadas por uma longa e baixa passagem, da qual o nome é derivado. A passagem e as câmaras eram ocultas dentro de um grande túmulo redondo; a passagem era muitas vezes alinhada de acordo com o nascer do sol do meio do inverno.

3000 BC – 1500 BC
As povoações proliferam e mais terra é desmatada para cultivo
A tecnologia alterou-se no início da Idade do Bronze (2500 AC na Britain), mas o modo de vida básico permaneceu praticamente o mesmo. A maior freqüência de assentamentos conhecidos, aliada à evidência do aumento do desmatamento de terras de cultivo, indica um crescimento populacional constante. A partir de 2500 AC, as casas redondas eram a principal forma de construção doméstica. A partir de 2000 AC surgem evidências de sistemas de campos, muitas vezes alinhados com túmulos pré-existentes, que sugerem que eles seguiam sistemas primitivos de partição da terra.

Proliferam os 'cenários rituais' como ‘henges’ e túmulos redondos
A partir de cerca de 3000 AC algumas áreas ritualmente importantes em tempos anteriores, ganharam significado maior. Há evidência de locais de cerimoniais menores e mais especializados como os ‘henges’. Uma imensa variedade de túmulos redondos da Idade do Bronze começaram a proliferar após 2500 AC. Os cenários rituais eram normalmente localizados na zona rural plana ou ondulada, como Salisbury Plain, ou em vales fluviais. Muitas vezes eles se agrupavam em torno de cercados com passadiços e haviam dezenas ou mesmo centenas de monumentos diferentes.

Túmulos simples em cemitérios redondos substituem os enterros comunitários
A prática dominante de enterros comunitários foi substituída por um novo rito de túmulos dentro de cemitério redondos. O sepultamento para o qual o cemitério havia sido originalmente feito, é conhecido como o “principal”, mas muitas vezes uma série de sepultamentos ou cremações secundários eram introduzidos. Eles sugerem que os cemitérios marcavam uma presença importante no panorama e que eram significativos para uma família, clã ou tribo. Algumas vezes, o “principal” era provido de bens mortuários valiosos, sugerindo uma sociedade crescentemente hierárquica.