Homenagem ao lendário herói ancestral dos ingleses que deu título a um dos considerados "Cem Maiores Livros do Mundo" e tido como o mais antigo escrito em "Old English".

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quinta-feira, 19 de março de 2015

AS TRÊS PRIMEIRAS GRANDES CIVILIZAÇÕES MUNDIAIS: EGITO (PARTE 02)

III.1.3 – NEOLÍTICO (OU PRÉ-DINÁSTICO)

Cerca de 5000 AC, quando o clima tornou-se mais árido, grupos nômades se deslocaram para o vale do Nilo, criando os primeiros assentamentos urbanos. Essas comunidades se concentraram ao norte e ao sul – Baixo Egito e Alto Egito. Como resultado, o Egito tornou-se conhecido como a “Dupla Terra” ou as “Duas Terras”.

III.1.3.1 – BAIXO EGITO
A desertificação continuada forçou os primeiros ancestrais dos Egípcios a se estabelecer em volta do Nilo mais permanentemente, adotando um estilo de vida mais sedentário.
O período entre 9000 e 6000 AC deixou muito pouco no caminho da evidência arqueológica. Cerca de 6000 AC, os assentamentos do Neolítico aparecem por todo o Egito. Estudos baseados em dados morfológicos, genéticos e arqueológicos, atribuíram esses assentamentos a migrantes do Fértil Crescente, durante o Neolítico Egípcio e Norte Africano, possivelmente trazendo a agricultura à região. Contudo, outras regiões na África desenvolveram, independentemente, a agricultura, na mesma época: as altas terras etíopes, o Sahel[1] e a África Ocidental. Além disso, alguns dados morfológicos e pós cranianos têm ligado as primeiras populações em Fayum, Merimde e El-Badari a populações do Nilo norte africano. Os dados arqueológicos sugerem que os civilizados do Oriente Próximo foram incorporados numa estratégia de pilhagem preexistente e só lentamente se desenvolveram num estilo de vida pleno, contrário ao que seria esperado de colonizadores do Oriente Próximo. Finalmente, os nomes dos civilizados do Oriente Próximo para o Egito, não eram palavras emprestadas sumérias nem proto-semitas, o que ainda mais diminui a semelhança de uma colonização imigrante em massa do Baixo Egito durante a transição para a agricultura.
A Tecelagem foi evidenciada pela primeira vez durante o Período Fayum A. Os povos deste período, diferentemente dos egípcios, enterravam seus mortos muito próximo e, algumas vezes, dentro dos seus assentamentos. Mais tarde, em cemitérios, com poucos bens.
O cobre era conhecido e alguns enxós deste material foram encontrados. A cerâmica, simples e sem decoração mostra, em algumas formas, fortes conexões com o sul de Israel. As pessoas viviam em pequenas cabanas parcialmente enterradas no solo.

III.1.3.2 - ALTO EGITO
Pote típico da cultura Naqada II
com tema de navios
Várias culturas ocuparam o Alto Egito em épocas diversas: Tasiana, Badariana (4400 a 4000 AC), Naqada, Amratiana ou Naqada I (4000 a 3500 AC), Gerzeana ou Naqada II (3500 a 3200 AC). Foi a partir da cultura Gerzeana que os egípcios habitantes da cidade pararam de construir com junco e iniciaram a produção em massa de tijolos de barro para construir suas cidades. Foi também durante esta cultura que uma grande influência da Mesopotâmia se fez sentir no Egito.

III.1.3.3 – PERÍODO PROTO-DINÁSTICO (NAQADA III)
O período Proto-Dinástico, de 3200 a 3000 AC, é geralmente considerado como idêntico ao período Naqada III, durante o qual o Egito foi unificado. Embora disputado por estudiosos, foi a primeira era com hieróglifos (ou hieroglifo), ideograma figurativo que constituiu a notação da escrita egípcia. Pela primeira vez passou a usar-se regularmente o serekh[2], a primeira irrigação e o primeiro cemitério real.
As datas do período Pré-Dinástico foram definidas pela primeira vez, antes que escavações arqueológicas disseminadas, no Egito, fossem iniciadas; e recentes achados, indicando um desenvolvimento Pré-Dinástico muito gradual, conduziram a controvérsias sobre a data correta do final deste período. Por isso, o termo Proto-Dinástico, muitas vezes chamado de “Dinastia Zero”, foi usado pelos estudiosos para indicar a parte do período que podia ser caracterizada como Pré-Dinástica, por alguns, e como Antiga Dinástica, por outros.
As duas terras (Alto e Baixo Egito) foram unidas em 3100 AC pelo legendário Rei Menes, que estabeleceu uma nova cidade administrativa onde o rio Nilo se ramifica no delta. Em tempos antigos ela foi chamada “Muralhas Brancas” ou Mennefer; os gregos a chamaram Memphis. Ela permaneceu como capital do Egito por mais de 3.500 anos. Embora não haja prova arqueológica de que o Rei Menes existiu, a famosa paleta Narmer que mostra duas imagens de um rei, um usando uma coroa do Alto Egito e o outro a coroa do Baixo Egito, parece indicar o Rei Menes. Talvez por isso, os reis Menes e Narmer podem ter sido a mesma pessoa, o primeiro Rei do Egito.

III.2 – ANTIGO PERÍODO DINÁSTICO (3100–2686 AC)

O Antigo Período Dinástico foi aproximadamente contemporâneo ao início da civilização Sumério-Akkadiana da Mesopotâmia e do antigo Elam. O sacerdote egípcio Manetho, do terceiro século AC, grupou a longa linha de faraós, de Menes até o seu próprio tempo, em 30 dinastias, um sistema ainda hoje em uso. Ele decidiu iniciar a sua história oficial com o rei chamado “Meni” (ou Menes, em grego), que se acreditava ter unido os dois reinos do Alto e Baixo Egito, cerca de 3100 AC.
A transição para um estado unificado aconteceu muito mais gradualmente do que os escritores egípcios antigos revelaram e não há registro contemporâneo de Menes. Alguns estudiosos agora acreditam, que o mítico Menes possa ter sido o faraó Narmer, conforme mencionamos acima. No Antigo Período Dinástico, cerca de 3150 AC, o primeiro faraó dinástico solidificou o controle sobre o baixo Egito, estabelecendo a capital em Memphis, de onde podia controlar a força de trabalho e a agricultura da fértil região do delta, bem como as lucrativas e críticas rotas de comércio para o Levante[3]. O crescente poder e riqueza dos faraós durante o antigo período dinástico refletiu-se nos seus elaborados túmulos mastaba[4] e estruturas mortuárias de culto, em Abydos, onde eram usados para celebrar o faraó deificado, após a sua morte. A forte instituição do reinado, desenvolvido pelos faraós, serviu para legitimar o controle do estado sobre a terra, trabalho e recursos essenciais à sobrevivência e crescimento da antiga civilização egípcia.

III.3 – O REINO ANTIGO (2686–2181 AC)

O Reino Antigo é principalmente visto como o período que vai da Terceira Dinastia à Sexta Dinastia, embora muitos egiptólogos incluam também a Sétima e Oitava Dinastias Memphita, como um prosseguimento da administração centralizada em Memphis. Durante o Reino Antigo, o rei do Egito (que só foi chamado de faraó a partir do Novo Reino) tornou-se um deus vivo, que governava de forma absoluta e podia demandar os serviços e a fortuna dos seus súditos.
As grandes pirâmides de Giza: Quéops, Quéfrem e Miquerinos
Importantes avanços na arquitetura, arte e tecnologia foram obtidos durante o Reino Antigo, estimulado pela melhoria da produtividade agrícola e a população resultante, apenas tornadas possíveis por uma bem desenvolvida administração central. Alguns dos empreendimentos reais do antigo Egito, as Pirâmides de Giza (ou Gizeh ou Gizé), - platô a sudoeste da moderna cidade do Cairo - e a Grande Esfinge, foram construídas durante o Reino Antigo, provavelmente mais conhecido pelo grande número de pirâmides construídas como locais de sepultamento dos reis do período, que por isso é frequentemente chamado de “Idade das Pirâmides”.
A Grande Esfinge
Sob a direção do vizir[5], funcionários do Estado coletavam impostos, coordenavam projetos de irrigação para melhorar a colheita, recrutavam camponeses para trabalhar nas construções e estabeleciam um sistema de justiça para manter a paz e a ordem.
Junto com a importância crescente de uma administração central, uma nova classe de educados escribas e funcionários surgiu, aos quais eram garantidos estados, pelo faraó, como paga pelos seus serviços. Terras eram também doadas pelo faraó, para seus cultos mortuários e templos locais, para garantir que essas instituições tivessem os recursos para adorar o faraó após a sua morte. Estudiosos acreditam que cinco séculos destas práticas, lentamente desgastaram o poder econômico do rei fazendo com que a economia não mais pudesse suportar uma administração centralizada tão grande. À medida que o poder do rei diminuía, governadores regionais, nomarcas[6], começaram a desafiar a supremacia do faraó. Junto com as severas secas entre 2200 e 2150 AC, possivelmente causaram o período de 140 anos de fome e discórdia, conhecido como Primeiro Período Intermediário.
Pirâmide de Djoser, projetada por Imhotep 

O primeiro rei da Terceira Dinastia foi Djoser, que transferiu a capital real do Egito para Memphis, onde estabeleceu sua corte, e ordenou a construção de uma pirâmide com pedras, em degraus, na necrópole de Memphis, Saqqara, cuja concepção é creditada a seu arquiteto, Imhotep.
O Reino Antigo e seu poder real alcançaram o zênite com a Quarta Dinastia, iniciada com Sneferu (2613–2589 AC), que usando mais pedras que qualquer outro rei, construiu três pirâmides: uma já ruída em Meidum, a Pirâmide Bent em Dahshur e a Pirâmide Vermelha em Dahshur Norte. Contudo, o pleno desenvolvimento das pirâmides não foi atingido em Saqqara, mas com a construção das “Grandes Pirâmides”, em Giza.
O Complexo do Templo de Djoser ao lado da sua Pirâmide
Sneferu foi sucedido por seu filho Khufu (2589–2566 AC) – ou Quéops, em grego -, que construiu a Grande Pirâmide de Queóps, em Giza. Com a morte de Khufu, seus filhos Djedefra (25828–2520 AC) e Khafra (2520–2494 AC) - ou Quéfrem - terão lutado. O último construiu a pirâmide de Quéfrem e, segundo consta, a Esfinge, em Giza, embora hajam outras versões.
Durante essa dinastia foram realizadas expedições militares a Canaã e Núbia, com a influência egípcia se alastrando a montante do Nilo até o Sudão. Os últimos reis da Quarta Dinastia foram o rei Menkaure (2494–2472 AC), que construiu a terceira grande pirâmide de Giza, Miquerinos, Shepseskaf (2472–2467 AC) e, talvez, Djedefptah (2486–2484).
A Quinta Dinastia (2494-2345 AC) iniciou com Userkaf (2494-2487 AC) e foi marcada pela crescente importância do culto ao deus sol Ra. Consequentemente, menos esforços foram devotados à construção de pirâmides e mais à construção de templos ao sol, em Abusir, outra necrópole do período do Reino Antigo, nas vizinhanças da moderna Cairo.
Userkaf foi sucedido por seu filho Sahure (2487-2475 AC), que comandou uma expedição a Punt, conhecido pela produção e exportação de ouro, de questionável localização. Sahure foi sucedido por Neferirkare Kakai (2475-2455 AC), seu filho ou irmão, podendo ter usurpado o trono, neste caso. Foi seguido por dois vagos reis de curta vida e pelo irmão de um deles. Os últimos reis da dinastia foram Menkauhor Kaiu (2421-2414 AC), Djedkare Isesi (2414-2375 AC) e Unas (2375-2345 AC), o primeiro governante a ter os textos piramidais (em egípcio antigo, possivelmente os mais velhos textos religiosos do mundo) inscritos em sua pirâmide.
Durante a Sexta Dinastia (2345-2181 AC), o poder do rei gradualmente enfraqueceu em favor de poderosos nomarcas (governadores regionais). Estes não mais pertenciam à família real, mas seu cargo tornou-se hereditário, com isso criando dinastias regionais independentes da autoridade central do rei. O reinado incrivelmente longo de Pepi II (2278-2187 AC), ao final da dinastia, criou lutas sucessórias entre os descontentes herdeiros, afundando o país em guerras civis. O golpe final ficou por conta de uma drástica redução na pluviometria do país, entre 2200 e 2150 AC, que impediu as cheias normais do rio Nilo, causando décadas de inanição e discórdia e o colapso do Reino Antigo.

III.4 – PRIMEIRO PERÍODO INTERMEDIÁRIO
(2181-2055 AC)

O Primeiro Período Intermediário, muitas vezes descrito como um “período negro” na história do antigo Egito, abarcou o período entre 2181-2055 AC, incluindo a Sétima e parte da Décima Primeira Dinastia. Muito pouca evidência sobreviveu deste período.
Após o governo central do Egito ter malogrado, ao final do Reino Antigo, a administração não pode mais estabilizar a economia do país. Os governadores regionais não podiam confiar na ajuda do rei em tempo de crise e a falta de comida e disputas políticas que se seguiram, transformaram-se em inanição e guerras civis de pequena escala. Contudo, a despeito dos problemas, os líderes locais, sem dever tributo ao faraó, usaram sua recente independência para estabelecer uma florescente cultura nas províncias. Com o controle de seus próprios recursos, as províncias tornaram-se mais ricas, demonstrado pelos maiores e melhores funerais entre todas as classes sociais. Em ímpetos de criatividade, os artesãos provinciais adotaram e adaptaram motivos culturais anteriormente restritos à realeza do Reino Antigo; escribas desenvolveram estilos literários que expressavam o otimismo e originalidade do período.
A Sétima e Oitava dinastias são muitas vezes negligenciadas porque pouco se sabe dos governantes desses dois períodos. A Sétima pode ter sido uma oligarquia de poderosos oficiais da Sexta, baseados em Memphis, que tentaram reter o controle do país. Os governantes da Oitava Dinastia reivindicavam uma descendência dos reis da Sexta e também governaram de Memphis. Uns poucos artefatos foram encontrados, que incluem escaravelhos (camafeus com suas imagens) atribuídos ao rei Neferkare II, da Sétima Dinastia, bem como um grande cilindro de jaspe verde, creditada à Oitava Dinastia; além disso, em Saqqara foi encontrada uma pequena pirâmide que se crê tenha sido construída pelo rei Ibi, da Oitava Dinastia.
Livres de suas lealdades ao faraó, os governantes locais começaram a competir entre si por controle territorial e poder político. Após o obscuro reinado dessas duas dinastias, por volta de 2160 AC, um grupo de mandatários surgiu de Heracleópolis (nome grego da capital da vigésima nomo), no Baixo Egito, que subjugou os fracos governantes de Memphis, criando a Nona Dinastia e reinando por aproximadamente 100 anos, compreendendo a Nona e Décima Dinastias, cada uma com 19 governantes listados. O fundador da Nona Dinastia, Wahkare Khety I (também conhecido por Akhthoes ou Akhtoy), é muitas vezes descrito como um governante mau e violento que causou muito dano aos habitantes do Egito. Khety I foi sucedido por Khety II, também conhecido por Meryibre, que teve um reinado pacífico, mas teve problemas no Delta. Seu sucessor Khety III conseguiu trazer a paz ao Delta, embora seu poder e influência fosse ainda insignificante quando comparados aos reis do Reino Antigo.
Uma distinta linha de nomarcas surgiu em Siut (ou Asyut), uma poderosa e rica província ao sul do reino Heracleopolitano, cujos príncipes guerreiros mantiveram um bom relacionamento com aqueles reis. Tal província atuaria como um estado abafador entre os governantes do norte e do sul, com os príncipes de Siut sofrendo o ímpeto dos ataques dos reis de Tebas (não confundir com a Tebas grega).
Sugere-se que uma invasão do Alto Egito ocorreu simultaneamente à fundação do reino de Heracleópolis, por descendentes de Intef (ou Inyotef), nomarca de Tebas, responsável pela linha tebana de reis, que constituiu a Décima Primeira e Décima Segunda Dinastias e que acabou tomando o controle do Alto Egito. Os Intef’s cresceram em poder e expandiram seu domínio para o norte, tornando inevitável um choque entre as duas dinastias rivais. Intef II começou o assalto ao norte, particularmente em Abydos. Intef III completou esse ataque ao norte e acabou capturando Abydos, pentrando o Médio Egito contra os reis heracleopolitanos. Os primeiros três reis da Décima Primeira Dinastia foram, portanto, os três últimos reis do Primeiro Período Intermediário e seriam sucedidos por uma linha de reis chamados Mentuhotep. Mentuhotep II, também conhecido por Nebhepetra, e entronado em 2055 AC, acabaria derrotando os reis heracleopolitanos cerca de 2033 AC, unificando o país para prosseguir a Décima Primeira Dinastia e trazendo o Egito a um período de renascimento cultural e econômico conhecido como Reino Médio.



[1] O Sahel é a zona de transição eco climática e biogeográfica na África, entre o deserto do Saara, ao norte, e a savana do Sudão, ao sul. Com um clima semiárido, ela se estende através da extensão mais ao sul da África do Norte, entre o Oceano Atlântico e o Mar Vermelho.
[2] Nos hieróglifos egípcios, um serekh é um cercado retangular representando a fachada, com portão, de um palácio, em geral coroado pelo falcão Horus (deus), indicando que o texto anexo era um nome real.
[3] Levante é um termo geográfico impreciso que se refere, historicamente, a uma grande área do Oriente Médio ao sul dos Montes Tauro, limitada, a oeste, pelo Mediterrâneo, e a leste, pelo deserto da Arábia setentrional e pela Mesopotâmia. Hoje, a região incluiria Síria, Jordânia, Israel, Palestina, Líbano e Chipre.
[4] Um mastaba era um tipo de túmulo egípcio antigo em forma de uma estrutura retangular com telhado plano e paredes externas inclinadas, construídos de tijolos de barro ou pedras. Mastabas marcaram os locais de enterros de muito egípcios eminentes durante o Antigo Período Dinástico e o Reino Antigo, quando os reis começaram a ser enterrados em pirâmides.
[5] O vizir era o funcionário mais alto, do Egito antigo, a serviço do rei ou faraó durante os reinos Antigo, Médio e Novo. Os vizires eram, muitas vezes, indicados pelo faraó, por sua lealdade ou talento, mas eram muitas vezes seus parentes.
[6] Nomarcas eram governadores semi-feudais das províncias (nomes) do antigo Egito. Mantinham autoridade sobre cada uma das 42 províncias (em grego, nomo) em que o país era dividido.

Continuação na próxima postagem: PARTE 03

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

UMA PEQUENA HISTÓRIA DA INGLATERRA CONTADA POR UM GAÚCHO DE PORTO ALEGRE, DESCENDENTE DE PORTUGUESES E RESIDENTE EM GRAMADO - LINHA TEMPORAL BRITÂNICA (2) (Quinta Parte)

2500 AC
Começa a surgir o trabalho em metal com melhoria na tecnologia de fornos
Seguindo a introdução da cerâmica dois milênios antes, o aparecimento do trabalho em metal foi outro importante passo tecnológico no controle do calor e na produção de temperaturas cada vez maiores, através do uso de pequenas fornalhas e foles de couro. O mais primitivo trabalho de metal britânico foi feito de puro cobre, bronze ( liga com percentagem muito maior de cobre e pouco estanho) ou ouro. O ouro era usado para ornamentos e jóias; bronze e cobre eram usados para pontas de lanças, machados, facas e adagas.

2500 AC – 1500 AC
O desenvolvimento dos machados de bronze conduz aos avanços nas técnicas de trabalho em madeira.
O conhecimento do trabalho em madeira, na Idade do Bronze, cresceu muito, recentemente, graças ao descobrimento de importantes locais alagados por toda a Britain e Ireland, já que os locais inundados preservam a madeira por séculos. A madeira foi o principal material de construção da Idade do Bronze e a introdução dos machados de metal foi o maior avanço tecnológico. Originalmente acreditava-se que os machados de bronze substituíram a pedra de forma gradual e num período de vários séculos; evidência recente sugere que este processo foi bastante rápido.

2500 AC – 800 AC
Os trabalhos de metal tornam-se crescentemente sofisticados
O início da Idade do Bronze (2500-1500 AC) viu a produção regular de trabalhos de metal mais sofisticados, consistindo, principalmente, de machados, adagas e pontas de flecha endentadas, conectadas à haste por um dente.
O trabalho com pederneira continua a despeito do desenvolvimento das ferramentas de metais
A introdução das ferramentas de metal, em torno de 2500 AC, não conduziu ao súbito abandono da pederneira como material para confecção das ferramentas leves do quotidiano. Ao final do Neolítico (final da Idade da Pedra), a britagem da pederneira mudou de longas lâminas para flocos mais curtos que eram afiados e fortes. Em torno de 1500 AC houve outra mudança, dessa vez em direção aos implementos para furação e perfuração no trabalho com osso e couro. Essa tradição pode muito bem ter continuado pelo início da Idade do Ferro.

2400 AC – 2200 AC
“Especialistas” criam a cerâmica “beaker” altamente decorada
A cerâmica era provavelmente produzida domesticamente; o aparecimento do trabalho com metais e novas formas altamente decoradas de recipientes para beber, chamados pelos arqueologistas de “beakers”, indicam a presença de especialistas na Britain. Provavelmente, os primeiros fabricantes dessa cerâmica vieram do continente, mas após um curto intervalo, eles tornaram-se locais.

2300 AC
“Amesbury Archer” morre perto de Stonehenge
Uma escavação de 2003 em Amesbury, Wiltshire, descobriu o corpo de um homem e cerca de 100 artefatos, incluindo facas de cobre, ornamentos de cabelo de ouro, vasos de cerâmica altamente decorados e muitas pontas de flecha de pederneira. Análises dos seus dentes mostraram que ele se criou na Europa Central. Indivíduos encontrados em dois outros túmulos próximos, do mesmo período, provavelmente teriam vindo do Wales Ocidental. Estas descobertas mostram que as viagens longas formaram uma importante parte da vida e crença do início da Idade do Bronze.

2049 AC
'Seahenge' é construída na costa de Norfolk.
Em 1998 uma pequena elipse com 55 postes de carvalho, circundando um grande carvalho invertido, foi descoberta em Holme-Next-The-Sea. Cerca de 50 diferentes machados de bronze foram usados e lascas de madeira encontradas dentro dos buracos dos postes, mostraram que as madeiras haviam sido trabalhadas no local, provavelmente como parte de um esforço comunal.

2000 AC – 1400 AC
Líderes da elite são enterrados com elaborados pertences mortuários.
Uma série de enterros de indivíduos sob aterros circulares e com pertences funerários elaborados, incluindo cerâmica funerária especial, adagas de bronze e cobre e objetos de ouro e âmbar, foram descobertos no Século XIX na área de Wessex e então no Século XX, próximo de Norfolk. Há fortes paralelos com a Bretanha, na França, sugerindo contato regular entre as duas áreas.

2000 AC
O “Lockington Gold Hoard” é enterrrado em Lockington, Leicestershire, UK.
Uma escavação de 1993 em Leicestershire revelou um pequeno cemitério contendo uma vala com vários objetos pertencentes ao início da Era do Bronze – Lockington Gold Hoard. Essa descoberta foi importante por mostrar que objetos ricos dessa espécie não ficaram confinados a Wessex e entornos de Stonehenge como se acreditava então.

1800 AC
São escavadas as primeiras minas de cobre em escala industrial.
Estima-se que o Mount Gabriel (County Cork, Ireland) produziu em torno de 370 toneladas de cobre e Great Orme (ao norte de Wales) de 175 a 235 toneladas.

1500 AC – 1200 AC
Surgem armas e ornamentos mais sofisticados de metal.
Na média Idade do Bronze, formas menores de machados começaram a surgir junto com as lanças de pontas encaixadas às hastes. Armas mais confiáveis, como punhais e pequenas espadas, começaram a surgir, bem como elaborados broches e braceletes de bronze.

1500 AC – 800 AC
As práticas cerimoniais mudam à medida que as novas idéias religiosas se desenvolvem.
Após 1500 AC, os túmulos em cemitérios circulares foram sendo substituídos por cremação em cemitérios.
Machados mais leves, com soquetes, provam ser ferramentas mais efetivas para trabalhos em madeira.
Antes de 1970 os machados mais leves, encaixados à haste através de um buraco, eram vistos como funcionalmente ineficientes; entretanto, evidência recente de madeiras preservadas e hastes completas, têm mostrado que eram ferramentas efetivas e adaptáveis, com as hastes pesadas e bem balanceadas compensando a leveza relativa da cabeça dos machados.
As planícies dos vales principais são extensivamente povoadas.
Este foi o período em que começou a diferenciar-se a cerâmica do final da Idade do Bronze daquela da Idade do Ferro.

1200 AC – 800 AC
A produção de objetos de metal aumenta e se diversifica rapidamente.
As inovações principais foram os machados menores encaixados e as espadas com lâminas afiadas para cortar.
A cultura céltica e os reinos tribais começam a emergir.
A nova estrutura social, surgida com as alterações na religião e nos cerimoniais de enterros, e que persistiu através da Idade do Ferro, foi rotulada como “Céltica”. É provável que as elites controladoras do final da Idade do Bronze compreendessem uma proporção maior da sociedade e pode ter sido centrada sobre uma “aristocracia guerreira”. Esse foi o período em que numerosas tribos da Britain começaram a combinar-se em grupos maiores que se tornaram os chamados reinos tribais da Idade do Ferro.
A casa redonda torna-se a estrutura doméstica típica.
As casas da Idade do Ferro, diferentemente das do final da Idade do Bronze, não possuíam os postes internos para suporte do telhado, cujo peso era suportado pelas paredes.

IDADE DO FERRO
800 AC – 43 DC

800 AC – 700 AC
Os primeiros fortes de Colinas são construídos.
Originados ao final da Idade do Bronze (1000 AC – 800 AC), os fortes de colinas do início da Idade do Ferro são encontrados por uma enorme área das Ilhas Britânicas. Muitos foram usados de forma pouco freqüente e podem ter sido locais de encontros e armazenamento de alimentos sazonais ao invés de povoações habitadas permanentemente.

700 AC – 500 AC
A tecnologia do trabalho com ferro se difunde.
Objetos de ferro datando do sexto ou até sétimo século AC são conhecidos na England, Scotland e Wales, mas a ampla adoção do ferro somente se tornou comum durante o quarto século AC.

700 AC – 43 AC
Pequenos assentamentos para cultivo, com malhas de campos começam a se desenvolver.
Uma economia mista de exploração agrícola é sugerida por vestígios de gado, ovelhas e porcos e o processamento de cereais incluindo trigo, cevada e aveia. Colheitas de cereais e criação de animais domésticos, melhoradas, foram desenvolvidas e introduzidas durante a Idade do Ferro.

500 AC – 100 AC
O panorama britânico torna-se dominado por fortes de colinas.
Pelo quarto século AC, muitas partes da Britain foram dominadas pelos fortes de colinas. Em algumas delas, como no centro-sul da England e as fronteiras Welsh, eles eram muito grandes com fortificações e entradas complexas. Muitos desses locais tiveram populações consideráveis e atuaram como centros de serviços para uma população rural crescente.

500 AC – 0
Os primeiros “brochs” ou torres de pedras são construídas na Scotland.
Os primeiros “brochs” datam de 500 – 200 AC e eram ainda ocupados no primeiro milênio DC. Eram construídos com duas paredes concêntricas de pedra seca de modo a criar uma torre oca. Entre as paredes ficavam as galerias e escadarias que conduziam aos níveis superiores. Os pisos superiores de madeira provavelmente constituíam o principal espaço para moradia e o piso térreo era usado como um seguro armazém para os rebanhos.

330 AC
Pytheas de Massalia circunavega a Britain.
Pytheas de Massalia (hoje Marseille, a mais velha cidade da França, fundada por gregos), um mercador e explorador grego, circunavegou as Ilhas Britânicas entre 330 e 320 AC e produziu o seu primeiro registro escrito. Ele descreveu os habitantes como habilidosos plantadores de trigo, usualmente pacíficos, mas formidáveis na guerra quando usavam os carros puxados por cavalos.

300 AC – 0
As vilas do lago Sommerset Levels, de Glastonbury e Meare, são construídas.
Esses povoamentos, sobre grandes plataformas de madeira, foram construídos sobre a borda de uma área de charco e água hoje extinta. Escavações recuperaram milhares de artefatos de madeira e outros materiais orgânicos que raramente sobrevivem em povoamentos de área seca. Na Northern Ireland, , Scotland e Wales, povoamentos menores a beira de lagos, chamados “crannogs” são conhecidos e sobreviveram até o período Romana e ainda após.

200 AC – 000 DC
Ferreiros de ouro e bronze altamente especializados criam objetos decorativos.
Muitos desses itens foram deliberadamente enterrados ou colocados em rios e lagos, provavelmente como oferendas religiosas.

100 AC
Pela primeira vez as moedas são produzidas e usadas.
As primeiras moedas encontradas na Britain eram de ouro e foram cunhadas na França. Cerca de 80-60 AC começaram a ser produzidas na Britain e em torno de 20 AC eram usadas no sudeste da England. As moedas começaram a portar nomes de governantes, algumas tinham a palavra Rex (rei em latim) e algumas o nome onde eram cunhadas, sugerindo um crescente nível de capacidade para ler e escrever o latim. Na idade do Ferro as moedas foram produzidas ao norte da England, Wales, Scotland e Ireland.

FINAL DO VERÃO DE 55 AC
O general romano Julius Caesar invade o sudeste da England.
Após a conquista da Gália (moderna França e Bélgica), Julius Caesar atravessou o English Channel com duas legiões – em torno de 10.000 homens – provavelmente para desenvolver o reconhecimento e enviar aviso aos British aliados de tribos gaulesas. As tribos locais reagiram à sua chegada na praia de Deal, próximo de Dover, mas seus carros de guerra foram repelidos e eles buscaram por uma trégua. Caesar retornou ao continente para o inverno após o mau tempo ter danificado sua frota e impedido de chegar os reforços de cavalaria.

VERÃO DE 54 AC
Julius Caesar lança uma invasão em grande escala à England.
Julius Caesar invade a Britain pela segunda vez com 5 legiões e vence uma série de batalhas antes que sua frota, em Deal, uma vez mais, fosse destruída pelas tempestades. Esse atraso permitiu aos British se reagruparem sob o comando de Cassivellaunus, líder da tribo Catuvellauni. Ele promoveu uma efetiva guerra de guerrilha antes que a traição promovida por tribos rivais permitisse a vitória de Caesar. Uma rebelião iminente na Gália o forçou a retirar-se para nunca mais voltar. As primeiras duas invasões de Cesar à Inglaterra foram de natureza exploratória apenas e nunca pretenderam absorver a Britain à esfera romana.

VERÃO DE 52 AC
O renegado líder gaulês Commius, que fugiu para a Britain, funda um novo reino.
Commius, líder da tribo gaulesa Atrebates, abandona a Gália e torna-se rei da tribo Atrebates da England central-sul, com capital em Silchester (próximo de Reading). Lá ele cria sua própria cunhagem, cujos primeiros exemplos datam de 30 AC. Commius havia sido um aliado de Roma e havia acompanhado Julius Caesar em suas duas expedições à Britain. Ele juntara-se à revolta gaulesa sob o commando de Vercingetorix em 52 AC e abandonou a Gália após uma segunda revolta perdida no ano seguinte.

50 AC – 43 DC
Surgem povoamentos muito grandes, conhecidos como “oppida”.
As povoações conhecidas como 'oppida’ (do latim, significando um centro administrativo) eram em geral locais muito amplos, algumas vezes definidos por rios ou longas valas e diques. Muitas são associadas com centros de poder tribal, comércio com o mundo romano e ricos enterros. Os exemplos incluem Colchester, St Albans e Silchester, ao sul da England. Ao tempo da invasão romana, elas podiam ser encontradas tão longe ao norte quanto Stanwick, em Yorkshire. Nenhuma ‘oppida’ foi encontrada na Scotland, em Wales e na Northern Ireland.

VERÃO DE 27 AC
O imperador romano Augustus planeja a invasão da Britain.
Buscando fronteiras seguras para o seu império, Augustus desenha os planos para uma invasão à Britain mas não os concretiza atendendo às súplicas dos reis British Dumnobellaunus e Tincommius. Com isso as relações entre Roma e Britain permanecem boas pelas duas gerações seguintes, com evidência de que Roma mantinha um saudável comércio com os Britons.

20 AC – 43 DC
A influência romana cresce ao sul da Britain.
A partir de 20 AC o comércio se intensifica em locais como Colchester, St. Albans e Sichester, que exportam cerâmica, vinho e trabalhos com metais aos romanos, deles importando escravos, grãos, cães de caça e metais preciosos. É possível que algumas tribos do sudeste tenham desenvolvido relações diplomáticas com o início do império romano de Augustus e seus sucessores imediatos.

5 DC
Roma reconhece Cymbeline, rei dos Catuvellauni, como rei da Britain

INVERNO DE 9/10 DC
Cunobelinus torna-se rei da tribo Catuvellauni.
Liderando essa tribo por 30 anos, conquistou um imenso território. Seu nome aparece em moedas cunhadas em Colchester e St. Albans e é descrito pelo historiador romano Suetonius como “Rei dos Britons”. Seu território central era Hertfordshire, mas veio a controlar grande parte da East Anglia e o sudeste da England.

INVERNO DE 39/40 DC
Desenvolve-se uma crise na corte de Cunobelinus.
Um conflito de sucessão eclodiu no trono do enfermo Cunobelinus. Adminius, o filho mais jovem do rei, foi exilado e fugiu para a corte do imperador romano Calígula. Seus irmãos mais velhos, Caratacus e Togodumnus, ficaram com o controle dos extensos territórios tribais que se espalhavam pela maior parte da East Anglia e o sudeste da England.

VERÃO DE 40 DC
O imperador romano Calígula planeja uma invasão à Britain.
Tendo liderado o Império Romano de 37 a 41 DC, Calígula, por sua megalomania, tornou difícil ver com clareza fatos objetivos da campanha. Possivelmente ele pretendia o prestígio da conquista da Britain, algo que Julius Caesar não obteve, mas o exército recusou-se a prosseguir e a invasão foi abandonada.

VERÃO DE 42 DC
Verica, rei dos Atrebates, apela a Claudius para ajudá-lo a reconquistar seu trono.
Na expansão do território herdado, Caratacus e Togodumnus penetraram terras de seus vizinhos tribais, empurrando Verica, o rei dos Atrebates, para fora da Britain sul-central que acabou procurando refúgio em Roma. Como um “rei cliente” de Roma, procurou o apoio do Imperador Claudius numa proposta de reivindicação do seu trono. Foi o pretexto para a invasão romana da Britain no ano seguinte.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

UMA PEQUENA HISTÓRIA DA INGLATERRA CONTADA POR UM GAÚCHO DE PORTO ALEGRE, DESCENDENTE DE PORTUGUESES E RESIDENTE EM GRAMADO - LINHA TEMPORAL BRITÂNICA (1) (Quarta Parte)

Na primeira parte da nossa história da Inglaterra, expusemos a terminologia geográfica envolvida na área em foco e apresentamos um rápido esboço dos povos que formaram e habitaram as ilhas britânicas. A existência dessa primeira parte era vital para o bom entendimento do que segue.
Nessa segunda parte, que ora iniciamos, apresentaremos uma linha temporal da história britânica, para que o leitor possa ter, inicialmente, uma idéia rápida e compacta do todo, para, posteriormente, passarmos à história detalhada das ilhas britânicas. Com isso, o leitor menos curioso do assunto poderia deter-se já ao final da apresentação desta segunda parte, ficando com uma boa idéia, resumida, do assunto que nos propusemos apresentar.
Retorno mais uma vez à origem da minha idéia, para recordar que o objetivo principal desse amplo artigo é a figura lendária do Rei Arthur e seus Cavaleiros da Távola Redonda. Há sim, muito sentido em estudar as épocas anteriores à figura central do relato, mas quase nenhum no estudo das épocas posteriores ao acontecimento que mais interessa. Por essa razão, viemos às origens do mundo britânico, mas muito pouco avançaremos na história da Inglaterra, além da época em que se desenrolaram os assuntos relativos à figura histórico-lendária do Rei Arthur.

NEOLÍTICO E IDADE DO BRONZE
6000 AC – 800 AC
O Neolítico, também chamado de Idade da Pedra Polida, começou em 8000 AC e foi o último período da Pré-História, terminando com o surgimento da escrita. A transição do Neolítico para a Idade dos Metais (Idade do Bronze e Idade do Ferro) caracterizou a transição da Pré-História para a História.

6000 AC
A Britain separa-se do Continente Europeu
Acompanhando o final da última Era do Gelo, em torno de 10.000 anos atrás, os níveis do Mar do Norte começaram a elevar-se pelo degelo de grandes lençóis gelados. Em algum tempo após 8200 AC, a última “ponte terrestre” seca, de Libcolnshire e East England para a Holanda, foi tomada pelo pântano salgado. Em torno de 6000 AC até mesmo os pântanos já tinham sido, em sua maior parte, afogados pelo mar.

4500 AC – 3500 AC
São introduzidas as técnicas agrícolas do Continente
Ainda antes de 4500 AC, os povos do Paleolítico e Mesolítico (Antiga e Média Idade da Pedra) eram nômades, caçadores e apanhadores de plantas selvagens. Pelo meio do quinto milênio AC, um novo modo de vida, baseado na agricultura e criação de animais, foi introduzido do Continente. A substituição da caça e da coleta foi gradual e não foi completada até a última parte do terceiro milênio AC na Britain. Assim que a agropecuária foi estabelecida, as comunidades começaram a se fixar.

Inicia-se a produção da cerâmica simples
A manufatura da cerâmica requer o controle de altas temperaturas e é um importante desenvolvimento tecnológico antigo. A cerâmica chegou à Britain com os primeiros agricultores. Os primeiros vasos de cerâmica não eram, em geral, decorados, com bordas pesadas e bases arredondadas. A partir de 3500 AC as partes superiores de alguns vasos de cerâmica eram decoradas com padrões feitos enquanto a argila estava ainda mole. A cerâmica é muito importante para os arqueólogos porque muito durável, sobrevivendo no solo por milhares de anos.

4500 BC – 2500 BC
Ferramentas de pedra cada vez mais sofisticadas são construídas através de novas técnicas de polimento
Por toda a Idade da Pedra (do Paleolítico ao Neolítico), as ferramentas de pedra eram confeccionadas lascando-as ou britando-as. Isso envolvia a remoção de lascas com uso de uma pedra como martelo ou um “martelo macio” de osso ou corno. No Neolítico, machados e facas eram, primeiramente, esboçadas pela britagem e depois eram polidas com o uso de areia abrasiva e água ou uma pedra abrasiva de forma adequada. Esse processo demorado produzia uma borda cortante mais durável, que podia ser facilmente afiada.

As casas tornam-se cada vez mais sólidas e permanentes
As casas da era Mesolítica (meio da Idade da Pedra) eram principalmente estruturas leves adequadas ao estilo de vida nômade. Já as casas do Neolítico (último período da Idade da Pedra) eram mais permanentes, com telhados de colmo e paredes de aveleira entrelaçada ou hastes de salgueiro, tornados a prova do vento com uma mistura de argila, palha e estrume. As primeiras casas do Neolítico eram muitas vezes de forma retangular, mas em torno de 3000 AC, casas redondas começaram a tornar-se mais populares. Esse fato coincide com o aparecimento dos monumentos rituais circulares, como os “henges” e túmulos de passagem. A palavra "henge" é uma palavra nova, criada pela remoção do prefixo real ou suposto, da palavra Stonehenge, o famoso monumento em Wiltshire, sudoeste da Inglaterra.


Desenvolvimento da poda e da carpintaria
A escavação das árvores para a confecção de botes de troncos iniciou no Mesolítico, mas a carpintaria do uso de grandes madeiras estruturais para construção foi uma inovação do Neolítico. A poda é o corte regular e sistemático de uma árvore ou arbusto para estimular o rápido crescimento dos brotos. O machado polido de pederneira era a principal ferramenta usada. As grandes árvores eram derrubadas com machados e desmembradas em pranchas. Hastes e estacas menores, cortadas de aveleiras podadas eram entrelaçadas para fazer cercas e barreiras.

4500 BC – 2000 BC
Pederneira e pedra começam a ser extraídas do subsolo
Os machados feitos de pederneira polida foram importantes ao longo do Neolítico e do início da Idade do Bronze. Pedra de fina granulometria era extraída da encostas da Cumbria, Wales, Cornwall e Northern Ireland. A pederneira minerada é de melhor qualidade que a de superfície.

4500 BC – 3000 BC
Pequenos assentamentos permanentes são desenvolvidos
Há menos assentamentos primitivos do Neolítico na England e Wales – que podem refletir um estilo de vida mais móvel entre os primeiros fazendeiros dessas áreas – do que na Scotland e Ireland. Os mais primitivos assentamentos do Neolítico eram constituídos por uma a três casas, possivelmente com uns poucos anexos. Raramente eram defendidos, exceto na Cornwall. A maioria dos assentamentos era colocada a alguma distância das áreas de túmulos.

4000 AC – 3000 AC
Os enterros comunitários começam a ser praticados
As comunidades primitivas do Neolítico enterravam seus mortos em túmulos compartimentados. A tradição mais primitiva, em torno de 4000 AC, de longos túmulos, possuíam câmaras feitas de grandes pedras (megalitos), ou madeiras, dentro de um longo montículo trapezoidal com um átrio onde os ritos funerários aconteciam. Posteriormente (a partir de cerca de 3000 AC), os túmulos “de passagem” desenvolveram os enterros comunitários, provavelmente para ajudar a unir as comunidades em cenários escassamente povoados.

INVERNO DE 3807 AC – PRIMAVERA DE 3806 AC
A primeira trilha de madeira da Europa é construída
A “Sweet Track”, no Somerset Levels, consiste em uma trilha de madeira elevada, acima do terreno pantanoso, sobre apoios de traves cruzadas. Ela se estendia através de um charco entre o que era então uma ilha e uma área alta. Foi escavada entre 1970 e 1982 e sua idade precisa revelada por estimativa de anéis de árvore (dendocronologia). O Somerset Levels é uma planície costeira alagada, escassamente povoada, do Somerset central, England.

3500 AC
Surge o primeiro local para cerimoniais
Os primeiros encontros cerimoniais, onde diferentes comunidades se reuniam, tiveram lugar dentro de recintos fechados com passadiços, denominados a partir das valas grosseiramente circulares que definiam seus limites, cavadas em segmentos separados por passadiços. A maioria das valas era preenchida e reaberta de tempos em tempos, e os enchimentos das valas incluíam oferendas como crânios de animais e humanos, ossos com carnes, cerâmica e machados de pedra sem uso. Em muitos casos as áreas em torno dos recintos fechados eram, subseqüentemente, transformadas em cenários de rituais.

3300 AC – 1200 AC
São construídos os primeiros círculos de pedra e 'henges'
Embora círculos de pedra ocorram na Europa continental, “henges” são um fenômeno tipicamente “British” e “Irish”. Eles consistem de uma vala circular e uma barreira externa, normalmente circundando conjuntos de estacas ou pedras verticais. Esses locais podem ser adentrados por meio de uma, duas ou mais vias de acesso. A maioria dos “henges” se situa dentro de “cenários rituais” especializados e podem ser ligados a avenidas estaqueadas por pedras verticais ou barreiras e valas. Os mais conhecidos são Stonehenge e Avebury em Wiltshire.


3300
Desenvolvimento dos túmulos de ‘galeria’
A tradição original (cerca de 4000 AC) era de longos túmulos, mas em torno de 3000 AC começaram a se desenvolver os túmulos de “galeria”. Eles consistiam de um “hall” central feito de pedra com três ou mais câmaras laterais, alcançadas por uma longa e baixa passagem, da qual o nome é derivado. A passagem e as câmaras eram ocultas dentro de um grande túmulo redondo; a passagem era muitas vezes alinhada de acordo com o nascer do sol do meio do inverno.

3000 BC – 1500 BC
As povoações proliferam e mais terra é desmatada para cultivo
A tecnologia alterou-se no início da Idade do Bronze (2500 AC na Britain), mas o modo de vida básico permaneceu praticamente o mesmo. A maior freqüência de assentamentos conhecidos, aliada à evidência do aumento do desmatamento de terras de cultivo, indica um crescimento populacional constante. A partir de 2500 AC, as casas redondas eram a principal forma de construção doméstica. A partir de 2000 AC surgem evidências de sistemas de campos, muitas vezes alinhados com túmulos pré-existentes, que sugerem que eles seguiam sistemas primitivos de partição da terra.

Proliferam os 'cenários rituais' como ‘henges’ e túmulos redondos
A partir de cerca de 3000 AC algumas áreas ritualmente importantes em tempos anteriores, ganharam significado maior. Há evidência de locais de cerimoniais menores e mais especializados como os ‘henges’. Uma imensa variedade de túmulos redondos da Idade do Bronze começaram a proliferar após 2500 AC. Os cenários rituais eram normalmente localizados na zona rural plana ou ondulada, como Salisbury Plain, ou em vales fluviais. Muitas vezes eles se agrupavam em torno de cercados com passadiços e haviam dezenas ou mesmo centenas de monumentos diferentes.

Túmulos simples em cemitérios redondos substituem os enterros comunitários
A prática dominante de enterros comunitários foi substituída por um novo rito de túmulos dentro de cemitério redondos. O sepultamento para o qual o cemitério havia sido originalmente feito, é conhecido como o “principal”, mas muitas vezes uma série de sepultamentos ou cremações secundários eram introduzidos. Eles sugerem que os cemitérios marcavam uma presença importante no panorama e que eram significativos para uma família, clã ou tribo. Algumas vezes, o “principal” era provido de bens mortuários valiosos, sugerindo uma sociedade crescentemente hierárquica.