Homenagem ao lendário herói ancestral dos ingleses que deu título a um dos considerados "Cem Maiores Livros do Mundo" e tido como o mais antigo escrito em "Old English".

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domingo, 14 de julho de 2013

BREVE HISTÓRIA DO IMPÉRIO ROMANO - PARTE 8

V.1.2 – A Crise do Terceiro Século

Este foi o nome dado a uma série de acontecimentos catastróficos ocorridos no Império Romano ao longo do Século III, mais precisamente do ano 235 ao ano 284. Neste período, o império foi governado sucessivamente por cerca de dezoito imperadores "legítimos" (ver o anexo “Imperadores do Principado”). A maioria deles era de proeminentes generais que assumiram o poder imperial sobre todo ou parte do império, somente para perdê-lo por derrota em combate, assassinato, ou morte natural, governando, em média, apenas dois a três anos. O número exato de imperadores do período é desconhecido, pois não considera os nomeados junto com pais e colegas, além de desconsiderar os pretendentes.
Ao final do século II, uma guerra civil de sucessão aconteceu, que abalou profundamente o império. Na primeira metade do século seguinte, o império se manteve próspero e extenso, até que o poderoso Império Sassânida(1), ao leste, iniciou ataques ao Império Romano. No ano 260, foram capturados o imperador Valeriano e todo o seu exército de 70 mil homens e, sem muita defesa, as províncias do leste foram devastadas. A peste bubônica espalhou-se pelo império tornando-se uma epidemia. Além desses problemas, o Império Romano ainda iria se deparar com outro poderoso inimigo ao norte, os godos, povo de origem germânica, das regiões meridionais da Escandinávia. O avanço da peste e os fracassos militares do império eram tão frustrantes que o povo passou a buscar novas crenças e rituais para afastar os perigos, ao mesmo tempo em que se intensificou a perseguição aos cristãos, sempre culpados do infortúnio do momento.
Uma característica marcante observada na crise do terceiro século foi a fraqueza demonstrada pelos imperadores em manter, de forma prolongada, o controle sobre o império. Essa série de imperadores fracos foi, de certa forma, um reflexo da extensa militarização do império. Em outras palavras, Roma foi abandonando gradativamente seu caráter aristocrático, percebido anteriormente nos poderes investidos ao senado romano, para tornar-se um império militar. Esse processo de enfraquecimento do senado romano foi acompanhado pelo fortalecimento, cada vez maior, das legiões romanas nas decisões relativas à escolha dos imperadores, em função de seus interesses imediatos e, por consequência, na administração do império. Isso levou, inevitavelmente, à escolha de imperadores despreparados e incompetentes.
Foi também durante a “Crise do Terceiro Século” que algumas das Províncias Romanas efetivaram rebeliões contra o governo central e que mencionaremos de passagem, considerando que os imperadores que surgiram com essas rebeliões constam da “Relação dos Imperadores do Principado”. 
Império das Gallias (verde) e Palmira (amarelo) no Império Romano (vermelho)

a) O Império das Gallias
O Império das Gálias (em latim Imperium Galliarum) é o nome moderno dado à secessão das províncias romanas da Gália, Britânia, parte de Hispânia e parte de Germânia, do Império Romano durante a “Crise do Terceiro Século”, de 259 a 274, também conhecido como Império Galo-Romano.
Seu fundador, Marco Cassiano Latínio Póstumo, estabeleceu a capital do Império em Trier, no atual estado alemão da Renânia-Palatinado.
Imperador Póstumo
Em seu trono sucederam-se uma série de usurpadores que se proclamaram imperadores romanos e são conhecidos principalmente pelas moedas que cunharam. O imperador romano da época, Galiano, empreendia uma campanha contra os marcomanos(2)  no médio Danúbio, enquanto o general Póstumo assumia a defesa da Récia (província romana na atual Suíça). O general aproveitou-se dessa posição e assumiu o trono imperial na Gália. O estabelecimento do Império das Gálias proporcionou uma resposta mais eficaz às invasões germânicas do que poderia oferecer o imperador Galiano, ocupado com a fronteira no leste e no Danúbio.
O império das Gálias foi recuperado para Roma pelo imperador Aureliano, que com uma série de campanhas militares conseguiu restabelecer o poder imperial no Ocidente e também no Oriente, onde havia sido proclamado o Reino de Palmira. 
Imperador Galiano

b) O Império de Palmira
A Palmira (hoje chamada de Tadmor) era uma antiga cidade na Síria central, localizada num oásis a cerca de 210 km a nordeste de Damasco. Sua localização estratégica, aproximadamente ao meio da distância que vai do Mar Mediterrâneo até ao rio Eufrates, tornou-a um ponto de paragem obrigatório para muitas das caravanas que seguiam por aí a sua rota comercial. O nome "Palmira" refere-se, tal como o prenome feminino, às palmeiras, árvore que, supostamente, existiria aí em grande quantidade.
Palmira tornou-se parte da província romana da Síria durante o reinado de Tibério (14 a 37 DC). A cidade continuou a desenvolver-se e a ganhar importância até que se tornou uma cidade livre, sob o império de Adriano, em 129. No século III, a sua rainha, Septímia Zenóbia criou alguns embaraços ao Império Romano ao autoproclamar-se rainha do reino de Palmira (Império de Palmira); mas em 272, o imperador romano Aureliano capturou-a e levou-a para Roma. Depois de expô-la numa parada triunfal, acorrentada a cadeias de ouro, permitiu-lhe que se retirasse para uma vila em Tibur (hoje, Tivoli, Itália) onde continuou a ter um papel politicamente ativo, durante anos. 
Imperador Aureliano

c) Imperadores Ilírios
Não se tratando propriamente de uma dinastia, é antes de tudo um conjunto de imperadores romanos que, devido à sua origem comum, ficaram conhecidos como "Ilírios". A Ilíria é uma região histórica que corresponde, aproximadamente, à antiga Iugoslávia no período entre 268 e 285. Os imperadores Ilírios ficaram famosos também por serem quase todos militares. Com Cláudio II, o Gótico (268-270), inaugura-se precisamente essa época, em que quase todos os imperadores provinham da Ilíria, que compreendia a Dalmácia, região fortemente romanizada na costa do Adriático e toda a área montanhosa adjacente, também indelevelmente marcada pela ação civilizadora romana. Apesar da escassa duração deste período Ilírio, conseguiu-se nessa época restabelecer, pela força, a unidade do Império, então muito abalada. A sucessão desses imperadores pode ser vista na relação anexa (Imperadores do Principado). Os Ilírios foram, de fato, os últimos imperadores da unidade e da afirmação da coesão do Império, que não lhes sobreviveu como unidade geopolítica una e indivisível.
Com a crise do terceiro século, começaram as transformações que, mais de um século depois, levariam ao fim do período histórico conhecido como Antiguidade e o início da Idade Média. Foram os sucessos de Aureliano que, efetivamente, encerraram a Crise do Terceiro Século do Império Romano, rendendo-lhe o título de “Restaurador do Mundo”.

V.2 – O DOMINATO

O Dominato, palavra que se origina de dominus (senhor), é o período do Império Romano que vai de 284 DC, com Diocleciano, a 565 DC, data da morte de Justiniano. O Dominato foi uma monarquia despótica e militar, do tipo helenístico, sob a influência de ideias orientais, em que o princeps converteu-se em dominus, isto é, em amo ou governante absoluto, à frente de uma grande burocracia. Durante o Dominato, os imperadores mostravam claramente a sua condição, usando coroas, púrpuras e outros ornamentos imperiais. O imperador tornava-se "senhor e deus" e todos que eram admitidos em sua presença eram obrigados a ajoelhar-se e beijar a ponta do manto real. Extinguiu-se, com isso, o Principado: os civis haviam sido derrotados pelos militares.
O cargo de princeps já trazia, na realidade, o germe da situação de Dominato: fatos como a “apoteose” dos imperadores, o poder sem limites, e o lento declinar, por parte dos Romanos, da importância que davam a vida política entre iguais, contribuíram, de forma decisiva, para a adoção de uma monarquia oriental, especialmente bem sucedida no Império Romano do Oriente. 
Imperador Diocleciano
Durante o Dominato persistiram as dinastias (“Anexo 2 - Imperadores do Dominato”), que se iniciou com Diocleciano, em 284 DC e a sua constituição da Tetrarquia, em 293 DC. A Tetrarquia designa qualquer sistema de governo em que o poder esteja dividido entre quatro indivíduos, denominados "tetrarcas", e aplica-se, usualmente, à introduzida por Diocleciano, que perdurou até 313 DC, marcando a resolução da crise do século III e a recuperação do Império Romano.
A primeira medida importante de Diocleciano foi indicar Maximiano como seu augusto ou co-imperador, em 285. Não foi propriamente uma divisão de poder, pois, na realidade, Diocleciano estava em posição superior à de Maximiano; entretanto, a partir daí, o império passou a ter dois augustos (augusti), cada qual com exército, administração e capital próprios, embora Diocleciano continuasse a ser o chefe do Estado, representando a unidade do mundo romano. Com isso, o império foi dividido entre os sectores orientais (pars Orientis), sob o controle pessoal de Diocleciano, e ocidentais (pars Occidentis), governados por Maximiano. 
Imperador Maximiano
Oito anos mais tarde, em 293, dada a crescente dificuldade de conter as numerosas revoltas no interior do império, procedeu a uma nova divisão funcional e territorial, a fim de facilitar as operações militares: nomeou um imperador menos "graduado", denominado César, subordinado a cada imperador mais graduado (augusto). Como seu césar para o oriente, Diocleciano designou Galério; Maximiano fez o mesmo, nomeando Constâncio Cloro para o ocidente. A tetrarquia concretizou-se com a divisão do império em quatro territórios:
• Diocleciano controlava as províncias orientais e o Egito, com capital na Nicomédia (atual İzmit, na Turquia);
• Galério administrava as províncias balcânicas, com capital em Sirmium (atual Sremska Mitrovica, na Sérvia);
• Maximiano governava a Itália e a África Proconsular, com a capital em Mediolanum (atual Milão, na Itália); 
Imperador Galerio
• Constâncio Cloro, pai de Constantino I, recebeu a Hispânia, a Gália e a Britânia, com capital em Augusta Treverorum (atual Trier ou Tréveris, na Alemanha).
Os césares eram chefes militares capazes de governar e proteger o império, adotados como filhos pelos augustos, a quem sucederiam em caso de morte, de incapacidade provocada pela velhice ou decorridos vinte anos de seus governos. Lugares-tenentes dos augustos, os césares também possuíam capital, exército e administração próprios.
Com a abdicação de Diocleciano (305), teve início uma guerra entre os augustos e os césares por ele nomeados e a anarquia se instaurou. De 316 a 323, Constantino e Licínio governaram Roma. A partir de 324, Constantino passou a ser o único senhor de todo o império, valendo à pena escrevermos algumas linhas sobre ele, por razões que logo serão entendidas.
Imperador Constâncio Cloro
Constantino I, também conhecido como Constantino Magno ou Constantino, o Grande, foi um imperador romano, proclamado Augusto pelas suas tropas em 25 de julho de 306, que governou uma porção crescente do Império Romano até a sua morte.
Quando Diocleciano e Maximiano abdicaram conjuntamente em 305, Constâncio (pai de Constantino) seria proclamado “augusto”, mas Constantino seria descartado como “césar” em proveito de Flávio Severo. Pouco antes da morte de seu pai, em 25 de julho de 306, Constantino conseguiu a permissão de Galério para reunir-se a ele no Ocidente, onde participou de campanha contra os “picts”, estando junto ao leito de morte de seu pai na Britânia, o que lhe permitiu impor o princípio da hereditariedade em seu proveito, proclamando-se "césar" e sendo reconhecido como tal por Galério, então "augusto" do Oriente. Assim, desde o início de seu reinado, Constantino tinha o controle da Britânia,Gália,Germânia e Hispânia, com sua capital em Trier, cidade que fez embelezar e fortificar. 
Imperador Constantino I
As guerras civis constantes e prolongadas fizeram de Constantino, antes de mais nada, um reformador militar, que, para aumentar o número de tropas a sua disposição imediata, constituiu o cortejo militar do imperador (comitatus) num corpo de tropas de elite auto suficiente - um verdadeiro exército de campanha —, principalmente pelo recrutamento de grande número de germanos que se apresentavam ao exército romano nos termos de diversos tratados de paz, a começar pelo chefe dos alamanos, Chrocus, que teve um papel decisivo na aclamação de Constantino como Augusto.
Constantino acabou, no entanto, por entrar na História como o primeiro imperador romano a professar o cristianismo, na sequência da sua vitória sobre o imperador Magêncio na Batalha da Ponte Mílvio, próximo de Roma, em 312, que ele mais tarde atribuiria ao Deus cristão. Constantino legalizou e apoiou fortemente a cristandade por volta do tempo em que se tornou imperador, com o Édito de Milão (3), sem tornar o paganismo ilegal ou fazer do cristianismo a religião estatal única. Na sua posição de Pontifex Maximus, estabeleceu as condições do seu exercício público e interferiu na organização da hierarquia, quando convocado.
Quando Licínio expulsou os funcionários cristãos da sua corte, Constantino encontrou um pretexto para enfrentar seu colega e, tendo negada a permissão para entrar no Império do Oriente, durante uma campanha contra os sármatas, fez disto a razão para derrotar e eliminar Licínio em 324, quando tornou-se imperador único.
Apesar de a Igreja ter prosperado sob o auspício de Constantino, ela própria decaiu no primeiro de muitos cismas públicos. Após ter unificado o mundo romano, Constantino convocou o “Primeiro Concílio de Niceia” (4), em um grande centro urbano da parte oriental do império, em 325, um ano depois da queda de Licínio, a fim de unificar a Igreja cristã, pois com as divergências desta, o seu trono poderia ficar ameaçado.
Para resolver definitivamente o problema logístico da distância entre a capital e as principais frentes militares da época, sem recorrer ao expediente de uma residência imperial "interina", Constantino reconstruiu a antiga cidade grega de Bizâncio, em maio de 330 chamando-a Nova Roma, dotando-a de um Senado e instituições cívicas semelhantes aos da antiga Roma. Entretanto, era uma cidade cristã onde encontrava-se o mausoléu onde Constantino seria sepultado. Os templos pagãos de Bizâncio foram nela preservados, mas foram proibidos os sacrifícios e o culto das imagens dos deuses. Após a morte de Constantino, Bizâncio foi renomeada Constantinopla – em sua homenagem -, gradualmente transformando-se na capital permanente do império romano, por mais de mil anos, sendo por isso considerado como um dos fundadores do Império Romano do Oriente. A fundação de Constantinopla foi complementada pelo tratado entre Constantino e seus descendentes e os godos que, a partir de 332, passaram a defender a fronteira do Danúbio, fornecendo homens ao exército romano, em troca de abastecimentos. A mudança da capital imperial enfraqueceu a influência do papado de Roma, fortalecendo a influência do bispo de Constantinopla sobre o Oriente, um dos eventos notáveis que provocaria, futuramente, o Grande Cisma do Oriente (5).
Além de derrotar os imperadores Magêncio e Licínio durante as guerras civis, Constantino lutou com sucesso contra os francos e alamanos, visigodos e sármatas, durante boa parte do seu reinado.
Constantino foi sucedido, em 337, por seus três filhos com sua esposa Fausta: Constantino II, Constante e Constâncio II, que dividiram entre si a administração do império até que, após uma série de lutas confusas, Constâncio II emergiu como “augusto” único.
Durante as décadas das dinastias Constantina e Valentiniana que se seguiram, o império foi dividido ao longo de um eixo leste-oeste, com dois centros de poder, um em Constantinopla e outro em Roma (logo falaremos sobre isso com mais detalhe). O reinado de Juliano, que tentou restaurar a religião helenística e romana clássica, apenas interrompeu, brevemente, a sucessão de imperadores cristãos. Teodósio I, que sucedeu à casa Valentiniana, o último imperador a governar Oriente e o Ocidente, em Constantinopla, morreu em 395 D.C., depois de, efetivamente, tornar o Cristianismo a religião oficial do Estado.

(1) O Império Sassânida foi o último Império Persa pré-islâmico, governado pela dinastia sassânida de 224 a 651 DC. O Império Sassânida, que sucedeu ao Império Parta, foi reconhecido como uma das principais potências da Ásia Ocidental e Central, juntamente com o Império Romano/Bizantino, por um período de mais de 400 anos.
(2) Os marcomanos constituíam uma tribo germânica com estreitas ligações aos suevos e que habitavam a região sul do rio Danúbio. As fontes romanas indicam que, no início da era cristã, as tribos marcomanas se estabeleceram na atual Boêmia, depois de terem sido derrotadas por Nero Cláudio Druso, general do imperador romano Augusto. No século II DC, os marcomanos federaram-se com outros povos (quados, vândalos e sármatas) para enfrentar o Império Romano. Sendo essencialmente guerreiros, os marcomanos empregavam também mulheres em combates.
(3) O Édito de Milão (313 DC), também referenciado como Édito da Tolerância, declarava que o Império Romano seria neutro em relação ao credo religioso, acabando oficialmente com toda perseguição sancionada oficialmente, especialmente do Cristianismo. O édito foi emitido em Milão, pelo tetrarca ocidental Constantino I e por Licínio, o tetrarca Oriental.

(4) O Primeiro Concílio de Niceia foi um concílio de bispos cristãos reunidos na cidade de Niceia da Bitínia (atual İznik, Turquia), pelo imperador romano Constantino I em 325 DC. O concílio foi a primeira tentativa de obter um consenso da igreja através de uma assembleia representando toda a cristandade. O seu principal feito foi o estabelecimento da questão cristológica entre Jesus e Deus, o Pai; a construção da primeira parte do Credo Niceno (credo ou profissão de fé, mais utilizado na liturgia cristã); a fixação da data da Páscoa; e a promulgação da lei canônica (lei eclesiástica interna que rege as Igrejas Cristãs).
(5) O Cisma do Oriente, também chamado de Grande Cisma ou Cisma Ocidente-Oriente, foi a divisão definitiva da “Igreja Católica Apostólica” em “Igreja Católica Apostólica Romana” e “Igreja Ortodoxa”. O cisma ocorreu no ano de 1054, na cidade de Constantinopla.



Continua na Parte 9.

domingo, 2 de junho de 2013

BREVE HISTÓRIA DO IMPÉRIO ROMANO - PARTE 6

IV.3.2 - A expansão para o Oriente

O rei da Bitínia[1]  submeteu-se a Roma. O monarca selêucida  da Síria[2], Antíoco III, foi vencido em 189 AC na Magnésia, ao sudoeste da Ásia Menor (ou Anatólia, já comentada anteriormente).
Os romanos conquistaram a Grécia em 146 AC. Os gregos revoltaram-se contra Roma e o cônsul romano Lucius Mummius derrotou-os, incendiando Corinto. A Grécia tornou-se província romana em 129 AC com o nome de Aqueia (ou Acaia). Em seguida, Roma estabeleceu um protetorado romano no Egito. Logo, no ano de 133 AC, Roma obteve como herança, após a morte do rei Attalos III, de Pérgamo[3],  a cobiçada província da Ásia[4]. No mesmo ano, Numância, cidade do curso superior do Douro, já na Península Ibérica, foi conquistada por Cipião Emiliano, neto de Cipião, o Africano, que sitiando seus habitantes pela fome os induziu ao suicídio coletivo.
A partir do final do século II AC, Roma já era o império mais poderoso do mundo, estendendo-se por quatro mil quilômetros, da Hispânia (Península Ibérica) até a Ásia Menor, e dominando uma população estimada em 30 milhões de pessoas.
Com a conquista da Gallia Transalpina[5] , efetivada por Júlio César (52 AC), a Roma republicana transformou-se no maior império que já tinha existido até então, com população estimada em 55 milhões, quase 25% da população mundial.
Durante longos anos estas conquistas foram tratadas apenas como fonte de valiosas pilhagens. Os governos provinciais romanos não eram exatores (fiscalistas), pois a riqueza vinda das províncias conquistadas (junto com os lucros da exploração estatal das minas) permitia suprimir totalmente os impostos diretos aos habitantes da Itália.
Segundo o historiador Keith Hopkins, a população dominada por Roma aumentou de quatro milhões em 225 AC para 60 (sessenta) milhões após a queda da república.

IV.4 - A crise da República Romana

A crise da República Romana refere-se a um longo período, entre 134 e 27 AC, de instabilidade política e social, que culminou com a transformação da República Romana no Império Romano, e teve início quando o senado romano passou a ter seu poder desafiado pelo poderio militar de alguns generais.
A partir de 238 AC, Roma passou a ter províncias, sendo a primeira delas Córsega e Sardenha, seguida pela Sicília, em 241 AC. Além disso, o aumento do território e da duração temporal das guerras de conquista obrigou o senado romano a criar o pro-rogatio, que era a prorrogação do tempo do mandato do proconsul ou do pró-pretor provincial, que era o funcionário da administração central incumbido de governar a nova província. Com isso, a influência e o poder se concentraram nas mãos de alguns generais, o que lhes permitiu desafiar a tradicional classe senatorial.
Um dos melhores exemplos deste tipo de processo foi o general Caius Marius, que mesmo sendo rejeitado pelo senado para comandar a expedição ao norte da África com o intuito de solucionar a guerra contra Jugurta, foi enviado com o aval que a decisão popular lhe deu. Isso ilustra um exemplo de como os generais podiam aliciar militantes a seu favor, mesmo quando o senado decidia contra eles.
Pode-se afirmar que um dos momentos mais críticos da República Romana, até o “primeiro triunvirato”, teria sido a ditadura de Lucius Cornelius Sulla, que chegou a marchar com seu exército sobre Roma. Desde o fim das Guerras Púnicas, o cargo de ditador romano havia sido abolido, por ser considerado perigoso conceder a um único homem tanto poder. Porém, o cargo foi reintroduzido em 81 AC, por Sulla, ao fim da guerra civil com a facção de Caius Marius.
O filósofo e orador Cícero
Foi nessa época turbulenta que floresceu um dos mais importantes filósofos e políticos de toda a história de Roma, Marcus Tullius Cicero, um dos grandes defensores da República, tendo escrito vários tratados políticos e filosóficos. Na verdade, Cicero é figura merecedora de vários livros que, lamentavelmente, não poderão ser sequer relacionados aqui, para que possamos manter o foco em nosso assunto principal.
Além da reimplantação da ditadura em Roma, houve outros motivos para o colapso da República Romana, entre eles, o fracasso dos irmãos Tiberius e Gaius Sempronius Gracchus ao tentar realizar uma reforma agrária, guerras civis e revoltas populares, movimentos separatistas e insurreições de escravos. Devemos também salientar que a estrutura política da República era inadequada ao Império, no sentido de Estado conquistador.

IV.4.1 – O Primeiro Triunvirato
O General Júlio César

O Primeiro Triunvirato (governo de três pessoas) foi uma aliança política informal estabelecida em 59 AC, durante a República Romana, entre os três mais poderosos generais de Roma, Caius (ou Gaius) Iulius Caesar (Júlio César, o favorito da plebe), Cnaeus Pompeius Magnus (Pompeu, que triunfara na Hispânia) e Marcus Licinius Crassus Dives (Crasso, o homem mais rico de Roma), para dividir o governo. A palavra triunvirato origina-se de dois radicais latinos: trium (três) e vir (homem). O Primeiro Triunvirato prolongou-se até 53 AC e, ao contrário do Segundo Triunvirato, este acordo era informal e não continha nenhum valor jurídico. A única transação efetuada foi a de Júlia Cesaris, filha de César, que se tornou mulher de Pompeu num casamento que haveria de se revelar feliz. Como a cada um dos três faltava algo, juntaram esforços para se completarem.
O senador Pompeu
Recém eleito cônsul sênior em 59 AC com a ajuda de Crasso e Pompeu, embora sem histórico político, César foi encarregado da execução das medidas propostas pelos três. Distribuiu terras da Campânia para os soldados de Pompeu; apoiou os partidários de Crasso na expulsão de Cícero, senador inimigo de Crasso e contrário às reformas político-sociais em Roma. Também fez com que as soluções administrativas adotadas por Pompeu em suas conquistas no Oriente fossem confirmadas pela Assembleia Popular. Depois de um ano difícil como cônsul, César recebeu poderes proconsulares para governar as províncias da Gália e Ilíria[6] por cinco anos. Um governo pacífico não se adequava, no entanto, à sua personalidade e César iniciou as Guerras da Gália, conquistando a Gália, partes da Germânia e incursionando às ilhas Britânicas. Para si, garantiu o domínio das Gallias Cisalpina e Transalpina, onde iria buscar glória militar na luta contra as tribos rebeladas e riquezas para pagar seus credores em Roma e sustentar suas ambições políticas. 
Senador Crasso
As Guerras da Gallia duraram quase oito anos, durante os quais Vercingetórix[7], herói gaulês, bravamente resistiu a César, até que preso foi enviado a Roma e posto a definhar no Carcere Mamertino, onde foi finalmente degolado. Toda a Gallia foi então subjugada. Graças às vitórias e pilhagens, Júlio César conquistou a reputação militar, fortuna e glória que lhe faltavam para igualar-se a Crasso e Pompeu.
Pompeu era extremamente popular junto aos cidadãos, devido às suas conquistas militares, mas desprezado pela classe senatorial pela falta de sangue azul da sua família.
Em 55 AC, Pompeu e Crasso foram eleitos cônsules e honraram o acordo estabelecido com César ao prolongarem o pro consulado por mais cinco anos.
Crasso, mau militar, célebre pela luta na Terceira Guerra Servil contra Spartacus[8]  - em realidade aniquilado por Pompeu - e pela fabulosa fortuna que acumulou, mas sem influência política, foi nomeado governador da Síria. Logo após a vitória contra Spartacus, numa entrevista com o general do Império Parta[9], Surena, que o havia vencido em desastrosa campanha na Pérsia, condenada desde o início pela péssima planificação, e com o qual negociaria a sua rendição, foi assassinado em 53 AC.
A Ilíria (amarelo) no Império Romano
No ano 54 AC, Júlia Caesaris morreu em trabalho de parto, deixando pai e marido cobertos de desgosto. Sem Crasso e Júlia, Pompeu aproximou-se da facção conservadora. Ainda durante as guerras Gallicas, César procurou manter o Triunvirato e assegurar a aliança com Pompeu propondo-lhe casamento com uma das sobrinhas, mas este preferiu voltar a casar-se com Cornélia Metela, filha de Cipião Metelo, um dos maiores inimigos de César. Finalmente, após a morte de Crasso, César e Pompeu passaram a disputar o poder.
O Senado, temendo as ambições de César e seu controle absoluto sobre o experiente exército da Gallia, procurou se aproximar de Pompeu, julgado mais cordato aos interesses dos senadores. Pompeu, então considerado o mais ilustre cidadão de Roma desde a morte de Sulla, em 54 AC, exigiu de César o licenciamento do exército e a demissão do governo das Gallias. Em 50 AC, o senado, liderado por Catão[10], ordenou o regresso de César e a desmobilização de todas as suas legiões, ao mesmo tempo em que o proibia de candidatar-se ao segundo cargo de cônsul in absentia (ausente). César sabia que, sem o seu imperium de proconsul e o poder das suas legiões, perderia o seu poder de barganha e seria processado e eliminado da vida política assim que regressasse a Roma. A tradição romana não permitia que um general vitorioso entrasse na cidade acompanhado de seu exército, o que era uma forma de impedir que os militares pudessem sobrepor-se ao poder senatorial, devendo dispersar suas tropas quando se dirigiam para a capital. César recusou-se a obedecer e, em 49 AC, atravessou o rio Rubicão, ao norte da península Itálica, limite de sua jurisdição, dizendo, segundo a lenda, a famosa frase:

“Alea jacta est” (a sorte está lançada)

Quando soube que César havia atravessado o Rubicão com as tropas, Pompeu abandonou Roma. César invadiu a Itália e marchou sobre Roma.
Tempos depois, as tropas de César venceram Pompeu na Batalha de Farsalos; vencido, Pompeu fugiu para o Egito, onde foi assassinado pelos ministros do faraó Ptolomeu XII. César desembarcou no Egito, onde havia uma disputa pelo poder, e recebeu a cabeça de Pompeu, como ato boa de vizinhança, que não aceitou. Conquistou o país e depôs Ptolomeu, colocando em seu lugar Cleópatra[11] (que era irmã do faraó), ao lado de quem permaneceu, por nove meses, antes de deixar o Egito, em 47 AC.
Cleópatra, rainha do Egito.
Em 47 AC, César dominou regiões da Ásia que se mantinham fiéis aos seguidores de Pompeu. Ao vencer a Farnaces II, na Batalha de Zela, anunciou sua fácil vitória com a célebre frase:

“Veni, vidi, vici” (vim, vi e venci)

Na Batalha de Tapso, na África, César derrotou os partidários de Pompeu e foi, por isto, nomeado ditador por dez anos. Na Batalha de Munda, na Hispânia, César derrotou os filhos de Pompeu e foi então nomeado ditador vitalício, pontífice máximo, áugure e Pater Patriae (Pai da Pátria).

IV.4.3 – A Ditadura de Júlio César

Finalmente instaurado no poder, isoladamente, Júlio César reformou o Senado Romano, aumentando o número de senadores de sua orientação política. Além disso, aumentou o número de magistraturas, assentou seus veteranos de guerra em colônias fundadas por ele próprio. Além disso, para obter o apoio popular, César deu parte do espólio das novas conquistas para serem divididas entre os plebeus.
Entretanto, não durou muito a ditadura de Júlio César, pois o grupo que se lhe opunha, acreditando agir em defesa da República, tramou e executou o seu assassinato durante sessão do senado, nas próprias escadarias do edifício, em 44 AC. Entre os seus assassinos encontravam-se dois antigos protegidos: Marco Júnio Bruto (Brutus)[12] e Caio Longino Cássio. César teria caído aos pés de uma estátua de Pompeu e suas últimas palavras seriam descritas em várias versões, das quais a mais célebre teria sido a imortalizada por Shakespeare:

“Et tu Brutus?” ( Até tu, Brutus?)

Logo após o assassinato, o senado extinguiu a ditadura do grupo de magistraturas romanas. Entretanto, Marco Antônio, um dos aliados de César e seu principal general, provocou manifestações populares durante seu funeral, que assustaram os opositores de César. Com isso, mesmo com a morte de César, o senado foi obrigado a ratificar as medidas implementadas pelo ditador e Marco Antônio se tornou um dos mais influentes senadores, dado o seu poder junto ao povo, tendo o senado que aprovar todas as medidas por ele propostas.
Depois da morte de César, uma luta pelo poder rebentou entre o seu sobrinho-neto Otaviano (posteriormente conhecido como Augusto), adotado por seu testamento, e Marco António, que haveria de resultar na queda da República e na fundação do Império Romano.

[1] A Bitínia era um antigo reino situado no que agora é o noroeste da Turquia, estendendo-se para leste de Istambul, ao longo do litoral meridional do Mar Negro.
[2] O Império Selêucida foi um antigo estado grego que existiu após a morte de Alexandre, o Grande da Macedónia, quando seus generais entraram em conflito pela divisão de seu império.
[3] Pérgamo, atual Bergama, é uma antiga cidade grega que situava-se a noroeste da Anatólia, a mais de 20 km do Mar Egeu, numa colina isolada do vale do Rio Caicos.
[4] A província romana da Asia (sem confusões com o continente) foi organizada em 129 AC, governada por um procônsul e posteriormente ampliada, sem chegar a abranger a totalidade da Ásia Menor (ou Anatólia).
[5] Gallia Transalpina era o nome dado pelos romanos ao território que se estendia além dos Alpes, delimitado por estes, pelo Mediterrâneo, pelos Pirineus, pelo Reno e pelo Oceano Atlântico, correspondendo, grosso modo, ao território hoje ocupado pela França. Transalpina para diferenciar aquela região da Gallia Cisalpina, situada antes dos Alpes (da perspectiva romana), entre os Apeninos e a cordilheira alpina, na planície do rio Pó.
[6] A Ilíria (“terra dos livres”, em albanês) é a região mais a noroeste dos Bálcãs. Sua fronteira norte é a Ístria e a sul ela se estende até, aproximadamente, o Lago Scutari. Ao tempo, abrigaria os seguintes atuais países: Sérvia, Montenegro, norte daAlbânia, Bósnia e Herzegovina e Croácia.
[7] Vercingetórix foi o inspirador de Asterix, o herói gaulês das histórias em quadrinhos e do cinema.
[8] Spartacus (em português Espártaco), que viveu cerca de 120 a 70 AC, foi um gladiador de origem trácia, líder da mais célebre revolta de escravos na Roma Antiga, conhecida como "Terceira Guerra Servil", "Guerra dos Escravos" ou "Guerra dos Gladiadores". Espártaco liderou, durante a revolta, um exército rebelde que chegou a somar quase 100 mil ex-escravos.
[9] O Império Parta ou Parto, também conhecido como Império Arsácida, foi uma das principais potências político-culturais iranianas da antiga Pérsia.
[10] Catão (em latim Marcus Porcius Cato Uticensis), que viveu entre 95 e 46 AC, foi um político romano célebre pela sua inflexibilidade e integridade moral, avesso a qualquer tipo de suborno. Opunha-se, particularmente, a César e suicidou-se após a sua vitória na Batalha de Tapso.
[11] Cleópatra Thea Filopator, que teria vivido entre 69 e 30 AC, foi a última rainha egípcia da dinastia de Ptolomeu, general que governou o Egito após a conquista daquele país por Alexandre III da Macedônia. Cleópatra originalmente governou conjuntamente com seu pai, Ptolomeu XII Neos Dionisos, e mais tarde com seus irmãos, Ptolomeu XIII e Ptolomeu XIV, com quem casou-se, por costume egípcio; finalmente quedou-se como governante único. Como faraó, ela consumou uma ligação com Júlio César, com quem teve um filho, Cesário. Posteriormente, envolveu-se também com Marco Antônio, durante o Segundo Triunvirato. Cleópatra foi uma grande negociante, estrategista militar, falava seis idiomas e conhecia filosofia, literatura e arte gregas.
[12] Marcus Junius Brutus, também chamado Quintus Caepio Brutus, que teria vivido entre 85 e 42 AC, foi um político romano e um dos líderes da conspiração que assassinou Julius Caesar. Brutus era filho de Marcus Junius Brutus, o Velho, que fora assassinado por Pompeu e Servília, mais tarde amante de César.


Continua com a PARTE 7

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

UMA PEQUENA HISTÓRIA DA INGLATERRA CONTADA POR UM GAÚCHO DE PORTO ALEGRE, DESCENDENTE DE PORTUGUESES E RESIDENTE EM GRAMADO - LINHA TEMPORAL BRITÂNICA (2) (Quinta Parte)

2500 AC
Começa a surgir o trabalho em metal com melhoria na tecnologia de fornos
Seguindo a introdução da cerâmica dois milênios antes, o aparecimento do trabalho em metal foi outro importante passo tecnológico no controle do calor e na produção de temperaturas cada vez maiores, através do uso de pequenas fornalhas e foles de couro. O mais primitivo trabalho de metal britânico foi feito de puro cobre, bronze ( liga com percentagem muito maior de cobre e pouco estanho) ou ouro. O ouro era usado para ornamentos e jóias; bronze e cobre eram usados para pontas de lanças, machados, facas e adagas.

2500 AC – 1500 AC
O desenvolvimento dos machados de bronze conduz aos avanços nas técnicas de trabalho em madeira.
O conhecimento do trabalho em madeira, na Idade do Bronze, cresceu muito, recentemente, graças ao descobrimento de importantes locais alagados por toda a Britain e Ireland, já que os locais inundados preservam a madeira por séculos. A madeira foi o principal material de construção da Idade do Bronze e a introdução dos machados de metal foi o maior avanço tecnológico. Originalmente acreditava-se que os machados de bronze substituíram a pedra de forma gradual e num período de vários séculos; evidência recente sugere que este processo foi bastante rápido.

2500 AC – 800 AC
Os trabalhos de metal tornam-se crescentemente sofisticados
O início da Idade do Bronze (2500-1500 AC) viu a produção regular de trabalhos de metal mais sofisticados, consistindo, principalmente, de machados, adagas e pontas de flecha endentadas, conectadas à haste por um dente.
O trabalho com pederneira continua a despeito do desenvolvimento das ferramentas de metais
A introdução das ferramentas de metal, em torno de 2500 AC, não conduziu ao súbito abandono da pederneira como material para confecção das ferramentas leves do quotidiano. Ao final do Neolítico (final da Idade da Pedra), a britagem da pederneira mudou de longas lâminas para flocos mais curtos que eram afiados e fortes. Em torno de 1500 AC houve outra mudança, dessa vez em direção aos implementos para furação e perfuração no trabalho com osso e couro. Essa tradição pode muito bem ter continuado pelo início da Idade do Ferro.

2400 AC – 2200 AC
“Especialistas” criam a cerâmica “beaker” altamente decorada
A cerâmica era provavelmente produzida domesticamente; o aparecimento do trabalho com metais e novas formas altamente decoradas de recipientes para beber, chamados pelos arqueologistas de “beakers”, indicam a presença de especialistas na Britain. Provavelmente, os primeiros fabricantes dessa cerâmica vieram do continente, mas após um curto intervalo, eles tornaram-se locais.

2300 AC
“Amesbury Archer” morre perto de Stonehenge
Uma escavação de 2003 em Amesbury, Wiltshire, descobriu o corpo de um homem e cerca de 100 artefatos, incluindo facas de cobre, ornamentos de cabelo de ouro, vasos de cerâmica altamente decorados e muitas pontas de flecha de pederneira. Análises dos seus dentes mostraram que ele se criou na Europa Central. Indivíduos encontrados em dois outros túmulos próximos, do mesmo período, provavelmente teriam vindo do Wales Ocidental. Estas descobertas mostram que as viagens longas formaram uma importante parte da vida e crença do início da Idade do Bronze.

2049 AC
'Seahenge' é construída na costa de Norfolk.
Em 1998 uma pequena elipse com 55 postes de carvalho, circundando um grande carvalho invertido, foi descoberta em Holme-Next-The-Sea. Cerca de 50 diferentes machados de bronze foram usados e lascas de madeira encontradas dentro dos buracos dos postes, mostraram que as madeiras haviam sido trabalhadas no local, provavelmente como parte de um esforço comunal.

2000 AC – 1400 AC
Líderes da elite são enterrados com elaborados pertences mortuários.
Uma série de enterros de indivíduos sob aterros circulares e com pertences funerários elaborados, incluindo cerâmica funerária especial, adagas de bronze e cobre e objetos de ouro e âmbar, foram descobertos no Século XIX na área de Wessex e então no Século XX, próximo de Norfolk. Há fortes paralelos com a Bretanha, na França, sugerindo contato regular entre as duas áreas.

2000 AC
O “Lockington Gold Hoard” é enterrrado em Lockington, Leicestershire, UK.
Uma escavação de 1993 em Leicestershire revelou um pequeno cemitério contendo uma vala com vários objetos pertencentes ao início da Era do Bronze – Lockington Gold Hoard. Essa descoberta foi importante por mostrar que objetos ricos dessa espécie não ficaram confinados a Wessex e entornos de Stonehenge como se acreditava então.

1800 AC
São escavadas as primeiras minas de cobre em escala industrial.
Estima-se que o Mount Gabriel (County Cork, Ireland) produziu em torno de 370 toneladas de cobre e Great Orme (ao norte de Wales) de 175 a 235 toneladas.

1500 AC – 1200 AC
Surgem armas e ornamentos mais sofisticados de metal.
Na média Idade do Bronze, formas menores de machados começaram a surgir junto com as lanças de pontas encaixadas às hastes. Armas mais confiáveis, como punhais e pequenas espadas, começaram a surgir, bem como elaborados broches e braceletes de bronze.

1500 AC – 800 AC
As práticas cerimoniais mudam à medida que as novas idéias religiosas se desenvolvem.
Após 1500 AC, os túmulos em cemitérios circulares foram sendo substituídos por cremação em cemitérios.
Machados mais leves, com soquetes, provam ser ferramentas mais efetivas para trabalhos em madeira.
Antes de 1970 os machados mais leves, encaixados à haste através de um buraco, eram vistos como funcionalmente ineficientes; entretanto, evidência recente de madeiras preservadas e hastes completas, têm mostrado que eram ferramentas efetivas e adaptáveis, com as hastes pesadas e bem balanceadas compensando a leveza relativa da cabeça dos machados.
As planícies dos vales principais são extensivamente povoadas.
Este foi o período em que começou a diferenciar-se a cerâmica do final da Idade do Bronze daquela da Idade do Ferro.

1200 AC – 800 AC
A produção de objetos de metal aumenta e se diversifica rapidamente.
As inovações principais foram os machados menores encaixados e as espadas com lâminas afiadas para cortar.
A cultura céltica e os reinos tribais começam a emergir.
A nova estrutura social, surgida com as alterações na religião e nos cerimoniais de enterros, e que persistiu através da Idade do Ferro, foi rotulada como “Céltica”. É provável que as elites controladoras do final da Idade do Bronze compreendessem uma proporção maior da sociedade e pode ter sido centrada sobre uma “aristocracia guerreira”. Esse foi o período em que numerosas tribos da Britain começaram a combinar-se em grupos maiores que se tornaram os chamados reinos tribais da Idade do Ferro.
A casa redonda torna-se a estrutura doméstica típica.
As casas da Idade do Ferro, diferentemente das do final da Idade do Bronze, não possuíam os postes internos para suporte do telhado, cujo peso era suportado pelas paredes.

IDADE DO FERRO
800 AC – 43 DC

800 AC – 700 AC
Os primeiros fortes de Colinas são construídos.
Originados ao final da Idade do Bronze (1000 AC – 800 AC), os fortes de colinas do início da Idade do Ferro são encontrados por uma enorme área das Ilhas Britânicas. Muitos foram usados de forma pouco freqüente e podem ter sido locais de encontros e armazenamento de alimentos sazonais ao invés de povoações habitadas permanentemente.

700 AC – 500 AC
A tecnologia do trabalho com ferro se difunde.
Objetos de ferro datando do sexto ou até sétimo século AC são conhecidos na England, Scotland e Wales, mas a ampla adoção do ferro somente se tornou comum durante o quarto século AC.

700 AC – 43 AC
Pequenos assentamentos para cultivo, com malhas de campos começam a se desenvolver.
Uma economia mista de exploração agrícola é sugerida por vestígios de gado, ovelhas e porcos e o processamento de cereais incluindo trigo, cevada e aveia. Colheitas de cereais e criação de animais domésticos, melhoradas, foram desenvolvidas e introduzidas durante a Idade do Ferro.

500 AC – 100 AC
O panorama britânico torna-se dominado por fortes de colinas.
Pelo quarto século AC, muitas partes da Britain foram dominadas pelos fortes de colinas. Em algumas delas, como no centro-sul da England e as fronteiras Welsh, eles eram muito grandes com fortificações e entradas complexas. Muitos desses locais tiveram populações consideráveis e atuaram como centros de serviços para uma população rural crescente.

500 AC – 0
Os primeiros “brochs” ou torres de pedras são construídas na Scotland.
Os primeiros “brochs” datam de 500 – 200 AC e eram ainda ocupados no primeiro milênio DC. Eram construídos com duas paredes concêntricas de pedra seca de modo a criar uma torre oca. Entre as paredes ficavam as galerias e escadarias que conduziam aos níveis superiores. Os pisos superiores de madeira provavelmente constituíam o principal espaço para moradia e o piso térreo era usado como um seguro armazém para os rebanhos.

330 AC
Pytheas de Massalia circunavega a Britain.
Pytheas de Massalia (hoje Marseille, a mais velha cidade da França, fundada por gregos), um mercador e explorador grego, circunavegou as Ilhas Britânicas entre 330 e 320 AC e produziu o seu primeiro registro escrito. Ele descreveu os habitantes como habilidosos plantadores de trigo, usualmente pacíficos, mas formidáveis na guerra quando usavam os carros puxados por cavalos.

300 AC – 0
As vilas do lago Sommerset Levels, de Glastonbury e Meare, são construídas.
Esses povoamentos, sobre grandes plataformas de madeira, foram construídos sobre a borda de uma área de charco e água hoje extinta. Escavações recuperaram milhares de artefatos de madeira e outros materiais orgânicos que raramente sobrevivem em povoamentos de área seca. Na Northern Ireland, , Scotland e Wales, povoamentos menores a beira de lagos, chamados “crannogs” são conhecidos e sobreviveram até o período Romana e ainda após.

200 AC – 000 DC
Ferreiros de ouro e bronze altamente especializados criam objetos decorativos.
Muitos desses itens foram deliberadamente enterrados ou colocados em rios e lagos, provavelmente como oferendas religiosas.

100 AC
Pela primeira vez as moedas são produzidas e usadas.
As primeiras moedas encontradas na Britain eram de ouro e foram cunhadas na França. Cerca de 80-60 AC começaram a ser produzidas na Britain e em torno de 20 AC eram usadas no sudeste da England. As moedas começaram a portar nomes de governantes, algumas tinham a palavra Rex (rei em latim) e algumas o nome onde eram cunhadas, sugerindo um crescente nível de capacidade para ler e escrever o latim. Na idade do Ferro as moedas foram produzidas ao norte da England, Wales, Scotland e Ireland.

FINAL DO VERÃO DE 55 AC
O general romano Julius Caesar invade o sudeste da England.
Após a conquista da Gália (moderna França e Bélgica), Julius Caesar atravessou o English Channel com duas legiões – em torno de 10.000 homens – provavelmente para desenvolver o reconhecimento e enviar aviso aos British aliados de tribos gaulesas. As tribos locais reagiram à sua chegada na praia de Deal, próximo de Dover, mas seus carros de guerra foram repelidos e eles buscaram por uma trégua. Caesar retornou ao continente para o inverno após o mau tempo ter danificado sua frota e impedido de chegar os reforços de cavalaria.

VERÃO DE 54 AC
Julius Caesar lança uma invasão em grande escala à England.
Julius Caesar invade a Britain pela segunda vez com 5 legiões e vence uma série de batalhas antes que sua frota, em Deal, uma vez mais, fosse destruída pelas tempestades. Esse atraso permitiu aos British se reagruparem sob o comando de Cassivellaunus, líder da tribo Catuvellauni. Ele promoveu uma efetiva guerra de guerrilha antes que a traição promovida por tribos rivais permitisse a vitória de Caesar. Uma rebelião iminente na Gália o forçou a retirar-se para nunca mais voltar. As primeiras duas invasões de Cesar à Inglaterra foram de natureza exploratória apenas e nunca pretenderam absorver a Britain à esfera romana.

VERÃO DE 52 AC
O renegado líder gaulês Commius, que fugiu para a Britain, funda um novo reino.
Commius, líder da tribo gaulesa Atrebates, abandona a Gália e torna-se rei da tribo Atrebates da England central-sul, com capital em Silchester (próximo de Reading). Lá ele cria sua própria cunhagem, cujos primeiros exemplos datam de 30 AC. Commius havia sido um aliado de Roma e havia acompanhado Julius Caesar em suas duas expedições à Britain. Ele juntara-se à revolta gaulesa sob o commando de Vercingetorix em 52 AC e abandonou a Gália após uma segunda revolta perdida no ano seguinte.

50 AC – 43 DC
Surgem povoamentos muito grandes, conhecidos como “oppida”.
As povoações conhecidas como 'oppida’ (do latim, significando um centro administrativo) eram em geral locais muito amplos, algumas vezes definidos por rios ou longas valas e diques. Muitas são associadas com centros de poder tribal, comércio com o mundo romano e ricos enterros. Os exemplos incluem Colchester, St Albans e Silchester, ao sul da England. Ao tempo da invasão romana, elas podiam ser encontradas tão longe ao norte quanto Stanwick, em Yorkshire. Nenhuma ‘oppida’ foi encontrada na Scotland, em Wales e na Northern Ireland.

VERÃO DE 27 AC
O imperador romano Augustus planeja a invasão da Britain.
Buscando fronteiras seguras para o seu império, Augustus desenha os planos para uma invasão à Britain mas não os concretiza atendendo às súplicas dos reis British Dumnobellaunus e Tincommius. Com isso as relações entre Roma e Britain permanecem boas pelas duas gerações seguintes, com evidência de que Roma mantinha um saudável comércio com os Britons.

20 AC – 43 DC
A influência romana cresce ao sul da Britain.
A partir de 20 AC o comércio se intensifica em locais como Colchester, St. Albans e Sichester, que exportam cerâmica, vinho e trabalhos com metais aos romanos, deles importando escravos, grãos, cães de caça e metais preciosos. É possível que algumas tribos do sudeste tenham desenvolvido relações diplomáticas com o início do império romano de Augustus e seus sucessores imediatos.

5 DC
Roma reconhece Cymbeline, rei dos Catuvellauni, como rei da Britain

INVERNO DE 9/10 DC
Cunobelinus torna-se rei da tribo Catuvellauni.
Liderando essa tribo por 30 anos, conquistou um imenso território. Seu nome aparece em moedas cunhadas em Colchester e St. Albans e é descrito pelo historiador romano Suetonius como “Rei dos Britons”. Seu território central era Hertfordshire, mas veio a controlar grande parte da East Anglia e o sudeste da England.

INVERNO DE 39/40 DC
Desenvolve-se uma crise na corte de Cunobelinus.
Um conflito de sucessão eclodiu no trono do enfermo Cunobelinus. Adminius, o filho mais jovem do rei, foi exilado e fugiu para a corte do imperador romano Calígula. Seus irmãos mais velhos, Caratacus e Togodumnus, ficaram com o controle dos extensos territórios tribais que se espalhavam pela maior parte da East Anglia e o sudeste da England.

VERÃO DE 40 DC
O imperador romano Calígula planeja uma invasão à Britain.
Tendo liderado o Império Romano de 37 a 41 DC, Calígula, por sua megalomania, tornou difícil ver com clareza fatos objetivos da campanha. Possivelmente ele pretendia o prestígio da conquista da Britain, algo que Julius Caesar não obteve, mas o exército recusou-se a prosseguir e a invasão foi abandonada.

VERÃO DE 42 DC
Verica, rei dos Atrebates, apela a Claudius para ajudá-lo a reconquistar seu trono.
Na expansão do território herdado, Caratacus e Togodumnus penetraram terras de seus vizinhos tribais, empurrando Verica, o rei dos Atrebates, para fora da Britain sul-central que acabou procurando refúgio em Roma. Como um “rei cliente” de Roma, procurou o apoio do Imperador Claudius numa proposta de reivindicação do seu trono. Foi o pretexto para a invasão romana da Britain no ano seguinte.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

UMA PEQUENA HISTÓRIA DA INGLATERRA CONTADA POR UM GAÚCHO DE PORTO ALEGRE, DESCENDENTE DE PORTUGUESES E RESIDENTE EM GRAMADO - TERMINOLOGIA GEOGRÁFICA E POVOS FORMADORES (Conclusão) (Terceira Parte)

No artigo anterior iniciamos a "Terminologia Geográfica e Povos Formadores", que concluimos nesse artigo, com os povos formadores.

Brython (Bretão)
Brython e Brythonic (britânico) são termos que se referem aos nativos, antes dos romanos, habitantes que falavam céltico, da maioria da ilha da Grã Bretanha e sua cultura e língua, as línguas britânicas. Esse grupo étnico também é referido como tribos britânicas, os antigos Britons, ou simplesmente Britons. Não se sabe, presentemente (e talvez não se possa saber) se a população total da Grã Bretanha era brythonic. Os termos “Brython” e “Briton” são tradicionalmente usados para referir-se aos habitantes da antiga Britain (Bretanha), excluídos os Picts, cujas demais características culturais, afora a língua, permanecem diferentes dos Brythons.

O termo “Celts” (Celtas), pronunciado “kelt”, refere-se a qualquer de um grande número de povos antigos da Europa que usavam as línguas celtas, um ramo das línguas Indo-Européias, bem como outros povos cuja língua seja desconhecida, mas onde traços culturais associados, como a arte celta, são encontrados em evidência arqueológica. Hoje, “Celtic” é muitas vezes usado para descrever as línguas e correspondentes culturas da Irlanda, Escócia, País de Gales, Cornwall (Cornuália), Isle of Man e a região francesa da Brittany (Bretagne).

Picts
Os Picts eram uma confederação de tribos que viveram ao norte e no centro da Escócia, do terceiro ao décimo século DC, ao norte do canal de Forth and Clyde, que une o estuário do rio Forth (cidade de Alooa) ao estuário do rio Clyde (cidade de Dumbarton), na parte mais estreita das partes baixas da Escócia.
Eram descendentes dos Caledonianos (habitantes da Caledônia, assim denominada, pelos romanos, a terra além da fronteira romana) e de outras tribos mencionadas pelos historiadores romanos. No ano 142 DC os romanos construíram a Muralha Antonina, do Forth para o Clyde para tentar impedi-los de perturbar a paz do Império. Pictland, também conhecida por Pictavia, tornou-se o reino de Alba (Scotland em Scottish Gaelic) durante o século X DC e os Picts tornaram-se os Albannach ou Scots.

Gaul (em Latim Gallia) era a região da Europa ocidental ocupada hoje em dia pelo norte da Itália, França, Bélgica, oeste da Suíça e partes da Holanda e Alemanha à margem ocidental do rio Reno. Em inglês, a palavra Gaul também se refere ao habitante celta daquela região nos tempos antigos, embora os gauleses estivessem espalhados pela Europa nos tempos dos romanos, falando uma língua gaulesa (um derivativo do celta primitivo).

Angles
Angles é a palavra moderna para um povo de língua germânica que tomou o seu nome do ancestral cultural de Angeln, um distrito moderno localizado em Schleswig, Alemanha. O nome étnico teve várias ortografias; comprovadamente a mais antiga foi Anglii, uma tribo germânica mencionada na “Germânia”, de Tacitus. Um indivíduo dessa identidade seria um Anglius (masculino) ou um Anglia (feminino), que no plural seria Anglii ou Angliae; o masculino seria usado como forma genérica. Hoje a maioria dos estudiosos acredita que os Anglii tenham vivido, inicialmente, nas costas do Mar Báltico, provavelmente na parte sul da península da Jutland (atual Dinamarca). O antigo historiador anglo-saxão, o Venerável Bede, declara que antes de virem para a Grã Bretanha, os Anglii habitaram uma terra chamada Angulus e evidência similar é dada na Historia Brittonum. O Rei Alfred, o Grande, e o narrador Æthelweard identificaram esse lugar com o distrito agora chamado Angeln, na província de Schleswig (Slesvig), identificação que concorda bem com as indicações dadas por Bede.
Durante o século V DC os anglii invadiram a Grã Bretanha, após o que seu nome não voltou a ser ouvido no continente. De acordo com o Venerável Bede, após a invasão da Grã Bretanha, os Angles se dividiram e fundaram os reinos do Nord Angelnen (Northumbria), Ost Angelnen (East Anglia) e a Mittlere Angelnen (Mercia). Graças à influência dos Saxões (falaremos deles a seguir), as tribos foram coletivamente chamadas de Anglo-Saxons pelos Normandos (descendentes dos Vikings da Escandinávia e habitantes do norte da França) e a região da Inglaterra é ainda conhecida como East Anglia. De qualquer forma esta pequena e relativamente oriental localização geográfica do original grupo tribal Angeln, conduziu a um dos duradouros mistérios da invasão Anglo-Saxon: como é possível que os Anglo-Saxões fossem tão freqüentemente mencionados como colonizadores da antiga Grã Bretanha, enquanto que a evidência da vizinha e muito mais poderosa influência colonizadora dos Frisians (vindos do norte da Alemanha, Dinamarca e sul da Escandinávia) tenha sido tão limitada a descobertas na ciência arqueológica e, mais freqüentemente, apenas a inferências e deduções lógicas? Com certeza, sabe-se que os étnicos Frisians habitaram a terra diretamente no caminho de qualquer rota de emigração de Angeln para a Grã Bretanha (com exceção da longa e difícil rota pelo mar, em torno da ponta norte da Dinamarca) e, de fato, eles também habitaram as terras entre o antigo domínio saxônico e a Grã Bretanha; contudo, eles são raramente mencionados como tendo tomado parte na grande migração.

Saxons
Os Saxons ou povo da Saxon são (hoje em dia) parte do povo alemão com suas principais áreas de assentamento nos estados federais da Alemanha de Schleswig-Holstein, Lower Saxony, Saxony-Anhalt e a parte norte da North-Rhine-Westphalia. Mencionados pela primeira vez pelo antigo geógrafo grego Ptolomeu, o assentamento pré-cristão do povo saxão originalmente cobria uma área pouco mais ao noroeste, com partes do sul da península Jutland, Old Saxony e pequenas seções da Netherlands oriental. Durante o século V DC os Saxões fizeram parte dos povos que invadiram a Grã Bretanha, formando os Anglo-Saxons.

Jutes
Os Jutes eram um povo germânico que se pensa ter originado da Jutland, moderna Dinamarca e parte da costa Frísia. Os Jutes, juntos com os Angles, Saxons e Frisians, estavam entre as tribos germânicas que navegaram através do Mar do Norte para atacar e, finalmente, invadir a Grã Bretanha a partir do final do século IV DC, deslocando, absorvendo ou destruindo os povos nativos celtas que lá habitavam. De acordo com o Venerável Bede, acabaram por estabelecer-se em Kent, Hampshire e a Isle of Wight.
Já alguns séculos antes do colapso da autoridade romana no oeste e de sua regência na Ilha, saxões vinham ameaçando as praias da Britannia, onde lhes tinha sido permitido estabelecer-se como fazendeiros. Contudo, em 449 DC, após um ataque devastador dos Picts e seus aliados, a administração Romano-British convidou dois senhores da guerra Jutish – Hengist e Horsa – para ocupar a ilha de Thanet, ao norte de Kent (sudeste da Grã Bretanha) e atuar como mercenários contra os Picts no mar. Após terem os Jutes executado a sua missão e derrotado os Picts, eles retornaram com demanda por mais terras. Como seu pedido foi rejeitado, eles se revoltaram e provocaram uma insurreição que contou com todos os fazendeiros estabelecidos da família germânica. Com a revolta vitoriosa, surgiram três reinos Saxon separados:

1. Os Saxões do leste: estabelecidos em torno de Colchester, que criaram a área de Essex;
2. Os Saxões do sul: liderados por Aelle, que criaram a área de Sussex;
3. Os Saxões do Oeste: liderados por Cerdic, que criaram o reino de Wessex, e sua capital Winchester.

Os historiadores se dividem sobre o que se seguiu. Alguns argumentam que a posse das terras baixas da Grã Bretanha pelos Anglo-Saxões foi pacífica. Contudo, de acordo com o relato de Gildas, um Briton nativo que viveu naquele tempo, muitas guerras ocorreram entre o nativos Romano-Britons e os invasores Jutes, Saxons and Angles por cerca de 400 anos, sendo os Britons gradualmente empurrados e contidos nas fortalezas montanhosas do País de Gales, sudoeste e noroeste da England e vale do Rio Clyde, já na Escócia. Alguns teriam mesmo fugido, por mar, para a Bretanha Francesa.
Coletivamente, os colonizadores Germânicos da Grã Bretanha, em sua maioria Saxons, Angles e Jutes, vieram a ser chamados Anglo-Saxons.