Homenagem ao lendário herói ancestral dos ingleses que deu título a um dos considerados "Cem Maiores Livros do Mundo" e tido como o mais antigo escrito em "Old English".

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quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

A HISTÓRIA DO IMPÉRIO PERSA (IRÃ) - Parte 7

IV.1.3 – A IDADE DE OURO MUÇULMANA, O MOVIMENTO SHU’UBIYYA E O PROCESSO DE PERSIFICAÇÃO
 
Abu Muslim Khorasani, o general
que depôs o Império Abássida
A islamização foi um longo processo pelo qual o Islamismo foi gradualmente adotado pela maioria da população do Irã. A história indica que somente 10% do Irã se converteu ao Islã durante o período Omíada. Com o período Abássida e sua mistura de mandantes persas e árabes, a percentagem da população muçulmana cresceu. À medida que que os muçulmanos persas consolidavam seu governo do país, a população muçulmana cresceu para aproximadamente 40% pelo meio do século IX até próximo de 100% pelo final do século XI, demonstrando que o rápido crescimento da conversão foi ajudado pela nacionalidade persa dos mandatários. Embora os persas tenham adotado a religião muçulmana dos seus conquistadores, com o passar dos séculos eles trabalharam para proteger e reviver sua língua e cultura diversas, num processo conhecido por persificação, com árabes e turcos participando do processo.
Nos séculos IX e X, súditos não árabes do Ummah[1] criaram um movimento chamado Shu’ubiyyah em resposta ao status privilegiado dos árabes. A maioria dos que estavam por trás do movimento eram persas, mas também foram atestadas referências a egípcios, berberes e arameus. Citando como sua base, as noções islâmicas de igualdade de raças e nações, o movimento preocupava-se, primariamente, com a preservação da cultura persa e a proteção da identidade persa, embora num contexto muçulmano. O mais notável efeito do movimento foi a sobrevivência da língua persa até os dias atuais. 
Rudaky, primeiro gênio literário da
moderna língua persa
A dinastia Samânida (819-999), fundada por Saman Khoda, conduziu ao renascimento da cultura persa e de vários dos seus festivais. O primeiro poeta persa importante após a chegada do islamismo, Rudaki, nasceu durante esta era e foi louvado pelos reis samânidas. Rudaki é visto como o primeiro grande gênio literário da moderna língua persa; compôs poemas no novo alfabeto persa e é considerado o fundador da Literatura Clássica Persa. Infelizmente, somente uma pequena parte de sua extensa poesia sobreviveu até hoje. Os samânidas foram a primeira dinastia de origem iraniana a controlar a Ásia Central e o leste do Irã, desde a invasão árabe e governaram um imenso império por 102 anos.
Seus sucessores foram os Gaznávidas (ou Gaznévidas), dinastia muçulmana de origem turca não iraniana (origem mameluca), também muito importantes para o renascimento da cultura persa. A dinastia foi fundada por Sabuktigin, após assumir o governo de Ghazna (hoje Ghazni, uma das 34 províncias do Afeganistão, localizada na região sudeste do país), com a morte de seu sogro, Alp Tigin, um ex-general do Império Samânida. Embora a dinastia fosse de origem turca da Ásia Central, ela foi fortemente persificada em termos de língua, cultura, literatura e hábitos, sendo por isso vista por alguns como uma dinastia persa e não turca. O filho de Sabuktigin, Mahmud de Ghazni, declarou sua independência do Império Samânida e expandiu o Império Gaznávida até o Amu Darya (também chamado Rio Amu, historicamente conhecido por seu nome latino Oxus, um dos principais rios da Ásia Central), na última década do século X, o Rio Indus e o Oceano Índico, no ano 1000, para o leste, e para o Rey (capital do distrito de mesmo nome, na província de Teerã, no Irã) e Hamadan (na província do mesmo nome, no Irã), ao oeste.
Sob o reino de Mas’ud I, a dinastia Gaznávida começou a perder controle sobre seus territórios ocidentais para a dinastia Seljúcida, após a batalha de Dandanagan, resultando numa limitação de suas propriedades para os modernos Afeganistão, Punjab, Paquistão e Baloquistão. Em 1151, o sultão Bahran Shah perdeu o Ghazni para o rei Ghurid, Ala al-Din Husayn. 
Estátua de Firdawsi na Praça de
mesmo nome, Teerã, Irã.
O auge do movimento de Persificação foi o Shahnameh (Livro dos Reis), o poema épico nacional do Irã, escrito quase integralmente em persa, pelo cultuado poeta Abu al-Qasim Firdawsi, durante quase trinta anos. Este volumoso trabalho reflete a antiga pré-história e história do Irã, começando com a criação do mundo, seus valores culturais sem paralelo, sua religião Zoroastriana, pré-islâmica, e seu senso de nacionalidade, terminando com a conquista islâmica da Pérsia durante o reinado de Yazdegerd III, último rei da dinastia sassânida.
Historiadores conhecidos dizem que o Irã foi islamizado, mas não foi arabizado e que os persas permaneceram persas. Foi esse islamismo persa, e não o islamismo árabe, que foi levado a novas áreas e novos povos: aos turcos, primeiro na Ásia Central e então no Oriente Médio, ao país que veio a se chamar Turquia e, com certeza, na Índia. Os turcos otomanos[2] trouxeram uma forma de civilização iraniana até os muros de Viena.
A islamização do Irã traria profundas transformações dentro da estrutura cultural, científica e política da sociedade iraniana. O desabrochar da literatura, filosofia, medicina e arte persas, tornou-se elemento fundamental da nova civilização muçulmana em formação. A herança de milhares de anos de civilização e sua situação no cruzamento das principais estradas culturais, contribuíram para que a Pérsia emergisse com o que culminou com a “Época Áurea do Islamismo”. Durante este período, centenas de estudiosos e cientistas contribuíram de maneira importante para a tecnologia, a ciência e a medicina, posteriormente influenciando a ascensão da ciência europeia durante a Renascença. Os mais importantes estudiosos de quase todas as seitas e escolas muçulmanas do pensamento foram persas ou viveram no Irã, incluindo os mais notáveis e confiáveis colecionadores Hadith (relatórios da descrição das palavras, ações ou costumes do profeta islâmico Maomé) xiitas e sunitas, os maiores teólogos, físicos, matemáticos, metafísicos, filósofos e cientistas.

IV.1.4 – ESTADOS E DINASTIAS DO PERSIANATO[3] (977-1219)

Os seljúcidas que eram, como os gaznávidas, um persianato por natureza e de origem turca, lentamente conquistaram o Irã ao longo do século XI. A dinastia tinha suas origens nas confederações tribais turcomanas da Ásia Central e marcou o início do poder turco no Oriente Médio. Eles estabeleceram um poder muçulmano sunita por partes da Ásia Central e Oriente Médio, do século XI ao século XIV. Estabeleceram um império conhecido como Grande Império Seljúcida, que se espalhou desde a Anatólia, no oeste, até o Afeganistão ocidental, no leste e as fronteiras ocidentais da moderna China, no nordeste, sendo alvo da Primeira Cruzada. Hoje eles são vistos como ancestrais culturais dos turcos ocidentais, os habitantes do atual Azerbaijão, Turquia e Turcomenistão, sendo lembrados como grandes clientes da cultura, arte, literatura e língua Persa. 
Omar Khayyam, filósofo, matemático
e poeta do Rubaiyat
O fundador da dinastia, Tughril Beg, que reinou de 1037 a 1063, dirigiu seus exércitos contra os gaznávidas, no Khorasan, movendo-se para o sul e então oeste, conquistando todas as cidades em seu caminho, sem devasta-las. Em 1055 o califa de Bagdá deu-lhe, além de túnicas e presentes, o título de “Rei do Leste”. Com seu sucessor, Malik Shah (1072-1092), o Irã assistiu a um renascimento cultural e científico, por muitos atribuído ao seu brilhante vizir iraniano Nizam al Mulk. Esses líderes estabeleceram o observatório onde Omar Khayyam realizou a maioria dos seus experimentos para um novo calendário e construíram escolas religiosas em todas as principais cidades. Trouxeram Abu Hamid Ghazali, um dos maiores teólogos muçulmanos, e outros estudiosos eminentes para Bagdá, a capital seljúcida, apoiando os seus trabalhos.
Quando Malik Shah I morreu, em 1092, o império rachou quando seus quatro filhos e seu irmão brigaram pela partilha do império entre eles. Na Anatólia, seu sucessor foi Kilij Arslan I, que fundou o Sultanato do Rum; na Síria ele foi sucedido por seu irmão Tutush I; Na Pérsia, seu sucessor foi o seu filho Mahmud I, cujo reino foi contestado por seus outros três irmãos, Barkiyaruq no Iraque, Muhammad I em Bagdá e Ahmad Sanjar no Khorasan. A medida que poder seljúcida no Irã enfraquecia, outras dinastias começaram a surgir em seu lugar, incluindo um ressurgente califado abássida e os Khwarazm Shahs. O Império Khwarezmid, correspondente, foi uma dinastia do Persianato Muçulmano Sunita, de origem turca oriental, que governou na Ásia Central. Originalmente vassalos dos seljúcidas, aproveitaram o seu declínio para a sua expansão no Irã. Em 1194, o Khwarazm Shah Ala ad-Din Tekish derrotou o sultão seljúcida Togrul III em batalha, resultando no colapso seljúcida no Irã. Com isso, do império seljúcida original somente restou o Sultanato do Rum na Anatólia.
Uma séria ameaça interna aos seljúcidas, durante seu reinado, veio dos Ismailis, ramo muçulmano xiita, uma seita secreta com quartel general em Alamut, entre Rasht e Teerã. Eles controlaram a área vizinha por mais de 150 anos e, esporadicamente, enviavam sectários para reforçar seu poder, com o assassinato de funcionários importantes. Várias das teorias sobre a etimologia da palavra assassino derivam desses matadores.
Partes do Irã noroeste foram conquistados no início do século XIII, pelo reinado da Georgia, conduzido por Tamar, o Grande.

IV.2 – INVASÃO MONGOL (1219-1221)
Genghis Khan, fundador do Império Mongol
 
O Império Khwarezmid somente durou umas poucas décadas, até a chegada dos Mongóis, um grupo étnico do leste central asiático, nativo da Mongólia. Genghis Khan havia unificado os mongóis e, sob o seu comando, o Império Mongol rapidamente se expandiu em várias direções, até que cerca de 1218, ele chegou às fronteiras do Khwarazm. Nesta época, o Império Khwarezmid era governado por Ala ad-Din Muhammad (1200-1220). A intenção de Muhammad, como a de Genghis, era expandir suas terras e já havia ganho a submissão da maior parte do Irã. Declarou-se shah e exigiu reconhecimento formal do califa abássida na-Nasir; quando o califa rejeitou sua exigência, Muhammad proclamou um de seus nobres, califa e, sem sucesso, tentou depô-lo.
A invasão mongol do Irã começou em 1219, após o massacre de duas missões diplomáticas enviadas por Genghis ao Khwarazm. Entre 1220 e 1221, Bukhara, Samarkand, Herat, Tus e Nishapur foram arrasadas e as suas populações massacradas. O Khwarazm Shah fugiu, para morrer em uma ilha da costa do mar Cáspio. Durante a invasão da Transoxiana, em 1219, com a principal força mongol, Genghis Khan fez uso de uma unidade especialista chinesa em catapultas, que foram usadas novamente, em 1220, na Pérsia. Os chineses podem ter usado as catapultas para lançar bombas de pólvora pois já as conheciam neste tempo e serviam ao exército de Genghis Khan. Muitos historiadores sugerem que a invasão mongol tinha trazido várias armas com uso de pólvora à Ásia Central, uma delas uma espécie de morteiro feito na China.

IV.2.1 – DESTRUIÇÃO SOB OS MONGÓIS

Antes de sua morte em 1227, Genghis Khan havia alcançado o Azerbaijão Ocidental, pilhando e incendiando cidades à sua passagem. A invasão mongol foi desastrosa para os iranianos. Embora os mongóis invasores eventualmente se convertessem ao islamismo e aceitassem a cultura do Irã, a destruição mongol da área central islâmica marcou uma profunda mudança de direção para a região. Muito dos seis séculos de aprendizado, cultura e estrutura islâmica foi destruída quando os invasores queimaram bibliotecas e substituíram mesquitas por templos budistas.
A destruição dos sistemas de irrigação com uso de água subterrânea, por gravidade, encerrou o padrão de povoamentos relativamente contínuos, produzindo numerosas cidades oásis em uma terra onde elas eram antigamente raras. Muitas pessoas, particularmente homens, foram mortos; entre 1220 e 1258, a população total do Irã pode ter caído de 2.500.000 para 250.000 como resultado de exterminação em massa, emigração e fome.

IV.2.2 – KHANATO (1256-1335)

Após a morte de Genghis Khan, o Irã foi governado por vários comandantes mongóis. Seu neto Hulagu Khan foi encarregado da expansão do domínio mongol embora ao tempo de sua ascensão ao poder, o Império Mongol já se tivesse dissolvido, dividido por diferentes facções. Chegando com um exército, ele estabeleceu-se na região e fundou o Ikhanato, um estado distinto do Império Mongol que governaria o Irã pelos próximos oitenta anos tornando-se um novo persianato no processo. Khanato (ou Canato) era uma entidade política governada por um Khan (como Genghis), típica de povos da estepe eurasiana, equivalente a uma chefia tribal, principado, reino ou mesmo império. O Ikhanato (ou Icanato) se estabeleceu como um canato que formava o setor sudoeste do Império Mongol, governado pela casa mongol de Hulagu; sua capital foi em Bagdá e, em 1258, executou o último califa abássida. O avanço de suas forças para o oeste foi, contudo, interrompido pelos mamelucos, na Batalha de Ain Jalut, na Palestina, em 1260. As campanhas de Hulagu contra os muçulmanos também enfureceu Berke, khan da “Horda Dourada”, convertido ao Islamismo. Berke foi o líder da “Horda Dourada”, uma divisão do Império Mongol que efetivamente consolidou o poder da “Horda Azul” e da “Horda Branca”, de 1257 a 1266. Ele sucedeu a seu irmão, Batu Khan, da “Horda Azul” (oeste) e foi responsável pelo estabelecimento do primeiro estabelecimento oficial do islamismo num khanato do Império Mongol. Hulagu e Berke lutaram entre si, demonstrando o enfraquecimento do Império Mongol. O governo do bisneto de Hulagu, Ghazan Khan (1295-1304) viu o estabelecimento do Islamismo como religião oficial do Ikhanato. Ghazan e seu famoso vizir iraniano Rashid al-Din, levaram o Irã a um breve e parcial renascimento econômico. Os mongóis reduziram os impostos para os artesãos, encorajaram a agricultura, reconstruíram e expandiram os trabalhos de irrigação e melhoraram a segurança das rotas de comércio. Como resultado, o comércio cresceu dramaticamente. Itens da Índia, China e Irã passavam facilmente através das estepes asiáticas, com isso enriquecendo culturalmente o Irã. Como exemplo, os iranianos desenvolveram um novo estilo de pintura baseado numa fusão única de pintura mesopotâmica sólida e bidimensional com plumagens, leves batidas com o pincel e outros motivos característicos da China. Após a morte do sobrinho de Ghazan, Abu Said, em 1335, contudo, o Ikhanato se inclinou para a guerra civil sendo dividido entre várias dinastias insignificantes – Jalayrids, Muzaffarids, Sarbadarsd e Kartids. A Epidemia Negra do século XIV matou cerca de 30% da população do país.

IV.2.3 – SUNISMO E XIISMO NO IRÃ PRÉ-SAFÁVIDA

Antes da ascensão do Império Safávida, a religião dominante era o islamismo sunita, praticada por 90% da população da época, que permaneceu sunita até a chegada dos Safávidas. A dominação dos sunitas não significou que os xiitas não possuíam raiz no Irã. Os escritores dos “Quatro Livros” (um termo do maior ramo muçulmano xiita que se refere às suas mais conhecidas coleções hadith xiita) eram iranianos, bem como muitos outros grandes estudiosos xiitas.
A dominação do credo sunita durante os nove primeiros séculos islâmicos caracterizou a história religiosa do Irã deste período. Houve, contudo, algumas exceções a esta dominação geral que emergiu sob a forma dos Zaiditas[4] do Tabaristão (uma das províncias do Irã, ao norte, às margens do Mar Cáspio), dos Buyidas, dos Kakuyidas (dinastia relacionada aos Buyidas que tomaram o poder na Pérsia Ocidental, Jibal e Iraque persa), do governo do Sultão Muhammad Khudabandah (oitavo governador da dinastia Iikhanid, em Tabriz, no Irã) e dos Sarbedarans (mistura de ascetas religiosos muçulmanos e governantes seculares que governaram parte do Khorasan ocidental no meio da desintegração do Ikhanato Mongol, meados do século XIV).
Além dessa dominação, ainda existiu durante esses nove séculos, primeiramente inclinações xiitas entre os muito sunitas da terra e, em seguida, o xiismo Imami, bem como o xiismo Zaydi tiveram prevalência em algumas partes do Irã. Durante este período o xiismo no Irã foi alimentado por Kufah (cidade do Iraque a 170 km ao sul de Bagdá), Bagdá e, posteriormente, por Najaf (cidade do Iraque Central, a 160 km ao sul de Bagdá) e Hillah (outra cidade do Iraque Central a cerca de 100 km ao sul de Bagdá). O xiismo foi a seita dominante no Tabaristão, Qom (oitava maior cidade do Irã a 125 km a sudoeste de Teerã), Kashan (cidade da província de Isfahan, Irã), Avaj (cidade da província de Quazvin, ao norte do Irã) e Sabzevar (cidade da província de Razavi Khorasan, no nordeste do Irã). Em muitas outras áreas uma população de xiitas e sunitas viviam fundidas.
Durante os séculos X e XI os Fatímidas (califado muçulmano do ramo ismaili dos xiitas) enviaram missionários ao Irã e outras terras muçulmanas. Quando os Ismailis se dividiram em duas seitas, os Nizaris (seu maior ramo, também conhecidos como assassinos, já mencionados) estabeleceram sua base no Irã com Hassan-i Sabbah, seu líder, conquistando fortalezas e capturando Alamut[5] em 1090, mantida até uma incursão mongol em 1256.
Após a incursão mongol e a queda dos Abássidas, as hierarquias sunitas vacilaram, perdendo seu califado para os xiitas, cujo centro não era no Irã, à época. Durante este período, várias dinastias xiitas foram então aí estabelecidas.
A partir daí a principal alteração na área religiosa ocorreu no início do século XVI, quando os ismailis fundaram a dinastia Safávida iniciando uma política religiosa para reconhecer o islamismo xiita como a religião oficial do Império Safávida. O fato do Irã permanecer até hoje como um Estado oficialmente xiita, é um resultado direto das ações dos Ismailis.


[1] Ummah é uma palavra árabe que significa “comunidade”, não com o sentido de uma nação com ancestrais e geografia comum, mas aplicada a uma comunidade supranacional com uma história comum.
[2] O Império Otomano, também historicamente conhecido na Europa Ocidental como Império Turco, Turco Otomano ou simplesmente Turquia, foi um império fundado ao final do século XIII, na região noroeste da Anatólia, na cidade de Sogut (hoje Província de Bilecik), pelo líder tribal Turco Oghuz (povo turco ocidental que falava a língua Oghuz, do ramo comum da língua turca), Osman. Após 1354, os otomanos atravessaram para a Europa e, com a conquista dos Balcãs, os principados otomanos se transformaram num império transcontinental. Os otomanos acabaram com o Império Bizantino com a conquista de Constantinopla em 1453, por Mehemd, o Conquistador.
[3] Um Persianato ou Sociedade Persificada, é uma sociedade baseada ou fortemente influenciada pela língua, cultura, literatura, arte e ou identidade persa. O termo designa persas étnicos, mas também sociedades que podem não ter sido etnicamente persa ou iraniana, mas cujas atividades culturais linguísticas, materiais ou artísticas foram influenciadas ou baseadas numa cultura de persianato. O Persianato é uma categoria cultural multirracial, mas parece ser, às vezes, uma categoria religiosa ou de origem racial.
[4] O Zaidismo, adjetivo de Zaidita, é uma seita muçulmana que emergiu no século VIII como derivação do islamismo xiita. Os Zaiditas tiraram seu nome de Zayd ibn ‘Ali, o neto de Husayn ibn ‘Ali, que eles reconhecem como o quinto Imam (principais líderes religiosos do islamismo que sucederam a Maomé).
[5] Alamut é uma região geográfica do Irã que inclui partes ocidentais e orientais da Cordilheira de Alborz, entre a seca e estéril planície de Aazvin, no sul, e as ladeiras de densas florestas da província de Mazandaran, ao norte. Alamut era também um dos castelos, com cidadela, dessa área.

A postagem prossegue com a PARTE 8

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

A HISTÓRIA DO IMPÉRIO PERSA (IRÃ) - Parte 1

I -INTRODUÇÃO

A história do Irã que nos propomos apresentar, registra os acontecimentos históricos no território correspondente aos atuais Irã, Afeganistão, Tadjiquistão, Uzbequistão, Azerbaijão e outras áreas vizinhas, ao longo de um período de tempo que começa com as primeiras civilizações pré-arianas, passa pelo Império Persa em todas as suas fases, prossegue com o período helenístico, domínio pelos muçulmanos, até o início da idade moderna. Em suas várias formas, trata-se de uma das mais antigas grandes civilizações de existência contínua. 
Localização de Anshan dentro do Império Elamita
A Pérsia é, oficialmente, admitida como um sinônimo para Irã, embora este último tenha se tornado mais usual, no Ocidente, após 1935. O país sempre foi chamado "Irã" (Terra dos Arianos, derivado de Aryanam, forma encontrada em textos persas antigos.) pelo seu povo, para se referir ao seu próprio país, pelo menos desde 600 AC, embora durante séculos tenha sido referido pelos europeus como Pérsia (Persis pelos gregos). Este termo provém do persa Pars ou Parsa ou ainda Fars, o nome do clã principal de Ciro (a ser visto com detalhe) e que também deu o nome à região onde habitavam os persas (hoje, a moderna província de Fars ao sul do Irã) principalmente devido aos escritos dos historiadores gregos. Em 1935 o governo especificou que o país deveria ser chamado Irã; entretanto, em 1959 ambos os nomes passaram a ser admitidos. No uso corrente, o termo Pérsia costuma ser reservado para referir-se ao Império Persa durante suas diversas fases históricas, uma sucessão de Estados que controlaram o Planalto Iraniano e os territórios adjacentes ao longo do tempo, a começar pela dinastia aquemênida, fundada por Ciro, o Grande, no século VI AC, fundado originalmente por um grupo étnico (os persas) a partir da cidade de Anshan (veremos adiante), no que é hoje a província iraniana de Fars, e governado por dinastias sucessivas (persas ou estrangeiras). 
Mapa topográfico do "Platô Iraniano"
O latim apanhou o termo do grego, transformando-o em Persia, forma adotada pelas diversas línguas européias. Em 1935, o Xá Reza Pahlavi solicitou, formalmente, que a comunidade internacional passasse a empregar o nome nativo do país, Iran (Irã ou Irão, em português). Em 1959, o mesmo governante anunciou que tanto Pérsia como Irã eram formas corretas de referir-se ao seu país.
O Planalto Iraniano ou Persa é uma grande formação geológica no Oriente Médio e na Ásia Ocidental e Central, parte da Placa Euroasiática meridional. Cobre a maior parte do Irã (aproximadamente 2/3 do país, da Cordilheira de Zagros para o leste), o Afeganistão (principalmente as porções meridional e oriental do país), o oeste do Paquistão (o Baluchistão e a Província da Fronteira Noroeste) e a parte sul do Turcomenistão, bem como uma pequena área do sul do Azerbaijão. Estende-se desde a Cordilheira Elburz (ou Alborz) na direção sul, até o mar. Seus extremos são marcados pela Cordilheira de Zagros, a oeste, pela Cordilheira de Hindu Kush, a leste, Mar Cáspio e a cadeia montanhosa Kopet Dag, ao norte, o Estreito de Ormuz e o Golfo Pérsico, ao sul. 
Localização geral do Irã moderno
A figura ao mostra o mapa do Irã, oficialmente República Islâmica do Irã, um estado soberano da Ásia Ocidental, nos dias de hoje. Palco de inúmeras guerras, personagens controvertidos e uma das culturas mais antigas do mundo, uma área cheia de conflitos históricos que ainda permanecem, desde milhares de anos antes da Era Cristã. Uma das razões de sua conturbada história, reside exatamente em sua posição geográfica: o país em foco faz fronteiras com, nada mais, nada menos, Turquemenistão, Azerbaijão, Armênia e Mar Cáspio, ao norte, Turquia e Iraque a oeste, Afeganistão e Paquistão a leste, e Golfo Pérsico e Golfo de Omã ao sul. É a história deste país que nos propomos contar nesta postagem.
A história da Pérsia no mundo ocidental, está entrelaçada com a história de uma região mais ampla, até certo ponto conhecido como “Irã Maior” ou “Grande Irã”, compreendendo a área que vai da Anatólia[1], Estreito de Bósforo e Egito, no oeste, às fronteiras da antiga Índia e o Syr Darya (rio da Ásia Central[2]), no leste, e do Cáucaso (região na fronteira entre a Europa e Ásia, situada entre os mares Negro e Cáspio) e a Estepe Eurasiática (a Grande Estepe da Eurásia), no norte, ao Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, no sul.
O Irã é o lar de uma das mais velhas civilizações contínuas do mundo, com povoações históricas e urbanas que datam de 7.000 AC. As áreas sudoeste e oeste do Platô Iraniano, participaram do tradicional Antigo Oriente Próximo com o Elam (sudoeste do Irã moderno), do início da Idade do Bronze e, mais tarde, com vários outros povos, como os Cassitas, Manneanos (noroeste do atual Irã) e Gutianos. 
Localização das ruínas de Persépolis
Georg Wilhelm Friedrich Hegel diz que os persas foram o primeiro Povo Histórico. Os Medas (ou Medos) unificaram o Irã como nação e império em 625 AC. O Império Aquemênida (550-330 AC), fundado por Ciro II, o Grande, foi o primeiro dos impérios persas a reinar dos Balcãs à África Norte e também na Ásia Central, cobrindo três continentes a partir do seu trono de poder em Persis (Persépolis, cidade dos persas), capital cerimonial do Império Aquemênida, situada a 60 km da cidade de Shiraz, na província de Fars, Irã. Os mais antigos vestígios de Persépolis datam de 515 AC, exemplificando o estilo de arquitetura Aquemênida, tendo sido declarado pela UNESCO, em 1979, Sítio de Herança Mundial. A palavra portuguesa Persépolis é a própria palavra grega, composta de Perses e Polis e significando a “Cidade dos Persas”. Para os persas antigos, a cidade era conhecida como Parsa, palavra usada para “Persia” ou, mais precisamente, a região de Persis. Foi o maior império jamais visto e o primeiro império mundial. O Primeiro Império Persa foi a única civilização em toda a história a conectar mais de 40% da população global, avaliada em 49,4 milhões da população mundial de 112,4 milhões de pessoas, cerca de 480 AC. Eles foram sucedidos pelos Impérios Selêucida, Parta e Sassânida, que sucessivamente governaram o Irã por quase 1.000 anos e o fizeram novamente uma importante potência mundial. Seu arquirrival foi o Império Romano e seu sucessor, o Império Bizantino. O Império Persa, propriamente dito, iniciou na Idade do Ferro, seguindo o influxo dos povos iranianos, que deram origem aos impérios que o sucederam na antiguidade clássica.
Como um império de tais proporções, o Irã também resistiu a várias invasões, pelos gregos, árabes, turcos e mongóis. Ao longo dos séculos, o Irã continuamente reafirmou sua identidade nacional, desenvolvendo uma entidade política e cultural distintas.
A conquista muçulmana da Pérsia (633-656) encerrou o Império Sassânida, definindo um ponto de inflexão na história iraniana. A “islamização” do Irã teve lugar entre os séculos VIII e X, conduzindo ao declínio do Zoroastrismo[3] bem como de várias de suas crenças. Contudo, as conquistas das civilizações persas anteriores não foram perdidas, mas foram, numa grande extensão, absorvidas pelo novo sistema político e civilização.
O Irã, com sua longa história de culturas e impérios originais, havia sofrido muito, particularmente com o final da Idade Média e início do Período Moderno. Muitas invasões de tribos nômades, cujos líderes tornaram-se governantes deste país, afetaram-no negativamente.
O Irã foi mais uma vez reunido, como estado independente, em 1501, pela Dinastia Safávida (falaremos dela adiante), que converteu o Irã ao Islamismo Xiita (que também veremos em detalhe, oportunamente), como religião oficial do seu império, no ponto crítico da história do Islamismo. Novamente atuando como uma potência líder, desta feita na vizinhança do Império Otomano, seu arquirrival por séculos, o Irã havia sido uma monarquia comandada por um imperador, quase sem interrupção, de 1501 até a revolução iraniana de 1979, quando oficialmente tornou-se uma república islâmica em abril de 1979.
Ao longo da primeira metade do século XIX o Irã perdeu muitos dos seus territórios no Cáucaso (que ele havia governado intermitentemente por milênios), compreendendo hoje a Geórgia Oriental, Dagestão, Azerbaijão e Armênia (todos ao noroeste do Irã), para o seu rival vizinho, rapidamente emergente e em expansão, o Império Russo, após as guerras Russo-Persa, entre 1804-1813 e 1826-1828.

II – PRÉ-HISTÓRIA

II.1 – PALEOLÍTICO (2,5 milhões de anos a 10.000 AC)
Divisão da História
em Eras

Apenas para simplificar a vida dos nossos leitores que não estejam muito acostumados com o assunto, apresentamos ao lado uma tabela simplificada com as divisões da História em eras.
Os mais antigos artefatos arqueológicos no Irã foram encontrados nos sítios de Kashafrud e Ganj Par, que datam do ano 100.000, no Paleolítico Médio. As ferramentas de pedra Musteriana (ou Musteriense, nome dado por arqueólogos a um estilo de ferramentas ou indústria predominantemente de pederneira) feitas por homens de Neandertal[4], também foram encontradas. Há mais resíduos culturais dos homens de Neandertal datando do período do Médio Paleolítico que foram principalmente encontrados na região das montanhas Zagros e alguns poucos no Irã Central, em vários sítios arqueológicos. Em 1949 um rádio (osso do braço) Neanderthal foi descoberto por Carleton S. Coon, na caverna de Bisitun. Há também evidências dos períodos Paleolítico Superior e Epipaleolítico (final do Paleolítico Superior, já mergulhando no Mesolítico), principalmente nas Montanhas Zagros, nas cavernas de Kermanshah e Khorramabad e alguns sítios no Alborz e Irã Central.

II.2 – NEOLÍTICO AO CALCOLÍTICO

O Calcolítico é a transição entre o Neolítico e a Idade do Bronze, também chamada de Idade do Cobre, porque aí surgiram o cobre e os monumentos megalíticos.
As mais antigas comunidades agrícolas começaram a florescer cerca de 10.000 AC na região das montanhas Zagros e entorno, no Irã ocidental. Pela mesma época, os mais antigos vasos de argila e figuras humanas e de animais, de terracota começaram a ser produzidas, também no oeste do Irã. O sudoeste do Irã era parte do “Fértil Crescente”[5], onde a maioria das primeiras culturas importantes foram realizadas, em vilas como Susa, um dos mais velhos povoamentos do Irã e do mundo, fundado, possivelmente cerca de 4.400 AC (próximo de Anshan) e povoamentos como Chogha Mish, datando de 6.800 AC; há jarras de vinho escavadas nas montanhas Zagros, com cerca de 7.000 anos de idade e ruínas de povoamentos da mesma idade. As duas povoações principais do Iraniano neolítico são a Cultura do rio Zayandeh e Ganj Dareh.

II.3 – IDADE DO BRONZE

O Elam foi uma das primeiras civilizações de que se tem registro no extremo oeste e sudoeste do que é hoje o Irã, sendo tradicionalmente considerada o ponto inicial da história do Império Persa (e, em decorrência, do Irã). Existiu cerca de 2700 AC até cerca de 539 AC, em seguida ao chamado Período Proto-Elamita, que teve início em cerca de 3200 AC (a cidade capital era Anshan), quando Susa, que viria a ser a capital dos elamitas, começou a ser influenciada por culturas do Planalto Iraniano. Baseado na busca de idade com o C14 (Carbono 14 ou radio carbono, é um isótopo radioativo do carbono, cuja presença em materiais orgânicos é a base do método para determinação de idades de amostras arqueológicas, geológicas e hidrogeológicas), a época de fundação de Susa é cerca de 4.400 AC, além da época de civilização da Mesopotâmia. A percepção geral entre os arqueólogos é que Susa foi uma extensão da cidade sumeriana de Uruk. Há também dúzias de sítios pré-históricos no platô iraniano indicando a existência de culturas antigas e povoações urbanas no quarto milênio. 
Área do Império Elamita, em vermelho, e áreas vizinhas
O Elam situava-se a leste da Suméria e da Acádia (atualmente, o Iraque). No período Elamita Antigo, constituía-se de reinos no Planalto Iraniano, cujo centro era Anshan, e, a partir do II milênio AC, Susa. Sua cultura desempenhou um papel fundamental no Império Persa, em especial durante a dinastia Aquemênida (que veio a suceder a civilização elamita na região), quando a língua elamita continuou a ser empregada oficialmente. O período elamita costuma ser considerado o ponto inicial da história do Irã (embora tenha havido culturas mais antigas no Planalto Iraniano). Os elamitas foram rivais dos sumérios e acádios e, posteriormente, dos babilônios, na disputa pela hegemonia no Oriente Próximo, até que finalmente foram dominados definitivamente por Nabucodonosor II da Babilônia, no século VII AC. Posteriormente, quando a Babilônia caiu ante os persas de Ciro, o Grande, os elamitas passaram a ser gradativamente absorvidos por outras populações iranianas e semitas.
A língua elamita não tem parentesco com as línguas iranianas (nem com as línguas indo-europeias ou as semíticas), embora alguns estudiosos enxerguem uma relação com as línguas dravídicas. O Elam conviveu com o Reino Jiroft, uma das mais antigas civilizações do platô iraniano, estabelecido no que são hoje as províncias orientais do Irã, enquanto que os elamitas controlavam a porção ocidental, na região da Cordilheira de Zagros; posteriormente sucedeu-o, estendendo-se por todo o platô iraniano. 
Taça de prata de Marvdasht
do terceiro milênio AC
Suas escavações arqueológicas conduziram à descoberta de vários objetos pertencentes ao quarto milênio AC. Há uma grande quantidade de objetos decorados com inconfundíveis gravações de animais, figuras mitológicas e motivos arquitetônicos. Os objetos e sua iconografia diferem de qualquer outra coisa já vista por arqueólogos. Muitos são feitos de clorita, pedra macia verde-cinza; outros são de cobre, bronze, terracota e até lápis-lazúli. Escavações recentes no local produziram a inscrição mais antiga do mundo, que antecede as inscrições da Mesopotâmia.
Há registros de numerosas outras civilizações antigas no platô iraniano antes da emergência dos povos iranianos durante a primitiva Idade do Ferro. O início da Idade do Bronze viu a ascensão da urbanização em cidades-estados organizadas e na invenção da escrita (Período Uruk) no Oriente Próximo. Enquanto o Elam da Idade do Bronze usou a escrita em tempos antigos, a escrita Proto-Elamita permanece indecifrada e registros da Suméria pertencentes ao Elam são escassos.
Há uma corrente teológica que afirma terem sido os elamitas descendentes de Elam, um dos filhos de Sem e neto de Noé nascido após o dilúvio bíblico.

II.4 – INÍCIO DA IDADE DO FERRO

O princípio do primeiro milênio AC testemunhou a segunda grande invasão do Planalto Iraniano por tribos indo-arianas provenientes da Transoxiana[6] e do Cáucaso, entre as quais os medos e os persas. O primeiro registro a respeito dos persas vem de uma inscrição assíria de cerca de 844 AC, que se refere aos parsu (Parsuash, Parsumash), localizando-os na área do Lago Urmia (noroeste do Irã), juntamente com outro grupo, os madai (medos).
Os registros tornam-se mais tangíveis com a ascensão do Império Neo-Assírio (911-612 AC), na Mesopotâmia, e seus registros de incursões do Platô Iraniano. A partir do século XX AC, tribos emigraram da estepe Ponto-Caspiana (hoje territórios da Ucrânia, Rússia e Cazaquistão) para o Platô Iraniano. A chegada no Platô Iraniano forçou os elamitas a renunciarem às suas áreas, buscando refúgio no Elam, Khuzistão ou Khuzestão (uma das províncias do Irã) e áreas vizinhas que só então se tornaram limítrofes com o Elam. Pelo meio do primeiro milênio AC, medas, persas e partas povoavam o Platô Iraniano. Até a ascensão dos medas, todos permaneceram sob dominação assíria, como o resto do Oriente Próximo.

[1] Anatólia, também conhecida como Ásia Menor, denota a protrusão ocidental da Ásia, que compõe a maior parte da Turquia. A região é banhada pelo mar Negro ao norte, o mar Mediterrâneo ao sul e o mar Egeu, a oeste. O mar de Mármara forma uma ligação entre os mares Negro e Egeu através dos estreitos de Bósforo e Dardanelos e separa a Anatólia da Trácia, no continente europeu. Aproximadamente corresponde a dois terços ocidentais da parte asiática da Turquia.
[2] A Ásia Central espalha-se do Mar Cáspio, no oeste, à China, no leste e do Afeganistão, no sul, à Rússia, no norte, mas nunca houve uma demarcação oficial da área. Coloquialmente, ela se refere também aos “stãos”, já que os países geralmente considerados dentro da região, possuem todos o sufixo persa “stão”, que significa “terra de”.
[3] O zoroastrismo, masdaísmo, masdeísmo ou parsismo é uma religião fundada na antiga Pérsia pelo profeta Zaratustra, a quem os gregos chamavam de Zoroastro. É considerada como a primeira manifestação de um monoteísmo ético. De acordo com historiadores da religião, algumas das suas concepções religiosas, como a crença no paraíso, na ressurreição, no juízo final e na vinda de um messias, viriam a influenciar o judaísmo, o cristianismo e o islamismo. Tem seus fundamentos fixados no Avesta (parte das escrituras sagradas do Zoroastrismo) e admite a existência de duas divindades (dualismo), as quais representam o Bem (Aúra-Masda) e o Mal (Arimã). Da luta entre essas divindades, sairia vencedora a divindade do Bem.
[4] O Neandertal (algumas vezes chamado de "Vale do Neander") é um pequeno vale do rio Düssel, no estado alemão do North Rhine-Westphalia, localizado cerca de 12 km a leste de Düsseldorf, a capital do estado. Em agosto de 1856 a área tornou-se famosa com a descoberta do Neanderthal 1, o primeiro espécime do Homo neanderthalensis a ser encontrado.
[5] Também conhecido como “Berço da Civilização”, o “Fértil Crescente” é uma região em forma de quarto crescente que contém a terra comparativamente úmida e fértil das terras áridas e semiáridas da Ásia Ocidental, o vale do Nilo e o Delta do Nilo. O conceito originou-se no estudo da história antiga e logo desenvolveu-se, retendo hoje significados nas relações geopolíticas e diplomáticas internacionais. No uso corrente, todas as definições do Fértil Crescente incluem a Mesopotâmia, as áreas dos vales dos rios Tigre e Eufrates e o Levante, a costa oriental do Mar Mediterrâneo. Os países atuais, com território significativo no Fértil Crescente, são Iraque, Síria, Líbano, Chipre, Jordânia, Israel, Estado da Palestina, Egito, bem como a borda sudeste da Turquia e as bordas do Irã ocidental. A região viu o desenvolvimento de algumas das mais antigas civilizações que floresceram graças às fontes hídricas e recursos agrícolas existentes no Fértil Crescente. Avanços tecnológicos da região incluem o desenvolvimento da escrita, o vidro, a roda, a agricultura e a irrigação.
[6] A Transoxiana é uma denominação obsoleta para uma região da Ásia Central correspondente aos atuais Uzbequistão, Tadjiquistão e sudoeste do Cazaquistão. Geograficamente, localiza-se entre os rios Amu Dária e Sir Dária. No período Aquemênida, a região chamava-se Sogdiana.

domingo, 23 de novembro de 2014

AS TRÊS PRIMEIRAS GRANDES CIVILIZAÇÕES MUNDIAIS: MESOPOTÂMIA (PARTE 03)

IV – MESOPOTÂMIA

A palavra Mesopotâmia, etimologicamente, origina-se do grego, com o significado de “(terra) entre rios”. Geograficamente é o nome da área do sistema fluvial dos rios Tigre e Eufrates, correspondente ao atual Iraque, a região nordeste da Síria, uma parte menor ao sudeste da Turquia e partes menores do sudoeste do Irã e do Kuwait. As duas figuras que seguem (Figuras 1 e 2) mostram a localização da Mesopotâmia; na primeira, a região da Mesopotâmia é mostrada em verde escuro, iniciando um pouco ao sul da Turquia e terminando no Golfo Pérsico; na segunda, de forma mais esquemática, em amarelo (dentro do rosa), pode-se ver a sua localização em relação aos países atuais da região.
Figura 1
Mesopotâmia é o nome de uma área - e não de um país -, que possuiu, durante diversas épocas, fantásticas cidades e mesmo regiões que, a seu tempo, foram sedes de importantes impérios ou ricas culturas que floresceram no Iraque antigo, tais como: Suméria, Akkadiana, Assíria, Babilônia e muitas outras cuja influência estendeu-se a países vizinhos, a partir de 5.000 AC. Ela tem sido chamada de “o berço da civilização” porque a agricultura (irrigada ou não), criação e domesticação de animais se desenvolveram lá, muito antes do que em qualquer outro lugar.
Figura 2
A região da Mesopotâmia costuma ser dividida em duas partes: a Mesopotâmia Superior ou Norte, também conhecida como Al-Jezirah (a ilha), é a área entre o Eufrates e o Tigre, desde suas nascentes até Bagdá; a Mesopotâmia Inferior ou Sul consiste do sul do Iraque, Kuwait e partes do Irã Ocidental. Até as conquistas muçulmanas, a área era designada por Mesopotâmia; após aquela data, palavras como Síria, Jezirah e Iraque passaram a ser utilizadas para designar a área.
Há pelo menos duas formas de estudar a civilização mesopotâmica: (1) apreciá-la no conjunto de toda a região; e (2) analisar individualmente os vários impérios que a dominaram ao longo da antiguidade e que, mesmo dominantes no todo, sempre tiveram ascensões e quedas. Nós vamos tentar um misto das duas coisas; faremos, inicialmente, uma exposição sobre os aspectos gerais da Mesopotâmia, não influenciados pelo governo da época, sempre que isso for possível; posteriormente, faremos uma breve descrição dos maiores impérios que dominaram a região, no que se refere às suas mais importantes especificidades, considerando que os aspectos gerais da região já terão sido descritos.

IV.1 - GEOGRAFIA

A Mesopotâmia abarca a área entre os rios Tigre e Eufrates, ambos com as nascentes nas montanhas da Armênia, na Turquia moderna, alimentados por numerosos tributários e drenando uma vasta região montanhosa. As rotas terrestres na Mesopotâmia usualmente seguem o Eufrates, já que as margens do Tigre são frequentemente íngremes e difíceis. O clima da região é semiárido, com uma vasta extensão desértica ao norte que cede lugar a uma região de pântanos, lagoas, alagadiços e margens de juncos, com 15.000 km2, ao sul. No extremo sul, o Tigre e o Eufrates se unem para despejar suas águas no Golfo Pérsico. Trata-se de um ambiente árido, com terras ao norte onde a agricultura é mantida apenas com água da chuva, até a área ao sul onde apenas a agricultura irrigada subsiste, a partir do lençol freático alto e das águas nivais dos altos picos das Montanhas Zagros (noroeste do atual Irã) e da Cordilheira Armênia. A utilidade da irrigação depende da habilidade em mobilizar mão de obra suficiente para a construção e manutenção de canais, o que, nos tempos primitivos, foi fator fundamental para os assentamentos urbanos e sistemas centralizados de autoridade política.
Por toda a região, a agricultura foi complementada pelo pastoreio nômade que criava ovelhas e cabras (e mais tarde camelos) com as pastagens marginais, nos meses secos de verão e nas terras de pastagens das orlas desérticas dos invernos úmidos. A área sempre foi muito carente em pedras de construção, madeira e metais preciosos e, historicamente, foi obrigada a fiar-se a um comércio de produtos agrícolas de longa distância para garantir tais itens de áreas externas. Nas áreas pantanosas do sul, uma complexa cultura de pesca sempre existiu desde tempos pré-históricos, adicionada ao caldo cultural.
Interrupções periódicas no sistema cultural ocorreram por várias razões. A demanda por trabalho, de tempos em tempos, conduziam a aumentos de população que beiravam os limites da capacidade ecológica; se um período de instabilidade climática seguisse, sobreviria o colapso do governo central e a ocorrência do declínio da população. Por outro lado, a vulnerabilidade a invasões militares por tribos das colinas marginais ou pastores nômades, conduziu a períodos de colapso no comércio e ao abandono dos sistemas de irrigação. Da mesma forma, as tendências centrípetas entre as cidades estados sempre significou que a autoridade central sobre toda a região, quando imposta, tendia a ser efêmera e o localismo fragmentava o poder em unidades regionais tribais ou ainda menores, tendências que persistem até hoje no Iraque.

IV.2 - HISTÓRIA

A pré-história do Antigo Oriente Próximo[1]  inicia no período do Baixo Paleolítico, mas a escrita iniciou com a pictografia no período Uruk IV (quarto milênio AC) e o registro documentado de eventos históricos reais – e a história antiga da Mesopotâmia inferior – começou no meio do terceiro milênio AC, com registros cuneiformes dos primeiros reis dinásticos, terminando ou com a chegada do Império Aquemênida[2]  no final do século VI AC, ou com a conquista árabe islâmica da Mesopotâmia e o estabelecimento do Califado ao final do século VII DC, a partir da qual a região passou a ser conhecida como Iraque. Durante este período a Mesopotâmia abrigou alguns dos mais altamente desenvolvidos e socialmente complexos estados do mundo. A região foi uma das quatro civilizações ribeirinhas onde a escrita foi inventada, junto com o vale do Nilo, no Egito, o Vale do Indo, no subcontinente indiano, e o vale do rio Amarelo, na China. A Mesopotâmia abrigou cidades historicamente importantes (Figura 3), tais como Uruk, Nippur, Níneve, Assur e Babilônia, bem como grandes estados territoriais, como a cidade de Eridu, o reino Akkadiano, a Terceira Dinastia de Ur e os vários impérios assírios.
Figura 3
Alguns dos importantes líderes da Mesopotâmia foram Ur-Nammu (rei de Ur), Sargão (que estabeleceu o império Akkadiano), Hammurabi (que estabeleceu o estado da Velha Babilônia), Ashur-Uballit II e Tiglath-Pileser I (que estabeleceram os impérios Assírios).



CRONOLOGIA (essa cronologia ficará bem clara quando chegarmos aos impérios da Mesopotâmia)

Pré e proto-história[3]
•             Neolítico A Pré-Cerâmico (10.000–8.700 AC)
•             Neolítico B Pré-Cerâmico (8.700–6.800 AC)
•            Culturas Hassuna (~6.000 AC–? AC), Samarra (~5.700 AC–4.900 AC) e Halaf (~6.000 AC–5.300 AC)
•            Período Ubaid (~5.900–4.400 AC)
     Período Uruk (~4.400–3.100 AC)
     Período Jemdet Nasr (~3.100–2.900 AC)
Início da Idade do Bronze
     Início do período Dinástico[4] (~2.900–2.350 AC)
     Império Akkadiano (~2.350–2.100 AC)
     Período Ur III (.2112–2.004 AC)
     Início do Reino Assírio (Séculos XXIV a XVIII AC)
Idade do Bronze Médio
     Babilônia Inicial (Séculos XIX a XVIII AC)
    Colapso da Primeira Dinastia Babilônica (Séculos XVIII a XVII AC): erupção Minóica[5].
    Erupção Minóica(cerca de 1.620 AC)
Final da Idade do Bronze
    Período Médio Assírio (Séculos XVI a XI AC)
    Império Assírio (cerca de 1.365 AC a 1.076 AC)
    Colapso da Dinastia Kassita na Babilônia (cerca de 1.595 AC a 1.155 AC)
    Colapso da Idade do Bronze (Séculos XII a XI AC)
Idade do Ferro 
    Estados regionais Novo-Hitita ou Siro-Hitita (Séculos XI a VII AC)
    Império Novo-Assírio (Séculos X a VII AC)
    Império Novo-Babilônio (Séculos VII a VI AC)
•      Antiguidade Clássica
    Babilônia Persa, Assíria Aquemênida (Séculos VI a IV AC)
    Mesopotâmia Selêucida (Séculos IV a III AC)
    Babilônia Antiga Pérsia (Séculos III A.C a III DC)
    Osroene (Séculos II AC a III DC)
    Adiabene (Séculos I a II DC)
    Hatra (Séculos I a II DC)
    Mesopotâmia Romana, Assíria Romana (Século II DC)
Final da Antiguidade
    Mesopotâmia Persa, Assíria Persa (Séculos III a VII DC)
    Conquista Árabe Muçulmana da Mesopotâmia (a partir do meio do Século VII DC)

IV.3 - LINGUA E ESCRITA

A primeira língua escrita na Mesopotâmia, foi sumeriana, embora dialetos semíticos[6]  também fossem falados originalmente. Subartuan, a linguagem dos Zagros, talvez relacionada à família de linguagem hurro-urartuana, aparece em nomes de pessoas, rios e montanhas e em vários ofícios. O akkadiano tornou-se a língua dominante durante os Impérios Akkadiano e Assírio, mas o sumeriano foi preservado para finalidades administrativas, religiosas, literárias e científicas. O aramaico, que já havia sido comum na Mesopotâmia, tornou-se então a língua da administração provincial do primeiro Império Novo Assírio e então do Império Aquemênida Persa. O akkadiano caiu em desuso, mas ele e o sumeriano ainda foram usados em templos durante alguns séculos. Os últimos textos akkadianos datam do final do século I DC.
No início da história da Mesopotâmia (pelo milênio IV AC), a escrita cuneiforme foi inventada para a língua suméria. Literalmente, “cuneiforme” significa em forma de cunha, devido à ponta triangular do buril usado para imprimir sinais na argila úmida. A forma padronizada de cada sinal cuneiforme parece ter sido desenvolvida de pictogramas. Os primeiros textos (sete placas arcaicas) vêm do templo E (palavra ou símbolo sumério para casa ou templo), dedicado à deusa Inanna (deusa do amor, fertilidade e da guerra), em Uruk (cidade da Mesopotâmia), de um prédio designado por Templo C por seus descobridores.
O primeiro sistema logográfico[7]  de escrita cuneiforme levou vários anos para dominar. Assim, somente um número limitado de indivíduos foi contratado como escribas para serem treinados no seu uso. Apenas após a disseminação da escrita silábica ter sido adotada, sob o governo de Sargão, porções significativas da população da Mesopotâmia se tornaram literatas. Arquivos maciços de textos foram recuperados dos contextos arqueológicos das escolas escribas da antiga Babilônia, pelas quais a arte da escrita foi disseminada.
Bibliotecas e templos do império babilônico proliferavam nas cidades; mulheres, como os homens, aprendiam a ler e escrever e para os babilônios semitas, isso envolvia o conhecimento da extinta linguagem suméria, além de um complicado e extensivo silabário. Um velho provérbio sumério afirmava que “aquele que quiser sobressair na escola dos escribas, deve levantar com a madrugada”.
Uma quantidade considerável de literatura babilônica foi traduzida de originais sumérios e a língua da religião e da lei, por muito tempo continuou a ser a velha linguagem da Suméria. Vocabulários, gramáticas e traduções foram compilados para o uso dos estudantes, bem como comentários sobre os textos antigos e explicações de palavras e frases obscuras. Os caracteres do silabário foram arranjados e nomeados e listas foram redigidas.
Muitos trabalhos literários babilônicos ainda são estudados hoje. Um dos mais famosos deles é o “Épico de Gilgamesh”, em doze volumes, traduzido do original sumério por Sin-liqe-unninni. Cada divisão contém a história de uma única aventura na carreira de Gilgamesh (de quem ainda falaremos). A história completa é um produto composto, embora provável que algumas das histórias sejam artificialmente conectadas à figura central.

IV.4 - RELIGIÃO E FILOSOFIA

A religião da Mesopotâmia foi a primeira a ser registrada. Os mesopotâmios acreditavam que a Terra era um disco plano, circundado por um imenso espaço vazio, com o céu acima. Acreditavam também que a água encontrava-se em todos os lugares e que o universo havia nascido desse enorme mar. Sua religião era politeísta e embora a crença geral, havia variações regionais. A palavra suméria para universo é an-ki, que se refere ao deus Na e à deusa Ki. Seu filho era Enlil, o deus do ar que acreditavam ser o deus mais poderoso, chefe do Panteon, equivalente aos posteriores Zeus grego e Júpiter romano. Os sumérios colocaram questões filosóficas, como: “Quem somos?”, “Como chegamos aqui?”. E deram respostas a essas questões como explicações fornecidas por seus deuses.
As origens da filosofia podem ser rastreadas à sabedoria da Mesopotâmia primitiva, que incorporava certas filosofias de vida, particularmente ética, nas formas de dialética, diálogos, poesia épica, folclore, hinos, letras, prosa e provérbios. O raciocínio e racionalidade babilônicos avançaram além da observação empírica. As primeiras formas de lógica foram desenvolvidas pelos babilônios, cujo pensamento era axiomático e comparável à “lógica ordinária” descrita por John Maynard Keynes. Tal lógica foi empregada, em alguma medida, à astronomia e à medicina babilônica.
O pensamento babilônico teve uma considerável influência na filosofia inicial grega e helenística, mormente no pensamento dos sofistas e na dialética e diálogos de Platão, bem como um precursor aos métodos de Sócrates; o filósofo jônico Tales, de Mileto, foi influenciado pelas ideias cosmológicas babilônicas.


[1] O termo “Antigo Oriente Próximo” usa uma distinção do século XIX entre “Oriente Próximo” e “Extremo Oriente” como regiões globais de interesse do Império Britânico, iniciada durante a Guerra da Crimeia. A última partição importante do oriente entre esses dois termos era corrente em diplomacia ao final do século XIX com os Massacres Hamidianos dos Armênios e Assírios pelo Império Otomano em 1894 – 1896 e a Guerra Sino-Japonesa de 1894-1895. Esses dois teatros de guerra eram descritos pelos estadistas e conselheiros do Império Britânico como “o Oriente Próximo” e o “Extremo Oriente”. Logo eles passaram a repartir o palco com o “Oriente Médio”, que prevaleceu no século XX e prossegue nos tempos modernos.

[2] Também chamado “Primeiro Império Persa, foi um império centrado na Ásia Ocidental, Irã, fundado no século VI AC, por Ciro, o Grande. O nome vem do rei Aquemenes, que governou a Pérsia entre 705 e 675 AC. Falaremos dele quando chegarmos ao final do Império Babilônico.
[3] A “Pré História” designa o período anterior à história escrita. A Proto-História refere-se ao period entre a pré-história e a história, durante o qual uma cultura ou civilização ainda não desenvolveu a escrita, mas outras culturas já havias notado a sua existência em seus próprios registros. Por exemplo, na Europa, as tribos Celtas e Germânicas podem ser consideradas terem sido proto-históricas quando começaram a aparecer nos textos gregos e romanos. Proto-histórico pode também se referir ao período de transição entre o advento da literatura numa sociedade e os escritos dos primeiros historiadores. Sítios coloniais envolvendo um grupo literato e outro iliterato, são também estudados como situações proto-históricas.
[4] A Dinastia implica numa sequência de governantes da mesma família, raça ou grupo, de que tivemos exemplos e ainda temos em algumas partes do mundo. Nesse caso, um período dinástico, significa dizer que, naquele período, começou a imperar uma dinastia. O governo de uma tal sequência chama-se também uma dinastia, da mesma forma, que uma série de membros de uma família que se distingue por seu sucesso, poder, riqueza etc ....
[5] A Erupção Minoica, também conhecida como erupção de Thera ou de Santorini, foi uma catastrófica erupção vulcânica que atingiu a escala 6 ou 7 da escala “Indicador de Explosão Vulcânica (IEV)”, ocorrida no meio do segundo milênio AC Um dos maiores eventos vulcânicos de que se tem registro, devastou a ilha de Thera (também chamada de Santorini), localizada no arquipélago grego entre Grécia e Turquia, e incluiu o assentamento minoico de Akrotiri, bem como as comunidades e áreas agrícolas das ilhas próximas e a costa de Creta. A civilização minoica foi uma civilização da idade do Bronze, no mar Egeu, que surgiu na ilha de Creta, florescendo de 2.700 a 1.450 AC; foi redescoberta no início do século XX
[6] Um Semita é um membro de qualquer dos vários povos antigos e modernos de língua semita, originários do Oriente Médio, incluídos os Akkadianos (Assírios/Siríacos e Babilônios), Amonitas, Amoritas, Arameus, Caldeus, Canaanitas (incluindo Hebreus/Israelitas/Judeus e Fenícios/Cartagineses), Eblaitas, Dilmunitas, Edomitas, Semitas Etiópios, Hicsos, Árabes, Nabateanos, Malteses, Mandeanos, Malamitas, Moabitas, Sabanitas e Ugaritas. A palavra “semítico” é derivada de “Sem”, um dos três filhos de Noé, da Gênesis. O conceito de povo “semítico” é derivado dos relatos bíblicos das origens das culturas conhecidas aos antigos hebreus. Em um esforço para categorizar os povos conhecidos deles, aqueles que lhes eram mais próximos em cultura e língua, foram geralmente considerados como descendentes de seu antepassado Sem.
[7] Um logograma é um grafema (a menor unidade semanticamente distinguível numa linguagem escrita, da mesma forma que um fonema na linguagem falada) que representa uma palavra ou morfema (a menor unidade com significado em uma língua). Logogramas são também conhecidos como “ideogramas”, embora os últimos representem mais ideias diretamente que palavras e morfemas. Sistemas logográficos, ou logografias, incluem os primeiros sistemas reais de escrita.


Continua com a PARTE 4.